quinta-feira, 27 de março de 2014

O Poder da Reconciliação



Vivemos num mundo de relacionamentos fragmentados. É fácil perder amigos, se distanciar das pessoas, divorciar, afastar-se dos pais, desenvolver relacionamentos distantes e frios, que geram ressentimentos e amarguras que nos acompanham até a sepultura. Assustamo-nos com a quantidade e a facilidade com que as pessoas se divorciam. Como realizo muitas cerimônias de casamento, o divórcio torna-se para mim algo quase inconcebível depois de ver tantos sonhos, planejamentos e investimentos financeiros. Gastam-se verdadeiras fortunas numa festa apoteótica e milionária, que pode acabar dentro de um ano. A fantasia se desfaz, o sonho se desmorona, surgem as acusações, laços se dissolvem, votos são quebrados e famílias separadas.
Como precisamos de reconciliação neste mundo tão fragmentado.
Rick Warren afirma que a palavra chave na Bíblia é relacionamento, e de fato é assim que ela sintetiza a obra de Cristo: “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo mesmo o mundo”.Cristo veio fazer a reconciliação que se rompeu quando o homem resolveu viver de forma autônoma e independente.
Poucas coisas na existência moderna são tão necessárias e urgentes quanto a reconciliação, e poucas trazem tantos benefícios para a alma humana e para o corpo. É impossível ter saúde emocional numa existência fragmentada. Não dá para simplesmente esquecer a história e família, continuar doente da alma, tendo sempre que lidar com fantasmas e sombras do coração. Relacionamentos mal resolvidos nos deixam fragilizados para o resto da vida. Platão afirmou que “a alma culpada correrá inconscientemente para seu juiz”. Quando não lidamos com perdão, graça e reconciliação, fragmentamos a história. É como um osso quebrado e mal cicatrizado, tenta-se ignorar o problema, mas ele está presente.
A dificuldade na reconciliação é que tudo começa com iniciativas unilaterais, mas quem quiser dar o primeiro passo quando não é possível prever como o outro vai reagir. Em geral, condições prévias não podem ser asseguradas. Por isto, reconciliação é via de mão única. Foi isto que Deus fez por meio de Jesus. Ele morreu por nós sendo nós ainda pecadores. Éramos rebeldes e egocêntricos e ele nos amou de forma incondicional. Paulo afirma que amamos a Deus porque ele nos amou primeiro. Nenhuma condição! Ele amou, ele assumiu o ônus, e isto se torna ainda mais impressionante quando consideramos que ele era a parte ofendida, e não o ofensor.
No entanto, o que pode nos levar a buscar reconciliação? Diria simplesmente: Porque vale a pena.  Sempre imaginamos o pior cenário, mas anos de sofrimento acusação e separação podem ser restaurados com a expressão: “Você me perdoa?”. Muitos erros são frutos da imaturidade e leviandade e quando nos desarmamos as ameaças e temores podem ser vencidos.
Quanta revolução a reconciliação pode trazer: paz com Deus, harmonia familiar, perdão entre irmãos, casamentos refeitos, uma nova linha de comunicação entre pais e filhos. Reconciliação capacita-nos sepultar o passado, zerar a conta e virar a página. Reconciliação desmonta resistências. Todo ódio e distanciamento podem ser desfeitos com um sincero abraço, um beijo de reconciliação e lágrimas de perdão.
Famílias facilmente escondem ódios profundos e atitudes insanas, mas a reconciliação põe fim a anos de angústia e expectativa do pior. Quem trilhou este caminho de cura entende o que estou dizendo.

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