quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Tipos de Personalidade




Vários testes de personalidade já surgiram e muitos deles são populares como o 16 PF, Disk, Rorschach. Carl Jung descreveu oito tipos de personalidades a partir do extrovertido/introvertido, temos ainda o conhecido Eneagrama, todos eles tentando, de alguma forma, descrever indivíduos e ajudá-los e perceber seus pontos fortes e fraquezas.

O teste mais respeitado é chamado de “Big Five”. São cinco características que as pessoas costumam ter em maiores quantidades. São elas: extroversão, conscienciosidade, afabilidade, abertura à experiência e neurose.

Extroversão e abertura a novas experiências têm significados claros. Afabilidade leva em conta a forma de interagir e cooperar com outras pessoas. Conscienciosidade mede a autodisciplina, a capacidade de alguém de manter seus próprios impulsos na rédea curta. Por último, vem a neurose, termo que a ciência escolheu para resumir a instabilidade emocional. Os cinco fatores em conjunto, podem chegar a três tipos básicos: os reservados, os autocentrados e os exemplares.

Os reservados são pessoas tipicamente tímidas, que tendem a afabilidade e autodisciplina, mas encontram dificuldade em abertura a novas experiências. Os autocentrados são mais extrovertidos, e tem médias baixas em todo resto. Não se preocupam demais com os outros nem com a própria disciplina e são estáveis emocionalmente.

Os “exemplares” são aquelas que sabem lidar bem com suas próprias emoções, se dão bem com os outros e lidam bem com as frustrações. Nos testes, apresentaram baixos índices de neurose, altos de conscienciosidade, afabilidade, extroversão e abertura a novas experiências.

Recentemente cientistas americanos encontraram uma nova forma de descrever a personalidade humana. Eles analisaram dados de 1,5 milhão de pessoas, o que configura o mais extenso estudo do gênero já feito na história e encontraram um outro tipo. 

O que elas tem de especial? A resposta é: nada. Seria o perfil mediano, “normal”. Muitas pessoas tem níveis de afabilidade, conscienciosidade, extroversão, neurose e abertura à experiências e a grande maioria delas têm níveis parecidos dessas características e desta forma sua pontuação acaba ficando na média.

Ainda que pareça meio sem graça, a realidade é que você pode se enquadrar neste tipo. Você tem tudo para ser uma pessoa comum. Nada mais! Mesmo que você tenha sido um jovem superautocentrado e evoluído ou seja um adulto modelo, na maioria das vezes você é apenas… Mediano. Como (quase) todo mundo.


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Desigualdade social e violência



É alarmante e assustador a violência no Brasil. De acordo com a OMS, 123 pessoas morrem vítimas de homicídios por armas de fogo todos os dias no Brasil. O Brasil teve no ano passado 59.103 vítimas assassinadas – uma a cada 9 minutos, em média. O dado contabiliza todos os homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, que, juntos, compõem os chamados crimes violentos letais e intencionais. O Brasil mata 207 vezes mais que Alemanha, Áustria, Dinamarca e Polônia e vive uma epidemia de violência, que é um obstáculo para o crescimento econômico.

A riqueza demasiada de um lado e a pobreza demasiada de outro é um dos maiores fatores de violência social. Na verdade a desigualdade já é em si uma violência e um problema que afeta grande parte da população brasileira, embora nos últimos anos ela tenha diminuído. Estatísticas apontam que, nos últimos anos 28 milhões de brasileiros saíram da pobreza absoluta e 36 milhões entraram na classe média, entretanto, estima-se que 16 milhões de pessoas ainda permanecem na pobreza extrema.

O Brasil está entre os dez países com o PIB mais alto, e o oitavo país com o maior índice de desigualdade social e econômica do mundo. As principais causas da desigualdade social são: Falta de acesso à educação de qualidade; política fiscal injusta; baixos salários e dificuldade de acesso aos serviços básicos: saúde, transporte público e saneamento básico.

O professor Leandro Piquet Carneiro, da Faculdade de Ciências Políticas da USP diz que “ao cruzar dados socioeconômicos e criminais foi possível provar que a extrema necessidade pode ser um incentivo ao crime, e Daniel Cerqueira, do IPEA afirma que “o grande combustível da criminalidade é a desigualdade social”.

Quando se fala em segurança, discute-se armamento, aumento do contingente policial, encarceramento, diminuição da idade penal, pena de morte, mas não se discute as causas e a profilaxia. A ausência da inclusão social transforma muitos jovens em presas fáceis para os líderes do tráfico. A violência não vai mudar enquanto as diferenças econômicas forem tão grandes.

A redução de 74% dos assassinatos na década de 90 em Nova York, no Programa tolerância zero deveu-se ao maior rigor da justiça, mas também aos programas sociais e da reestruturação de áreas urbanas.

A injustiça social é resultado de uma construção social perversa. A justiça social é uma das implicações do evangelho e ignorar tal desafio gera grandes dificuldades para a consciência e para o testemunho cristão. Precisamos redobrar esforços para seguir os passos de Jesus, que “andou entre nós fazendo o bem”.  

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Brasilidade e brasileirismos



O nosso país realmente encontra-se na UTI ou o pessimismo do brasileiro é desproporcional à realidade? O que você acha? Será que realmente nosso negativismo corresponde aos fatos?

O perfil do brasileiro normalmente descrito como sendo um povo hospitaleiro, gentil, otimista, divertido e alegre está mudando rapidamente. Uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos em 25 países aponta que estamos entre os quatro povos mais pessimistas do mundo. Isto te surpreende? 94% dos brasileiros acham que o país está no rumo errado, e este índice encontra-se numa linha ascendente, podendo chegar facilmente a 99%. Unanimidade.

Na época do “Brasil Grande”, o brasileiro orgulhava-se da nação, mas com o crescente linchamento pelas redes sociais, a mídia terrorista apresentando sempre o lado sombrio da realidade, o aumento no número do desemprego, a falta da confiança nas instituições e o impacto da corrupção da classe política, o Brasil entrou num quadro de depressão social. Oito anos atrás, 25% dos imóveis negociados na Flórida estavam sendo adquiridos por brasileiros endinheirados, e hoje, quem agita o mercado imobiliário de Lisboa é o Brasil. Ainda gostamos de investir em imóveis, mas não queremos mais investir no Brasil. Dezenas de fábricas do sul do país estão se mudando para o Paraguai (Quem diria?) porque não suportam mais o excesso de burocracia e de leis confusas em nosso país.

A crise ética e politica, contaminou o humor da nação. O desânimo é gerado pela falta de esperança e da falta de expectativa de mudança. Mudam os governantes, mas percebe-se que o cenário não muda. Tivemos por vários anos uma direita burra, incompetente, indiferente à necessidade do pobre, que deixou de investir em educação e saúde e criou o ambiente para uma esquerda populista, igualmente corrupta, cujo discurso utópico e romântico revelou-se de um desatino mental absurdamente esquizofrenizado, que insiste numa inocência e pureza idiota, e o resultado encontra-se aí numa nação desacreditada de si mesma.

Milton Nascimento sintetiza bem a frustração social na letra da música Carta à República:
Ao ver que o sonho anda pra trás, E a mentira voltou
Ou será mesmo que não nos deixara?
A esperança que a gente carrega é um sorvete em pleno sol
O que fizeram da nossa fé?

Eu briguei, apanhei, eu sofri, aprendi,
Eu cantei, eu berrei, eu chorei, eu sorri, Eu saí pra sonhar meu país
E foi tão bom, não estava sozinho. A praça era alegria sadia
O povo era senhor, e só uma voz, numa só canção

E foi por ter posto a mão no futuro, que no presente preciso ser duro
E eu não posso me acomodar - Quero um país melhor

Algumas questões podem nortear a discussão:

1.   Até quando a estúpida classe política vai continuar acreditando que uma nação sobrevive com o estrangulamento produtivo e a corrupção sistêmica?

2.   Qual o papel da mídia neste emaranhado? Sem ser romântica não poderia utilizar seu potencial para falar do Brasil que dá certo? Dos brasileiros que inspiram?

3.   Qual é o papel da igreja, comunidades e instituições em potencializar e educar para um Brasil melhor, sem ser instrumentalizada pela direita ou esquerda cuja obsessão é meramente controle e poder?

4.   O que nós, individualmente podemos fazer para mudar o cenário, sendo agentes de transformação social?