Com
o passar dos anos surge uma tendência em nosso coração de nos tornarmos
cínicos, céticos e rudes. Hoje entendo melhor Elis Regina quando dizia: “Não
confie em ninguém com mais de 30 anos”,
ou a declaração de Milton Nascimento: “O que fizeram com nossa fé?...
nossa esperança é como um sorvete que se derrete em pleno sol”.
Cansam-me
as tolas e faraônicas obras que são feitas no Brasil, não para que se construa
um país sério, mas para justificar maracutaias intermináveis, com desperdício
do erário público. Cansam-me a atitude estúpida de empresários, que poderiam
fazer um bom serviço com os contratos firmados e ainda terem bons lucros, mas
decidem fazer com o pior material, subornar fiscais corruptos, para produzirem
obras anacrônicas, retrógadas e antiquadas, não porque não são capazes de fazer
coisas melhores, mas para justificar a malandragem e o jeitinho.
Cansam-me
os viadutos que movimentam milhões de reais e que são feitos da forma mais
rudimentar possível, apenas para que se justifique o valor da obra. Cansam-me a
ganância daqueles que não pensam de forma empresarial: “Vou fazer porque tenho
uma empresa eficiente e ágil”, antes consideram: “Vou ganhar dinheiro porque
sei os caminhos tortuosos dos meandros políticos”. Cansam-me reportagens sobre
infindáveis corrupções. Gente que não sabe ganhar dinheiro honestamente, nem
fazer fortunas por competência.
Cansam-me
o jargão “é corrupto, mas faz”, já que o corrupto não faz. Ele é o
anti-empresário, anti-Brasil, que se expõe ao juízo da história que vai
ridicularizar suas babaquices e anacronismos. Cansam-me a estupidez e
arrogância de líderes, que tendo o poder de fazer o melhor para a história de
um povo, decidem usar os piores mecanismos. Gente que não se contenta em ganhar
bem através da eficiência e competência, mas que decide pela mediocridade e se
gaba dela.
Cansam-me
as passeatas das vadias, dos gays e lésbicas, da liberação da maconha, ou mesmo
“carreatas de Jesus” para promover políticos fisiologistas que são ateus, mas gritam
aleluias em grandes concentrações pentecostais para impressionar pessoas
simples e atrair sobre si o julgamento de Deus. Será que não existem propostas
mais maduras, conscientes e causas mais sérias pelas quais tenhamos que lutar?
Nossa luta política precisa de motivos mais sublimes, num país onde crianças
ainda são entregues à prostituição, e se chafurdam nas drogas com 10 anos de
idade.
Cansam-me
o fisiologismo do atraso, que impede a melhoria de infra-estrutura do país, a
morosidade nos contratos, obras inacabadas, caros aterros e pontes, hospitais
prontos e equipados com sofisticados equipamentos mas que não podem ser
inaugurados por motivos políticos mesquinhos; rodovias com aterros, com pontes
e viadutos prontos, mas que são abandonadas pela incompetência de um plano de
gestão, fazendo com o que todo investimento anterior fuja pelo ralo.
Será
que não dá para fazer algo melhor? Será que não dá para buscar excelência? Será
que não podemos interromper esta canseira?