quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Vendo a vida por outro prisma

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Recentemente me surpreendi ao retornar para casa, andando pelas mesmas esquinas, ao perceber detalhes e ângulos das mesmas ruas, casas e árvores pelas quais estou passando rotineiramente. Não fiz nenhum esforço para isto, simplesmente aconteceu e foi maravilhoso enxergar o mesmo caminho, “a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim” de forma diferente. Nada era novo no cenário, mas algo interessante estava acontecendo na minha percepção.

Diante disto, comecei de forma intencional descobrir novos ângulos no mesmo caminho. Velhas e conhecidas casas possuíam detalhes que agora se entremeavam e se confundiam com novas imagens. Foi uma aventura poética, e de lá para cá, tenho buscado encontrar novos ângulos em cenários antigos.

Comparei a leveza de tal experiência com a própria vida.

Talvez o fato de estarmos sempre fazendo as mesmas leituras e enxergando as coisas da mesma forma, seja a causa de tanta ansiedade, angústia, desânimo e medo. O nosso “software” mental é o mesmo de muitos anos de frustração, somos incapazes de ver como a vida é dinâmica. Vemos apenas o velho, repetitivo e monótono sinal, carregado de antigas imagens, eventuais más recordações e tóxicas lembranças de fatos e pessoas.

Precisamos de uma nova programação. É urgente a necessidade de novas lentes para se ver a vida por outros ângulos, criando novos cenários, imagens e perspectivas.

Esta semana, celebra-se timidamente no Brasil o Dia Nacional de Ações de Graças. O que a gratidão faz? Ela muda a leitura, como bem afirmou Norman Vincent Peale: “Ser agradecido faz todas as coisas melhores”, ou ainda “gratidão é o amor contemplando o passado” (Moacir Bastos).

Podemos colocar a visão na amargura, descontentamento, ódio, frustração e ira, ou podemos criar novos ângulos nesta lente ótica e enxergar a história com esperança, sonhos e gratidão.

Em qual rua queremos andar?


Na estrada do ressentimento que traz desespero e morte, ou na rua da gratidão, onde podemos encontrar alegria e vida? 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As sepulturas do desejo

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O mundo do marketing e da mídia reconhece que o ser humano se move por desejo. É isto que nos impulsiona. Desejamos satisfação imediata daquilo que nos atrai, e os marqueteiros oferecem satisfação garantida. Não é sem razão que facilmente estouramos os limites do cartão de crédito e apesar de termos acesso tão fácil e possibilidades cada vez mais acessíveis, ainda continuamos vazios e carregados de desejos, esperando a próxima aventura e maior adrenalina.

A Bíblia relata o povo de Deus no deserto, reclamando da monotonia do maná e com saudades da comida do Egito. O povo de Deus foi saciado. Deus enviou milhares de codornizes e eles puderam recolher grande quantidade de carne, mas seus desejos estavam tão desajustados que passaram a comer desvairadamente, e a sofreguidão os levou à morte enquanto ainda comiam. Aquele lugar se tornou um grande cemitério, e o povo deu o nome em hebraico de Quibrote-Hataavá, que quer dizer “As sepulturas do desejo” (Números 11.32-34).

O Sl 106.15, posteriormente analisa este trágico evento: “Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma”. Isto demonstra que, o desejo deles se tornou laço, destruição e armadilha. Existe um termo bíblico, concupiscência, raramente usado em ambientes que não sejam teológicos, que fala de um risco presente na alma humana. Sua tradução mais imediata seria “desejo estragado”. Temos desejos legítimos, que lamentavelmente estão adoecidos e pervertidos, por isto não nos satisfazemos quando os realizamos.

"Nosso Senhor considera os nossos desejos não demasiadamente fortes, mas demasiadamente fracos. Somos criaturas perdidas, correndo atrás do álcool, sexo e ambições, desprezando a alegria infinita que se nos oferece, como uma criança ignorante que prefere seus bolinhos de barro no meio do chiqueiro, porque não consegue imaginar o que significa um convite para passar as férias na praia" (C. S. Lewis, O peso da Glória).

Nosso desejo mais profundo é por Deus, e não por coisas que conquistamos e que se tornam substitutas para aquilo que só Deus pode satisfazer, como bem afirma a teologia clássica: “somos seres finitos com desejos infinitos”. Existem dentro de nós desejos que só Deus pode satisfazer. Buscamos desesperadamente por coisas que nos satisfaçam, projetamos nossa dor e anseios em coisas finitas, sem saber que isto não pode nos satisfazer, e o resultado será maior frustração, vazio e desespero.

Assim, desencontrados em nossos adoecidos desejos, terminamos nossa vida de forma angustiante e vazia, sendo levados para “as sepulturas do desejo”.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Proatividade

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Um dos maiores desafios que empresas encontram na busca por funcionários é de pessoas a quem não seja necessário dizer tudo o que ela tem de fazer, mas que se antecipam e atuam de forma independente porque possuem disposição para agir.

Certa mulher adotou uma interessante dinâmica para escolher sua funcionária doméstica. Ela deixava a vassoura caída no chão, por onde a candidata teria de passar. Se ela se abaixasse e a colocasse num canto ou perguntasse onde deveria colocar, seria contratada; mas se pulasse ou não a notasse, não servia para a função.

O sonho de todo empregador é encontrar pessoas que descubram formas de serem mais efetivas na sua função e a quem não seja necessário dar ordem a todo momento ou explicar o processo inteiro de uma atividade que lhe é delegada. Existem funcionários medíocres, que se lhes dermos uma função eles eventualmente a cumprirão metodicamente, para não perderem o emprego, mas nunca procurarão formas de ampliarem ou melhorarem aquilo que fazem, isto sem contar aqueles que abrigam constantes suspeitas contra os patrões, e são a personificação do descontentamento e da discórdia. Fazem o mínimo exigido, e ainda reclamam de suas atividades. Não cumprem suas atividades com excelência.

Muitos são proativos, procurando sempre melhorar o que fazem.

Já leram o famoso texto de “Mensagem a Garcia”?

Em fevereiro de 1899, quando irrompeu a guerra entre Espanha e os Estados Unidos, tornou-se necessário aos americanos comunicar-se rapidamente com o chefe dos revoltosos chamado Garcia, que se encontrava numa fortaleza desconhecida, no interior do sertão cubano onde não havia acesso por correio ou telégrafo. O que fazer? Alguém então citou o nome de Rowan, que foi trazido à presença do presidente. O que surpreende é que este homem recebeu a incumbência e ninguém sabe como ele achou um invólucro impermeável, amarrou-a ao peito, e após quatro dias, saltou de um pequeno barco, alta noite nas costas de Cuba, se embrenhou no sertão para, depois de três semanas, chegar ao outro lado da ilha, tendo atravessado um país hostil e entregar a carta a Garcia.
Este texto é icônico e ilustrativo da proatividade. Ele não perguntou quem era Garcia, nem onde ele se encontrava, não lamentou a missão difícil ou impossível que lhe fora dada, mas decidiu que a tarefa precisava ser cumprida e encontrou meios de realizá-la.

Toda sociedade precisa urgentemente de homens que se dispõem a cumprir suas tarefas, não a partir do mínimo, do medíocre, da estreiteza de visão, mas com excelência, procurando sempre dar o melhor que lhe é exigido, e até mesmo além daquilo que lhe é proposto. Isto é proatividade!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Arte ou depravação?



A sociedade brasileira se dividiu diante da controvérsia sobre três eventos supostamente artísticos como a Exposição Queermuseu, financiada pelo Banco Santander, cujos quadros mostram crianças sendo abusadas sexualmente e homens tendo relações sexuais com animais; 

No outro evento, o Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, colocou um homem nu deitado como expressão artística (quem lê, entenda), e uma criança de quatro anos é incentivada pela própria mãe a tocar no corpo daquele homem desconhecido supostamente para aprender a lidar com a nudez; 

o terceiro evento, um pouco mais antigo, foi a polêmica performance intitulada Macaquinhos,apresentada como parte da programação da 17a Mostra Sesc Cariri de Culturas; em Juazeiro do Norte, no qual um grupo de nove atores tocam nos ânus uns dos outros em uma roda, enquanto dançam. Esta apresentação aconteceu pela primeira vez em 2011, e se repetiu até 2014, no Festival Mix Brasil em São Paulo, financiado pelos recursos do Sistema S, com dinheiro do Governo Federal. Impostos pagos por cidadãos comuns como nós.

A TV Globo, motivada por, sabe lá qual motivo, saiu em público para defender tais expressões artísticas (sic!), apesar de todas estas cenas ferirem o decoro, a moral e a família, e diga-se de passagem, serem de péssimo senso estético. Cenas de depravação travestida de arte.

Quais são os objetivos “artísticos”, por detrás desta decadência supostamente cultural? O que se objetiva com tais movimentos? Um ataque à família? Aos valores? À Igreja?

Na verdade não. De forma direta tais ataques afrontam o Deus santo. Historicamente isto tem se repetido com determinada constância. Quando o povo de Sodoma e Gomorra enveredou pela perversão, Deus afirmou algo perturbador: “Descerei e verei se, de fato, o que tem praticado, corresponde a este clamor que é vindo até mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei” (Gn 18.21).

Aqueles que ficam chocados com estes cenários descritos acima, precisam lembrar que tais expressões sacrílegas, não são, em primeira instância contra nós, mas contra Deus.

A depravação pode ter nomes bonitos e se esconder em supostas manifestações artísticas, mas precisamos lembrar que “a nova moralidade, nada mais é que a antiga imoralidade” (Francis Schaeffer). Infelizmente a arte também sofre os efeitos da degradação moral da humanidade e reflete os anseios depravados do coração moral e espiritualmente afetado. A boca fala daquilo que o coração está cheio. A arte reflete o coração.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Palavras

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Eugene Peterson fez a seguinte afirmação: “palavras matam, palavras dão vida; ou são veneno, ou são fruta – a escolha é sua”.

Isto se encaixa muito bem dentro do pensamento de Tiago, um dos apóstolos de Jesus: “...a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai; também com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus (...) Vede como uma fagulha põe em brasas toda uma selva” (Tg 1.8-9,5b).
Portanto, não se descuide de sua língua.

A língua abriga grandes paradoxos: tem grande poder destrutivo e por outro lado abrigar grandes elemento construtivo, e sempre tem direção: dão vida ou dão morte. Podem deprimir, destruir, massacrar; mas podem apreciar e abençoar.

As palavras matam quando são ditas de forma agressiva, ofensiva, caluniosa, egoísta, amargurada e degradante. Já conheci pessoas que sofreram durante toda sua infância e até na fase adulta por uma declaração ouvida. Algumas palavras são tão marcantes que passam a determinar comportamentos futuros, para o bem e para o mal.

Palavras também dão vida. Nesta direção encontramos todas as formas de comunicação encorajadora, edificante, confortante, unificadora e saudável. A Bíblia afirma que “como maças de ouro em salvas de prata, assim é a boa palavra dita a seu tempo”. Que figura impressionante.

Palavras dão direção. Podem trazer conforto, esperança, compreensão ou gerar medo, insegurança, desânimo, tristeza e causar divisão entre amigos. Uma palavra pode desvendar os mistérios do universo para alguém, abrir novos horizontes e compreensões e trazer muita alegria. Mark Twain afirmava que poderia viver bem por dois meses com um elogio sincero e profundo. Por outro lado, palavras podem esmagar o espírito, irritar, derribar e trazer morte.

A nossa comunicação diária influencia a forma, qualidade e direção dos relacionamentos. Isto pode se dar ao dirigir o carro, na conversa despretensiosa com o colega, ao pegar os filhos ao sair da escola, na conversa cotidiana com a esposa, durante o lazer ou na preparação de uma comida na simplicidade da cozinha. A palavra não precisa de um ambiente formal para edificar ou destruir, na verdade, na maioria das vezes ela se torna marcante em momentos de informalidade.

No livro de provérbios lemos: “A morte e a vida estão em poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” (Pv 18.21). Portanto, faça bom uso dela, para saborear bons frutos.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O valor do tempo

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O dia de hoje tem um valor inestimável para sua vida. Você nunca mais poderá reproduzi-lo ou resgatá-lo, independentemente de ter sido ele frustrante ou maravilhoso, já que ele não se repetirá. Este momento seu, aliás, já é um presente cheirando a passado. Seus dois minutos anteriores já não existem mais.

O fato é que Deus não nos deu o amanhã e o ontem já se foi. O futuro é uma incógnita, e o amanhã, história. Está gravado na memória a lembrança do trágico tsunami acontecido em Bangladesh. As pessoas estavam na praia, curtindo um dia aparentemente normal, sem se darem conta de que uma onda, na velocidade de um jumbo, estava se formando nas profundezas dos mares para devastar a vida de 240 mil pessoas. Quem sabe o que nos reserva o amanhã?

A mente humana não tem facilidade para se concentrar no presente. Ora está avaliando o passado, ora fazendo planos para o futuro. Numa dimensão doentia, podemos estar remoendo o passado com amargura e ressentimento, e sendo devorados pelo futuro com a ansiedade e preocupações, que, como já foi dito, é uma pré-ocupação, ou uma preocupação antecipada.

Quando não desfrutamos o presente deixamos escapar a beleza dos momentos que nunca mais retornarão. É possível ignorar a flor que nasce, a árvore que floresce, as nuvens se formando no céu, o fabuloso e inusitado por do sol desta tarde, o sorriso da criança, o abraço da esposa e o sorriso do amigo. Os gregos afirmavam que oportunidade é uma pessoa cabeluda na frente e careca atrás, se não a pegarmos quando aparece, não será possível segurá-la quando passar por nós.

Tome cuidado para estar no presente, vivenciando o passado que já se foi, ou angustiado com o futuro que ainda não veio. Estatisticamente, 80% das preocupações de hoje, que ocupam o seu coração, não possuem qualquer valor perene e na semana que vem você sequer se lembrará delas.
Deus lhe deu o presente, e isto é tudo o que você tem hoje. Vislumbrando esta realidade, a Bíblia afirma: “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 118.24). Peça a Deus sabedoria para desfrutar cada momento deste dia, ore para que Deus lhe faça perceber quantas e belas oportunidades podem ser experimentadas neste dia especial que é hoje. Esteja presente no presente!

A Bíblia ainda exorta quanto ao tempo presente demonstrando o valor que ele tem para a eternidade. “Hoje, se ouvirdes a voz de Deus, não endureçais o vosso coração”. Hoje é um dia de oportunidades de reconciliação com pessoas e com Deus. Hoje é tempo de salvação que possui peso eterno, pois aponta para sua alma, que é única dimensão humana que subsiste para sempre.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Não tenho fé suficiente para ser ateu

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Norman L. Geisler, escreveu sugestivo livro com este tema. O autor inicia sua argumentação citando a frase de conhecido intelectual Phillip E. Johnson: “Aqueles que afirmam serem céticos em relação a um conjunto de ideias, na verdade possuem outro conjunto de crenças já estabelecidas”.
A realidade é que, mesmo céticos, precisam de determinada quantidade de pressupostos para fundamentarem suas convicções e teses. Eis alguns exemplos:
A.   A ciência afirma de forma consistente que o universo surgiu de uma grande explosão conhecida como big-bang. Duas hipóteses são possíveis: Primeiro, o surgimento do cosmos foi articulado por um ser criativo, resultando no “design inteligente” (visão cristã); segundo, foi resultante de forças impessoais e do niilismo (visão ateísta), e do nada a harmonia e forma do universo como conhecemos, se manifestou. Qual visão requer mais dose de fé? Qual é a mais razoável?

B.   A mais simples forma de vida contem informações equivalentes a 1.000 enciclopédias. Os cristãos creem que isto seria resultado de um Deus criador. O ateísmo defende o princípio da geração espontânea e que forças naturais seriam a causa do surgimento da matéria. Os cristãos afirmam que suas teses possuem suporte científicos ainda que não possam ser provados, o ateísmo nega. Qual posição requer maior fé?

C.   Os cristãos afirmam que num ato de Deus, de um ser superior, o ser humano foi criado. A complexidade do corpo humano é de tal magnitude que apenas no nervo ótico existem cerca de 100 mil veias. O ateísmo declara que a criação é resultado do acaso. Desde que tal afirmação não pode ser cientificamente provada, é necessário crer na existência de um ser superior. O ateísmo nega tal possibilidade. Ambas exigem fé. Qual é a mais plausível?

Mortimer Adler observou que nossa conclusão sobre Deus impacta todas as áreas da vida. Se Deus existe, milagres são possíveis, a história faz sentido e certamente as cinco questões mais urgentes da vida podem ser respondidas: Origem (De onde viemos?); Identidade (Quem somos); Sentido (Por que estamos aqui?); Moralidade (como devemos viver?) e Destino (para onde estamos indo).


Todas estas questões desafiam a mente e a lógica humana. Acho extremamente difícil ter fé para ser ateu e por não ter fé suficiente para viver sem um conjunto de crenças, continuo firmado nas convicções da fé cristã.