quinta-feira, 1 de março de 2012

“Las Cerdas”

Em frente à Catedral Metropolitana de Madrid (Espanha), há uma pequena viela com ruínas da antiga catedral e na casa de esquina, uma placa informando que ali ficaram aprisionadas uma baronesa e sua irmã, chamadas publicamente de “las cerdas”. Este era o título pejorativo dado àqueles que ousadamente professavam a fé protestante naquele país que, historicamente, teve a inquisição mais repressora e violenta de todos os tempos. Milhares de pessoas foram condenadas em tribunais de exceção porque tiveram a coragem de afirmar que não seguiam o Papa, mas a Bíblia.
Andando um pouco mais, apenas 200 mts adiante, existem os calabouços conhecidos como “La caves” (as cavernas) onde prisioneiros religiosos eram atirados às celas para conviver com aqueles que foram condenados por graves delitos. Ali eram condenados ao ostracismo, vivendo em condições sub-humanas. Milhares de pessoas morreram nestes calabouços ou foram levados à Grande Praça onde eram executados. Muitos de nossos irmãos de fé morreram ali por afirmarem suas convicções religiosas.
O termo “cerdas” significa “porcas”. Aquelas pessoas foram assim chamadas e aprisionadas por causas religiosas. Por centenas de anos, mártires cristãos tem se espalhado pelo mundo afora. Só no Século XX, morreram mais pessoas pela sua fé que a soma de todos os 19 séculos anteriores.
Ao presenciar estes relatos, comparando-os à superficialidade de nossa fé moderna, fico me perguntando quantos estariam dispostos a pagar com o desconforto, a execração pública ou mesmo martírios e mortes pela sua fé. Talvez este fosse o pensamento embutido na dolorida expressão de Jesus ao perguntar: “Quando o Filho do Homem voltar, porventura haverá fé na terra?”.

Dia da Mulher Presbiteriana

No segundo domingo do mês de fevereiro, comemora-se o Dia da Mulher Presbiteriana. Neste ano de 2012 o dia é 12 de fevereiro. A data faz parte do calendário oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). O dia da Mulher Presbiteriana foi instituído por ocasião do primeiro Congresso Nacional do Trabalho Feminino, em 1941, nas dependências da Igreja Presbiteriana do Riachuelo, Rio de Janeiro. O dia foi escolhido em homenagem ao aniversário natalício de Dª Cecília Siqueira, que, entre muitos outros cargos, foi a segunda secretária geral do Trabalho Feminino, permanecendo nessa função por mais de 15 anos consecutivos, de 1938 a 1954.
A primeira Sociedade Feminina formou-se no Recife, em 11 de novembro de 1884, com o nome de “Associação Evangélica de Senhoras”, tendo por finalidade realizar estudos bíblicos e arrecadar fundos para auxiliar os necessitados e a Igreja. Sua primeira Presidente foi a Sra. Carolina Smith. A segunda SAF surgiu logo a seguir, em Rio Claro, São Paulo, no dia 08 de janeiro de 1885. A primeira Presidente foi Eulália da Gama. Após estas, muitas outras foram sendo organizadas e hoje encontram-se em todas as Igrejas Presbiterianas do Brasil.
O Dia da Mulher Presbiteriana é uma data para homenagear e agradecer às mulheres que dedicam tempo para orarem pelos pastores, jovens e a igreja em geral. Além de cuidar dos pobres, fazendo atos de caridades, e abençoando a vida de milhares de crianças e mães, com programas de orientação, integração e crescimento espiritual.
Neste quadriênio 2010-2014, o tema da SAF Nacional é "Mulheres que Surpreendem". O moto oficial da SAF é "Sejamos verdadeiras auxiliadoras, Irrepreensíveis na conduta, Incansáveis na luta, Firmes na fé, Vitoriosas por Cristo Jesus.” Um lema que se encaixa ao trabalho de todas as mulheres presbiterianas.
“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias.” ( Pv. 31.10).

Contentamento

Estudiosos do comportamento humano chegaram à conclusão de que o apóstolo Paulo teria sido o homem mais feliz da terra, por causa de uma declaração que fez sobre seu estado de espírito: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Viver com quase nada ou tendo tudo” (Fp 4.11-12).
Não é fácil viver com contentamento no coração. São muitos os dissabores da vida, muitas situações conflitivas e facilmente nos tornamos murmuradores, descontentes ou amargos. Já vi muitos que não sabem lidar com a abundância. Quando começam a prosperar, tornam-se competitivos, agressivos e ansiosos pelos bens que possuem e quase não tem condições emocionais de desfrutar da prosperidade que alcança. Não é raro vermos pessoas que podem trocar o carro todo ano, fazerem as viagens que quiserem, irem a caros restaurantes, mas são desprovidas de alegria interior. São capazes de voltar de um suntuoso cruzeiro e estarem com suas almas em frangalhos, vivendo num “desespero silencioso”(Thoreau).
Muitos não sabem encontrar contentamento quando enfrentam situações de pobreza ou escassez, ou quando atravessam períodos difíceis da vida. Não estou falando de ficar feliz com a dor em si, mas no meio da tristeza, encontrar significados e valores maiores. Por não conseguirem lidar com a perda, a doença e a dor, começam a blasfemar e a maldizer. Não conseguem viver contentes.
O Segredo
Só existe um meio de experimentar contentamento: Nossa alegria deve ser encontrada em Deus. Se dependermos das circunstâncias ou situações agradáveis ou negativas, seremos escravizados pelo vaivém das próprias condições da vida. Paulo afirma que “aprendeu a viver contente”. Não diz que viver desta forma era algo natural, que ele trouxera no seu DNA ou no seu temperamento, pelo contrário, afirma ter aprendido a viver assim.
Seu contentamento estava em Deus. Aprendeu a viver acima das circunstâncias porque orientava sua vida em alguém que vivia acima das variações humanas. Ao entender que sua vida estava nas mãos de Deus, aprendeu a descansar. Por isto declarou: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

O desafio de cuidar da cidade

A presença das cidades é marcante na Bíblia. Apenas nos livros de Lucas e Atos, as palavras relacionadas a “cidade” aparecem nada menos que 43 vezes: Polis (5); Polin (14); Póleo (10); Pólei (9) e Poleon (1). Isto nos mostra quanto necessitamos de uma teologia da cidade, e um pensar sobre a cidade na qual habitamos.
Um dos princípios mais claros é que precisamos assumir um compromisso constante de oração a seu favor. A Bíblia recomenda que oremos pela nossa cidade – "Orai pela cidade, porque na sua paz tereis paz" (Jr 29.7). A Bíblia recomenda que oremos pelas autoridades – "Antes de tudo, pois, exorto que se use a pratica de suplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito" (1 Tm 2.1-2). Orar deve ser algo que ocupe um item fundamental na nossa agenda, já que ele afirma, "antes de tudo".
Outro princípio é que, precisamos olhar para nossa cidade, não tentando descobrir quanto ela pode nos dar, mas quanto podemos dar-lhe –Muitos cidadãos poluem as ruas, jogam papéis no chão, depredam bens públicos, desvalorizam o que é feito pelo governo. Outros tantos exercem mal sua cidadania, não protegendo sua cidade. O cristão deveria ter o melhor jardim de sua casa, cuidar bem do lixo que coloca na porta, ser um guardião do bem público, e não se aproximar como alguém a quem a prefeitura precisa lhe dar. Muitos acham que prefeitos e secretários são obrigados a arranjar-lhe trabalho, mas esta aproximação é viciosa e prejudicial para o bem público. Se ocuparmos algum cargo, sejamos benfeitores de tal função. Não há nenhum problema em sermos contratados, mas quando formos chamados para tal vocação deveremos exercê-la com integridade e inteireza.