sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Polarização inócua e tola


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O Brasil está mais dividido que nunca em opiniões. Nunca vi tanta insensatez juntas. A politica nacional nos dividiu entre esquerdopatas e direitopatas. Ambos são doenças, e por essência, patológicos na sua gênese, carregados de paixão, cuja raiz vem da palavra grega “pathos”. A chatice encontra-se dentro e fora da igreja, não há razoabilidade, apenas insensatez polarizada.

Se você consegue manter uma atitude prudente e uma averiguação dos fatos, quais são verdadeiros? Basta seguir a linha editorial de um jornal, ou das mídias sociais, que logo você formará uma opinião tendenciosa. A imprensa não quer coerência, as agendas são prioritárias à verdade, a narrativa é mais importante que os dados em si.

O resultado é a superlativização. O superlativo expressa qualidades num grau muito elevado ou em grau máximo. O grau superlativo pode ser absoluto ou relativo e pode se revelar como um superlativo absoluto, que ocorre quando a qualidade de um ser é intensificada, sem relação com outros seres. É exatamente isto que temos presenciado.

Pessoas dominadas por um reducionismo religioso ou ideológico, fazem isto naturalmente, aliás, não conseguem fazer de outro modo, porque não conseguem construir um julgamento crítico de nada, e o resultado é que a partir dai o que resta é o  achincalhamento e demonização daqueles que pensam de forma diferente ou discordante.

Precisamos tomar cuidado para não tratar o diferente, o pró ou o contra, com o discurso do ódio. Precisamos aprender a tratar as divergências, debates e discursos como salutares na construção social e da democracia.

No Brasil de hoje, opinião diferente é tida como preconceito; discordância de ideias como oposição pessoal. Até mesmo a educação, que deveria ser neutra, assumiu uma postura e viés ideológico irracional. Se você apresentar um projeto de tese de mestrado para ser aprovado numa universidade do estado, seja ela estadual ou federal, mas não tiver a mesma opinião ideológica dos examinadores da banca, por mais oportuna que seja a reflexão e a construção, você não será aceito no programa. Isto não é dito, mas é percebido.

Há um patrulhamento ideológico, polarizado e inócuo. A questão das queimadas da Amazônia, por exemplo, não é tão simples como o governo tenta fazer parecer; nem é tão exasperado quanto a oposição afirma ser.

O resultado é que todos sofremos. O Brasil sofre. A economia patina. A imagem do país se deteriora porque falta sensatez de ambas as partes. Não há reconhecimento de erro, e nem há neutralidade de opinião, porque a ideologia cega, e os interesses pessoais são maiores que o todo.

sábado, 17 de agosto de 2019

Ativismo

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Estamos cada vez mais agitados e menos reflexivos. Parece que temos medo
de parar porque não sabemos o que encontraremos no interior da nossa alma. A
agitação e a correria dominam o nosso estilo de vida e o resultado é a ansiedade,
stress, angústia e uma constante sensação de incompletude.

De forma inconsciente, aprendemos que o homem e a mulher de sucesso
são empreendedores, pessoas de ação e por isso nos atiramos no mercado
competitivo, devorando quem surge no almoço para não sermos consumidos no
jantar. 

Neste contexto se aplica bem o velho provérbio africano que diz: “Toda
manhã, na África, a gazela acorda. Ela sabe que precisa correr mais rápido que o
mais rápido dos leões para sobreviver. Toda manhã um leão acorda. Ele sabe que
precisa correr mais rápido que a mais lenta das gazelas, senão morrerá de fome.
Não importa se você é um leão ou uma gazela. Quando o sol nascer, comece a
correr.”

No clássico livro “Alice no País das Maravilhas”, a Rainha de Copas diz o
seguinte: “No meu reino, você precisa correr o mais rápido que puder, apenas para
ficar no mesmo lugar”. Este é o problema: “mais da mesma coisa nos leva ao
mesmo lugar”. 

A melhor definição que vi para o fanático é aquela que afirma que “o
fanático é alguém que, quando se vê perdido, imprime maior velocidade.”
Apesar da velocidade que imprimimos e das melhores condições de
trabalho e finanças que temos, não nos sentimos mais realizados ou felizes. O
descontentamento está presente em todos os lados. Afinal, não somos mais plenos
porque temos mais, nem porque corremos mais. Por isso, somos constantemente
convidados por Jesus a descansar e confiar. Muitas vezes, no auge de seu
ministério e nos momentos das maiores demandas de sua vida, Jesus ia ao deserto
orar e chegou mesmo a convidar seus discípulos para irem a lugares ermos a fim
de recarregarem as baterias e repor as energias da alma.

O ativismo é uma patologia de nossa cultura, uma espécie de narcótico para
a alma, um comportamento contra a vida. A verdade é que existe uma espécie de
tentação no ativismo, por isso nossa época é assustadoramente pobre e vazia de
valores espirituais. Os efeitos são irritabilidade, desgaste, esgotamento e 
isolamento.

É comum vermos Jesus acordando de madrugada, deixando seus discípulos
de lado e saindo para orar e meditar. Tais atitudes são mágicas e restauradoras. A
vida não é mais produtiva porque imprimimos maior velocidade e ritmo a ela, mas
pode ser mais efetiva e nossas ações mais transformadoras quando entendemos
que o ativismo é uma armadilha pronta para nos devorar e, assim, nos recusamos a
funcionar como mera parte de uma engrenagem complexa, cheia de demandas e
pressões da chamada tirania da urgência.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Não te impacientes...

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Peter Marshal, capelão do Senado americano foi um brilhante orador. Um dos seus sermões mais marcantes foi: “Pecado no tempo presente!”.

Ele narra a história de um pai e seu filho interagindo. Eles costumavam levar suas colheitas para venderem na cidade num determinado dia da semana. O filho era extremamente agitado, ao passo que o pai era calmo e paciente.
Muitos anos atrás, no Japão, havia um rapaz que cultivava um pequeno canto de terra.

Diversas vezes por ano, carregavam o carro de boi com verdura e iam à cidade mais próxima. A não ser o nome e o pequenino canto de terra, pai e filho tinham muito pouca coisa em comum. O velho cria em não trabalhar demais...e o filho era ativo.

Certa madrugada carregaram o carro, atrelaram o boi, e saíram a caminho. O jovem calculou que, se acordassem cedo, logo poderiam estar na cidade para vender seus produtos. Andava ao lado do boi, picando-o com o aguilhão para andar.

-“Calma”, dizia o velho. “Você viverá mais”
-“Se chegarmos ao mercado antes dos outros”, disse seu filho, “teremos a oportunidade de conseguir melhores preços”.
O velho puxou o chapéu sobre os olhos e pôs-se a dormir no banco. Seis quilômetros depois, chegaram a uma pequenina casa.
-“Cá está a casa de seu tio”, disse o pai. “Vamos parar e dizer bom dia?”.
-“Já perdemos uma hora”, retrucou o rapaz.
- “Então mais alguns minutinhos não farão diferença”, replicou o pai. Meu irmão e eu vivemos tão perto e quase nunca nos vemos”.

O moço se movia impaciente enquanto os dois senhores conversavam e davam boas risadas, tomando o seu chá. A caminho outra vez, o pai, por sua vez se incumbiu do boi. Um pouco mais adiante, chegaram a uma encruzilhada. O velho tocou o boi à direita.

-“O caminho à esquerda é mais curto”, disse o rapaz.
-“Eu sei”, disse o velho, mas este é mais bonito.
-“Você não faz caso tempo, faz?”, perguntou, impaciente, o jovem.
-“Faço muito caso” disse o velho. “É por isso que eu gosto de usá-lo para ver coisas bonitas”.

O caminho a direita passava por florestas e flores do mato. O jovem estava tão ansioso que não reparou quão belo era a natureza.

-“Esta é a última viagem que faço com o Senhor”, disse zangado o filho. O senhor se incomoda muito mais com flores de que com ganhar dinheiro”.
-“Isso é a coisa mais amável que você me diz há muito tempo” sorriu o velho.
Dois quilômetros adiante, encontraram um fazendeiro tentar tirar seu carro de um buraco.

-“Vamos ajudá-lo”, disse o pai.
-“...e perder mais tempo?” explodiu o filho.
-“calma” disse o velho. “você poderá cair num buraco também algum dia”.

Quando conseguiram tirar o carro, tinham perdido um tempo precioso, na visão daquele rapaz, eram quase 8 horas da manhã, iam chegar tarde à feira, apesar de terem acordado tão cedo. Iam perder bons negócios...

Repentinamente um som estranho e um risco estranho rasgou o céu. Ouviu-se um trovão, assustador.

Além das montanhas, os céus ficaram negros.
-“Parece que vai chover muito na cidade”, disse o velho.
-“Se não tivéssemos perdido tempo, teríamos vendido tudo já!  resmungou o filho.
-“Calma, disse o velho, você viverá mais”.

Quando alcançaram, ainda bem distante, o topo do morro, ficaram perplexos com um o que viram. Por detrás daquele trovão, daquele barulho, e das nuvens escuras nos céus, viram uma cidade completamente destruída.

Ficaram olhando por longo tempo, nenhum deles falou.

Finalmente o moço que estivera em com tanta pressa disse. “Compreendo o que o Senhor quis dizer, papai”.

Viraram o carro e afastaram da cidade que tinha sido Hiroshima

O Problema do Mal

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Billy Graham, conhecido pregador cristão, afirma que existem três coisas que a raça humana ou qualquer religião jamais conseguiu explicar: O problema do sofrimento, o problema da morte e o problema do mal.

Somos capazes de suportar terremotos, tsunamis, enchentes, pobreza e até o câncer, mas o mal pode quebrar o espírito que até mesmo a tragédia não consegue abalar. A falta de humanidade do homem contra o próprio homem, a crueldade arbitrária da sociedade e dos poderosos nos levam a considerar que existe algo, ou alguém, que está muito acima de tudo isto

Os desafios e dores que um ser humano enfrenta, muitas vezes se tornam quase insuportáveis. As condições desumanas, como a privação material e abusos nos revelam que o mal não é apenas uma dimensão conceitual e abstrata, mas se manifesta de forma abrupta contra a integridade e saúde. Há um espectro horrível que transcende o senso da lógica e do possível.

O que, exatamente, motiva este mal? Por que alguém, voluntariamente, decide ferir? Podemos encontrar explicações para a violência e a maldade afirmando que ela é decorrente de uma reação à violência sofrida, mas a explicação é frágil porque muitos foram violentados, sofreram bullying e isto não os tornou uma pessoa do mal.

Popular psiquiatra e terapeuta americano, Scott Peckescreveu um sombrio e arrepiante livro intitulado O Povo da Mentira” (Editora Imago, Rio), cujo subtítulo é “Encarando a Psicologia do Mal. Nesta obra ele tenta aprofundar o entendimento sobre o problema da malignidade humana, narrando atitudes de pessoas e sistemas familiares aparentemente corretos que apresentam um grau muito profundo de malignidade. Suas conclusões são assustadoras.

O mal não se manifesta como consequência da dureza da vida ou por causa de uma decepção ou amargura, mas precisa ter uma dose de ressentimento e desgosto, aliado a um desejo de vingança não necessariamente contra queferiu, mas contra a própria vida. No entanto, ainda assimo problema do mal permanece não resolvido. O homem luta, em sua miséria, para criar algo infernal e monstruoso e se depara, no mais íntimo do seu ser, com a deformação de seu próprio caráter.

Há muitos demônios e muitas batalhas a serem enfrentados por todos nós e, eventualmente, no meio do nosso inferno, alguns destes demônios conseguem transformar pessoas simples em alguém irreconhecivelmente maligno, que estupra, abusa, violenta, vende-se sabendo que o dinheiro desviado seria para saúde do pobre e desvalido. E parece que sua parte sombria ainda encontra prazer e diversão em agir dessa forma.

Na oração dominical ou mais popularmente conhecida como “A Oração do Pai Nosso”, Jesus ensina seus discípulos a orar: “livra-nos do maligno”, ou, conforme a tradução mais conhecida, “livra-nos do mal”. Jesus reconhece que existe uma esfera ou raio com o qual temos que lidar, contra quem não temos habilidade, força ou perícia para vencer por nós mesmos. Precisamos da Graça de Deus e por isso dizemos: “livra-nos do mal”. Ou seja, ajude-nos contra esta força ou poder, inerente em mim ou acima de mim, que gera a propensão para o mal contra o outro e contra mim mesmo.