domingo, 21 de junho de 2020

Aprender, Ganhar, Servir

Servir já é Reinar - Homens com Propósitos

O capitalismo como modelo econômico tem se tornado cada vez mais sólido em todas as sociedades atuais, excetuando-se, naturalmente, sociedades primitivas, extrativistas e nômades, cujo modelo de acúmulo de bens não é conhecido nem praticado. Curiosamente, a dinâmica capitalista está presente até mesmo em países comunistas.

A China é um bom exemplo disso. Os novos ricos e emergentes têm se multiplicado cada vez mais e não são poucos os atuais bilionários chineses. Mesmo com intervencionismo estatal na indústria e na pesquisa científica, o acúmulo de bens é cada vez mais presente. Temos, ironicamente, um país comunista com economia capitalista...

Ao mesmo tempo, o modelo capitalista tem sido cada vez mais criticado, até mesmo por liberais que defendem a presença menor do Estado na economia. O que está acontecendo? O problema é que a primeira lei do capitalista - “tenha lucros!”- facilmente se torna um modelo perverso de economia. Os ricos estão se tornando cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres.

O Brasil é um dos países mais desiguais – econômica e socialmente - do mundo. Há uma grande diferença entre a renda média mensal de uma família pobre e a de uma família rica e o índice de desigualdade tem aumentado cada vez mais. Até mesmo pessoas ricas estão questionando esse modelo de concentração de rendas.

Em uma recente entrevista à CNN Brasil, no programa O Mundo Pós-Pandemia, o empresário e publicitário Nizan Guanaes citou uma máxima que começa a provocar discussões acadêmicas e políticas ao redor do mundo. Guanaes, um capitalista e liberal declarado, afirma que alguma fórmula precisa ser encontrada para que não apenas ganhemos, mas para que parte do ganho adquirido torne-se uma maneira de servir.

Essa preocupação já ocupava a mente de João Calvino no Século XVI. Considerado por Max Weber como o pai do capitalismo moderno, ainda que Calvino fosse um teólogo francês, ele enxergava a ganância e a injustiça social no sistema, mas, segundo ele, os cidadãos precisavam refletir sobre a reorganização moral e social.

João Calvino denunciava o perigo espiritual das riquezas e enfatizava o dever à assistência social (caridades). Para ele, o homem exerce sua plena humanidade quando trabalha e usa seu dinheiro e bens econômicos em prol de uma sociedade solidariamente responsável. Calvino combatia a teologia medieval da opção pela pobreza, mas ao mesmo tempo defendia o uso social da riqueza. Não é sem razão que os países influenciados pela visão calvinista se tornaram nações extremamente prósperas, como Suíça, Suécia, Finlândia e Noruega, engendrando a ideia da social democracia, que tanto inspira economistas e educadores.

Um modelo adotado por intelectuais de Harvard tem a seguinte fórmula: “Aprender, ganhar e servir”. (Learn, Earn, Serve). Não se trata apenas de ganhar para acúmulo pessoal, mas para produzir uma sociedade melhor. Caso contrário, a fome e a miséria produzirão uma sociedade caótica, faminta e violenta. 

O Poço

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O filme espanhol de ficção científica e terror intitulado O Poço (2019), dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, é um filme denso, tenso e intenso. Literalmente! Não é para qualquer estômago, já que discute alimentos, miséria e fome.

Sem querer dar um spoiler, a narrativa se desenrola em uma prisão um tanto inusitada, na qual, diariamente, os presos recebem o alimento que é suficiente para todos. Como as pessoas das primeiras plataformas não são sensíveis, elas comem vorazmente e por isso não sobra comida para os que estão abaixo. Por conseguinte, os últimos na escala morrem de inanição. Alguns presos procuram dar sentido e organizar, demonstrando que se todos comessem moderadamente, pensando no próximo, a ração diária seria suficiente, mas tais esforços se tornam inúteis.

O filme é uma crítica à sociedade hierarquizada, que pensa apenas em si mesma e não se preocupa com os que estão abaixo e são menos favorecidos. Segundo estimativas da ONU, cerca de 800 milhões de pessoas passam fome no mundo diariamente. Muitos perguntam: “Por que Deus permite isso?”.

O curioso é que a produção anual de alimentos seria capaz de alimentar seis vezes mais a demanda mundial. Você sabia disso? Então, por que ainda há fome? Por que os pobres são pobres? Por que a miséria ainda é tão presente? A resposta não é simples, mas alguns fatores podem ser alinhados:

A.         Conflitos armados: em épocas de guerras as pessoas ficam sem capacidade de produzir e ter acesso aos alimentos;

B.         Tragédias e calamidades: pandemias, cataclismos, terremotos. Tudo isso afeta muito as classes mais pobres;

C.         Falta de interesse político: é necessário criar logística para situações de crise, mas a elite financeira e política tem pouco foco em superar estas demandas. Pequenos esforços poderiam fazer enormes diferenças;

D.         Logística: pessoas em regiões remotas tornam-se inacessíveis tanto para produção como para receber ajuda emergencial ou mesmo vender o que produzem;

E.         Desinteresse humano: a mentalidade capitalista focada no acúmulo de bens, quando não aliada à generosidade e à sensibilidade, torna-se catastrófica porque quem possui bens tem facilidade de ganhar cada vez mais enquanto os pobres têm cada vez menos acesso aos bens de consumo.

Precisamos ficar atentos porque a conta da pobreza e da miséria sempre chega! Os aristocratas franceses acreditavam que o fato de estarem protegidos no palácio de Versalhes poderia conter as insurreições pela França, mas, no dia cinco de outubro de 1789, chegou às portas do palácio uma multidão de mulheres famintas e enraivecidas que havia saído de Paris para protestar junto ao rei, clamando por comida! A multidão conseguiu vencer os muros e os portões e invadiu o palácio por várias frentes. O restante da narrativa? Ao episódio da invasão sucederam cenas sangrentas nos salões e corredores de Versalhes.

Populações esquecidas e famintas tornam-se violentas. Pense nisso! Privilégios políticos, bem como privilégios históricos de elites sempre se tornaram o estopim de graves conflitos sociais. Precisamos repensar a forma de distribuir bens e de cuidar dos menos favorecidos. Há muita riqueza, mas ela precisa ser bem equacionada.

domingo, 7 de junho de 2020

Segurança em Dias Incertos

Para os dias incertos, sabedoria.... Para os dias de luta, fé ...

O isolamento social imposto nestes últimos mesesgera efeitos muito mais profundos e prolongados do que podemos imaginar.mais percebido é a ansiedade. Curiosamente, antes da pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já apontava o brasileiro como o povo mais ansioso do mundo. Cerca de 18 milhões de brasileiros convivem com transtorno de ansiedade. Se isto era verdade antes, imagine o que está acontecendo agora...
 A ansiedade surge principalmente por causa da incerteza do cenário que estamos enfrentando: quanto tempo esta crise durará? Meu negócio vai falir? Meus avósvão ficar bem? Quais os efeitos na economia? Em meio à ansiedade há o medo de que alguém que amamos adoeça, há a morte como possibilidade e a impotência ante a perda do controle. Há o trabalho, filhos em casa, a mudança de rotina e papéis, além da forma como somos obrigados a repensar o jeito de viver e fazer as coisas. Isso gera instabilidade e insegurança. Adaptabilidade é competência essencial nessas horas.
 Tudo isso faz com que nos sintamos pequenos e percamos a produtividade. Faz com que encontremos dificuldades para nos concentrar e tomadecisões. A isso se acrescenta a perda do sono, dúvidas e temores gerando apatia e desânimo.
 Especialistas sugerem uma série de diretrizes para lidar com estes tempos. Uma delas é criar uma rotina para driblar a ansiedade. Ter horário para acordar e se alimentar, trabalhar, fazer atividades físicas e descansarajudam nprocesso. Outra sugestão é diminuir a cobrança que fazemos a nós mesmos. É impossível ser totalmente produtivo em tempos de incertezas e mudanças. Outra recomendação é o cuidado com a alimentação, higiene e saúde. Leandro Karnal sugeriu que a pessoa não fique de pijamas o dia inteiro, mas cuide de sua aparência, faça a barba, coloque um perfume e uma roupa melhor para levantar o astral.
Tomar cuidado com as informações recebidas é algo relevanteFicar acompanhando notícias toda hora aumenta os níveis de ansiedade e o sentimento de desesperança. Filtre as informações sobre o assunto. Tome cuidado com as fontes consultadas e com as fake news. Se você não pode se encontrar com as pessoas, que tal fazer um grupo virtual com sua família?
 Atividades físicas são essenciais. É fundamental não ficar apenas no sofá e na cama. Pratique estiramento e se puder faça caminhada no quintal da casa ou nos arredores. Devemos fazê-lo de forma prudente e cuidadosa!
 Procure uma forma de ajudar as pessoas. Atitudes solidárias e a prática da empatia fazem você se sentir melhor consigo, além de produzir a sensação de que você está fazendo a sua parte. Ao ajudarmos o próximo, nos sentimos menos impotentes e passamos menos tempo ruminando nossas angústias.
 Dentre as sugestões comuns, precisamos meditar,orar, ler a bíblia, ler um bom livro. O silêncio da alma perante Deus traz descanso, acalma o coração e nosrecorda de que não sabemos o que virá ao mesmo tempo em que nos lembramos de Quem está no controle. 

Rivotril e a Pandemia

Rivotril: para que serve e quais seus efeitos na saúde mental ...

Segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), dos dez medicamentos mais vendidos no Brasil, quatro são utilizados para diminuir dores, sendo que o fármaco mais consumido é o relaxante muscular Dorflex, cujo consumo gera mais de R$470milhões ao ano. Na lista da Interfarma, o Rivotril ocupa o sétimo lugar. 
Em um artigo publicado no último dia 20 de maio na Revista Veja, o jornalista Eduardo Gonçalves apontou o Rivotril como o remédio mais consumido no Brasildurante a pandemia de covid-19. “Esta droga parece ser feita sob medida para os dias estressantes de pandemia. As vendas comprovam essa impressão. Segundo dados do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), a comercialização do medicamento aumentou 22% em março e abril deste ano comparado ao mesmo bimestre do ano passado, saltando de 4,6 milhões para 5,6 milhões de caixas, pontuou. O medicamento é usado no tratamento de pacientes com depressão, insônia e crises de ansiedade.
Rivotril tem efeito sedativo sobre o sistema nervoso e por isto é tão consumido. Estudos apontam que os casos de depressão aumentaram 90% com a pandemia, estresse agudo 40% e as crises de ansiedade saltaram para 71% no mesmo período
Isso levanta uma bandeira vermelha para todos nós. Tenho encontrado pessoas próximas à beira de um colapso nervoso por causa da quarentena. Percebi esses sintomas em pessoas da família e da comunidade que frequento. Pessoas fortes, em geral, são as que mais sofrem, porque gostam de controlar tudo e são as últimas a pedir ajuda. O orgulho não permite que admitam suas fraquezas e vulnerabilidades, e procurem suporte e ajuda. Quando a crise surge, pode vir mascarada ou em surtos muito intensos.
Os sintomas não discriminam sexo. Estatisticamente as mulheres são mais suscetíveis à depressão que os homens. De cada grupo de 100 pessoas, 75 são mulheres, mas tanto um grupo como o outro pode ser vitimado nesse contexto. 
Nesta semana ouvi uma entrevista com o cientista Francis Collins, de Washington D.C., sobre a tensão causada pelo isolamento social. Ele afirma que, ao contrário das outras tragédias humanas, em geral era possível ser solidário e estar com as pessoas que sofriamJá nesta crise, sequer podemos estar ao lado das pessoas que amamos e que estão enfermas. E em muitos casos, também não se pode sepultá-las. E ele fala de como são necessários determinados ritos humanos para amenizar o sofrimento.
Portanto, nestes dias críticos, o conselho imediato é para que cuidemos de nossa saúde mental e nos asseguremos de que nossos queridos, principalmente os grupos mais vulneráveis, que têm permanecido fechadosem casa, estejam bem.

Flexibilizar ou Não?

Quarentena social: O que é e para que servem as medidas de ...

O Brasil já está parado há mais de dois meses. Certa impaciência e angústia vão tomando conta dos que estão fechados em casa porque fazem parte do grupo de risco, daqueles que precisam trabalhar e não estão encontrando o caminho para o retorno, dos estudantes que estão longe da escola e precisam apresentar suas atividades e, também, dos professores que têm de preparar as aulas, acompanhar os alunos, corrigir tarefas. Tudo isso no ambiente doméstico onde a distração, o barulho e a circulação de pessoas transformam o trabalho em algo desgastante, muito mais oneroso.
Por outro lado, temos ainda a situação das escolas públicas, nas quais os estudantes não possuem computadores nem internet e por isso não acompanham as aulas. Para muitos, o ano letivo será um ano perdido, assim como o será para a economia, que já tem a previsão do Banco Central de um PIB negativo de 6.25% para 2020.
O que mais angustia em tudo isso é a falta de previsão. Quando vai acabar? Quando as coisas voltarão à normalidade? Isso gera ansiedade e aos poucos as pessoas vão lidando flexibilizando o enfrentamento da enfermidade: pequenos encontros já têm sido marcados, reuniões familiares têm ocorrido e grupos menores de amigos têm se visto porque ninguém está conseguindo mais lidar com o estresse e a tensão que o isolamento gera.
Meus pais, idosos, estão acompanhando a reforma de uma de suas casas, vizinha à casa onde moram.Todos os dias eles se arriscam e saem de casa. Vão até a obra para não fazerem nada, mais pela impaciência que sentem de estar apenas em casa. Meu pai vive um momento em que não se preocupa muito com as coisas, mas minha mãe, mais consciente e ativa, começou a ter choros de saudade dos filhos. Ela tem se sentido solitária e fala em morrer porque se sente “velha e inútil” e assim por diante. São os efeitos colaterais.
E aí? O que fazer? Flexibilizar ou avançar? Quando será o pico da doença? Isolamento social ou distanciamento social? Governador de Nova York, Andrew Cuomo recentemente foi bombardeado por perguntas de jornalistas sobre o desenrolar da situação sobre as propostas para o seu Estado. Por várias vezes Cuomo respondeu: “I don’t know!”, revelando o sentimento de incapacidade que temos, já que não há um procedimento seguro e um protocolo confiável.
Para complicar ainda mais, grupos políticos polarizaram e radicalizaram suas posições e não mais importa o que pensa a ciência (se é que a ciência também está sabendo alguma coisa...). Cada um vai repassando as informações e as fake news que mais interessam ao seu modo de pensar, mesmo porque ninguém sabe ao certo o que vai acontecer nos próximos dias.
Mais do que nunca a impotência humana, diante de um vírus tão pequeno, nos leva a considerar a importância de pedir a Deus misericórdia e sabedoria para que, os que governam o País e os que são responsáveis pelas pesquisas científicas tragam graça e bom senso em meio ao caos e ao medo. Que Deus nos ajude!