sábado, 20 de março de 2021

A Ciência nos Salvará

 

 


Eu não sou obtuso nem ignorante, nem negacionista ou anti-científico, mas como teólogo e homem de fé, essa frase acima tem me causado profunda inquietação e vou dizer porquê. Acho que, ao colocarmos nossa confiança na Ciência, podemos deixar de depender de Deus. Dessa forma, podemos transformar a Ciência em um ídolo e colocarmos Deus em segundo plano. Vale lembrar que o primeiro mandamento condena exatamente a atitude de transformar Deus em algo secundário, e não a prioridade em nossa vida, pois diz: “Não terás outros deuses diante de mim”.


Podemos, perigosamente, deificar, idolatrar e sacralizar a Ciência, que também possui suas lacunas e contradições. A bem da verdade, muitas vezes a Ciência se vende nos altares do sucesso, da ganância, da riqueza e do poder. Ela deixa de ser neutra para servir determinados interesses pessoais ou políticos.


O Dr. Paulo F. Ribeiro, doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, professor em universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, afirma que, como cientista e cristão, não vê incongruência entre fé e Ciência, mas em seu artigo Em quem confiar: na Ciência ou na Fé? (Revista Ultimato, 20 de Maio 2020) levanta alguns questionamentos:


1 - Nem tudo o que é científico é necessariamente verdade. Ele cita A Teoria da Deriva Continental considerada provável em 1912 e que depois foi tida como completamente "errada" em 1940. Em 1950 tornou-se finalmente verdadeira, quando novos fatos e novas explicações se tornaram geralmente aceitos;


2 - Nem tudo o que é verdade é necessariamente científico. O mundo ingênuo dos sentidos não é menos real do que o mundo da física. "Os sentidos também têm sua verdade" (Kepler).


  3 - Nem todas as disciplinas científicas atingem o mesmo grau de certeza ou objetividade. Mesmo na Medicina, temos ainda muito o que aprender devido à complexidade do ser humano;


4 – Muitas vezes, devido à falta de dados precisos e à complexidade das questões, a comparação de modelos puramente científicos pode gerar uma não objetividade na certeza de suas efetividades.


 C. S. Lewis afirma que o ponto de vista puramente científico não pode conter todas as verdades, nem mesmo inteiramente a própria Ciência porque ela está em constante movimento e é dinâmica em sua essência. Por isso confiamos na Ciência, mas não desprezamos a fé que é transcendental.


O Profeta Jeremias afirmou: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico, nas suas riquezas. Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor” (Jr 9.23,24). Na hora da dor, da aflição e da desesperança nos recursos humanos e na própria Medicina, ainda podemos crer em um Deus de milagres, que sempre está acima da Ciência.


Nossa confiança não pode repousar na ciência que também possui suas limitações. O Salmista diz: "Elevo os olhos para os montes, de onde me virá o socorro? O Meu socorro vem do Senhor que fez os céus e a terra". A ciência e a pesquisa é uma benção, mas nossa salvação não se encontra nela, mas em Deus.

quinta-feira, 18 de março de 2021

O Uso Legítimo da Lei




No meio de toda gravidade da pandemia que o Brasil enfrentou esta semana, com a média do número de mortes por covid-19 chegando a dois mil casos, outro assunto se transformou em manchete e ocupou o noticiário: a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin de anular as condenações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos processos da Operação Lava Jato. 

A decisão concede direitos políticos ao petista, tornado-o novamente elegível. As condenações foram anuladas sob a alegação de que não é de competência da Justiça Federal do Paraná decidir sobre os casos do sítio de Atibaia, do triplex do Guarujá e do Instituto Lula. O processo agora será analisado pela Justiça Federal do DF. Ao mesmo tempo, iniciou-se um processo de julgamento da suspeição do Juiz Sérgio Moro sob a alegação de que suas sentenças tiveram motivação política, sem a isenção necessária a um magistrado. 

Expectadores que somos, sem conhecimento profundo da lei, enxergamos as narrativas do lado externo e tentamos sintetizar tudo o que está acontecendo em nosso País, mas ficamos confusos e indagamos sobre a isenção dos juristas, seus interesses políticos e pessoais em todos esses trâmites. Se a acusação de suspeição paira sobre o juiz Sérgio Moro, quem poderá julgar se não pairam as mesmas acusações sobre a suprema corte brasileira?  

A célebre frase de autoria incerta “Aos amigos tudo, aos inimigos a lei” revela que a lei pode ser instrumentalizada e manipulada para dar o sentido que se deseja, sendo usada não só como instrumento punitivo, mas também para criar uma esfera de proteção por meio de casuísmos, algo conhecido como o utilitarismo legal. A lei é justa e imprescindível ao exercício pleno da cidadania, mas um competente e inteligente jurista, com alguns arranjos e distorções gramaticais, pode esquivar-se da necessidade de cumpri-la, usando-a contra seus desafetos. E isso, com a adoção de meios legais para receber benefícios pessoais. 

A Bíblia tem uma afirmação interessante sobre a aplicação da lei: “Sabemos, pois, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de forma legítima” (1 Tm 1.8). Jesus conheceu de perto como a lei pode ser manipulada por interesses humanos. Ele foi julgado e, apesar da sentença de Pilatos, representante do governo romano que tinha competência para julgá-lo e que “não via nele crime algum”, Jesus foi crucificado. Que sistema é esse que declara inocente e ainda assim condena à morte? Em contraste, poderíamos dizer: que sistema é o nosso que condena, mas afirma que a pessoa é inocente? 

A lei só é boa, justa, sensata, quando aqueles que dela se utilizam o fazem de forma legítima. É possível que a moralidade da política brasileira passe a considerar legítimo o que é criminoso. Getúlio Vargas pronunciou a famosa expressão: “Lei! Ora, a Lei”. Nenhuma lei tem valor moral se não for justa, editada para o bem da coletividade e não voltada para o interesse de indivíduos ou de grupos.

sexta-feira, 5 de março de 2021

Estatística como Arma

 



Por definição, a Matemática é uma ciência exata. Nada mais justo! Os números não erram. Eles escrutinam, equacionam, somam, multiplicam, subtraem. Discutimos ideias, conceitos, lógica, mas não discutimos se dois mais dois são quatro. Isso seria anacrônico. E nas ciências exatas há também a Estatística, que lança mão de instrumentais objetivos para revelar uma real situação e analisar friamente as informações recebidas. 

Apesar de tais afirmações serem corretas, infelizmente, exatidão, assim como precisão, rigor ou objetividade, não são neutros. Do mesmo modo, a ciência muitas vezes não o é por razões econômicas ou políticas. Basta ler o clássico de Hilton Japiassu intitulado O Mito da Neutralidade Científica. A objetividade nem sempre está presente porque os cientistas são humanos e tendem a projetar afetos e interesses em suas observações, comprometendo seriamente as conclusões. Assim, a subjetividade assume o lugar da exatidão e vende-se a grandes grupos financeiros que instrumentalizam a Estatística para dizer o que lhes interessa. A subjetividade impede que as coisas sejam ditas como de fato são. 

Neste contexto a Estatística se transforma em arma poderosa para justificar uma ideologia ou trazer lucros a quem detém o poder, tornando-se instrumento de manipulação e controle. Não sem razão, alguém afirmou que “Estatística é a arte de torturar os números até que eles digam o que você quer.” 

Diante da manipulação dos números, muitas vezes esse ramo da Matemática se torna “uma maneira honesta de mentir”. Os números podem ser usados para justificar comportamentos, influenciar decisões, exercer controle, simplesmente, manipulando os dados. Basta dar-lhes a ênfase que se deseja e tudo faz sentido. 

Por exemplo: pode-se afirmar que o Brasil é o segundo País do mundo com o maior número de mortes por covid-19. Esta informação é correta? Claro que sim! Temos um quadro trágico, triste e real, mas, se interpretarmos esses dados sob outra perspectiva, os números perdem a força significativamente. Proporcionalmente, o Brasil era o 10° País em número de mortes (1.12.2020) e estava em uma situação muito melhor que muitos países europeus com seus sistemas sofisticados de saúde e populações menores. Na data em que esses dad9s foram publicados, a Bélgica ocupava a primeira colocação. 

Seria maravilhoso ver a Estatística servir às pesquisas não para manipular, mas como instrumento objetivo da Ciência e da verdade. Isso traria uma direção clara e certeira às mais variadas situações, mas, infelizmente, a Estatística não pode controlar os critérios mais profundos da humanidade: os interesses, a ganância, a cobiça, o desejo pelo poder, o controle social e, sobretudo, a vaidade

Síndrome de Exaustão


 

Uma síndrome é definida como um conjunto de sinais ou de características que, em associação com uma condição crítica, são passíveis de despertar insegurança e medo. Uma doença é diferente de uma síndrome, já que a síndrome provoca um conjunto de sintomas que ocorrem ao mesmo tempo.


Há várias síndromes psicológicas catalogadas e uma delas e a Síndrome de Borderline, transtorno de personalidade limítrofe caracterizado pelas mudanças súbitas de humor, medo de ser abandonado pelos amigos e comportamentos impulsivos, como gastar dinheiro descontroladamente ou comer compulsivamente.


Outra muito conhecida é a Síndrome de Burnout ou Síndrome de Exaustão, um distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema. Essa condição também é chamada de “Síndrome do Esgotamento Profissional” e afeta quase todas as facetas da vida de um indivíduo. Ela é o resultado direto do acúmulo excessivo de estresse, de tensão emocional e de trabalho e é bastante comum em profissionais que trabalham sob pressão constante, como médicos, publicitários e professores.


O organismo e a mente humana conseguem suportar uma determinada carga de estresse diário, porém, quando as situações estressantes são constantes e intensas, ocorre a sobrecarga que torna difícil a administração dessas emoções. A Síndrome de Exaustão ou de Esgotamento Emocional tem gatilhos distintos para cada indivíduo. Ou seja, suas causas variam. Portanto, veja os sinais emitidos pelo seu corpo e sua mente.


Em tempos de quarentena, esta síndrome se expandiu exponencialmente e muitos terapeutas têm apontado o que é necessário fazer para se cuidar. A pandemia não oferece riscos apenas para a saúde física, mas afeta diretamente a saúde mental. As preocupações em excesso, inseguranças, medos, mudanças na rotina, além do isolamento social, têm sido um grande fardo para maioria da população.


O contato excessivo com a internet gerou um fenômeno moderno conhecido como a “fadiga do zoom” (zoom fatigue). É perceptível o cansaço provocado pelas video conferências. No início da pandemia, esta realidade se tornou uma forma de salvação, entretanto, para alguns, acessar uma sala virtual atualmente tem gerado irritabilidade e cansaço antes mesmo de a conferência começar.



É preciso ser criativo e descobrir formas de extravasar essa exaustão. O termo burnout vem da palavra inglesa queimar (burn). E isso ocorre porque os circuitos neuronais se queimam. Quando acontece, o problema não se resolve com dois ou três dias de folga e, às vezes, a recuperação leva meses. Então, é preciso estar atento aos sinais de cansaço que o corpo dá porque o custo de recuperação, depois de chegar ao limite, é muito alto.