quarta-feira, 8 de julho de 2015

Impressões de Tucuruí


A convite do Luciano Gomes (zooflora), estive uma semana no Pará, na cidade de Marabá, visitando a fazenda, e depois, indo para Jacundá-PA e dali para a beira da Represa Tucuruí, na Vila de Santa Rosa que fica a de 30 KM da cidade. Ficamos na Toca do Tucunaré, uma belíssima estrutura encravada numa ilha, e que faria jus ao nome, se a pescaria na região não fosse tão predatória. Por dois dias, jogando linhada durante o período da manhã, conseguimos pegar apenas 2 piranhas e 1 tucunaré. Os moradores locais afirmam que infelizmente os próprios pescadores, que dependem do dinheiro da pescaria, praticam indiscriminadamente a pesca, inclusive em épocas de piracema, quando os peixes estão desovando. O resultado é catastrófico a médio prazo, e o número de peixe tem caído sistematicamente pela ausência de consciência dos ribeirinhos, falta de fiscalização ou a corrupção dos fiscais. 

Foi bom conviver com pessoas simples, conversar com elas, ouvir suas histórias.
Tive oportunidade de conversar longamente com uma viúva, mãe de 8 filhos, que perdeu seu marido oito meses atrás. Ela anda muito triste desde então, seus filhos dependem da pesca, que não anda bem, e ela vive no barco com eles, repartindo o pequeno espaço com as noras que também passaram a viver no barco. A saudade do marido que morreu em seus braços tem sido muito grande e a vida se tornou muito pesada desde então. Apesar de estar com 57 anos, parece ter 70. Tive oportunidade de encorajar sua vida, estimular e animá-la um pouco.

Uma coisa surpreendente para mim foi a quantidade de orquídeas e bromélias que se alojam no tronco seco das árvores onde outrora era a selva amazônica e agora é o lago. As árvores secas se parecem um cemitério da floresta, e de fato esta é a realidade. No entanto, passarinhos levam as sementes que brotam naqueles tocos e revelam o poder da vida naquele cenário de morte. É a natureza insistindo em viver, a despeito de agressão e violência sofrida. É surpreendente a quantidade e diversidade destas orquídeas, algumas com lindas flores desabrochando. A natureza se renova, dentro de suas possibilidades.


Tive oportunidade de tirar foto ao lado de árvores que precisam de 8 homens de braços abertos para abraçá-las. Descansar e pescar em rios de águas correntes e límpidas, comer carnes especiais e muito peixe. Rir e orar bastante, considerar uma porção de coisas que só somos capazes de refletir quando paramos o relógio sem termos a adrenalina da agenda, sem sofrer a crise de abstinência da internet. 

Por isto, o Lago de Tucuruí, neste recanto silencioso e inóspito em que estive, me trouxe lembranças perenes, dos mergulhos nestas águas mornas do lado de baixo do Equador e de gente amiga com quem convivi, e dos novos amigos que encontrei.

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