sexta-feira, 12 de agosto de 2016

É preciso voltar a confiar



Recebi recentemente a visita de um amigo que mora nos EUA há mais de 30 anos. Suas impressões e comentários sobre o Brasil são interessantes e moderadas, uma delas, porém, me chamou a atenção: “A imprensa brasileira detona o Brasil”.

Até Arnaldo Jabor, cineasta e jornalista, conhecido por sua crítica ácida e ferina, falou recentemente sobre este assunto na CBN. Ele disse que temos que ter coragem para falar as coisas boas, e teceu comentários rasgados aos eventos recentes do Brasil – e olha que a abertura deslumbrante das Olimpíadas Rio-2016, ainda não tinha acontecido.
Jabor afirma que existe uma grande dificuldade do brasileiro para se elogiar e que estamos acostumados a nos queixar de tudo. Afirma ainda que no brasil, só se considera importante as críticas e qualquer elogio é considerado mal jornalismo, estupidez ou oportunismo.

Ele usa o exemplo do Rio de Janeiro, com as mudanças radicais no centro, o Porto Maravilha, a Praça Mauá e que, apesar dos horrores ainda presentes, isto não pode desqualificar as coisas boas, já que as mudanças tem sido feitas com zelo em busca de uma beleza urbana que faz o Rio voltar a ser bonito.

Consideremos a abertura das Olimpíadas que certamente foi um marco, e trouxe novamente orgulho de nossa brasilidade. Apesar das críticas pontuais que possamos fazer, por estilo ou preferências individuais, tudo foi plasticamente correto, com uma temática relevante e contemporânea, e que conseguiu impressionar a imprensa internacional e nos encher de emoção. Não é bom ver as coisas andando bem?

Naturalmente gostaríamos de ver estas coisas se dando bem nas políticas públicas, e que a liderança política começasse a acreditar e a sonhar não apenas nos seus próprios interesses, mas em como revolucionar a história e fazer as coisas com seriedade, integridade, aplicação e bom senso. Sei que há um pouco de utopia nestas afirmações, “você pode dizer que sou um louco mas eu não sou o único”.

A falta de confiança dispersa recursos, desencoraja e desestimula investimentos. A economia vive, sob muitas aspectos, à base da fofocas, rumores e comentários. Um discurso negativista constantemente reforçado tem o poder de dilapidar o entusiasmo e a alegria de um grupo, de uma instituição ou mesmo de uma nação. Não se trata de fechar os olhos à realidade, mas precisamos ressaltar aquilo que de bom acontece entre nós. Voltar o holofote apenas para o lado escuro além, de não ser honesto, não é salutar. 

Empresários são conhecidos por reclamarem da má situação, apesar de estarem ganhando dinheiro, andando em carros de luxos, morando em mansões, fazendo luxuosas viagens, mesmo assim estão sempre se lamentando. Reclamar pode se tornar um vício e enfraquecer a estima. Sei que muitas lutas resultantes de atitudes inescrupulosas da liderança política tem trazido um atraso sensível ao nosso país, mas é preciso voltar a confiar, investir, falar bem e sonhar. A Bíblia diz que “as más conversações corrompem os bons costumes”, da mesma forma a crítica constante tem o efeito deletério de massacrar a estima de um povo e tirar a alegria da nação.

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