Centenas de pessoas vivem angustiadas e aflitas por já terem ido muito longe nos seus débitos. Há uma boa probabilidade de que você já tenha caído na armadilha do débito pelo menos uma vez na vida, ou que sua casa esteja passando por sérios problemas por causa disto.
Um débito financeiro desorganiza a estrutura familiar, gera enorme frustração e eventualmente grandes conflitos. Se você está com débito isto significa que tem uma tarefa dupla pela frente: 1. Você não conseguia se organizar quando as contas estavam zeradas, e isto provavelmente significa que enfrentava sérios problemas entre receita e despesa; 2. Você vai ter que correr agora contra o prejuízo e ainda equilibrar as contas domésticas, que você anteriormente não estava conseguindo.
Pessoas podem se desequilibrar financeiramente por causa de uma tragédia, acidente ou um infortúnio. Mas muitos são desequilibrados porque estão presos numa armadilha, que eu chamo A Tirania do Consumo. Alguém já afirmou que "a maioria dos nossos recursos é gasto com coisas que a gente não precisa, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não gostamos".
A estratégia das empresas de marketing é criar necessidades. Elas são peritas em fazerem você se achar inadequado se não usa uma roupa de determinada marca, se não come em determinado restaurante e se não tem determinado carro. Quanto menos resolvido for o seu coração, mais terá a tendência de acreditar que o seu sentido será adquirido quando tiver coisas que ainda não conseguiu comprar, e colocar seu valor e significado em objetos e fantasias que estão fora de sua vida. Assim, compra-se para encontrar significado para a alma, mas existem necessidades existenciais da vida que nenhum dinheiro pode comprar e que não pode saciar a alma.
Almas vazias não conseguem viver sem gastar, por isto buscam não apenas o necessário, mas o supérfluo, na tentativa de que lhes dê sentido para preencherem o coração. Na verdade não precisam de tais coisas para viver, aliás, poucas coisas que realmente precisamos são encontradas em shoppings.
Gostaria de dar algumas dicas práticas para pessoas que vivem nesta sujeição tirânica:
1. Não superestime o valor da prosperidade. Dinheiro não resolverá seus problemas, nem trará felicidade, comprará amigos ou ainda lhe fará importante.
2. Evite a gratificação instantânea - A habilidade de adiar o prazer. Aprenda disciplina O desejo por gratificação instantânea leva a compulsão por comprar.
3. Não gaste além de seus recursos - Viva dentro do seu orçamento. Não se afogue na armadilha do cartão de crédito para gastar mais do que você pode. Simplifique sua vida a ponto de viver confortavelmente dentro de suas posses.
4. Desenvolva um plano - Você não pode continuar vivendo a mesma vida e esperar resultados diferentes do que já obteve até agora. Escreva um plano melhor de vida para você.
Comece imediatamente - Uma vez que você tenha resolvido consertar seu problema e tenha traçado um plano, não espere para colocá-lo em prática.
quinta-feira, 26 de maio de 2005
segunda-feira, 23 de maio de 2005
A Tirania do Sucesso
Poucos homens estudaram tanto o comportamento humano quanto B. F. Skinner. Ele é um dos pais e mentores da Psicologia do comportamento, ou, do behaviorismo, se adotarmos o termo na língua inglesa. Num intrigante livro sobre o ser humano chamado O mito da Liberdade (Rio de Janeiro, Bloch Editores S.A, 1973), expressa profundo desencanto com esta questão da liberdade humana. Ele conclui seu livro dizendo: "Uma análise experimental transfere a determinação do comportamento do homem autônomo para o ambiente – um ambiente responsável pela evolução da espécie como pelo repertório adquirido por cada membro... Ele está realmente controlado pelo ambiente". (op.cit.pg 167-168).
Embora ele acentue que este ambiente é construído em grande parte pelo próprio homem não deixa de expressar em todo conteúdo do livro, forças humanas que condicionam o homem, levando-o a fazer opções que não necessariamente são julgadas em todas as suas complexidades.
Esta é uma das razões pelas quais temos falado de forças tirânicas que agem sobre nós e interagem conosco. Uma das que tem sido mais enfáticas, tem sido o conceito de sucesso. Somos uma sociedade ambiciosa e desesperada por reconhecimento público.
Imagine que você pergunte ao seu filho pré adolescente ou adolescente, e sugiro que não o faça, o que ele pensa que seria a sua expectativa sobre ele lhe dando três opções: ser um homem rico, um homem bom, ou um homem de sucesso, o que você acha que ele iria responder?
Muito provavelmente a resposta seria sucesso. O excesso de atividades, tarefas e obrigações que criamos para nossos filhos revelam a nossa ansiedade para que eles sejam bem sucedidos. A agenda de muitos meninos e meninas tem sido agenda de executivos, eles perderam a capacidade do lúdico, do prazer e do brinquedo. Tornam-se sérios demais numa época em que deveriam brincar. Por que o estatuto dos menores não discute esta questão? Muitos lares têm impedido os filhos de viverem pelo desejo incontrolável de que sejam pessoas de sucesso na vida.
Homens e mulheres também vivem no afã do sucesso. Partem vorazmente para o mercado de trabalho, fazem cursos cada vez mais rigorosos, afinal, dizem eles, precisam de um lugar ao sol. Os dois saem em busca do sucesso, reconhecimento, notoriedade. Esquecem-se uns dos outros, abandonam afetivamente os filhos e neste desespero pós-moderno, perdem a alma e o prazer de ser gente, de brincar, de rir. Ambos providenciam bens e riquezas para casa, mas ninguém está providenciando recursos para a alma, para os afetos.
O que poucos estão discutindo é o real conceito de sucesso. O que é ser bem sucedido? O que transforma uma pessoa em alguém vitorioso? Um diploma a mais? um carro mais novo? uma viagem a mais à Europa? Gente com tanto e com tão pouco, vazia de afeto, vazia de alma, vazia de sentido? É isto que chamamos de sucesso? Filhos estressados, individualistas, egoístas, burgueses, sem razão para viver, sem prazer de viver, sem sentido para viver? Pessoas ensimesmadas, yuppies sem desejo de ser gente, sem capacidade de amar?
A Bíblia nos faz uma exortação muito séria sobre isto: "Tal é a sorte de todo ganancioso; e este espírito de ganância tira a vida de quem o possui" (Pv 1.19)
Embora ele acentue que este ambiente é construído em grande parte pelo próprio homem não deixa de expressar em todo conteúdo do livro, forças humanas que condicionam o homem, levando-o a fazer opções que não necessariamente são julgadas em todas as suas complexidades.
Esta é uma das razões pelas quais temos falado de forças tirânicas que agem sobre nós e interagem conosco. Uma das que tem sido mais enfáticas, tem sido o conceito de sucesso. Somos uma sociedade ambiciosa e desesperada por reconhecimento público.
Imagine que você pergunte ao seu filho pré adolescente ou adolescente, e sugiro que não o faça, o que ele pensa que seria a sua expectativa sobre ele lhe dando três opções: ser um homem rico, um homem bom, ou um homem de sucesso, o que você acha que ele iria responder?
Muito provavelmente a resposta seria sucesso. O excesso de atividades, tarefas e obrigações que criamos para nossos filhos revelam a nossa ansiedade para que eles sejam bem sucedidos. A agenda de muitos meninos e meninas tem sido agenda de executivos, eles perderam a capacidade do lúdico, do prazer e do brinquedo. Tornam-se sérios demais numa época em que deveriam brincar. Por que o estatuto dos menores não discute esta questão? Muitos lares têm impedido os filhos de viverem pelo desejo incontrolável de que sejam pessoas de sucesso na vida.
Homens e mulheres também vivem no afã do sucesso. Partem vorazmente para o mercado de trabalho, fazem cursos cada vez mais rigorosos, afinal, dizem eles, precisam de um lugar ao sol. Os dois saem em busca do sucesso, reconhecimento, notoriedade. Esquecem-se uns dos outros, abandonam afetivamente os filhos e neste desespero pós-moderno, perdem a alma e o prazer de ser gente, de brincar, de rir. Ambos providenciam bens e riquezas para casa, mas ninguém está providenciando recursos para a alma, para os afetos.
O que poucos estão discutindo é o real conceito de sucesso. O que é ser bem sucedido? O que transforma uma pessoa em alguém vitorioso? Um diploma a mais? um carro mais novo? uma viagem a mais à Europa? Gente com tanto e com tão pouco, vazia de afeto, vazia de alma, vazia de sentido? É isto que chamamos de sucesso? Filhos estressados, individualistas, egoístas, burgueses, sem razão para viver, sem prazer de viver, sem sentido para viver? Pessoas ensimesmadas, yuppies sem desejo de ser gente, sem capacidade de amar?
A Bíblia nos faz uma exortação muito séria sobre isto: "Tal é a sorte de todo ganancioso; e este espírito de ganância tira a vida de quem o possui" (Pv 1.19)
domingo, 8 de maio de 2005
A Tirania do Mal
A presença do mal no mundo cria questões filosóficas angustiantes e perturbadoras. C. S. Lewis, conhecido escritor e professor em Oxford, falecido em 1963 afirma que existem duas abordagens complicadoras quando tratamos deste tema: A Primeira é negarmos o mal. A segunda, ficarmos obcecados pelo mal. Tanto a negação quanto a obsessão são complicadoras porque na primeira, nega-se a discussão e faz-se de conta que o mal não existe. Na segunda, cria-se uma neurose que tenta analisar a vida apenas pela perspectiva do sobrenatural, retirando das pessoas a compreensão mais ampla da responsabilidade moral. O diabo torna-se culpado de todas as fraquezas, contradições, ambigüidades e malandragens.
Para aqueles que professam os credos judaico-cristãos, é importante notar que ele aparece reiteradas vezes nos escritos do Velho e do Novo Testamento. Satã é tido como responsável por uma infinidade de doenças humanas, enviando aflições e perturbações à humanidade, trazendo distúrbios mentais e surge sempre como um espírito oposto a Deus, distanciando o homem de Deus e de seus propósitos. Uma boa referência bibliográfica para este tema é o livro, O Mal, o lado sombrio da realidade, de John A. Sanford, publicado pela edicões Paulinas.
Tanto na perspectiva das Escrituras quanto na experiência cotidiana, o Mal tem sido sempre uma força tirânica. Muitos têm sido presos de forma inconsciente desta força simbólica e/ou real, e vivem sufocados por um não sei quê de angústias e medos. Para alguns já não se trata mais de uma impressão, mas de fato de uma opressão. O mal tem sido experimentado de forma aguda no viver diário. Estes fatos não nos são desconhecidos.
Scott Peck, no livro O Povo da Mentira, afirma que o mal é o oposto da vida, e chama a atenção para o fato de que na língua inglesa, curiosamente, evil (mal), é oposto de live (to live: viver). Evil é vida escrita de trás para a frente, vista pelo inverso. O mal é oposto à vida. Ele confronta e esvazia a capacidade de viver, e isto está de acordo com o pensamento de Jesus que diz que "o diabo veio para matar, roubar e destruir, mas eu vim para que tenham vida, e vida em abundância".
Muitos têm sido escravizados por conceitos e pela realidade do mal. São forças espirituais e simbólicas que vão além do cotidiano. Fui procurado por médicos de um hospital psiquiatra que pediam para que eu desse parte do meu tempo para lidar com pessoas que precisavam de um tipo especifico de tratamento que ia além da análise, terapia e remédios que eram aplicados. Queriam alguém que lidasse com pessoas pelo ângulo espiritual. Peck, psiquiatra citado acima, admitia que ele mesmo buscou grupos de exorcistas para lidar com coisas que iam para além do cotidiano e do ordinário.
Não viver demonizando o comportamento humano, nem viver ignorando os fenômenos torna-se sabedoria para nossas vidas. Ainda mais importante, porém, é buscarmos solução integrada para que não mais estejamos escravizados de forças e conceitos que podem nos impedir de sermos menos do que aquilo que Deus queria para nós. Jesus lidou algumas vezes com endominhados, mas não via demônios em toda parte. Também não fazia de conta que não existiam. João, seu apóstolo, definiu o ministério de Jesus de duas formas: Primeiro afirmou que Deus é amor (1 Jo 4.16), e depois disse: "Para isto se manifestou o Filho de Deus: Para destruir as obras do diabo" (1 Jo 3.8). Podemos concluir que o amor de Jesus e a compreensão de sua aceitação incondicional por nós, e seu ministério que confronta o mal, são elementos altamente libertadores para aqueles que ainda vivem sob a tirania do Mal.
Para aqueles que professam os credos judaico-cristãos, é importante notar que ele aparece reiteradas vezes nos escritos do Velho e do Novo Testamento. Satã é tido como responsável por uma infinidade de doenças humanas, enviando aflições e perturbações à humanidade, trazendo distúrbios mentais e surge sempre como um espírito oposto a Deus, distanciando o homem de Deus e de seus propósitos. Uma boa referência bibliográfica para este tema é o livro, O Mal, o lado sombrio da realidade, de John A. Sanford, publicado pela edicões Paulinas.
Tanto na perspectiva das Escrituras quanto na experiência cotidiana, o Mal tem sido sempre uma força tirânica. Muitos têm sido presos de forma inconsciente desta força simbólica e/ou real, e vivem sufocados por um não sei quê de angústias e medos. Para alguns já não se trata mais de uma impressão, mas de fato de uma opressão. O mal tem sido experimentado de forma aguda no viver diário. Estes fatos não nos são desconhecidos.
Scott Peck, no livro O Povo da Mentira, afirma que o mal é o oposto da vida, e chama a atenção para o fato de que na língua inglesa, curiosamente, evil (mal), é oposto de live (to live: viver). Evil é vida escrita de trás para a frente, vista pelo inverso. O mal é oposto à vida. Ele confronta e esvazia a capacidade de viver, e isto está de acordo com o pensamento de Jesus que diz que "o diabo veio para matar, roubar e destruir, mas eu vim para que tenham vida, e vida em abundância".
Muitos têm sido escravizados por conceitos e pela realidade do mal. São forças espirituais e simbólicas que vão além do cotidiano. Fui procurado por médicos de um hospital psiquiatra que pediam para que eu desse parte do meu tempo para lidar com pessoas que precisavam de um tipo especifico de tratamento que ia além da análise, terapia e remédios que eram aplicados. Queriam alguém que lidasse com pessoas pelo ângulo espiritual. Peck, psiquiatra citado acima, admitia que ele mesmo buscou grupos de exorcistas para lidar com coisas que iam para além do cotidiano e do ordinário.
Não viver demonizando o comportamento humano, nem viver ignorando os fenômenos torna-se sabedoria para nossas vidas. Ainda mais importante, porém, é buscarmos solução integrada para que não mais estejamos escravizados de forças e conceitos que podem nos impedir de sermos menos do que aquilo que Deus queria para nós. Jesus lidou algumas vezes com endominhados, mas não via demônios em toda parte. Também não fazia de conta que não existiam. João, seu apóstolo, definiu o ministério de Jesus de duas formas: Primeiro afirmou que Deus é amor (1 Jo 4.16), e depois disse: "Para isto se manifestou o Filho de Deus: Para destruir as obras do diabo" (1 Jo 3.8). Podemos concluir que o amor de Jesus e a compreensão de sua aceitação incondicional por nós, e seu ministério que confronta o mal, são elementos altamente libertadores para aqueles que ainda vivem sob a tirania do Mal.
quarta-feira, 4 de maio de 2005
Homenagem às mães
O dia das mães é sempre uma data excepcional. Existe um provérbio indiano que diz: “Um mestre supera em dignidade a dez preceptores; um pai a cem mestres, porém uma mãe a mil pais”.
Neste domingo gostaria de fazer algumas observações sobre a mãe:
Mãe não é objeto de consumo - as propagandas do dia das mães, costumam esvaziar seu sentido, e transformá-la em algo negociável, resultado de marketing. Dar presentes é bom, mas melhor ainda é ser um presente. O Livro de Provérbios afirma que "O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe" (Pv 10.1).
Mãe é única – Não existe a possibilidade de alguém ser gerado a partir de dois úteros. Útero traz a idéia de partilhar das vísceras, das entranhas da natureza humana. Por esta razão, os judeus só reconhecem seus filhos a partir do útero judaico. Para você ser judeu precisa nascer de uma mãe judia. Esta singularidade precisa ser valorizada.
Mãe é amor que não pode ser adiado – Toda demonstração de amor que puder ser feita à sua mãe faça antes de sua morte. Muitos ficam desesperados em gastar muito dinheiro em funerais e lápides, mas se quiser um conselho, gaste-o em flores hoje, não amanhã. Na maioria das vezes ao fazermos assim somos motivados pela culpa, para resolvermos inconscientemente nossa sensação de ter feito menos do que deveríamos ter feito.
Mãe não é empregada doméstica – Nossas relações são muitas vezes utilitaristas. Podemos achar que a comida de nossa mãe é a melhor do mundo, mas não precisamos transformá-la numa escrava de nossos caprichos de menino (a) que demorou a crescer. Nossos mimos não podem ser motivos de uma postura de tirania.
Mães precisam ser honradas Miguel Couto, ao receber honrosos prêmios por suas pesquisas afirmou: “toda honra dêem à minha mãe" e, após tal afirmação, trouxe-a à frente do auditório, para receber os aplausos.
Mães precisam ser reconhecidas - Thomas A. Édson, conhecido cientista fez a seguinte afirmação: “Minha mãe fez o que eu sou”.
Recebi uma interessante mensagem sobre as mães, e gostaria de compartilhar com os leitores:
No dia em que Deus criou as mães (e já vinha virando dia e noite há seis dias), um anjo apareceu-lhe e disse:
- Por que esta criação está lhe deixando tão inquieto senhor?
E o Senhor Deus respondeu-lhe:
- Você já leu as especificações desta encomenda? Ela tem que ser totalmente lavável, mas não pode ser de plástico. Deve ter 180 partes móveis e substituíveis, funcionar a base de café e sobras de comida. Ter um colo macio que sirva de travesseiro para as crianças. Um beijo que tenha o dom de curar qualquer coisa, desde um ferimento até as dores de uma paixão, e ainda ter seis pares de mãos.
O anjo balançou lentamente a cabeça e disse-lhe:
- Seis pares de mãos Senhor? Parece impossível!?!
Mas o problema não é esse, falou o Senhor Deus - e os três pares de olhos que essa criatura tem que ter?
O anjo, num sobressalto, perguntou-lhe:
- E tem isso no modelo padrão?
O Senhor Deus assentiu:
- Um par de olhos para ver através de portas fechadas, para quando se perguntar o que as crianças estão fazendo lá dentro (embora ela já saiba); outro par na parte posterior da cabeça, para ver o que não deveria, mas precisa saber, e naturalmente os olhos normais, capazes de consolar uma criança em prantos, dizendo-lhe: 'Eu te compreendo e te amo!' - sem dizer uma palavra.
E o anjo mais uma vez comenta-lhe:
- Senhor...já é hora de dormir. Amanhã é outro dia.
Mas o Senhor Deus explicou-lhe:
- Não posso, já está quase pronta. Já tenho um modelo que se cura sozinho quando adoece, que consegue alimentar uma família de seis pessoas com meio quilo de carne moída e consegue convencer uma criança de 9 anos a tomar banho...
O anjo rodeou vagarosamente o modelo e falou:
- É muito delicada Senhor!...
Mas o Senhor Deus disse entusiasmado:
- Mas é muito resistente! Você não imagina o que esta pessoa pode fazer ou suportar!
O anjo, analisando melhor a criação, observa:
- Há um vazamento ali Senhor...
- Não é um simples vazamento, é uma lágrima! E esta serve para expressar alegrias, tristezas, dores, solidão, orgulho e outros sentimentos.
- Vós sois um gênio, Senhor! - disse o anjo entusiasmado com a criação.
- Mas isso não fui eu que coloquei. Apareceu assim...
Neste domingo gostaria de fazer algumas observações sobre a mãe:
Mãe não é objeto de consumo - as propagandas do dia das mães, costumam esvaziar seu sentido, e transformá-la em algo negociável, resultado de marketing. Dar presentes é bom, mas melhor ainda é ser um presente. O Livro de Provérbios afirma que "O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe" (Pv 10.1).
Mãe é única – Não existe a possibilidade de alguém ser gerado a partir de dois úteros. Útero traz a idéia de partilhar das vísceras, das entranhas da natureza humana. Por esta razão, os judeus só reconhecem seus filhos a partir do útero judaico. Para você ser judeu precisa nascer de uma mãe judia. Esta singularidade precisa ser valorizada.
Mãe é amor que não pode ser adiado – Toda demonstração de amor que puder ser feita à sua mãe faça antes de sua morte. Muitos ficam desesperados em gastar muito dinheiro em funerais e lápides, mas se quiser um conselho, gaste-o em flores hoje, não amanhã. Na maioria das vezes ao fazermos assim somos motivados pela culpa, para resolvermos inconscientemente nossa sensação de ter feito menos do que deveríamos ter feito.
Mãe não é empregada doméstica – Nossas relações são muitas vezes utilitaristas. Podemos achar que a comida de nossa mãe é a melhor do mundo, mas não precisamos transformá-la numa escrava de nossos caprichos de menino (a) que demorou a crescer. Nossos mimos não podem ser motivos de uma postura de tirania.
Mães precisam ser honradas Miguel Couto, ao receber honrosos prêmios por suas pesquisas afirmou: “toda honra dêem à minha mãe" e, após tal afirmação, trouxe-a à frente do auditório, para receber os aplausos.
Mães precisam ser reconhecidas - Thomas A. Édson, conhecido cientista fez a seguinte afirmação: “Minha mãe fez o que eu sou”.
Recebi uma interessante mensagem sobre as mães, e gostaria de compartilhar com os leitores:
No dia em que Deus criou as mães (e já vinha virando dia e noite há seis dias), um anjo apareceu-lhe e disse:
- Por que esta criação está lhe deixando tão inquieto senhor?
E o Senhor Deus respondeu-lhe:
- Você já leu as especificações desta encomenda? Ela tem que ser totalmente lavável, mas não pode ser de plástico. Deve ter 180 partes móveis e substituíveis, funcionar a base de café e sobras de comida. Ter um colo macio que sirva de travesseiro para as crianças. Um beijo que tenha o dom de curar qualquer coisa, desde um ferimento até as dores de uma paixão, e ainda ter seis pares de mãos.
O anjo balançou lentamente a cabeça e disse-lhe:
- Seis pares de mãos Senhor? Parece impossível!?!
Mas o problema não é esse, falou o Senhor Deus - e os três pares de olhos que essa criatura tem que ter?
O anjo, num sobressalto, perguntou-lhe:
- E tem isso no modelo padrão?
O Senhor Deus assentiu:
- Um par de olhos para ver através de portas fechadas, para quando se perguntar o que as crianças estão fazendo lá dentro (embora ela já saiba); outro par na parte posterior da cabeça, para ver o que não deveria, mas precisa saber, e naturalmente os olhos normais, capazes de consolar uma criança em prantos, dizendo-lhe: 'Eu te compreendo e te amo!' - sem dizer uma palavra.
E o anjo mais uma vez comenta-lhe:
- Senhor...já é hora de dormir. Amanhã é outro dia.
Mas o Senhor Deus explicou-lhe:
- Não posso, já está quase pronta. Já tenho um modelo que se cura sozinho quando adoece, que consegue alimentar uma família de seis pessoas com meio quilo de carne moída e consegue convencer uma criança de 9 anos a tomar banho...
O anjo rodeou vagarosamente o modelo e falou:
- É muito delicada Senhor!...
Mas o Senhor Deus disse entusiasmado:
- Mas é muito resistente! Você não imagina o que esta pessoa pode fazer ou suportar!
O anjo, analisando melhor a criação, observa:
- Há um vazamento ali Senhor...
- Não é um simples vazamento, é uma lágrima! E esta serve para expressar alegrias, tristezas, dores, solidão, orgulho e outros sentimentos.
- Vós sois um gênio, Senhor! - disse o anjo entusiasmado com a criação.
- Mas isso não fui eu que coloquei. Apareceu assim...
sexta-feira, 22 de abril de 2005
Dia do Índio
No nosso calendário brasileiro, O dia 19 de Abril é dedicado à causa dos índios que coincide com o dia do descobrimento do Brasil que é o dia 22 de Abril. Estas datas na verdade se tocam profundamente já que não se pode falar daquele dia sem entender realmente o que aconteceu quando os navegantes aqui chegaram.
Uma redefinição talvez se faça necessário destas referidas datas: O dia 22 foi o dia em que os portugueses colocaram os pés em terras brasileiras, e naquele dia, descobriu-se o Brasil. O problema é que antes deles descobrirem o Brasil, milhares de pessoas já moravam aqui. A nação conquistadora, Portugal, tinha 1.5 milhão de habitantes, e os povos indígenas que aqui habitavam somavam cerca de 6 milhões de pessoas. Quem descobriu quem?
Na verdade não se pode falar mais em descobrimento do Brasil. Semântica e politicamente esta análise é incorreta. Tem-se a impressão de que os nativos brasileiros estavam perdidos e agora foram achados pelos descobridores. Esta descoberta nada mais foi que um encontro de civilizações. Lamentavelmente o poderoso sempre escreve a história, e o que aprendemos nos livros escolares traz uma visão colonialista da triste realidade que até hoje nos assedia que é a mentalidade de província, de dependência dos centros de poder. Mudou-se a geografia do poder, mas não se mudou a mentalidade. Mudou-se a forma de poder, de colonialismo para neo colonialismo, mas a opressão e dominação continuam.
Naqueles dias, porém, todo dia era dia de Índio...
A Palavra "índio" aponta para algo nativo, que brota da terra, e que se identifica com a natureza, que, ao contrário que alguns pensam, não é mãe, mas filha, uma vez que ela é não é progenitora, mas criatura. Quando se fala de mãe natureza, tende-se a criar uma espécie de panteísmo filosófico. Índio é algo relacionado a adamã (palavra hebraica para terra, daí a raiz da palavra para Adam, o primeiro homem, protótipo da natureza humana).
Deve-se comemorar o dia do Índio, como uma espécie de celebração da vida e da humanidade. Sua existência nos inspira em três dimensões:
1. A rever equivocados conceitos históricos eventualmente veiculados nos livros escolares, nos convidando a uma análise mais crítica de nosso papel como nação que se relaciona com outras nações e à reflexão sobre o nosso papel como povo neste encontro com a aldeia global que é a terra.
2. Sua existência também nos desafia a considerarmos a ética da natureza, o papel da terra, das árvores, dos rios, do ecossistema. Convida-nos a refletir sobre a necessidade de nos relacionarmos com a terra não numa estrutura de dominação e conquista, mas num relacionamento de graça e interação. A questionarmos a ambição desmedida pela riqueza natural que gera um problema ambiental com graves e prolongadas seqüelas sobre as futuras gerações.
3. Acima de tudo, somos convidados também a celebrar o Planeta terra, e, ainda mais importante, somos convidados a Celebrar Deus no Planeta terra, uma vez que se torna difícil desvincular o conceito da criatura de sua relação com Deus o Criador. O Dia do Índio nos aponta para o Deus que o criou à sua imagem e semelhança, como imago Dei, e por isto, o Índio possui uma dignidade inerente nele mesmo, como gente, como pessoa, criatura na relação com aquele que o criou. O índio não é menos, nem é mais, acima de tudo é. E como ser humano deve ser considerado na sua mais fina e particular peculiaridade, como criação exuberante do Deus que o criou para ser objeto de seu amor.
Uma redefinição talvez se faça necessário destas referidas datas: O dia 22 foi o dia em que os portugueses colocaram os pés em terras brasileiras, e naquele dia, descobriu-se o Brasil. O problema é que antes deles descobrirem o Brasil, milhares de pessoas já moravam aqui. A nação conquistadora, Portugal, tinha 1.5 milhão de habitantes, e os povos indígenas que aqui habitavam somavam cerca de 6 milhões de pessoas. Quem descobriu quem?
Na verdade não se pode falar mais em descobrimento do Brasil. Semântica e politicamente esta análise é incorreta. Tem-se a impressão de que os nativos brasileiros estavam perdidos e agora foram achados pelos descobridores. Esta descoberta nada mais foi que um encontro de civilizações. Lamentavelmente o poderoso sempre escreve a história, e o que aprendemos nos livros escolares traz uma visão colonialista da triste realidade que até hoje nos assedia que é a mentalidade de província, de dependência dos centros de poder. Mudou-se a geografia do poder, mas não se mudou a mentalidade. Mudou-se a forma de poder, de colonialismo para neo colonialismo, mas a opressão e dominação continuam.
Naqueles dias, porém, todo dia era dia de Índio...
A Palavra "índio" aponta para algo nativo, que brota da terra, e que se identifica com a natureza, que, ao contrário que alguns pensam, não é mãe, mas filha, uma vez que ela é não é progenitora, mas criatura. Quando se fala de mãe natureza, tende-se a criar uma espécie de panteísmo filosófico. Índio é algo relacionado a adamã (palavra hebraica para terra, daí a raiz da palavra para Adam, o primeiro homem, protótipo da natureza humana).
Deve-se comemorar o dia do Índio, como uma espécie de celebração da vida e da humanidade. Sua existência nos inspira em três dimensões:
1. A rever equivocados conceitos históricos eventualmente veiculados nos livros escolares, nos convidando a uma análise mais crítica de nosso papel como nação que se relaciona com outras nações e à reflexão sobre o nosso papel como povo neste encontro com a aldeia global que é a terra.
2. Sua existência também nos desafia a considerarmos a ética da natureza, o papel da terra, das árvores, dos rios, do ecossistema. Convida-nos a refletir sobre a necessidade de nos relacionarmos com a terra não numa estrutura de dominação e conquista, mas num relacionamento de graça e interação. A questionarmos a ambição desmedida pela riqueza natural que gera um problema ambiental com graves e prolongadas seqüelas sobre as futuras gerações.
3. Acima de tudo, somos convidados também a celebrar o Planeta terra, e, ainda mais importante, somos convidados a Celebrar Deus no Planeta terra, uma vez que se torna difícil desvincular o conceito da criatura de sua relação com Deus o Criador. O Dia do Índio nos aponta para o Deus que o criou à sua imagem e semelhança, como imago Dei, e por isto, o Índio possui uma dignidade inerente nele mesmo, como gente, como pessoa, criatura na relação com aquele que o criou. O índio não é menos, nem é mais, acima de tudo é. E como ser humano deve ser considerado na sua mais fina e particular peculiaridade, como criação exuberante do Deus que o criou para ser objeto de seu amor.
segunda-feira, 18 de abril de 2005
A Tirania da Culpa
Gabriel Garcia Marques no seu famoso livro "Cem anos de solidão" conta a história de José Arcadio Buendia, um dos personagens centrais do romance, que depois de uma briga numa rinha com Prudêncio Aguilar o mata com uma lança. Um dia, sua mulher saiu para beber água no quintal e retornou lívida afirmando ter visto Prudêncio junto à tina, com uma expressão triste, tentando tapar com uma atadura o buraco da garganta. Voltou ao quarto, contou ao esposo o que tinha visto, mas ele não ligou e respondeu: “Os mortos não saem, o que acontece é que não agüentamos com o peso da consciência”. Somos uma sociedade que experimenta dois sentimentos absolutamente ambíguos em relação à culpa: Negamos a existência do pecado e ao mesmo tempo vivemos culpados.
Ora, se pecado é algo puramente cultural não faz sentido viver culpado. Pecado, que é um termo absolutamente religioso, implica que existe uma lei absoluta passível de ser quebrada e que existe o ofensor e o ofendido. Se pecado não existe, a culpa, por conseguinte, não deveria existir. No entanto, quando mais se tenta negar a culpa, mais se percebe uma geração culpada. Obviamente, nem toda culpa é ruim, “Sentir-se culpado de alguma coisa que não é má é desnecessário e doentio. Não se sentir culpado de algo que é mal, é também doença”. Scott Peck, The people of the lie.
Obviamente existe sentimento de culpa sem culpa, resultante de um processo neurótico e repressor de uma sociedade doentia, mas também é certo pensar que existe culpa sem sentimento de culpa, em situações nas quais a pessoa não é capaz de perceber limites, nem o senso comum. Quando tal culpa não é percebida, há uma neurotização da alma que desemboca na psicopatia e na sociopatia. Nestes casos, mesmo quando o crime mais hediondo é praticado, a consciência da pessoa parece não ser incomodada nem afligida. Em tais situações, a liberdade que foi dada para a vida, torna-se um instrumento banal da morte, como no recente caso do serial killer conhecido como Corumbá.
A culpa penetra costumeiramente a alma humana e se torna tirânica quando escraviza aquele que deveria estar livre, mantém culpado quem já foi absolvido. Muitos vivem prisioneiros de seus fantasmas e são comumente detidos atrás de grades invisíveis. São pessoas acorrentadas ao passado. Muitas doenças são decorrentes de uma alma culpada, que paralisa e imobiliza as pessoas, como relata Shakespeare em Lady MacBeth, cujo personagem tem suas mãos ensangüentadas e vive gritando num interminável processo de dor sem saber onde suas mãos poderão ser lavadas.
O problema é que a culpa é traiçoeira, como um poço sem fundo: Quanto mais você tira terra mais profundo vai ficando. Ela escraviza, paralisa o potencial, enfraquece a energia e rouba todo entusiasmo das pessoas. A Bíblia afirma que a alma culpada correrá até a morte e ninguém poderá detê-la (Pv 28.17). Em quase todos estes processos de culpa percebe-se que a incapacidade da pessoa de se sentir perdoada.
Mas como se pode perdoar o “pecado” que não se reconhece? Como ser absolvido de um mal que não foi praticado? Se não existe pecado real, como se pode perdoar uma culpa real?
Creio que seria mais fácil se admitíssemos nossa culpa, porque assim poderíamos ser absolvido de forma real de nossa escravidão. Negação da doença nunca ajudou no processo da cura do enfermo. Parece que esta foi a leitura que Jesus fez da vida. Diante da mulher que estava para ser apedrejada ele diz: “Nem eu te condeno, vá e não peques mais”. Ele não nega seu erro nem o ignora, mas a absolve sabendo exatamente o que a culpava, e ela é assim restaurada. Para Jesus, pecado era algo muito real, mas a culpa também tinha remédio, cuja cura foi providenciada por ele mesmo, que no seu processo vicário de nos substituir na cruz assumiu a culpa em nosso lugar, como o Cordeiro bendito que tira o pecado do mundo.
Ora, se pecado é algo puramente cultural não faz sentido viver culpado. Pecado, que é um termo absolutamente religioso, implica que existe uma lei absoluta passível de ser quebrada e que existe o ofensor e o ofendido. Se pecado não existe, a culpa, por conseguinte, não deveria existir. No entanto, quando mais se tenta negar a culpa, mais se percebe uma geração culpada. Obviamente, nem toda culpa é ruim, “Sentir-se culpado de alguma coisa que não é má é desnecessário e doentio. Não se sentir culpado de algo que é mal, é também doença”. Scott Peck, The people of the lie.
Obviamente existe sentimento de culpa sem culpa, resultante de um processo neurótico e repressor de uma sociedade doentia, mas também é certo pensar que existe culpa sem sentimento de culpa, em situações nas quais a pessoa não é capaz de perceber limites, nem o senso comum. Quando tal culpa não é percebida, há uma neurotização da alma que desemboca na psicopatia e na sociopatia. Nestes casos, mesmo quando o crime mais hediondo é praticado, a consciência da pessoa parece não ser incomodada nem afligida. Em tais situações, a liberdade que foi dada para a vida, torna-se um instrumento banal da morte, como no recente caso do serial killer conhecido como Corumbá.
A culpa penetra costumeiramente a alma humana e se torna tirânica quando escraviza aquele que deveria estar livre, mantém culpado quem já foi absolvido. Muitos vivem prisioneiros de seus fantasmas e são comumente detidos atrás de grades invisíveis. São pessoas acorrentadas ao passado. Muitas doenças são decorrentes de uma alma culpada, que paralisa e imobiliza as pessoas, como relata Shakespeare em Lady MacBeth, cujo personagem tem suas mãos ensangüentadas e vive gritando num interminável processo de dor sem saber onde suas mãos poderão ser lavadas.
O problema é que a culpa é traiçoeira, como um poço sem fundo: Quanto mais você tira terra mais profundo vai ficando. Ela escraviza, paralisa o potencial, enfraquece a energia e rouba todo entusiasmo das pessoas. A Bíblia afirma que a alma culpada correrá até a morte e ninguém poderá detê-la (Pv 28.17). Em quase todos estes processos de culpa percebe-se que a incapacidade da pessoa de se sentir perdoada.
Mas como se pode perdoar o “pecado” que não se reconhece? Como ser absolvido de um mal que não foi praticado? Se não existe pecado real, como se pode perdoar uma culpa real?
Creio que seria mais fácil se admitíssemos nossa culpa, porque assim poderíamos ser absolvido de forma real de nossa escravidão. Negação da doença nunca ajudou no processo da cura do enfermo. Parece que esta foi a leitura que Jesus fez da vida. Diante da mulher que estava para ser apedrejada ele diz: “Nem eu te condeno, vá e não peques mais”. Ele não nega seu erro nem o ignora, mas a absolve sabendo exatamente o que a culpava, e ela é assim restaurada. Para Jesus, pecado era algo muito real, mas a culpa também tinha remédio, cuja cura foi providenciada por ele mesmo, que no seu processo vicário de nos substituir na cruz assumiu a culpa em nosso lugar, como o Cordeiro bendito que tira o pecado do mundo.
terça-feira, 5 de abril de 2005
A tirania da estética
Jean Jacques Rousseau inicia seu livro, O Contrato Social, afirmando o seguinte: "O homem é livre, mas por toda parte encontra-se a ferros". Forças tirânicas tendem a subjugar a natureza humana e a torná-la menos do que aquilo que de fato é. A tirania veste muitas roupagens e máscaras poderosas: Somos escravizados por forças psicológicas, sociais, religiosas e até mesmo sobrenaturais. Hoje gostaria de me reportar a um destes elementos tirânicos denominado por Jum Nakao de "a efemeridade da estética" em seu livro, "A Costura do Invisível" (Senac; 150 reais).
Uma pesquisa encomendada pela Unilever no campo da estética e realizada em dez países, coordenada pelas professoras Suzy Orbach, da London School of Economics, e Nancy Etcoff, de Harvard, trouxe alguns resultados que revelam a obsessão pela aparência. No Brasil, o peso e a beleza do corpo influem mais na auto-estima que sucesso na profissão, fé religiosa ou número de amigos. Apenas 7% das mulheres se consideram bonitas e, por conta disso, 54% se dizem dispostas a fazer cirurgias plásticas.
Na verdade não são apenas as mulheres que se encontram nesta armadilha. Homens também estão dispostos a ir cada vez mais longe na busca do corpo escultural e do rosto perfeito, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde. Isso é uma tirania. Tratamentos cada vez mais complexos são feitos mesmo quando são avisados de que não são indicados para seu caso. E quem tenta melhorar o que não precisa pode ter um resultado pior que o inicial, muito de nossa obsessão é não apenas desnecessária, mas também inútil.
A psicanalista Susie Orbach, que atendeu Lady Di quando a princesa sofria por se achar gorda, afirma que existe uma pressão comercial muito forte obrigando-nos a seguir um certo padrão de beleza e que enquanto a cultura não assimilar outros modelos estéticos, a maioria continuará vulnerável às armadilhas da vaidade. Por causa desta ação tirânica que se transformou em modismo, nada menos do que 58% das brasileiras afirmam que, caso a cirurgia plástica fosse gratuita, recorreriam imediatamente ao bisturi. "Considero esse dado chocante. A preocupação com a aparência é tão importante para as brasileiras que a cirurgia plástica virou parte do cotidiano", diz Susie Orbach.
Excesso de preocupação com a forma provoca efeitos colaterais incômodos para as pessoas. Elas perseguem um ideal estético perfeito, que é irreal, e por isso tornam-se insatisfeitas. Passam a viver queixosas em relação a auto imagem e são as que mais se enxergam "gordinhas" e "pouco sexy", entre as mulheres nos dez países observados.
Poucos param para considerar quão ideológica é a beleza. Beleza não apenas é imposta, mas varia de cultura para cultura. O padrão de beleza que hoje nos é apresentado é o das modelos que desfilam nas passarelas: magricelas de quadris estreitos, seios quase inexistentes, cabelo esticado e pele impecável. Sete de cada dez meninas declaram fazer algum tipo de dieta para emagrecer, mesmo não tendo nenhum problema objetivo com a balança. Mas este padrão estético não é o mesmo em outras culturas orientais e africanas. O fato é que as adolescentes de hoje são atraídas cedo pelas armadilhas da vaidade. A frustração feminina com a própria imagem e a conseqüente busca por uma aparência mais próxima dos padrões inculcados pela mídia alimentam uma indústria poderosa. Só no ano passado as brasileiras gastaram 17 bilhões de reais na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. Não é fácil – e é bem caro – ser uma mulher moderna.
Apesar deste padrão estético ser requerido, muitas vezes em nome da saúde física, A bulimia (doença que leva a pessoa a vomitar tudo que ingere), e a anorexia (incapacidade de se alimentar), são doenças que se tornaram comuns, em nome da tirania da estética. Existem pessoas entrando em choque hipoglicêmico (queda acentuada na produção de açúcar no sangue) e parando nas UTIs em razão das dietas piradas que tem sido criadas para produzir beleza. As sociedades médicas alertam para os riscos e absoluta falta de necessidade de muitos dos tratamentos. Alguns pensam em recorrer às cirurgias de redução do estômago apenas para controlar o peso, quando a cirurgia bariátrica trata uma doença e não tem propósitos estéticos. De acordo com Marco Antonio de Tommaso, psicólogo de várias agências de modelos, 92% das suas clientes têm problemas alimentares. ''Elogios, trabalhos, nada satisfaz a vaidade dessas moças. Querem estar cada vez mais magras, achando que isso fará com que sejam mais bem aceitas''.
É bom lembrar que não existe cirurgia da felicidade. Ela só é encontrada quando o coração encontra sentido em viver, e se volta para o propósito para o qual foi criado.
Uma pesquisa encomendada pela Unilever no campo da estética e realizada em dez países, coordenada pelas professoras Suzy Orbach, da London School of Economics, e Nancy Etcoff, de Harvard, trouxe alguns resultados que revelam a obsessão pela aparência. No Brasil, o peso e a beleza do corpo influem mais na auto-estima que sucesso na profissão, fé religiosa ou número de amigos. Apenas 7% das mulheres se consideram bonitas e, por conta disso, 54% se dizem dispostas a fazer cirurgias plásticas.
Na verdade não são apenas as mulheres que se encontram nesta armadilha. Homens também estão dispostos a ir cada vez mais longe na busca do corpo escultural e do rosto perfeito, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde. Isso é uma tirania. Tratamentos cada vez mais complexos são feitos mesmo quando são avisados de que não são indicados para seu caso. E quem tenta melhorar o que não precisa pode ter um resultado pior que o inicial, muito de nossa obsessão é não apenas desnecessária, mas também inútil.
A psicanalista Susie Orbach, que atendeu Lady Di quando a princesa sofria por se achar gorda, afirma que existe uma pressão comercial muito forte obrigando-nos a seguir um certo padrão de beleza e que enquanto a cultura não assimilar outros modelos estéticos, a maioria continuará vulnerável às armadilhas da vaidade. Por causa desta ação tirânica que se transformou em modismo, nada menos do que 58% das brasileiras afirmam que, caso a cirurgia plástica fosse gratuita, recorreriam imediatamente ao bisturi. "Considero esse dado chocante. A preocupação com a aparência é tão importante para as brasileiras que a cirurgia plástica virou parte do cotidiano", diz Susie Orbach.
Excesso de preocupação com a forma provoca efeitos colaterais incômodos para as pessoas. Elas perseguem um ideal estético perfeito, que é irreal, e por isso tornam-se insatisfeitas. Passam a viver queixosas em relação a auto imagem e são as que mais se enxergam "gordinhas" e "pouco sexy", entre as mulheres nos dez países observados.
Poucos param para considerar quão ideológica é a beleza. Beleza não apenas é imposta, mas varia de cultura para cultura. O padrão de beleza que hoje nos é apresentado é o das modelos que desfilam nas passarelas: magricelas de quadris estreitos, seios quase inexistentes, cabelo esticado e pele impecável. Sete de cada dez meninas declaram fazer algum tipo de dieta para emagrecer, mesmo não tendo nenhum problema objetivo com a balança. Mas este padrão estético não é o mesmo em outras culturas orientais e africanas. O fato é que as adolescentes de hoje são atraídas cedo pelas armadilhas da vaidade. A frustração feminina com a própria imagem e a conseqüente busca por uma aparência mais próxima dos padrões inculcados pela mídia alimentam uma indústria poderosa. Só no ano passado as brasileiras gastaram 17 bilhões de reais na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. Não é fácil – e é bem caro – ser uma mulher moderna.
Apesar deste padrão estético ser requerido, muitas vezes em nome da saúde física, A bulimia (doença que leva a pessoa a vomitar tudo que ingere), e a anorexia (incapacidade de se alimentar), são doenças que se tornaram comuns, em nome da tirania da estética. Existem pessoas entrando em choque hipoglicêmico (queda acentuada na produção de açúcar no sangue) e parando nas UTIs em razão das dietas piradas que tem sido criadas para produzir beleza. As sociedades médicas alertam para os riscos e absoluta falta de necessidade de muitos dos tratamentos. Alguns pensam em recorrer às cirurgias de redução do estômago apenas para controlar o peso, quando a cirurgia bariátrica trata uma doença e não tem propósitos estéticos. De acordo com Marco Antonio de Tommaso, psicólogo de várias agências de modelos, 92% das suas clientes têm problemas alimentares. ''Elogios, trabalhos, nada satisfaz a vaidade dessas moças. Querem estar cada vez mais magras, achando que isso fará com que sejam mais bem aceitas''.
É bom lembrar que não existe cirurgia da felicidade. Ela só é encontrada quando o coração encontra sentido em viver, e se volta para o propósito para o qual foi criado.
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