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quarta-feira, 4 de maio de 2005

Homenagem às mães

O dia das mães é sempre uma data excepcional. Existe um provérbio indiano que diz: “Um mestre supera em dignidade a dez preceptores; um pai a cem mestres, porém uma mãe a mil pais”.
Neste domingo gostaria de fazer algumas observações sobre a mãe:
Mãe não é objeto de consumo - as propagandas do dia das mães, costumam esvaziar seu sentido, e transformá-la em algo negociável, resultado de marketing. Dar presentes é bom, mas melhor ainda é ser um presente. O Livro de Provérbios afirma que "O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe" (Pv 10.1).
Mãe é única – Não existe a possibilidade de alguém ser gerado a partir de dois úteros. Útero traz a idéia de partilhar das vísceras, das entranhas da natureza humana. Por esta razão, os judeus só reconhecem seus filhos a partir do útero judaico. Para você ser judeu precisa nascer de uma mãe judia. Esta singularidade precisa ser valorizada.
Mãe é amor que não pode ser adiado – Toda demonstração de amor que puder ser feita à sua mãe faça antes de sua morte. Muitos ficam desesperados em gastar muito dinheiro em funerais e lápides, mas se quiser um conselho, gaste-o em flores hoje, não amanhã. Na maioria das vezes ao fazermos assim somos motivados pela culpa, para resolvermos inconscientemente nossa sensação de ter feito menos do que deveríamos ter feito.
Mãe não é empregada doméstica – Nossas relações são muitas vezes utilitaristas. Podemos achar que a comida de nossa mãe é a melhor do mundo, mas não precisamos transformá-la numa escrava de nossos caprichos de menino (a) que demorou a crescer. Nossos mimos não podem ser motivos de uma postura de tirania.
Mães precisam ser honradas Miguel Couto, ao receber honrosos prêmios por suas pesquisas afirmou: “toda honra dêem à minha mãe" e, após tal afirmação, trouxe-a à frente do auditório, para receber os aplausos.
Mães precisam ser reconhecidas - Thomas A. Édson, conhecido cientista fez a seguinte afirmação: “Minha mãe fez o que eu sou”.
Recebi uma interessante mensagem sobre as mães, e gostaria de compartilhar com os leitores:
No dia em que Deus criou as mães (e já vinha virando dia e noite há seis dias), um anjo apareceu-lhe e disse:
- Por que esta criação está lhe deixando tão inquieto senhor?
E o Senhor Deus respondeu-lhe:
- Você já leu as especificações desta encomenda? Ela tem que ser totalmente lavável, mas não pode ser de plástico. Deve ter 180 partes móveis e substituíveis, funcionar a base de café e sobras de comida. Ter um colo macio que sirva de travesseiro para as crianças. Um beijo que tenha o dom de curar qualquer coisa, desde um ferimento até as dores de uma paixão, e ainda ter seis pares de mãos.
O anjo balançou lentamente a cabeça e disse-lhe:
- Seis pares de mãos Senhor? Parece impossível!?!
Mas o problema não é esse, falou o Senhor Deus - e os três pares de olhos que essa criatura tem que ter?
O anjo, num sobressalto, perguntou-lhe:
- E tem isso no modelo padrão?
O Senhor Deus assentiu:
- Um par de olhos para ver através de portas fechadas, para quando se perguntar o que as crianças estão fazendo lá dentro (embora ela já saiba); outro par na parte posterior da cabeça, para ver o que não deveria, mas precisa saber, e naturalmente os olhos normais, capazes de consolar uma criança em prantos, dizendo-lhe: 'Eu te compreendo e te amo!' - sem dizer uma palavra.
E o anjo mais uma vez comenta-lhe:
- Senhor...já é hora de dormir. Amanhã é outro dia.
Mas o Senhor Deus explicou-lhe:
- Não posso, já está quase pronta. Já tenho um modelo que se cura sozinho quando adoece, que consegue alimentar uma família de seis pessoas com meio quilo de carne moída e consegue convencer uma criança de 9 anos a tomar banho...
O anjo rodeou vagarosamente o modelo e falou:
- É muito delicada Senhor!...
Mas o Senhor Deus disse entusiasmado:
- Mas é muito resistente! Você não imagina o que esta pessoa pode fazer ou suportar!
O anjo, analisando melhor a criação, observa:
- Há um vazamento ali Senhor...
- Não é um simples vazamento, é uma lágrima! E esta serve para expressar alegrias, tristezas, dores, solidão, orgulho e outros sentimentos.
- Vós sois um gênio, Senhor! - disse o anjo entusiasmado com a criação.
- Mas isso não fui eu que coloquei. Apareceu assim...

sexta-feira, 9 de maio de 2003

A riqueza da maternidade

O instinto materno é um dos mais aguçados na espécie animal, alguns inofensivos animais tornam-se ferozes quando seus filhotes são ameaçados. Mesmo animais domésticos quando estão ao lado de suas crias podem se tornar agressivos caso sintam que seus filhos estão ameaçados, e é por causa desta defesa tão notória que as espécies sobrevivem. Caso contrário, muitos deles estariam condenados à morte na violência própria do habitat em que são gerados.

Quando Deus quis falar do seu amor pelo povo nas Escrituras Sagradas, comparou-o ao da mãe. “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Is 49.15). Nada melhor para descrever o sentimento de Deus que a radicalidade do sentimento materno.

É do útero e do colo que procedem as primeiras impressões humanas. Dali começam a se delinear a afetividade, sentimentos de aceitação e rejeição, traumas, conflitos e as primeiras impressões sobre a graça. Pesquisas apontam para a grande importância das relações de amor e ternura na vida intra uterina para o futuro emocional das crianças. Colo também é um lugar que determina, de forma muito marcante, a construção dos sentimentos mais importantes na saúde emocional na fase da adolescência e na fase adulta. Psicólogos atualmente têm trabalhado a idéia do luto existencial, afirmando que um dos fatores mais determinantes da depressão na fase adulta é o distanciamento afetivo da pessoa amada, chamada simbolicamente de luto. Isto é, pessoas criadas sem afeto sentem uma enorme perda emocional que não é facilmente corrigida na fase adulta, apenas a terapia profunda ou uma auto-compreensão associada a ação redentora de Deus na alma, podem livrar tais pessoas desta privação que tem a ver não necessariamente com o momento presente, mas com sua história de vida e a negação de seus afetos.

Vítor Hugo certa vez afirmou que “A mão que embala o berço é a que governa o mundo”. De fato, é das relações primárias do seio e do colo materno que surgem os sentimentos de encontro e intimidade. Alimentar o bebê não é apenas uma questão de saúde pública, mas também de saúde emocional. Afetos e sentimentos são construídos nesta interação ainda indiferenciada bebê/seio, e não necessariamente bebê/mamãe, já que a figura da mãe, nos primórdios, encontra-se confusa, estando mais ligada ao objeto (seio), que à pessoa (mãe), como bem acentuou Melanie Klein.

Responder de forma afetiva à figura da mãe é essencial na dinâmica da ternura. Filhos desconectados emocionalmente dos pais, especialmente da mãe, revelam profundo desequilíbrio nas emoções. Isto geralmente se dá como resultado da quebra de uma experiência profunda do eu/tu. A pessoa sofreu com a resposta mais fundamental que é a linguagem do afeto encontrada no seio e no colo. É um autismo emocional, se é que podemos usar este tipo de linguagem para explicar o que estamos querendo dizer. A pessoa não é autista, como nos sintomas clínicos da psiquiatria, mas construiu um mundo emocional distanciado e emocionalmente quebrado. Pessoas assim terão muita dificuldade de amar e de experimentar intimidade, embora ainda consigam ter relações sexuais, elas acontecem de forma mais objetal que relacional. A intimidade e os afetos são quebrados, ocorre um distanciamento essencial nas emoções.

Muitos filhos constroem uma relação utilitarista e manipulativa com suas mães. Só são capazes de se relacionar com elas de forma distanciada e egocêntrica. Gente assim certamente terá muita maior dificuldade em amar e experimentar amor de forma profunda, são pessoas com os afetos essenciais dilacerados.

Algumas destas dificuldades de afeto tem raízes no processo de idealização que costumeiramente marcam nossos relacionamentos. De forma inconsciente, acreditamos que as pessoas que amamos jamais vão errar, que elas são perfeitas. Ora, é até natural crermos, enquanto somos crianças, que nossos pais são seres absolutos. Na infância cria-se a imagem da mãe angelical e do pai perfeito. O problema é que ao caminharmos para a nossa maturidade, espera-se que tal impressão seja lentamente quebrada, e que a imagem real seja estabelecida. Isto é, nossos pais são seres falíveis, não são perfeitos, mas humanos. Por não superarmos tal imagem distorcida, torna-se difícil perdoá-los quando percebemos que eles erram. Por causa desta idealização das pessoas amadas, não suportamos a idéia de que falhem, e quando isto acontece e elas cometem deslizes contra nós ou contra valores que consideramos importantes, não conseguimos mais amá-las.

Se o processo de idealização for quebrado de forma abrupta, sem que a pessoa esteja preparada para este choque com a realidade, ela é pega de surpresa diante da falha dos seus progenitores, e se não souber decodificar o fato, o resultado poderá ser a dificuldade futura em lidar com os afetos, afinal, “se minha mãe falhou, em quem mais poderei confiar?” A base dos afetos neste caso era puramente romântica, não realista, e a pessoa poderá encontrar dificuldade em amar outros, mantendo uma relação de suspeita e frieza nos relacionamentos.

O raciocínio do tipo, não posso confiar em ninguém, parece muito lógico, mas revela dois problemas:

Primeiro, deixa de perceber a humanidade do outro e de si mesmo, negando a ambos o direito da incompletude. Fazemos isto nas relações com nossos pais. Algumas frases de efeito refletem tais percepções, tais como, “ser mãe é padecer no paraíso”. Nem a mãe é anjo, nem o paraíso é lugar para padecimento. Outra área na qual tais processos se tornam visíveis é nos casamentos, que na sua maioria são feitos de forma absolutamente romântica A pessoa imagina que o outro seja celestial ou angelical, um ser ideal. A cerimônia de casamento em nossa cultura reforça esta visão. O rapaz veste-se como príncipe e a moça como princesa, e nos primeiros encontros já descobrem que o sapo, que deveria se transformar em princesa, e a gata borralheira em Cinderela, nunca deixaram de ser o que sempre foram: O sapo continua sendo sapo, e a rainha continua sendo borralheira, Nos frustramos ao perceber que o outro tem mau-humor, é egocêntrico, eventualmente tem “maus cheiros”, etc..

Segundo, enfrenta dificuldade em perdoar e amar pessoas porque elas falham, cometem absurdos e costumeiramente falham. Este tipo de relacionamento não considera a vulnerabilidade e a fragilidade do outro e fundamenta-se sobre falsos pressupostos, gerando resultados sempre caóticos. Deus ama incondicionalmente e nos pede para amar da mesma forma, porque relacionamentos fundamentados em falsos pressupostos trazem graves e sérias implicações para nossa alma. Falhamos quando não reconhecemos as falhas dos outros e projetamos uma imagem de perfeição às pessoas amadas. Isto gera frustração e desnorteia nossos afetos.

Quando amamos sem idealizar, aprendemos a perdoar e retiramos de nós mesmos o peso do perfeccionismo. Pais podem ajudar neste processo quando usam a linguagem do perdão e confissão em seus relacionamentos, e são capazes de admitir fraquezas, confessam pecados e admitem falhas. Isto os torna humanos e ajuda os filhos a amarem seres reais, não idealizados. Frases como me perdoe, me desculpe, são extremamente positivas. E situações nas quais os pais erram com os filhos e tropeçam nas atitudes podem ser profundamente saudáveis para os filhos, quando acompanhadas do reconhecimento da necessidade de serem perdoados e absolvidos. O perdão e não a perfeição, norteia as relações saudáveis.