Recentemente uma conhecida jornalista brasileira fez uma declaração forte e muito honesta: “Ansiedade é parte de quem sou e do que vivo.” Sua afirmação aponta para uma realidade dolorida quando a ansiedade deixa de ser um "evento" esporádico e passa a ser o seu estilo de vida. Quando isto acontece, é natural que a ansiedade se confunda com nossa identidade.
O que a sua ansiedade "sabe"? A ansiedade é, na verdade, um mecanismo de proteção que "sabe" (ou acredita saber) de perigos que os outros ainda não viram. Ela leva o organismo a uma resposta de hipervigilância, na tentativa angustiante de ler as entrelinhas, prever falhas e antecipar o pior cenário para que não seja pego de surpresa. Quando isto acontece, o corpo usa o seu "saber" passado para tentar controlar o seu presente. O problema é que a ansiedade muitas vezes "sabe" coisas que não são verdadeiras; confunde possibilidade com probabilidade.
O que a sua ansiedade "não sabe"? A ansiedade odeia o vazio. Ela é o resultado de tentar preencher o "não saber" com suposições catastróficas. Ela não sabe lidar com a incerteza: Onde falta uma resposta, a ansiedade cria uma tragédia. Ela não sabe o seu tamanho real e tende a superdimensionar o problema, dando a sensação de que o problema é gigante e somos minúsculos e impotentes. Ela "esquece" de listar as suas ferramentas de enfrentamento e as vezes em que já sobreviveu a perigos reais ou imaginários. O ansioso tem dificuldade em relembrar as vitórias anteriores e colocar o problema no lugar devido.
Ao contrário da depressão e a melancolia, que são, classicamente, o excesso de passado, a ansiedade é o excesso de futuro, o medo do que pode acontecer. Se a ansiedade vive no futuro, ela raramente consegue "saber" o que está acontecendo no presente.
Quando a ansiedade se torna parte de quem você é, necessário se torna estar vigilante quanto aos seus movimentos da mente, porque a ansiedade pode roubar a beleza do momento que você vive. Por isto Jesus disse para “não andarmos ansiosos”. Quando a ansiedade assume as emoções, torna-se difícil desfrutar o presente. A ansiedade é o abismo entre o agora e o depois. A ansiedade exige uma viagem no tempo que você ainda não pode fazer.
Abrace o "não saber": Pratique dizer para si mesmo: "Eu não sei como será o amanhã, e tudo bem não saber". Isso retira o combustível da ansiedade, que é a necessidade de controle total. Viver ansioso exige uma dose extra de autocompaixão. É como carregar uma mochila pesada: você pode até caminhar com ela, mas precisa saber a hora de sentar, abrir a mochila e ver o que ali dentro é realmente seu e o que é apenas medo acumulado e isto afeta profunda e patologicamente a maneira como você toma decisões no seu dia a dia.
