Émerson afirmou: “A ganância e o monopólio reduzem a potência física e mental do povo. O povo afunda-se e corrompe-se na luta para subir” Pensamento vivo de Émerson, pg. 5.
Ganância e Ambição são termos correlatos. São vizinhos na literatura e compatíveis na lingüística e semântica. Contudo, pode-se estabelecer uma boa diferença entre estes termos. Ganância é o desejo desmesurado de ter mais, parece-se muito com a inveja, e por isto facilmente se torna voraz e mórbida. A literatura judaica afirma "tal é a sorte de todo ganancioso, e o espírito de ganância tira a vida de quem o possui" (Pv 1.19). Ganância revela sempre a sombra da alma, o lado escuro do desejo, por isto é algo sempre negativo.
Ambição, contudo, possui uma ambivalência, isto é, pode ser percebida no seu aspecto positivo e também no seu aspecto negativo. Uma boa ambição gera um desejo de estudar com diligência, trabalhar com esmero e com seriedade, subir na vida, se tornar um bom profissional, de estudar para se alcançar um fim, de ser alguém com dignidade. Na verdade, a ausência de ambição pode revelar a preguiça da alma, uma síndrome de Jeca tatu que olha para a vida e acha que tanto faz, para cima para baixo, para a direita ou esquerda, e vai deixando o pagode reger a minha vida: "deixa a vida me levar, vida leva eu..." Falta de ambição pode ser uma deformidade da alma e do caráter, revelar a preguiça e o desatino de quem nunca sonhou, nunca aspirou e nunca vai realizar nada, porque na mente destas pessoas a vida funciona pela lei da inércia, do acaso e do sortilégio.
Por ter o seu aspecto positivo, pode ser um grande fator motivador de sonhos e utopias. Com ambição se busca incansavelmente a cura da Aids, pessoas se articulam numa campanha pela moralidade e pelo bem, se mobilizam para minorar a causa do pobre e do esquecido. Tenho encontrado gente assim, que se gasta e se deixa gastar por um desejo ambicioso de ver a vida se tornando mais digna de ser vivida. Gente inconformada com a dor e a miséria.
A ética vai estabelecer os limites para que a Ambição trilhe no caminho da vida. É fácil ocorrer desvios nas nossas motivações. Stephen Kanitz, que foi o inspirador deste artigo, afirma: "Definir cedo o comportamento ético pode ser a tarefa mais importante da vida(...) Nunca me esqueço de um almoço, há 25 anos, com um importante empresário do setor eletrônico. Ele começou a chorar no meio do almoço, algo incomum entre empresários, e eu não conseguia imaginar o que eu havia dito de errado. O caso, na realidade, era pessoal: sua filha se casaria no dia seguinte, e ele se dera conta de que não a conhecia, praticamente. Aquele choro me marcou profundamente e se tornou logo cedo parte da ética na minha vida: nunca colocar minha ambição na frente da minha família".
Kanitz conclui dizendo: "Defina sua ética quanto antes possível. A ambição não pode antecedê-la, é ela que tem de preceder à sua ambição". Veja, 1684 ano 34 no 3 de 24 de janeiro de 2001
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quarta-feira, 30 de agosto de 2006
segunda-feira, 23 de maio de 2005
A Tirania do Sucesso
Poucos homens estudaram tanto o comportamento humano quanto B. F. Skinner. Ele é um dos pais e mentores da Psicologia do comportamento, ou, do behaviorismo, se adotarmos o termo na língua inglesa. Num intrigante livro sobre o ser humano chamado O mito da Liberdade (Rio de Janeiro, Bloch Editores S.A, 1973), expressa profundo desencanto com esta questão da liberdade humana. Ele conclui seu livro dizendo: "Uma análise experimental transfere a determinação do comportamento do homem autônomo para o ambiente – um ambiente responsável pela evolução da espécie como pelo repertório adquirido por cada membro... Ele está realmente controlado pelo ambiente". (op.cit.pg 167-168).
Embora ele acentue que este ambiente é construído em grande parte pelo próprio homem não deixa de expressar em todo conteúdo do livro, forças humanas que condicionam o homem, levando-o a fazer opções que não necessariamente são julgadas em todas as suas complexidades.
Esta é uma das razões pelas quais temos falado de forças tirânicas que agem sobre nós e interagem conosco. Uma das que tem sido mais enfáticas, tem sido o conceito de sucesso. Somos uma sociedade ambiciosa e desesperada por reconhecimento público.
Imagine que você pergunte ao seu filho pré adolescente ou adolescente, e sugiro que não o faça, o que ele pensa que seria a sua expectativa sobre ele lhe dando três opções: ser um homem rico, um homem bom, ou um homem de sucesso, o que você acha que ele iria responder?
Muito provavelmente a resposta seria sucesso. O excesso de atividades, tarefas e obrigações que criamos para nossos filhos revelam a nossa ansiedade para que eles sejam bem sucedidos. A agenda de muitos meninos e meninas tem sido agenda de executivos, eles perderam a capacidade do lúdico, do prazer e do brinquedo. Tornam-se sérios demais numa época em que deveriam brincar. Por que o estatuto dos menores não discute esta questão? Muitos lares têm impedido os filhos de viverem pelo desejo incontrolável de que sejam pessoas de sucesso na vida.
Homens e mulheres também vivem no afã do sucesso. Partem vorazmente para o mercado de trabalho, fazem cursos cada vez mais rigorosos, afinal, dizem eles, precisam de um lugar ao sol. Os dois saem em busca do sucesso, reconhecimento, notoriedade. Esquecem-se uns dos outros, abandonam afetivamente os filhos e neste desespero pós-moderno, perdem a alma e o prazer de ser gente, de brincar, de rir. Ambos providenciam bens e riquezas para casa, mas ninguém está providenciando recursos para a alma, para os afetos.
O que poucos estão discutindo é o real conceito de sucesso. O que é ser bem sucedido? O que transforma uma pessoa em alguém vitorioso? Um diploma a mais? um carro mais novo? uma viagem a mais à Europa? Gente com tanto e com tão pouco, vazia de afeto, vazia de alma, vazia de sentido? É isto que chamamos de sucesso? Filhos estressados, individualistas, egoístas, burgueses, sem razão para viver, sem prazer de viver, sem sentido para viver? Pessoas ensimesmadas, yuppies sem desejo de ser gente, sem capacidade de amar?
A Bíblia nos faz uma exortação muito séria sobre isto: "Tal é a sorte de todo ganancioso; e este espírito de ganância tira a vida de quem o possui" (Pv 1.19)
Embora ele acentue que este ambiente é construído em grande parte pelo próprio homem não deixa de expressar em todo conteúdo do livro, forças humanas que condicionam o homem, levando-o a fazer opções que não necessariamente são julgadas em todas as suas complexidades.
Esta é uma das razões pelas quais temos falado de forças tirânicas que agem sobre nós e interagem conosco. Uma das que tem sido mais enfáticas, tem sido o conceito de sucesso. Somos uma sociedade ambiciosa e desesperada por reconhecimento público.
Imagine que você pergunte ao seu filho pré adolescente ou adolescente, e sugiro que não o faça, o que ele pensa que seria a sua expectativa sobre ele lhe dando três opções: ser um homem rico, um homem bom, ou um homem de sucesso, o que você acha que ele iria responder?
Muito provavelmente a resposta seria sucesso. O excesso de atividades, tarefas e obrigações que criamos para nossos filhos revelam a nossa ansiedade para que eles sejam bem sucedidos. A agenda de muitos meninos e meninas tem sido agenda de executivos, eles perderam a capacidade do lúdico, do prazer e do brinquedo. Tornam-se sérios demais numa época em que deveriam brincar. Por que o estatuto dos menores não discute esta questão? Muitos lares têm impedido os filhos de viverem pelo desejo incontrolável de que sejam pessoas de sucesso na vida.
Homens e mulheres também vivem no afã do sucesso. Partem vorazmente para o mercado de trabalho, fazem cursos cada vez mais rigorosos, afinal, dizem eles, precisam de um lugar ao sol. Os dois saem em busca do sucesso, reconhecimento, notoriedade. Esquecem-se uns dos outros, abandonam afetivamente os filhos e neste desespero pós-moderno, perdem a alma e o prazer de ser gente, de brincar, de rir. Ambos providenciam bens e riquezas para casa, mas ninguém está providenciando recursos para a alma, para os afetos.
O que poucos estão discutindo é o real conceito de sucesso. O que é ser bem sucedido? O que transforma uma pessoa em alguém vitorioso? Um diploma a mais? um carro mais novo? uma viagem a mais à Europa? Gente com tanto e com tão pouco, vazia de afeto, vazia de alma, vazia de sentido? É isto que chamamos de sucesso? Filhos estressados, individualistas, egoístas, burgueses, sem razão para viver, sem prazer de viver, sem sentido para viver? Pessoas ensimesmadas, yuppies sem desejo de ser gente, sem capacidade de amar?
A Bíblia nos faz uma exortação muito séria sobre isto: "Tal é a sorte de todo ganancioso; e este espírito de ganância tira a vida de quem o possui" (Pv 1.19)
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