Deus é misterioso nos seus decretos e na sua forma de agir. Quando Deus chamou o rei Ciro, da Pérsia, como “seu pastor e seu ungido”, o profeta Isaias se desestruturou intelectualmente: “Certamente tu és para mim um Deus misterioso.” (Is 45.15). Quando Deus anunciou a Sara, que ela daria luz a uma criança aos 90 anos, ela duvidou e Deus disse: “Por acaso há alguma coisa demasiadamente difícil para mim?” (Gn 18.13). Quando Maria ouviu a promessa do anjo Gabriel dizendo que ela daria à luz a um filho sem conhecer homem algum, ela ficou perplexa e Deus respondeu: “Porque para Deus não há nada impossível. (Lc 1.17)
Deus é misterioso. Não atua dentro do nosso esquema mental e não age apenas de uma forma. Ele não cabe em nossa lógica. "Encapsular Deus" é a tentativa de reduzi-lo a uma fórmula, a um método de sucesso ou a uma explicação intelectual.
O Evangelho nos ensina que Deus é Mistério. Não “encapsular Deus", significa Deixar Deus ser Deus, além do que conseguimos compreender ou gerenciar. Deus não cabe nas nossas estruturas. Muitas vezes, cometemos o erro de achar que Deus só habita dentro da nossa denominação, dos nossos projetos ou das nossas formas de fazer as coisas. Deus age plenamente fora das paredes que você tenta controlar.
Deus também não cabe nas nossas expectativas. Há um grande perigo de entrar em crise quando Deus não faz o que queremos, porque o encapsulamos em uma expectativa e agenda. Reconhecer que Deus não está encapsulado significa aceitar que, mesmo quando nossos planos falham, Deus continua sendo soberano e bom. Isto é o fim do "Deus-Sistema". Nossa mente tem medo instintivo do desconhecido. Por isso, construímos teologias, dogmas e "métodos" para que Deus se torne previsível e compreensível.
Quando encapsulamos Deus na lógica, Ele deixa de ser um Pai e se torna uma equação. Se a equação falha (como na dor ou na crise), nossa fé entra em colapso porque o "Deus-Cápsula" quebrou. Tendemos a "encapsular" Deus naquilo que nos faz sentir bem, seguros ou realizados. Achamos que Deus é real quando sentimos paz, ou que Deus está conosco quando as coisas dão certo. O "Deus-Cápsula" da emoção nos torna viciados em experiências. Quando não há o "fogo" ou a "emoção", achamos que Ele nos abandonou.
O Evangelho nos convida a entender que Deus está presente no silêncio, no vazio, no arrependimento e na dor, mesmo quando não "sentimos" nada. Não encapsular Deus nas emoções significa que a fidelidade de Deus não depende da oscilação do meu coração.
Quando paramos de tentar encapsular Deus, paramos de tentar controlá-lo. E é apenas quando paramos de tentar controlá-Lo que descobrimos, de fato, quem Ele é. Nossa mente descansa. Não precisamos ter todas as respostas. Você pode dizer "não sei", porque Deus continua sendo Deus mesmo no seu não saber. Sua segurança vem da soberania de Deus, e não do clima emocional, afinal, o "Oceano" não pode ser contido ou mesmo mensurado.
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