Você já ouviu falar da “Janela de Ockham”? Na verdade, é um princípio simples, cuja melhor tradução seria “A Navalha de Ockham”. O nome "janela" é um erro comum de tradução do inglês Occam's razor. Esta máxima foi formulada pelo filósofo e teólogo Guilherme de Ockham no século XIV, sendo uma ferramenta fundamental de gestão de pensamento. Em latim, é conhecido como lex parsimoniae (lei da parcimônia).
Aqui está como esse princípio pode elevar a qualidade do nosso raciocínio. Ele defende a ideia de que a natureza é sempre simples, e que entre duas explicações para os mesmos fatos, a que exige o menor número de suposições (a mais simples) é a preferível.
Não se trata de escolher a explicação que dá menos trabalho para pensar, mas é sobre eliminação. Não é sobre preguiça mental, nem simplificação excessiva. Significa "cortar" todas as hipóteses desnecessárias que não contribuem para a solução do problema. Muitas vezes, menos é mais. Não é necessário uso de metáforas complexas ou floreios românticos, pois a verdade mais profunda é sempre a mais direta: ela está presente e é constante. O simples corta o excesso e clarifica melhor. Por isto, nem sempre o mais sábio é o mais informado. Muitos teóricos e eruditos encontram enorme dificuldade em entender o óbvio, porque querem dar explicações sofisticadas para equações simples.
A tendência humana é criar teorias complexas, como as teorias da conspiração ou problemas sistêmicos invisíveis. A Navalha de Ockham nos força a perguntar: "Qual é a causa mais provável e simples deste erro?" Geralmente, a resposta está na falha de comunicação ou na falta de clareza, não em algo oculto ou místico.
Por exemplo, quando estamos ansiosos, tendemos a criar a explicação mais complexa e catastrófica para o nosso sofrimento, mas quando aplicamos “a navalha”, é possível cortar o excesso de suposições. Você se obriga a olhar apenas para os fatos. Muitas vezes, a causa da inquietação é apenas cansaço, um mal-entendido ou uma reação biológica comum e não um drama existencial profundo.
Imagine a situação: Estamos trabalhando numa equipe e o colaborador não entregou a tarefa. Podemos criar teorias complicadas: “Ele está tentando sabotar o projeto, ele não gosta da empresa, ele está em conluio com os concorrentes." Quando a hipótese simples é que ele não entendeu a prioridade ou teve um problema pessoal. Ao focar na hipótese mais simples, você economiza energia, raciocina com mais clareza e soluciona o problema de forma direta.
Existe um famoso aforismo da física (a Lei de Hanlon) que diz: "Nunca atribua à malícia o que pode ser adequadamente explicado pela estupidez ou pelo simples acaso." A Navalha de Ockham não garante que a resposta simples seja a verdade absoluta, mas ela garante que você não perderá tempo com hipóteses desnecessárias. Aplicar a Navalha de Ockham no cotidiano é, na prática, um exercício de dieta mental. Vivemos em uma era de excesso de informação, onde nossa mente é bombardeada por hipóteses complexas e narrativas dramáticas.
Procure aplicar este princípio na próxima vez que estiver diante de uma situação que exija uma resposta ou explicação. Pode ser mais fácil do que você imagina. "Quando você ouvir cascos de cavalo, pense em cavalos, não em zebras."
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