quinta-feira, 22 de março de 2018

A Vergonha é letal

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Recentemente tive acesso ao conteúdo de Brené Brown, pesquisadora da Universidade de Houston que investiu 16 anos de seu trabalho estudando temas como coragem, vulnerabilidade, vergonha e empatia. Ela é autora de quatro livros  #1 New York Times bestsellers entre eles “A dádiva da imperfeição”. Seu vídeo no TED talks, “O poder da vulnerabilidade”, já foi assistido por mais de 30 milhões de pessoas. Por que seus temas tem atraído tantas pessoas? Sobre o que ela está escrevendo? Sua pesquisa é sobre “vergonha”, associada a culpa.

Para Brown, a vergonha é emoção mais primitiva que experimentamos e um sentimento doloroso e intenso de que somos indignos de amor e de pertencer.
Ao lidar com a vergonha, geralmente as pessoas reagem de duas maneiras: Primeiro, negação: afirmam que nunca aconteceu algo assim com elas ou que nunca sentiram vergonha; Segundo, declaram que sabem exatamente o que isto significa mas não querem conversar sobre o assunto.

Para a autora, este é o ponto crítico: Quanto menos a pessoa fala, mais ela se sente envergonhado, já que a  vergonha precisa de três coisas para se desenvolver exponencialmente: 

Segredo: o fato precisa continuar escondido; 

Silêncio: nada pode ser dito ou feito e 

Julgamento que envolve acusação e medo.

Ela sugere duas fórmulas com resultados completamente opostos: Quando a vergonha é colocada na “lâmina de Petri”, onde se desenvolvem culturas microscópicas, adicionando um pouco de segredo e a mesma porção de silêncio e julgamento, o monstro  crescerá absurdamente e se espalhará para cada parte da vida,  formatando o nosso modo de pensar, sentir e agir. Se fizermos o contrário, pegarmos a mesma lâmina e pusermos vergonha e um pouco de empatia, teremos um ambiente antagônico à vergonha.

A constatação é surpreendente: Vergonha não sobrevive quando se fala dela. Se algo realmente embaraçoso aconteceu e as pessoas encontram espaço para confessar, conversar e recebem empatia e compreensão a vergonha não consegue sobreviver.

A perpetuação da vergonha dependerá do fato de alguém comprar a ideia de que encontra-se sozinha, por isto a autora sugere que “a sombra”,  seja mantida à frente de rosto da pessoa, porque se ela mantiver furtivamente, vindo por trás, torna-se letal. 

Para vencer a vergonha, Brown sugere três passos: 

(a)- Converse com alguém que você ama; 

(b)- Busque alguém que você confia para expor sua vergonha; 

(c)- Conte sua história. 

O mal é como fungo e mofo, cresce melhor na penumbra.

Fazendo-se de doido pra viver!


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“E Davi levantou-se, e fugiu aquele dia de diante de Saul, e foi a Aquis, rei de Gate. Porém os criados de Aquis lhe disseram: Não é este Davi, o rei da terra? Não se cantava deste nas danças, dizendo: Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares? E Davi considerou estas palavras no seu ânimo, e temeu muito diante de Aquis, rei de Gate. Por isso se contrafez diante dos olhos deles, e fez-se como doido entre as suas mãos, e esgravatava nas portas de entrada, e deixava correr a saliva pela barba. Então disse Aquis aos seus criados: Eis que bem vedes que este homem está louco; por que mo trouxestes a mim? Faltam-me a mim doidos, para que trouxésseis a este para que fizesse doidices diante de mim? Há de entrar este na minha casa?”. (1 Sm 21.10-15).

Poucos relatos bíblicos são tão intensos quanto o que encontramos neste texto bíblico acima. Perseguido e correndo risco de ser encontrado pelo implacável rei Saul para quem ele se tornou inimigo número 1, Davi decide se refugiar no território do inimigo, Aquis, rei de Gate. Ao perceber que fora reconhecido e que estava em grande perigo, Davi assume um papel ridículo, se fazendo de doido, agarrando-se nos portais da entrada da cidade, deixando saliva correr pela sua barba, e desta forma se salvou, porque as pessoas o ignoraram e o deixaram ir.

Davi, fez-se doido para viver.
Já ouviram este ditado popular?

Davi se salvou tornando-se ridículo. Ele se faz passar por alguém que perdeu a noção da vida, do bom senso, da racionalidade.
A verdade é que muitas vezes Deus constrói seus planos e propósitos permitindo gestos ridículos e loucos.
Certamente esta não é a melhor receita para se fazer as coisas, não é a melhor opção da vida. Mas “Deus usa coisas loucas para confundir as sábias e as que não são para confundir as que são”, e na sua infinita misericórdia nos livra de nós mesmos, quando nos perdemos nas loucuras e insanidades.

Deus impede que nossa insanidade nos destrua!
Davi poderia ter sido eliminado em Gate, por simular atitude de doido. Sua pseudo loucura poderia ter se transformado na sua morte real. Um louco num sistema com poucas condições pode se tornar um peso, uma boca a mais para ser alimentada, e um transtorno para a ordem social. Apesar disto, sua loucura aparente o livrou da morte.

Não se pode construir a vida em cima de desatinos, gestos tresloucados e atitudes impensadas, mas a verdade é que muitas vezes atitudes ousadas, que saem do cotidiano e da normalidade, trazem mudanças significativas na história e em instituições. Existe a loucura que nada mais é que um gesto “fora da curva” e que faz a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Conversão para muitos, é um ato de loucura. Completo desatino, mas pode se transformar na coisa mais transformadora e revolucionária da vida. Conversão a Cristo parece loucura aos olhos do descrente, mas diante de Deus é sabedoria. “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus”(1 Co 1.18).
A morte de Cristo na cruz é loucura. O Filho de Deus, o mais perfeito dos homens, que viveu entre nós fazendo o bem, manifestando a realidade de um Deus vivo, tornou-se odioso aos olhos da comunidade a quem serviu e foi crucificado como um malfeitor. A cruz é lugar de paradoxos e contradições, de insanidade e loucura. mas “aprouve a Deus salvar os que creem, pela loucura da pregação” (1 Co 1.21).

quinta-feira, 8 de março de 2018

Você nunca sabe quem vai encontrar


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Na série The Crown, há um duro diálogo entre o diretor da escola e o estudante Filipe, que se casaria com a princesa Elizabeth e se tornaria Príncipe da Inglaterra. Filipe era durão e teimoso, enfrentou oposição e bullying, e um dia o diretor o chama para uma conversa sobre a necessidade dele enfrenar seus medos e suas sombras, e a “inevitabilidade terrível de tudo!”

É sobre este inevitabilidade que gostaria de chamar a atenção dos leitores.

Raabe, a prostituta
No capitulo 2 do livro bíblico de Juízes, há um encontro inesperado dos espias do povo de Israel, com um personagem nada convencional: Raabe, a prostituta. É assim mesmo, com todas as letras, que a Bíblia a descreve. Ela tem um bordel na cidade de Jericó, no qual os transeuntes e forasteiros abrigam. Esta mulher, de histórico nada recomendável, posteriormente aparecerá nada menos que na genealogia de Jesus. Em seu ventre e nas suas veias passaria o DNA que percorreria as veias do Messias.
James Meeks pergunta quem salvou quem? Os judeus salvaram Raabe ou Raabe salvou os judeus? e responde: Os judeus salvaram Raabe uma vez, mas Raabe os salvou duas vezes, porque os protegeu quando espionavam Jericó, e de seu sangue nasceria o salvador do mundo. 
O ponto a destacar é o seguinte: Não despreze a pessoa com que você encontra, na sua esquina, no banco de escola, na igreja, independentemente da sua cor, raça, nível social, porque você simplesmente não sabe quem aquela pessoa pode se tornar.

Barack Hussein Obama II
Pense em Barack Hussein Obama II o primeiro presidente afro-americano cuja mãe Ann Dunham era branca, e o pai, Barack Obama, Sr., nascido em Nyang’oma Kogelo, distrito de SiayaQuênia, da etnia luo, e que se casaram em Wailuku, Havaí, onde o matrimônio entre pessoas de cores diferentes não era proibido. Posteriormente o casal separou-se e seu pai, Obama Sr. retornou ao Quênia, onde casou-se novamente, encontrando-se com o filho apenas mais uma vez antes de falecer em um acidente de automóvel em 1982. Obama viveu com sua mãe e irmã no Havaí entre 1972 e 1975, quando sua mãe e irmã decidiram retornar a Indonésia em 1975 e Obama continuou vivendo com seus avós, distanciado de seu pai e de sua mãe.  
Na adolescência, neste contexto de família desagregada, Obama se enveredou pelo álcool, maconha, e cocaína durante a adolescência, justificando que o fez para "empurrar para fora de minha mente as questões sobre quem eu era."
Quem poderia imaginar, que uma pessoa com semelhante background pudesse se tornar o homem mais poderoso do mundo por oito anos? Seus amigos e mesmo familiares do Quênia, poderiam imaginar que isto pudesse acontecer a este garoto que viveu distante do pai? Alguém apostaria nisto?

Billy Graham
Chapman trabalhava com a Associação Cristã de Moços e organizou a ida de um ex-jogador de beisebol chamado Billy, que tinha por sobrenome Sunday, a Charlotte, Carolina do Norte, para pregar em daqueles "reavivamentos espirituais" da época, e um grupo de líderes comunitários de Charlotte entusiasmou-se de tal maneira que planejou outra campanha evangelística, convidando um homem chamado Mordecai, que tinha por sobrenome Hamm para pregar na cidade.
Durante essa campanha um jovem chamado William Franklin entregou sua vida a Cristo e passou a pregar o Evangelho. Este jovem se tornou conhecido no mundo inteiro como Billy Graham!
Cerca de 80 anos depois de começar seu ministério, Billy Graham impactou a fé de milhões com quase metade de todos os protestantes dizendo que assistiram um de seus sermões na televisão.
Uma pesquisa da LifeWay Research descobriu que o amplo ministério de Graham influenciou os membros da igreja através de uma variedade de meios. Dois terços dos missionários protestantes tiveram algum contato com o ministério de Graham, de acordo com LifeWay Researc; 48% viram um sermão Billy Graham na televisão; 18% ouviram um de seus sermões no rádio; 15% leram um de seus livros; 14% leram uma coluna do seu jornal; 11% participaram de uma de suas cruzadas e 8% viram um de seus sermões online. Ele pregou em mais de 400 cruzadas em estádios e casas de shows, em 185 países. Escreveu cerca de 30 livros, traduzidos para 40 idiomas e influenciou 2,2 bilhões de telespectadores.

Será que aquele obscuro pregador que levou Billy Graham a Cristo, poderia imaginar o que Deus poderia fazer através de sua vida?
A verdade é que nenhum de nós sabe o impacto que estamos causando em outros, seja ele negativo ou positivo, nem pode avaliar quem está assentado ao nosso lado ou andando conosco.
Por isto, nunca despreze ninguém. Você nunca sabe com quem você pode se encontrar.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Compaixão e serviço

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A ilha do Diabo fica na Guiana Francesa e até 1946 era uma colônia penal francesa onde os presos considerados mais perigosos cumpriam pena, e abrigou cerca de 80 mil homens entre 1852 e 1938. Para chegar lá, os prisioneiros eram transportados de barco, e muitos morriam antes mesmo de alcançar o destino.

Na prisão eram trancados em celas minúsculas, escuras e superlotadas, de onde dificilmente alguém conseguia escapar, pois  a ilha era de difícil acesso, cercada de penhascos e águas infestadas de tubarões.

Ela se tornou conhecida 1969, quando foi publicado o livro Papillon, do prisioneiro Henri Charrière. A história, contudo, afirma que Charrière era uma farsa e que o verdadeiro autor de Papillon foi outro fugitivo, René Belbenoît, um intelectual que falava quatro línguas e liderou a fuga de um grupo de presos, em 1938 radicando-se com seus parceiros em Roraima em 1940, morrendo em 1978, aos 73 anos, e sendo sepultado na Vila Surumú.

Dentre as muitas histórias da ilha, é bem conhecida a do padre Pierre, natural de St Remy, pequena aldeia francesa, acusado de assassinar uma mulher que morava perto de sua casa. As provas eram apenas circunstanciais e duvidosas, mas jamais alguém viu este padre reclamar, se lamentar ou dizer que era injustiçado. Por causa de sua atitude de serviço se transformou em verdadeiro anjo de guarda, socorrendo alguns, medicando outros, lendo cartas, falando do amor de Deus e das coisas de Deus.

Um dia, um condenado se identificou afirmando ser seu antigo jardineiro Groscaillou, e começou a falar atropeladamente que o padre Pierre era inocente, que nunca havia matado ninguém, e que o assassino era ele mesmo que havia preparado tudo para que a culpa recaísse sobre o padre, e que estava pronto a admitir isto.  Groscaillou infelizmente nunca chegou a escrever sua confissão pois morreu poucos dias depois.

Os demais presos, porém, resolveram testemunhar a seu favor, mas o padre surpreendentemente respondeu que não aceitaria: “foi a vontade de Deus que me trouxe a esta prisão. Ele precisava de alguém que ajudasse os presos a suportarem suas dores, e esse alguém sou eu. Se eu for libertado, quem tomará o meu lugar? Um ministro de Deus é para fazer o seu serviço onde ele determinar. Meu lugar é aqui, seja feita a vontade de Deus”.

Posteriormente a justiça francesa tomou conhecimento deste fato e enviou a ordem de sua libertação, e ele, bastante enfermo não concordou em ser removido para o hospital da cidade. “Ficarei aqui com os meus paroquianos, eles não poderiam ir comigo. Continuarei com eles. E ficou. 

quinta-feira, 1 de março de 2018

Unção para a arte

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Apesar de ouvirmos inúmeras vezes que não há diferença entre o trabalho “secular” e  “religioso”, e que vocação deve cumprir, em qualquer dimensão o propósito de glorificar a Deus, “Quer comais, quer bebais ou façais qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31), nem sempre entendemos, num nível profundo, esta verdade tão significativa do chamado e vocação. Ainda acreditamos que a unção de Deus, em áreas tão diversas como música, artes, artesanato, design de moda não tem tanto valor como o chamado pastoral ou missionário.

Um texto do livro de Êxodo, porém, surpreende o leitor com a seguinte declaração: “falarás também a todos homens hábeis a quem enchi do espirito de sabedoria, que façam vestes para Arão, para consagrá-lo, para que ministre o oficio sacerdotal” (Ex 28.3). Deus mesmo capacitou estes irmãos, com uma unção espiritual, enchendo-os de habilidades artísticas para a costura. Você poderia imaginar que um alfaiate pudesse ter uma unção especial e direta de Deus?

Minha mãe é costureira, e por muitos anos sustentou a família com sua máquina e sua impecável arte de fazer roupas. Ela era muito apreciada pelas madames da cidade que chegavam em seus bonitos carros à porta de nossa casa trazendo finos tecidos para que ela fizesse as roupas. Tenho uma enorme gratidão por seu esforço e dedicado trabalho que serviu para a manutenção da casa, mas jamais poderia imaginar que tal arte e profissão, pudesse descrita na bíblia como uma unção especial.
Isto se aplica a outras profissões.

Disse Moisés as filhos de Israel: Eis que o senhor chamou pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o espírito de deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento em todo artificio, e para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, prata e em bronze, e para lapidação de pedras de engaste, e para entalho de madeira, e para toda sorte de lavores. Também lhe dispôs o coração para ensinar a outrem, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã. Encheu-os de habilidade para fazer toda obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do bordador em estojo azul, em purpura, em carmesim e em linho fino, e a do tecelão, sim, toda sorte de obra e a elaborar desenhos. Assim, trabalharam Bezalel e a Aoliabe, e todo homem hábil a quem o Senhor dera habilidade e inteligência para saberem fazer toda obra para o serviço do santuário, segundo tudo o que o Senhor havia ordenado” (Ex 35.30-35;  36.1).

A Bíblia fala de Jubal, que eram músico, a quem deu a unção para realizar a arte. “O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta” (Gn 4.21) e de Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro” (Gn 4.22).

Talvez isto explique um pouco mais a declaração bíblica: “Tangei ao Senhor com arte e com júbilo” (Sl 33.3). O louvor requerido por deus deveria ser feito com arte, com beleza plástica e excelência e isto é muito importante. Existem muitos que acham que podem fazer louvores sem cuidado, sem esmero, de qualquer jeito, mas não é isto que Deus pede. Certa pessoa disse ao seu pastor que queria cantar uma música na igreja, que não estava bem ensaiada mas era de coração para o Senhor, e o pastor disse: “Então, como é para o Senhor, ensaie melhor e apresente alguma coisa com mais qualidade”.

A música também não pode ser feita sem júbilo, e isto tem a ver com a alegria e unção que deve estar no coração daquele que adora. É possível ministrar o louvor, com muita qualidade técnica, mas não fazer com o coração. Sem fazer com entusiasmo e alegria.

Júbilo e arte. Uma coisa não prescinde da outra. Não são excludentes, mas complementárias. Muitos fazem “de coração”, mas sem arte, outros fazem “com arte”, mas sem coração. Ambas demonstram ineficácia e deficiência quando se trata de fazer para Deus.

Estas duas abas da adoração devem andar juntas.

A arte tem um papel importante porque ela glorifica a Deus.

Poucas pessoas entenderam isto tão bem isto quanto Juan S. Bach, em todas as suas obras ele colocava no final: “Para a glória de Deus!” Ele produzia música de qualidade, mas seu objetivo era era glorificar o Deus a quem ele servia.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O que farão com os meus souvenirs?

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O pensamento é tosco e bizarro, mas não raras vezes já me peguei perguntando a mim mesmo: “O que meus filhos e netos farão com meus pequenos mimos, lembranças de viagens, placas de pratas e títulos e pequenos souvenirs que guardo com tanto orgulho?  O que farão com meus livros, que me custaram caro, e que me acompanharam durante boa parte da minha vida, e eventualmente me impediram de ir a um restaurante melhor porque optei por adquiri-los?” Tenho livro que custou $ 200 dólares.

O que acontecerá às centenas de canetas e relógios que ganhei e comprei e procurava exibir como troféu e status e que hoje se acumulam nas minhas caixas? Ah! E aquelas gavetas entulhadas de pequenos blocos que nunca usarei, de itens como abridores de cartas (que nem recebemos mais...), de barbantes, esponjas de carimbo, envelopes, guardanapos, cadernos antigos e velhas agendas usadas que registravam minha pesada agenda de trabalho?

Chego à trágica conclusão de que estas coisas só servem para mim, e para ser sincero, muitas delas, na verdade, nem mesmo para mim servem mais. Lembro do relato de um querido amigo que perdeu seu pai, homem de posições firmes, objetivos claros, de fortes opiniões que morreu subitamente depois de um fatal e rápido quadro de leucemia, que não durou mais de uma semana. Seus irmãos, reunidos em família, voltando do cemitério, precisavam agora “invadir” o escritório do pai, abrir suas gavetas. Nenhum deles tinha com coragem de “penetrar aquele espaço reservado e sagrado do pai”, repleto de contas antigas, recibos, declarações de imposto de renda, e depois de muita relutância, ele mesmo resolveu assumir a desafiadora função. Seu sentimento foi estranho e perturbador: “Sentia como se estivesse desrespeitando meu pai ao abrir seus armários”.

A verdade é que muito pouco do que temos interessa aos outros. A não ser bens e herança, que na maioria das vezes serve de controvérsia, disputa e separação da família, pouco vale o que acumulamos. Seus souvenirs pouco ou nada valerão. Quando meu sogro faleceu, minha sogra abriu suas coisas e disse que cada um pegasse o que quisesse: ferramentas, canivetes, camisas ainda não usadas, meias. Na verdade, todas aquelas coisas pouco valiam para cada um de nós.

Enfim, o que vale mesmo, são as lembranças de conversas privadas, abraços e risadas, hábitos e atitudes, que reverberarão  provocando amargura ou alegria mesmo depois de morto. O que fica de tudo não são os mimos que tanto valorizamos, nem os “recuerdos del Paraguay”, mas valores morais e espirituais que continuarão vivos, depois de nossa partida. O que conta, no final das contas, não são os souvenirs, mas as lembranças e heranças de amor que continuarão a inspirar indelevelmente as futuras gerações. 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Fake News

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Um dos grandes desafios da mídia social de hoje são as “Fake News”. O Portal Mackenzie a define como notícias falsas, mas que aparentam ser verdadeiras. Não é uma piada, uma obra de ficção ou uma peça lúdica, mas sim uma mentira revestida de artifícios que lhe conferem aparência de verdade.
Por haver um hiato na legislação sobre o assunto, a Polícia Federal poderá usar a Lei de Segurança Nacional (LSN), editada em 1983, para coibi-la nas eleições deste ano; e exigir a criação de uma nova lei para definir o crime e as punições aos infratores, já que existe uma “linha tênue dividindo o que é liberdade de expressão e crime”.  A Fake News pode causar muitos danos morais e ferir a integridade e a reputação de uma pessoa.
O que é interessante é que Fake News já possui uma legislação específica em um dos mais antigos códigos civis e morais do mundo: A Legislação Mosaica. No livro de Êxodo, um dos cinco livros da Lei do povo judeu, lemos o seguinte: “Não espalharás notícias falsas, nem darás mão ao ímpio, para seres testemunha maldosa” (Ex 23.1). Espalhar notícias falsas era severamente julgada, de acordo com o Pentateuco.
O Nono Mandamento é claro: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Dt 5.20). Maledicência, fofoca, mentira encontram-se na mesma lista fundamental que ordena que não façamos imagens de escultura para nos curvarmos diante dela ou lhe dirigir nossas preces, deixar de honrar os pais, matar, roubar e furtar.
Por que Fake News é tão severamente julgada? Pela razão simples de que ela é altamente destrutiva e pode ser devastadora. Um nome jogado na lama, demora muito tempo para se recuperar, e causa muito sofrimento àquele que é difamado.
Precisamos nos encorajar a dar boas verdadeiras e boas novas, pois a Bíblia ensina que elas restauram até a alma. Aliás, a palavra “Evangelho”, significa exatamente “boas novas”. Que melhor boa nova pode haver de que Deus, por meio de Cristo, nos perdoa e nos convida para restaurar nossa amizade com ele, e termos vida eterna, independente da situação moral e espiritual que estamos vivendo? A novidade do Evangelho é boa e verdadeira. Nenhuma notícia pode ser boa se é mentirosa?
Ao falarmos de determinada pessoa devemos sempre perguntar: 
(a)- A informação é verdadeira? 
(b)- Ela edifica? 
(c)- Devo realmente contar? Mesmo quando as coisas são verdadeiras não significa que devem ser ditas. 

Não apenas o Fake News pode ser ruim, as True Newstambém, se não são ditas para edificação e com amor.