Um dos conceitos macro econômicos que começam a ser discutidos e a tomar corpo dentro de grandes e respeitáveis instituições de ensino no mundo empresarial de hoje é o chamado "O pensamento de abundância", uma tese defendida inicialmente na Índia e que sustenta que a economia só vai bem quando todos ganham.
Parece estranho veicular tal idéia no nosso contexto encharcado pelo pensamento capitalista que tem como regra número 1 de sua cartilha o conceito de lucratividade. “Ter lucros” é o pensamento central do sistema. No entanto, tem-se trabalhado, o pensamento da abundância em contraposição ao da miséria. Nesta visão, tenta-se ganhar o máximo, a despeito das questões éticas relacionadas ao processo e das conseqüências sociais advindas desta lógica, no segundo, valoriza-se a grande questão: “O que fazer para todos ganharem?”
Os políticos brasileiros, que vivem sob a perversa lógica do capitalismo selvagem, trariam grande benefício humano à nossa nação se conseguissem pensar em categorias diferentes. Infelizmente acreditam que se as contas públicas “vão bem”, não interessa como andam os empresários e os trabalhadores. Então, para se manter as exigências palacianas, aumenta-se a carga tributária, aperta-se o trabalhador, cria-se um orçamento baseado nas despesas e não nas receitas, e se as despesas aumentarem, basta aumentar o gatilho de um novo imposto sem terem que passar pelo sofrimento de corte de despesas. Ora, tal raciocínio é falho porque não leva em conta o todo. As conseqüências são danosas. Por causa disto, os empresários contratam menos (o que gera menos impostos), a mercadoria deixa de ser produzida (o que representa pobreza para o mercado), e menos pessoas vão comprar (já que não existe trabalho e os recursos desaparecem). Na tentativa de se proteger, o governo vai, numa cadeia lamentável de comandos, limitando os ganhos dos outros e os seus próprios. Quando o empresário não contrata sua mercadoria também não vende, e assim, esta cadeia nada ecológica, que é a economia, é quebrada.
Empresários, em contrapartida, trabalham com a mesma lógica lamentável. Se a economia não vai bem, contrata-se menos, corta-se o salário, demite-se. O resultado é que o empobrecimento da população significa menos mercado consumidor. Gente que não trabalha, consome apenas o básico dos básicos. Falta alguém que possa consumir o produto. Quando alguém empobrece, todos os demais empobrecemos.
Algum tempo atrás ouvi interessante ilustração sobre o inferno e o céu: Certa pessoa chegou ao hades e percebeu que, apesar de haver comida suficiente, as pessoas eram esquálidas e magérrimas porque passavam fome. Por que estavam nesta situação se havia comida suficiente? Porque os braços eram voltados para trás, precisavam de alguém para alimentá-las, mas como no inferno não existe conceito de fraternidade e todos estavam demasiadamente preocupados consigo mesmo, todos sofriam. Quando chegou ao céu, esta pessoa viu que também ali, todos tinham seus braços voltados para trás, mas estavam bem alimentados e felizes. Ali havia fraternidade e solidariedade.
O pensamento de abundância defende que sempre há meios de todos terem bons resultados. Verdadeiros líderes pensam com estas categorias. O Empresário deve pensar em melhorar a qualidade de vida de seus funcionários, não pode ter os olhos apenas para lucros, mas lutar pelo bem estar geral de sua empresa e dos seres humanos. Está provado que um funcionário com uma melhor remuneração produz mais, adoece menos, melhora sua auto estima e criatividade. Bônus inesperados concedidos aos empregadores podem gerar efeitos altamente benéficos para os assalariados. Infelizmente empresários tem pensado apenas no ganho pessoal, tornando-se individualistas e hábeis em dividir prejuízos, mas nunca se mostram prontos em dividir o lucro. Dividem perdas, mas não dividem ganhos.
A empresa que pensa apenas no lucro de capital não é uma boa empresa a longo prazo. Deveria também considerar o lucro do pessoal, pensar de forma mais abrangente, ter uma visão mais ampla do que significa lucro.
Com fazer para todos ganharem? O governo vai ganhar mais se pensar de forma mais ampla, se houver mais recursos disponibilizados para os gastos pessoais. O desejo de aumentar a arrecadação de impostos deve surgir não com o aumento das alíquotas, mas com aumento de produção. Ganha-se mais não com o aumento de taxas, mas com a circulação de mais mercadoria, mais contratação de empregados, isto é, ganha-se mais quando todos ganham.
Empresários ganhariam mais se tivessem funcionários mais satisfeitos, mais realizados como seres humanos, se não tivessem que viver com tanta pressão orçamentária. Assim suas empresas tornar-se-iam mais competitivas e teriam melhores resultados. Todos ganhariam.
A Lei Mosaica, inscrita no Pentateuco, os cinco livros primeiros livros da Lei na tradição judaica, faz importante consideração sobre isto: “Não atarás a boca ao boi que debulha” (Dt 25.4). Posteriormente o apóstolo Paulo amplia este conceito dizendo: “Acaso é de bois que Deus se preocupa?” (1 Co 9.9). Nenhuma pessoa, em sã consciência deixaria de dar boa ração, se possível balanceada, para o animal que tivesse gerando lucro. Mas o princípio deve ir além da visão mercantilista e de produção. Não beneficiar nem valorizar o trabalhador é insano e imoral. A ambição não pode ser dissociada da ética. Uma ética trabalhista deve agir a partir da lógica da abundância e não do pensamento da miséria.
terça-feira, 14 de junho de 2005
quarta-feira, 8 de junho de 2005
A Tirania do Ódio
O ódio é um mau conselheiro. Ai daqueles que se tornam presas deste vilão hediondo. Não raramente tenho encontrado pessoas "amargas, penduradas no passado", sendo orientadas pela angustiante tirania deste sentimento. Conheci um homem que esteve preso durante 29 anos pelo sentimento de vingança, até que um dia ele a satisfez, matando o outro que o ferira. Mas o seu coração não resolveu a dor através do assassinato: Ele continua amargo e até onde sei experimenta o fel da raiva e da amargura mesmo depois de ter "satisfeito sua ira".
Alguém afirmou que odiar é tomar um copo de veneno, pensando em matar o outro. Outra comparação que me vem à memória é a da pessoa que, consumida pelo ódio, faz uma tentativa de aprisionar o ofensor no peito para mantê-lo encarcerado, no entanto, o outro está livre, o dono da gaiola é que está preso.
Normalmente as pessoas não admitem que odeiam. Ódio é uma palavra forte e é politicamente errado admitir tal sentimento. Por isto o ódio vai assumindo outras roupagens em nós: Descaso, desprezo, depreciação, andam de mãos dadas neste processo dolorido de nossa alma. Indiferença é uma das suas linguagens mais sofisticadas.
O ódio surge por causa da dor que pessoas ou circunstâncias nos causaram. Quando não encontramos uma figura objetiva em quem jogar a culpa, passamos a odiar a nós mesmos, nossa família, nosso destino e até mesmo a Deus. Muitas pessoas têm raiva de si mesmas, e outras tantas de Deus.
Só existem dois caminhos para o ódio: Uma vida de inferno, marcada pelo ressentimento, culpa, tristeza ou o perdão. O problema é que no perdão, a pessoa que resolve libertar o outro de seu peito, precisa entender que "perdoar é ficar no prejuízo", e nós não gostamos de perdas, em nenhum sentido.
No entanto, perder para ganhar é uma grande estratégia. A vida muitas vezes é assim. Nem todas as perdas são de fato perdas, e nem toda vitória realmente nos faz vencedor. Perdoar, colocar na conta passiva, esquecer a ofensa é realmente algo maravilhoso para quem dá, já que perdão, também é uma benção para quem o oferece.
Muitas vezes temos dificuldade para perdoar. Outras tantas, gostaríamos de perdoar e não queremos perdoar. Alguém já me disse certa vez que não sentia vontade de perdoar, uma vez que a ofensa fora tão forte. Então sugeri a esta pessoa que orasse a Deus nos seguintes termos: "Deus, tu sabes que eu não quero perdoar, mas gostaria tanto de querer". Neste caso, não ora para perdoar ainda, mas ora para que o coração e a vontade se liberte para o perdão. Quem vence o ódio, liberta sua vida para recomeçar, para construir um novo momento, para poder sonhar. Quem não consegue fazê-lo, certamente continuará escravizado pela tirania dor ressentimento que dele advém.
Alguém afirmou que odiar é tomar um copo de veneno, pensando em matar o outro. Outra comparação que me vem à memória é a da pessoa que, consumida pelo ódio, faz uma tentativa de aprisionar o ofensor no peito para mantê-lo encarcerado, no entanto, o outro está livre, o dono da gaiola é que está preso.
Normalmente as pessoas não admitem que odeiam. Ódio é uma palavra forte e é politicamente errado admitir tal sentimento. Por isto o ódio vai assumindo outras roupagens em nós: Descaso, desprezo, depreciação, andam de mãos dadas neste processo dolorido de nossa alma. Indiferença é uma das suas linguagens mais sofisticadas.
O ódio surge por causa da dor que pessoas ou circunstâncias nos causaram. Quando não encontramos uma figura objetiva em quem jogar a culpa, passamos a odiar a nós mesmos, nossa família, nosso destino e até mesmo a Deus. Muitas pessoas têm raiva de si mesmas, e outras tantas de Deus.
Só existem dois caminhos para o ódio: Uma vida de inferno, marcada pelo ressentimento, culpa, tristeza ou o perdão. O problema é que no perdão, a pessoa que resolve libertar o outro de seu peito, precisa entender que "perdoar é ficar no prejuízo", e nós não gostamos de perdas, em nenhum sentido.
No entanto, perder para ganhar é uma grande estratégia. A vida muitas vezes é assim. Nem todas as perdas são de fato perdas, e nem toda vitória realmente nos faz vencedor. Perdoar, colocar na conta passiva, esquecer a ofensa é realmente algo maravilhoso para quem dá, já que perdão, também é uma benção para quem o oferece.
Muitas vezes temos dificuldade para perdoar. Outras tantas, gostaríamos de perdoar e não queremos perdoar. Alguém já me disse certa vez que não sentia vontade de perdoar, uma vez que a ofensa fora tão forte. Então sugeri a esta pessoa que orasse a Deus nos seguintes termos: "Deus, tu sabes que eu não quero perdoar, mas gostaria tanto de querer". Neste caso, não ora para perdoar ainda, mas ora para que o coração e a vontade se liberte para o perdão. Quem vence o ódio, liberta sua vida para recomeçar, para construir um novo momento, para poder sonhar. Quem não consegue fazê-lo, certamente continuará escravizado pela tirania dor ressentimento que dele advém.
quinta-feira, 26 de maio de 2005
A Tirania do Consumo
Centenas de pessoas vivem angustiadas e aflitas por já terem ido muito longe nos seus débitos. Há uma boa probabilidade de que você já tenha caído na armadilha do débito pelo menos uma vez na vida, ou que sua casa esteja passando por sérios problemas por causa disto.
Um débito financeiro desorganiza a estrutura familiar, gera enorme frustração e eventualmente grandes conflitos. Se você está com débito isto significa que tem uma tarefa dupla pela frente: 1. Você não conseguia se organizar quando as contas estavam zeradas, e isto provavelmente significa que enfrentava sérios problemas entre receita e despesa; 2. Você vai ter que correr agora contra o prejuízo e ainda equilibrar as contas domésticas, que você anteriormente não estava conseguindo.
Pessoas podem se desequilibrar financeiramente por causa de uma tragédia, acidente ou um infortúnio. Mas muitos são desequilibrados porque estão presos numa armadilha, que eu chamo A Tirania do Consumo. Alguém já afirmou que "a maioria dos nossos recursos é gasto com coisas que a gente não precisa, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não gostamos".
A estratégia das empresas de marketing é criar necessidades. Elas são peritas em fazerem você se achar inadequado se não usa uma roupa de determinada marca, se não come em determinado restaurante e se não tem determinado carro. Quanto menos resolvido for o seu coração, mais terá a tendência de acreditar que o seu sentido será adquirido quando tiver coisas que ainda não conseguiu comprar, e colocar seu valor e significado em objetos e fantasias que estão fora de sua vida. Assim, compra-se para encontrar significado para a alma, mas existem necessidades existenciais da vida que nenhum dinheiro pode comprar e que não pode saciar a alma.
Almas vazias não conseguem viver sem gastar, por isto buscam não apenas o necessário, mas o supérfluo, na tentativa de que lhes dê sentido para preencherem o coração. Na verdade não precisam de tais coisas para viver, aliás, poucas coisas que realmente precisamos são encontradas em shoppings.
Gostaria de dar algumas dicas práticas para pessoas que vivem nesta sujeição tirânica:
1. Não superestime o valor da prosperidade. Dinheiro não resolverá seus problemas, nem trará felicidade, comprará amigos ou ainda lhe fará importante.
2. Evite a gratificação instantânea - A habilidade de adiar o prazer. Aprenda disciplina O desejo por gratificação instantânea leva a compulsão por comprar.
3. Não gaste além de seus recursos - Viva dentro do seu orçamento. Não se afogue na armadilha do cartão de crédito para gastar mais do que você pode. Simplifique sua vida a ponto de viver confortavelmente dentro de suas posses.
4. Desenvolva um plano - Você não pode continuar vivendo a mesma vida e esperar resultados diferentes do que já obteve até agora. Escreva um plano melhor de vida para você.
Comece imediatamente - Uma vez que você tenha resolvido consertar seu problema e tenha traçado um plano, não espere para colocá-lo em prática.
Um débito financeiro desorganiza a estrutura familiar, gera enorme frustração e eventualmente grandes conflitos. Se você está com débito isto significa que tem uma tarefa dupla pela frente: 1. Você não conseguia se organizar quando as contas estavam zeradas, e isto provavelmente significa que enfrentava sérios problemas entre receita e despesa; 2. Você vai ter que correr agora contra o prejuízo e ainda equilibrar as contas domésticas, que você anteriormente não estava conseguindo.
Pessoas podem se desequilibrar financeiramente por causa de uma tragédia, acidente ou um infortúnio. Mas muitos são desequilibrados porque estão presos numa armadilha, que eu chamo A Tirania do Consumo. Alguém já afirmou que "a maioria dos nossos recursos é gasto com coisas que a gente não precisa, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não gostamos".
A estratégia das empresas de marketing é criar necessidades. Elas são peritas em fazerem você se achar inadequado se não usa uma roupa de determinada marca, se não come em determinado restaurante e se não tem determinado carro. Quanto menos resolvido for o seu coração, mais terá a tendência de acreditar que o seu sentido será adquirido quando tiver coisas que ainda não conseguiu comprar, e colocar seu valor e significado em objetos e fantasias que estão fora de sua vida. Assim, compra-se para encontrar significado para a alma, mas existem necessidades existenciais da vida que nenhum dinheiro pode comprar e que não pode saciar a alma.
Almas vazias não conseguem viver sem gastar, por isto buscam não apenas o necessário, mas o supérfluo, na tentativa de que lhes dê sentido para preencherem o coração. Na verdade não precisam de tais coisas para viver, aliás, poucas coisas que realmente precisamos são encontradas em shoppings.
Gostaria de dar algumas dicas práticas para pessoas que vivem nesta sujeição tirânica:
1. Não superestime o valor da prosperidade. Dinheiro não resolverá seus problemas, nem trará felicidade, comprará amigos ou ainda lhe fará importante.
2. Evite a gratificação instantânea - A habilidade de adiar o prazer. Aprenda disciplina O desejo por gratificação instantânea leva a compulsão por comprar.
3. Não gaste além de seus recursos - Viva dentro do seu orçamento. Não se afogue na armadilha do cartão de crédito para gastar mais do que você pode. Simplifique sua vida a ponto de viver confortavelmente dentro de suas posses.
4. Desenvolva um plano - Você não pode continuar vivendo a mesma vida e esperar resultados diferentes do que já obteve até agora. Escreva um plano melhor de vida para você.
Comece imediatamente - Uma vez que você tenha resolvido consertar seu problema e tenha traçado um plano, não espere para colocá-lo em prática.
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segunda-feira, 23 de maio de 2005
A Tirania do Sucesso
Poucos homens estudaram tanto o comportamento humano quanto B. F. Skinner. Ele é um dos pais e mentores da Psicologia do comportamento, ou, do behaviorismo, se adotarmos o termo na língua inglesa. Num intrigante livro sobre o ser humano chamado O mito da Liberdade (Rio de Janeiro, Bloch Editores S.A, 1973), expressa profundo desencanto com esta questão da liberdade humana. Ele conclui seu livro dizendo: "Uma análise experimental transfere a determinação do comportamento do homem autônomo para o ambiente – um ambiente responsável pela evolução da espécie como pelo repertório adquirido por cada membro... Ele está realmente controlado pelo ambiente". (op.cit.pg 167-168).
Embora ele acentue que este ambiente é construído em grande parte pelo próprio homem não deixa de expressar em todo conteúdo do livro, forças humanas que condicionam o homem, levando-o a fazer opções que não necessariamente são julgadas em todas as suas complexidades.
Esta é uma das razões pelas quais temos falado de forças tirânicas que agem sobre nós e interagem conosco. Uma das que tem sido mais enfáticas, tem sido o conceito de sucesso. Somos uma sociedade ambiciosa e desesperada por reconhecimento público.
Imagine que você pergunte ao seu filho pré adolescente ou adolescente, e sugiro que não o faça, o que ele pensa que seria a sua expectativa sobre ele lhe dando três opções: ser um homem rico, um homem bom, ou um homem de sucesso, o que você acha que ele iria responder?
Muito provavelmente a resposta seria sucesso. O excesso de atividades, tarefas e obrigações que criamos para nossos filhos revelam a nossa ansiedade para que eles sejam bem sucedidos. A agenda de muitos meninos e meninas tem sido agenda de executivos, eles perderam a capacidade do lúdico, do prazer e do brinquedo. Tornam-se sérios demais numa época em que deveriam brincar. Por que o estatuto dos menores não discute esta questão? Muitos lares têm impedido os filhos de viverem pelo desejo incontrolável de que sejam pessoas de sucesso na vida.
Homens e mulheres também vivem no afã do sucesso. Partem vorazmente para o mercado de trabalho, fazem cursos cada vez mais rigorosos, afinal, dizem eles, precisam de um lugar ao sol. Os dois saem em busca do sucesso, reconhecimento, notoriedade. Esquecem-se uns dos outros, abandonam afetivamente os filhos e neste desespero pós-moderno, perdem a alma e o prazer de ser gente, de brincar, de rir. Ambos providenciam bens e riquezas para casa, mas ninguém está providenciando recursos para a alma, para os afetos.
O que poucos estão discutindo é o real conceito de sucesso. O que é ser bem sucedido? O que transforma uma pessoa em alguém vitorioso? Um diploma a mais? um carro mais novo? uma viagem a mais à Europa? Gente com tanto e com tão pouco, vazia de afeto, vazia de alma, vazia de sentido? É isto que chamamos de sucesso? Filhos estressados, individualistas, egoístas, burgueses, sem razão para viver, sem prazer de viver, sem sentido para viver? Pessoas ensimesmadas, yuppies sem desejo de ser gente, sem capacidade de amar?
A Bíblia nos faz uma exortação muito séria sobre isto: "Tal é a sorte de todo ganancioso; e este espírito de ganância tira a vida de quem o possui" (Pv 1.19)
Embora ele acentue que este ambiente é construído em grande parte pelo próprio homem não deixa de expressar em todo conteúdo do livro, forças humanas que condicionam o homem, levando-o a fazer opções que não necessariamente são julgadas em todas as suas complexidades.
Esta é uma das razões pelas quais temos falado de forças tirânicas que agem sobre nós e interagem conosco. Uma das que tem sido mais enfáticas, tem sido o conceito de sucesso. Somos uma sociedade ambiciosa e desesperada por reconhecimento público.
Imagine que você pergunte ao seu filho pré adolescente ou adolescente, e sugiro que não o faça, o que ele pensa que seria a sua expectativa sobre ele lhe dando três opções: ser um homem rico, um homem bom, ou um homem de sucesso, o que você acha que ele iria responder?
Muito provavelmente a resposta seria sucesso. O excesso de atividades, tarefas e obrigações que criamos para nossos filhos revelam a nossa ansiedade para que eles sejam bem sucedidos. A agenda de muitos meninos e meninas tem sido agenda de executivos, eles perderam a capacidade do lúdico, do prazer e do brinquedo. Tornam-se sérios demais numa época em que deveriam brincar. Por que o estatuto dos menores não discute esta questão? Muitos lares têm impedido os filhos de viverem pelo desejo incontrolável de que sejam pessoas de sucesso na vida.
Homens e mulheres também vivem no afã do sucesso. Partem vorazmente para o mercado de trabalho, fazem cursos cada vez mais rigorosos, afinal, dizem eles, precisam de um lugar ao sol. Os dois saem em busca do sucesso, reconhecimento, notoriedade. Esquecem-se uns dos outros, abandonam afetivamente os filhos e neste desespero pós-moderno, perdem a alma e o prazer de ser gente, de brincar, de rir. Ambos providenciam bens e riquezas para casa, mas ninguém está providenciando recursos para a alma, para os afetos.
O que poucos estão discutindo é o real conceito de sucesso. O que é ser bem sucedido? O que transforma uma pessoa em alguém vitorioso? Um diploma a mais? um carro mais novo? uma viagem a mais à Europa? Gente com tanto e com tão pouco, vazia de afeto, vazia de alma, vazia de sentido? É isto que chamamos de sucesso? Filhos estressados, individualistas, egoístas, burgueses, sem razão para viver, sem prazer de viver, sem sentido para viver? Pessoas ensimesmadas, yuppies sem desejo de ser gente, sem capacidade de amar?
A Bíblia nos faz uma exortação muito séria sobre isto: "Tal é a sorte de todo ganancioso; e este espírito de ganância tira a vida de quem o possui" (Pv 1.19)
domingo, 8 de maio de 2005
A Tirania do Mal
A presença do mal no mundo cria questões filosóficas angustiantes e perturbadoras. C. S. Lewis, conhecido escritor e professor em Oxford, falecido em 1963 afirma que existem duas abordagens complicadoras quando tratamos deste tema: A Primeira é negarmos o mal. A segunda, ficarmos obcecados pelo mal. Tanto a negação quanto a obsessão são complicadoras porque na primeira, nega-se a discussão e faz-se de conta que o mal não existe. Na segunda, cria-se uma neurose que tenta analisar a vida apenas pela perspectiva do sobrenatural, retirando das pessoas a compreensão mais ampla da responsabilidade moral. O diabo torna-se culpado de todas as fraquezas, contradições, ambigüidades e malandragens.
Para aqueles que professam os credos judaico-cristãos, é importante notar que ele aparece reiteradas vezes nos escritos do Velho e do Novo Testamento. Satã é tido como responsável por uma infinidade de doenças humanas, enviando aflições e perturbações à humanidade, trazendo distúrbios mentais e surge sempre como um espírito oposto a Deus, distanciando o homem de Deus e de seus propósitos. Uma boa referência bibliográfica para este tema é o livro, O Mal, o lado sombrio da realidade, de John A. Sanford, publicado pela edicões Paulinas.
Tanto na perspectiva das Escrituras quanto na experiência cotidiana, o Mal tem sido sempre uma força tirânica. Muitos têm sido presos de forma inconsciente desta força simbólica e/ou real, e vivem sufocados por um não sei quê de angústias e medos. Para alguns já não se trata mais de uma impressão, mas de fato de uma opressão. O mal tem sido experimentado de forma aguda no viver diário. Estes fatos não nos são desconhecidos.
Scott Peck, no livro O Povo da Mentira, afirma que o mal é o oposto da vida, e chama a atenção para o fato de que na língua inglesa, curiosamente, evil (mal), é oposto de live (to live: viver). Evil é vida escrita de trás para a frente, vista pelo inverso. O mal é oposto à vida. Ele confronta e esvazia a capacidade de viver, e isto está de acordo com o pensamento de Jesus que diz que "o diabo veio para matar, roubar e destruir, mas eu vim para que tenham vida, e vida em abundância".
Muitos têm sido escravizados por conceitos e pela realidade do mal. São forças espirituais e simbólicas que vão além do cotidiano. Fui procurado por médicos de um hospital psiquiatra que pediam para que eu desse parte do meu tempo para lidar com pessoas que precisavam de um tipo especifico de tratamento que ia além da análise, terapia e remédios que eram aplicados. Queriam alguém que lidasse com pessoas pelo ângulo espiritual. Peck, psiquiatra citado acima, admitia que ele mesmo buscou grupos de exorcistas para lidar com coisas que iam para além do cotidiano e do ordinário.
Não viver demonizando o comportamento humano, nem viver ignorando os fenômenos torna-se sabedoria para nossas vidas. Ainda mais importante, porém, é buscarmos solução integrada para que não mais estejamos escravizados de forças e conceitos que podem nos impedir de sermos menos do que aquilo que Deus queria para nós. Jesus lidou algumas vezes com endominhados, mas não via demônios em toda parte. Também não fazia de conta que não existiam. João, seu apóstolo, definiu o ministério de Jesus de duas formas: Primeiro afirmou que Deus é amor (1 Jo 4.16), e depois disse: "Para isto se manifestou o Filho de Deus: Para destruir as obras do diabo" (1 Jo 3.8). Podemos concluir que o amor de Jesus e a compreensão de sua aceitação incondicional por nós, e seu ministério que confronta o mal, são elementos altamente libertadores para aqueles que ainda vivem sob a tirania do Mal.
Para aqueles que professam os credos judaico-cristãos, é importante notar que ele aparece reiteradas vezes nos escritos do Velho e do Novo Testamento. Satã é tido como responsável por uma infinidade de doenças humanas, enviando aflições e perturbações à humanidade, trazendo distúrbios mentais e surge sempre como um espírito oposto a Deus, distanciando o homem de Deus e de seus propósitos. Uma boa referência bibliográfica para este tema é o livro, O Mal, o lado sombrio da realidade, de John A. Sanford, publicado pela edicões Paulinas.
Tanto na perspectiva das Escrituras quanto na experiência cotidiana, o Mal tem sido sempre uma força tirânica. Muitos têm sido presos de forma inconsciente desta força simbólica e/ou real, e vivem sufocados por um não sei quê de angústias e medos. Para alguns já não se trata mais de uma impressão, mas de fato de uma opressão. O mal tem sido experimentado de forma aguda no viver diário. Estes fatos não nos são desconhecidos.
Scott Peck, no livro O Povo da Mentira, afirma que o mal é o oposto da vida, e chama a atenção para o fato de que na língua inglesa, curiosamente, evil (mal), é oposto de live (to live: viver). Evil é vida escrita de trás para a frente, vista pelo inverso. O mal é oposto à vida. Ele confronta e esvazia a capacidade de viver, e isto está de acordo com o pensamento de Jesus que diz que "o diabo veio para matar, roubar e destruir, mas eu vim para que tenham vida, e vida em abundância".
Muitos têm sido escravizados por conceitos e pela realidade do mal. São forças espirituais e simbólicas que vão além do cotidiano. Fui procurado por médicos de um hospital psiquiatra que pediam para que eu desse parte do meu tempo para lidar com pessoas que precisavam de um tipo especifico de tratamento que ia além da análise, terapia e remédios que eram aplicados. Queriam alguém que lidasse com pessoas pelo ângulo espiritual. Peck, psiquiatra citado acima, admitia que ele mesmo buscou grupos de exorcistas para lidar com coisas que iam para além do cotidiano e do ordinário.
Não viver demonizando o comportamento humano, nem viver ignorando os fenômenos torna-se sabedoria para nossas vidas. Ainda mais importante, porém, é buscarmos solução integrada para que não mais estejamos escravizados de forças e conceitos que podem nos impedir de sermos menos do que aquilo que Deus queria para nós. Jesus lidou algumas vezes com endominhados, mas não via demônios em toda parte. Também não fazia de conta que não existiam. João, seu apóstolo, definiu o ministério de Jesus de duas formas: Primeiro afirmou que Deus é amor (1 Jo 4.16), e depois disse: "Para isto se manifestou o Filho de Deus: Para destruir as obras do diabo" (1 Jo 3.8). Podemos concluir que o amor de Jesus e a compreensão de sua aceitação incondicional por nós, e seu ministério que confronta o mal, são elementos altamente libertadores para aqueles que ainda vivem sob a tirania do Mal.
quarta-feira, 4 de maio de 2005
Homenagem às mães
O dia das mães é sempre uma data excepcional. Existe um provérbio indiano que diz: “Um mestre supera em dignidade a dez preceptores; um pai a cem mestres, porém uma mãe a mil pais”.
Neste domingo gostaria de fazer algumas observações sobre a mãe:
Mãe não é objeto de consumo - as propagandas do dia das mães, costumam esvaziar seu sentido, e transformá-la em algo negociável, resultado de marketing. Dar presentes é bom, mas melhor ainda é ser um presente. O Livro de Provérbios afirma que "O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe" (Pv 10.1).
Mãe é única – Não existe a possibilidade de alguém ser gerado a partir de dois úteros. Útero traz a idéia de partilhar das vísceras, das entranhas da natureza humana. Por esta razão, os judeus só reconhecem seus filhos a partir do útero judaico. Para você ser judeu precisa nascer de uma mãe judia. Esta singularidade precisa ser valorizada.
Mãe é amor que não pode ser adiado – Toda demonstração de amor que puder ser feita à sua mãe faça antes de sua morte. Muitos ficam desesperados em gastar muito dinheiro em funerais e lápides, mas se quiser um conselho, gaste-o em flores hoje, não amanhã. Na maioria das vezes ao fazermos assim somos motivados pela culpa, para resolvermos inconscientemente nossa sensação de ter feito menos do que deveríamos ter feito.
Mãe não é empregada doméstica – Nossas relações são muitas vezes utilitaristas. Podemos achar que a comida de nossa mãe é a melhor do mundo, mas não precisamos transformá-la numa escrava de nossos caprichos de menino (a) que demorou a crescer. Nossos mimos não podem ser motivos de uma postura de tirania.
Mães precisam ser honradas Miguel Couto, ao receber honrosos prêmios por suas pesquisas afirmou: “toda honra dêem à minha mãe" e, após tal afirmação, trouxe-a à frente do auditório, para receber os aplausos.
Mães precisam ser reconhecidas - Thomas A. Édson, conhecido cientista fez a seguinte afirmação: “Minha mãe fez o que eu sou”.
Recebi uma interessante mensagem sobre as mães, e gostaria de compartilhar com os leitores:
No dia em que Deus criou as mães (e já vinha virando dia e noite há seis dias), um anjo apareceu-lhe e disse:
- Por que esta criação está lhe deixando tão inquieto senhor?
E o Senhor Deus respondeu-lhe:
- Você já leu as especificações desta encomenda? Ela tem que ser totalmente lavável, mas não pode ser de plástico. Deve ter 180 partes móveis e substituíveis, funcionar a base de café e sobras de comida. Ter um colo macio que sirva de travesseiro para as crianças. Um beijo que tenha o dom de curar qualquer coisa, desde um ferimento até as dores de uma paixão, e ainda ter seis pares de mãos.
O anjo balançou lentamente a cabeça e disse-lhe:
- Seis pares de mãos Senhor? Parece impossível!?!
Mas o problema não é esse, falou o Senhor Deus - e os três pares de olhos que essa criatura tem que ter?
O anjo, num sobressalto, perguntou-lhe:
- E tem isso no modelo padrão?
O Senhor Deus assentiu:
- Um par de olhos para ver através de portas fechadas, para quando se perguntar o que as crianças estão fazendo lá dentro (embora ela já saiba); outro par na parte posterior da cabeça, para ver o que não deveria, mas precisa saber, e naturalmente os olhos normais, capazes de consolar uma criança em prantos, dizendo-lhe: 'Eu te compreendo e te amo!' - sem dizer uma palavra.
E o anjo mais uma vez comenta-lhe:
- Senhor...já é hora de dormir. Amanhã é outro dia.
Mas o Senhor Deus explicou-lhe:
- Não posso, já está quase pronta. Já tenho um modelo que se cura sozinho quando adoece, que consegue alimentar uma família de seis pessoas com meio quilo de carne moída e consegue convencer uma criança de 9 anos a tomar banho...
O anjo rodeou vagarosamente o modelo e falou:
- É muito delicada Senhor!...
Mas o Senhor Deus disse entusiasmado:
- Mas é muito resistente! Você não imagina o que esta pessoa pode fazer ou suportar!
O anjo, analisando melhor a criação, observa:
- Há um vazamento ali Senhor...
- Não é um simples vazamento, é uma lágrima! E esta serve para expressar alegrias, tristezas, dores, solidão, orgulho e outros sentimentos.
- Vós sois um gênio, Senhor! - disse o anjo entusiasmado com a criação.
- Mas isso não fui eu que coloquei. Apareceu assim...
Neste domingo gostaria de fazer algumas observações sobre a mãe:
Mãe não é objeto de consumo - as propagandas do dia das mães, costumam esvaziar seu sentido, e transformá-la em algo negociável, resultado de marketing. Dar presentes é bom, mas melhor ainda é ser um presente. O Livro de Provérbios afirma que "O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe" (Pv 10.1).
Mãe é única – Não existe a possibilidade de alguém ser gerado a partir de dois úteros. Útero traz a idéia de partilhar das vísceras, das entranhas da natureza humana. Por esta razão, os judeus só reconhecem seus filhos a partir do útero judaico. Para você ser judeu precisa nascer de uma mãe judia. Esta singularidade precisa ser valorizada.
Mãe é amor que não pode ser adiado – Toda demonstração de amor que puder ser feita à sua mãe faça antes de sua morte. Muitos ficam desesperados em gastar muito dinheiro em funerais e lápides, mas se quiser um conselho, gaste-o em flores hoje, não amanhã. Na maioria das vezes ao fazermos assim somos motivados pela culpa, para resolvermos inconscientemente nossa sensação de ter feito menos do que deveríamos ter feito.
Mãe não é empregada doméstica – Nossas relações são muitas vezes utilitaristas. Podemos achar que a comida de nossa mãe é a melhor do mundo, mas não precisamos transformá-la numa escrava de nossos caprichos de menino (a) que demorou a crescer. Nossos mimos não podem ser motivos de uma postura de tirania.
Mães precisam ser honradas Miguel Couto, ao receber honrosos prêmios por suas pesquisas afirmou: “toda honra dêem à minha mãe" e, após tal afirmação, trouxe-a à frente do auditório, para receber os aplausos.
Mães precisam ser reconhecidas - Thomas A. Édson, conhecido cientista fez a seguinte afirmação: “Minha mãe fez o que eu sou”.
Recebi uma interessante mensagem sobre as mães, e gostaria de compartilhar com os leitores:
No dia em que Deus criou as mães (e já vinha virando dia e noite há seis dias), um anjo apareceu-lhe e disse:
- Por que esta criação está lhe deixando tão inquieto senhor?
E o Senhor Deus respondeu-lhe:
- Você já leu as especificações desta encomenda? Ela tem que ser totalmente lavável, mas não pode ser de plástico. Deve ter 180 partes móveis e substituíveis, funcionar a base de café e sobras de comida. Ter um colo macio que sirva de travesseiro para as crianças. Um beijo que tenha o dom de curar qualquer coisa, desde um ferimento até as dores de uma paixão, e ainda ter seis pares de mãos.
O anjo balançou lentamente a cabeça e disse-lhe:
- Seis pares de mãos Senhor? Parece impossível!?!
Mas o problema não é esse, falou o Senhor Deus - e os três pares de olhos que essa criatura tem que ter?
O anjo, num sobressalto, perguntou-lhe:
- E tem isso no modelo padrão?
O Senhor Deus assentiu:
- Um par de olhos para ver através de portas fechadas, para quando se perguntar o que as crianças estão fazendo lá dentro (embora ela já saiba); outro par na parte posterior da cabeça, para ver o que não deveria, mas precisa saber, e naturalmente os olhos normais, capazes de consolar uma criança em prantos, dizendo-lhe: 'Eu te compreendo e te amo!' - sem dizer uma palavra.
E o anjo mais uma vez comenta-lhe:
- Senhor...já é hora de dormir. Amanhã é outro dia.
Mas o Senhor Deus explicou-lhe:
- Não posso, já está quase pronta. Já tenho um modelo que se cura sozinho quando adoece, que consegue alimentar uma família de seis pessoas com meio quilo de carne moída e consegue convencer uma criança de 9 anos a tomar banho...
O anjo rodeou vagarosamente o modelo e falou:
- É muito delicada Senhor!...
Mas o Senhor Deus disse entusiasmado:
- Mas é muito resistente! Você não imagina o que esta pessoa pode fazer ou suportar!
O anjo, analisando melhor a criação, observa:
- Há um vazamento ali Senhor...
- Não é um simples vazamento, é uma lágrima! E esta serve para expressar alegrias, tristezas, dores, solidão, orgulho e outros sentimentos.
- Vós sois um gênio, Senhor! - disse o anjo entusiasmado com a criação.
- Mas isso não fui eu que coloquei. Apareceu assim...
sexta-feira, 22 de abril de 2005
Dia do Índio
No nosso calendário brasileiro, O dia 19 de Abril é dedicado à causa dos índios que coincide com o dia do descobrimento do Brasil que é o dia 22 de Abril. Estas datas na verdade se tocam profundamente já que não se pode falar daquele dia sem entender realmente o que aconteceu quando os navegantes aqui chegaram.
Uma redefinição talvez se faça necessário destas referidas datas: O dia 22 foi o dia em que os portugueses colocaram os pés em terras brasileiras, e naquele dia, descobriu-se o Brasil. O problema é que antes deles descobrirem o Brasil, milhares de pessoas já moravam aqui. A nação conquistadora, Portugal, tinha 1.5 milhão de habitantes, e os povos indígenas que aqui habitavam somavam cerca de 6 milhões de pessoas. Quem descobriu quem?
Na verdade não se pode falar mais em descobrimento do Brasil. Semântica e politicamente esta análise é incorreta. Tem-se a impressão de que os nativos brasileiros estavam perdidos e agora foram achados pelos descobridores. Esta descoberta nada mais foi que um encontro de civilizações. Lamentavelmente o poderoso sempre escreve a história, e o que aprendemos nos livros escolares traz uma visão colonialista da triste realidade que até hoje nos assedia que é a mentalidade de província, de dependência dos centros de poder. Mudou-se a geografia do poder, mas não se mudou a mentalidade. Mudou-se a forma de poder, de colonialismo para neo colonialismo, mas a opressão e dominação continuam.
Naqueles dias, porém, todo dia era dia de Índio...
A Palavra "índio" aponta para algo nativo, que brota da terra, e que se identifica com a natureza, que, ao contrário que alguns pensam, não é mãe, mas filha, uma vez que ela é não é progenitora, mas criatura. Quando se fala de mãe natureza, tende-se a criar uma espécie de panteísmo filosófico. Índio é algo relacionado a adamã (palavra hebraica para terra, daí a raiz da palavra para Adam, o primeiro homem, protótipo da natureza humana).
Deve-se comemorar o dia do Índio, como uma espécie de celebração da vida e da humanidade. Sua existência nos inspira em três dimensões:
1. A rever equivocados conceitos históricos eventualmente veiculados nos livros escolares, nos convidando a uma análise mais crítica de nosso papel como nação que se relaciona com outras nações e à reflexão sobre o nosso papel como povo neste encontro com a aldeia global que é a terra.
2. Sua existência também nos desafia a considerarmos a ética da natureza, o papel da terra, das árvores, dos rios, do ecossistema. Convida-nos a refletir sobre a necessidade de nos relacionarmos com a terra não numa estrutura de dominação e conquista, mas num relacionamento de graça e interação. A questionarmos a ambição desmedida pela riqueza natural que gera um problema ambiental com graves e prolongadas seqüelas sobre as futuras gerações.
3. Acima de tudo, somos convidados também a celebrar o Planeta terra, e, ainda mais importante, somos convidados a Celebrar Deus no Planeta terra, uma vez que se torna difícil desvincular o conceito da criatura de sua relação com Deus o Criador. O Dia do Índio nos aponta para o Deus que o criou à sua imagem e semelhança, como imago Dei, e por isto, o Índio possui uma dignidade inerente nele mesmo, como gente, como pessoa, criatura na relação com aquele que o criou. O índio não é menos, nem é mais, acima de tudo é. E como ser humano deve ser considerado na sua mais fina e particular peculiaridade, como criação exuberante do Deus que o criou para ser objeto de seu amor.
Uma redefinição talvez se faça necessário destas referidas datas: O dia 22 foi o dia em que os portugueses colocaram os pés em terras brasileiras, e naquele dia, descobriu-se o Brasil. O problema é que antes deles descobrirem o Brasil, milhares de pessoas já moravam aqui. A nação conquistadora, Portugal, tinha 1.5 milhão de habitantes, e os povos indígenas que aqui habitavam somavam cerca de 6 milhões de pessoas. Quem descobriu quem?
Na verdade não se pode falar mais em descobrimento do Brasil. Semântica e politicamente esta análise é incorreta. Tem-se a impressão de que os nativos brasileiros estavam perdidos e agora foram achados pelos descobridores. Esta descoberta nada mais foi que um encontro de civilizações. Lamentavelmente o poderoso sempre escreve a história, e o que aprendemos nos livros escolares traz uma visão colonialista da triste realidade que até hoje nos assedia que é a mentalidade de província, de dependência dos centros de poder. Mudou-se a geografia do poder, mas não se mudou a mentalidade. Mudou-se a forma de poder, de colonialismo para neo colonialismo, mas a opressão e dominação continuam.
Naqueles dias, porém, todo dia era dia de Índio...
A Palavra "índio" aponta para algo nativo, que brota da terra, e que se identifica com a natureza, que, ao contrário que alguns pensam, não é mãe, mas filha, uma vez que ela é não é progenitora, mas criatura. Quando se fala de mãe natureza, tende-se a criar uma espécie de panteísmo filosófico. Índio é algo relacionado a adamã (palavra hebraica para terra, daí a raiz da palavra para Adam, o primeiro homem, protótipo da natureza humana).
Deve-se comemorar o dia do Índio, como uma espécie de celebração da vida e da humanidade. Sua existência nos inspira em três dimensões:
1. A rever equivocados conceitos históricos eventualmente veiculados nos livros escolares, nos convidando a uma análise mais crítica de nosso papel como nação que se relaciona com outras nações e à reflexão sobre o nosso papel como povo neste encontro com a aldeia global que é a terra.
2. Sua existência também nos desafia a considerarmos a ética da natureza, o papel da terra, das árvores, dos rios, do ecossistema. Convida-nos a refletir sobre a necessidade de nos relacionarmos com a terra não numa estrutura de dominação e conquista, mas num relacionamento de graça e interação. A questionarmos a ambição desmedida pela riqueza natural que gera um problema ambiental com graves e prolongadas seqüelas sobre as futuras gerações.
3. Acima de tudo, somos convidados também a celebrar o Planeta terra, e, ainda mais importante, somos convidados a Celebrar Deus no Planeta terra, uma vez que se torna difícil desvincular o conceito da criatura de sua relação com Deus o Criador. O Dia do Índio nos aponta para o Deus que o criou à sua imagem e semelhança, como imago Dei, e por isto, o Índio possui uma dignidade inerente nele mesmo, como gente, como pessoa, criatura na relação com aquele que o criou. O índio não é menos, nem é mais, acima de tudo é. E como ser humano deve ser considerado na sua mais fina e particular peculiaridade, como criação exuberante do Deus que o criou para ser objeto de seu amor.
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