sábado, 15 de fevereiro de 2020

Exaustão

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Não é muito raro nos depararmos com um inadequado sentimento de impotência, inadequação e incapacidade de fazer aquilo que é necessário. Depois de passar por um burn-out, o conferencista Wayne Cordeiro  recebeu a recomendação do seu médico para interromper todas as suas atividades por três meses. A lógica médica é a de que quando o organismo entra em colapso, após um forte stress, ele precisa de um tempo para reequilibrar a energia.

O que aconteceria conosco se o médico recomendasse que parássemos tudo por três meses? A não ser que você seja um funcionário, isto seria impossível.

Entretanto, a exaustão faz a produtividade cair vertiginosamente e um forte senso de ansiedade e angústia passa a nos dominar. Com isto vem a culpa, as cobranças, as pessoas esperam respostas e possuem certa expectativa em relação a atenção, processos, atividades, e por não conseguirmos corresponder aos anseios dos outros, nos sentimos ainda pior e a exaustão se torna mais evidente.

O sentimento de fuga passa a ocupar um lugar dominante. Consideramos a possibilidade de encontrar um lugar onde não haja pressão, sonhamos com uma ilha deserta, um rancho na beira do Araguaia, onde não tenhamos que trabalhar tanto para pagar impostos. Recentemente li uma estatística interessante: Cerca de 2 milhões de pessoas nos EUA, já optaram por morar em lugares remotos. Eles vendem suas casas, largam seus empregos e mudam para regiões inóspitas procurando viver o mais isolado possível. É a busca de um lugar sem ansiedade e cobrança, um lugar sem aborrecimentos e ansiedade.

Não é difícil que isto aconteça conosco. Este desejo não é de todo ruim. O problema é a intensidade com que estes desejos surgem, eventualmente se tornando obsessivos. Infelizmente muitas vezes tentamos fugir de um inimigo que não conhecemos, mas não conseguimos fugir de nós mesmos, como diz certo adágio: “mudamos de ar, mas não mudamos de mente”. Uma música popular brasileira diz: “Eu quero ficar só, mas sozinho comigo eu não consigo”.

Que remédio podemos encontrar para esta exaustão? Em geral ela é resultado, não das pressões das pessoas, mas da falta de equilíbrio na nossa mente. O nosso corpo não admite abusos e excessos, apesar de ser uma máquina fantástica. Quando ocorre uma descompensação ou desequilíbrio, ele sofre fadiga e desgaste. Em geral, isto se dá porque a nossa mente, espiritualidade, emoções, não estão ajustadas. Muitas vezes tratamos melhor nossos carros, damos mais manutenção às máquinas, do que à nossa alma, mente e corpo. Exaustão é resultado do excesso. Em algum momento, precisamos parar e colocar a máquina em equilíbrio. Isto é homeostase. Perder ou desprezar qualquer dimensão da nossa humanidade, seja em relação à fé, à saúde, relacionamentos ou emoções, pode trazer resultados trágicos.

O Falso Não Anula o Verdadeiro

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Vivemos dias em que prevalece a ética do ódio. Ela se manifesta na crueldade com que a mentira tenta ser disseminada. Não se busca a verdade, mas se procura construir narrativas que transformem a mentira em verdade. Por isso as fake news são tão amplamente anunciadas. No entanto, o falso continua sendo falso. Não é possível misturar água com óleo.

Tente acompanhar os noticiários. Os jornais não estão interessados em relatar  notícias que promovam o bem e a verdade, mas aquelas que ideologicamente estejam de acordo com a linha editorial da empresa. Você não experimenta profundo ceticismo quando ouve as notícias veiculadas? Onde está a verdade? Chegamos a um momento em que a verdade não é o que é, como classicamente definiu Sócrates, mas, sim, aquilo que eu quero que seja ou aquilo que sinto que é. A verdade é apenas uma formulação ideológica.

Quando Moisés chegou ao Egito para libertar o povo de Israel da escravidão, ele enfrentou um grave embate entre a verdade e a mentira. Havia uma grande luta presente. Quando ele anunciou que Yahweh o enviara para libertar o seu povo, Faraó indagou: “Quem é o Deus Yahweh?”. Ora, o Egito era povoado por uma multiplicidade de deuses. Por que este Deus desconhecido deveria ocupar a primazia levando Faraó a libertar o povo escravo? Mais do que uma luta contra poderes políticos, Moisés deveria enfrentar uma luta sobre a verdade e a mentira.

Quando veio a primeira praga e as águas se transformaram em sangue, os magos do Egito reproduziram o sinal fazendo o mesmo. Na segunda praga, quando as rãs surgiram, os magos também reproduziram o fenômeno. Até que veio a terceira praga e houve muito piolho em toda a terra do Egito, causando profunda aflição às pessoas. Os magos tentaram reproduzir o fenômeno com suas ciências ocultas, mas não conseguiram. Então disseram a Faraó: isto é dedo de Deus!

Nesta hora, surge a diferença entre o falso e o verdadeiro. A mentira pode imitar a verdade por algum tempo, mas não para sempre. Nós podemos enganar algumas pessoas por algum tempo, mas não podemos enganar a todos, todo o tempo. E por isso chegamos à profunda constatação de que a mentira tenta imitar e sempre falsificar a verdade. Apesar de vermos a mentira sendo dita e afirmada todo o tempo, nem tudo é falso. Não precisamos titubear a vida inteira. A verdade é real e ela se revela.

Apesar de tantas mentiras, a verdade existe. Apesar de tanto discurso sobre relativismo e subjetivismo, a verdade existe. Apesar de tanta mentira sendo dita com aparência de verdade, a verdade se encontra presente em algum lugar. Apesar de termos tanta água lamacenta, isto não significa que não haja fonte de água cristalina. A mentira não pode ocultar para sempre a verdade. O falso não anula o verdadeiro.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Virando a Página


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Ano Novo é tempo de virar a página!

Não apenas para encerrar as páginas do calendário que fecharam 365 oportunidades em cada dia que tivemos, mas para abrir o calendário que nos aponta outras 365 oportunidades.

Quando viramos as páginas, constatamos que dias maus foram vencidos, problemas encontraram respostas, dias felizes passaram, e agora surgem novas páginas, com espaços em brancos, que precisam ser preenchidos. É como se a vida nos convidasse a produzir arte, musicalidade, ciência, espiritualidade nos dias que temos adiante. Uma página vazia que precisa ser preenchida com sabedoria e inteligência. “Mesmo quando tudo pede um pouco mais de alma. A vida não para... a vida é tão rara” (Lenine).

A geração millenial, há muito já desprezou a ideia das páginas, e aderiu a um novo estilo de agenda. Não muda nada. Só mudou a forma. Como faço parte do “old fashioned way”, ou do velho estilo de ser e fazer as coisas, ainda curto minha agenda de papel.

Gosto de pegá-la em branco, colocar meu nome, me sentir dono do tempo e da minha história, embora tantas vezes não o seja. Gosto de pensar que algumas daquelas páginas serão preenchidas com experiências lúdicas, grandes eventos. A agenda vazia me permite pensar, ainda que utopicamente, que é possível escrever qualquer coisa nela, afinal, as páginas ainda estão em branco.

As páginas vazias, porém, me recordam que não posso desperdiçar meu tempo. O dia que me é dado é único, ele não se repetirá, minha vida não pode ser gasta com tolices. Não tenho muito tempo para fazer as coisas erradas.

Preciso preencher bem a nova agenda, para não me perder em picuinhas, discussões tolas, compromissos superficiais, eventos vazios e encontros inúteis. Devo preenchê-las de forma cuidadosamente organizada para que me torne mais produtivo, mais efetivo, e saiba usar com sabedoria meu tempo.

Ao virar as páginas, não quero virá-las carregado de ressentimentos e mágoas. Tenho apenas uma vida para viver. Quero preenchê-las com senso de realização e propósito. Não tenho tempo para me perder na minha própria agenda.

Minhas páginas precisam ser viradas com lucidez e gratidão, carregadas do lúdico e da magia. Não posso permitir que minha agenda me torne amargo. Preciso virar as páginas com celebração e sonhos.

Páginas antigas foram viradas no ano que passou. Páginas novas nos convidam a considerar as 365 oportunidades que temos de vivenciar um novo tempo. Vire as páginas com gratidão, expectativa e esperança. Vire as páginas com senso da eternidade. Vire as páginas com Deus!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Lula Morrerá em 2020

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Essa foi a recente previsão feita pelo vidente José Acleildo. Ele afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será vítima de problemas respiratórios e morrerá em 2020. Acleildo passou a contar com o reconhecimento de políticos de alto escalão, artistas, médicos e desembargadores de Brasília depois de acertar a previsão de que Lula seria reeleito em 2006.

 As demais previsões feitas por ele são absurdamente genéricas. Segundo Acleildo, diversos nomes importantes do cenário nacional, além de Lula, podem morrer no próximo ano. Com maior precisão que este vidente, asseguro que determinados líderes políticos não apenas podem, mas, certamente morrerão no próximo anoAlguém duvida disso?

Ele afirmou, ainda, que há grandes possibilidades de ocorrerem problemas judiciais no Brasil, e que, no DF, uma figura importante do Executivo local pode se envolver em problemas judiciais. Precisa ser vidente para fazer esse de prognóstico? Tais vidências são chamadas de “profecias délficas”, uma alusão aos oráculos de Delfos proferidos por uma sacerdotisa que, em uma espécie de transe mediúnico, pronunciava as respostas em versos semelhantes aos usados nos poemas de Homero.

 Tais previsões geram muito temor nas pessoas que são supersticiosas e frágeis espiritualmente, mas não podem assustar pessoas equilibradas. A busca por respostas mágicas existe em todas culturas e religiões. Em uma época em que se critica tanto as religiões oficiais, um fenômeno estranho tem acontecido no mundo inteiro: o ressurgimento do misticismo pagão com suas bizarrices. Há alguns anos, um grupo de artistas da Globo reuniu-se no Jardim Botânico para dirigir suas preces ao antigo Deus egípcio Rá, cuja materialização acontece em um boi sagrado. Diante desse boi, as pessoas se ajoelham, fazem seus mantras e proferem supostas palavras mágicas.

 O secularismo europeu trouxe uma revoada de deuses antigos renascidos das cinzas. As pessoas estão se tornando mais “religiosas” e não secularizadas, criando divindades ao mesmo tempo em que se angustiam com feitiçaria e com cultos animistas. Os países do norte da Europa foram invadidos por deuses antigos e por práticas de feitiçaria. O verdadeiro Deus desapareceu, mas os deuses, mitos e lendas ressurgiram com grande força.

Em 2020 a morte será uma realidade, como sempre. Segundo a Birth & Death Rates/Ecology Global Network, 55,3 milhões de pessoas morrem a cada ano, 151.600 pessoas morrem a cada dia, 6.316 pessoas morrem a cada hora, 105 pessoas morrem a cada minuto e quase duas pessoas morrem por segundo. Lula, ou qualquer um de nós pode fazer parte dessa estatística, mas nenhum homem ou entidade pode prever o futuro. Podem arriscar prognósticos, mas tudo não passa de conjecturas.

 Uma conjectura é uma ideia, fórmula ou frase baseada em suposições ou ideias com fundamento não verificado, que não foi provada ser verdadeira. Aliás, vale dizer que o famoso vidente errou ao dizer que Dilma seria eleita no primeiro turno em 2014.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Mascarando a solidão


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Estatísticas apontam para um aumento substancial no número de suicídios na época de natal. Sentir-se triste no final de ano é mais comum do que se pensa, por isto surgem as ideações suicidas. O número de ligações recebidas em órgãos de apoio a pessoas deprimidas, aumenta em até 40% no mês de dezembro. Psicólogos e psiquiatras também observam aumento da procura de pessoas com depressão.

Isto acontece em grande parte por causa da solidão. Para muitos, este período simboliza alegria e as pessoas se reúnem para confraternizar e preparar para as festas, mas para outros, a vida é solitária e o pensamento suicida pode ocorrer.
Isto tem a ver com todo ritual de ter que presentear ou ir a festas para obter reconhecimento social. As festividades para quem está triste, aumenta a dor. A Bíblia afirma: “Como quem se despe num dia de frio, e como vinagre sobre feridas, assim é o que entoa canções junto ao coração aflito” (Pv 25.20).

Acima de tudo, a geração virtual tende a mascarar a solidão. Por esta razão, pessoas que encontram-se ao seu lado ou a quem você segue no instagram, podem estar vivendo períodos de grandes lutas e com fortes tendências suicidas. Você já viu alguém fazer algo errado e publicar no facebook? As imagens e avatares são sempre de pessoas maravilhosas e bem sucedidas, comendo em bons restaurantes e fazendo glamorosas viagens. Esta falsa imagem, na maioria das vezes camufla o coração e a dor, mas não o resolve.

Fernando Pessoa fez a seguinte declaração:
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

A solidão deve ser resolvida com ações intencionais e busca de ajuda. Scott Peck afirma que o individualismo americano, fortemente reproduzido na cultura brasileira gera fragmentação. Todos precisamos de comunidade, amizades, laços familiares. O suicídio hoje no Brasil mata mais que a Aids. O problema é que as “indústrias inventam doenças para fazer remédio e não remédio para combater doenças” (Zigmunt Baumann).

Se você está passando por dias pesados assim, não fique só. Por mais desencorajado que esteja para sair de casa. Acima de tudo, procure ajuda psicológica, todas as cidades possuem centros de proteção a apoio àqueles que se encontram nesta duvidosa curva e estão mascarando sua própria solidão. 

sábado, 14 de dezembro de 2019

A transcendental história do Natal

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Natal é um evento surpreendente em todos os seus aspectos, afinal, não poderia ser diferente. Leonardo Boff comentando o fato de Deus ter vestido uma roupagem humana e habitado entre nós, disse o seguinte: “Tão humano, só poderia ser Deus...”

O apóstolo João, quando estava bem idoso, depois de ter sido exilado em Patmos por tantos anos, escreveu uma carta às igrejas da Ásia, conhecida como a carta do amor, falando de Jesus e de toda alegria em andar com Cristo: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao verbo da vida” (1 Jo 1.1). Todo este texto poderia ser traduzido da seguinte forma: “Eu não acredito que tive o privilégio de participar pessoalmente disto!”

O Natal tem três dimensões transcendentais:
1. O Natal transcende o tempo – É um evento muito além do kronos, da história e do calendário. Natal é um evento eterno. O verdadeiro Natal não é apenas um fato ocorrido em Belém dois mil atrás. O Natal já havia acontecido, nos desígnios eternos de Deus, antes da fundação do mundo. Os profetas falaram disto, Deus colocou na boca dos seus mensageiros estas verdades, muito antes delas acontecerem. Natal é um evento além da história e do tempo. Existem cerca de 600 profecias do Antigo Testamento relativas à vinda de Cristo que se cumprem no Novo Testamento.

2. Natal transcende as fronteiras – Outro aspecto maravilhoso do natal é que ele não ficou circunscrito a uma geografia. Milhares de romeiros se dirigem nesta época do ano para Belém, a fim de visitarem a gruta onde Jesus nasceu, indo a um local supostamente sagrado, mas na verdade o natal vai muito além de uma região, ele impacta o mundo. Simeão um piedoso judeu quando viu Jesus entrando no templo nos braços de José, o tomou no colo e disse: “Agora podes despedir teu servo, porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparastes diante de todos os povos, e luz para revelação a todo mundo”. No Evangelho de Mateus está escrito: “Em seu nome as nações porão sua esperança".(Mt 12.21), e o apóstolo Paulo afirma: Brotará a raiz de Jessé, aquele que se levantará para reinar sobre todos os povos; estes colocarão nele a sua esperança" (Rm 15.12).

3. Natal transcende nossas expectativas – Além de transcender o tempo e as fronteiras, Natal supera toda expectativa humana. Que mensagem pode ser maior que esta? Que Deus assume forma humana, para viver entre nós, nos ensinar a viver e morrer numa cruz para nos redimir da culpa, da vergonha, da condenação e da morte eterna? O Autor da carta aos Hebreus, afirma que Jesus veio para nos resgatar da garra do diabo e livrar todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” (Hb 2.14,15).

Por isto natal é surpreendente em todos os aspectos: Natal é uma história transcendental. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Entretenimento Moral


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No livro A Máfia dos Mendigos, o pastor Yago Martins aplica teorias e análises acadêmicas às observações e vivências decorrentes do período em que viveu disfarçado entre os moradores de rua da cidade de Fortaleza/CE. Durante um ano, ele se misturou aos sem-teto procurando participar de seus problemas, entender seus motivos e perceber as manipulações e ingerências que existiam.

Sua proposta ousada o levou a confirmar uma suspeita: os pobres têm sido usados como tema de congressos, de entrevistas e também ilustram sermões religiosos, mas não são realmente ajudados. Para ele, a caridade aumenta a miséria porque despotencializa o ser humano e rouba-lhe a dignidade.

Segundo a visão de Yago Martins, os moradores de rua não são pessoas que sempre experimentaram circunstâncias extremas e que, por isso, teriam se exilado. O que lhes falta, de acordo com o pastor, é encontrar quem verdadeiramente os note. “Eles não precisam de alguém que lhes dê comida e os fotografe para as redes sociais e nem mesmo de ações públicas e privadas realizadas de cima para baixo, sem que nunca lhes seja perguntado quais são as suas reais necessidades”, afirma.

Yago Martins apresenta argumentos pesados e ousados – e até mesmo polêmicos – para explicar algumas causas da alta incidência de mendicância no Brasil. Ele toma como base um ponto de vista do qual poucos partiram: o de alguém que passou pela experiência de viver nas ruas. Tal atitude ele chama de atitude de Entretenimento Moral.

Em entrevista à Jovem Pan ele afirmou: "Existem muitos motivos pelos quais as pessoas vão parar na rua. O nosso erro começa, talvez, em tentarmos achar um motivo único para alguém estar na miséria. São indivíduos, seres humanos, cada um está lá por um motivo particular, quer seja por desgraça pessoal, uma tragédia ou mesmo por exercício de vontade, exercendo sua vontade de viver na mendicância, basicamente.”

Ele conta que descobriu fatores nessa realidade que o deixaram impressionado sobre como a caridade sem engajamento pode ser prejudicial e até mesmo hipócrita. "As [muitas] pessoas que praticam a caridade não querem engajamento, não querem fazer uma diferença real. A impressão que dá é de que, muitas vezes, o mendigo é um instrumento de entretenimento moral. Ou seja, a ajuda concedida a ele é só um jeito de as pessoas se sentirem melhores. Algo do tipo: 'Vou fazer aqui uma coisinha boa e volto para casa feliz'”.

Para ele, a cultura paternalista ensina para o dependente da caridade que ele não é digno de conquistar nada. São afirmações com as quais você pode não concordar e muito menos aceitar as teses de Yago Martins, mas acho que vale a pena analisar com seriedade as conclusões a que ele chegou para repensarmos como podemos ser mais efetivos, como podemos ter os motivos corretos no exercício de nossas ações de misericórdia!