domingo, 2 de abril de 2023

Resistindo a Mudanças

 



 


 

Não é fácil mudar hábitos, manias e atitudes. Em geral, fazemos as coisas de uma mesma maneira e quando percebemos que poderiam ser feitas de forma diferente, resistimos e não queremos, seja por preguiça, medo ou indolência. O que pode nos impulsionar a mudanças é a compreensão de que “mais da mesma coisa nos leva ao mesmo lugar" (Hans Burke). É como uma pessoa perdida e desorientada na floresta. Sua tendência é andar em círculos sem perceber que não consegue avançar.

 

Mudanças são necessárias não apenas porque os tempos mudam, mas porque também mudamos. Não dá para fazer as coisas sempre da mesma maneira, porque até mesmo fisicamente nosso corpo não é capaz de fazer o mesmo que fazia antes. Com o passar dos anos, diminuem nosso tônus muscular, nossa resistência, a velocidade e nosso ritmo. Resultado inexorável do tempo.

 

A regra é simples e direta: “Se você deseja algo que nunca teve, faça algo que nunca fez antes.” Pensar fora da “caixinha” pode ampliar o horizonte e dar novas perspectivas. Muitas pessoas dizem: “Eu sou assim, sempre fiz assim, não vou mudar.” Bem... acho que você deveria repensar sua obstinada forma de ser. Os tempos mudam, a vida muda e adequações são necessárias.

 

Certa vez, uma pessoa idosa se mudou com sua família para um condomínio e resistiu fortemente à ideia de ter um celular. Ela julgava inadmissível não ter um telefone fixo na casa, mas para a região em que mudara não havia essa possibilidade. Então, relutantemente, aderiu ao celular porque a forma antiga de se comunicar não era mais válida. O celular era o único jeito de conversar com seus filhos, amigos e netos. Aos poucos, percebeu as ilimitadas possibilidades que a nova forma de comunicar lhe trazia: aprendeu a assistir os vídeos que os netos enviavam, aderiu ao WhatsApp (ainda que não conseguisse digitar nas pequenas teclas) e a vida lhe trouxe novas perspectivas.

 

Esse exemplo simples mostra-nos como mudar é muitas vezes necessário e interessante - algo que pode ser aplicado em todas as áreas da vida. Dizer: “Sempre fiz assim e vou morrer fazendo assim” pode parecer um ponto de honra, mas, na maioria das vezes, é fruto de estupidez, arrogância e orgulho. É possível mudar sem perder valores e referências, sem negociar a fé e a consciência. É possível e necessário mudar, adequando-se aos novos tempos e à modernidade. Isso se aplica ao mundo dos negócios e à família, ao uso do dinheiro e aos hábitos. Quanto mais envelhecemos, mais tendemos a resistir, mas é válido considerar as oportunidades e novas possibilidades.

 

Muitas vezes não fazíamos as coisas por causa da condição financeira, mas se esse quadro mudou, dá para ser mais flexível com o uso dos recursos, ainda mais quando percebemos que, de fato, é possível experimentar novos ares, ousar um pouco mais, sair da zona de conforto, arriscar-se. É possível ver as coisas de forma diferente e interpretar a vida e os eventos com lentes diferentes. Há muitas formas melhores, mais saudáveis e mais belas de fazermos as

 

coisas se não resistirmos às mudanças que precisam ser adotadas. Novos tempos exigem novas respostas.

sexta-feira, 17 de março de 2023

O melhor caminho para o inferno é gradual

 


 

“O caminho mais seguro para o inferno é a via gradual – um suave declive, macio sob os pés, sem viradas súbitas, sem marcas de quilometragem, sem letreiros indicadores.” (C. S. Lewis

 

Pequenos passos nos levam a longas distâncias. Para se andar dez mil milhas é necessário dar o primeiro passo... Se tais afirmações são verdadeiras em relação aos alvos e objetivos pessoais, o mesmo se pode dizer em relação à derrocada e à decadência: Para se chegar ao inferno é preciso caminhar lenta e vagarosamente em sua direção. Tanto a vida de sucesso como a de fracasso são construídas vagarosa e lentamente. Para se chegar ao topo é necessária uma longa caminhada. A mesma realidade se aplica a autodestruição.

 

Não é incomum olharmos para a vida de determinadas pessoas e ficarmos apreensivos sobre o rumo que estão tomando e à direção que estão seguindo. No famoso e badalado seriado Breaking bad um professor de ensino médio, com contas para pagar e um filho enfermo precisando de tratamento médico, decide se enveredar pelo caminho da contravenção. Sua trajetória é quase que acidental, e pouco a pouco ele vai se tornando um gangster assumindo um lado sombrio de sua existência que seria quase impossível de imaginar. Aos poucos ele vai conquistando poder e ganhando muito dinheiro, mas aos poucos ele também vai entregando sua alma ao diabo, até que, finalmente, ele chega ao seu inferno.

 

Decisões de hoje tem profundo impacto no amanhã, mesmo que pareçam decisões inócuas ou ingênuas. Jean Paul Sartre afirmava: “Eu sou a minha decisão.” Como no conhecido evento chamado de “efeito borboleta”, o que fazemos hoje repercutirá no futuro, para o bem e para o mal. A Bíblia nos ensina: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. Aquilo que o homem semear, isto também ceifará.” Não podemos ingenuamente imaginar que plantando abacaxi, colheremos manga. Esta é uma das leis da semeadura. Quem semeia para o mal, do mal fará sua colheita. Jesus disse a Pedro: “Embainha a tua espada, pois todos que lançam mão da espada, à espada perecerão.”

 

É importante semear para a justiça, para o bem e para a misericórdia. Podemos ser tentados a soluções rápidas e respostas mágicas, buscando atalhos para o sucesso ou para o bem-estar. Trilhe o caminho da verdade e da retidão. O melhor caminho para o inferno é gradual. Não ande por ele.

 

Para se chegar ao inferno basta ignorar as placas de advertência. Mas o tolo ou aquele que se julga esperto, decide por sua conta e risco fazer o caminho inverso e desprezar toda sabedoria milenar que nossos antepassados construíram. Ignora-se o saber, as advertências, as instruções, e vão de forma ignorante, andando pelo caminho gradual da dor, morte, do pesadelo e do terror, esperando bonança e descanso.

 

Sabiamente afirmou John Gray: “De boas utopias, certamente, está cheio o caminho do inferno.”

 

 

Micro Hábitos

 


 


 

Professor de psicologia em Stanford, BJ Fogg é autor do livro Micro-hábitos: Pequenas Mudanças que Mudam Tudo. Segundo ele, o sucesso é a soma de pequenos esforços repetidos dia após dia (...). Assim, quanto mais fácil for um comportamento, maior a probabilidade de ele se tornar um hábito. Ainda de acordo com o professor, quando o assunto é mudança, micro é gigante. Oi seja, o único caminho para mudanças importantes e necessárias na vida são os primeiros e pequenos passos,

 

“A mudança é fácil ― uma vez que ela começa, cresce por si só", diz. Ele encoraja o leitor a deixar para trás a fadiga e a preguiça,

 

a livrar-se da culpa e do sentimento de inadequação que leva as pessoas a se sentirem mal para construir hábitos, analisando onde é possível encaixá-los de maneira natural. É preciso deixá-los crescer espontaneamente.

 

Com base em 20 anos de pesquisas com mais de 40 mil pessoas, ele diz que a chave para a mudança de comportamento é o oposto do que sempre foi dito até aqui. Não é sobre força de vontade: é sobre o foco no que é fácil mudar. Foog oferece um guia prático e convida o leitor a direcionar a atenção para o que se quer fazer (e não para o que os outros acham que deveríamos fazer), além de incentivá-lo a cultivar uma vida mais feliz e saudável com os micro-hábitos. Desta forma é possível construir rotinas sem culpa, sem autopunição e sem depender da força de vontade.

 

 

Pense na questão do exercício físico, que para alguns é um verdadeiro tormento. Criar pequenos hábitos de atividades físicas pode mudar completamente a saúde. Certamente é pouco andar 10 minutos, mas para os que vivem de forma absolutamente sedentária, já é um começo.

 

Vsmos à área financeira? O hábito de colocar apenas R$10,00 reais por dia na poupança pode fazer a diferença. Ao final de um mês você terá R$300,00. E ao final de um ano serão R$ 3.600,00. Potencialize isto por 20 ou 30 anos e você terá uma pequena fortuna.

 

Na internet é possível encontrar muitas dicas de micro-hábitos, como:

 

1.   Dizer não! Aprenda a eliminar aquilo que não traz resultados. Dizer ‘não’ para coisas desnecessárias vai te ajudar a dizer ‘sim’

 

para as prioritárias.

 

2.   Tirar um tempo para silenciar o coração. Um ser humano pode ter 258 pensamentos por hora. Ficar de 5 a 10 minutos em silêncio traz descanso ao coração agitado.

 

3.   Pensar antes de reagir. Dê um passo atrás antes de responder a uma situação provocativa. Dessa forma é possível assumir o controle.

 

4.   Tirar um tempo para ler, ainda que pequenos trechos, dez minutos por dia. Isso ajudará seu crescimento pessoal, profissional e financeiro.

 

5.    Parar de reclamar e começar a agradecer. Reclamações tornam as pessoas depressivas e lhe deixam apáticas. Comece a fazer ao invés de reclamar.

 

6.    Beber muita água. Ela o manterá hidratado, ajudará a digestão, estabilizará o batimento cardíaco, expelirá bactérias da bexiga, protegerá órgãos e tecidos.

 

7.    Começar cada dia indagando: “O que posso mudar hoje para tornar minha vida melhor?”

 

Os micros-hábitos não são difíceis de desenvolver, nem exigem muito tempo nosso. Basta adicioná-los à vida. Você possui algum micro-hábito?


Atitude

 


 


 

Nada nos define melhor do que as atitudes que tomamos, sejam elas tomadas diante de situações confortáveis, honras, privilégios, sucesso, fama ou dinheiro; sejam elas motivadas por provocações, frustrações e obstáculos que enfrentamos. Certo ditado diz que “o ser humano é como um saquinho de chá. Ninguém sabe o que tem dentro até derramarmos água quente sobre ele.”

 

Dois homens na Bíblia marcam bem isso: Josué e Calebe. 12 homens das diferentes tribos de Israel foram designados para espiar a terra prometida, mas apenas os dois retornaram com ousadia, coragem e fé de que, apesar dos grandes desafios que teriam, seria possível vencer. A situação era a mesma para todos, mas as respostas foram diferentes. Ou seja, atitudes definem quem nós somos.

 

Um texto bem conhecido sobre atitude foi escrito por Charles Swindoll. "Quanto mais vivo, mais percebo o impacto da atitude na vida. A atitude, para mim, é mais importante que os fatos. É mais importante que o passado, que educação, que dinheiro, que circunstâncias, que falhas, que sucessos, do que o que as outras pessoas pensam, dizem ou fazem. É mais importante do que aparência, talento ou habilidade. Ela construirá ou quebrará uma empresa, uma igreja, um lar. A coisa mais importante é que temos a escolha a cada dia sobre qual ATITUDE tomar no dia. Não podemos mudar nosso passado ... não podemos mudar o fato de que as pessoas agem de uma certa maneira. Não podemos mudar o inevitável. A única coisa que podemos fazer é tocar a única corda que temos: nossa atitude... Estou convencido de que a vida é 10% do que acontece comigo e 90% como reajo a ela. E assim é com você. Nós somos responsáveis por nossas atitudes.”

 

Tentar entender o comportamento de algumas pessoas é como tentar cheirar a cor nove. Não sei a origem desta frase, mas ela faz todo sentido em relação ao que penso: “Conheço muitos que não puderam quando deviam, porque não quiseram quando podiam”. Outra frase perfeita para pensarmos diz assim: "Quem quer, cria recursos; quem não quer, cria desculpas."

 

Depois de uma grande vitória na Guerra da Secessão, algumas mulheres procuraram Lincoln ofertando-lhe uma Bíblia e dizendo: “Estamos aqui gratas por Deus ter estado do nosso lado”. Ao que Lincoln respondeu: “O importante não é que Deus esteja do nosso lado, mas que estejamos do lado de Deus”.

 

Para concluir, mais uma interessante afirmação, desta vez de uma famosa cantora: “Você não pode escolher como vai morrer ou quando. Você só pode decidir como vai viver agora.” (Joan Baez) 


Louco é quem pensa que o louco não pensa...

 


 

Certo homem estava no manicômio observando atitude desconexas de alguns pacientes quando se assustou vendo que um deles estava subindo perigosamente em um poste que ficava no meio da construção. Tentando trazer alguma ordem indagou-lhe o que ele estava fazendo, e sua resposta foi: “vou comer uma goiaba!” O homem sorriu e tentou mostrar que aquilo não era um pé de goiaba. Foi quando se surpreendeu com a resposta inusitada: “Quem disse que eu não sei que este não é um pé de goiaba?” e para sua surpresa retirou uma goiaba do bolso e começou a comê-la, ainda subindo o poste.

 

Em toda forma de pensar, por mais esdrúxula que ela seja, existe uma certa lógica e razoabilidade. Em Corumbá-MS, havia um conhecido maluco que todos conheciam e era folclórico na cidade, que continuamente repetia: “todo maluco tem razão!”

 

O problema da loucura é quando ela está nas mãos dos poderosos. Aí se torna uma arma. Porque por detrás da fanfarrice, da bizarrice, da insanidade, existe uma coerência macabra, e uma narrativa para se construir um sentido, que ninguém vê, mas o louco extrai de sua paranoia ou distúrbio mental sua coerência de propósito. Joseph Mengele, o louco médico dos batalhões de Hitler, encontrou lógica na “solução final”. Ele percebia que matar os prisioneiros de guerra, dando tiro nas suas cabeças, apesar de toda doutrinação e treinamento, deixava os soldados emocionalmente fragilizados. Então achou que seria mais “humano”, colocá-los nas câmaras de gás e realizar o genocídio de forma coletiva. Seria assim menos pessoal e mais eficiente. Louco é quem pensa que o louco não pensa...

 

Toda lógica de dominância e poder possui sua coerência maligna em certa linha de pensamento. Assim funcionam as ideologias. Esta é a maneira de pensar de Maduro na Venezuela, camarada tão apreciado do Presidente Lula. Maduro entendeu que era necessário se libertar da dominação estrangeira e do poder das grandes nações. Sua ideologia justificava sua ação. O homem é o que pensa. Filosofia antecede ética. Para alcançar seus objetivos, ele não considera se o povo será  massacrado, expatriado, e morrerá nas fronteiras. Isto é apenas um efeito colateral. Ele é do bem! As pessoas é que não entendem sua tão benéfica forma de governar. Tudo é para o bem do povo. Louco é quem pensa que o louco não pensa...

 

A falta de bom senso e de coerência de líderes que se transformam em paladinos da justiça e do bem, sempre foi o ponto de partida para a derrocada de um povo. Todos estes líderes, sem exceção, se transformaram em figuras messiânicas. O bem contra o mal. É preciso destruir, toda forma de pensamento discordante que ameace a estrutura de poder construído. Só pode se transformar em figura icônica da justiça e do bem, aquele na mão de quem o poder se concentra. Daquele que não pode ser contrariado ou contraditado. Quem tem o poder de decretar e não encontra resistência porque não existe poder capaz de se opor. Quem é o xerife do xerife? Quem é o líder do líder? Só o louco não percebe isto, mas, no final das contas, louco é quem pensa que o louco não pensa...

 

 

Autoengano


 

 


 

O autoengano é um fenômeno mais comum que imaginamos. Ele pode variar desde o pensamento mágico, de que as coisas serão como penso, até a autossabotagem - uma forma inconsciente de autopunição. Nesse processo a pessoa conspira contra si mesma, impedindo o próprio crescimento emocional ou profissional.

 

Um ditado popular diz que “a mente da gente mente pra gente constantemente.” Podemos fazer leituras equivocadas sobre a vida ou mesmo julgar os outros erroneamente por causa de lentes culturais, morais ou pelas impressões parciais que construímos. Nossos construtos psicológicos podem afetar nossas leituras sobre o que vemos,

 

percebemos ou ouvimos.

 

É claro que podemos ser enganados por pessoas desonestas e mentirosas, mas o mais estranho é sermos enganados por nós mesmos. Não é raro fazermos inferências ou declarações e mais tarde nos assustarmos com a descoberta de que estávamos completamente equivocados sobre algo ou alguém. Isso gera a reflexão do tipo: “Não pensei isto antes... Não vi isto antes, apesar de estar tão claro...”

 

Santo Agostinho afirmou que a mente controla o corpo, mas a mente não controla a mente. Somos capazes de adoecer nossos corpos por causa da ansiedade ao despejarmos uma quantidade imensa de toxinas em nosso sistema respiratório. A mente é capaz de contaminar o corpo afetando-o significativamente, causando úlceras gástricas, câncer e infarto. Ora, a

 

mente tem o poder de intoxicar o corpo.

 

Por outro lado e, curiosamente, quando tenta controlar a si mesma, a mente não consegue. Considere o pensamento agitado, o estresse, a preocupação e a insônia. Quem enfrenta essas disfunções não consegue dizer a si mesmo: “Não fique ansioso!” Esta não é uma equação tão fácil de resolver... pior ainda é ir para a cama repetindo: “Você precisa dormir!” porque o sono só vem quando a mente desiste de controlar e se deixa dominar pelo sono. A preocupação não resolve a insônia, pelo contrário, a faz aumentar. Quando ficamos ansiosos por causa da nossa ansiedade, nós nos tornamos mais ansiosos ainda.

 

O autoengano é sempre uma possibilidade. Ele se manifesta nas escolhas e decisões erradas que fazemos, nos maus investimentos financeiros, na dificuldade de

 

ler corretamente as placas de sinalização da alma e nas percepções distorcidas da nossa ótica. Outro aspecto mais grave surge no engano de continuarmos julgando que estamos com a verdade, não mudarmos e permanecermos rígidos e inflexíveis em áreas da vida que exigem mudança.

 

O engano que nunca permite arrependimento, mudança e crescimento espiritual e emocional, certamente é o lado mais obscuro e prejudicial de uma mente que permanecerá errada achando que sempre esteve certa. 


A Epidemia do Desencanto

  



 

Estudos apontam que a depressão será a principal causa de incapacitação em 2030, ficando à frente, inclusive, de doenças cardiovasculares. O psiquiatra Ricardo Moreno define a depressão como “uma doença que tem como base uma disfunção química do cérebro, ou seja, os sistemas de neurotransmissão são comprometidos. São vários sinais e sintomas que caracterizam o quadro clínico, como tristeza, angústia, melancolia e diminuição do prazer.”

 

Cerca de 40% dos pacientes deprimidos têm fator genético envolvido na doença. Já os fatores sociais não são tidos como causadores, mas sim como desencadeadores. Ainda segundo o

 

psiquiatra Ricardo Moreno, “indivíduos com vulnerabilidade genética, quando submetidos a estresse físico ou psicológico, podem ou não desenvolver a doença.”

 

A depressão já acomete cerca de 9% dos brasileiros. A doença apresenta um conjunto de sintomas como tristeza, falta de vigor físico, perda da libido e desesperança. Apesar de muitos se considerarem deprimidos por apresentarem uma ou outra queixa clínica, vale lembrar que um único aspecto não determina a existência da depressão. Pessoas em situações de estresse, lutos e crises emocionais podem entristecer diante dessas situações, mas isso não significa que estejam deprimidas. Tão logo o quadro antagônico desapareça e as coisas se normalizem, a tristeza desaparece.

 

O grande problema da depressão é o

 

desencanto, que também pode ocorrer por situações políticas e econômicas. A Argentina, por exemplo, passa por uma grande crise não apenas social, mas existencial. Outro exemplo é o Brasil, em que há um batalhão de subaproveitados: são 50 milhões de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, um fenômeno que vem gerando aguda frustração na juventude. A satisfação dos jovens, que já piorava desde a recessão, agravou-se sobremaneira com a pandemia.

 

Os dados mostram uma geração mais “desanimada” em relação ao futuro, motivando uma “fuga de cérebros”. 47% dos jovens brasileiros gostariam de sair do País para tentar uma vida melhor no exterior. As oportunidades concretas de trabalho e estudo, bem como a inserção no mercado foram negativamente impactadas na pandemia, esvaziando as perspectivas de futuro.

 

 

Certamente a epidemia da covid-19 contribuiu para o estado de desencanto, mas há um componente na alma humana que tem sido ainda mais prejudicial: a falta de esperança. Nos EUA, o suicídio já é a segunda causa de morte entre os adolescentes e na Noruega há mais suicídio que assassinato. Falta alegria de viver e, não sem razão, drogas, barbitúricos, álcool e adrenalina têm se transformado em graves problemas social e de saúde coletiva.

 

Todo esse vazio se relaciona com a clássica frase de Pascal que afirmou que “há no coração do homem um vazio do tamanho de Deus.” Falta sentido, propósito. O problema do homem, antes de ser econômico, social e financeiro, é um problema teológico. A ausência de Deus e a filosofia do niilismo certamente são os grandes fatores desencadeadores de tamanho desencanto.