Muitos desconhecem um trabalho extremamente significativo cuja sede é aqui em Anápolis: As Missões Asas de Socorro.
Esta Missão é Cristã, com propósitos sociais e sem fins lucrativos, e está comemorando nesta semana 50 anos, razão pela qual faço questão de marcar este importante evento.
Centenas de pessoas do mundo inteiro chegam aqui para receber treinamento de primeiros socorros, fazer curso de aviação, receber treinamento e tudo isto voltado para socorrer pessoas que vivem em regiões extremamente carentes. Todos os anos, Asas de Socorro organiza viagens para tais regiões, alguns destes lugares sem nenhum acesso de carro, leva profissionais da área de saúde, monta um pequeno laboratório dentário, médicos, assistentes sociais, dá palestras, distribui remédios e cuida das pessoas enfermas destas regiões inóspitas.
Esta Missão teve início no Brasil 50 anos atrás, e escolheram Anápolis por ser uma região mais central, com o propósito de socorrer aqueles que precisavam de um socorro urgente e não tinham recursos. Aviões se deslocam aqui de Anápolis, e os pilotos pousam em pistas difíceis, regiões desérticas, apanham mulheres com complicações na gravidez, missionários com gente enferma, e os leva para cidades onde existem hospitais, isto tudo é feito sem nenhum custo para tais pessoas, já que o sustento é dado por pessoas voluntárias do mundo inteiro.
Neste final de semana, estamos recebendo aqui muitos destes homens e mulheres que deram parte de sua vida para esta organização, e serviram pessoas nestas situações descritas acima. Alguns são de outros países, alguns já se encontram aposentados, mas neste final de semana, como parte desta data tão importante, será realizada uma programação no dia 28, com portões abertos incluindo vôos panorâmicos, pára-quedismo, acrobacias aéreas e balonismo, exposição de aviões e stands, apresentações culturais, praça de alimentação, e, como não poderia deixar de acontecer, haverá um mutirão da cidadania com atendimento médico e odontológico, no Aeroporto Civil de Anápolis.
Jim Elliot foi um homem que consagrou sua vida aos Índios do Equador, e morreu numa emboscada quando tentava se aproximar de um povo ainda não alcançado. Ele era ainda muito jovem quando morreu, mas deixou um legado tremendo de sacrifício e dedicação. Trago na mesa de meu escritório, uma frase sua proferida numa conferência e ela traduz bem o pensamento de Asas de Socorro: "Não é tolo aquele que dá o que não pode reter, para ganhar aquilo que não pode perder".
O lema de Asas de Socorro é: "Dando asas àqueles que tem dado a vida por Deus". Esta marcante liberalidade não poderia deixar de ser registrada por este jornal, uma vez que por 50 anos temos sido abençoados com a vida, missão e propósito desta entidade aqui em nossa cidade.
Parabéns Asas de Socorro!
terça-feira, 23 de agosto de 2005
terça-feira, 9 de agosto de 2005
A Mentira como linguagem universal
Todos estamos espantados com a quantidade de lixo que tem vindo à tona nestes últimos dias com o depoimento dos suspeitos nas CPIs. Apesar de todas as reincidências de corruptos e corruptores no Brasil, isto sempre entristece, porque a corrupção enfraquece a nação, zomba do caráter do homem honesto, ridiculariza as instituições e faz-nos crer que a esperteza e a malandragem compensam. Lamentavelmente a corrupção no Brasil tem uma tonalidade endêmica, sistêmica, pandêmica, estrutural e oficializada, e este sonho de termos uma nação liderada com seriedade deve ser acalentada em nossa alma, não apenas de expectadores de um mundo mais justo, mas de agentes para que esta justiça deixe de ser utópica e se torne uma realidade.
A corrupção, contudo, não vem sozinha, já que a miséria detesta solidão, ou como dizem os ingleses: "misery loves company". Mas o que nos assusta é que, aliada à mentira. Zuenir Ventura no seu excelente artigo O festival de mentiras, afirma o seguinte: "Uma das maiores descobertas da CPI dos Correios é a de que não só a corrupção é endêmica; a mentira também. Ela e a omissão têm sido usadas com tanta freqüência, a hipocrisia está tão vulgarizada e o cinismo tão banalizado que, se alguém resolver falar a verdade, vai fazer o maior sucesso".
A habilidade das pessoas mentirem sem o menor decoro, sem que o rosto se core, sem que se revele a falsidade e o engodo é algo admirável, e isto me assusta mais do que o crime em si. O crime pode ser cometido por alguma fraqueza de caráter, ou por achar que o crime compensa, ou porque se crê na impunidade ou na ineficiência do judiciário brasileiro, mas mentir de forma natural revela um aspecto incrustado no caráter que nos faz tremer estruturalmente. Esta deformação de caráter com tanta eficácia, é algo assustador...
Pessoas aprenderam a mentir. Mentir já não pode ser pego pelo detector de mentiras. Aprendeu-se a fraudar descaradamente, a mentir para sobreviver. Aliás, sempre me assustou um lado do José Dirceu, que pode viver por 10 anos com sua mulher, ter um filho com ela sem nunca revelar sua identidade e seu lado oculto de guerrilheiro. Entendo que existe um lado todo de proteção, medo e ameaça, mas um ocultamento tão eficiente com a pessoa que se ama, com quem se dorme, e com quem se gera um filho por tanto tempo me faz tremer.
"Pessoas Karina, Marcos Valério, Delúbio, Silvio, Simone foram capazes de passar dez horas dizendo “não sei”, “não me lembro” com a mais tranqüila cara-de-pau, mesmo quando as negativas tinham contra si todas as evidências". Fica-se com a impressão de que a mentira triunfa, desde que as respostas sejam bem ensaiadas com os advogados, e a contradição evitada pela habilidade jurídica.
O problema é que a mentira vai se revelada, desmascarada. A verdade clama por si só. Mais cedo ou mais tarde a mentira, como uma mancha de óleo de um submarino atingido vai revelar que alguma coisa encontra-se por ali. Nosso Mestre já nos advertiu dizendo: "não há nada oculto que não venha a ser revelado". O problema é esta sensação de impunidade, que nos leva a crer, ainda que por breve tempo que a mentira triunfa, e que quando bem articulada ela poderá funcionar.
Zuenir Ventura afirma: "Tido como leninista, Dirceu perdeu a chance de aplicar a lição de Lenin de que a verdade é que é revolucionária, não a mentira". Se virmos no ângulo cristão, a severidade é ainda maior: "o diabo jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8.44).
A corrupção, contudo, não vem sozinha, já que a miséria detesta solidão, ou como dizem os ingleses: "misery loves company". Mas o que nos assusta é que, aliada à mentira. Zuenir Ventura no seu excelente artigo O festival de mentiras, afirma o seguinte: "Uma das maiores descobertas da CPI dos Correios é a de que não só a corrupção é endêmica; a mentira também. Ela e a omissão têm sido usadas com tanta freqüência, a hipocrisia está tão vulgarizada e o cinismo tão banalizado que, se alguém resolver falar a verdade, vai fazer o maior sucesso".
A habilidade das pessoas mentirem sem o menor decoro, sem que o rosto se core, sem que se revele a falsidade e o engodo é algo admirável, e isto me assusta mais do que o crime em si. O crime pode ser cometido por alguma fraqueza de caráter, ou por achar que o crime compensa, ou porque se crê na impunidade ou na ineficiência do judiciário brasileiro, mas mentir de forma natural revela um aspecto incrustado no caráter que nos faz tremer estruturalmente. Esta deformação de caráter com tanta eficácia, é algo assustador...
Pessoas aprenderam a mentir. Mentir já não pode ser pego pelo detector de mentiras. Aprendeu-se a fraudar descaradamente, a mentir para sobreviver. Aliás, sempre me assustou um lado do José Dirceu, que pode viver por 10 anos com sua mulher, ter um filho com ela sem nunca revelar sua identidade e seu lado oculto de guerrilheiro. Entendo que existe um lado todo de proteção, medo e ameaça, mas um ocultamento tão eficiente com a pessoa que se ama, com quem se dorme, e com quem se gera um filho por tanto tempo me faz tremer.
"Pessoas Karina, Marcos Valério, Delúbio, Silvio, Simone foram capazes de passar dez horas dizendo “não sei”, “não me lembro” com a mais tranqüila cara-de-pau, mesmo quando as negativas tinham contra si todas as evidências". Fica-se com a impressão de que a mentira triunfa, desde que as respostas sejam bem ensaiadas com os advogados, e a contradição evitada pela habilidade jurídica.
O problema é que a mentira vai se revelada, desmascarada. A verdade clama por si só. Mais cedo ou mais tarde a mentira, como uma mancha de óleo de um submarino atingido vai revelar que alguma coisa encontra-se por ali. Nosso Mestre já nos advertiu dizendo: "não há nada oculto que não venha a ser revelado". O problema é esta sensação de impunidade, que nos leva a crer, ainda que por breve tempo que a mentira triunfa, e que quando bem articulada ela poderá funcionar.
Zuenir Ventura afirma: "Tido como leninista, Dirceu perdeu a chance de aplicar a lição de Lenin de que a verdade é que é revolucionária, não a mentira". Se virmos no ângulo cristão, a severidade é ainda maior: "o diabo jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8.44).
terça-feira, 14 de junho de 2005
Quando todos ganham
Um dos conceitos macro econômicos que começam a ser discutidos e a tomar corpo dentro de grandes e respeitáveis instituições de ensino no mundo empresarial de hoje é o chamado "O pensamento de abundância", uma tese defendida inicialmente na Índia e que sustenta que a economia só vai bem quando todos ganham.
Parece estranho veicular tal idéia no nosso contexto encharcado pelo pensamento capitalista que tem como regra número 1 de sua cartilha o conceito de lucratividade. “Ter lucros” é o pensamento central do sistema. No entanto, tem-se trabalhado, o pensamento da abundância em contraposição ao da miséria. Nesta visão, tenta-se ganhar o máximo, a despeito das questões éticas relacionadas ao processo e das conseqüências sociais advindas desta lógica, no segundo, valoriza-se a grande questão: “O que fazer para todos ganharem?”
Os políticos brasileiros, que vivem sob a perversa lógica do capitalismo selvagem, trariam grande benefício humano à nossa nação se conseguissem pensar em categorias diferentes. Infelizmente acreditam que se as contas públicas “vão bem”, não interessa como andam os empresários e os trabalhadores. Então, para se manter as exigências palacianas, aumenta-se a carga tributária, aperta-se o trabalhador, cria-se um orçamento baseado nas despesas e não nas receitas, e se as despesas aumentarem, basta aumentar o gatilho de um novo imposto sem terem que passar pelo sofrimento de corte de despesas. Ora, tal raciocínio é falho porque não leva em conta o todo. As conseqüências são danosas. Por causa disto, os empresários contratam menos (o que gera menos impostos), a mercadoria deixa de ser produzida (o que representa pobreza para o mercado), e menos pessoas vão comprar (já que não existe trabalho e os recursos desaparecem). Na tentativa de se proteger, o governo vai, numa cadeia lamentável de comandos, limitando os ganhos dos outros e os seus próprios. Quando o empresário não contrata sua mercadoria também não vende, e assim, esta cadeia nada ecológica, que é a economia, é quebrada.
Empresários, em contrapartida, trabalham com a mesma lógica lamentável. Se a economia não vai bem, contrata-se menos, corta-se o salário, demite-se. O resultado é que o empobrecimento da população significa menos mercado consumidor. Gente que não trabalha, consome apenas o básico dos básicos. Falta alguém que possa consumir o produto. Quando alguém empobrece, todos os demais empobrecemos.
Algum tempo atrás ouvi interessante ilustração sobre o inferno e o céu: Certa pessoa chegou ao hades e percebeu que, apesar de haver comida suficiente, as pessoas eram esquálidas e magérrimas porque passavam fome. Por que estavam nesta situação se havia comida suficiente? Porque os braços eram voltados para trás, precisavam de alguém para alimentá-las, mas como no inferno não existe conceito de fraternidade e todos estavam demasiadamente preocupados consigo mesmo, todos sofriam. Quando chegou ao céu, esta pessoa viu que também ali, todos tinham seus braços voltados para trás, mas estavam bem alimentados e felizes. Ali havia fraternidade e solidariedade.
O pensamento de abundância defende que sempre há meios de todos terem bons resultados. Verdadeiros líderes pensam com estas categorias. O Empresário deve pensar em melhorar a qualidade de vida de seus funcionários, não pode ter os olhos apenas para lucros, mas lutar pelo bem estar geral de sua empresa e dos seres humanos. Está provado que um funcionário com uma melhor remuneração produz mais, adoece menos, melhora sua auto estima e criatividade. Bônus inesperados concedidos aos empregadores podem gerar efeitos altamente benéficos para os assalariados. Infelizmente empresários tem pensado apenas no ganho pessoal, tornando-se individualistas e hábeis em dividir prejuízos, mas nunca se mostram prontos em dividir o lucro. Dividem perdas, mas não dividem ganhos.
A empresa que pensa apenas no lucro de capital não é uma boa empresa a longo prazo. Deveria também considerar o lucro do pessoal, pensar de forma mais abrangente, ter uma visão mais ampla do que significa lucro.
Com fazer para todos ganharem? O governo vai ganhar mais se pensar de forma mais ampla, se houver mais recursos disponibilizados para os gastos pessoais. O desejo de aumentar a arrecadação de impostos deve surgir não com o aumento das alíquotas, mas com aumento de produção. Ganha-se mais não com o aumento de taxas, mas com a circulação de mais mercadoria, mais contratação de empregados, isto é, ganha-se mais quando todos ganham.
Empresários ganhariam mais se tivessem funcionários mais satisfeitos, mais realizados como seres humanos, se não tivessem que viver com tanta pressão orçamentária. Assim suas empresas tornar-se-iam mais competitivas e teriam melhores resultados. Todos ganhariam.
A Lei Mosaica, inscrita no Pentateuco, os cinco livros primeiros livros da Lei na tradição judaica, faz importante consideração sobre isto: “Não atarás a boca ao boi que debulha” (Dt 25.4). Posteriormente o apóstolo Paulo amplia este conceito dizendo: “Acaso é de bois que Deus se preocupa?” (1 Co 9.9). Nenhuma pessoa, em sã consciência deixaria de dar boa ração, se possível balanceada, para o animal que tivesse gerando lucro. Mas o princípio deve ir além da visão mercantilista e de produção. Não beneficiar nem valorizar o trabalhador é insano e imoral. A ambição não pode ser dissociada da ética. Uma ética trabalhista deve agir a partir da lógica da abundância e não do pensamento da miséria.
Parece estranho veicular tal idéia no nosso contexto encharcado pelo pensamento capitalista que tem como regra número 1 de sua cartilha o conceito de lucratividade. “Ter lucros” é o pensamento central do sistema. No entanto, tem-se trabalhado, o pensamento da abundância em contraposição ao da miséria. Nesta visão, tenta-se ganhar o máximo, a despeito das questões éticas relacionadas ao processo e das conseqüências sociais advindas desta lógica, no segundo, valoriza-se a grande questão: “O que fazer para todos ganharem?”
Os políticos brasileiros, que vivem sob a perversa lógica do capitalismo selvagem, trariam grande benefício humano à nossa nação se conseguissem pensar em categorias diferentes. Infelizmente acreditam que se as contas públicas “vão bem”, não interessa como andam os empresários e os trabalhadores. Então, para se manter as exigências palacianas, aumenta-se a carga tributária, aperta-se o trabalhador, cria-se um orçamento baseado nas despesas e não nas receitas, e se as despesas aumentarem, basta aumentar o gatilho de um novo imposto sem terem que passar pelo sofrimento de corte de despesas. Ora, tal raciocínio é falho porque não leva em conta o todo. As conseqüências são danosas. Por causa disto, os empresários contratam menos (o que gera menos impostos), a mercadoria deixa de ser produzida (o que representa pobreza para o mercado), e menos pessoas vão comprar (já que não existe trabalho e os recursos desaparecem). Na tentativa de se proteger, o governo vai, numa cadeia lamentável de comandos, limitando os ganhos dos outros e os seus próprios. Quando o empresário não contrata sua mercadoria também não vende, e assim, esta cadeia nada ecológica, que é a economia, é quebrada.
Empresários, em contrapartida, trabalham com a mesma lógica lamentável. Se a economia não vai bem, contrata-se menos, corta-se o salário, demite-se. O resultado é que o empobrecimento da população significa menos mercado consumidor. Gente que não trabalha, consome apenas o básico dos básicos. Falta alguém que possa consumir o produto. Quando alguém empobrece, todos os demais empobrecemos.
Algum tempo atrás ouvi interessante ilustração sobre o inferno e o céu: Certa pessoa chegou ao hades e percebeu que, apesar de haver comida suficiente, as pessoas eram esquálidas e magérrimas porque passavam fome. Por que estavam nesta situação se havia comida suficiente? Porque os braços eram voltados para trás, precisavam de alguém para alimentá-las, mas como no inferno não existe conceito de fraternidade e todos estavam demasiadamente preocupados consigo mesmo, todos sofriam. Quando chegou ao céu, esta pessoa viu que também ali, todos tinham seus braços voltados para trás, mas estavam bem alimentados e felizes. Ali havia fraternidade e solidariedade.
O pensamento de abundância defende que sempre há meios de todos terem bons resultados. Verdadeiros líderes pensam com estas categorias. O Empresário deve pensar em melhorar a qualidade de vida de seus funcionários, não pode ter os olhos apenas para lucros, mas lutar pelo bem estar geral de sua empresa e dos seres humanos. Está provado que um funcionário com uma melhor remuneração produz mais, adoece menos, melhora sua auto estima e criatividade. Bônus inesperados concedidos aos empregadores podem gerar efeitos altamente benéficos para os assalariados. Infelizmente empresários tem pensado apenas no ganho pessoal, tornando-se individualistas e hábeis em dividir prejuízos, mas nunca se mostram prontos em dividir o lucro. Dividem perdas, mas não dividem ganhos.
A empresa que pensa apenas no lucro de capital não é uma boa empresa a longo prazo. Deveria também considerar o lucro do pessoal, pensar de forma mais abrangente, ter uma visão mais ampla do que significa lucro.
Com fazer para todos ganharem? O governo vai ganhar mais se pensar de forma mais ampla, se houver mais recursos disponibilizados para os gastos pessoais. O desejo de aumentar a arrecadação de impostos deve surgir não com o aumento das alíquotas, mas com aumento de produção. Ganha-se mais não com o aumento de taxas, mas com a circulação de mais mercadoria, mais contratação de empregados, isto é, ganha-se mais quando todos ganham.
Empresários ganhariam mais se tivessem funcionários mais satisfeitos, mais realizados como seres humanos, se não tivessem que viver com tanta pressão orçamentária. Assim suas empresas tornar-se-iam mais competitivas e teriam melhores resultados. Todos ganhariam.
A Lei Mosaica, inscrita no Pentateuco, os cinco livros primeiros livros da Lei na tradição judaica, faz importante consideração sobre isto: “Não atarás a boca ao boi que debulha” (Dt 25.4). Posteriormente o apóstolo Paulo amplia este conceito dizendo: “Acaso é de bois que Deus se preocupa?” (1 Co 9.9). Nenhuma pessoa, em sã consciência deixaria de dar boa ração, se possível balanceada, para o animal que tivesse gerando lucro. Mas o princípio deve ir além da visão mercantilista e de produção. Não beneficiar nem valorizar o trabalhador é insano e imoral. A ambição não pode ser dissociada da ética. Uma ética trabalhista deve agir a partir da lógica da abundância e não do pensamento da miséria.
quarta-feira, 8 de junho de 2005
A Tirania do Ódio
O ódio é um mau conselheiro. Ai daqueles que se tornam presas deste vilão hediondo. Não raramente tenho encontrado pessoas "amargas, penduradas no passado", sendo orientadas pela angustiante tirania deste sentimento. Conheci um homem que esteve preso durante 29 anos pelo sentimento de vingança, até que um dia ele a satisfez, matando o outro que o ferira. Mas o seu coração não resolveu a dor através do assassinato: Ele continua amargo e até onde sei experimenta o fel da raiva e da amargura mesmo depois de ter "satisfeito sua ira".
Alguém afirmou que odiar é tomar um copo de veneno, pensando em matar o outro. Outra comparação que me vem à memória é a da pessoa que, consumida pelo ódio, faz uma tentativa de aprisionar o ofensor no peito para mantê-lo encarcerado, no entanto, o outro está livre, o dono da gaiola é que está preso.
Normalmente as pessoas não admitem que odeiam. Ódio é uma palavra forte e é politicamente errado admitir tal sentimento. Por isto o ódio vai assumindo outras roupagens em nós: Descaso, desprezo, depreciação, andam de mãos dadas neste processo dolorido de nossa alma. Indiferença é uma das suas linguagens mais sofisticadas.
O ódio surge por causa da dor que pessoas ou circunstâncias nos causaram. Quando não encontramos uma figura objetiva em quem jogar a culpa, passamos a odiar a nós mesmos, nossa família, nosso destino e até mesmo a Deus. Muitas pessoas têm raiva de si mesmas, e outras tantas de Deus.
Só existem dois caminhos para o ódio: Uma vida de inferno, marcada pelo ressentimento, culpa, tristeza ou o perdão. O problema é que no perdão, a pessoa que resolve libertar o outro de seu peito, precisa entender que "perdoar é ficar no prejuízo", e nós não gostamos de perdas, em nenhum sentido.
No entanto, perder para ganhar é uma grande estratégia. A vida muitas vezes é assim. Nem todas as perdas são de fato perdas, e nem toda vitória realmente nos faz vencedor. Perdoar, colocar na conta passiva, esquecer a ofensa é realmente algo maravilhoso para quem dá, já que perdão, também é uma benção para quem o oferece.
Muitas vezes temos dificuldade para perdoar. Outras tantas, gostaríamos de perdoar e não queremos perdoar. Alguém já me disse certa vez que não sentia vontade de perdoar, uma vez que a ofensa fora tão forte. Então sugeri a esta pessoa que orasse a Deus nos seguintes termos: "Deus, tu sabes que eu não quero perdoar, mas gostaria tanto de querer". Neste caso, não ora para perdoar ainda, mas ora para que o coração e a vontade se liberte para o perdão. Quem vence o ódio, liberta sua vida para recomeçar, para construir um novo momento, para poder sonhar. Quem não consegue fazê-lo, certamente continuará escravizado pela tirania dor ressentimento que dele advém.
Alguém afirmou que odiar é tomar um copo de veneno, pensando em matar o outro. Outra comparação que me vem à memória é a da pessoa que, consumida pelo ódio, faz uma tentativa de aprisionar o ofensor no peito para mantê-lo encarcerado, no entanto, o outro está livre, o dono da gaiola é que está preso.
Normalmente as pessoas não admitem que odeiam. Ódio é uma palavra forte e é politicamente errado admitir tal sentimento. Por isto o ódio vai assumindo outras roupagens em nós: Descaso, desprezo, depreciação, andam de mãos dadas neste processo dolorido de nossa alma. Indiferença é uma das suas linguagens mais sofisticadas.
O ódio surge por causa da dor que pessoas ou circunstâncias nos causaram. Quando não encontramos uma figura objetiva em quem jogar a culpa, passamos a odiar a nós mesmos, nossa família, nosso destino e até mesmo a Deus. Muitas pessoas têm raiva de si mesmas, e outras tantas de Deus.
Só existem dois caminhos para o ódio: Uma vida de inferno, marcada pelo ressentimento, culpa, tristeza ou o perdão. O problema é que no perdão, a pessoa que resolve libertar o outro de seu peito, precisa entender que "perdoar é ficar no prejuízo", e nós não gostamos de perdas, em nenhum sentido.
No entanto, perder para ganhar é uma grande estratégia. A vida muitas vezes é assim. Nem todas as perdas são de fato perdas, e nem toda vitória realmente nos faz vencedor. Perdoar, colocar na conta passiva, esquecer a ofensa é realmente algo maravilhoso para quem dá, já que perdão, também é uma benção para quem o oferece.
Muitas vezes temos dificuldade para perdoar. Outras tantas, gostaríamos de perdoar e não queremos perdoar. Alguém já me disse certa vez que não sentia vontade de perdoar, uma vez que a ofensa fora tão forte. Então sugeri a esta pessoa que orasse a Deus nos seguintes termos: "Deus, tu sabes que eu não quero perdoar, mas gostaria tanto de querer". Neste caso, não ora para perdoar ainda, mas ora para que o coração e a vontade se liberte para o perdão. Quem vence o ódio, liberta sua vida para recomeçar, para construir um novo momento, para poder sonhar. Quem não consegue fazê-lo, certamente continuará escravizado pela tirania dor ressentimento que dele advém.
quinta-feira, 26 de maio de 2005
A Tirania do Consumo
Centenas de pessoas vivem angustiadas e aflitas por já terem ido muito longe nos seus débitos. Há uma boa probabilidade de que você já tenha caído na armadilha do débito pelo menos uma vez na vida, ou que sua casa esteja passando por sérios problemas por causa disto.
Um débito financeiro desorganiza a estrutura familiar, gera enorme frustração e eventualmente grandes conflitos. Se você está com débito isto significa que tem uma tarefa dupla pela frente: 1. Você não conseguia se organizar quando as contas estavam zeradas, e isto provavelmente significa que enfrentava sérios problemas entre receita e despesa; 2. Você vai ter que correr agora contra o prejuízo e ainda equilibrar as contas domésticas, que você anteriormente não estava conseguindo.
Pessoas podem se desequilibrar financeiramente por causa de uma tragédia, acidente ou um infortúnio. Mas muitos são desequilibrados porque estão presos numa armadilha, que eu chamo A Tirania do Consumo. Alguém já afirmou que "a maioria dos nossos recursos é gasto com coisas que a gente não precisa, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não gostamos".
A estratégia das empresas de marketing é criar necessidades. Elas são peritas em fazerem você se achar inadequado se não usa uma roupa de determinada marca, se não come em determinado restaurante e se não tem determinado carro. Quanto menos resolvido for o seu coração, mais terá a tendência de acreditar que o seu sentido será adquirido quando tiver coisas que ainda não conseguiu comprar, e colocar seu valor e significado em objetos e fantasias que estão fora de sua vida. Assim, compra-se para encontrar significado para a alma, mas existem necessidades existenciais da vida que nenhum dinheiro pode comprar e que não pode saciar a alma.
Almas vazias não conseguem viver sem gastar, por isto buscam não apenas o necessário, mas o supérfluo, na tentativa de que lhes dê sentido para preencherem o coração. Na verdade não precisam de tais coisas para viver, aliás, poucas coisas que realmente precisamos são encontradas em shoppings.
Gostaria de dar algumas dicas práticas para pessoas que vivem nesta sujeição tirânica:
1. Não superestime o valor da prosperidade. Dinheiro não resolverá seus problemas, nem trará felicidade, comprará amigos ou ainda lhe fará importante.
2. Evite a gratificação instantânea - A habilidade de adiar o prazer. Aprenda disciplina O desejo por gratificação instantânea leva a compulsão por comprar.
3. Não gaste além de seus recursos - Viva dentro do seu orçamento. Não se afogue na armadilha do cartão de crédito para gastar mais do que você pode. Simplifique sua vida a ponto de viver confortavelmente dentro de suas posses.
4. Desenvolva um plano - Você não pode continuar vivendo a mesma vida e esperar resultados diferentes do que já obteve até agora. Escreva um plano melhor de vida para você.
Comece imediatamente - Uma vez que você tenha resolvido consertar seu problema e tenha traçado um plano, não espere para colocá-lo em prática.
Um débito financeiro desorganiza a estrutura familiar, gera enorme frustração e eventualmente grandes conflitos. Se você está com débito isto significa que tem uma tarefa dupla pela frente: 1. Você não conseguia se organizar quando as contas estavam zeradas, e isto provavelmente significa que enfrentava sérios problemas entre receita e despesa; 2. Você vai ter que correr agora contra o prejuízo e ainda equilibrar as contas domésticas, que você anteriormente não estava conseguindo.
Pessoas podem se desequilibrar financeiramente por causa de uma tragédia, acidente ou um infortúnio. Mas muitos são desequilibrados porque estão presos numa armadilha, que eu chamo A Tirania do Consumo. Alguém já afirmou que "a maioria dos nossos recursos é gasto com coisas que a gente não precisa, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não gostamos".
A estratégia das empresas de marketing é criar necessidades. Elas são peritas em fazerem você se achar inadequado se não usa uma roupa de determinada marca, se não come em determinado restaurante e se não tem determinado carro. Quanto menos resolvido for o seu coração, mais terá a tendência de acreditar que o seu sentido será adquirido quando tiver coisas que ainda não conseguiu comprar, e colocar seu valor e significado em objetos e fantasias que estão fora de sua vida. Assim, compra-se para encontrar significado para a alma, mas existem necessidades existenciais da vida que nenhum dinheiro pode comprar e que não pode saciar a alma.
Almas vazias não conseguem viver sem gastar, por isto buscam não apenas o necessário, mas o supérfluo, na tentativa de que lhes dê sentido para preencherem o coração. Na verdade não precisam de tais coisas para viver, aliás, poucas coisas que realmente precisamos são encontradas em shoppings.
Gostaria de dar algumas dicas práticas para pessoas que vivem nesta sujeição tirânica:
1. Não superestime o valor da prosperidade. Dinheiro não resolverá seus problemas, nem trará felicidade, comprará amigos ou ainda lhe fará importante.
2. Evite a gratificação instantânea - A habilidade de adiar o prazer. Aprenda disciplina O desejo por gratificação instantânea leva a compulsão por comprar.
3. Não gaste além de seus recursos - Viva dentro do seu orçamento. Não se afogue na armadilha do cartão de crédito para gastar mais do que você pode. Simplifique sua vida a ponto de viver confortavelmente dentro de suas posses.
4. Desenvolva um plano - Você não pode continuar vivendo a mesma vida e esperar resultados diferentes do que já obteve até agora. Escreva um plano melhor de vida para você.
Comece imediatamente - Uma vez que você tenha resolvido consertar seu problema e tenha traçado um plano, não espere para colocá-lo em prática.
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segunda-feira, 23 de maio de 2005
A Tirania do Sucesso
Poucos homens estudaram tanto o comportamento humano quanto B. F. Skinner. Ele é um dos pais e mentores da Psicologia do comportamento, ou, do behaviorismo, se adotarmos o termo na língua inglesa. Num intrigante livro sobre o ser humano chamado O mito da Liberdade (Rio de Janeiro, Bloch Editores S.A, 1973), expressa profundo desencanto com esta questão da liberdade humana. Ele conclui seu livro dizendo: "Uma análise experimental transfere a determinação do comportamento do homem autônomo para o ambiente – um ambiente responsável pela evolução da espécie como pelo repertório adquirido por cada membro... Ele está realmente controlado pelo ambiente". (op.cit.pg 167-168).
Embora ele acentue que este ambiente é construído em grande parte pelo próprio homem não deixa de expressar em todo conteúdo do livro, forças humanas que condicionam o homem, levando-o a fazer opções que não necessariamente são julgadas em todas as suas complexidades.
Esta é uma das razões pelas quais temos falado de forças tirânicas que agem sobre nós e interagem conosco. Uma das que tem sido mais enfáticas, tem sido o conceito de sucesso. Somos uma sociedade ambiciosa e desesperada por reconhecimento público.
Imagine que você pergunte ao seu filho pré adolescente ou adolescente, e sugiro que não o faça, o que ele pensa que seria a sua expectativa sobre ele lhe dando três opções: ser um homem rico, um homem bom, ou um homem de sucesso, o que você acha que ele iria responder?
Muito provavelmente a resposta seria sucesso. O excesso de atividades, tarefas e obrigações que criamos para nossos filhos revelam a nossa ansiedade para que eles sejam bem sucedidos. A agenda de muitos meninos e meninas tem sido agenda de executivos, eles perderam a capacidade do lúdico, do prazer e do brinquedo. Tornam-se sérios demais numa época em que deveriam brincar. Por que o estatuto dos menores não discute esta questão? Muitos lares têm impedido os filhos de viverem pelo desejo incontrolável de que sejam pessoas de sucesso na vida.
Homens e mulheres também vivem no afã do sucesso. Partem vorazmente para o mercado de trabalho, fazem cursos cada vez mais rigorosos, afinal, dizem eles, precisam de um lugar ao sol. Os dois saem em busca do sucesso, reconhecimento, notoriedade. Esquecem-se uns dos outros, abandonam afetivamente os filhos e neste desespero pós-moderno, perdem a alma e o prazer de ser gente, de brincar, de rir. Ambos providenciam bens e riquezas para casa, mas ninguém está providenciando recursos para a alma, para os afetos.
O que poucos estão discutindo é o real conceito de sucesso. O que é ser bem sucedido? O que transforma uma pessoa em alguém vitorioso? Um diploma a mais? um carro mais novo? uma viagem a mais à Europa? Gente com tanto e com tão pouco, vazia de afeto, vazia de alma, vazia de sentido? É isto que chamamos de sucesso? Filhos estressados, individualistas, egoístas, burgueses, sem razão para viver, sem prazer de viver, sem sentido para viver? Pessoas ensimesmadas, yuppies sem desejo de ser gente, sem capacidade de amar?
A Bíblia nos faz uma exortação muito séria sobre isto: "Tal é a sorte de todo ganancioso; e este espírito de ganância tira a vida de quem o possui" (Pv 1.19)
Embora ele acentue que este ambiente é construído em grande parte pelo próprio homem não deixa de expressar em todo conteúdo do livro, forças humanas que condicionam o homem, levando-o a fazer opções que não necessariamente são julgadas em todas as suas complexidades.
Esta é uma das razões pelas quais temos falado de forças tirânicas que agem sobre nós e interagem conosco. Uma das que tem sido mais enfáticas, tem sido o conceito de sucesso. Somos uma sociedade ambiciosa e desesperada por reconhecimento público.
Imagine que você pergunte ao seu filho pré adolescente ou adolescente, e sugiro que não o faça, o que ele pensa que seria a sua expectativa sobre ele lhe dando três opções: ser um homem rico, um homem bom, ou um homem de sucesso, o que você acha que ele iria responder?
Muito provavelmente a resposta seria sucesso. O excesso de atividades, tarefas e obrigações que criamos para nossos filhos revelam a nossa ansiedade para que eles sejam bem sucedidos. A agenda de muitos meninos e meninas tem sido agenda de executivos, eles perderam a capacidade do lúdico, do prazer e do brinquedo. Tornam-se sérios demais numa época em que deveriam brincar. Por que o estatuto dos menores não discute esta questão? Muitos lares têm impedido os filhos de viverem pelo desejo incontrolável de que sejam pessoas de sucesso na vida.
Homens e mulheres também vivem no afã do sucesso. Partem vorazmente para o mercado de trabalho, fazem cursos cada vez mais rigorosos, afinal, dizem eles, precisam de um lugar ao sol. Os dois saem em busca do sucesso, reconhecimento, notoriedade. Esquecem-se uns dos outros, abandonam afetivamente os filhos e neste desespero pós-moderno, perdem a alma e o prazer de ser gente, de brincar, de rir. Ambos providenciam bens e riquezas para casa, mas ninguém está providenciando recursos para a alma, para os afetos.
O que poucos estão discutindo é o real conceito de sucesso. O que é ser bem sucedido? O que transforma uma pessoa em alguém vitorioso? Um diploma a mais? um carro mais novo? uma viagem a mais à Europa? Gente com tanto e com tão pouco, vazia de afeto, vazia de alma, vazia de sentido? É isto que chamamos de sucesso? Filhos estressados, individualistas, egoístas, burgueses, sem razão para viver, sem prazer de viver, sem sentido para viver? Pessoas ensimesmadas, yuppies sem desejo de ser gente, sem capacidade de amar?
A Bíblia nos faz uma exortação muito séria sobre isto: "Tal é a sorte de todo ganancioso; e este espírito de ganância tira a vida de quem o possui" (Pv 1.19)
domingo, 8 de maio de 2005
A Tirania do Mal
A presença do mal no mundo cria questões filosóficas angustiantes e perturbadoras. C. S. Lewis, conhecido escritor e professor em Oxford, falecido em 1963 afirma que existem duas abordagens complicadoras quando tratamos deste tema: A Primeira é negarmos o mal. A segunda, ficarmos obcecados pelo mal. Tanto a negação quanto a obsessão são complicadoras porque na primeira, nega-se a discussão e faz-se de conta que o mal não existe. Na segunda, cria-se uma neurose que tenta analisar a vida apenas pela perspectiva do sobrenatural, retirando das pessoas a compreensão mais ampla da responsabilidade moral. O diabo torna-se culpado de todas as fraquezas, contradições, ambigüidades e malandragens.
Para aqueles que professam os credos judaico-cristãos, é importante notar que ele aparece reiteradas vezes nos escritos do Velho e do Novo Testamento. Satã é tido como responsável por uma infinidade de doenças humanas, enviando aflições e perturbações à humanidade, trazendo distúrbios mentais e surge sempre como um espírito oposto a Deus, distanciando o homem de Deus e de seus propósitos. Uma boa referência bibliográfica para este tema é o livro, O Mal, o lado sombrio da realidade, de John A. Sanford, publicado pela edicões Paulinas.
Tanto na perspectiva das Escrituras quanto na experiência cotidiana, o Mal tem sido sempre uma força tirânica. Muitos têm sido presos de forma inconsciente desta força simbólica e/ou real, e vivem sufocados por um não sei quê de angústias e medos. Para alguns já não se trata mais de uma impressão, mas de fato de uma opressão. O mal tem sido experimentado de forma aguda no viver diário. Estes fatos não nos são desconhecidos.
Scott Peck, no livro O Povo da Mentira, afirma que o mal é o oposto da vida, e chama a atenção para o fato de que na língua inglesa, curiosamente, evil (mal), é oposto de live (to live: viver). Evil é vida escrita de trás para a frente, vista pelo inverso. O mal é oposto à vida. Ele confronta e esvazia a capacidade de viver, e isto está de acordo com o pensamento de Jesus que diz que "o diabo veio para matar, roubar e destruir, mas eu vim para que tenham vida, e vida em abundância".
Muitos têm sido escravizados por conceitos e pela realidade do mal. São forças espirituais e simbólicas que vão além do cotidiano. Fui procurado por médicos de um hospital psiquiatra que pediam para que eu desse parte do meu tempo para lidar com pessoas que precisavam de um tipo especifico de tratamento que ia além da análise, terapia e remédios que eram aplicados. Queriam alguém que lidasse com pessoas pelo ângulo espiritual. Peck, psiquiatra citado acima, admitia que ele mesmo buscou grupos de exorcistas para lidar com coisas que iam para além do cotidiano e do ordinário.
Não viver demonizando o comportamento humano, nem viver ignorando os fenômenos torna-se sabedoria para nossas vidas. Ainda mais importante, porém, é buscarmos solução integrada para que não mais estejamos escravizados de forças e conceitos que podem nos impedir de sermos menos do que aquilo que Deus queria para nós. Jesus lidou algumas vezes com endominhados, mas não via demônios em toda parte. Também não fazia de conta que não existiam. João, seu apóstolo, definiu o ministério de Jesus de duas formas: Primeiro afirmou que Deus é amor (1 Jo 4.16), e depois disse: "Para isto se manifestou o Filho de Deus: Para destruir as obras do diabo" (1 Jo 3.8). Podemos concluir que o amor de Jesus e a compreensão de sua aceitação incondicional por nós, e seu ministério que confronta o mal, são elementos altamente libertadores para aqueles que ainda vivem sob a tirania do Mal.
Para aqueles que professam os credos judaico-cristãos, é importante notar que ele aparece reiteradas vezes nos escritos do Velho e do Novo Testamento. Satã é tido como responsável por uma infinidade de doenças humanas, enviando aflições e perturbações à humanidade, trazendo distúrbios mentais e surge sempre como um espírito oposto a Deus, distanciando o homem de Deus e de seus propósitos. Uma boa referência bibliográfica para este tema é o livro, O Mal, o lado sombrio da realidade, de John A. Sanford, publicado pela edicões Paulinas.
Tanto na perspectiva das Escrituras quanto na experiência cotidiana, o Mal tem sido sempre uma força tirânica. Muitos têm sido presos de forma inconsciente desta força simbólica e/ou real, e vivem sufocados por um não sei quê de angústias e medos. Para alguns já não se trata mais de uma impressão, mas de fato de uma opressão. O mal tem sido experimentado de forma aguda no viver diário. Estes fatos não nos são desconhecidos.
Scott Peck, no livro O Povo da Mentira, afirma que o mal é o oposto da vida, e chama a atenção para o fato de que na língua inglesa, curiosamente, evil (mal), é oposto de live (to live: viver). Evil é vida escrita de trás para a frente, vista pelo inverso. O mal é oposto à vida. Ele confronta e esvazia a capacidade de viver, e isto está de acordo com o pensamento de Jesus que diz que "o diabo veio para matar, roubar e destruir, mas eu vim para que tenham vida, e vida em abundância".
Muitos têm sido escravizados por conceitos e pela realidade do mal. São forças espirituais e simbólicas que vão além do cotidiano. Fui procurado por médicos de um hospital psiquiatra que pediam para que eu desse parte do meu tempo para lidar com pessoas que precisavam de um tipo especifico de tratamento que ia além da análise, terapia e remédios que eram aplicados. Queriam alguém que lidasse com pessoas pelo ângulo espiritual. Peck, psiquiatra citado acima, admitia que ele mesmo buscou grupos de exorcistas para lidar com coisas que iam para além do cotidiano e do ordinário.
Não viver demonizando o comportamento humano, nem viver ignorando os fenômenos torna-se sabedoria para nossas vidas. Ainda mais importante, porém, é buscarmos solução integrada para que não mais estejamos escravizados de forças e conceitos que podem nos impedir de sermos menos do que aquilo que Deus queria para nós. Jesus lidou algumas vezes com endominhados, mas não via demônios em toda parte. Também não fazia de conta que não existiam. João, seu apóstolo, definiu o ministério de Jesus de duas formas: Primeiro afirmou que Deus é amor (1 Jo 4.16), e depois disse: "Para isto se manifestou o Filho de Deus: Para destruir as obras do diabo" (1 Jo 3.8). Podemos concluir que o amor de Jesus e a compreensão de sua aceitação incondicional por nós, e seu ministério que confronta o mal, são elementos altamente libertadores para aqueles que ainda vivem sob a tirania do Mal.
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