sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Descriminalizar o Aborto

  

 



 

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar na madrugada da última sexta-feira (22/SET) a ação que tenta descriminalizar o aborto até 12 semanas de gestação. Até o momento, apenas a ministra e relatora Rosa Weber votou. Ela defendeu a descriminalização.

 

Caso a ação avance o STF definirá que as grávidas e os médicos envolvidos nos procedimentos não poderão ser processados e punidos caso haja a interrupção da gravidez. Hoje, a lei só 'autoriza' aborto em casos de estupro, anencefalia ou em risco de morte da gestante.

 

Em um discurso duro e veemente diante da ministra, o bispo católico em Brasilia - que no último quadriênio presidiu a Comissão Especial de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - Dom Ricardo Hoepers saiu em defesa da vida. Em um trecho ele disse:

 

"Precisamos nos unir a todo movimento que defenda a vida. Nós somos “pro-life”. Quero apoiar todas as ações legítimas, de grupos religiosos ou não, que considerem a vida questão prioritária. O STF ou qualquer outro grupo jurídico não tem autoridade para, em nome do Estado laico, apoiar movimentos de extermínio que se opõem à vida humana. Aborto é uma questão ética, moral e religiosa altamente polêmica, mas, infelizmente, segmentos mais liberais querem nos desqualificar como fanáticos, acusando os que defendem a vida como fundamentalistas religiosos."

 

Dom Ricardo Hoepers prosseguiu: "Seria, de fato, fundamentalismo lutar em defesa da vida? Se assim for, eu me incluo neste grupo, pois acredito que todo atentado contra a vida humana é crime. A vida humana deve ser inviolável em sua integralidade desde a concepção até a morte natural. Muitos afirmam que a mulher tem direito sobre seu corpo. Concordo com esta afirmação."

 

O secretário geral da CNBB acrescentou que, "se a mulher quiser extrair um braço por ser feio, arrancar uma perna por considerar que ficará mais bonita ou retirar o seio para evitar câncer de mama, isso é problema dela. Mas uma criança no útero não é parte da mulher, não faz parte do seu corpo. É outro ser, com vida própria, que depende, sim, do útero da mulher. Não podemos tratar o assunto ignorando a existência de um bebê. Um feto não é uma vesícula biliar."

 

De acordo com Hoepers, a decisão não é jurídica, "já que ninguém pode negar a vida da criança em nome da autonomia e liberdade da mulher." O bispo auxiliar de Brasília lembrou que uma criança é uma pessoa, única, irrepetível e que o direito à vida é um dos mais invioláveis direitos do ser humano.

 

"Por isso deve ser protegido. É um direito intrínseco à realidade humana e não uma concessão do Estado. Autoridades públicas não têm o direito de serem seletivos em relação ao direito à vida, concedendo-a a alguns e negando-a a outros. Esta discriminação é iniqua e excludente”, enfatizou Dom Ricardo Hoepers.

 

O Estado deveria ter melhores políticas públicas para atender as mulheres por meio de educação sexual, cuidado e apoio à gravidez ao invés de dar autonomia aos homens e mulheres para interromperem a vida sem nenhuma explicação. Se é uma questão de saúde, a lei deve proteger a mulher e a criança.

 

Precisamos reiterar o direito à vida como um dom celestial. Suicídio, assassinato, eutanásia e aborto são temas que precisam ser tratados com cuidado pela sociedade como um todo e não apenas pelos “fundamentalistas religiosos”. Não se trata de uma questão legal e jurídica a ser decidida por homens e mulheres de togas. É uma questão moral e espiritual.

Autossabotagem

  



 

Uma das melhores amigas que tive sempre teve propensões para engordar e sofria com as dietas, pois amava quitutes e doces. Um dia nos encontramos e ela estava toda feliz com uma receita recém-descoberta. Se ela comesse creme de leite com morango, não engordaria porque o morango tiraria o efeito do creme de leite...

 

Este é o típico exemplo de autossabotagem. É obvio que isso não é verdade, mas ela queria que fosse. Na autossabotagem, de forma consciente ou inconsciente, admitimos determinadas ideias que conspiram contra nós mesmos. O mecanismo pode ser negativo ou positivo, mas tem sempre a incrível capacidade de

 

causar prejuízos. Trata-se de um boicote contra nós mesmos.

 

A autossabotagem está ligada a hábitos negativos como procrastinação, falta de foco e baixa autoestima, gerando uma carga imensa de pensamentos negativos, geralmente correlacionados aos traumas de infância. É uma forma de autopunição baseada na culpa consciente ou não, que nos leva a pensar que não “merecemos”, impedindo-nos de alcançar o que desejamos. É necessário mudar a perspectiva que temos de nós mesmos.

 

Não é fácil perceber que nos autossabotamos, mas atitudes de vitimismo ou fracasso contínuo podem ser sinais que nos ajudam a detectar.

- Por que precisamos de relacionamentos tóxicos?

- Por que não somos capazes de relaxar e temos medo do sucesso?

- Por que focamos sempre no que nos falta e não celebramos as conquistas?

- O que está por trás da constante necessidade de autoafirmação?

- O que nos impede de explorar todo o nosso potencial e de viver com alegria o que somos ou temos recebido?

- Por que procrastinamos tarefas importantes que seriam benéficas e promotoras de nosso bem-estar social e do sucesso?

 

É possível vencer a autossabotagem dando alguns passos importantes. Entre eles estão:

1 - Reconhecer que conspiramos contra nós mesmos; 2 - Identificar os gatilhos e as áreas nas quais somos mais suscetíveis ao autoengano; 3 - Ter cuidado com a vitimização e a baixa autoestima; 4 - Sentir-se bem consigo mesmo e desejar o melhor para si - se não houver culpa nesse processo será algo muito positivo; 5 - Ter autoconhecimento e saber que é possível ir além do que já foi conquistado - algo terapêutico e renovador.

Despedida

  



Não é fácil se separar daqueles que amamos. Olavo Bilac afirmou que “saudade é a presença dos ausentes.” As pessoas vão, mas ficam em nossos corações. “Naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim.”

 

Na semana passada perdi meu pai e sai apressadamente para Palmas-TO para participar do funeral, momento que sabemos que virá, mas nunca desejamos que aconteça. Ele faleceu com 89 anos e 8 meses. Teve uma vida longeva, viveu em simplicidade, gostava do mato, das coisas simples da roça e vivia um estilo de vida pacífico.

 

Apesar de ter um ofício sacerdotal do qual costumava dizer a centenas de pessoas - inclusive em situações como esta -, não me dispus a fazer a homilia. Achei que as emoções poderiam me trair. No final, dei uma palavra dizendo: “Tá tudo certo! Está dolorido, não é um momento fácil de viver, mas está tudo certo. Deus permitiu que meu pai tivesse uma boa saúde e quando entrou na fase de seu sofrimento com UTI e hospital, ficou apenas 32 dias.

 

Particularmente creio que Deus estava, na verdade, ajudando-nos a entender e lidar melhor com a perda.” Tive uma conversa com minha mãe sobre isso e ela já tinha uma visão clara da realidade. Depois do nosso diálogo, ela entregou meu pai ao Senhor. Um dia após ele faleceu.

 

Estamos agora, como família, reconstruindo e fazendo as adaptações necessárias. Uma

nova dinâmica se impõe, de forma particular para minha mãe que está bem, mas foi casada com ele 68 anos e tem 87 anos de idade. O mesmo Deus que nos sustentou até aqui vai continuar dirigindo as diferentes situações.

 

Novos tempos exigem novas respostas e, graças a Deus minha mãe tem uma compreensão clara do momento. Sua lucidez a ajuda bastante e ela entende que a vida é como um breve pensamento, um conto ligeiro ou, ainda, como a relva da manhã: de madrugada viceja e floresce, à tarde murcha e seca. Ela possui clara compreensão de transcendência. A vida é passageira, mas existe eternidade. Sua fé a faz gigante em tempos de tribulação e dor.

 

Ficam as lembranças, os eventos vividos juntos, as viagens para Formoso do Araguaia nas temporadas de pesca. Sua rede, que ele armava rapidamente e com perfeição; sua capacidade de amolar facas, sua maneira de brincar e até mesmo suas “mamparras” - uma expressão que mamãe usava quando ele reclamava muito de determinada coisa. Nunca ouvi este termo em nenhum outro lugar fora do meu ambiente familiar.

 

“O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.”  (Fernando Pessoa)

O Segredo da Longevidade



 

Colunista da Folha de São Paulo, Silvia Ruiz escreveu recentemente sobre os sete segredos da longevidade baseados em pesquisas científicas.

 

Longevidade não é apenas sobre viver muito. É sobre aumentar a expectativa de vida, porém com saúde e independência. É certo que não é possível impedir o processo de envelhecimento, mas alguns hábitos ajudam a envelhecer com saúde. Genética é importante, mas não é destino. Até risadas e paixão influenciam na longevidade.

 

De acordo com o estudo divulgado pela colunista, há sete hábitos que impactam nosso tempo e qualidade de vida. São eles:

 

1. Movimento - As pessoas se sentem até 20 anos mais jovens quando fazem atividade física regular;

2. Nutrição - Dieta baseada em proteínas e vegetais é a melhor escolha;

3. Controle do Estresse - Oração, meditação, ajudam a controlar este grande mal dos nossos tempos. O estresse tem relação direta com doenças crônicas e envelhecimento precoce;

4. Substâncias Tóxicas - Tirar o cigarro e reduzir o álcool. O ideal, segundo especialistas, é reduzir o álcool ao máximo;

5. Relações  Positivas - Manter elo forte com a família e conviver com os amigos. Relações humanas aumentam a longevidade;

6. Espiritualidade - Fé e religião podem impactar a qualidade de vida no envelhecimento. Reuniões nas igrejas e templos geram senso de comunidade;

7. Risada e Paixão - É preciso cuidar do corpo, mas também da mente e longevidade

 

é alcançada por meio de cuidado integral.

 

Observando todos esses hábitos, vale a pena perguntar: como isso se aplica em nossas vidas?

 

Podemos encarar a velhice de duas formas. De forma pessimista como François La Reochefoucauld: “A velhice é uma tirania que proíbe, sob pena de morte, todos os prazeres da juventude.” Ou de forma otimista como Sêneca: “Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem. Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos anos, estes ainda reservam prazeres.”

 

Estamos envelhecendo de forma produtiva, com celebração e gratidão ou de forma amarga, com ressentimento e amargura? A geração atual está muito focada no cuidado com o corpo, alimentação, academia, cirurgia estética. Todas essas coisas têm seu valor, mas, se observarmos os sete hábitos, veremos que três deles estão relacionados ao cuidado físico e quatro são cuidados emocionais e espirituais. Não estou muito certo de que a geração atual tem cuidado destes hábitos que envolvem o cuidado com a mente, emoções, comunidade e espiritualidade.

Dias Maus




Existem muitos dias difíceis e tristes. A sabedoria bíblica nos alerta para essa dura realidade: “Quem guarda o mandamento não experimenta nenhum mal; e o coração do sábio conhece o tempo e o modo" (Ec 8:5). E também encoraja-nos a otimizar e aproveitar cada oportunidade de forma prudente.

A Bíblia nos adverte sobre os dias maus: "Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus" (Ef 5.15-16). Usar bem o tempo significa aproveitar as oportunidades, ter poder sobre o tempo, resgatá-lo e usá-lo com sabedoria para as coisas que são verdadeiramente importantes. Alguns, parafraseando este texto, afirmam que existem dias tristes, dias maus, dias horríveis e Dias Toffoli.

Aliás, não é de hoje que estamos bem assustados com a direção que o sistema jurídico brasileiro tem tomado, desde que a justiça se politizou. Assusta-me o silêncio do Congresso, o silêncio dos juristas e a cumplicidade da Imprensa. Aquela ideia de que a justiça tem uma venda nos olhos para não perceber para que lado o pêndulo deve se mover nunca foi tão falsa.

Não gosto de escrever sobre política porque tenho visto como as pessoas perdem o bom senso quando a ideologia controla o coração, mas, ao mesmo tempo, fico temeroso de permanecer em silêncio e a própria história nos adverte sobre o risco do silêncio.

Atribui-se a Martin Luther King Jr. a frase: “O que me preocupa não é a maldade dos maus, mas o silêncio dos bons”. No silêncio cúmplice dos bons, a sociedade descamba. Pastor alemão que defendeu a tomada do poder de Hitler, Niemüller disse o seguinte: “Primeiro vieram buscar os judeus. Como eu não sou judeu, não me importei. Depois os comunistas. Como não sou comunista, não me importei. Depois vieram buscar os anarquistas. Como não sou anarquista, não me incomodei. Agora vieram me buscar e ninguém se importa.”

Nesta semana, de forma monocrática, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu medida que tornam nulas todas e quaisquer provas obtidas contra os incriminados da operação Lava Jato. Determinou, também, que se proceda à imediata apuração para responsabilizar civilmente os agentes causadores dos danos, bem como a União.

A decisão do ministro ignora todas as evidências gravíssimas de atos cometidos pelo Estado em conluio com empresas fraudulentas e a novela ainda não acabou. Se é certo que todos os incriminados e condenados em várias instâncias foram vítimas inocentes dos desmandos jurídicos, a União, para ser justa, terá de retornar todo o dinheiro da corrupção e ainda indenizar as “vítimas inocentes.”

Isso não seria justo? Quando a justiça condena um inocente e o coloca na cadeia, ele tem direito a uma indenização altíssima do Estado. Lula “ainda” não entrará com uma ação de “danos morais” porque é presidente, mas logo após sua saída ele e todos seus camaradas, incluindo José Dirceu e empresários culpados, deverão ser indenizados. Existem dias tristes, dias maus, dias horríveis e Dias Toffoli...

terça-feira, 22 de agosto de 2023

O Grande gigante

 



A ONU publicou uma lista dos 17 maiores problemas que assolam a humanidade e que precisam ser vencidos. Estabeleceu também 17 objetivos de desenvolvimento sustentável entre eles a erradicação da pobreza, fome zero, saúde e bem-estar, educação de qualidade, redução das desigualdades e ação contra a mudança global.


Muitos dos grandes “gigantes” descritos pela ONU estão associados às questões da alma, valores e relacionamentos. O vazio existencial tem sido considerado um dos maiores problemas desta geração. 


A questão é desafiadora. Como vencer a falta de sentido e do nihilismo que engole vorazmente a humanidade levando milhares às drogas, alcoolismo, depressão e suicídio? Como lidar com a ausência de sentido e propósito? 


Nossa geração avançou significativamente com pesquisa tecnológica, que proporciona melhores condições de vida e conforto, a produção de alimentos é cada vez mais eficiente com novas pesquisas. Doenças infecciosas como malária, tuberculose, lepra tem sido em boa parte eficazmente. A penicilina, antibióticos e analgésicos, não diminuem as dores e prolongam a vida das pessoas. Casas, carros, transporte, saúde têm permitido melhor qualidade de vida, e as distâncias geográficas foram encurtadas, mas não temos conseguido vencer o gigante da solidão e do vazio. As pessoas estão cada vez mais solitárias, e o suicídio assume proporções pandêmicas. Doenças como depressão, angústia, fobias, transtornos mentais estão saturando os hospitais psiquiátricos e o consumo de antidepressivos assumido uma dimensão perigosa. 


Jean Paul Sartre, filósofo francês, ícone do existencialismo percebeu o grande dilema do vazio: “Nenhum ponto finito faz sentido se não se conectar a um ponto infinito.” Blaise Pascal, matemático, afirmou que “temos um vazio em forma de Deus.”


O autor do livro de Eclesiastes, que faz parte da coleção dos livros sagrados afirma: “Deus pôs a eternidade no coração do homem.” Temos uma sede do infinito, do Eterno, do sobrenatural. 


Billy Graham numa conferência na Rússia teve um encontro privado com Rhaissa Gorbachev, esposa de  Mikhail Gorbachev, que lhe disse: “Nós fomos treinados para não crer nem falar em Deus. Adotamos o ateísmo como parte do sistema educacional, mas mesmo com toda informação, o que me perturba é que não consigo resolver o vazio e a solidão existencial que domina minha alma.”


De fato, a falta de sentido é um gigantesco problema. A ausência de significado e propósito talvez seja o maior e mais desafiador dilema da sociedade moderna. Já no Século IV, Santo Agostinho escreveu com muita propriedade: “Nosso coração foi feito para Deus, e não encontrará descanso enquanto não voltar para Ele.” O vazio da alma humana não preenche com educação, conhecimento, dinheiro e poder. Apenas uma compreensão apropriada do significado e sentido de viver é capaz de vencer este grande gigante.

O importante é ser feliz!

 



A mudança da modernidade para a pós-modernidade, trouxe algumas transformações na forma de pensar. No século XVII Descartes afirmou “Cogito, ergo sum”, (penso, logo existo). O filósofo e matemático questionava a sua existência, e chegou à conclusão de que, se é um ser pensante, então existe, porque ao pensar tem consciência de si próprio.


Na pós-modernidade, o que autentica o ser, é a experiência, ou, se preferirmos, as emoções. Portanto, “se eu sinto bem, logo existo”, ou, “se estou feliz, logo me autentico.” As pessoas acreditam piamente que tem direito a ser feliz. Felicidade é o que os anúncios nos prometem se comprarmos seu produto. É o que o novo amor de nossa vida nos oferece se livrarmos do velho. As pessoas querem ser felizes, e de preferência, com a felicidade ao menor custo possível.


Pouco interessa valores e princípios. Se eu estou interessado em outro relacionamento porque “me faz feliz”, pouco interessa os votos e compromissos assumidos. As pessoas creem que Deus está 100% comprometido com sua felicidade, que é definida não qualquer absoluto, mas pelas emoções imediatas e urgentes. 


O fator definidor da ética atual é a felicidade a curto prazo, imediato, o que importa é ser feliz. Tim Keller chama isto de “Deus de Stepford”, um deus elaborado por nós como acontece no filme “Mulheres de Stepford”, cujas esposas perfeitas eram criadas por seus maridos. Um deus que deseja nos ver felizes da maneira que desejamos ser felizes, que nunca contraria nossos desejos e impulsos.


Neste ambiente, a felicidade é sempre a grande autoridade. E isto nos faz pensar que Deus só quer que sejamos felizes. Sempre pronto a mimar o garoto que deseja desesperadamente alguma coisa e dá chilique se as coisas não acontecem da forma como ele deseja.


Algo curioso, entretanto, tem acontecido. Alguns dos filmes de Hollywood tem demonstrado que a promiscuidade não traz felicidade. De forma surpreendente, são os cineastas não cristãos que tem tentado mostrar esta realidade. “Nos mais diversos contextos, pessoas estão acordando para a verdade de que, viver para fazer a si mesmo feliz aqui e agora, é, na pratica, um caminho certo para garantir a infelicidade no longo prazo”(Ed Shaw)


As pessoas estão sempre mudando de ideia sobre o que traz felicidade. C. S. Lewis escreveu: “Quando queremos ser outra coisa que não aquela que Deus quer que sejamos, devemos estar desejando, de fato, aquilo que não nos fará felizes. Essas exigências divinas que, aos nossos ouvidos naturais, soam mais como as de um déspota e menos como as de alguém que ama, na verdade nos conduzem aonde deveríamos querer ir, se soubéssemos o que queremos.”


Ter a emoção como sinônimo de felicidade, pode gerar engano. Amanhã, você pode entender que sua felicidade deveria estar em outro lugar, e que sua impetuosidade e desejo supérfluo, de não querer sacrificar nada, por acreditar que o critério definitivo deveria ser sua felicidade – ou aquilo que você pensou que poderia gerar felicidade – na verdade só trouxe infortúnio e perda. Felicidade, neste sentido, se torna uma palavra muito vazia e sem sentido.