quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Slow food!

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Desde a década de 80, a sociedade ocidental tem adotado o estilo fast food (comida rápida), que ironicamente tem sido mais fast e cada vez menos food. As vantagens são interessantes: Não temos tempo para preparar, parar, conversar ao redor da mesa, e a gordura saturada possui um sabor muito adequado ao paladar. Além do mais, este tipo de alimentação vem quase pronta, com preço acessível e parece responder à questão do imediatismo moderno.

No entanto, pesquisadores estão questionando cada vez mais os riscos de se comer em pé, apressadamente, comidas pré-preparadas, já que esta atitude e este tipo de alimentação comprovadamente trazem sérios danos à saúde física; mas na geração apressada, com enorme senso de urgência, os esforços tem sido desestimulantes da parte das autoridades, médicos, e instituições que se preocupam com isto.   

Uma nova onda, naturalista, porém, está em franco crescimento. Trata-se do slow food (comida lenta), defendendo que comer não é apenas o ato de saciar a fome, mas há alguns ritos implícitos e salutares em se assentar ao redor da mesa, sem presa, conversar e aguardar os processos nos quais o alimento vai sendo lentamente preparado. Por esta razão sempre comenta-se sobre o sabor da comida da mamãe, que parece ser a melhor comida do mundo, e em certo sentido, isto é verdade. Talvez haja alguns elementos como o riso e a celebração, pessoas amadas, transformem o sabor do alimento.

Meus dois filhos moram em outras cidades. Um no Brasil e outro nos EUA. Quando eles chegam de viagem, naturalmente os convidamos para sair e almoçar fora, mas certamente o melhor prato não é comido nos bons restaurantes que temos na cidade, e sim quando todos decidimos preparar, juntos, a comida, a mesa, os pratos, e ficamos juntos conversando e trocando experiências. O ato demorado de se preparar a comida, e cada um é expert em preparar certos pratos, transforma o ato de comer num encontro excepcional.

Minha filha gosta de preparar comida mexicana, meu filho é expert em assar picanha, minha nora gosta de fazer risoto, minha esposa é especialista em pratos caseiros, gosto de fazer uma costela aprendida com meu sogro, e as receitas são assim compartilhadas e os pratos são devorados com um senso de reverência e alegria. Experimenta-se sacralidade e eucaristia ao redor da mesa, contando casos, lembrando histórias, preparando saladas, lavando vasilha, e tudo é participativo.

O alimento, no conceito da ancestralidade e na experiência tribal, sempre foi um evento comunitário, com efeito sociológico em cada cultura específica. Por isto nos recordamos das cenas recorrentes nos filmes que resgatam esta dimensão antropológica. Come-se devagar, gasta-se tempo ao redor da comida, conversa-se muito, reparte-se a comida, decide-se e celebram juntos. Isto não é possível com o sanduiche apressado na mão, conversando pelo telefone, andando pelas ruas ou em pé diante do balcão, acreditando que parar e comer é um atraso na produtividade e efetividade profissional. Pelo contrário, seremos mais saudáveis e certamente mais efetivos, se entendermos que a comida é melhor, quando não estamos escravizados pela tirania do urgente.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Dúvida como expressão de fé

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Ao ler os Evangelhos observamos que poucos dos que andaram ao lado de Jesus demonstraram fé inabalável. João Batista, na hora da crise titubeou; Pedro o negou; Judas o traiu; Tomé não acreditou quando lhe falaram da ressurreição; os demais discípulos não acreditaram no relato das mulheres que foram as primeiras testemunhas de que ele havia saído do túmulo para a vida. A maior censura de Jesus aos discípulos foi quanto à “falta de fé”. Os fieis nem sempre se mantiveram firmes na hora da provação.

Observa-se uma lógica inversa: Aqueles de quem se esperava fé ousada e profunda, muitas vezes estavam inseguros e pusilânimes, enquanto os que viviam perifericamente o ciclo da espiritualidade, revelaram profunda intrepidez e segurança. Em outras palavras, os “crentes” descriam e os “incrédulos” afirmavam sua fé.

No relato do centurião romano, militar estrangeiro invasor, que fazia parte da cúpula dominante da Judeia, pediu que Jesus orasse pelo seu servo enfermo e quando ele se dispôs a encontrá-lo ouviu deste militar uma declaração tão surpreendente que Jesus afirmou: “Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como essa”. A surpresa talvez se desse porque como estrangeiro era pouco provável que tivesse uma fé grandiosa.

Outra mulher cananéia, também estrangeira, mostra uma fé tão firme que Jesus afirmou: “Ó mulher, grande é a tua fé!”. Parece que os “estrangeiros e distantes”, eram capazes de reconhecer o Messias e demonstrar sua fé de uma forma tão espontânea que tais histórias se tornam ameaçadoras para nós, supostamente os que cremos.

Tenho encontrado muitos “crentes incrédulos” na minha caminhada, ao mesmo tempo, muitos “ateus crentes”. Na verdade ainda não encontrei nenhum ateu que no meio da dor e do luto olhasse a vida serenamente e dissesse: “Não creio em nada e por isto estou muito seguro”, pelo contrário, tenho aprendido a respeitar a falta de fé e considerar a dúvida como expressão de fé. Tenho ouvido lindas e espontâneas confissões de onde não esperava, e eventualmente uma dubiedade e fragilidade quanto a fé de gente religiosa e beata. Como bem afirmou Mario Quintana: “Mas que susto não irão levar essas velhas carolas se Deus existe mesmo”. Sei que isto é um tanto dialético e paradoxal, mas me parece muito sensato.

No nascimento de Cristo, os “magos”, gente espiritualizada e distante das tradições e profecias judaicas, desenvolveram uma sensibilidade quanto ao sagrado, e chegam até Belém para ver o rei que estava nascendo, enquanto os escribas e religiosos de Jerusalém, que ficavam a 12 Km de Belém, não perceberam. Os magos foram mais crentes que os líderes religiosos.

Muitos talvez estejam titubeando entre a fé e a dúvida, mas este ato de duvidar, revela a centelha da fé. Dúvida é uma forma de crença. Muitos se identificam prontamente com o homem hesitante que declarou a Jesus: “Eu Creio Senhor, ajuda-me na minha falta de fé!”. Como afirmou Philip Yancey: “Uma curiosa lei do avesso parece operar nos evangelhos: a fé aparece onde menos se espera e vacila onde deveria florescer”. 

Tempo e Modo

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Já ouviram falar de mindfulness? Trata-se de um novo conceito empresarial na moda, que procura dizer verdades antigas com roupagem moderna. Seminários e palestras tem sido ministrados atualmente para cargos de liderança em grandes empresas que sempre precisam discutir assuntos de interesses variados, com  discussões apaixonadas e fortes debates. 

Mindfulness se refere ao auto conhecimento que a pessoa precisa ter sobre si mesma no ambiente onde se encontra. É a capacidade de saber participar da discussão, levando em conta o nível do debate, as pessoas envolvidas e o clima da reunião. Quando se considera estes elementos, é possível fazer uma análise mais sensata, saber segurar e esperar para falar na hora certa, com uma palavra apropriada.

Trata-se da capacidade de ter o nível de informação adequado sobre o clima da reunião. O que os outros sabem e porque estão falando. Muitas vezes isto exige controle sobre o próprio corpo, para assim dominar a ansiedade e o nervosismo e se adaptar ao ambiente. Numa reunião empresarial existe muito jogo de ego, e dependendo da forma e da hora em que você falar, o outro vai resistir e não aceitará suas sugestões e suporte, antes se tornará antagonista e opositor.

Não é interessante perceber que estas mesmas verdades foram ditas há muito tempo atrás nas Escrituras Sagradas? Veja o que diz este texto de Eclesiastes: “O coração do sábio conhece o tempo e o modo” (Ec 8.5). Não apenas o tempo, a hora certa; mas também o modo, a forma de tratar as coisas e emitir suas opiniões.

Não é muito fácil equilibrar estes dois elementos. Muitas vezes fazemos no tempo certo, do modo errado; outras vezes fazemos do modo certo, no tempo errado. Pense no efeito prático disto para o seu meio profissional e relacionamentos interpessoais. O seu colega está se comportando de forma equivocada, ou fazendo as coisas sem o conhecimento pleno. Você tem percebido isto já faz algum tempo, e tem vontade de dizer, mas teme sua reação, então, na primeira discussão, na hora em que ambos se encontram irritados, você vomita suas ideias e decide falar. Provavelmente no tempo errado e de forma errada. Ele não vai te ouvir porque está zangado (tempo), e porque as verdades vieram da forma errada (modo). Você errou de duas formas. Não considerou nem o tempo, nem o modo.

Leve isto para o campo familiar. Algumas coisas precisam de reajuste. Você acha que seu cônjuge não está fazendo as coisas corretamente, então, espera o momento certo e do jeito correto, procura dizer aquilo que você acha que precisa ser ajustado. Isto pode produzir um efeito bem mais positivo do que quando dito de forma raivosa, num contexto de apaixonada e agressiva discussão.

Por isto vale muito a afirmação: “O coração do sábio conhece o tempo e o modo” (Ec 8.5). Isto tem a ver com mindfulness.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Dor crônica ou aguda?

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Quando jovem (e não faz muito tempo assim...), tolamente dizia “preferir uma dor aguda a uma dor crônica”. Deixe-me explicar.

Por dor aguda refiro-me ao sofrimento intenso, porém curto, como um apendicite ou cólica renal, típicos de dores agudas e intensas, que quase enlouquecem, mas que se diagnosticados corretamente, realiza-se o procedimento adequado e logo vem a recuperação. A dor passa e chega-se à normalidade.

Por dor crônica, refiro-me àquela sensação prolongada, que vai se arrastando dia, meses e anos, sem solução. Eventualmente não é uma dor intensa, mas se parece com uma leve artrite, uma dor muscular, que dura longos períodos, e sempre aparece para lembrar que ainda está presente. Eu tenho uma dor na perna esquerda que já dura quase 3 anos. O médico não conseguiu dar um diagnóstico, o raio X nada revelou, e confesso que não fiz nenhum esforço maior para aprofundar os exames médicos e descobrir o que está acontecendo, e como a dor é pequena, embora incômoda, acho que inconscientemente desisti de buscar a solução e preferi me adaptar. Complicado, não?

Com a idade, entretanto, cheguei à conclusão de que não gosto de dor de jeito nenhum. Toda enfermidade gera enorme senso de impotência e ficar doente revela toda arrogância e independência humana. Depender dos outros, perceber que o corpo não se dispõe a agir, prostrar-se numa cama ou num leito de hospital é sempre uma experiência desencorajadora. A dor, seja ela crônica ou aguda, desestrutura, ainda que nem sempre, a dor seja ruim. A ausência da dor em alguns casos, pode ser devastadora. Uma das doenças mais horríveis da história humana, a hanseníase, leva o ser humano à perda da sensibilidade de seus axônios deixando-o vulnerável e colocando-o em risco, exatamente por não sentir dor.

A verdade é que a dor sempre traz desequilíbrio, entretanto, dores prolongadas causam enorme impacto na vida, sejam tais dores físicas ou emocionais. Tenho acompanhado relacionamentos doentios, sustentados por provocações mútuas, as feridas vão se perpetuando e gerando novas mazelas. Um emprego que rouba a criatividade, um casamento no qual os cônjuges decidem se tornar inimigos e complicar a vida do outro, um negócio mal resolvido que dura uma eternidade. Meu amigo Neander Coelho diz que “é melhor um fim pavoroso do que um pavor sem fim”.

Ninguém pode se manter saudável em longos processos patológicos. Algumas pessoas se tornam um lixo nestes processos mal resolvidos. É comum vermos pessoas tentando sustentar um casamento que já acabou dez anos atrás, e durante este tempo as feridas só vão aumentando porque nenhuma das partes faz concessões, ou resolve quebrar o ciclo do mal, e neste processo de raiva e mágoa, incapazes de perdoar, tentam manter a aparência sem um adequado desfecho da situação.  


Certamente a dor nunca é desejável, mas é necessário virar a página do ódio, acusação e culpa para se buscar uma alternativa à vida e à celebração. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A Terapia Necessária


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Todo ser humano precisa de terapia, em certo nível.

Estou usando o termo “terapia” não necessariamente como uma ajuda profissional, feita por pessoas com alto nível de treinamento acadêmico e psicológico, que certamente é válido e tem um lugar todo especial na saúde emocional, mas refiro-me à capacidade de encontrar espaço e pessoas onde a dor possa ser manifesta, sem que haja condenação e julgamento. Todos precisamos de alguém para poder falar da dor sentida. Se não há ambiente para auto revelação, confissão, admissão de culpa, medo, vergonha ou raiva, é fácil introjetar a dor e adoecer severamente.

Algumas culturas, étnicas, religiosas, familiares e comunitárias,  são mais propensas a criar este “espaço terapêutico”, enquanto outras, co-dependentes, legalistas e moralistas, tendem a impedir que a dor seja revelada. O resultado será sempre a amargura, a raiva não elaborada e o adoecimento físico.

Considere por exemplo a cultura negra e a branca nos EUA. Estudos revelam que a psicoterapia profissional teve uma penetração muito mais forte no meio dos brancos que dos negros. Por que? A cultura branca tende a ser mais individualista, valoriza demais a privacidade e a reputação, enquanto a cultura negra é mais comunitária e participativa. Entre as famílias negras, é fácil encontrar a figura de um “conselheiro”, que pode ser o avô, uma tia, ou até mesmo alguém que passa a ser considerado por todos como capaz de orientar, apoiar, censurar e questionar. Este personagem familiar torna-se a referência terapêutica da família, e ajuda muito nos processos de escolha, decisões e crises pessoais ou relacionais.

A Igreja Católica desenvolveu a ideia da confissão, na qual o paroquiano admite seus erros ao sacerdote. Neste ambiente de sigilo e preservação de segredos e privacidade, muitos são curados pelo simples fato de dizer: “Pequei”. A admissão da falha, e a penitência que consiste de alguns atos religiosos, traz cura e catarse, ainda que tais métodos, historicamente, tenham sofrido certas distorções e equívocos.

Precisamos de espaços para admitir a dor, confessar a culpa, expressar a raiva e ressentimento. Precisamos de terapia. Encontrar alguém que nos ouça e eventualmente nos questione e censure, gestos, comportamentos e atos, pode ser libertador. Quando não somos capazes de entrar em contato com a dor, eventualmente explodimos. Por esta razão é que não raramente ouvimos falar de pessoas que tiveram uma crise desproporcional de raiva ou se divorciaram, embora os sinais desta erupção vulcânica emocional nunca tenham sido percebidos pelos amigos e parentes.

Quando isto acontece é porque falta espaço para dizer: “tá doendo!” ou “não sei como fazer”, ou “errei, pequei” e ainda “preciso de ajuda”.  


A Bíblia fala da confissão como um meio de cura. Este processo terapêutico, porém, precisa de canais, ambientes, espaços e ambientes. Afinal, todos precisamos de terapia.

Sabedoria Judaica

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Existem coisas que só culturas milenares conseguem elaborar. Pesquisas científicas, gráficos e análises modernas feitos por sistemas parecem não discernir tais verdades, ou ficam no campo da superficialidade. Por esta razão, culturas ancestrais que foram desprezadas começam a ser ouvidas novamente, existe um certo senso de busca da sabedoria dos povos antigos, ouvir tradições, ler textos antigos.

Recentemente, uma publicação de autores brasileiros, William Douglas e Rubens Teixeira, “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso”, fizeram muito sucesso. Eles se propuseram a “usar a sabedoria da Bíblia para transformar carreira e negócios”. Não parece meio sem sentido? No entanto, já haviam sido vendidos mais de 120 mil exemplares em 2012, certamente o número já é muito superior a isto.

Luiz Felipe Pondé declarou que, apesar de ser ateu, está cada vez mais fascinado com a sabedoria judaico-cristã. Resgatar alguns destes princípios e viver de acordo com eles, podem revolucionar a trajetória de vida. Precisamos lembrar que a verdade não está no novo nem no velho, mas no eterno. Bons princípios e legados transcendem gerações, culturas e línguas. Um princípio sólido permanece para sempre, o que é palha se dispersa. Por isto é que boas músicas, receitas e temperos nunca perdem o prazo de validade.

A sabedoria judaica é repleta de pérolas valiosíssimas, vindo das tradições talmúdicas e dos escritos sagrados: Torah, Hokma e Nabiim (Lei, Sabedoria e profetas), hoje gostaria de pincelar uma antiga tradição sobre um assunto que geralmente interessa muito ao homem capitalista do Século XXI, e que contraria algumas das teses tolas de acúmulo que o capitalismo selvagem ensina. Você não precisa concordar com elas, mas vale a pena, pelo menos, refletir:

Primeiro, Faça dinheiro – Dinheiro não surge espontaneamente nem nasce em árvore, é necessário inteligência e habilidade, descubra como o dinheiro pode surgir (sem que você tenha que falsificar notas...) Trabalho, diligência e criatividade sempre foram elementos positivos para que o dinheiro se torne uma realidade. A Bíblia fala que “pela muita preguiça desaba o teto do displicente”.

Segundo, Guarde – Não gaste tudo. É necessário se planejar para os dias difíceis, épocas de secas e geadas. Nem sempre é possível ganhar, existem épocas de perdas. Algumas colheitas são prósperas, mas muita semente deixou de produzir por condições instáveis da natureza. A Bíblia recomenda para que observemos o comportamento das formigas, que na época da sega, colhem, sabendo que virá a época de chuva e neve.

Terceiro, doe! – Isto parece um contrassenso, mas já observaram que culturas prósperas sempre foram generosas? A cultura do acúmulo, dificulta que os outros também ganhem. A natureza é rica e pródiga, capaz de abençoar a todos. Usura, ganância excessiva, abuso dos ricos e a exploração sempre se transformam em bumerangues com o passar dos anos, e os efeitos costumam ser terríveis. Uma nação de pobres não tem paz, uma cultura oligárquica e avarenta massacra as pessoas e gera desatinos sociais. Deixe os outros ganharem. Esta é uma boa regra!

Faça o dinheiro trabalhar por você, aplique! – Não apenas trabalhe, mas coloque seus recursos a seu favor. Existem pessoas com grandes capitais sem usufruir do potencial econômico que possuem, não sabem colocar os bens para frutificarem. Jesus conta a história de um homem que recebeu seu talento (uma medida monetária judaica), e o enterrou na terra. Deus o censura dizendo: “Por que você não colocou, ao menos, o dinheiro na mão dos banqueiros, para que quando eu viesse eu recebesse com juros?”

Esta é parte da sabedoria judaica. Não é difícil imaginar porque se tornaram uma nação tão próspera... 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Era do Ressentimento

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Luiz Felipe Pondé é um filósofo ateu da USP, que mantém uma explícita e intencional ambiguidade em relação ao Sagrado. No seu recente livro, A Era do Ressentimento, afirma: “Apesar de não ter fé, considero Deus muito inteligente”, e assim, numa empolgante dialética entre o não-crer, que ele adota, e o crer, que ele contraditoriamente abriga, faz alguns ensaios surpreendente sobre a vida, cosmovisão, ética e religião.

Para ele, esta geração é ressentida, mimada e auto centrada. Acreditando que tudo e todas as coisas devem girar em torno de suas necessidades e desejos, sem conseguir suportar frustrações nem enfrentar crises porque se julgam merecedoras de uma atenção especial, e que não podem ser contrariadas por qualquer motivo porque são facilmente ofendidas.  Ele declara que “nossa época, com suas luzes e seus direitos, será lembrada como um período de trevas por conta de nossa irrelevância, causada por preocupações excessivamente pessoais. Gente medíocre a nossa volta que imagina um mundo de gente feliz”, a quem ele chama de “idiotas do bem”.

Pondé descreve um pouco deste cenário: “O filósofo alemão Horkheimer dizia que somos uma raça de abandonados, são vários os sintomas desta raça, entre eles, o ressentimento. Exigimos uma importância maior que temos no universo (...) Os ressentidos culpam os outros ao invés de assumirem a própria vida (...) Daqui a 1000 anos nossa geração será lembrada como mimados, ressentidos e covardes”.

Ele continua: “A elevação dos direitos e benefícios tangíveis leva as pessoas, inevitavelmente, a uma mentalidade vil que oscila entre ingratidão, na melhor das hipóteses – pois porque razão elas deveriam ser gratas por receberem algo que é um direito – e na pior das hipóteses, ressentimento”.

Você já parou para considerar quão perigosa é a armadilha da amargura, ressentimento e vitimismo? Quando adentramos a estrada da auto piedade e auto comiseração penetramos uma rota da ingratidão e perda da celebração. Como dizia Norman Vincent Peale: “Ser agradecido faz todas as coisas melhores!” Já viram pessoas lamurientas com capacidade de celebração?  Mesmo quando as coisas estão bem, e as circunstâncias favoráveis, elas logo encontrarão motivos para reclamaram e falarem mal. Não é a situação que está ruim, mas o coração.

Pondé ainda afirma: “Quero apontar o fato evidente de que as manias de luxo dos mimados ocidentais os fazem crer ser possível fazer alguma diferença com suas causas no facebook (...) Nos afogamos em mimos de gente rica e chique que falam de um mundo melhor enquanto tomam vinho chileno com segurança”.


Portanto, tome cuidado com o ressentimento, afinal “O ressentimento é a única emoção humana que pode durar a vida inteira, pois provê infinitas justificativas para suas más ações”.