quarta-feira, 5 de março de 2014

Como vencer o mal?


Miroslav Volf , teólogo Croata e professor da Yale University, escreveu o intrigante livro, O fim da memória no qual desenvolve a concepção de que, para que o mal se perpetue, são necessários dois processos: Primeiro, que alguém o pratique; segundo, que alguém resolva perpetuá-lo.
Para entender esta questão, dois exemplos simples:
a.      Se o mal é praticado contra alguém, e esta pessoa não perdoa, ele se perpetua na mágoa, no ressentimento e no ódio. Assim ele continua ativo. Se houver perdão, porém, o mal é interrompido e perde a sua eficácia, deixando de existir;
b.      Se o mal é praticado, e a pessoa responde com vingança, e dá uma resposta igualmente ferina, ele pode entrar num círculo quase infinito de ação/reação, durando eventualmente, décadas, já que tem o poder de ser transmitido de uma geração para outra.
O perdão, nestas duas situações, encerra o ciclo de destruição e malignidade. Foi isto o que Cristo fez na cruz. Ele assumiu no seu corpo o mal sofrido, e desta forma, destruiu o poder do mal ao afirmar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Apesar de toda injúria, vergonha e violência sofrida, ao perdoar encerrou o efeito do mal, conforme profetizou Isaías: “Pelas suas pisaduras fomos sarados”. Apesar de sua humilhação e sofrimento, ele não permitiu que o mal prevalecesse, mas sua dor se transformou em elemento de cura. O mal foi vencido.
Para vencer o mal, precisamos interromper o ciclo do processo maligno que iniciou em algum ponto. Quando reagimos ao mal com vingança e ódio, nós o energizamos; quando perdoamos, ele perde o seu efeito.
Como isto pode ser percebido no casamento? Quando o mal é praticado, a tendência imediata é revidar. Fazemos isto silenciosamente ou esbravejando. A partir deste momento, a magia se quebra e entramos num ciclo de conspiração, afinal fomos feridos. O que fazer? Perdoar, sofrer o dano, ficar no prejuízo ou reagir de forma violenta ou amargurada? Afinal de contas, temos ou não temos o direito de estar zangados? Se não houver uma ruptura deste processo vicioso do mal em nossos lares, ele tende a se perpetuar. É assim que casais enamorados começam a se odiar e ferir.
Certa mulher depois de ser traída pelo marido, passou meses por intensa dor. Sentia-se humilhada e ferida, sua auto-imagem foi destruída e sentia muita raiva do marido. A vida dentro de casa tornou-se um inferno. Um dia, porém, tomou a seguinte decisão: “Eu preciso perdoá-lo para continuar a viver”. Imbuída desta atitude, conseguiu perdoar, interromper o ciclo do mal e o casamento foi salvo.
O mal, penetrando nas relações nos torna mesquinhos. Talvez seja esta a alusão a que se refira Dt 28.56: “A mais mimosa das mulheres e a mais delicada do teu meio, que de mimo e de delicadeza não tentaria por a planta do pé sobre a terra, será mesquinha para com o marido de seu amor, e para com seu filho, e para com sua filha”. O mal tem o poder de nos embrutecer, de transformar a pessoa mais delicada em alguém maligno e estranho.
O mal atinge e danifica na essência os afetos. Desta forma, maridos feridos, passam a tratar suas esposas amadas com ressentimento e amargura; mulheres machucadas passam a hostilizar o marido dentro de casa e a puni-lo com abstinência sexual ou ausência psicológica. O leque do mal se amplia, e a mesquinharia torna-se o enredo de um lar onde reinava o amor.
A exortação bíblica é: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.21). O mal pode dominar, aninhar-se em nós, e estabelecer o padrão de conduta e atitudes, ou optamos para não sermos dominados por eles. O mal tem o poder de perpetuar-se e tornar-se absoluto em nossa história. Precisamos vencê-lo com o bem. “O ponto não é quem precisa mudar. O ponto é quem está disposto a mudar” (Storme Omartian, o poder da esposa que ora, São Paulo, Ed. Mundo cristão, 1998, pg 30)
Os versículos anteriores nos ensinam como vencer o mal: “Não torneis a ninguém mal por mal” (Rm 12.17). O problema é que nosso impulso natural é agir exatamente assim. Se alguém nos faz o mal, queremos demonstrar nossa indignação e retribuir com a mesma moeda. Logo em seguida, o texto afirma: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18). Observe o uso do advérbio de intensidade, quanto. O texto não fala do advérbio de tempo, quando, mas dá a ideia de que algo intencional precisa ser feito, se quisermos ter paz e vencer o mal. Isto exige esforço e perseverança. “Perdão é aumentativo de perda, por isso é tão difícil perdoar” (Neil Barreto).
Para vencer o mal, dentro de casa e nos relacionamentos, resta ainda outra orientação: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira (de Deus, subentendida); porque está escrito: a mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19). Quando perdoamos, deixamos de querer vingar e retribuir, este problema do mal sofrido passa a ser algo que Deus, e apenas ele, pode resolver.
Quer vencer o mal?
Lembre-se! O mal precisa ser interrompida e perder sua eficácia.

O perdão é a único caminho possível. Foi isto o que Jesus fez na cruz. Ele assumiu nossa culpa e vergonha, tomou sobre si o nosso pecado, e morreu a nossa morte. Ali o mal sofreu sua mais impactante derrota. Ele perdeu o poder porque seu ciclo foi definitivamente quebrado.

domingo, 2 de março de 2014

O triunfo do bem



Existe uma afirmação na Bíblia que parece simples demais e absolutamente correta, mas que na vida cotidiana, quase nunca temos coragem de exercitá-la: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem!”. Apesar de parecer óbvia esta afirmação é provocativa e inquietante.
A primeira pergunta honesta que nos vem ao coração é: “O bem pode vencer, de fato, o mal?” Pense cuidadosamente antes de responder afirmativamente a esta pergunta.
Considere sua vida em casa ou no trabalho. Imagine que seu cônjuge ou colega de trabalho sempre te maltrata, tratando com rudeza, indiferença ou grosseria. Você crê que o bem vence o mal, então passa a responder com atitudes do bem, mas apesar disto, o mal se intensifica. Quanto tempo você acha que será necessário para retrucar no mesmo nível da agressão sofrida? Mas você disse que o bem vence o mal, por que então desistiu tão rápido?
Se você reage de forma igual e contrária, sua atitude certamente não estará baseada no bem, mas no mal. Você fez isto porque se esqueceu, ou realmente não acredita, que o bem tenha capacidade de vencer o mal. Uma senhora muito querida costuma dizer: “Quando eu sou boa, eu sou mais ou menos; mas quando eu sou má, eu sou ótima!” Na hora da provocação sua frase característica será “eu não tenho sangue de barata”, ou “ela vai ver agora, com quem está falando!” O mal parece ter uma concretude e ser bem mais diretivo que o bem. O bem parece frágil e pusilânime demais diante da maldade.
O segundo aspecto a ser considerado é a procedência desta ordem: “não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem!”. Quem está dando esta voz de comando? Esta ordenança vem do nosso General. Ele é o estrategista de guerra, ele sabe as armas que são mais eficientes e que devemos usar. Como soldados rasos, porém, não raramente ficamos questionando as ordens recebidas, quando deveríamos apenas obedecer o que ele ordena.
Em Lucas 10.4 vemos este princípio de uma forma chocante. Quando Jesus designa os 70 para o trabalho de evangelização, ele dá uma ordem absurda: “Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos”. Não lhe parece muito desigual? Uma frágil ovelha sendo conduzida para uma alcateia? Que metáfora estranha. Preferiria que ele tivesse dito: “Eis que vos envio como lobos para o meio de ovelhas”. Esta sim, é uma expressão mais confortável.
O que pode fazer uma ovelha no meio de lobos senão ser estraçalhada silenciosamente? Ovelha não tem defesa, é impotente diante dos lobos. Só existe uma coisa neste texto que é confortável: O pastor vai junto com suas ovelhas. Sem o pastor, a ovelha é mera vítima.
“Não te deixes vencer do mal”. O Nosso General afirma que podemos vencer o mal com o bem, e é desta forma que ele deseja que caminhemos para a batalha. Ele ensina que a luz vence as trevas, por mais densas que sejam. Se não acreditarmos nas suas palavras, nunca usaremos as frágeis armas do bem, que se tornam poderosas em Deus. Estaremos sempre lutando com o inimigo com o mesmo calibre que ele usa, mas o nosso Mestre nos diz que estas armas do mal, são inadequadas para nós. Por isto a exortação: “Como filhos da luz, andai na luz!”

Tente colocar em prática, na sua vida, esta simples arma que lhe foi dada por Deus. Diante das afrontas, acusações, injustiças que você acha que tem recebido, tente usar outras armas, não da injustiça e das trevas, mas da luz e do bem. Será que estas armas são capazes de vencer o mal? Só há uma forma de saber: precisamos agir com as armas do bem, confiando na capacidade do nosso general em nos dar sua voz de comando.

Fato sempre gera sentimento


C. S. Lewis faz a seguinte proposição filosófica: “sentimento nem sempre gera fato, fato sempre gera sentimento!”. Esta dupla afirmação é uma das mais eficientes e revolucionárias fórmulas para reorganizar nossas emoções e restaurar relacionamentos.
A primeira parte desta afirmação aponta para o fato de quão inútil podem ser nossos sentimentos para realizar o bem, quando não se transformam em atitudes. Você pode sentir muito dó de determinada pessoa, ver o estado deplorável de uma criança de rua, uma pessoa abandonada ou necessitada, e isto pode até chocar sua sensibilidade e levar você às lagrimas, mas não necessariamente a tomar uma ação concreta para cuidar e proteger. Você sentiu muito, mas sua emoção não gerou nenhuma atitude – não gerou fato.
A segunda parte diz que “fato sempre gera sentimento”. Esta é uma afirmação um pouco mais complexa.
É fácil entendermos que atitudes saudáveis geram emoções saudáveis, em nós e nos outros, pois quando fazemos aquilo que é certo e amoroso, tal atitude gera dividendos positivos. Mas existe, em contrapartida, alguma coisa em nós que se torna um problema: “Não gostamos de fazer algo quando não queremos fazer”. Eventualmente não sentimos vontade de fazer o bem. Nos defendemos afirmando que “não queremos ser hipócritas”, e que “não podemos fazer nada se não estamos sentindo!”
Veja como esta questão pode se tornar complicada. A Bíblia afirma que “se o teu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber” (Rm 12.20). Pergunte a si mesmo, honestamente: Eu realmente tenho vontade de fazer o bem para aquele que me considera inimigo, ou para alguém de quem me sinto inimigo? Naturalmente, não.  Se ele morrer de fome, problema dele, posso me justificar dizendo que não fui o responsável. Se morrer de sede, posso ficar ainda mais satisfeito, porque o sofrimento foi mais cruel e intenso. Ninguém quer fazer o bem ao inimigo. Portanto, a bíblia parece nos ensinar que amor não é fruto do sentimento, mas da vontade. Eu decido amar! Amor não tem a ver com sentimento, mas com obediência. Amor não é uma emoção, mas uma prática.
Então, faça o que Deus lhe ordena fazer. Apenas obedeça. Se o seu coração lhe dizer Não (Sentimento), ainda assim faça! (Atitude).
C.S. Lewis fala de fazer o bem “as if” (como se) o amor já estivesse presente. Ele afirma que quando fazemos o bem, porque temos que fazê-lo, e não porque o sentimento está presente, ocorre algo surpreendente no coração de quem faz e de quem recebe. Este fato, sempre gera sentimento.
Para exemplificar, ele usa o negativo exemplo do povo alemão, que desenvolveu ódio pelos judeus, por isto, resolveu persegui-los e exterminá-los. Eles estavam sendo honestos com o sentimento que tinham. Era de se esperar, portanto, que depois que vingassem de forma tão cruel como fizeram com a prática do genocídio, eles finalmente encontrassem certa satisfação interior. No entanto, ficaram ainda com mais ódio dos judeus e da vida.
Quando você faz o bem (amor não é sentimento, mas prática) o sentimento que você ainda não tem, virá. Atitudes de amor, geram sentimentos de amor.
Veja como isto tem implicações poderosas no relacionamento familiar. O marido sente-se ferido pela esposa, então, ao invés de reagir às provocações, age com bondade e ternura. Este amor demonstrado tem o poder de curar, restaurar e fazer brotar amor no outro. O seu comportamento de amor gerou no outro um sentimento de amor, pois fato sempre gera sentimento. Se este princípio for aplicado ao relacionamento em casa, será capaz de transformar a história de competitividade e luta, em doação e entrega.

Será que este princípio é realmente válido? Só há um jeito de saber. Coloque-o em prática!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Estações da vida



É maravilhoso observar a forma equilibrada, harmônica e previsível com que a natureza se movimenta. Como me alegro em ver as mudanças climáticas e as estações definidas. Esta previsibilidade e estabilidade ajuda a planejar a vida, e a fazer investimentos, organizar as férias, etc. A Bíblia afirma que Deus “nunca deixou que de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-nos chuva e estações frutíferas”.
Imagine se o agricultor não pudesse antecipar o período de estio e de chuvas? Como seria possível arar, plantar e esperar o crescimento das plantas se não esperasse este movimento harmônico?
Cada estação trás novos e vitais insights para vida. O inverno nos convida à reclusão e silêncio, levando-nos a uma maior reflexão e reverência; a primavera, com suas flores e aromas específicos, prenuncia renovação e esperança; o verão, com o calor convida ao descanso, atividades físicas, contacto com a natureza e ao relaxamento do corpo; o outono, sinaliza para a ocasião de um tempo de transição e reflexão.
Assim é a nossa vida.
Existem dias em que somos convidados à celebração, às viagens, ao descanso. São dias de sol e esplendor; noutros, passamos por angústias e temores, pressões e medos. São dias sombrios e densos, quando o céu se enegrece e se torna de chumbo; noutros, os sofrimentos são tão grandes que não imaginamos ser possível suportar, vem as chuvas, temporais e fortes ventos, mas a chuva que cai renova o terreno árido da alma, desfaz as grossas nuvens deixando que o sol apareça novamente. O segredo é não se desesperar com os dias sombrios e escuros. “O choro pode durar a noite inteira, mas a alegria vem ao amanhecer”.
São muito sábias as palavras de Eclesiastes: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz”.

Não se esqueça: Amanhã, vai ser outro dia! A vida se renova, o inverno não dura para sempre. O sol vai novamente brilhar, o inverno vai passar e as flores vão brotar novamente, num movimento de leveza e graça deste ciclo continuo que completa as estações da vida.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

1914-2014



Neste ano relembramos os 100 anos que nos separam da Primeira Guerra Mundial (28 de Julho de 1914), indo até 11 Novembro de 1918. Foram quatro anos e meio de grandes disputas e perdas valiosas de vidas e bens. Durante este tempo, várias nações da Europa estiveram envolvidas nesta amarga experiência, deixando um rastro de dor poucas vezes conhecida.

O estopim do conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs. O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e declarou guerra à Servia. O Brasil também participou, enviando para os campos de batalha enfermeiros e medicamentos para ajudar os países da Tríplice Entente.

A guerra gerou aproximadamente 10 milhões de mortos e o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, e causou grandes prejuízos econômicos. Centenas de famílias foram destruídas e crianças ficaram órfãs, os EUA tornaram-se o país mais rico do mundo e fragmentou-se o império Austro-Húngaro. 

Curiosamente, a virada do Século XIX, principalmente entre os anos de 1870 e 1914 ficou conhecida como Belle Epóque (Bela Época). Um período de grande euforia, progresso econômico e tecnológico. Grandes formulações teóricas como Marxismo, Existencialismo, Psicanálise e o Darwinianismo surgem neste período, porém, todo esse clima de festa escondia fortes tensões que viriam a deflagrar a Grande Guerra.Tragicamente, logo depois, viria ainda a II Guerra Mundial, iniciando um novo ciclo de calamidade em menos de 15 anos, demonstrando toda crueldade humana. O mundo percebeu que a barbárie e o impulso para a violência nunca se apartara da decadente raça.

Desfez-se assim, o mito da bondade humana. Tornou-se claro que havia algo muito errado no coração do homem. Embora as grandes conquistas industriais e novas formas de tecnologia estivessem facilitando a vida, como o avião, o carro a motor, o telefone, a lâmpada incandescente, o ser humano não resolvera ainda sua trágica questão moral e espiritual: A inveja, o ódio, a cobiça, estavam presentes.

Jesus advertiu: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malicias, o dolo, a lascívia, a inveja, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23)

A proposta de Jesus para a cura de nossa falta de sentido, o vazio, a busca tresloucada por sucesso, fama, supremacia, não se encontra em ter mais posses, acumular mais títulos, conquistar mais. A proposta dele consistia numa ação mais duradoura e perene. “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.31,32). A cura do meu mal, da dor que não cessa, do caos interno que se reflete nos meus comportamentos auto destrutivos e que ferem os outros, se encontra na restauração da minha natureza pela ação graciosa de Deus. Se você estiver nesta ciranda mortal, sem esperança, peça sua ajuda a Jesus. “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância!” Esta vida que ele prometeu, pode ser sua! Gratuitamente.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

CONTENTAMENTO


Ultimamente tenho refletido sobre o nível de descontentamento entre amigos e pessoas de minha comunidade. Tenho a sensação de que somos uma geração descontente: Os magros querem engordar, os gordos querem emagrecer; os altos se sentem desajeitados, os baixinhos gostariam de ter algum centímetro a mais. Vejo crianças e jovens descontentes com seu corpo, com a vida e com Deus. Vivem na rua da amargura lamentando, lamuriando. Tornam-se auto-centrados, obcecados consigo mesmos e profundamente descontentes.
Falta alegria! Algo genuíno, profundo. Parece que Jesus detectou este mesmo sentimento nos seus discípulos ao lhes perguntar: ‘‘Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso de sua vida?’’ Côvado é uma medida. Estaria Jesus se referindo a alguns discípulos que tinham problema com estatura?
Estudiosos do comportamento humano chegaram à conclusão de que o apóstolo Paulo teria sido o homem mais feliz da terra, por causa de uma declaração que fez sobre seu estado de espírito: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei viver em situações de abundancia como de escassez” (Fp 4.11-12).
Não é fácil viver com contentamento no coração. São muitos os dissabores da vida e facilmente nos tornamos murmuradores, descontentes ou amargos. Já vi muitos que não sabem lidar com a abundância. Quando começam a prosperar, tornam-se competitivos, agressivos e ansiosos pelos bens que possuem e quase não tem condições emocionais de desfrutar da prosperidade que alcança. Podem trocar de carro todo ano, fazer as viagens que quiserem, irem a caros restaurantes, mas são desprovidas de alegria interior. São capazes de voltar de um suntuoso cruzeiro e estarem com suas almas em frangalhos, vivendo num “desespero silencioso”(Thoreau).
Muitos não sabem encontrar contentamento quando enfrentam situações de pobreza ou escassez, ou quando atravessam períodos difíceis da vida. Não estou falando de ficar feliz com a dor em si, mas no meio da tristeza, encontrar significado e valores maiores. Por não conseguirem lidar com a perda, a doença e a dor, começam a blasfemar e a maldizer. Não conseguem viver contentes.
Só existe um meio de experimentar contentamento: Nossa alegria deve ser encontrada em Deus. Se dependermos das circunstâncias ou situações agradáveis, seremos escravizados pelo vaivém das próprias condições da vida. Paulo afirma que “aprendeu a viver contente”. Não diz que viver desta forma era algo natural, que ele trouxera no seu DNA ou no seu temperamento, pelo contrário, afirma ter aprendido a viver assim.

Seu contentamento estava em Deus. Aprendeu a viver acima das circunstâncias porque orientava sua vida em alguém que vivia acima das variações humanas. Ao entender que sua vida estava nas mãos de Deus, aprendeu a descansar. Por isto declarou: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Precisamos ser ‘‘contaminados’’ com este poder sobrenatural que nos dá alegria em tempos normais, nos dias calamitosos e de perplexidade.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Críticas



Não é fácil receber críticas, no entanto, alguém disse certa vez que só duas coisas são certas na vida: a morte e os impostos. Gostaria de acrescentar um terceiro ingrediente: a crítica. Ninguém escapa dela, e não raramente nossa carreira, estabilidade emocional e felicidade dependem da forma como as pessoas nos avaliam.
Mark Twain afirmou que um elogio era capaz de lhe sustentar emocionalmente um mês inteiro. Certamente isto é uma grande verdade e deveríamos encorajar mais as pessoas, mas tenho aprendido também o contrário: Críticas podem ter um efeito devastador em nossas vidas, dependendo da hora, situações e de quem as recebemos. Para aqueles que dependem constantemente da apreciação dos outros, uma avaliação positiva ou negativa é a linha que determina o humor e auto-imagem.
Veja o que disse o grande estadista Abraham Lincoln: “Se eu fosse tentar ler, ou mesmo responder a todos os ataques que me foram feitos, esta loja teria de ser fechada para qualquer outro negócio. Eu faço o melhor que sei, o melhor que posso. Se tudo me sair certo no fim, o que foi dito de mim nada significará. Se no fim der errado, 10 anjos jurando que eu estava certo não fariam diferença”.
Norman Vincent Peale fala da crítica em três níveis: Emocional, Racional e Objetivo. Os argumentos abaixo são de sua autoria, eu apenas os compilei.
O nível emocional é o mais difícil, porque a crítica é um ataque direto ao nosso amor-próprio. Mexe com nossa auto-estima e por isto facilmente reagimos com ressentimento e raiva, mas esta reação nos torna ainda mais vulneráveis, e nos envenena. Uma maneira de acalmar as emoções é lembrar que grandes líderes sempre são criticados.
O segundo nível é o racional. Examinar a crítica objetivamente. As coisas desagradáveis que nos dizem nos levam a pensar, ao passo que as coisas boas apenas nos fazem ficar contentes. Perguntemos se existe alguma verdade na crítica. Cuidado com a justificação de si mesmo. Examinemos ainda as qualificações e motivações de nosso crítico. Ele é bem conceituado e sincero? Um silêncio digno é muitas vezes a melhor resposta para a calúnia.
No nível prático, lembremos que a crítica é uma espada de dois gumes, e frequentemente é o gume envenenado que corta a pessoa que a maneja. O mexerico nada mais é que uma crítica causada pelo ciúme ou a insegurança. Críticos são muitas vezes pessoas mesquinhas e infelizes, tentando disfarçar sua própria inércia apontando os defeitos dos outros. “É mais fácil ser crítico do que ser correto” (Disraeli). A nossa melhor defesa é manter altos os nossos padrões morais. Viver sem necessidade de mentir ou fingir.