segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dt 7.7-9; 9.4-8 Base e propósito da Eleição





Introdução:

Muitas pessoas encontram dificuldade em ler o Antigo Testamento; outros o interpretam de forma equivocada, tirando determinados ensinamentos pontuais como não comer sangue, guardar o sábado, não usar roupas de mulher, e dando uma ênfase tão forte e equivocada a estas coisas, sem levar em conta o contexto nem o princípio hermenêutico que norteia a interpretação da Bíblia, cometendo assim graves distorções e heresias.
Outros interpretam-no alegoricamente, esquecendo-se de que a Bíblia possui uma unidade de pensamento. As lições sobre teologia da prosperidade e outros ensinamentos que fundamentam uma auto-ajuda evangélica tem sido roubados da visão global, por  pregadores neo pentecostais imaginativos que extraem os conceitos que querem extrair, transformando suas mensagens num conteúdo anti-evangélico.
A Bíblia, por ter um único autor, que é o Espírito Santo, tem uma unidade literária. O melhor intérprete da bíblia é ela mesma, e um texto obscuro deve ser sempre compreendido à luz de um texto claro. O melhor comentário do AT é o NT, já que o AT está patente no NT e o NT está latente no AT. Quais são as pistas hermenêuticas que podemos encontrar dentro da Bíblia?

1. O fio condutor da Bíblia é a pessoa de Jesus Cristo. Não sem razão existem 600 profecias do AT que se cumprem em Jesus. Vamos encontrar profecias relativas ao seu ministério já em Gênesis 3.15, e em muitos outros livros do AT. Basta ter sensibilidade para perceber como Jesus está evidente no AT;

2. O sangue é outro elemento sempre presente no Antigo e Novo Testamento. Por isto a Bíblia afirma que “sem derramamento de sangue, não há remissão de pecados” (Hb 9.22). O que estes sacrifícios queriam nos ensinar? O autor aos Hebreus afirma ser “impossível que sangue de touros e bodes remova pecados” (Hb 10.4). Então, o que significa esta quantidade sacrifício oferecido e sangue derramado no AT? O autor aos hebreus afirma que eram espécies de “lições de objeto”, tipos, uma forma didática que Deus usou para preparar o povo de Israel para entender a obra de seu filho (Hb 10.1).

3. Como era salva uma pessoa do AT? Muitas pensam que eram salvos por obras, mas veja o que Paulo descreve em Rm 4.1-5: “Portanto, que diremos do nosso antepassado Abraão? Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus. Que diz a Escritura? "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça". Ora, o salário do homem que trabalha não é considerado como favor, mas como dívida. Todavia, àquele que não trabalha, mas confia em Deus que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça”. Ele afirma que a salvação do pai da fé, se deu por causa de sua confiança em Deus, e não por obras. Ele não foi salvo por sua justiça própria, mas pela obra de Cristo.

Estes dois textos acima de Deuteronômio, falam da eleição do povo judeu. Estes mesmos princípios são aplicados ao povo cristão no NT. Ele descreve o processo como Deus escolhe o seu povo, para seu exclusivo louvor e honra.
Alguns princípios são enumerados:

A razão da Eleição:
  1. Não depende de nossa justiça – O que você vai apresentar a Deus no dia do juízo, quando estiver diante do trono de justiça de Deus?
As pessoas respondem a esta questão de forma diferente, mas em linha geral falam de si próprias quando se referem à salvação. Elas acham que a lista de coisas boas praticadas, é que vai impressionar Deus e assim ele permitirá entrar no céu. Mas veja bem o que o texto bíblico afirma: “O Senhor não se afeiçoou a vocês nem os escolheu por serem mais numerosos do que os outros povos, pois vocês eram o menor de todos os povos. Mas foi porque o Senhor os amou e por causa do juramento que fez aos seus antepassados. Por isso ele os tirou com mão poderosa e os redimiu da terra da escravidão, do poder do faraó, rei do Egito (Dt 7.7,8). No texto seguinte, ele é ainda mais enfático em estabelecer as bases da eleição: “Não é por causa de sua justiça ou de sua retidão que você conquistará a terra deles. Mas é por causa da maldade destas nações que o Senhor, o seu Deus, as expulsará de diante de você, para cumprir a palavra que o Senhor prometeu, sob juramento, aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó. Portanto, esteja certo de que não é por causa de sua justiça que o Senhor seu Deus lhe dá esta boa terra para dela tomar posse, pois você é um povo obstinado” (Dt 9.5,6).
Salvação não é uma questão de justiça própria. Paulo, o apóstolo, que entendeu melhor do que ninguém a questão da salvação pela graça de Deus, afirma que desistiu de seu currículo diante da compreensão do incomensurável amor de Deus e de sua graça a nosso favor. “...e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé” (Fp 3.9). Ao escrever a Tito, afirmou: “...não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt 3.5). Isto demonstra que ele entendeu que currículo espiritual, sua performance, sua integridade, religiosidade, títulos recebidos, herança familiar ou nacionalidade, nada valiam aos olhos de Deus. Deus providenciou uma nova roupagem para nós, que são as vestiduras alvejadas pelo sangue do seu Cordeiro derramado na cruz.
Na verdade, a justiça própria se constitui na inimiga número 1 do Evangelho, pois nos faz colocar os olhos em nós mesmos, ao invés de sermos conduzidos em confiança para Deus. Este ainda hoje é um dos grandes pilares das Escrituras Sagradas e que foi resgatado durante a Reforma.

  1. Nosso comportamento, na verdade, conspira contra nossa salvação – Deus faz questão de demonstrar quão frágeis eram os fundamentos do povo judeu. Deus quer demonstrar que o que eles eram não contava, e sim o amor incondicional de Deus em elegê-los.
Lembrem-se disto e jamais esqueçam como vocês provocaram a ira do Senhor, o seu Deus, no deserto. Desde o dia em que saíram do Egito até chegarem aqui, vocês têm sido rebeldes contra o Senhor. Até mesmo em Horebe vocês provocaram o Senhor à ira, e ele ficou furioso, a ponto de querer exterminá-los”. (Dt 9.7,8). Deus está pedindo o seu povo para evocar a memória de como eles eram. “Lembrai-vos”. Esta é a forma de Deus levar seu povo a não se iludir. Para enfatizar o que está dizendo, ainda continua: “e jamais esqueçam como vocês provocaram a ira do Senhor, o seu Deus, no deserto”. Na verdade, quem eles eram, dava motivos a Deus para não elegê-los.

i.                     Eram um povo de dura cerviz – Esta expressão ocorre muitas vezes na Bíblia. Gente de nariz empinado, pescoço que tem dificuldade de se curvar, se submeter e se humilhar. Assim era o povo de Israel , autônomo, independente, com Teomania (H. Nouwen), isto é, mania de querer ser Deus.

ii.                   Provocaram o Senhor à ira – “vocês provocaram a ira do Senhor, o seu Deus, no deserto” (Dt 9.7) “...por causa do grande pecado que vocês tinham cometido, fazendo o que o Senhor reprova, provocando a ira dele” (Dt 9.18). Esta é uma expressão forte. Você já provocou outros à ira? Se você não se lembra, basta perguntar à sua esposa que ela lhe lembrará. É atitude de pessoa pirracenta e provocativa.
iii.                 Um povo insignificante – “O Senhor não se afeiçoou a vocês nem os escolheu por serem mais numerosos do que os outros povos, pois vocês eram o menor de todos os povos” (Dt 9.7). Não tinha virtudes especiais, nem grandeza.
A razão da eleição foi o amor de Deus, gratuito, puro amor. Por isto Paulo afirmava: “O amor de Cristo me constrange”. O motivo de nossa salvação é o seu amor. não está condicionado à performance, superioridade moral ou bondade. Muitos dizem: “Ah! Deus sabia quem iria aceitá-lo e então o escolheu”. Não! Se isto acontecesse, a salvação estaria ainda centralizada na ação humana. A Bíblia nos mostra que não existem homens buscando a Deus, mas existe um Deus buscando homens perdidos, e trazendo salvação.

O propósito da Eleição:

O texto vai demonstrar também, que o seu propósito em nos eleger. Não fomos salvos pelas boas obras, mas para boas obras. É uma questão “preposicional”, isto é, a preposição faz enorme diferença. Para que Deus nos escolheu?

  1. Para formar um povo seu – “O Senhor, o seu Deus, os escolheu dentre todos os povos da face da terra para ser o seu povo, o seu tesouro pessoal” (Dt 7.6). Deus escolheu um povo para si mesmo para a honra e glória do seu nome. Pedro afirma: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9).
Deus chamou para si um povo para ter um relacionamento com ele, e tem preparado este povo, para proclamar suas virtudes. Seu plano é fazer uma nação de sacerdotes e adoradores.

  1. Para cumprir sua promessa – “...Mas foi porque o Senhor os amou e por causa do juramento que fez aos seus antepassados” (Dt 7.8).
Deus chamou Abraão, para preparar um povo que abençoaria o mundo inteiro. “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”. Desde o inicio do seu projeto, era seu plano ter um povo que o adorasse. Este povo receberia os estatutos, alianças, profecias, e dentre eles nasceria o Cristo, o qual é sobre todos, Deus bendito, eternamente (Rm 9.5). Então, Deus elege Israel  por causa das promessas feitas a Abraão. Ele estava cumprindo sua promessa.

Conclusão:
Portanto, estamos debaixo de um mesmo pacto (Gl 3.17-18). Nem a lei, dada a Moisés, mudou as disposições de Deus e desfez a promessa dada a Abraão. As pessoas são salvas, no AT e NT, da mesma forma: Pela graça!. Ninguém é salvo por méritos, integridade, bondade, boas obras, mas apenas pelo sangue de Cristo. Desista, portanto de você e coloque sua confiança na obra eficiente e eficaz de Cristo Jesus. Pela graça sois salvos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Fazendo reparações



Daniel se tornou um amigo do meu coração. Quando visitávamos sua cidade, era na sua casa que nos hospedávamos. Seu filho nasceu numa data muito próxima ao nascimento de minha filha, e apesar de morarmos distantes um do outro, estar com ele e sua família sempre era uma grande alegria.
Quando jovem, foi funcionário na Doca de Santos, onde se tornou uma pessoa de confiança na empresa que trabalhava. Era ele quem fazia pagamentos e que monitorava o caixa da companhia, sem ter que prestar contas. Aos poucos, porém, foi desenvolvendo atitudes pouco condizentes com a responsabilidade que tinha e passou a fazer pequenas retiradas do caixa, sem que qualquer pessoa suspeitasse.
Posteriormente se mudou da empresa, tornou-se executivo de uma multinacional e passou a ter experiências profundas com Deus. A lembrança de seus atos furtivos sempre martelava a sua consciência. Um dia, depois de anos, voltou à antiga empresa para reencontrar-se com os ex-colegas e também com o seu ex-patrão, com o qual tinha ligação de amizade. Ao ser recebido com alegria, decidiu confessar sua vergonha e relatou-lhe suas antigas e erradas atitudes, dispondo-se, inclusive, a restituir financeiramente o desfalque, embora não soubesse por onde começar. No entanto, aquele homem o abraçou, e chorando disse que ficava feliz pela coragem dele em confessar, e afirmando que tal atitude apenas o engrandecia ainda mais aos seus olhos.
Fazer reparação não é algo muito fácil, e eventualmente pode ser um passo muito difícil a ser dado. Exige esforço pessoal e disposição de espírito, mas como todos os princípios espirituais, seu retorno é sempre gratificante. Uma ofensa praticada, uma palavra áspera, a atitude grosseira, desonestidade financeira, a traição de uma amizade...
É importante saber que nem sempre seremos entendidos e nem podemos antecipar como as pessoas ofendidas reagirão, mas ao tomarmos um passo assim tão corajoso e decisivo, não podemos focar na reação das pessoas, e sim no que devemos fazer.
Relacionamentos desfeitos podem ser reparados, a desconfiança e a suspeita podem ser desfeitas. Seja qual for a reação dos outros, é uma grande recompensa experimentar a serenidade que vem quando dizemos: “A culpa foi minha. Me perdoe porque eu te machuquei. Sinto muito”.
Fazer reparações é um passo necessário para o crescimento espiritual, quer o processo tenham algum efeito sobre os outros, quer não.
Precisamos da graça e poder de Deus para atitudes tão profundas como estas, mas é maravilhoso descansar em Deus para fazer as reparações quando ofendemos as pessoas. O efeito é altamente benéfico para nossas vidas. 

Onde você vai passar o carnaval?




Billy Joel gravou a música New York State of mind, falando sobre o que fazer no feriado que viria: “Algumas pessoas apreciam viajar, aproveitar o feriado para sair da vizinhança; tomar um vôo para Miami Beach ou Hollywood; mas eu estou pegando um ônibus, e quero andar nas margens do Rio Hudson, porque minha mente está em Nova York”. Acho que ele reflete bem o fato de que pessoas fazem opções diferentes para suas folgas e feriados. Onde você está pensando em passar o carnaval?
Alguns já fizeram suas fantasias, compraram purpurina e máscaras para a festa dos foliões. Outros vão fazer longas viagens, aproveitando o feriado para encontrar familiares; alguns estarão em sítios da família ou de amigos, ou em retiros espirituais. Independente de onde for, dirija com cuidado, evite o mau humor, e não estrague as suas férias e de sua família com discussões e picuinhas inócuas. Vê se consegue relaxar e celebre este tempo de descanso!
Eu devo sair com um grupo de nossa comunidade para um retiro. Cerca de 100 jovens todos os anos usufruem de um tempo e comida deliciosa, às margens do Rio Corumbá, comendo bem, estudando a Bíblia e praticando esportes. Muita coisa boa geralmente acontece neste tempo. Uma das boas opções dos nossos feriados é realmente procurar reorganizar a alma, refletir um pouco sobre o valor da vida, família e amizade e pensar em Deus.
Já vi muito sofrimento em dias de carnaval e gostaria que você não passasse por experiências doloridas, mas que no feriado pudesse repor suas energias perdidas nos estressantes afazeres diários. Que você pudesse desfrutar realmente deste tempo.
Somos uma geração estressada. Rollo May diz que estamos na era da ansiedade. Falta-nos uma perspectiva de descanso: vivemos angustiados com compromissos e não sabemos mais como relaxar. Abaixo transcrevo um artigo que recebi num destes e-mails que enchem as nossas caixas de entrada, seu titulo é Entrevista com Deus:
  "- Entra", disse Deus.
  "- Porque queres entrevistar-me?"
  "- Bem", respondi, "se tens algum tempo para mim."
     Ele sorri e diz:
  "-O meu tempo chama-se eternidade e chega para tudo. O que queres saber?"
  "- Nada que seja muito difícil para Deus. Quero saber o que mais te diverte nos seres humanos".
    Ele respondeu:
  "- Eles fartam-se de ser crianças e têm pressa por crescer, depois suspiram por voltar a ser crianças... Primeiro perdem a saúde para ter dinheiro e logo em seguida perdem o dinheiro para ter saúde... Pensam tão ansiosamente, no futuro que descuidam o presente e assim não vivem nem o presente nem o futuro.... Vivem como se não fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido!"
Que um novo estado de mente tome conta de sua vida nestes dias de carnaval.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Princípios ou sentimentos?




A vida pode ser regida por princípios ou sentimentos. Quando as emoções nos dominam, agimos por impulsos, circunstâncias, pressões sociais, raiva ou alegria; quando regidos por princípios, os valores nos dizem que atitudes tomaremos. Neste caso, não são as pessoas, o medo ou ameaça, mas a compreensão de que algo maior exige de nós uma resposta de coerência; seja por dever de consciência ou por temor a Deus.
Viktor Frankl, fundador da logoterapia, afirma que “o ser humano não é completamente condicionado e definido. Ele define a si próprio seja cedendo às circunstâncias, seja se insurgindo diante delas. Em outras palavras, o ser humano é, essencialmente, dotado de livre-arbítrio. Ele não existe simples­mente, mas sempre decide como será sua existência, o que ele se tornará no momento seguinte." Embora esta afirmação traga elementos importantes, precisamos lembrar de que nem sempre o homem é livre. Se ele é dominado por emoções, ou orientado por elas, não será capaz de emitir uma resposta madura. O medo ou a reputação, ou ambos, poderão levá-lo a tomada de decisões contrárias até mesmo às suas próprias convicções.
Frankl passou por quatro campos de concentrações, e ali, reunido com companheiros de infortúnio, tomaram a decisão de que não permitiriam que os nazistas determinassem como eles agiriam, e para sobreviver às pressões, criaram o slogan: “Não podemos determinar o que eles nos farão, mas podemos decidir que resposta daremos àquilo que nos farão”. Pessoas assim pairam acima das circunstâncias e se tornam senhores de si mesmos: As emoções não determinam sua conduta.
O conhecido filósofo francês, Jean-Paul Sartre fez afirmação semelhante: "O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”. Talvez seja por isto que os estóicos ensinavam que as emoções destrutivas resultavam de erros de julgamento, e que um sábio, ou pessoa com "perfeição moral e intelectual" não sofreria dessas emoções. Estóicos como Sêneca enfatizaram que a "virtude é suficiente para a felicidade", um sábio era imune aos infortúnios, e apenas um sábio pode ser verdadeiramente considerado livre.
Veja como agir por emoções pode nos trazer dano: Uma pessoa orientada por ira, será presa de si mesmo; outra controlada por popularidade, venderá sua alma ao inferno; o medo pode controlar e engessar, roubando a energia e a criatividade; gente dominada por impulso, poderá se tornar gastador irresponsável ou viciado em jogo; aqueles controlados pelo prazer, sacrificarão honradez e virtude; paixões podem danificar de forma indelével a história de alguém, ou mesmo uma família e gerações inteiras.
Em que tem sido pautado suas decisões: Emoções ou princípios? A regra é simples: “Nunca viole um princípio, se você deseja manter ou ganhar as bençãos de Deus” (Andy Stanley). 

Luz e Trevas



“Deus fez as dois grandes luzes: A maior para governar o dia e a menor para governar a noite. E também fez as estrelas. Deus pôs essas luzes no céu para iluminarem a terra, para governar o dia a e a noite, e para separarem a luz da escuridão. E Deus viu que tudo era bom” (Gn 1.16-18 BLH). Este é uma parte do texto da Bíblia que nos traz o relato da criação do mundo. Ele não afirma que Deus fez a escuridão, mas fala do seu ato criador em relação à luz. A escuridão parece existir como uma realidade anterior à história, como um princípio ativo e presente. Logo no segundo versículo de Gênesis, lemos: “A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente, e estava coberta por um mar profundo. A escuridão cobria o mar, e o espírito se movida por cima da água” (Gn 1.2). No tempo antes do tempo, só estavam presentes o “vazio”, o mar profundo (abismo) e a escuridão. Não fosse a presença de Deus se movendo não haveria vida.
As trevas estão presentes, não apenas como algo filosófico, mas também como um princípio ético: Assim surgem os filhos das trevas. O mal estava no Éden, não como uma realidade, mas como uma possibilidade que se materializou no “sim” do homem à proposta da serpente. Apesar da luz ser considerada boa até pelo próprio Deus que a criou, a humanidade decide pelas trevas e pela proposta do antigo dragão.
Assim surgem os “filhos das trevas” e os “filhos da luz”. As trevas recusam transparência, fogem da clareza e desvanecem diante da luz. Muitos se recusam a aproximar da luz porque temem a argüição que ela traz. “O julgamento é este, que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más, pois todo aquele que prática o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade, aproxima-se da luz a fim de que suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus” (Jo 3.19-21).
Os filhos das trevas tentam persuadir outros a se tornarem parceiros nas suas obras, invertendo os valores: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem da escuridade, luz, e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce por amargo” (Is 5.20). Não discernir entre uma e outra realidade é uma tragédia, e isto é feito por meio persuasivos, sofismas, argumentações filosóficas. É comum ouvirmos que o mal e o bem são apenas dois lados de uma mesma moeda, e que existem apenas para uma interação; que as trevas em si mesmas não são más, já que produzem um contraponto dialético. Não se iludam: Mal é mal!
Deus convida seus filhos a se aproximarem e agirem na luz. “Como filhos da luz, andai na luz”. Jesus afirmou: “Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que há em ti sejam trevas, que grandes trevas serão” (Mt 6.23). Andar nas trevas é arriscado. “O caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam” (Pv 4.19).
Para sairmos das trevas, é necessário aproximar da luz. Basta isto! A luz dissipa as trevas. Jesus afirmou: “Eu sou a luz do mundo. Aquele que me segue, não andará em trevas”. O mal, para ser dissipado, precisa de claridade, já que ele é como o fungo e o mofo: cresce na penumbra. Convide Jesus, a luz do mundo, para dissipar as trevas de sua mente, seu coração, e trazer luminosidade à sua vida.

Tetracloroetileno



Das minhas memórias de infância, uma das mais desagradáveis é do dia em que tínhamos que tomar um vermífugo, que fazia parte de um ritual anual da família Vieira. Todos os cinco irmãos ficavam em jejum, e a mamãe nos dava um remédio à base de Percloroetileno, mais conhecido como Tetracloroetileno. Meu irmão do meio conseguiu se lembrar com precisão o seu nome numa reunião de família neste final de ano, talvez pelo trauma sofrido por todos nós.
Todos participavam da “tortura”. Era uma pequena cápsula, parecida com uma bolinha de gude, e que tão logo era ingerida explodia dentro do estômago, e ai começava todo o espectro de reações adversas e ruins. Numa destas ocasiões, minha irmã mais velha quase entrou em coma, por causa dos componentes químicos do remédio.
Rindo de todas estas histórias em família, nossos filhos imediatamente fizeram uma pesquisa pela internet. Descobriram que este remédio é feito à base de hidrocarboneto clorado utilizado como solvente industrial e esfriamento de líquido em transformadores elétricos. É um carcinógeno potente e foi tirado do mercado por ordem do Ministério da Saúde, cujo princípio ativo é usado em lavanderias para alvejar roupas sendo fortemente tóxico. Um deles fez o seguinte comentário: “Vocês continuam amando a mãe de vocês depois de tudo isto?”
Um antigo ditado declara que “de boas intenções o inferno está cheio”. Todos sabemos que a mamãe era extremamente cuidadosa e queria o bem estar dos filhos, e sem o saber estava nos medicando com uma dose equivocada de remédio.
Fiquei pensando nos tratamentos que hoje temos para tantas doenças bizarras e modernas que tem surgido. Como temos tratado as angústias primais, medos, bipolaridades, síndromes de pânico, fobias e transtornos obsessivo-compulsivos? Tratamentos neo-ortodoxos têm sido oferecidos a uma geração ávida por resolver seu problema imediatamente, e que não tem paciência em considerar processos.
Algumas mulheres, na busca pela silhueta ideal, estão removendo uma das costelas para ter uma cintura mais elegante; na Alemanha, estão tirando o dedo mindinho por causa das joanetes provocadas pelo uso constante de sapatos de salto altos. Ainda temos sérias discussões no campo da medicina sobre o uso da auto-hemoterapia, sem falar na auto-medicação das drogas de alegria, sendo o rivotril o segundo remédio mais vendido no Brasil. As estranhezas são de ordem quase infinitas em nome da estética e do pragmático. Desta forma surgem os Tetracloroetilenos para trazer respostas fáceis.
Jesus nos advertiu quanto à busca de soluções mágicas: “No mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Uma vida simples, sem invenciones, e um caminhar ao lado de Jesus são os componentes básicos da existência. As aflições vão surgir, mas o bom ânimo que vem de Deus, nos dá esperança e acalenta nossos sonhos e a vontade de continuar lutando e caminhando.



História gavetas abertas



Trivialidade é um dos grandes desafios do casamento. O que fazer com as roupas que não conseguem chegar sozinhas ao cabide... Sapatos que não andam até o guarda roupas... Maridos que não conseguem escovar sem respingar o espelho ou fazer a barba sem sujar a pia... Rolo do papel higiênico virado para o lugar errado, pasta espremida pelo meio? Certo homem chegou até mesmo a colocar um aviso na pasta de dente: "Aperte meu traseiro".

Chapman narra sua epopéia familiar num incidente trivial que se tornou um grande problema no seu relacionamento  com a esposa, que nunca fechava as portas dos armários e insistia em manter seu guarda roupa abertos... para ele, a equação poderia ser sintetizada no seguinte: Ela sabia abrir portas e gavetas mas não fechá-las. Sua experiência familiar demonstra como é difícil conseguir mudanças de hábitos e comportamentos arraigados.

Diante da situação que o irritava profundamente, resolveu tomar algumas iniciativas, para  corrigir o problema:

1ª Tentativa: Ele começou dizendo para sua esposa: “Dá para fechar as portas? Eu sempre me enrosco na porta das gavetas, além do mais, com o passar dos tempos, as portas tendem a empenar, se não estiverem adequadamente fechadas”. Apesar da insistência e de sua clara irritação, a atitude de sua esposa não mudava. As coisas continuavam da mesma forma.
Ele entendeu que não é fácil mudar um hábito... e por isto esperou dias, semana inteiras, pacientemente embora estivesse fervendo por dentro, desejando que sua esposa aprendesse o simples ato de fechar os armários. Nada mudou.
Diante disto ele pensou: Ela pode não ter ouvido o que disse. E por estar cursando pedagogia, resolveu usar um pouco de didática.

2ª Tentativa: Resolveu demonstrar como é fácil fechar as portas dos armários. No banheiro ele disse ironicamente: “Esta rodinha se encaixa naquela canaleta. Você a fecha apenas com um dedo...”  Na cozinha mostrou: “É só se aproximar do imã que ele fecha a porta para você”. Ele afirma que naquele dia ele ficou certo de que ela havia entendido, afinal, uso de recursos áudio visuais torna a comunicação mais clara... Apesar disto, no dia seguinte as coisas estavam do mesmo jeito. Ele resolveu esperar mais alguns dias...que se tornaram meses, contudo as portas e gavetas ainda continuavam abertas.

3ª. Tentativa: Por não ter obtido a resposta desejada, resolver fazer um sermão. Depois de 9 meses e das duas abordagens iniciais, ele disse irritado: "Você faz faculdade, é uma pessoa espiritual, mas não consegue fechar uma gaveta? Será que você é incapaz mentalmente?”. A resposta não veio, e agora ela se tornara ainda mais reativa. Nada mudou. Um dia, ao chegar em casa viu que sua filha estava com pontos no canto de um dos olhos. Ela caíra e se cortara no canto de uma gaveta aberta. Ele disse que ficou orgulhoso de sua reação tranquila. Não passou um sermão mas pensou: “Agora ela vai aprender. Ela se recusou a me ouvir...então Deus está falando com ela...” Mas depois de tudo isto, as gavetas continuaram abertas!

Onze meses depois entendeu: “Ela nunca vai fechar as gavetas. Finalmente a ficha caiu! Enquanto sua mente assimilava o impacto desta "revelação” foi até a biblioteca e fiz um plano, escrevendo tudo o que vinha a mente”. Já ouviram falar disto? Quando estiver enfrentando situações complexas, escreva as idéias que lhe vierem à cabeça, mesmo as que forem malucas, as boas, as úteis e aquelas que você considera brilhantes. Depois de pronto, leia a lista e decida pela melhor alternativa. Quatro idéias vieram à sua mente:

A. “Posso me separar dela” - Esta ideia já viera antes. Mas como estava no seminário sabia que se separasse dela, nenhuma igreja o convidaria para pastorear...

B. “Se eu me casar de novo vou perguntar a mulher: Você fecha as gavetas?”

C. “Talvez, eu fique infeliz pelo resto de minha vida”. Então raciocinou melhor e disse para si mesmo: “Porque um adulto escolheria viver infeliz pelo resto da vida?”

D. “Poderia aceitar isto como uma realidade, e daqui pra frente eu mesmo fecharia as gavetas, sempre!”

Diante da escolha da melhor opção, outras pessoas lhe trouxeram idéias originais:
-Colocar molas para fechar automaticamente – ele não sabia que isto era possível...
-Arrancar todas as portas dos armários.

Diante de todas as possibilidades, finalmente decidiu pela última, a letra “D”, fazendo o seguinte cálculo:  
3 segundos para fechar os armários da cozinha.
7 segundos para os do banheiro.
Chegou à conclusão que conseguiria encontrar este tempo na programação do seu atarefado dia.
Então chegou em casa e disse:
- “Carolyn, quanto às gavetas...”
Ela o interrompeu irritada:
-“Por favor, não toque neste assunto outra vez”...
-“Deixe-me terminar: de hoje em diante, enquanto eu viver.. Esse será meu trabalho. Fecharei as portas e gavetas”.
Sabe o que ela disse?
- “Tudo bem... E saiu da sala”...

Chapman concluiu que para ele nada fora nada extraordinário, mas definitivamente sua decisão foi um ponto crítico na vida. Desde então, as gavetas não mais o incomodam. Quando entra em casa fecha todas elas, afinal, isto faz parte do seu trabalho!

Conclusão:
Você precisa estar consciente de que, em certas coisas, seu cônjuge não pode ou não quer mudar. Nenhum cônjuge atenderá todos seus pedidos. Chapman afirma que chegou a pensar que isto era uma espécie de incapacidade genética.

Então, como você vai lidar com tais aspectos? Não é melhor entender que o amor aceita  imperfeições?

Alguns passam 15 anos reclamando sobre as luzes acesas: "O que há de tão difícil em apagar a luz quando se sai de um cômodo? O interruptor funciona para os dois lados. Se economizássemos, poderíamos fazer uma viagem...” Pode ser que o outro nunca mude. Talvez ele só saiba acender, mas não apagar...

Com o passar do tempo, descobrimos que, na maioria das vezes, não podemos transformar os outros. Quando muito, podemos transformar a nós mesmos. Talvez esta realidade seja como a abordagem que C.S.Lewis fez sobre a oração. “A oração não transforma o coração de Deus, mas transforma o nosso coração”. Oração não é uma forma de induzir Deus a mudar a sua maneira de pensar, mas um caminho para alinhar sua visão à visão de Deus, e sentir prazer nos seus planos.

Quando aprendemos a aceitar determinadas coisas, ao invés de brigarmos por elas, pode ser que o resultado seja muito melhor do que alcançaríamos se insistíssemos em transformar o outro com nossa lógica, apenas para satisfazermos uma necessidade pessoal de aprovação e controle.