quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Princípios ou sentimentos?




A vida pode ser regida por princípios ou sentimentos. Quando as emoções nos dominam, agimos por impulsos, circunstâncias, pressões sociais, raiva ou alegria; quando regidos por princípios, os valores nos dizem que atitudes tomaremos. Neste caso, não são as pessoas, o medo ou ameaça, mas a compreensão de que algo maior exige de nós uma resposta de coerência; seja por dever de consciência ou por temor a Deus.
Viktor Frankl, fundador da logoterapia, afirma que “o ser humano não é completamente condicionado e definido. Ele define a si próprio seja cedendo às circunstâncias, seja se insurgindo diante delas. Em outras palavras, o ser humano é, essencialmente, dotado de livre-arbítrio. Ele não existe simples­mente, mas sempre decide como será sua existência, o que ele se tornará no momento seguinte." Embora esta afirmação traga elementos importantes, precisamos lembrar de que nem sempre o homem é livre. Se ele é dominado por emoções, ou orientado por elas, não será capaz de emitir uma resposta madura. O medo ou a reputação, ou ambos, poderão levá-lo a tomada de decisões contrárias até mesmo às suas próprias convicções.
Frankl passou por quatro campos de concentrações, e ali, reunido com companheiros de infortúnio, tomaram a decisão de que não permitiriam que os nazistas determinassem como eles agiriam, e para sobreviver às pressões, criaram o slogan: “Não podemos determinar o que eles nos farão, mas podemos decidir que resposta daremos àquilo que nos farão”. Pessoas assim pairam acima das circunstâncias e se tornam senhores de si mesmos: As emoções não determinam sua conduta.
O conhecido filósofo francês, Jean-Paul Sartre fez afirmação semelhante: "O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”. Talvez seja por isto que os estóicos ensinavam que as emoções destrutivas resultavam de erros de julgamento, e que um sábio, ou pessoa com "perfeição moral e intelectual" não sofreria dessas emoções. Estóicos como Sêneca enfatizaram que a "virtude é suficiente para a felicidade", um sábio era imune aos infortúnios, e apenas um sábio pode ser verdadeiramente considerado livre.
Veja como agir por emoções pode nos trazer dano: Uma pessoa orientada por ira, será presa de si mesmo; outra controlada por popularidade, venderá sua alma ao inferno; o medo pode controlar e engessar, roubando a energia e a criatividade; gente dominada por impulso, poderá se tornar gastador irresponsável ou viciado em jogo; aqueles controlados pelo prazer, sacrificarão honradez e virtude; paixões podem danificar de forma indelével a história de alguém, ou mesmo uma família e gerações inteiras.
Em que tem sido pautado suas decisões: Emoções ou princípios? A regra é simples: “Nunca viole um princípio, se você deseja manter ou ganhar as bençãos de Deus” (Andy Stanley). 

Luz e Trevas



“Deus fez as dois grandes luzes: A maior para governar o dia e a menor para governar a noite. E também fez as estrelas. Deus pôs essas luzes no céu para iluminarem a terra, para governar o dia a e a noite, e para separarem a luz da escuridão. E Deus viu que tudo era bom” (Gn 1.16-18 BLH). Este é uma parte do texto da Bíblia que nos traz o relato da criação do mundo. Ele não afirma que Deus fez a escuridão, mas fala do seu ato criador em relação à luz. A escuridão parece existir como uma realidade anterior à história, como um princípio ativo e presente. Logo no segundo versículo de Gênesis, lemos: “A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente, e estava coberta por um mar profundo. A escuridão cobria o mar, e o espírito se movida por cima da água” (Gn 1.2). No tempo antes do tempo, só estavam presentes o “vazio”, o mar profundo (abismo) e a escuridão. Não fosse a presença de Deus se movendo não haveria vida.
As trevas estão presentes, não apenas como algo filosófico, mas também como um princípio ético: Assim surgem os filhos das trevas. O mal estava no Éden, não como uma realidade, mas como uma possibilidade que se materializou no “sim” do homem à proposta da serpente. Apesar da luz ser considerada boa até pelo próprio Deus que a criou, a humanidade decide pelas trevas e pela proposta do antigo dragão.
Assim surgem os “filhos das trevas” e os “filhos da luz”. As trevas recusam transparência, fogem da clareza e desvanecem diante da luz. Muitos se recusam a aproximar da luz porque temem a argüição que ela traz. “O julgamento é este, que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más, pois todo aquele que prática o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade, aproxima-se da luz a fim de que suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus” (Jo 3.19-21).
Os filhos das trevas tentam persuadir outros a se tornarem parceiros nas suas obras, invertendo os valores: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem da escuridade, luz, e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce por amargo” (Is 5.20). Não discernir entre uma e outra realidade é uma tragédia, e isto é feito por meio persuasivos, sofismas, argumentações filosóficas. É comum ouvirmos que o mal e o bem são apenas dois lados de uma mesma moeda, e que existem apenas para uma interação; que as trevas em si mesmas não são más, já que produzem um contraponto dialético. Não se iludam: Mal é mal!
Deus convida seus filhos a se aproximarem e agirem na luz. “Como filhos da luz, andai na luz”. Jesus afirmou: “Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que há em ti sejam trevas, que grandes trevas serão” (Mt 6.23). Andar nas trevas é arriscado. “O caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam” (Pv 4.19).
Para sairmos das trevas, é necessário aproximar da luz. Basta isto! A luz dissipa as trevas. Jesus afirmou: “Eu sou a luz do mundo. Aquele que me segue, não andará em trevas”. O mal, para ser dissipado, precisa de claridade, já que ele é como o fungo e o mofo: cresce na penumbra. Convide Jesus, a luz do mundo, para dissipar as trevas de sua mente, seu coração, e trazer luminosidade à sua vida.

Tetracloroetileno



Das minhas memórias de infância, uma das mais desagradáveis é do dia em que tínhamos que tomar um vermífugo, que fazia parte de um ritual anual da família Vieira. Todos os cinco irmãos ficavam em jejum, e a mamãe nos dava um remédio à base de Percloroetileno, mais conhecido como Tetracloroetileno. Meu irmão do meio conseguiu se lembrar com precisão o seu nome numa reunião de família neste final de ano, talvez pelo trauma sofrido por todos nós.
Todos participavam da “tortura”. Era uma pequena cápsula, parecida com uma bolinha de gude, e que tão logo era ingerida explodia dentro do estômago, e ai começava todo o espectro de reações adversas e ruins. Numa destas ocasiões, minha irmã mais velha quase entrou em coma, por causa dos componentes químicos do remédio.
Rindo de todas estas histórias em família, nossos filhos imediatamente fizeram uma pesquisa pela internet. Descobriram que este remédio é feito à base de hidrocarboneto clorado utilizado como solvente industrial e esfriamento de líquido em transformadores elétricos. É um carcinógeno potente e foi tirado do mercado por ordem do Ministério da Saúde, cujo princípio ativo é usado em lavanderias para alvejar roupas sendo fortemente tóxico. Um deles fez o seguinte comentário: “Vocês continuam amando a mãe de vocês depois de tudo isto?”
Um antigo ditado declara que “de boas intenções o inferno está cheio”. Todos sabemos que a mamãe era extremamente cuidadosa e queria o bem estar dos filhos, e sem o saber estava nos medicando com uma dose equivocada de remédio.
Fiquei pensando nos tratamentos que hoje temos para tantas doenças bizarras e modernas que tem surgido. Como temos tratado as angústias primais, medos, bipolaridades, síndromes de pânico, fobias e transtornos obsessivo-compulsivos? Tratamentos neo-ortodoxos têm sido oferecidos a uma geração ávida por resolver seu problema imediatamente, e que não tem paciência em considerar processos.
Algumas mulheres, na busca pela silhueta ideal, estão removendo uma das costelas para ter uma cintura mais elegante; na Alemanha, estão tirando o dedo mindinho por causa das joanetes provocadas pelo uso constante de sapatos de salto altos. Ainda temos sérias discussões no campo da medicina sobre o uso da auto-hemoterapia, sem falar na auto-medicação das drogas de alegria, sendo o rivotril o segundo remédio mais vendido no Brasil. As estranhezas são de ordem quase infinitas em nome da estética e do pragmático. Desta forma surgem os Tetracloroetilenos para trazer respostas fáceis.
Jesus nos advertiu quanto à busca de soluções mágicas: “No mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Uma vida simples, sem invenciones, e um caminhar ao lado de Jesus são os componentes básicos da existência. As aflições vão surgir, mas o bom ânimo que vem de Deus, nos dá esperança e acalenta nossos sonhos e a vontade de continuar lutando e caminhando.



História gavetas abertas



Trivialidade é um dos grandes desafios do casamento. O que fazer com as roupas que não conseguem chegar sozinhas ao cabide... Sapatos que não andam até o guarda roupas... Maridos que não conseguem escovar sem respingar o espelho ou fazer a barba sem sujar a pia... Rolo do papel higiênico virado para o lugar errado, pasta espremida pelo meio? Certo homem chegou até mesmo a colocar um aviso na pasta de dente: "Aperte meu traseiro".

Chapman narra sua epopéia familiar num incidente trivial que se tornou um grande problema no seu relacionamento  com a esposa, que nunca fechava as portas dos armários e insistia em manter seu guarda roupa abertos... para ele, a equação poderia ser sintetizada no seguinte: Ela sabia abrir portas e gavetas mas não fechá-las. Sua experiência familiar demonstra como é difícil conseguir mudanças de hábitos e comportamentos arraigados.

Diante da situação que o irritava profundamente, resolveu tomar algumas iniciativas, para  corrigir o problema:

1ª Tentativa: Ele começou dizendo para sua esposa: “Dá para fechar as portas? Eu sempre me enrosco na porta das gavetas, além do mais, com o passar dos tempos, as portas tendem a empenar, se não estiverem adequadamente fechadas”. Apesar da insistência e de sua clara irritação, a atitude de sua esposa não mudava. As coisas continuavam da mesma forma.
Ele entendeu que não é fácil mudar um hábito... e por isto esperou dias, semana inteiras, pacientemente embora estivesse fervendo por dentro, desejando que sua esposa aprendesse o simples ato de fechar os armários. Nada mudou.
Diante disto ele pensou: Ela pode não ter ouvido o que disse. E por estar cursando pedagogia, resolveu usar um pouco de didática.

2ª Tentativa: Resolveu demonstrar como é fácil fechar as portas dos armários. No banheiro ele disse ironicamente: “Esta rodinha se encaixa naquela canaleta. Você a fecha apenas com um dedo...”  Na cozinha mostrou: “É só se aproximar do imã que ele fecha a porta para você”. Ele afirma que naquele dia ele ficou certo de que ela havia entendido, afinal, uso de recursos áudio visuais torna a comunicação mais clara... Apesar disto, no dia seguinte as coisas estavam do mesmo jeito. Ele resolveu esperar mais alguns dias...que se tornaram meses, contudo as portas e gavetas ainda continuavam abertas.

3ª. Tentativa: Por não ter obtido a resposta desejada, resolver fazer um sermão. Depois de 9 meses e das duas abordagens iniciais, ele disse irritado: "Você faz faculdade, é uma pessoa espiritual, mas não consegue fechar uma gaveta? Será que você é incapaz mentalmente?”. A resposta não veio, e agora ela se tornara ainda mais reativa. Nada mudou. Um dia, ao chegar em casa viu que sua filha estava com pontos no canto de um dos olhos. Ela caíra e se cortara no canto de uma gaveta aberta. Ele disse que ficou orgulhoso de sua reação tranquila. Não passou um sermão mas pensou: “Agora ela vai aprender. Ela se recusou a me ouvir...então Deus está falando com ela...” Mas depois de tudo isto, as gavetas continuaram abertas!

Onze meses depois entendeu: “Ela nunca vai fechar as gavetas. Finalmente a ficha caiu! Enquanto sua mente assimilava o impacto desta "revelação” foi até a biblioteca e fiz um plano, escrevendo tudo o que vinha a mente”. Já ouviram falar disto? Quando estiver enfrentando situações complexas, escreva as idéias que lhe vierem à cabeça, mesmo as que forem malucas, as boas, as úteis e aquelas que você considera brilhantes. Depois de pronto, leia a lista e decida pela melhor alternativa. Quatro idéias vieram à sua mente:

A. “Posso me separar dela” - Esta ideia já viera antes. Mas como estava no seminário sabia que se separasse dela, nenhuma igreja o convidaria para pastorear...

B. “Se eu me casar de novo vou perguntar a mulher: Você fecha as gavetas?”

C. “Talvez, eu fique infeliz pelo resto de minha vida”. Então raciocinou melhor e disse para si mesmo: “Porque um adulto escolheria viver infeliz pelo resto da vida?”

D. “Poderia aceitar isto como uma realidade, e daqui pra frente eu mesmo fecharia as gavetas, sempre!”

Diante da escolha da melhor opção, outras pessoas lhe trouxeram idéias originais:
-Colocar molas para fechar automaticamente – ele não sabia que isto era possível...
-Arrancar todas as portas dos armários.

Diante de todas as possibilidades, finalmente decidiu pela última, a letra “D”, fazendo o seguinte cálculo:  
3 segundos para fechar os armários da cozinha.
7 segundos para os do banheiro.
Chegou à conclusão que conseguiria encontrar este tempo na programação do seu atarefado dia.
Então chegou em casa e disse:
- “Carolyn, quanto às gavetas...”
Ela o interrompeu irritada:
-“Por favor, não toque neste assunto outra vez”...
-“Deixe-me terminar: de hoje em diante, enquanto eu viver.. Esse será meu trabalho. Fecharei as portas e gavetas”.
Sabe o que ela disse?
- “Tudo bem... E saiu da sala”...

Chapman concluiu que para ele nada fora nada extraordinário, mas definitivamente sua decisão foi um ponto crítico na vida. Desde então, as gavetas não mais o incomodam. Quando entra em casa fecha todas elas, afinal, isto faz parte do seu trabalho!

Conclusão:
Você precisa estar consciente de que, em certas coisas, seu cônjuge não pode ou não quer mudar. Nenhum cônjuge atenderá todos seus pedidos. Chapman afirma que chegou a pensar que isto era uma espécie de incapacidade genética.

Então, como você vai lidar com tais aspectos? Não é melhor entender que o amor aceita  imperfeições?

Alguns passam 15 anos reclamando sobre as luzes acesas: "O que há de tão difícil em apagar a luz quando se sai de um cômodo? O interruptor funciona para os dois lados. Se economizássemos, poderíamos fazer uma viagem...” Pode ser que o outro nunca mude. Talvez ele só saiba acender, mas não apagar...

Com o passar do tempo, descobrimos que, na maioria das vezes, não podemos transformar os outros. Quando muito, podemos transformar a nós mesmos. Talvez esta realidade seja como a abordagem que C.S.Lewis fez sobre a oração. “A oração não transforma o coração de Deus, mas transforma o nosso coração”. Oração não é uma forma de induzir Deus a mudar a sua maneira de pensar, mas um caminho para alinhar sua visão à visão de Deus, e sentir prazer nos seus planos.

Quando aprendemos a aceitar determinadas coisas, ao invés de brigarmos por elas, pode ser que o resultado seja muito melhor do que alcançaríamos se insistíssemos em transformar o outro com nossa lógica, apenas para satisfazermos uma necessidade pessoal de aprovação e controle.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Resoluções de Ano-Novo




Quais são seus planos para o próximo ano? Muito provavelmente você está pensando em tomar algumas decisões importantes para o ano que vem: Um melhor planejamento financeiro, gastar mais tempo com a família, investir mais na sua formação acadêmica, ter mais tempo com os amigos, assumir maior compromisso com as coisas de Deus e, muito certamente, perder alguns quilos que tanto o incomodam. Um amigo me disse que está com um sério problema de metabolismo: Mais de “bolismo” que de “meta...
Não quero desestimulá-lo, mas todos já tomamos decisões bem-intencionadas que infelizmente não deram em nada. Nossos padrões de comportamento quanto aos hábitos alimentares, uso do dinheiro, vida espiritual e agenda são geralmente muito arraigados e precisamos de uma dose extra de vontade para superar estas deformações. Um antigo ditado afirma que “Velhos hábitos são difíceis de morrer”. Estatísticas apontam para o fato que 97% das resoluções de Ano-Novo nunca são cumpridas.
Mark Twain, sarcástico humorista americano disse que “O Ano-Novo é uma instituição anual inofensiva, de nenhuma utilidade especial a não ser como desculpa para bêbados desenfreados, abraços bem-intencionados e resoluções bobas”.
Deixando o cinismo e pessimismo de lado, Ano-Novo nos sugere um olhar para a frente e ver o futuro sob um novo ângulo, de sonhar com uma visão maior. Afinal, “o medo de perder nos impede de ganhar”. Eu sei quão pusilânime é a minha vontade e que certamente vou me esquecer e me atrapalhar com estas novas resoluções, mas ainda assim quero continuar sonhando. Mário Quintana em Lili Inventa o Mundo, declara que uma vida não basta apenas ser vivida: também precisa ser sonhada.
Pior que sonhar e não se cumprir é perder os sonhos. A vida não é feita por possibilidades, mas por convicções que muitas vezes parecem loucura. Deus opera por meio destas visões e antecipações do futuro. A.W.Tozer "Deus está buscando por aqueles a quem ele possa realizar o impossível." 
Mais importante ainda: Sabemos de alguém que vai cumprir as suas resoluções no próximo ano: Deus nunca falha, ele é fiel, e nele sempre temos o sim. “Eu, o Senhor, é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, pensamentos de bem e não de mal, para vos dar o fim que desejais”. Ele sempre está presente quando eu estou no meu limite, sempre se revela quando o quarto está escuro demais, quando as esperanças e utopias parecem de desfazer. Ele está presente quando eu sou ausente, fala no meio de minha confusão e impetuosidade pueril.
Por isto precisamos sonhar, mesmo que nossas incongruências nos denunciem. “Eu gosto mais dos sonhos do futuro, que da história do passado” (Thomas Jefferson). Afinal, eu não sei o que, mas quem me aguarda no futuro. 

Natal – A grande noticia dos céus




Quando o anjo se manifestou aos pastores de Belém lhes disse: “Não temais, eis que vos trago boa nova de grande alegria, que será para todo povo. É que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador que é Cristo, o Senhor”.
Boas novas! Como precisamos de notícias que nos tragam alegria!
Elas contrastam com más as más notícias que sempre ouvimos. O que dá ibope, vende jornais e atrai audiência para os telejornais são as tragédias e escândalos, traições e bizarrices. Existe até mesmo um ditado antigo que diz: “Notícia ruim anda rápido!”. Os anjos anunciam Boas Novas. Elas diferem das notícias que costumeiramente nos chegam.
O anúncio angelical, fala também que elas são novas. Não são reportagens requentadas, ou que no máximo, mudaram os rótulos. Leia as capas de jornais nesta mesma época do ano passado e verá que elas não diferem muito das que estão sendo retratadas hoje. Os políticos continuam saracoteando, os artistas ganharam milhares de dólares por causa de suas bizarrices e escândalos, a violência da cidade está aumentando, os impostos vão desequilibrar. Como diz a música Veja Margarida, composta por Vital Farias três décadas atrás: “Veja meu bem, gasolina vai subir de preço, e eu não quero nunca mais, seu endereço; ou é o começo do fim, ou é o fim...” As notícias são as mesmas. Elas não são novas. Os buracos das estradas aumentaram, a moral está em queda, o governo está comprometido com grupos financeiros e lobistas. No seu pessimismo conhecido, o autor de Eclesiastes afirmou três milênios atrás o que hoje percebemos tão bem: “Não há nada novo debaixo do sol... o que foi é o que há de ser, e o que se fez, isto se tornará a fazer... O que é já foi, e o que há de ser, também já foi; Deus fará renovar-se o que se passou” (Ec 1.9; 3.15).
Só o céu pode nos trazer novas notícias. A natureza se repete no rito interminável de ir e vir. Uns morrem, outros nascem; uns perdem, outros ganham; uns amam, outros deixam de amar. Nada há novo debaixo do sol, a não ser que Deus renove as coisas.
A notícia dada pelos anjos afirmam ainda que trariam grandes alegrias. Neste ano recebi um sinistro telefonema de um colega meu. Uma tragédia havia se abatido em Palmas com a perda de uma sobrinha querida num acidente de carro. As notícias chegam, mas quase nunca são boas. Os anjos anunciam boas novas de grande alegria. Que outras boas notícias nos cheguem aos ouvidos para nos alegrar diante de tanta dor e perplexidade.
Eventualmente sentimos euforia quando nosso time vence o campeonato, ou quando as aplicações financeiras rendem bons dividendos, ou porque o balanço da empresa foi lucrativo, ou por receber um bônus salarial da empresa. Notícias como estas trazem euforia, mas não grande alegria. Você vibra com todas estas coisas, mas o que realmente pode lhe trazer uma reviravolta de humor e entusiasmo em sua vida? Se o teu coração não for tocado pelas coisas celestiais, o resultado será o mesmo que Salomão experimentou: “Tudo quanto desejaram os meus olhos, não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com as minhas fadigas, e isto era a recompensa de todas elas” (Ec 2.10).
A notícia dada pelos anjos fala do nascimento de um menino. O sinal era marcado pela simplicidade. Ele estava envolto em panos, numa estrebaria. Nenhum holofote, a imprensa local não se aproximou para registrar aquele momento, as autoridades ignoraram o evento, e mesmo os sacerdotes de Jerusalém que sabiam o que estava acontecendo, desprezaram a novidade trazida pelos magos.
No entanto, esta notícia dada pelos céus, restaura a confiança na humanidade, o desespero interno e a ausência de sentido. Estas boas novas nos enlevam, trazem esperança, encorajam, porque são boas novas trazidas dos céus. Saber que Deus resolveu demonstrar seu amor pela humanidade, assumindo o rosto de um bebê, faz toda diferença na existência.

domingo, 23 de dezembro de 2012

A Subversão do Natal




Nesta semana buscava inspiração em frases sobre o natal, que podem facilmente ser encontradas nos sites de busca da internet, quando percebi que em nenhum momento, a memória popular associa natal ao nascimento de Cristo, mas apenas ao papai-noel e às festividades.
Então, fui para as páginas iniciais dos quatro evangelhos que narram o nascimento de Jesus na Bíblia, o que geralmente faço todos os anos. Se você tiver interesse em fazer estas leituras, abra a Bíblia nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João e leia seus capítulos iniciais.
Ao ler estas páginas, me deparei com a conhecida narrativa do anúncio do anjo aos pastores ao redor de Belém. Só então percebi como o natal se mostra subversivo neste relato bíblico.
Em primeiro lugar, porque transforma a vida monótona dos pastores, no seu cuidado cansativo e repetitivo de vigiar ovelhas, no calor do dia e no frio da noite, naquela inóspita região onde nada de excepcional acontecia, a não ser um eventual ataque de predadores contra o rebanho. Agora, porém, os pastores se tornam protagonistas de um evento que os coloca no epicentro da história que passaria a ser contada todos os anos, ao redor do mundo. A vida cansativa e tediosa encontra outra dimensão e sentido.
Em segundo lugar, substitui o medo por alegria. Eles ficaram aterrados ao ver o anjo que lhes diz: “Não temais! Eis que vos trago boas novas de grande alegria que o será para todos os povos, é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o salvador que é Cristo o Senhor”. Imediatamente o pavor inicial se transforma em deslumbramento e encantamento – como isto é revolucionário. Ao ler este relato fico pensando quantos estão vivendo nestes dias acuados e desencorajados, ameaçados por pessoas e circunstâncias, e que podem ser impactados por uma nova compreensão e sentido.
Em terceiro lugar, porque substitui prepotência por humildade. O Rei dos reis decide nascer, não num palácio, mas numa estrebaria; ele se associa não aos nobres, mas aos campesinos; não se manifesta aos poderosos, mas aos que se encontram na periferia da vida. No cântico de Maria, vemos claramente estas afirmações: “Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos”.
Fiquei considerando tudo isto, e nas implicações destes fatos para nossa história pessoal. Como o natal pode subverter o caos, a tristeza, a prepotência, solidão e monotonia em nossos lares e em nossos corações. Afinal, o natal historicamente se deu em Belém, num tempo e geografia específicos; mas existencialmente acontece todos os dias, quando nos deparamos espiritualmente com este menino que é o salvador, palavra sugestiva, já que não se pode salvar quem não está desencontrado e perdido. E o Filho do Homem veio exatamente para isto: Buscar o salvar aquele que perdeu o eixo da sua história, e que pode refazê-la num encontro pessoal com a graça e presença deste Deus que visitou nosso planeta.