Esta era a saudação mais usada pelos cristãos primitivos logo após a ressurreição de Cristo. Quando se encontravam nas ruas ou nas casas, faziam esta declaração que era também sua profissão de fé: Jesus Vive!
É exatamente isto que celebramos na Páscoa. Apesar de que hoje em dia a Páscoa é mais conhecida pelo coelho que bota ovos de todos os tamanhos e cores, esta festa cristã não está relacionada à chocolates e presentes, mas à vitória de Cristo sobre a morte.
As gôndolas estão cheias de ovos de páscoa, e desta forma a figura do coelho mágico é que sobressai. Se perguntarmos às crianças ou mesmo aos adultos sobre o símbolo da páscoa, certamente coelhos ou ovos serão as respostas mais comuns. No entanto, o coelho entra como um intruso num evento do qual não faz parte.
A grande figura da páscoa é o Cordeiro de Deus. Jesus é o nosso “Cordeiro Pascal”. A Páscoa está relacionada ao Cordeiro que tira o pecado do mundo. Páscoa nos lembra o sangue derramado pelo Cordeiro que assumiu nosso lugar. Páscoa nos lembra também da ressurreição do Filho de Deus.
A ressurreição de Cristo é um dos eventos mais celebrados por aqueles que professam a fé cristã. De fato, o que pode ser mais significativo para nossa fé que a compreensão de que Jesus, o Filho de Deus, venceu a morte? Sua vitória sobre a morte é o atestado do seu poder e majestade. Homens malignos podem simular e afirmar serem capazes de grandes feitos, mas quem pode ter vitória sobre a morte senão alguém singular?
Quando os discípulos foram levados diante do sinédrio, a corte suprema do judaísmo, receberam a ordem de que não falassem mais deste Cristo. E a resposta deles não poderia ser diferente: Como poderemos deixar de falar destas verdades? “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29). Os membros do sinédrio ficaram convencidos de que algo grandioso havia acontecido. “Na verdade, é manifesto a todos os habitantes de Jerusalém que um sinal notório foi feito por eles, e não o podemos negar” (At 4.16).
Porque Jesus vive, afirmamos sua divindade.
Porque Jesus vive reconhecemos sua autoridade.
Porque Jesus vive, podemos crer no amanhã.
Paulo diz que se a ressurreição de Cristo não aconteceu, somos os mais infelizes dos homens (1 Co 15.19), e nossa fé e pregação nada mais é que pura vaidade (1 Co 15.14) e ainda permanecemos nos nossos pecados (1 Co 15.17), além de sermos “tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam” (1 Co 15.15).
Porque Jesus vive, podemos também crer em nossa própria ressurreição. Sua morte aponta para o fato de que Jesus é a primícia dos que dormem (1 Co 15.20).
Hoje celebramos, exultamos e cantamos louvores Àquele que vive e reina pelos séculos dos séculos!
domingo, 1 de maio de 2011
Comer, Rezar, Amar
Na medida do possível tento ler os Best-sellers, porque compreendo que livros com grandes tiragens e cópias, assim como músicas e filmes, fazem sucesso porque de alguma forma são capazes de traduzir o sentimento coletivo de uma comunidade. O livro, a carta escarlate, de Nathaniel Hawthorne, jamais faria sucesso em nossos dias. O Best-seller acima, escrito pela jornalista Elizabeth Gilbert, já vendeu mais de quatro milhões de cópias e foi traduzido em 36 línguas. A autora relata suas experiências na Itália, Índia e Indonésia, em busca de auto conhecimento, após uma crise existencial e um divórcio doloroso.
Por esta razão me aproximei de “Comer, rezar, amar”. Seu estilo é charmoso e atraente e flui com naturalidade. Na primeira parte, fala de seu reencontro com o prazer de comer nos meses que passa na Itália, sem se condenar e sem analisar quantas calorias estava devorando diariamente.
Na segunda parte, Rezar, fala de suas experiências com o sobrenatural. Seu primeiro encontro se dá dentro do banheiro de sua casa, depois de uma crise com o marido e nas vésperas de iniciar seu processo de divórcio. Na terceira parte, Amar, relata suas aventuras ao encontrar um brasileiro na Indonésia e na descoberta do seu sentido de se relacionar novamente com alguém.
Minhas impressões?
Antes de mais nada, a vaga concepção de Deus. Em alguns momentos ela O define como um Ser sobrenatural, noutras com a natureza e ainda com o seu Eu interior, que na tradição budista é a essência da divindade. O Budista não crê em um Deus pessoal, mas a divindade é encontrada dentro de si mesmo e nas dimensões de sua ancestralidade. Curiosamente, é uma religião sem Deus. Portanto, a busca da autora por Deus é algo “Nowhere, Nobody e Non-sense” (Em lugar algum, a nenhuma pessoa e sem sentido algum). Algo bem distinto da religiosidade Judaico-cristã, que fala em um Deus que tem identidade e personalidade, que se apresenta como “O Deus de Abraão, Isaque e Jacó”, como o “Deus Pai-Filho-Espírito Santo”, que são três pessoas subsistindo em forma de uma só.
Por ter um deus vago, possui também uma ética vaga. Como as pessoas se parecem com seus deuses, um deus amorfo e impessoal não traz em si características estéticas ou morais. Por isto, sexualidade é uma “aposta interessante”, num “momento interessante”, para resolver uma carência existencial do momento. Depois de uma semana de disciplina ascética e espiritual, a autora não tem dificuldade para um encontro amoroso casual.
Já que Best-sellers traduzem o sentimento de uma época, e se esta é a espiritualidade e ética da pós-modernidade, e eu creio que sim, fiquei com um sentimento de que teremos grandes desafios no desenvolvimento de nossa fé pessoal e na educação moral desta geração.
Por esta razão me aproximei de “Comer, rezar, amar”. Seu estilo é charmoso e atraente e flui com naturalidade. Na primeira parte, fala de seu reencontro com o prazer de comer nos meses que passa na Itália, sem se condenar e sem analisar quantas calorias estava devorando diariamente.
Na segunda parte, Rezar, fala de suas experiências com o sobrenatural. Seu primeiro encontro se dá dentro do banheiro de sua casa, depois de uma crise com o marido e nas vésperas de iniciar seu processo de divórcio. Na terceira parte, Amar, relata suas aventuras ao encontrar um brasileiro na Indonésia e na descoberta do seu sentido de se relacionar novamente com alguém.
Minhas impressões?
Antes de mais nada, a vaga concepção de Deus. Em alguns momentos ela O define como um Ser sobrenatural, noutras com a natureza e ainda com o seu Eu interior, que na tradição budista é a essência da divindade. O Budista não crê em um Deus pessoal, mas a divindade é encontrada dentro de si mesmo e nas dimensões de sua ancestralidade. Curiosamente, é uma religião sem Deus. Portanto, a busca da autora por Deus é algo “Nowhere, Nobody e Non-sense” (Em lugar algum, a nenhuma pessoa e sem sentido algum). Algo bem distinto da religiosidade Judaico-cristã, que fala em um Deus que tem identidade e personalidade, que se apresenta como “O Deus de Abraão, Isaque e Jacó”, como o “Deus Pai-Filho-Espírito Santo”, que são três pessoas subsistindo em forma de uma só.
Por ter um deus vago, possui também uma ética vaga. Como as pessoas se parecem com seus deuses, um deus amorfo e impessoal não traz em si características estéticas ou morais. Por isto, sexualidade é uma “aposta interessante”, num “momento interessante”, para resolver uma carência existencial do momento. Depois de uma semana de disciplina ascética e espiritual, a autora não tem dificuldade para um encontro amoroso casual.
Já que Best-sellers traduzem o sentimento de uma época, e se esta é a espiritualidade e ética da pós-modernidade, e eu creio que sim, fiquei com um sentimento de que teremos grandes desafios no desenvolvimento de nossa fé pessoal e na educação moral desta geração.
A Riqueza Indígena
Comemoramos no dia 19 de Abril o dia do Índio. Para Daniel Munduruku, de uma tribo do Pará, formado em história e psicologia, e um dos primeiros índios com doutorado no Brasil, “Manter-se vivo é a maior contribuição que o índio pode dar ao Brasil... Ao manterem-se vivos, esses povos vão trazer uma riqueza cultural, espiritual, moral, que só faz bem ao Brasil... Infelizmente, o país ainda não despertou para isso. Não percebeu que a grande contribuição dos indígenas para o Brasil, é a existência dos indígenas”.
Um dos bons amigos que tenho é da tribo Macuxi, Roraima, e que viveu até os 12 anos entre seu povo. Ouvir suas histórias, ter um lampejo de sua cosmovisão e entender a leitura de mundo que ele traz é para mim uma pós graduação em Antropologia Cultural. Certamente ele enfrenta ambigüidades que não são fáceis de serem administradas, porém, sua sensibilidade para determinadas áreas da vida, sua relação com o Sagrado e sua riqueza de alma, traz uma grandeza que sempre enriquece meu coração.
Perder esta diversidade cultural nos empobrece culturalmente. Atualmente existem 250 povos indígenas teimosamente falando 180 línguas no Brasil. Ao ser chamado de “Índio”, Munduruku ironiza afirmando que não é um índio. Para ele, “índio”, é uma denominação genérica que não reflete o que eles realmente são. “Antes de ser índio, pertenço a um grupo específico, que tem suas crenças, tradições, seus rituais e uma forma própria de lidar com o mundo. Uma forma diferente, inclusiva, dos outros povos que vivem ao redor da gente”.
Conviver, apreciar, aprender com outros povos é uma riqueza maravilhosa. Quem pode estar certo de que nossa percepção e visão de mundo é a melhor?
Eis algumas riquezas que devemos considerar: (a)- Povos minoritários colocam em xeque a cultura do individualismo. Para eles, o senso comunitário deve sempre prevalecer sobre o indivíduo, e sua prática social corresponde à visão que possuem. Um resgate desta visão não nos enriqueceria? (b)- E quando pensamos na nossa cultura de ganância, acúmulo e poupança? O desapego indígena por coisas é contracultural e também deve nos ensinar. (c)- E nossa relação com o ecossistema? O Ocidente tende a ver a natureza como alguma coisa a ser conquistada, mas para povos indígenas, o meio ambiente é um companheiro de caminhada nesse planeta.
Muitas áreas poderiam ser consideradas nesta abordagem, por isto é importante considerar quão pobre nos tornamos ao desprezarmos a riqueza da cosmovisão indígena. Quanta riqueza estamos jogando fora...
Um dos bons amigos que tenho é da tribo Macuxi, Roraima, e que viveu até os 12 anos entre seu povo. Ouvir suas histórias, ter um lampejo de sua cosmovisão e entender a leitura de mundo que ele traz é para mim uma pós graduação em Antropologia Cultural. Certamente ele enfrenta ambigüidades que não são fáceis de serem administradas, porém, sua sensibilidade para determinadas áreas da vida, sua relação com o Sagrado e sua riqueza de alma, traz uma grandeza que sempre enriquece meu coração.
Perder esta diversidade cultural nos empobrece culturalmente. Atualmente existem 250 povos indígenas teimosamente falando 180 línguas no Brasil. Ao ser chamado de “Índio”, Munduruku ironiza afirmando que não é um índio. Para ele, “índio”, é uma denominação genérica que não reflete o que eles realmente são. “Antes de ser índio, pertenço a um grupo específico, que tem suas crenças, tradições, seus rituais e uma forma própria de lidar com o mundo. Uma forma diferente, inclusiva, dos outros povos que vivem ao redor da gente”.
Conviver, apreciar, aprender com outros povos é uma riqueza maravilhosa. Quem pode estar certo de que nossa percepção e visão de mundo é a melhor?
Eis algumas riquezas que devemos considerar: (a)- Povos minoritários colocam em xeque a cultura do individualismo. Para eles, o senso comunitário deve sempre prevalecer sobre o indivíduo, e sua prática social corresponde à visão que possuem. Um resgate desta visão não nos enriqueceria? (b)- E quando pensamos na nossa cultura de ganância, acúmulo e poupança? O desapego indígena por coisas é contracultural e também deve nos ensinar. (c)- E nossa relação com o ecossistema? O Ocidente tende a ver a natureza como alguma coisa a ser conquistada, mas para povos indígenas, o meio ambiente é um companheiro de caminhada nesse planeta.
Muitas áreas poderiam ser consideradas nesta abordagem, por isto é importante considerar quão pobre nos tornamos ao desprezarmos a riqueza da cosmovisão indígena. Quanta riqueza estamos jogando fora...
Nos encontraremos no Paraíso
Ficamos chocados nesta semana com a tragédia que envolveu nosso irmão Deocleciano Moreira Alves, quando sua lancha desgovernou-se no Rio Araguaia, ceifando sua vida aos 58 anos de idade. Depois de 2 dias de busca seu corpo foi encontrado 32 kms abaixo do local do acidente. Ele é pai de nossa irmã Roberta (Rafael) e a igreja esteve presente nestes momentos carregados de perplexidade.
O que poucos sabem é que, antes de sair para o seu fatídico passeio de lancha, ficou falando sobre a bíblia com seus amigos por quase 2 horas, e para encerrar este tempo de conversa afirmou: “O que eu sei é que todos nos encontraremos no Paraíso”.
Paraíso é um dos termos bíblicos para designar o céu, lugar das beatitudes. Alguns judeus criam era um dos “andares” da estrutura celestial, mas a bíblia não dá nenhuma margem para este tipo de especulação, e Jesus também não via diferença entre céu e paraíso. Quando foi crucificado, um dos ladrões suplica: “Lembra-te de mim quando vieres no teu reino”, e Jesus responde: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.42-43). Portanto, este era o destino final de Jesus, seu “ponto de parada” na eternidade, e ele promete àquele homem desesperançado, uma vida eterna ao seu lado. Que grande promessa...
Paraíso, antes de ser um local, porém, é um estado de beatitude. O que faz do paraíso um lugar tão especial é que ali a presença de Deus é plena. Não há sinais do pecado, nem da ação do maligno e do mal. O inferno pode ser definido como a ausência absoluta de Deus, enquanto o céu é o local onde Deus enche tudo em todas as coisas. Jesus promete ao ladrão que naquele mesmo dia, eles se encontrariam em algum lugar para além da história.
É maravilhoso saber que Jesus nos espera neste lugar. Já na presente época, nossa vida se reveste de sentido quando Deus está ao nosso lado, pois, seja “em casa ou gruta, boa ou ruim, é sempre céu com Cristo em mim”. Saber que poderemos ver Jesus, e reencontrar pessoas que amamos neste lugar, é uma promessa maravilhosa. Afinal, estamos absolutamente certos de que “todos nos encontraremos no Paraíso”.
O que poucos sabem é que, antes de sair para o seu fatídico passeio de lancha, ficou falando sobre a bíblia com seus amigos por quase 2 horas, e para encerrar este tempo de conversa afirmou: “O que eu sei é que todos nos encontraremos no Paraíso”.
Paraíso é um dos termos bíblicos para designar o céu, lugar das beatitudes. Alguns judeus criam era um dos “andares” da estrutura celestial, mas a bíblia não dá nenhuma margem para este tipo de especulação, e Jesus também não via diferença entre céu e paraíso. Quando foi crucificado, um dos ladrões suplica: “Lembra-te de mim quando vieres no teu reino”, e Jesus responde: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.42-43). Portanto, este era o destino final de Jesus, seu “ponto de parada” na eternidade, e ele promete àquele homem desesperançado, uma vida eterna ao seu lado. Que grande promessa...
Paraíso, antes de ser um local, porém, é um estado de beatitude. O que faz do paraíso um lugar tão especial é que ali a presença de Deus é plena. Não há sinais do pecado, nem da ação do maligno e do mal. O inferno pode ser definido como a ausência absoluta de Deus, enquanto o céu é o local onde Deus enche tudo em todas as coisas. Jesus promete ao ladrão que naquele mesmo dia, eles se encontrariam em algum lugar para além da história.
É maravilhoso saber que Jesus nos espera neste lugar. Já na presente época, nossa vida se reveste de sentido quando Deus está ao nosso lado, pois, seja “em casa ou gruta, boa ou ruim, é sempre céu com Cristo em mim”. Saber que poderemos ver Jesus, e reencontrar pessoas que amamos neste lugar, é uma promessa maravilhosa. Afinal, estamos absolutamente certos de que “todos nos encontraremos no Paraíso”.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Você tem uma causa para lutar?
No final do ano passado a polícia carioca invadiu o Complexo dos Alemães para expulsar traficantes que haviam transformado aquele lugar no seu quartel general. Uma operação de guerra foi montada, mas o que se viu foi uma patética correria de bandidos tentando escapar, amontoados e desorganizados em carros e pelo meio do mato, cena que foi mostrada na imprensa em todo mundo. Certa pessoa fez o seguinte comentário: “Bandidos não enfrentam, porque não possuem uma causa para lutar”.
Tenho visto jovens e adultos desejosos de construir sua história de forma significativa. Não basta apenas ter bom emprego e garantir o salário no final de mês; é necessário encontrar propósito naquilo que fazem. Muitos perguntam: “Qual é o objetivo de minha vida? A vida é apenas ganhar dinheiro para viver e viver para ganhar dinheiro?” Todos precisamos de sentido para viver, e isto é muito mais do que ter uma boa faculdade, conseguir um bom emprego e ter aplicações na bolsa.
Alguns anos atrás, um turista estrangeiro veio passar suas férias em Anápolis; ele nunca havia jogado futebol, mas para se relacionar com os novos amigos, aceitou o convite para um “futebol society”. Não possuía roupas adequadas para o esporte e então, foi a uma loja e comprou todos acessórios que o vendedor disse que eram necessários: calção, meião, chuteira, tornozeleira e até caneleira. Chegou no horário e lugar marcado, parecendo um pavão.
Os times foram escolhidos e lhe foi dada uma posição no campo. Depois de dez minutos, alguém percebeu que ele estava desorientado no campo, e lhe perguntou se ele estava gostando do jogo. Ele respondeu que sim, mas que não sabia para que lado deveria chutar a bola...
Não é muito raro vermos pessoas assim. Correndo muito sem saber onde querem chegar, uma espécie de Forrest Gun. No final, sentem-se cansadas por não encontrarem propósito e razão naquilo que fazem.
As grandes questões da vida são: “De onde vim, por que existo e para onde estou indo”. Quando não encontramos respostas satisfatórias para estas questões, o resultado é frustração e cansaço, independente daquilo que viermos a fazer, porque perdemos a direção. A vida encontra sentido, quando encontramos um Norte.
Jean Paul Sartre afirmou: “ Nenhum ponto finito pode ter sentido se não estiver associado a um ponto infinito”. Ele estava certo. Todos precisamos de um significante para o objeto significado. Não faz sentido dizer: “Isto é reto” ou “isto é torto!”, se não houver conexão para estes pontos.
Como criaturas de Deus, encontramos sentido quando nos identificamos com o nosso criador, e descobrimos a causa de termos sido criados. Santo Agostinho disse: “Minha alma só encontra paz quando descansa em Deus”.
Conquistas, sucesso, posição, dinheiro, fama e reconhecimento podem nos atrair e divertir, mas o sentido da vida só pode ser encontrado em Deus, o centro do qual facilmente nos desviamos e para o qual encontramos tanta dificuldade em voltar.
jornal contexto, 07 fev 2011
Tenho visto jovens e adultos desejosos de construir sua história de forma significativa. Não basta apenas ter bom emprego e garantir o salário no final de mês; é necessário encontrar propósito naquilo que fazem. Muitos perguntam: “Qual é o objetivo de minha vida? A vida é apenas ganhar dinheiro para viver e viver para ganhar dinheiro?” Todos precisamos de sentido para viver, e isto é muito mais do que ter uma boa faculdade, conseguir um bom emprego e ter aplicações na bolsa.
Alguns anos atrás, um turista estrangeiro veio passar suas férias em Anápolis; ele nunca havia jogado futebol, mas para se relacionar com os novos amigos, aceitou o convite para um “futebol society”. Não possuía roupas adequadas para o esporte e então, foi a uma loja e comprou todos acessórios que o vendedor disse que eram necessários: calção, meião, chuteira, tornozeleira e até caneleira. Chegou no horário e lugar marcado, parecendo um pavão.
Os times foram escolhidos e lhe foi dada uma posição no campo. Depois de dez minutos, alguém percebeu que ele estava desorientado no campo, e lhe perguntou se ele estava gostando do jogo. Ele respondeu que sim, mas que não sabia para que lado deveria chutar a bola...
Não é muito raro vermos pessoas assim. Correndo muito sem saber onde querem chegar, uma espécie de Forrest Gun. No final, sentem-se cansadas por não encontrarem propósito e razão naquilo que fazem.
As grandes questões da vida são: “De onde vim, por que existo e para onde estou indo”. Quando não encontramos respostas satisfatórias para estas questões, o resultado é frustração e cansaço, independente daquilo que viermos a fazer, porque perdemos a direção. A vida encontra sentido, quando encontramos um Norte.
Jean Paul Sartre afirmou: “ Nenhum ponto finito pode ter sentido se não estiver associado a um ponto infinito”. Ele estava certo. Todos precisamos de um significante para o objeto significado. Não faz sentido dizer: “Isto é reto” ou “isto é torto!”, se não houver conexão para estes pontos.
Como criaturas de Deus, encontramos sentido quando nos identificamos com o nosso criador, e descobrimos a causa de termos sido criados. Santo Agostinho disse: “Minha alma só encontra paz quando descansa em Deus”.
Conquistas, sucesso, posição, dinheiro, fama e reconhecimento podem nos atrair e divertir, mas o sentido da vida só pode ser encontrado em Deus, o centro do qual facilmente nos desviamos e para o qual encontramos tanta dificuldade em voltar.
jornal contexto, 07 fev 2011
Quem aprende não perde tempo!
Estou lendo o livro de Ingrid Betancourt, “Não há silêncio que não termine”. Senadora na Colômbia, quando foi seqüestrada pelos guerrilheiros das Farcs no auge da campanha política para presidência daquele país, ficando 9 anos na selva amazônica, debaixo de constantes ameaças, tendo que mudar constantemente de local no meio da selva, em prisões miseráveis e com tudo absolutamente regrado e controlado.
O livro faz rever valores e nos ajuda a entender como nossa perspectiva pode mudar, quando as circunstâncias mudam. Na selva, coisas desprezadas, como uma lata de atum, um pouco de açúcar ou mesmo um ovo, podiam ser considerados artigos de luxo. Mostra também o que pode acontecer conosco debaixo de pressão e ameaças, e os efeitos que isto pode causar na psiquê humana; mostra ainda como um grupo de gente politizada, elitizada e civilizada pode se tornar embrutecido em situações de extrema escassez.
Um dia, Betancourt ganhou um dicionário enciclopédico, no meio do mato e da civilização, e isto lhe foi um verdadeiro achado, já que podia manter sua mente arejada com novas informações e trazer conhecimentos. Quando ela recebe o livro faz uma afirmação significativa: “Quem aprende não perde tempo!”. Lembrou-se de uma frase antiga de seu pai: “Nosso capital de vida se conta em segundos. Quando esses segundos se escoam, não se recuperam mais”.
Considerei quanto perdemos do precioso tempo que temos. Deixamos de investir naquilo que é durável, significativo e produtivo para nossas mentes e nossos relacionamentos. Paramos de pesquisar e nos aperfeiçoar. Ficamos lamentando o curso da faculdade que deveríamos ter cursado, a pós graduação que precisávamos concluir, como se não tivéssemos mais condições de fazê-lo. Ainda deixamos de investir em pessoas que amamos e gastamos tempo de forma fútil e sem objetivo.
A Bíblia nos ensina a remirmos nosso tempo. É um apelo para que usemos nossa vida de forma sábia, este valioso bem que é o tempo.
Para Betancourt, ser privada de sua liberdade era como ser roubada do direito de dispor do seu tempo, e isto lhe parecia um crime irreparável. Por isto, aquela enciclopédia se tornou um bem tão precioso, já que lhe permitia que continuasse estudando e aprendendo, assim não dilapidaria os melhores anos de sua existência, mesmo diante daquelas condições hostis que lhe privava do direito de fazer o que bem quisesse de seu valioso tesouro: O tempo!
O livro faz rever valores e nos ajuda a entender como nossa perspectiva pode mudar, quando as circunstâncias mudam. Na selva, coisas desprezadas, como uma lata de atum, um pouco de açúcar ou mesmo um ovo, podiam ser considerados artigos de luxo. Mostra também o que pode acontecer conosco debaixo de pressão e ameaças, e os efeitos que isto pode causar na psiquê humana; mostra ainda como um grupo de gente politizada, elitizada e civilizada pode se tornar embrutecido em situações de extrema escassez.
Um dia, Betancourt ganhou um dicionário enciclopédico, no meio do mato e da civilização, e isto lhe foi um verdadeiro achado, já que podia manter sua mente arejada com novas informações e trazer conhecimentos. Quando ela recebe o livro faz uma afirmação significativa: “Quem aprende não perde tempo!”. Lembrou-se de uma frase antiga de seu pai: “Nosso capital de vida se conta em segundos. Quando esses segundos se escoam, não se recuperam mais”.
Considerei quanto perdemos do precioso tempo que temos. Deixamos de investir naquilo que é durável, significativo e produtivo para nossas mentes e nossos relacionamentos. Paramos de pesquisar e nos aperfeiçoar. Ficamos lamentando o curso da faculdade que deveríamos ter cursado, a pós graduação que precisávamos concluir, como se não tivéssemos mais condições de fazê-lo. Ainda deixamos de investir em pessoas que amamos e gastamos tempo de forma fútil e sem objetivo.
A Bíblia nos ensina a remirmos nosso tempo. É um apelo para que usemos nossa vida de forma sábia, este valioso bem que é o tempo.
Para Betancourt, ser privada de sua liberdade era como ser roubada do direito de dispor do seu tempo, e isto lhe parecia um crime irreparável. Por isto, aquela enciclopédia se tornou um bem tão precioso, já que lhe permitia que continuasse estudando e aprendendo, assim não dilapidaria os melhores anos de sua existência, mesmo diante daquelas condições hostis que lhe privava do direito de fazer o que bem quisesse de seu valioso tesouro: O tempo!
O que pensar no meio do caos?
Nesta semana, acompanhado de um amigo, fomos a Inhumas para realizar o funeral de D. Célia, conhecida odontóloga da cidade, mãe de Marília, que havia perdido seu filho de forma trágica num acidente a 15 dias atrás, entrou em coma e também não resistiu aos ferimentos.
Fui convidado a trazer uma palavra de esperança no meio de tanta dor. O que podemos pensar ou dizer em horas tão aflitivas?
Lembrei-me de uma palavra dita pelo profeta Jeremias, no meio de um desabafo quando sua cidade foi destruída pelos inimigos: “Quero trazer à memória, o que me pode dar esperança, as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim, renovam-se a cada manhã, grande é a sua fidelidade” (Lam 3.23,24).
Quero trazer à memória....
Jeremias sentiu na pele a trágica experiência da perda, sendo testemunha da invasão dos caldeus em Jerusalém. Viu corpos no chão, a fumaça dos prédios em chamas provocadas pelos invasores, o choro das crianças desorientadas no meio das ruas procurando seus pais que foram exterminados. Viu o templo, centro de sua adoração e fé, completamente destruído e saqueado, gente querida brutalmente assassinada. A situação era catastrófica, e até mesmo para um otimista era difícil enxergar qualquer vislumbre de esperança.
Nesta hora, tenta lembrar algo que pudesse dar sentido ao caos, organizar o vácuo de sua alma, e a única coisa que conseguiu foi encontrar em Deus resposta ao seu mundo desestruturado: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos”. Ele afirma que tais memórias foram as únicas que se tornaram exeqüíveis, dando algum sentido e coerência ao seu vazio existencial e histórico.
O que pode nos sustentar diante do trágico e do caótico? A quem recorrer? O que pensar? Buscar força em nossa auto estima? Impossível! Pensar na leitura romântica da realidade ou na bondade inerente da raça humana? Tentar formular explicações ambíguas e contraditórias de nossas equações mentais? Nada disto é suficiente.
Nestas horas precisamos meditar nos mistérios de Deus e vislumbrar a supra história, que vai para além de nossa história comum e banal, afinal, como diz Riobaldo, personagem de Grande Sertão, Veredas (Guimarães Rosa): “Há que se encontrar um norteado para esta doideira que é a vida”. Só o mistério de Deus, pode lançar luz à nossa dor, transcender limites de nossas perplexidades e especulações. Só seu consolo pode visitar a nossa orfandade e nos manter firmes diante de tão profundas perturbações.
jornal contexto 04 jan 2011
Fui convidado a trazer uma palavra de esperança no meio de tanta dor. O que podemos pensar ou dizer em horas tão aflitivas?
Lembrei-me de uma palavra dita pelo profeta Jeremias, no meio de um desabafo quando sua cidade foi destruída pelos inimigos: “Quero trazer à memória, o que me pode dar esperança, as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim, renovam-se a cada manhã, grande é a sua fidelidade” (Lam 3.23,24).
Quero trazer à memória....
Jeremias sentiu na pele a trágica experiência da perda, sendo testemunha da invasão dos caldeus em Jerusalém. Viu corpos no chão, a fumaça dos prédios em chamas provocadas pelos invasores, o choro das crianças desorientadas no meio das ruas procurando seus pais que foram exterminados. Viu o templo, centro de sua adoração e fé, completamente destruído e saqueado, gente querida brutalmente assassinada. A situação era catastrófica, e até mesmo para um otimista era difícil enxergar qualquer vislumbre de esperança.
Nesta hora, tenta lembrar algo que pudesse dar sentido ao caos, organizar o vácuo de sua alma, e a única coisa que conseguiu foi encontrar em Deus resposta ao seu mundo desestruturado: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos”. Ele afirma que tais memórias foram as únicas que se tornaram exeqüíveis, dando algum sentido e coerência ao seu vazio existencial e histórico.
O que pode nos sustentar diante do trágico e do caótico? A quem recorrer? O que pensar? Buscar força em nossa auto estima? Impossível! Pensar na leitura romântica da realidade ou na bondade inerente da raça humana? Tentar formular explicações ambíguas e contraditórias de nossas equações mentais? Nada disto é suficiente.
Nestas horas precisamos meditar nos mistérios de Deus e vislumbrar a supra história, que vai para além de nossa história comum e banal, afinal, como diz Riobaldo, personagem de Grande Sertão, Veredas (Guimarães Rosa): “Há que se encontrar um norteado para esta doideira que é a vida”. Só o mistério de Deus, pode lançar luz à nossa dor, transcender limites de nossas perplexidades e especulações. Só seu consolo pode visitar a nossa orfandade e nos manter firmes diante de tão profundas perturbações.
jornal contexto 04 jan 2011
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