quinta-feira, 6 de junho de 2019

Cegueira por desatenção

Resultado de imagem para imagens cegueira

Cerca de 20 anos atrás, o psicólogo cognitivo, Daniel Simons, fez interessante pesquisa sobre a visão, investigando o que ele chamou de “cegueira por desatenção”, tentando demonstrar a dependência que a visão tem do foco e do valor que damos àquilo que consideramos mais importante, sem perceber todos aspectos e detalhes presentes no campo de visão.

A demonstração que o fez famoso foi algo inacreditável. Ele produziu um vídeo de dois times de basquete com três pessoas cada. Um time usava camisas brancas e outro, pretas. Aquelas seis pessoas preenchiam quase toda a tela do vídeo, portanto eram facilmente percebidas. Cada time tinha a própria bola, e a arremessavam na cesta ou jogavam para os companheiros de equipe. Com o vídeo pronto, Simons mostrou aos participantes pedindo que cada um contasse quantas vezes o time de camisas brancas lançava a bola entre eles, e a maioria ficou atenta e respondeu corretamente, e todos se sentiram bem por terem acertado. Foi então ai que o Dr. Simons perguntou: “Vocês viram o gorila?”

Os participantes acharam que se tratava de uma piada! Um gorila? Ninguém tinha visto! Mas quando o vídeo foi novamente apresentado, perceberam que após um minuto de jogo, um gorila entra bem no meio do campo, por alguns longos segundos, bate no peito daquela forma esteriotipada, bem visível, e agora todos percebem a cena bizarra de um orangotango no meio do jogo e que passara despercebido por todos eles.

Conclusão: Nós vemos o que queremos ver, e não necessariamente o que nos é apresentado. A verdade é que fazemos uma triagem quando olhamos as coisas. Fisiológica e neurologicamente, a maior parte de nossa visão é periférica e de baixa resolução. Direcionamos nossa visão para as coisas que focamos.

Por isto é tão fácil termos uma visão distorcida dos fatos. Pessoas traídas que se recusam a acreditar, porque não querem acreditar. Mães que não disciplinam os filhos por pequenos delitos, porque se recusam a crer que seus filhos criados com tanto amor possam ser ameaçadores ou perigosos. Ideologias que levam as pessoas a crerem naquilo que querem crer. Paranoicos que desenvolvem uma leitura de suspeição dos eventos e não conseguem acreditar em ninguém, porque todos parecem perigosos e suspeitos! Esquizofrênicos que se tornam vítimas de suas alucinações e delírios...

As pessoas se tornam cegas pelos seus desejos. Uma paixão torna a pessoa incapaz de ver os riscos de um relacionamento tóxico, a ambição impede o outro de ser solidário e íntegro. O preço que se paga por este foco excessivo, é a cegueira para todo o resto.

Certamente era deste risco de uma visão deformada e distorcida da vida e de Deus que Jesus estava se refere : “A lâmpada do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mt 6.22)

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Tecnologia e o risco do vazio


Resultado de imagem para imagens perigos digital


Dentre as muitas doenças psiquiátricas diagnosticadas ultimamente, acrescenta-se mais uma ainda quase desconhecida: em inglês, FOMO: Fear Of Missing Out”, literalmente “medo de estar perdendo algo”. 

Do que trata esta doença? 
Trata-se da compulsividade em se alimentar de informações e notícias todo o tempo, da dependência de likes, curtidas, e notícias, relevantes ou não, que são veiculadas a todo tempo nas mídias sociais como Facebook, twitter ou Instagram.  

Recentemente comecei a limpar meu Facebook com quase 2000 amigos, embora, eu mesmo, muito pouco acesse este aplicativo. O que descobri? Que a maioria das pessoas que publicavam fotos e comentários eu sequer conseguia me lembrar delas, ou precisava fazer um enorme esforço para um mínimo de associação necessária. Então, me perguntei: por que eu deveria saber alguma coisa sobre pessoas, se sequer sei quem são? A partir de então, decidi apertar a opção: “deixar de seguir as publicações desta pessoa”, e assim pude valorizar mais aquelas que realmente conheço e com as quais possui alguma conexão emocional. Num clique, elas desapareciam. Pronto!

Pesquisadores do comportamento humano estão percebendo que o sentimento de aceleração temporal encontra-se presente naqueles que ficam mais tempo conectados ao mundo virtual e digital. O “medo de estar perdendo algo”, aumenta a ansiedade e está ligado à depressão.

Pesquisas recentes do Ibope demonstram que 50% dos internautas afirmam não conseguiriam ficar longe dos seus eletrônicos. Alguns adolescentes afirmam que não conseguiriam viver sem celular e que preferiam morrer a ficar sem conexão, e algumas crianças tem rejeitado o convite de seus pais para visitar os avós ou passarem um final de semana na chácara ou fazenda porque lá não possui internet. 

Três dicas para vencer este perigo moderno: 

Primeiro, não fique todo o tempo olhando seu celular. Coloque-o intencionalmente de lado, por quatro horas, e não o atenda. Mesmo que você seja tentado a fazê-lo. Você verá que 99% das cem mensagens que você receberá, neste espaço de tempo, na maioria das vezes, não tem caráter urgente nem valor permanente. Você não perdeu nada importante!

Segundo, viaje para uma fazenda e fique incomunicável. Talvez você sofra inicialmente com isto, mas tente se desgrudar do aparelho. Pode ser uma experiência interessante e transformadora. Dá par viver sem internet, pelo menos um tempo...

Terceiro, Não se assente à mesa para jantar com amigos ou parentes, em casa ou no restaurante, tendo o celular do lado. Não olhe o seu aparelho, deixe-o dentro da bolsa. Isto aumentará consideravelmente a qualidade da conversa. Pode ser que você já não saiba mais fazer isto, mas você reaprenderá. Se você não consegue fazer isto, ou se é compulsivamente levado à tentação de olhar, provavelmente você está entrando no vazio e ansiedade característicos do “FOMO”.

Sessenta anos... Refletindo...


Resultado de imagem para imagens refletindo

Nesta semana me torno sexagenário... para alguns, um marco simbólico de decrepitude. Para mim, curiosamente, uma data com muitos motivos para celebrar. Brinquei com minha esposa que queria fazer seis festas, uma para cada 10 anos. Ah! E também não quero deixar de retirar meu cartão de estacionamento de idoso! No dia exato dos meus 60 anos irei ao órgão responsável para exigir os meus direitos.

Os americanos dizem que esta data é um SOS, cujas iniciais significam: slower (mais lento), older (mais velho) e smarter (mais esperto). Bem, não tenho qualquer dúvida quanto aos dois primeiros termos. Em relação ao último, é questionável... Alguns anos atrás um amigo meu fez 60 anos e, antevendo o fato de que em breve eu também estaria nesta linha de chegada, perguntei-lhe qual era o significado dos 60. Ele então me disse que a idade havia chegado tão rápido que ele sequer tinha se dado conta de que já era um sessentão. Sábia observação.

E é imerso nesse contexto que algumas percepções me vêm à mente:

Dirigir nesta idade se torna uma experiência bem menos estressante e segura. Vejo jovens afobados ultrapassando de forma agressiva e eu apenas os observo. Entendo como pensam... e a verdade é que já não tenho mais tanta pressa. Como bem disse o compositor e poeta Almir Sater: “Ando devagar, porque já tive pressa (...) / Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs (...) / Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente”. Aprendi que uma ultrapassagem ríspida vai me dar tão somente 1 minuto de vantagem para chegar em casa. Então, não faz tanta diferença assim!

Também noto que comer, aos poucos, vai se tornando uma experiência diferente. Tenho aprendido a comer menos e mais devagar. Eu era um touro quando comia! Agora, menos comida me satisfaz e maior volume me dá refluxo. Preciso apreciar melhor cada prato...

Saio menos de casa... por comodismo e preguiça. Voltar para casa tem se tornado uma aventura psicanalítica, sempre boa e restauradora. Minha esposa e eu decidimos não rejeitar nenhum convite para sair com os amigos, embora prefiramos ficar em casa. É que os amigos diminuíram, a preguiça de sair aumentou e precisamos continuar investindo em socialização, pois do contrário seremos esquecidos. O corpo insiste no esforço menor e sentimos que estamos muito novos para sermos velhos.

O olhar sobre a família vai se tornando cada vez mais importante, mas os filhos estão no auge da carreira e cada minuto deles torna-se muito caro. Por isto, estar com eles, em qualquer momento ou situação, é sempre uma enorme celebração. Os pais estão idosos, e com isto, cada momento com eles se reveste de um valor incomensurável... abraçar o pai e a mãe é um exercício de nostalgia e esperança... Os irmãos, envelhecendo conosco, se tornam ponto de referência e associação importantes. Não deve ser fácil não ter irmãos e irmãs, eles são de um valor acima de qualquer análise..

Os amigos diminuem, mas alguns insistem em permanecer conosco. Eles nos amam gratuitamente, apesar de conhecerem os nossos defeitos. Muitos relacionamentos são funcionais, mas alguns deles vão se tornando nosso ponto de contato. Descobrimos que não temos muitos amigos, mas, afinal, não é assim que diz a Sabedoria? "Quem tem muitos amigos sai perdendo?" Os amigos que ficam conosco, são cada vez mais valorosos e inestimáveis. 

Outro aspecto a ser mencionado é que a paciência diminui com os processos humanos, haja vista que há mesmo pessoas que estão sempre “em processo”. Aprendi que, por mais que eu queira, alguns não vão e não querem mudar. Sinto-me cansado em dizer as mesmas coisas às mesmas pessoas, que querem continuar do mesmo jeito. Freud chamava isto de “compulsão à repetição”. Sinto-me menos culpado pelos outros. Não é fácil distinguir entre alguém que verdadeiramente quer e precisa de ajuda e alguém que está apenas explorando o outro que está disposto a ajudar, pois nem todos que estão no fundo do poço querem subir.

Descobri ainda que, à medida em que envelhecemos, tendemos a ser prolixos. É... gostaria de dizer muitas outras coisas, mas é melhor parar! Fui...

quinta-feira, 25 de abril de 2019

O Ateísmo é Contraintuitivo?


Resultado de imagem para imagens ateismo

Mark Lilla, profunda estudiosa de Montaigne escreveu: “Para a maior parte dos humanos, a curiosidade em relação às coisas mais elevadas acontece com naturalidade; é a indiferença para com elas que precisa ser aprendida”.

Se o pensamento de Lilla está correto, podemos então afirmar que, o ateísmo, e não a fé, é antinatural. Antropologicamente falando, o ser humano possui o senso inato de sacralidade, admiração, devoção, espiritualidade e eternidade. Ele nasce com a propensão para a transcendência. A Bíblia afirma que “Deus pôs a eternidade no coração do homem”.

Isto é perceptível no fato de que todas as culturas desenvolvem naturalmente uma ideia do Sagrado, ainda que de forma superficial ou equivocada. “Desde as mais primitivas até às mais elaboradas, em todos os rincões do planeta terra. Os povos animistas adoram a natureza. Outros desenvolvem um senso de espíritos e entidades, sem que jamais tenham sido influenciados por missionários ou religiosos. Em todas culturas há um senso de algo maior”.

Para ser honesto, a única sociedade que insiste na negação do conceito de uma divindade tem sido o secularismo moderno, que sustenta que “as pessoas são entidades físicas sem alma, que os entes queridos deixam de existir quando morrem, que as sensações de amor e beleza, não passam de fatos neurológicos e químicos, que não existe certo ou errado fora do que nós, em nossa mente, determinamos e escolhemos. (Tim Keller).

As pessoas creem em Deus porque o senso do sagrado é intuitivo e natural, não porque lhes é ensinado. Na verdade, os pagãos constroem seus nichos e altares e desenvolvem conceitos de divindades, muitas vezes bizarros, porque são atraídos a um senso de mistério e sobrenaturalidade, mas creem em Deus, não apenas pelo fato de sentirem algo emocional, mas porque isto explica o que veem e experimentam.

O apóstolo Paulo fala dos pagãos (pessoas afastadas do Deus verdadeiro), que possuem a “norma da lei escrita em seus corações”, testemunhando-lhes também a consciência, porque a sacralidade é claramente percebida por meio das coisas que foram criadas, e a própria natureza fala e aponta para algo mais – Transcendência – por isto, negar esta realidade não apenas escapa do processo natural antropológico, mas nos torna culpados diante de Deus.

A alma humana percebe que a vida é mais do que um ajuntamento de moléculas e átomos acidentais, mas adquire sentido na dimensão eterna. Como bem afirmou o declaradamente ateu Jean-Paul Sartre: “Nenhum ponto finito faz sentido se não estiver conectado a um ponto infinito”. A transcendência e espiritualidade, e apenas isto, é capaz de dar sentido e significado a alma humana.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Famílias Tóxicas


Resultado de imagem para imagens familias problematicas


Há muita toxicidade nos relacionamentos interpessoais. Há pessoas que são tóxicas na sua natureza, há pais tóxicos e filhos intoxicados. Há famílias neuróticas, desestruturadas, disfuncionais e neuróticas.

Quando falamos de toxicidade, pensamos na capacidade de substância e energia que determinado organismo ou ambiente pode liberar. Pensamos em insetos, remédios, plantas e animais tóxicos, que quando ingeridos ou em contato com o corpo humano, sufocam e matam.

Chernobyl é ainda inabitável depois de 20 anos, por causa da radiação nuclear. Num primeiro momento, todos animais e plantas que estavam a seu redor morreram, e as pessoas foram retiradas imediatamente, mas ainda não se tem a exata ideia das consequências este nível de toxina trará à saúde daqueles antigos moradores. Com o tempo, a radiação tem enfraquecido, mas ainda hoje, animais que vivem na região e plantas que crescem são impróprias para o consumo, e ninguém mora na cidade.

De todas as toxinas liberadas, a pior é da família. Tenha cuidado! Há famílias tóxicas em todos os lugares e culturas. Famílias tóxicas não possuem regras claras e princípios positivos estabelecidos. Os filhos não sabem o que esperar, não há previsibilidade de comportamento – os pais atacam de forma aleatória e imprevisível, e os filhos se sentem angustiados, ansiosos e oprimidos neste ambiente caótico, ou, se forem mais obstinadas, reagem de forma contraproducente, rebelde e violenta.

Pais precisam entender a sua própria capacidade de serem cruéis, vingativos, rancorosos, ressentidos e irritadiços. Pais ressentidos e neuróticos, alimentam desejo de vingança quando o filho se torna rebelde e desta forma estarão menos propensos a demonstrações espontâneas de amor e cuidado, e se afastarão tornando-se ausentes, frios e distantes.

Filhos precisam de um correto equilíbrio entre amor e disciplina,  trazendo assim compaixão e justiça para o ambiente familiar.  Regras claras produzem crianças seguras e pais racionais, Pais amorosos e firmes, embora imperfeitos e pecadores, protegem seus filhos do caos, da desordem, da incerteza e desesperança. Isto produz equilíbrio e enfraquece a insegurança e ansiedade naturais nas crianças.

A Bíblia afirma: “No temor do Senhor tem o homem forte amparo, e isto é refúgio para seus filhos”. Pais que temem a Deus e se amparam numa fé profunda, encontram refúgio para suas neuroses, e como consequência protegem também os seus filhos. Pais estáveis, amorosos, presentes, firmes na disciplina e amorosos nos relacionamentos, tornam-se refúgio seguro para seus filhos e diminuem a toxicidade tão comum em tantas casas. 

Piloto de Fórmula 1 dorme no banco da igreja

Alex Dias Ribeiro

Alex Dias Ribeiro é um vitorioso campeão brasileiro do automobilismo, ainda que pouco conhecido desta geração. Outro detalhe interessante é que há pouco registro de sua infância vivida em Anápolis, onde morou com a avó. Alex foi campeão Brasileiro de Fórmula Ford, vice-campeão inglês e europeu de F3, número 1 no ranking dos pilotos brasileiros em 1973. Na Fórmula 1, ele disputou dez corridas entre 1976 e 1977, e estampava a frase “Jesus Salva” no seu carro.

Depois de sair de Anápolis, passou a outra metade de sua infância em Brasília, onde começou a acompanhar as provas locais, e em 1970 e 1971, foi bicampeão brasiliense de kart. Em 1972, estreou na Fórmula Ford, sagrando-se vice-campeão e, já no ano seguinte, conquistou o título da categoria. Em 1979 formou dupla com Emerson Fittipaldi na extinta equipe Copersucar-Fittipaldi. Após sua passagem pela Fórmula 1, deixou temporariamente as pistas para retornar em 1983 no Campeonato Brasileiro de Marcas e no Superkart.

Nas Olimpíadas de 1988 e Copas do Mundo da Itália 90, USA 94, França 98 e Coreia/Japão 02, atuou como capelão dos atletas cristãos da Seleção Brasileira. Palestrante, radialista e escritor, Alex tem três best sellers publicados. Um deles foi traduzido para o inglês, espanhol e árabe e outro ganhou o prêmio ABEC de melhor biografia do ano, totalizando 80000 livros vendidos. Posteriormente se tornou diretor da organização “Atletas de Cristo”, que reúne mais de 7500 atletas de diversas modalidades.

Na sua infância em Anápolis, frequentava a igreja Batista com a avó, D. Cremeilda (João Fraga Dias), embora seu círculo de amizade fosse maior na Igreja Presbiteriana. Ele queria estar com seus amigos mas tinha que acompanhar a avó que um dia fez uma concessão e permitiu que ele visitasse seus amigos na outra igreja. Ao chegar lá, não encontrou nenhum deles pois estavam no acampamento. Ressabiado e solitário, decidiu ir para a galeria do templo, e ali, com seus nove anos de idade, deitou no banco e dormiu.

Quando acordou, estava tudo escuro, o templo apagado e todos tinham ido embora. Angustiado pela bronca que levaria ao chegar em casa, conseguiu saltar uma das janelas da igreja, pular o muro para a casa do seu amigo Billy Fanstone, que ele conhecia bem, e dali saiu correndo em direção à sua casa.

Esta história me foi contada pessoalmente, numa recente visita que fez à cidade e num almoço que tivemos juntos. Ele veio falar do seu trabalho com atletas e divulgar o material que ele tem produzido. 

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Consistência

Resultado de imagem para imagem consistencia

Numa incrível entrevista sobre liderança, Simon Sinek dá um dos mais profundos insigths sobre amor e relacionamento, demonstrando a importância da consistência em tudo que fazemos.
Ele inicia o diálogo indagando ao jornalista: “Você ama sua esposa? Qual foi o dia em que ela soube que você realmente a amava? Como ela sabe? Me dê números, me ajude a entender!” Obviamente, todas estas perguntas eram retóricas, direcionando a entrevista para aquilo ele realmente julgava importante.

Para Sinek, indagar o dia, não faz nenhum sentido, não porque este dia não exista, mas porque é mais fácil provar que você ama uma determinada pessoa, na medida em que o tempo passa e você demonstra de forma constante o seu amor. Para que o amor seja percebido, é necessário, consistência: Dar flores, fazer uma ligação inesperada, ser gentil, mesmo quando, num primeiro momento, estas coisas parecem não funcionar.

O amor será percebido se houver contínua e diária demonstração de gentileza, mesmo quando estas coisas parecem não funcionar. Na medida, porém,  que pequenos gestos de amor são demonstrados a compreensão de que somos amados se constrói.

Portanto, não se trata de eventos e intensidade, mas consistência. Assim como acontece com o exercício físico. Ir à academia num único dia e praticar nove horas de atividades, não gerará qualquer resultado, mas se exercitarmos regularmente ao longo do tempo veremos a incrível transformação no nosso corpo. Para isto é necessário praticar aquilo que é importante, mesmo as tarefas chatas e monótonas.

O amor se constrói e se firma com consistência. No ato de você dizer bom dia antes de checar o celular, de ir à geladeira e pegar uma bebida sem que o outro peça, preparar um café que o outro aprecia. É o acúmulo de pequenas coisas, que aparentemente são ineficazes e inúteis, que leva o outro a entender que o amor está presente.

Ao refletir sobre todos estes princípios, me recordei da belíssima declaração bíblica sobre o amor: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal”. Não são atos isolados, mas um conjunto de fatores que expressa a beleza e a harmonia do amor.

Paixões não sustentam relacionamentos porque são construídas sobre a volatilidade, o impulso, a instabilidade e a empolgação. Estas coisas não possuem sustentabilidade, são fluídas e passageiras. O que sustenta o relacionamento são atitudes de cuidado, carinho, palavras e olhares que diariamente são demonstradas na caminhada a dois.