terça-feira, 24 de novembro de 2015

Sempre foi assim...


Aconteceu mais uma vez.
A intolerância religiosa novamente toma proporções absurdas. Assustado, incrédulo, indignado, foi assim que acompanhei as noticias vindas da França, depois dos atentados que ceifaram mais de uma centena de vidas, deixando outras dezenas de pessoas feridas, algumas com danos irreversíveis, com sequelas emocionais das quais jamais serão libertas, traumas, dramas, tramas, dores. Luto... vidas de jovens sendo ceifadas em nome de uma estúpida ala radical religiosa.
O primeiro pensamento meu foi o de resignar-me. Afinal, sempre foi assim... em nome de deuses, Alah, Yahweh, cruzadas, inquisições com ou sem fogueiras, mata-se, mutila-se, nega-se aquilo que se prega, desarticula-se o Sagrado, impregnando de ódio o que é amor, transformando em transgressão o que é Santo, fere-se, macula-se.  Transforma-se a divindade em aliado das trevas.
Sempre foi assim, mas eu não quero resignar-me. Eu quero protestar com toda veemência. Recuso-me a veicular ódio tão vil e covarde à Deus. Mesmo porque esta definição não cabe em Deus. Deuses assim são meus demônios, e não dá para confundir Deus com o inominável pé-de-cabra. Demônios não se transformam em divindades porque os nomeamos assim. Árvores são conhecidas pelos frutos.
Sempre foi assim, mas não quero me conformar, porque nunca deveria ser assim. Não se pode confundir Moloque com Yahweh; nem Exu com Cristo. Deus não é aliado do ódio, pois neste caso deixaria de ser Deus e passaria a ser uma mesquinha imagem de Baal ou Astarote. A aceitação calada e silente faz mal. “Deus vai julgar não apenas o ódio dos maus, mas o silêncio dos bons” (Martin Luther King Jr.
Quero aliar o conceito de Deus a shalom, não à privação; a fartura, não à carência; a fraternidade, não a conflitos; a unidade, não às desavenças; ao respeito, não à intolerância; ao amor, não ao ódio. Por isto, apesar de sempre ter sido assim, não é assim que sempre deveria ser.
Motivos mesquinhos se opõem à própria natureza do ser de Deus, definido como justo, santo, misericordioso, bondoso, amoroso, perdoador, tardio em irar-se. Não cabe a Deus, e sim aos homens que dele se afastam, o suposto direito de matar, roubar e destruir, de machucar e ferir. Tais atos, procedem sim, de corações que se desviaram tanto de Deus, e já perderam tanto a sensibilidade, que ainda são capazes de atribuir algum motivo positivo ao ódio indiscriminado e covarde.
Sei que histórias como estas lamentavelmente ainda continuarão a existir. Sempre foi assim, sempre será assim. Mas eu não quero resignar-me. Deixo aqui o meu protesto. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Fidelidade é o melhor antídoto contra o DST



A Folha de São Paulo publicou no dia 31.10.2015, artigo do Dr. Jairo Bouer afirmando que casais monogâmicos e indivíduos com múltiplos parceiros tem a mesma probabilidade de contrair Doenças Sexualmente Transmitíveis (DST). A afirmação parece estranha, já que há um pressuposto intrínseco de que o primeiro grupo possua uma natural defesa contra tais enfermidades, pois DST são resultantes de promiscuidade, mas o artigo foi publicado com base numa pesquisa feita pelo Journal of Sexual Health.

Como é possível? A resposta é direta!

A pesquisa revelou que isto se dá porque muitos indivíduos em relacionamentos monogâmicos admitem trair o parceiro ou a parceira, e por serem tais encontros mais furtivos e esporádicos, muitos não possuem o mesmo cuidado que os que são propensos a relacionamentos abertos, e por isto se protegem mais e realizam mais testes preventivos.

Isto demonstra que a causa de tais doenças continua sendo a mesma: Infidelidade e promiscuidade.

Para enfrentar este problema, que é uma questão de saúde pública, entidades sociais, ativistas e governo preferem tratar de tais questões perifericamente. Quando acontecem grandes eventos nos quais há uma tendência de aumento significativo de promiscuidade, ao invés de orientar e encorajar as pessoas à fidelidade e castidade (dois termos antipopulares) distribui-se camisinhas, pílulas do dia seguinte e coquetéis anti AIDS. Isto é o mesmo que tratar com aspirina o câncer terminal ou distribuir placebos para infartos. São paliativos para graves doenças, que tem a ver com a estabilidade da família e a ética, com consciência e conflitos psicológicos.

Num artigo de Reinaldo Azevedo, articulista da Veja, de 16.07.2013, ele fala da Truvada, um remédio que ajuda a prevenir a contaminação do vírus da AIDS, com fortes efeitos colaterais como vômitos, diarreias, intoxicação do fígado, perda óssea e alteração da função renal. Apesar da efetividade da droga, organizações que tratam da doença, declaram que as pessoas precisam lembrar que AIDS não é gripe, ela ainda mata, contudo o remédio induz as pessoas a uma falsa sensação de segurança.  Azevedo afirma, que por isto, a taxa de contaminação em alguns grupos, como homossexuais masculinos, subiu. A droga passou a ser usada como garantia e proteção. “Uganda é o país africano mais bem-sucedido no combate a AIDS, a ênfase no uso da camisinha é apenas a terceira prioridade: as duas primeiras são a defesa da fidelidade no casamento, e, vejam que coisa! O incentivo à virgindade! (...)  até que não se tenha uma vacina contra a doença, o sexo seguro (...) ainda é o melhor remédio. E, meus caros, a ‘camisinha’ da escolha certa é a única 100% segura”.


O melhor antídoto contra DST, não são preservativos, nem caras drogas para tratar das doenças contraídas. A fidelidade é ainda o melhor antídoto!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A terapia da Palavra


O Salmo 119 é o maior capítulo da Bíblia, com 176 versículos. Em apenas dois deles não faz menção à palavra de Deus, e em todos os demais coloca a lei de Deus no centro, referindo-se a ela como “mandamento”, “palavra”, ”juízos”, “testemunhos”, “promessas”,  “prescrições” e “decretos”.
Um dos elementos presentes no coração do salmista é a alegria e contentamento que ele encontra ao entrar em contato com a Lei de Deus. “Admiráveis são os teus testemunhos” (Sl 119.129); “Eu amo os teus testemunhos ardentemente” (Sl 119,167)”, “Amo a tua lei”  (Sl 119.113).  Ele se refere maravilhado à Lei de Deus (Sl 119.18) e afirma que nela encontra prazer (Sl 119.24).
Outro aspecto marcante neste capitulo é sua ênfase e oração para que Deus o vivifique.
O termo vivificar, tem na sua raiz, a ideia de vida. Vida é o oposto, não da morte, como afirma Molttmann, mas da apatia. A vida possui sinais característicos, e quando ocorre um acidente, os paramédicos ao socorrer as pessoas, buscam imediatamente os sinais de vida: pulsação, respiração, batimentos cardíacos, e ainda, o brilho nos olhos. Os olhos de uma pessoa morta  tornam-se opacos.  A ausência de sinais vitais revela que a vida se esvaiu. Não é a morte que emite sinais, é a vida. Sabemos que alguém morreu quando os sinais vitais não mais existem.
Por isto é curioso e interessante a insistência do salmista pedindo a Deus que o vivifique. Esta oração é feita pelo menos 11 vezes (Sl 119.25, 37, 40, 50, 88, 93, 107, 149, 154, 156, 159). Ele anseia por vitalidade, deseja que a vida volte a pulsar. Sente como se estivesse andando, porém sem vida. Já se sentiu assim? Cadáver ambulante? Walking dead? Pois era exatamente este o sentimento do salmista. Por isto clama insistentemente para que Deus o vivifique.
O curioso, porem, é que toda a esperança de sua restauração está relacionada à Palavra de Deus. Ele vê na lei de Deus, o meio de restauração do seu espirito abatido, do seu devorador desânimo e busca as verdades e testemunhos de Deus para encontrar vida.
O salmista ora para que Deus o vivifique. Assim como ele, também precisamos de vida, sonhos, sorrisos, amor, desejo, celebração.  Por isto afirma reiteradamente:
            ...”vivifica-me, segundo os teus juízos”...
...”vivifica-me, segundo a tua bondade”...
...”vivifica-me, segundo a tua promessa”...
...”vivifica-me, segundo a tua palavra”...
...”Os teus preceitos me tem dado vida”

Esta é uma proposta muito interessante. Reencontrar a vida, a alegria e o entusiasmo, na Lei de Deus. Uma proposta pouco considerada.

Opções contemporâneas de terapia
Hoje em dia, quando nos sentimos desnorteados e aflitos, e perdemos a referência da história, quais são as alternativas que mais comumente buscamos?

Uma delas é o entretenimento. Tentamos encher a vida de atividades prazerosas, nos refugiamos nos vídeo games, viagens,  diversões, pescarias. Buscamos um shangrilá, uma Disneyworld para reparar o sentimento de vacuidade, nulidade e nonsense que tantas vezes nos consome. Não é isto que as pessoas dizem: “Vai descansar, vai viajar, vai pescar? Não que qualquer destas atividades sejam, em si mesmas, destrutivas ou perniciosas, pelo contrário, são até mesmo interessantes. Mas na maioria das vezes, pessoas fazem viagens cada vez mais exóticas, consomem doses cada vez maiores de adrenalina, que redundam em completo fracasso. Percorrem o mundo para descobrir que ainda continuam vazias e angustiadas.
Outra opção são os remédios largamente encontrados nas prateleiras dos supermercados e farmácias, oferecendo alivio rápido para problemas profundos. Procuramos médicos renomados, alívio psiquiátrico, consumimos doses fenomenais de frontal, Prozac, energéticos, multivitamínicos, Rivrotil (de tarja preta, é o segundo remédio mais consumido no Brasil). Imaginamos que a solução para a ausência de vida, alegria e entusiasmo encontra-se em fórmulas mágicas como sugere o provocante filme “Sem limites”.
Ainda buscamos alternativas e alivio para a vida de alegria e ausência de sinais de vitalidade em psicoterapia ou terapias alternativas. Precisamos e pagamos pessoas que nos entendam, e eventualmente se transformem numa espécie de amuleto (ou muleta). Ou buscamos fórmulas mágicas e místicas para socorro imediato. Pagamos alguém para nos energizar. A onda mais recente é o “coaching”, alguém que nos entenda, traga estabilidade, vitalidade e energia para o nosso interior caótico.
Certamente, nenhuma destas alternativas acima é ruim em si mesma, nem são pecaminosas e inadequadas, pelo contrário, podem trazer cura momentânea e eventualmente transformações efetivas e duradouras, mas o salmista propõe uma alternativa surpreendente.

A terapia da Palavra
O Salmista vê, na Palavra de Deus, o conforto, consolo e a solução para vitalizar sua alma. Por isto esta sempre afirmando: “vivifica-me, segundo... a tua Palavra”.
            è “A minha alma está apegada ao pó, vivifica-me segundo a tua palavra” (Sl 119.25);
            è”Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade, e vivifica-me no teu caminho” (Sl 119.37);
            è”Eis que tenho suspirado pelos teus preceitos; vivifica-me por tua justiça” (Sl 119.40).
è “O que me consola na angustia é isto: que a tua palavra me vivifica” (Sl 119.50);
è “Vivifica-me, segundo a tua misericórdia e guardarei os testemunhos oriundos da tua boca” (Sl 119.88);
è “Nunca me esquecerei dos teus preceitos, visto que por eles, me tens dado vida” (Sl 119.93)
èEstou aflitíssimo. Vivifica-me Senhor, segundo a tua palavra” (Sl 119.107);
è “Vivifica-me, segundo os teus juízos” (Sl 119.140)
            èDefende a minha causa e liberta-me; vivifica-me segundo a tua promessa” (Sl 119.154);
            è “Muitas são as tuas misericórdias, vivifica-me segundos teus juízos” (Sl 119.156).
            èVivifica-me, ó Senhor, segundo a tua bondade” (Sl 119.159)

A característica comum nestes textos é que o autor encontra, na Palavra de Deus, o recurso para restaurar sua capacidade de viver. A Palavra se torna sua fonte terapêutica. Isto tem implicações relevantes e práticas.
Onde buscamos alternativas para o desânimo, frustração, cansaço, desencorajamento, falta de propósito, tristeza de alma que retiram de nós a vitalidade? Sejamos honestos: A palavra de Deus quase nunca tem sido considerada, mesmo para os cristãos, como fonte de vida e alegria.
Talvez seja exatamente isto que precisamos discernir, e certamente muita cura interior aconteceria, se, pelo menos, buscássemos na Palavra de Deus, o antidoto para nossa solidão e caos, através das palavras de esperança e promessas ali contidas.
Por esta razão o salmista ora: “vivifica-me, Senhor”, sempre associando sua restauração ao poder redentor da palavra.
Ele não pede cura por meio das alternativas de entretenimento, poderosos e eficientes remédios da indústria farmacêutica, ou terapias alternativas, mas nas verdades eternas contidas nas Sagradas Escrituras.  “Porque a palavra de Deus que é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espirito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta em sua presença, pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.12,13).
Certa vez, tive oportunidade de ouvir uma palestra do Dr Carlos Bosma, missionário holandês que se radicou no Brasil, trabalhando em Santa Catarina. Grande biblista e Dr. em Antigo Testamento e hebraico, posteriormente tornou-se professor no Calvin Theological Seminary em Michigan. Sua palestra foi sobre o livro dos Salmos.
Depois de discorrer profundamente sobre este livro poético, ele contou que seu pai sofreu severas perseguições e opressão na época do nazismo, por defender os judeus. Sua dor e silêncio eram brutais, e viveu assim por alguns anos. Durante este período de dor, ele abria quieta e silenciosamente o livro de Salmos e ficava horas lendo e meditando. O livro de Salmos possui 64 cânticos de lamento. Muita dor, questionamento e desabafo surgem nestes salmos, quando os escritores discorrem sobre suas dores, perplexidades e questões teológicas. O Dr. Bosma concluiu este testemunho, visivelmente emocionado, dizendo que o livro de Salmos havia libertado o seu pai, da dor e tristeza que o consumia.

Por isso, quando enfrentar momentos de angústia e tédio, busque o alívio primeiramente na Palavra de Deus, pois ela sempre será uma inesgotável fonte de sabedoria, graça e vida:

Nunca me esquecerei dos teus preceitos,

visto que por eles me tens dado vida”

Quanto custa?



Recentemente, o Jornal Contexto de Anápolis-GO publicou uma lista de preço de mercadorias básicas nos supermercados de Anápolis. Os preços variavam em até 300%, deixando no ar uma pergunta: Qual é o preço real das coisas? Qual é, realmente o valor justo?
Na área de prestação de serviços, o descalabro pode ser ainda maior, já que pouco se sabe quanto é o serviço de um mecânico, ou de instalações domésticas ou elétricas. Faça um levantamento de custo de uma obra em sua casa, peça três orçamentos, a variação pode ser surpreendente. Um serviço mecânico pode ser uma fortuna. A revisão de um carro novo numa concessionária, pode ter um custo bizarro quando você observa que apenas houve uma troca de óleo e verificação de itens simples.
O que é necessário para definir se um valor é caro, barato ou justo?
É verdade que certas demandas são produzidas de acordo com o contexto. Sabe-se que é relativo (esta palavra é chave) o valor que damos ao dinheiro. No mercado de luxo existem realidades surreais. Na Austrália, recentemente, uma empresa colocou a venda um rolo de papel higiênico feito de ouro, estimado em 1.3 milhões de dólares. Existe uma vodca no mercado, exclusiva para bilionários excêntricos, cuja garrafa está avaliada em 3.7 milhões de dólares, suficiente para comprar duas Ferraris.
O mais preocupante, contudo, é a perda de referência de valores, moral e vida. A incapacidade da sociedade em definir o que é prioritário, necessário e supérfluo é preocupante. Numa época de valores relativos, quanto vale a família? A vida com Deus? A fidelidade conjugal? A saúde emocional dos filhos? Qual o valor intrínseco de um pai amoroso que cuida de seu filho? De um homem que respeita sua casa? Qual o valor agregado para uma criança da ausência, passividade, indiferença ou até mesmo a rejeição do pai?
Atribuir valor à vida, às pessoas, aos relacionamentos, à espiritualidade, à família e amigos, pode variar mais que os 300% de uma mercadoria colocada na prateleira de uma loja.  A incapacidade de estabelecer a diferença entre o prioritário e o urgente, entre o bom e o ruim, entre as trevas e a luz, é fatal em alguns casos. Todos estes elementos possuem valores agregados.
Estatísticas apontam que cerca de 80% dos que se encontram na carceragem masculina, possuem um ponto em comum: Não tiveram relacionamentos positivos ou significativos com seus pais (homens), sofrendo abusos verbais, agressões e violência doméstica, ou silêncio e indiferença resultantes de uma paternidade, passiva ou ausente.
É fundamental avaliar o preço de atos e decisões. Qual é o valor real das coisas? Caso contrário, teremos a esdrúxula  ideia de que vale a pena pagar 3.7 milhões de dólares numa garrafa de vodca, mas não vale a pena investir na vida dos filhos, na saúde emocional da família e nos valores espirituais. Não é exatamente assim que facilmente valorizamos coisas supérfluas em detrimento daquilo que é essencial? Desconsideramos o Sagrado em prol de caprichos e desejos? Corremos o risco de viver na contradição de uma conhecida frase popular: “Hoje em dia as pessoas sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada”.


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Não Se Esqueça!



Trata-se de grande sabedoria aprender a lidar com os obstáculos de hoje, recordando as bençãos de ontem. Portanto, use a vitória de ontem, para ser bem sucedido hoje. Experiências passadas devem servir para nos inspirar quanto ao futuro, e para evitar que repitamos os erros anteriores. Aprenda com suas memórias! Lembre-se da intervenção sobrenatural de Deus de outrora para vencer os problemas recentes.

Foi isto que fez Davi ao enfrentar o gigante Golias: “O Senhor me livrou das garras do leão e do urso; ele me livrará das mãos deste filisteu” (1 Sm 17.37). Para vencer ele se lembrou do que já havia experimentado. É possível enfrentar gigantes quando o fundamento da vida é a compreensão de que o mesmo Deus que agiu no passado está presente hoje. Davi se recordou de que o Senhor já o havia livrado de duas grandes ameaças, provendo libertação, e iria livrá-lo novamente. Sua memória era aliada, não inimiga.

Você tem alguma experiência com Deus? Ela faz sentido hoje? Traga-a à sua memória para ser conduzido por esperança e não consumido por medo e ansiedade. Quando Jesus veio andando sobre as águas no meio da tempestade, os discípulos ficaram aterrados achando que era um fantasma. Isto aconteceu “porque não haviam compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido” (Mc 6.53). A experiência anterior com Jesus, não lhes serviu de nada no momento de angústia, porque seus corações endurecidos, não eram capazes de evocar o poder de Deus que já haviam provado.

Não deixe que a experiência se perca no arquivo da memória. A Bíblia, didaticamente, sempre usa o recurso de evocar as intervenções do passado, para superar as lutas do presente. Você se lembra de como Deus agiu na sua vida? Como interviu de forma soberana e especial? Lembre-se disto para fortalecer o seu coração no presente. Foi isto que Jesus falou quando entrou no barco com para estar com os discípulos: “Porventura não vos lembrais”? (Mc 8.18)

Max Lucado conta o seguinte episódio, que serve para ilustrar.

“Há alguns anos atrás quando eu estava levando a minha filhinha Andrea para a escola, ela notou que eu estava nervoso. -“Por que você está tão calado, pai?” Eu disse a ela que estava preocupado com o prazo de entrega de um livro.

Ela me perguntou -“Você não já escreveu outros livros?“ 
- “Sim” eu respondi. 
-“Quantos?” 

Naquele momento a resposta era quinze. 

Ela respondeu: 
-“Já perdeu algum prazo antes?” 
-“Não” eu disse. 
-“Então Deus já te ajudou quinze vezes?” 
-“Sim” eu estremeci. 

Ela estava soando como a mãe. Ela continuou o raciocínio 
-“Se Ele te ajudou nas outras quinzes vezes, não acha que ele vai te ajudar nessa vez?”


Como diz Lucado: 
“Sua melhor ferramenta contra os ataques do diabo é uma boa memória. Não se esqueça de uma bênção sequer”. 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Natural ou intencionalmente?

Tenho estado alerta com a expressão: “Isto vai acontecer naturalmente” ... Principalmente quando se trata de decisões e atitudes que precisam ser assumidas deliberadamente e não podem ser postergadas. Minha resposta a esta afirmação, quase sempre, tem sido: “Não vai acontecer... é preciso intencionalidade se desejamos que projetos se tornem exequíveis e efetivados”. Sem vontade e disponibilidade em caminhar na direção de metas e objetivos, nada acontece. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” (Vandré).

A casualidade e a espontaneidade podem até nos surpreender, mas na maioria das vezes, as coisas acontecem porque objetivamente agimos em direção aos alvos, e isto exige esforço e perseverança. Já é corriqueiro dizer que a único lugar onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário. Toda vitória e conquista se dá por tenacidade, objetividade, planejamento e intencionalidade. Se deixarmos acontecer, "naturalmente", veremos como a segunda lei da termodinâmica de Einstein, “A Lei da Entropia” é real: “Toda matéria, entregue a si mesma, tende a se deteriorar, nunca a organizar-se”. A geração espontânea, resultante de casualidade, é ainda uma teoria, uma hipótese não comprovada, por isto nunca se tornou uma lei. Mas tem muita gente apostando nela.

Deixe, por exemplo, a sua casa sem cuidados, seu jardim sem carpir. Em pouco tempo haverá uma profunda depreciação e acúmulo de sujeira e deterioração. A tendência natural é auto desorganização, e isto se aplica a todas as áreas da vida. Aprendizado não acontece “naturalmente”, vida espiritual não amadurece “naturalmente”, relacionamentos não se  constroem sem investimento, vontade, ações concretas e intencionalidade. Certo filósofo cínico ouviu a furiosa afirmação de um irritado interlocutor: “Morro se eu não acabar contigo”. Ele respondeu: “Morro, se não fizer de você um amigo!” Se esperarmos que o casamento dê certo “naturalmente”, sem investirmos em perdão, cuidado, amizade – ele vai acabar.

Isto também se aplica ao trabalho: “Minha promoção virá automaticamente”. A menos que seja uma empresa sem metas e alvos, ou um órgão público sem nenhuma gestão efetiva, isto nunca acontecerá. É fundamental demonstrar interesse, competência, preparo, para que as coisas aconteçam.

Veja como a Bíblia descreve o preguiçoso: “Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento; eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas... um pouco para dormir, um pouco para cochilar, um pouco para cruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a sua pobreza como um ladrão, e a sua necessidade, como um homem armado” (Pv 24.30-34).


Ele age naturalmente. Não trabalha, dorme demais, é indolente, sem propósito, e o resultado é calamidade e pobreza. Quem espera e deseja algo, precisa ser proativo, objetivo e intencional. Não espere resignadamente que a geração espontânea seja o seu lema. Plante sementes e espere colheitas. Assim é a lei da vida. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Sua falta de fé é perturbadora

Voce já assistiu StarWars (Guerra nas Estrelas)? Um filme marcado pelos Jedis e suas espadas de luz, cheias de efeitos especiais, e cuja trilogia dupla levou cerca de 30 anos para terminar? O seu conteúdo é muito desafiador, com frases de efeito e muita adrenalina. A saga foi escrita por George Lucas, sob a orientação do maior mitólogo do mundo, Sir Joseph Campbell, e por isto é um livro carregado de símbolos e lendas.

Um dos personagens centrais, veio de outro planeta, e para não mostrar sua verdadeira aparência, matou Anakin e Virou Darth Vader, criando todo um império. Anakin era um menino, filho de uma escrava, com uma inteligência acima da média e já no episódio I, ele se oferece para pilotar uma corrida, e ao sair vitorioso, consegue sua liberdade, mas não a de sua mãe. Mais tarde se torna um Jedi, com muito poder, mas não podia desobedecer os Jedis mais antigos.

Seu ponto fraco era o orgulho, e por isto se torna um homem frio e violento, atacando até mesmo sua esposa, que dá a luz a Luke, antes de morrer. Então perde todos os privilégios que tinha e se revolta tornando-se o malvado Darth Vader. Desde cedo, seu filho Luke tinha grandeza interna, e se torna também um Jedi, tendo que lutar contra seu próprio pai, que está destruindo seu planeta. A trama é envolvente e empolgante.

Um dos diálogos mais interessantes do filme acontece entre Luke, que diante de tantos reveses afirma para Yoda. “O meu grande problema é que eu não acredito”, e Yoda responde: “É por isso que você fracassa. Sua falta de fé é perturbadora”, ou, conforme o texto em inglês: “Estou muito preocupado – com sua falta”.

É assim que me sinto diante de pessoas sinceras, honestas, mas que não conseguem desenvolver uma fé madura e equilibrada. Eu também acho a falta de fé – preocupante! A fé é essencial para o ser humano. Ela já tem sido considerada a terceira via do saber: A primeira é intelectual; a segunda emocional; e a terceira, a mística. Não crer significa reduzir o meu universo a um mundo fechado em torno de minhas próprias especulações e dores. Ou, como afirma o filósofo Pondé, que também é ateu: “Ser ateu é muito chato!”.
É importante ressaltar, porém, que não ter fé é preocupante, mas igualmente preocupante é uma fé equivocada. Milton Nascimento parece desesperar-se por uma fé, mesmo que desconexa, ao afirmar:

Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada”

Não é desta fé que estou falando. De uma fé “faca amolada”. Esta atitude é também preocupante. Fé na fé. Fé em substitutos de Deus. Fé em falsos deuses ou mesmo uma fé em si mesmo não é o tipo de fé que pode te orientar. Esta é a proposta da auto ajuda, mas como ter fé em si mesmo, se as emoções estão desequilibradas e o mundo caótico? Confiar em si quando o mundo interior está em ruinas. Esta é uma forma mágica de pensamento, do tipo da pessoa que nego que tenha câncer apesar dos exames afirmarem que ele existe, acreditando que o câncer desaparecerá.

Jesus foi muito específico: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus, creiam também em mim” (Jo 14.1). Ele não diz para crermos em qualquer coisa, mas delimita o objeto da fé: Crer nEle, e crer em Deus.


O versículo central da Bíblia encontra-se no Sl 118.8. Antes e depois encontramos a mesma quantidade de versículo. Sabe o que o centro da Bíblia ensina? “Melhor é buscar refúgio no Senhor, do que confiar no homem”. Isto é fé em Deus. Ela traz paz e serenidade.