Jean Jacques Rousseau inicia seu livro, O Contrato Social, afirmando o seguinte: "O homem é livre, mas por toda parte encontra-se a ferros". Forças tirânicas tendem a subjugar a natureza humana e a torná-la menos do que aquilo que de fato é. A tirania veste muitas roupagens e máscaras poderosas: Somos escravizados por forças psicológicas, sociais, religiosas e até mesmo sobrenaturais. Hoje gostaria de me reportar a um destes elementos tirânicos denominado por Jum Nakao de "a efemeridade da estética" em seu livro, "A Costura do Invisível" (Senac; 150 reais).
Uma pesquisa encomendada pela Unilever no campo da estética e realizada em dez países, coordenada pelas professoras Suzy Orbach, da London School of Economics, e Nancy Etcoff, de Harvard, trouxe alguns resultados que revelam a obsessão pela aparência. No Brasil, o peso e a beleza do corpo influem mais na auto-estima que sucesso na profissão, fé religiosa ou número de amigos. Apenas 7% das mulheres se consideram bonitas e, por conta disso, 54% se dizem dispostas a fazer cirurgias plásticas.
Na verdade não são apenas as mulheres que se encontram nesta armadilha. Homens também estão dispostos a ir cada vez mais longe na busca do corpo escultural e do rosto perfeito, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde. Isso é uma tirania. Tratamentos cada vez mais complexos são feitos mesmo quando são avisados de que não são indicados para seu caso. E quem tenta melhorar o que não precisa pode ter um resultado pior que o inicial, muito de nossa obsessão é não apenas desnecessária, mas também inútil.
A psicanalista Susie Orbach, que atendeu Lady Di quando a princesa sofria por se achar gorda, afirma que existe uma pressão comercial muito forte obrigando-nos a seguir um certo padrão de beleza e que enquanto a cultura não assimilar outros modelos estéticos, a maioria continuará vulnerável às armadilhas da vaidade. Por causa desta ação tirânica que se transformou em modismo, nada menos do que 58% das brasileiras afirmam que, caso a cirurgia plástica fosse gratuita, recorreriam imediatamente ao bisturi. "Considero esse dado chocante. A preocupação com a aparência é tão importante para as brasileiras que a cirurgia plástica virou parte do cotidiano", diz Susie Orbach.
Excesso de preocupação com a forma provoca efeitos colaterais incômodos para as pessoas. Elas perseguem um ideal estético perfeito, que é irreal, e por isso tornam-se insatisfeitas. Passam a viver queixosas em relação a auto imagem e são as que mais se enxergam "gordinhas" e "pouco sexy", entre as mulheres nos dez países observados.
Poucos param para considerar quão ideológica é a beleza. Beleza não apenas é imposta, mas varia de cultura para cultura. O padrão de beleza que hoje nos é apresentado é o das modelos que desfilam nas passarelas: magricelas de quadris estreitos, seios quase inexistentes, cabelo esticado e pele impecável. Sete de cada dez meninas declaram fazer algum tipo de dieta para emagrecer, mesmo não tendo nenhum problema objetivo com a balança. Mas este padrão estético não é o mesmo em outras culturas orientais e africanas. O fato é que as adolescentes de hoje são atraídas cedo pelas armadilhas da vaidade. A frustração feminina com a própria imagem e a conseqüente busca por uma aparência mais próxima dos padrões inculcados pela mídia alimentam uma indústria poderosa. Só no ano passado as brasileiras gastaram 17 bilhões de reais na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. Não é fácil – e é bem caro – ser uma mulher moderna.
Apesar deste padrão estético ser requerido, muitas vezes em nome da saúde física, A bulimia (doença que leva a pessoa a vomitar tudo que ingere), e a anorexia (incapacidade de se alimentar), são doenças que se tornaram comuns, em nome da tirania da estética. Existem pessoas entrando em choque hipoglicêmico (queda acentuada na produção de açúcar no sangue) e parando nas UTIs em razão das dietas piradas que tem sido criadas para produzir beleza. As sociedades médicas alertam para os riscos e absoluta falta de necessidade de muitos dos tratamentos. Alguns pensam em recorrer às cirurgias de redução do estômago apenas para controlar o peso, quando a cirurgia bariátrica trata uma doença e não tem propósitos estéticos. De acordo com Marco Antonio de Tommaso, psicólogo de várias agências de modelos, 92% das suas clientes têm problemas alimentares. ''Elogios, trabalhos, nada satisfaz a vaidade dessas moças. Querem estar cada vez mais magras, achando que isso fará com que sejam mais bem aceitas''.
É bom lembrar que não existe cirurgia da felicidade. Ela só é encontrada quando o coração encontra sentido em viver, e se volta para o propósito para o qual foi criado.
terça-feira, 5 de abril de 2005
A tirania da estética
Jean Jacques Rousseau inicia seu livro, O Contrato Social, afirmando o seguinte: "O homem é livre, mas por toda parte encontra-se a ferros". Forças tirânicas tendem a subjugar a natureza humana e a torná-la menos do que aquilo que de fato é. A tirania veste muitas roupagens e máscaras poderosas: Somos escravizados por forças psicológicas, sociais, religiosas e até mesmo sobrenaturais. Hoje gostaria de me reportar a um destes elementos tirânicos denominado por Jum Nakao de "a efemeridade da estética" em seu livro, "A Costura do Invisível" (Senac; 150 reais).
Uma pesquisa encomendada pela Unilever no campo da estética e realizada em dez países, coordenada pelas professoras Suzy Orbach, da London School of Economics, e Nancy Etcoff, de Harvard, trouxe alguns resultados que revelam a obsessão pela aparência. No Brasil, o peso e a beleza do corpo influem mais na auto-estima que sucesso na profissão, fé religiosa ou número de amigos. Apenas 7% das mulheres se consideram bonitas e, por conta disso, 54% se dizem dispostas a fazer cirurgias plásticas.
Na verdade não são apenas as mulheres que se encontram nesta armadilha. Homens também estão dispostos a ir cada vez mais longe na busca do corpo escultural e do rosto perfeito, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde. Isso é uma tirania. Tratamentos cada vez mais complexos são feitos mesmo quando são avisados de que não são indicados para seu caso. E quem tenta melhorar o que não precisa pode ter um resultado pior que o inicial, muito de nossa obsessão é não apenas desnecessária, mas também inútil.
A psicanalista Susie Orbach, que atendeu Lady Di quando a princesa sofria por se achar gorda, afirma que existe uma pressão comercial muito forte obrigando-nos a seguir um certo padrão de beleza e que enquanto a cultura não assimilar outros modelos estéticos, a maioria continuará vulnerável às armadilhas da vaidade. Por causa desta ação tirânica que se transformou em modismo, nada menos do que 58% das brasileiras afirmam que, caso a cirurgia plástica fosse gratuita, recorreriam imediatamente ao bisturi. "Considero esse dado chocante. A preocupação com a aparência é tão importante para as brasileiras que a cirurgia plástica virou parte do cotidiano", diz Susie Orbach.
Excesso de preocupação com a forma provoca efeitos colaterais incômodos para as pessoas. Elas perseguem um ideal estético perfeito, que é irreal, e por isso tornam-se insatisfeitas. Passam a viver queixosas em relação a auto imagem e são as que mais se enxergam "gordinhas" e "pouco sexy", entre as mulheres nos dez países observados.
Poucos param para considerar quão ideológica é a beleza. Beleza não apenas é imposta, mas varia de cultura para cultura. O padrão de beleza que hoje nos é apresentado é o das modelos que desfilam nas passarelas: magricelas de quadris estreitos, seios quase inexistentes, cabelo esticado e pele impecável. Sete de cada dez meninas declaram fazer algum tipo de dieta para emagrecer, mesmo não tendo nenhum problema objetivo com a balança. Mas este padrão estético não é o mesmo em outras culturas orientais e africanas. O fato é que as adolescentes de hoje são atraídas cedo pelas armadilhas da vaidade. A frustração feminina com a própria imagem e a conseqüente busca por uma aparência mais próxima dos padrões inculcados pela mídia alimentam uma indústria poderosa. Só no ano passado as brasileiras gastaram 17 bilhões de reais na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. Não é fácil – e é bem caro – ser uma mulher moderna.
Apesar deste padrão estético ser requerido, muitas vezes em nome da saúde física, A bulimia (doença que leva a pessoa a vomitar tudo que ingere), e a anorexia (incapacidade de se alimentar), são doenças que se tornaram comuns, em nome da tirania da estética. Existem pessoas entrando em choque hipoglicêmico (queda acentuada na produção de açúcar no sangue) e parando nas UTIs em razão das dietas piradas que tem sido criadas para produzir beleza. As sociedades médicas alertam para os riscos e absoluta falta de necessidade de muitos dos tratamentos. Alguns pensam em recorrer às cirurgias de redução do estômago apenas para controlar o peso, quando a cirurgia bariátrica trata uma doença e não tem propósitos estéticos. De acordo com Marco Antonio de Tommaso, psicólogo de várias agências de modelos, 92% das suas clientes têm problemas alimentares. ''Elogios, trabalhos, nada satisfaz a vaidade dessas moças. Querem estar cada vez mais magras, achando que isso fará com que sejam mais bem aceitas''.
É bom lembrar que não existe cirurgia da felicidade. Ela só é encontrada quando o coração encontra sentido em viver, e se volta para o propósito para o qual foi criado.
Uma pesquisa encomendada pela Unilever no campo da estética e realizada em dez países, coordenada pelas professoras Suzy Orbach, da London School of Economics, e Nancy Etcoff, de Harvard, trouxe alguns resultados que revelam a obsessão pela aparência. No Brasil, o peso e a beleza do corpo influem mais na auto-estima que sucesso na profissão, fé religiosa ou número de amigos. Apenas 7% das mulheres se consideram bonitas e, por conta disso, 54% se dizem dispostas a fazer cirurgias plásticas.
Na verdade não são apenas as mulheres que se encontram nesta armadilha. Homens também estão dispostos a ir cada vez mais longe na busca do corpo escultural e do rosto perfeito, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde. Isso é uma tirania. Tratamentos cada vez mais complexos são feitos mesmo quando são avisados de que não são indicados para seu caso. E quem tenta melhorar o que não precisa pode ter um resultado pior que o inicial, muito de nossa obsessão é não apenas desnecessária, mas também inútil.
A psicanalista Susie Orbach, que atendeu Lady Di quando a princesa sofria por se achar gorda, afirma que existe uma pressão comercial muito forte obrigando-nos a seguir um certo padrão de beleza e que enquanto a cultura não assimilar outros modelos estéticos, a maioria continuará vulnerável às armadilhas da vaidade. Por causa desta ação tirânica que se transformou em modismo, nada menos do que 58% das brasileiras afirmam que, caso a cirurgia plástica fosse gratuita, recorreriam imediatamente ao bisturi. "Considero esse dado chocante. A preocupação com a aparência é tão importante para as brasileiras que a cirurgia plástica virou parte do cotidiano", diz Susie Orbach.
Excesso de preocupação com a forma provoca efeitos colaterais incômodos para as pessoas. Elas perseguem um ideal estético perfeito, que é irreal, e por isso tornam-se insatisfeitas. Passam a viver queixosas em relação a auto imagem e são as que mais se enxergam "gordinhas" e "pouco sexy", entre as mulheres nos dez países observados.
Poucos param para considerar quão ideológica é a beleza. Beleza não apenas é imposta, mas varia de cultura para cultura. O padrão de beleza que hoje nos é apresentado é o das modelos que desfilam nas passarelas: magricelas de quadris estreitos, seios quase inexistentes, cabelo esticado e pele impecável. Sete de cada dez meninas declaram fazer algum tipo de dieta para emagrecer, mesmo não tendo nenhum problema objetivo com a balança. Mas este padrão estético não é o mesmo em outras culturas orientais e africanas. O fato é que as adolescentes de hoje são atraídas cedo pelas armadilhas da vaidade. A frustração feminina com a própria imagem e a conseqüente busca por uma aparência mais próxima dos padrões inculcados pela mídia alimentam uma indústria poderosa. Só no ano passado as brasileiras gastaram 17 bilhões de reais na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. Não é fácil – e é bem caro – ser uma mulher moderna.
Apesar deste padrão estético ser requerido, muitas vezes em nome da saúde física, A bulimia (doença que leva a pessoa a vomitar tudo que ingere), e a anorexia (incapacidade de se alimentar), são doenças que se tornaram comuns, em nome da tirania da estética. Existem pessoas entrando em choque hipoglicêmico (queda acentuada na produção de açúcar no sangue) e parando nas UTIs em razão das dietas piradas que tem sido criadas para produzir beleza. As sociedades médicas alertam para os riscos e absoluta falta de necessidade de muitos dos tratamentos. Alguns pensam em recorrer às cirurgias de redução do estômago apenas para controlar o peso, quando a cirurgia bariátrica trata uma doença e não tem propósitos estéticos. De acordo com Marco Antonio de Tommaso, psicólogo de várias agências de modelos, 92% das suas clientes têm problemas alimentares. ''Elogios, trabalhos, nada satisfaz a vaidade dessas moças. Querem estar cada vez mais magras, achando que isso fará com que sejam mais bem aceitas''.
É bom lembrar que não existe cirurgia da felicidade. Ela só é encontrada quando o coração encontra sentido em viver, e se volta para o propósito para o qual foi criado.
Como resistir às compras?
Uma das grandes tentações do homem moderno é o consumismo. Lamentavelmente compramos coisas que não precisamos, para agradarmos pessoas que gostamos menos ainda. Os vendedores sabem jogar com nossos desejos e criar necessidades, e se somos compulsivos para comprar o resultado é que estaremos sempre usando nosso cartão de crédito ou pagando exorbitantes juros especiais de cheques. Fabricantes tentam vender um estilo de vida mais do que um produto, e querem associar sua imagem ao produto que eles estão vendendo. Você se torna uma mercadoria ao lado de outra mercadoria.
Para obter vitórias sobre compras desnecessárias alguns hábitos podem ser salutares:
Estabeleça prioridades – Você pode querer gastar com coisas urgentes, ou que lhe dão prazer, mas se você tem prioridades isto não vão acontecer.
Faça uma lista de coisas que você precisa, e a siga rigorosamente. As prateleiras de supermercado são colocadas numa ordem tal que você normalmente encontra os produtos supérfluos na altura de seus olhos, enquanto os essenciais estão em lugares mais difíceis.
Observe quão acurada são as propagandas. Quando dizem: "veja quanto você economizará", focalize no quanto gastará. Quando dizem: "Nós oferecemos crédito", lembre-se que eles estão oferecendo débito. O cartão de crédito na verdade é um cartão de débito. O limite do cheque especial não é um dinheiro seu, mas do banco, oferecido a juros abusivos. É difícil quebrar o ciclo da dependência de juros.
Considere se de fato sua compra é necessária . "Realmente estou precisando ou estou racionalizando para comprar agora aquilo que desejo?" Se ficar em dúvida, gaste um tempo um pouco maior pensando ao invés de comprar impulsivamente.
Nunca gaste além do seu orçamento – Dívidas roubam o sono da gente e tiram a tranqüilidade de nosso coração.
Para obter vitórias sobre compras desnecessárias alguns hábitos podem ser salutares:
Estabeleça prioridades – Você pode querer gastar com coisas urgentes, ou que lhe dão prazer, mas se você tem prioridades isto não vão acontecer.
Faça uma lista de coisas que você precisa, e a siga rigorosamente. As prateleiras de supermercado são colocadas numa ordem tal que você normalmente encontra os produtos supérfluos na altura de seus olhos, enquanto os essenciais estão em lugares mais difíceis.
Observe quão acurada são as propagandas. Quando dizem: "veja quanto você economizará", focalize no quanto gastará. Quando dizem: "Nós oferecemos crédito", lembre-se que eles estão oferecendo débito. O cartão de crédito na verdade é um cartão de débito. O limite do cheque especial não é um dinheiro seu, mas do banco, oferecido a juros abusivos. É difícil quebrar o ciclo da dependência de juros.
Considere se de fato sua compra é necessária . "Realmente estou precisando ou estou racionalizando para comprar agora aquilo que desejo?" Se ficar em dúvida, gaste um tempo um pouco maior pensando ao invés de comprar impulsivamente.
Nunca gaste além do seu orçamento – Dívidas roubam o sono da gente e tiram a tranqüilidade de nosso coração.
quarta-feira, 23 de março de 2005
Retraduzindo a Páscoa
Uma das boas heranças que a igreja Católica nos legou foi a da obra expiatória de Cristo. Repetidas vezes durante a liturgia era necessário afirmar: "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tende piedade de nós". Esta frase traduz a essência da Páscoa!
A Páscoa, contudo, como todas as mensagens cristãs, tem perdido seu significado. O comércio voraz, faminto de dinheiro, trocou o cordeiro pelo coelho. Aliás, um coelho muito versátil, quase milagroso, que põe ovos de chocolate de todos os tamanhos e para todos os gostos. Para o consumismo insaciável, a essência da páscoa não tem a menor importância. O que importa é vender, vender muito, ainda que na mente das pessoas a verdade seja sacrificada, e o cordeiro fique esquecido. Para uma sociedade materialista, secularizada e consumista cujo deus é o ventre, o importante é empanturrar o estômago de chocolate, ainda que se sacrifique no altar do comércio esfaimado, a essência da verdade.
Páscoa significa originalmente “passagem”, vem do hebraico pesah, e é associada com o verbo pasah, que significa “saltar” ou “passar por cima”. Foi usada originalmente para expressar o fatídico dia em que o povo de Deus estava saindo do Egito e o anjo da morte "passou" sobre o povo judeu, sem que nenhum mal pudesse atingir aqueles lares que foram marcados pelo sangue do cordeiro que estava pintado nos umbrais das portas. Esta é uma história central do Antigo Testamento. Naquela noite o povo de Deus foi salvo da tragédia da morte dos primogênitos, porque um cordeiro tinha sido sacrificado e o seu sangue havia sido aplicado sobre as vergas das portas. Esta é a história épica da libertação do povo de Deus do cativeiro, com mão forte e poderosa. (Livro de Êxodo, cap 12).
No Novo Testamento, aprendemos que Jesus é o cordeiro pascal, O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Foi ele quem foi imolado na cruz por nós. Ele sofreu o castigo que nos traz a paz. Deus lançou sobre Ele a iniqüidade de todos nós. Ele, como ovelha muda, foi para o matadouro, carregando os nossos pecados. Ele se fez maldição por nós. Ele morreu derramando seu sangue, adquirindo para nós eterna redenção. Esta é a história da nossa libertação. Não podemos deixar que ela seja distorcida e diluída em chocolate. Não podemos permitir que o maior de todos os sacrifícios, vivido na hora mais amarga do Filho de Deus, bebendo sozinho o cálice da ira divina, seja reduzido a um festival de gastronomia.
Coelho ou cordeiro?
O coelho é um intruso que nada tem a ver com a festa da páscoa. Esta festa é a festa do cordeiro, do Cordeiro de Deus. Ele sim, deve ser o centro, o conteúdo, a atração e a razão de ser desta festividade. Que a nossa família possa estar reunida não em torno do ovo de chocolate, mas em torno de Jesus, o Cordeiro que foi morto, mas vive pelos séculos dos séculos, tendo a certeza que estamos debaixo do abrigo de seu sangue.
Não é crime compartilhar fraternalmente um ovo de Páscoa. Mas é grave esquecer que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
A Páscoa, contudo, como todas as mensagens cristãs, tem perdido seu significado. O comércio voraz, faminto de dinheiro, trocou o cordeiro pelo coelho. Aliás, um coelho muito versátil, quase milagroso, que põe ovos de chocolate de todos os tamanhos e para todos os gostos. Para o consumismo insaciável, a essência da páscoa não tem a menor importância. O que importa é vender, vender muito, ainda que na mente das pessoas a verdade seja sacrificada, e o cordeiro fique esquecido. Para uma sociedade materialista, secularizada e consumista cujo deus é o ventre, o importante é empanturrar o estômago de chocolate, ainda que se sacrifique no altar do comércio esfaimado, a essência da verdade.
Páscoa significa originalmente “passagem”, vem do hebraico pesah, e é associada com o verbo pasah, que significa “saltar” ou “passar por cima”. Foi usada originalmente para expressar o fatídico dia em que o povo de Deus estava saindo do Egito e o anjo da morte "passou" sobre o povo judeu, sem que nenhum mal pudesse atingir aqueles lares que foram marcados pelo sangue do cordeiro que estava pintado nos umbrais das portas. Esta é uma história central do Antigo Testamento. Naquela noite o povo de Deus foi salvo da tragédia da morte dos primogênitos, porque um cordeiro tinha sido sacrificado e o seu sangue havia sido aplicado sobre as vergas das portas. Esta é a história épica da libertação do povo de Deus do cativeiro, com mão forte e poderosa. (Livro de Êxodo, cap 12).
No Novo Testamento, aprendemos que Jesus é o cordeiro pascal, O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Foi ele quem foi imolado na cruz por nós. Ele sofreu o castigo que nos traz a paz. Deus lançou sobre Ele a iniqüidade de todos nós. Ele, como ovelha muda, foi para o matadouro, carregando os nossos pecados. Ele se fez maldição por nós. Ele morreu derramando seu sangue, adquirindo para nós eterna redenção. Esta é a história da nossa libertação. Não podemos deixar que ela seja distorcida e diluída em chocolate. Não podemos permitir que o maior de todos os sacrifícios, vivido na hora mais amarga do Filho de Deus, bebendo sozinho o cálice da ira divina, seja reduzido a um festival de gastronomia.
Coelho ou cordeiro?
O coelho é um intruso que nada tem a ver com a festa da páscoa. Esta festa é a festa do cordeiro, do Cordeiro de Deus. Ele sim, deve ser o centro, o conteúdo, a atração e a razão de ser desta festividade. Que a nossa família possa estar reunida não em torno do ovo de chocolate, mas em torno de Jesus, o Cordeiro que foi morto, mas vive pelos séculos dos séculos, tendo a certeza que estamos debaixo do abrigo de seu sangue.
Não é crime compartilhar fraternalmente um ovo de Páscoa. Mas é grave esquecer que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
quarta-feira, 16 de março de 2005
Espelho, espelho meu...
Assisti atenciosamente o quadro de televisão que tem o nome acima. A idéia é curiosa: A direção do programa recebe várias cartas de pessoas aflitas que desejam uma transformação na sua imagem e que não gostam de si mesmas. A equipe vai atrás de profissionais de primeira linha para dar uma "guaribada" em uma destas pessoas que eles escolhem, e ela passa por uma série de tratamentos incluindo cirurgias plásticas, cuidado com a pele, checagem nos dentes e corte de cabelo. A pessoa é restaurada na perspectiva estética e os profissionais tentam fazer o melhor possível para que ela seja transformada. O trabalho em geral, fica muito bom. Os responsáveis pela metamorfose fazem um excelente trabalho.
A maioria das pessoas tem problema com a auto-imagem. Os mais gordinhos gostariam de emagrecer um pouco, os magros se sentem inadequados e gostariam de ser mais cheinhos, os altos acham exagerado o tamanho, os baixinhos gostariam de ter um centímetro a mais. Todos nós temos uma certa insatisfação com nosso espelho. Quando olhamos as fotografias, narcisistas como somos, procuramos nossa imagem para nos enamorarmos um pouco de nós mesmos, mas sempre culpamos a fotografia por ela mostrar o que vemos. "Esta foto não saiu muito boa". Ao dizermos isto, estamos reconhecendo que temos uma imagem mental que não concorda com a imagem real.
O grave problema do espelho é que temos imagens construídas dentro de nós mesmos. Nunca vamos nos ver como de fato somos. Quem afirma isto de forma categórica é o Dr. Maxwell Maltz, famoso cirurgião plástico que escreveu um best-seller intitulado "New Faces, New Futures", uma coletânea de história de pessoas que haviam passado pela cirurgia plástica e o relato de como se comportavam depois do tratamento. Em algumas, ocorreram transformáveis notáveis de personalidade, mas em muitas, a cirurgia não fazia a mínima diferença, pois continuavam se "sentindo" feias. Tinham um novo rosto, mas o coração ainda era o mesmo. Então, o Dr Maltz afirma que "cada personalidade possui um rosto", este rosto emocional, que só poderá ser mudado com uma transformação mais radical na alma.
A Bíblia afirma que "como o homem imagina em sua alma, assim ele é" (Pv 23.7). Auto-estima tem a ver com a forma como sentimos a nosso respeito. Se o coração não mudar, as emoções conceituais a nosso respeito continuarão sendo danosas porque elas se constituem no âmago de nossa personalidade. A questão fundamental não é como eu sou, mas como eu penso que sou.
Pessoas de beleza mediana podem ser bem resolvidas, ter um alto grau de aceitação de si mesmas, enquanto outras, muito bonitas, podem se sentir péssimas acerca de seu corpo e da sua imagem. Tenho percebido que muitos em processo de bulimia ou anorexia nervosa possuem uma beleza acima da média e no entanto estão no processo de auto destruição e suicídio inconsciente.
O fato é que não se pode viver bem, se não se percebe bem. Não se pode acreditar na verdade enquanto se acredita em um erro. Auto imagem negativa é uma arma mortífera e altamente destrutiva, porque rouba a criatividade, a espontaneidade e a alegria de ser gente. A personalidade, a sexualidade e os relacionamentos todos são afetados pela nossa auto-percepção. A pessoa que tem uma visão positiva de si mesma é mais saudável em todos os sentidos. Mas a transformação só pode acontecer, se o coração for mudado. O Dr George Herbert Mead, usa o conceito do "eu do espelho". As imagens e conceitos que temos acerca de nós mesmos, têm muito a ver com as imagens e sentimentos que vemos refletidos naqueles que estiveram ao nosso redor e criaram o conceito daquilo que somos agora.
A Bíblia afirma que Deus nos fez para sermos um "poema" dele (Ef 2.10), e este poema tem verso, rima e trova. Cada um de nós possui o seu próprio eidos, usando aqui uma expressão da fenomenologia de Heidegger. Deus nos fez diferente de todos os demais. Padrões de beleza são culturais e transitórios, mudando de acordo com a conveniência de um artista ou da mídia que criam a moda. Por isto, nosso paradigma precisa ser sobrenatural. Trazer esta verdade para nosso coração pode ser altamente libertador.
A maioria das pessoas tem problema com a auto-imagem. Os mais gordinhos gostariam de emagrecer um pouco, os magros se sentem inadequados e gostariam de ser mais cheinhos, os altos acham exagerado o tamanho, os baixinhos gostariam de ter um centímetro a mais. Todos nós temos uma certa insatisfação com nosso espelho. Quando olhamos as fotografias, narcisistas como somos, procuramos nossa imagem para nos enamorarmos um pouco de nós mesmos, mas sempre culpamos a fotografia por ela mostrar o que vemos. "Esta foto não saiu muito boa". Ao dizermos isto, estamos reconhecendo que temos uma imagem mental que não concorda com a imagem real.
O grave problema do espelho é que temos imagens construídas dentro de nós mesmos. Nunca vamos nos ver como de fato somos. Quem afirma isto de forma categórica é o Dr. Maxwell Maltz, famoso cirurgião plástico que escreveu um best-seller intitulado "New Faces, New Futures", uma coletânea de história de pessoas que haviam passado pela cirurgia plástica e o relato de como se comportavam depois do tratamento. Em algumas, ocorreram transformáveis notáveis de personalidade, mas em muitas, a cirurgia não fazia a mínima diferença, pois continuavam se "sentindo" feias. Tinham um novo rosto, mas o coração ainda era o mesmo. Então, o Dr Maltz afirma que "cada personalidade possui um rosto", este rosto emocional, que só poderá ser mudado com uma transformação mais radical na alma.
A Bíblia afirma que "como o homem imagina em sua alma, assim ele é" (Pv 23.7). Auto-estima tem a ver com a forma como sentimos a nosso respeito. Se o coração não mudar, as emoções conceituais a nosso respeito continuarão sendo danosas porque elas se constituem no âmago de nossa personalidade. A questão fundamental não é como eu sou, mas como eu penso que sou.
Pessoas de beleza mediana podem ser bem resolvidas, ter um alto grau de aceitação de si mesmas, enquanto outras, muito bonitas, podem se sentir péssimas acerca de seu corpo e da sua imagem. Tenho percebido que muitos em processo de bulimia ou anorexia nervosa possuem uma beleza acima da média e no entanto estão no processo de auto destruição e suicídio inconsciente.
O fato é que não se pode viver bem, se não se percebe bem. Não se pode acreditar na verdade enquanto se acredita em um erro. Auto imagem negativa é uma arma mortífera e altamente destrutiva, porque rouba a criatividade, a espontaneidade e a alegria de ser gente. A personalidade, a sexualidade e os relacionamentos todos são afetados pela nossa auto-percepção. A pessoa que tem uma visão positiva de si mesma é mais saudável em todos os sentidos. Mas a transformação só pode acontecer, se o coração for mudado. O Dr George Herbert Mead, usa o conceito do "eu do espelho". As imagens e conceitos que temos acerca de nós mesmos, têm muito a ver com as imagens e sentimentos que vemos refletidos naqueles que estiveram ao nosso redor e criaram o conceito daquilo que somos agora.
A Bíblia afirma que Deus nos fez para sermos um "poema" dele (Ef 2.10), e este poema tem verso, rima e trova. Cada um de nós possui o seu próprio eidos, usando aqui uma expressão da fenomenologia de Heidegger. Deus nos fez diferente de todos os demais. Padrões de beleza são culturais e transitórios, mudando de acordo com a conveniência de um artista ou da mídia que criam a moda. Por isto, nosso paradigma precisa ser sobrenatural. Trazer esta verdade para nosso coração pode ser altamente libertador.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
PAIXÃO PELA VIDA
Sempre nos chocamos quando somos confrontados com cenas de violência. Conheço pessoas que sentem dificuldade em pegar no sono quando tomam conhecimento de tais acontecimentos. Por mais incrível e paradoxal que pareça, guarde este sentimento, ainda que doloroso, como algo valioso em você. Sofrer, amar e se indignar é algo profundamente positiva. O maior problema é quando vemos as cenas mais brutais na televisão e na vida e começamos a banalizá-la e a achar tudo isto normal. Quando achamos que a morte, a dor e a agressão devem ser vistas como coisas normais, porque a apatia tem o poder de tirar nossa alma.
O problema é que quando a violência se torna corriqueira, tendemos a banalizar a vida, e esquecermos que ela é o maior valor que temos. Esquecemos nossa relação com o criador e o alto valor que ele deu ao seres humanos ao afirmar que foram feitos à sua imagem e semelhança. O conceito da Imago Dei tende a se perder quando a vida é menosprezada, valores são saqueados e arromba-se a dignidade de nossa alma.
Jurgen Moltmann, no livro "A paixão pela vida", afirma que o grave problema com a indiferença, é que ela consegue roubar nossa vida. A insensibilidade tende a se aninhar em nós. Vemos o mal e não mais nos assustamos com ele. Experimentamos violência e somos violentados, sem que isto gere em nós tristeza. Acostumamos com a morte. O extraordinário passa a se tornar o comum, e o trágico corriqueiro.
Alguns anos atrás uma socióloga carioca resolveu mergulhar no submundo da mendicância num gueto de catadores de lixos, miseráveis e desvalidos no Rio de Janeiro. Na medida em que se aproxima do grupo, sentiu enorme rejeição. Os mendigos não permitiam que ela pudesse estudar a situação deles, ameaçaram-na e a hostilizaram. Como precisava fazer pesquisa de campo, esta pesquisadora tomou uma decisão radical: resolveu se tornar uma mendiga para entender como funcionava aquela sociedade. No seu excelente e dramático trabalho de doutorado, ela conta quanta violência presenciou entre eles. Policiais extorquiam dinheiro e agrediam pessoas, abusos sexuais eram freqüentes, o conceito de família assumia um significado totalmente diferente que trazemos. Um relato que me atraiu foi o de que o mau cheiro do local onde ela passou a dormir tornou-se o maior incomodo a enfrentar. Era quase impossível respirar ao lado daquele esgoto. Mas ela afirma que, com o passar do tempo, ela se acostumou ao cheiro.
Podemos nos acostumar com o cheiro da desgraça, da desumanização, da agressão e da dor. Quando isto acontece, perdemos a capacidade de nos indignar com a violência, que assume muitas facetas: doméstica, pública, social, sexual, religiosa. Com a miséria, com a exploração da pobreza, com as indústrias e feudos da domesticação de seres humanos. Podemos nos acostumar com a agressão que praticamos e com a que geramos, achando que tudo está correto. O teólogo alemão, Henry Niemüller, foi um dos homens que teve um lugar nas alamedas dos justos por proteger o povo judeu. Próximo ao Museu do Holocausto em Jerusalém, tive o privilégio de ler pessoalmente uma célebre afirmação sua gravada em bronze:
"Primeiro vieram buscar os anarquistas,
mas como eu não sou anarquista, não me preocupei.
Depois vieram buscar os comunistas,
mas como eu não sou comunista, não me importei.
Depois vieram buscar os judeus,
mas como eu não sou judeu, também não me importei".
O problema é que quando a violência se torna corriqueira, tendemos a banalizar a vida, e esquecermos que ela é o maior valor que temos. Esquecemos nossa relação com o criador e o alto valor que ele deu ao seres humanos ao afirmar que foram feitos à sua imagem e semelhança. O conceito da Imago Dei tende a se perder quando a vida é menosprezada, valores são saqueados e arromba-se a dignidade de nossa alma.
Jurgen Moltmann, no livro "A paixão pela vida", afirma que o grave problema com a indiferença, é que ela consegue roubar nossa vida. A insensibilidade tende a se aninhar em nós. Vemos o mal e não mais nos assustamos com ele. Experimentamos violência e somos violentados, sem que isto gere em nós tristeza. Acostumamos com a morte. O extraordinário passa a se tornar o comum, e o trágico corriqueiro.
Alguns anos atrás uma socióloga carioca resolveu mergulhar no submundo da mendicância num gueto de catadores de lixos, miseráveis e desvalidos no Rio de Janeiro. Na medida em que se aproxima do grupo, sentiu enorme rejeição. Os mendigos não permitiam que ela pudesse estudar a situação deles, ameaçaram-na e a hostilizaram. Como precisava fazer pesquisa de campo, esta pesquisadora tomou uma decisão radical: resolveu se tornar uma mendiga para entender como funcionava aquela sociedade. No seu excelente e dramático trabalho de doutorado, ela conta quanta violência presenciou entre eles. Policiais extorquiam dinheiro e agrediam pessoas, abusos sexuais eram freqüentes, o conceito de família assumia um significado totalmente diferente que trazemos. Um relato que me atraiu foi o de que o mau cheiro do local onde ela passou a dormir tornou-se o maior incomodo a enfrentar. Era quase impossível respirar ao lado daquele esgoto. Mas ela afirma que, com o passar do tempo, ela se acostumou ao cheiro.
Podemos nos acostumar com o cheiro da desgraça, da desumanização, da agressão e da dor. Quando isto acontece, perdemos a capacidade de nos indignar com a violência, que assume muitas facetas: doméstica, pública, social, sexual, religiosa. Com a miséria, com a exploração da pobreza, com as indústrias e feudos da domesticação de seres humanos. Podemos nos acostumar com a agressão que praticamos e com a que geramos, achando que tudo está correto. O teólogo alemão, Henry Niemüller, foi um dos homens que teve um lugar nas alamedas dos justos por proteger o povo judeu. Próximo ao Museu do Holocausto em Jerusalém, tive o privilégio de ler pessoalmente uma célebre afirmação sua gravada em bronze:
"Primeiro vieram buscar os anarquistas,
mas como eu não sou anarquista, não me preocupei.
Depois vieram buscar os comunistas,
mas como eu não sou comunista, não me importei.
Depois vieram buscar os judeus,
mas como eu não sou judeu, também não me importei".
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Viva o divórcio
"Os filhos do divórcio" foi o tema do artigo de capa da revista época, edição 349, de 24.01.2005. Obviamente o assunto é de extrema relevância para nossos dias, já que o divórcio tem assumido proporções estatísticas surpreendentes. Em algumas regiões do Brasil, o divórcio já chega a 50%. Isto significa que, de cada 100 casais que hoje assumem o compromisso do casamento, 50% deles divorciarão num futuro breve. Obviamente devemos ser menos preconceituosos e mais preparados para lidar com a questão, já que vidas estão envolvidas neste doloroso processo.
O que me assustou, nesta reportagem, contudo, foi a apologia do divórcio. Ao chegar ao final da reportagem, tive a impressão de que deveria divorciar porque este era o caminho mais saudável, e psicologicamente mais prático para a minha vida e para a vida de meus filhos. Nada pode ser mais enganoso que esta idéia.
Se é certo que devemos cuidar desta geração que cresce sem ambos os pais, e que é nossa responsabilidade ajudar na restauração daqueles que sofrem um desencanto e passam por um processo de divórcio, também é certo que não devemos olhar com romantismo esta situação. Divórcio é um processo extremamente dolorido. Enganam-se aqueles que acreditam que é um processo simples como trocar de carro, ou mudar-se de uma casa para outra.
Estima-se que são necessários cerca de 5 anos, em média, para que os reajustes resultantes do divórcio sejam feitos. Existe o reajuste financeiro, familiar, emocional, espiritual e até mesmo do circulo de amizades. No financeiro, são as contas que precisam ser divididas, dívidas que precisam ser assumidas por uma ou outra parte, a dolorosa partilha de bens. No campo emocional, o processo de ruptura e de-cisão (separo intencionalmente este termo para que se saiba tratar-se de uma cisão). São fotografias que precisam ser desprezadas, histórias que devem ser esquecidas, isto não considerando ainda o fato de que uma das partes ainda esteja apaixonada e não gostaria de ver um desfecho tão dramático deste sonho de uma noite de verão.
O círculo de amizades também é reavaliado. Determinados amigos não conseguem manter relacionamento com os dois, toma-se partido, estabelece-se julgamentos. Além do fato de que programa de família e de casais, via de regra, é diferente de programa de solteiros e descasados.
Existe ainda o problema espiritual: culpas, acusações, a posição da igreja que se participa. Divórcio é um processo criticado pela maioria das religiões e na visão católica assume ainda uma dimensão sacramental. O homem e a mulher de fé precisam lidar com estas realidades.
Apesar da gravidade de todas estas coisas, existe o drama dos filhos. E não me venham dizer, como insinuou a revista época, que filhos de divorciados crescem emocionalmente mais estáveis e seguros que um filho de um lar onde pai e mãe exercem suas funções. Obviamente se se toma exemplos mais drásticos, de lares disfuncionais, neuróticos e psicóticos, obviamente você pode chegar a esta conclusão, mas a maioria dos lares possui espaço para aceitação e crescimento emocional dos filhos. A exceção não pode se tornar a regra.
Apesar de tudo, de ter uma opinião bem crítica quanto ao divórcio, gostaria de concluir com uma palavra de esperança e de misericórdia aos que passaram por esta experiência. Divórcio não é um pecado sem perdão. Existe restauração e cura para situações dramáticas e doloridas. Não olhe o divórcio como ponto final para sua vida e a dos seus filhos. Deus dispôs a natureza com uma maravilhosa capacidade de se refazer e restaurar. Olhe o cerrado que temos à nossa volta: com o fogo torna-se seco e tórrido, mas as primeiras chuvas de verão são capazes de trazer verdor e de nos fazer crer que um novo tempo se aproxima.
O que me assustou, nesta reportagem, contudo, foi a apologia do divórcio. Ao chegar ao final da reportagem, tive a impressão de que deveria divorciar porque este era o caminho mais saudável, e psicologicamente mais prático para a minha vida e para a vida de meus filhos. Nada pode ser mais enganoso que esta idéia.
Se é certo que devemos cuidar desta geração que cresce sem ambos os pais, e que é nossa responsabilidade ajudar na restauração daqueles que sofrem um desencanto e passam por um processo de divórcio, também é certo que não devemos olhar com romantismo esta situação. Divórcio é um processo extremamente dolorido. Enganam-se aqueles que acreditam que é um processo simples como trocar de carro, ou mudar-se de uma casa para outra.
Estima-se que são necessários cerca de 5 anos, em média, para que os reajustes resultantes do divórcio sejam feitos. Existe o reajuste financeiro, familiar, emocional, espiritual e até mesmo do circulo de amizades. No financeiro, são as contas que precisam ser divididas, dívidas que precisam ser assumidas por uma ou outra parte, a dolorosa partilha de bens. No campo emocional, o processo de ruptura e de-cisão (separo intencionalmente este termo para que se saiba tratar-se de uma cisão). São fotografias que precisam ser desprezadas, histórias que devem ser esquecidas, isto não considerando ainda o fato de que uma das partes ainda esteja apaixonada e não gostaria de ver um desfecho tão dramático deste sonho de uma noite de verão.
O círculo de amizades também é reavaliado. Determinados amigos não conseguem manter relacionamento com os dois, toma-se partido, estabelece-se julgamentos. Além do fato de que programa de família e de casais, via de regra, é diferente de programa de solteiros e descasados.
Existe ainda o problema espiritual: culpas, acusações, a posição da igreja que se participa. Divórcio é um processo criticado pela maioria das religiões e na visão católica assume ainda uma dimensão sacramental. O homem e a mulher de fé precisam lidar com estas realidades.
Apesar da gravidade de todas estas coisas, existe o drama dos filhos. E não me venham dizer, como insinuou a revista época, que filhos de divorciados crescem emocionalmente mais estáveis e seguros que um filho de um lar onde pai e mãe exercem suas funções. Obviamente se se toma exemplos mais drásticos, de lares disfuncionais, neuróticos e psicóticos, obviamente você pode chegar a esta conclusão, mas a maioria dos lares possui espaço para aceitação e crescimento emocional dos filhos. A exceção não pode se tornar a regra.
Apesar de tudo, de ter uma opinião bem crítica quanto ao divórcio, gostaria de concluir com uma palavra de esperança e de misericórdia aos que passaram por esta experiência. Divórcio não é um pecado sem perdão. Existe restauração e cura para situações dramáticas e doloridas. Não olhe o divórcio como ponto final para sua vida e a dos seus filhos. Deus dispôs a natureza com uma maravilhosa capacidade de se refazer e restaurar. Olhe o cerrado que temos à nossa volta: com o fogo torna-se seco e tórrido, mas as primeiras chuvas de verão são capazes de trazer verdor e de nos fazer crer que um novo tempo se aproxima.
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