sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O Problema do Mal

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Billy Graham, conhecido pregador cristão, afirma que existem três coisas que a raça humana ou qualquer religião jamais conseguiu explicar: O problema do sofrimento, o problema da morte e o problema do mal.

Somos capazes de suportar terremotos, tsunamis, enchentes, pobreza e até o câncer, mas o mal pode quebrar o espírito que até mesmo a tragédia não consegue abalar. A falta de humanidade do homem contra o próprio homem, a crueldade arbitrária da sociedade e dos poderosos nos levam a considerar que existe algo, ou alguém, que está muito acima de tudo isto

Os desafios e dores que um ser humano enfrenta, muitas vezes se tornam quase insuportáveis. As condições desumanas, como a privação material e abusos nos revelam que o mal não é apenas uma dimensão conceitual e abstrata, mas se manifesta de forma abrupta contra a integridade e saúde. Há um espectro horrível que transcende o senso da lógica e do possível.

O que, exatamente, motiva este mal? Por que alguém, voluntariamente, decide ferir? Podemos encontrar explicações para a violência e a maldade afirmando que ela é decorrente de uma reação à violência sofrida, mas a explicação é frágil porque muitos foram violentados, sofreram bullying e isto não os tornou uma pessoa do mal.

Popular psiquiatra e terapeuta americano, Scott Peckescreveu um sombrio e arrepiante livro intitulado O Povo da Mentira” (Editora Imago, Rio), cujo subtítulo é “Encarando a Psicologia do Mal. Nesta obra ele tenta aprofundar o entendimento sobre o problema da malignidade humana, narrando atitudes de pessoas e sistemas familiares aparentemente corretos que apresentam um grau muito profundo de malignidade. Suas conclusões são assustadoras.

O mal não se manifesta como consequência da dureza da vida ou por causa de uma decepção ou amargura, mas precisa ter uma dose de ressentimento e desgosto, aliado a um desejo de vingança não necessariamente contra queferiu, mas contra a própria vida. No entanto, ainda assimo problema do mal permanece não resolvido. O homem luta, em sua miséria, para criar algo infernal e monstruoso e se depara, no mais íntimo do seu ser, com a deformação de seu próprio caráter.

Há muitos demônios e muitas batalhas a serem enfrentados por todos nós e, eventualmente, no meio do nosso inferno, alguns destes demônios conseguem transformar pessoas simples em alguém irreconhecivelmente maligno, que estupra, abusa, violenta, vende-se sabendo que o dinheiro desviado seria para saúde do pobre e desvalido. E parece que sua parte sombria ainda encontra prazer e diversão em agir dessa forma.

Na oração dominical ou mais popularmente conhecida como “A Oração do Pai Nosso”, Jesus ensina seus discípulos a orar: “livra-nos do maligno”, ou, conforme a tradução mais conhecida, “livra-nos do mal”. Jesus reconhece que existe uma esfera ou raio com o qual temos que lidar, contra quem não temos habilidade, força ou perícia para vencer por nós mesmos. Precisamos da Graça de Deus e por isso dizemos: “livra-nos do mal”. Ou seja, ajude-nos contra esta força ou poder, inerente em mim ou acima de mim, que gera a propensão para o mal contra o outro e contra mim mesmo.

Regras?

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As pessoas não gostam de regras, apesar de precisarem de regras para viver. Muitos acham a vida, na sua própria essência, restritiva e complicada demais, além do mais, as pessoas e as culturas são diferentes, então, para que estabelecer regras?

Conta-se que quando Moisés desceu a montanha, após os quarenta dias em que esteve no Horebe, estava carregando as tábuas da lei com os Dez Mandamentos nela inscritos, e ao voltar para o arraial, encontra o povo de Israel, que por 400 anos havia sido escravizado no Egito, totalmente desenfreado, dançando loucamente diante de um bezerro de ouro, um ídolo que fizeram e todos olharam meio constrangidos para Moisés que lhes disse:

-“Tenho boas...e más noticias. Quais vocês querem primeiro?”
-“As boas notícias”. O povo grita, agora um pouco mais relaxado.
-“Conseguimos reduzir os Mandamentos de 15 para apenas 10”. Moisés argumenta:
-“E as más?” O povo freneticamente pergunta.
E Moisés respondeu: -“O adultério ainda está na lista!”

Embora a sociedade moderna insista em abolir as regras, ela mantém uma relação ambígua em relação a este tema, afinal, precisamos de regras. Não queremos as regras, mas precisamos delas, por isto Deus não deu “dez sugestões”, mas Deus “mandamentos”. Eles foram feitos para serem obedecidos, sob pena de punição, afinal, sem regras nos tornamos bárbaros, uma sociedade sem freio e sem direção, escrava de sua própria paixão, hedonismo e capricho. Sem respeito a convenções sociais que foram estabelecidas num longo processo social de formação de valores e normas.

Sociopatas e psicopatas fazem exatamente o contrário. Eles rejeitam as normas e criam seu próprio estilo de comportamento. O resultado é catastrófico. Por isto, a Bíblia não apenas estabelece regras para a vida do povo judeu, mas ilustra paulatinamente porque precisamos delas, tornando-as assim, mas compreensíveis e práticas. Afinal, as regras existem não por causa de Deus, mas por causa de nós mesmos. Por isto muitas vezes após uma série de recomendações vemos a advertência: “Para que vivais”, ou “para que te vá bem”.

Honrar pai e mãe, que é o Quinto Mandamento, possui um claro elemento para justificar a honra devida: “Para que te vá bem, e tenhas longa vida sobre a terra”. Submissão a determinadas regras se tornam positivas para nossa saúde emocional, e para nossa psique.

Desta forma, regras não se tornam restritivas, mas facilitam o viver e nos habilitam a caminhar de forma mais plena e livre. Deus não será mais Deus ou menos Deus se o obedecemos ou não, mas sua vida será mais plena, se os princípios e orientações forem seguidos. Por isto o profeta Amós enfatiza: “Buscai-me e vivei!”

Regras vão muito além do caráter negativo ou punitivo. Elas nos orientam e nos livram da insensatez.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Relativize o relativismo!

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A geração atual, também conhecida por millenial, é avessa às regras. Na visão do filósofo Norman Doidge, esta é “a primeira geração diligentemente ensinada sobre duas ideias aparentemente contraditórias sobre moralidade... Essa contradição deixou-os, em geral, desorientados e inseguros... Veem a moralidade como relativa, no mínimo um ‘julgamento de valor’ pessoal... A moralidade de cada grupo não é nada além da tentativa de exercer poder sobre o outro... portanto, o mais decente a ser feito é demonstrar tolerância com as pessoas que pensam de modo diferente... Uma vez que não sabemos diferenciar o certo do errado ou o que é bom, a coisa mais inadequada que um adulto pode fazer é dar conselhos aos mais jovens sobre como viver.”

E Doidge continua: “infelizmente as pessoas não conseguem tolerar o caos inerente à vida, não conseguem viver sem uma bússola moral, sem um ideal para guiar suas vidas e assim surge o niilismo e o desespero. O resultado é uma geração sem direção, achando que a única virtude existente é não possuir qualquer concepção ou ideia formada sobre os assuntos mais palpitantes da vida.”

Então, o problema do relativismo é sua relatividade. Irônico, não? Ao dizer que “tudo é relativo!”, esbarramos na compreensão de que, até mesmo tal afirmação precisa ser relativizada, portanto, ela não é essencialmente verdadeira. Você não pode se firmar nesta afirmação. Não porque ela seja falsa, mas porque ela não é verdadeira. É possível tal dialética!?

A verdade é que todos nós precisamos de regras e princípios básicos que norteiem nossa caminhada, embora reconheçamos que costumes específicos variem de lugar para lugar. Ainda assim, podemos perceber que em todas as culturas, por mais primitivas ou sofisticadas que sejam, é preciso criar regras, leis e costumes.

O escritor C. S. Lewis tenta exemplificar isto da seguinte forma: “todos já viram pessoas discutindo. Às vezes, a discussão soa engraçada; em outras, apenas desagradável. Dizem, por exemplo: “Você gostaria que fi­zessem o mesmo com você?”; “Desculpe, esse banco é meu e eu sentei aqui primeiro”, “Por que você teve de entrar na frente?” Essas coisas são ditas todos os dias por pessoas cultas e incultas, por adultos e crianças.”

Ao fazer isso a pessoa apela para um padrão de compor­tamento que o outro deveria conhecer, mas raramente responde-se: “ao inferno com o padrão!”. Está claro que os envolvidos na dis­cussão conhecem uma lei ou regra de conduta leal, de comportamento digno ou moral, ou, como quer que queiramos chamar, há um padrão com o qual efetivamente concordam. Ora, essa lei ou regra do certo e do errado era cha­mada de Lei Natural.

Portanto, se o relativismo se torna o fundamento social, ideias como moral, valores e princípios nada mais são que formulações teóricas e preconceituosas. Tudo é válido porque ninguém pode dizer se isto é correto ou não... Aliás, para que serve sistema judiciário, polícia, família, casamento? Para que servem mesmo as regras? Se tudo é relativo, não há regras nem leis...

Desejo x Realidade


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Ao mergulhar no inconsciente humano para entender suas estruturas psíquicas, tais como o ID, o EGO e o SUPEREGO, a psicanálise demonstra que mesmo pessoas ditas normais possuem em seu inconsciente fantasias, tendências criminosas e antissociais. O ID é a parte da psique onde estão os desejos. É herdado da natureza. É parte instintiva da personalidade e opera segundo o psiquismo do prazer. O EGO vem do mundo externo, opera por meio de um processo secundário, controla as funções cognitivas e intelectuais. É o executivo da personalidade. Já o SUPEREGO é o defensor da moral e representa os valores da coletividade. É a força moral da personalidade, busca a “perfeição” ditada pela sociedade e não o prazer.

É nesta luta interior entre ID, EGO e SUPEREGO que surgem as tensões e os conflitos. Faço o que desejo porque quero fazer, independentemente das consequências; ou tomo consciência de que nem tudo o que desejo será, em última instância, o melhor para minha vida? Esta é a diferença entre o inconsequente e o prudente, entre o tolo e o sábio, entre o impulsivo e o reflexivo.

A educação, a cultura, o ambiente religioso ou familiar orientam o homem em relação ao autocontrole de seus atos, o que ocorre por meio do juízo crítico. É o que permite a esse homem pesar os prós e contras de seus desejos, levando à conclusão do que deve e do que não deve ser feito.

A célebre psicóloga Maria Tereza Maldonado afirma: “A passagem da lei do desejo (‘faço o que quero na hora em que dá vontade’) para a lei da realidade (‘nem sempre posso fazer o que quero e muitas vezes também não posso fazê-lo na hora em que me dá vontade’) é um processo lento e gradual. Há adultos que ainda estão longe de completar este processo.”

O primeiro episódio de violência da Bíblia aconteceu com Caim matando o irmão Abel por razão fútil. Vários detalhes nos chamam atenção e um deles é o diálogo de Deus com Caim: “Por que andas irado, e por  que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” (Gn 4.6)

Deus procura mostrar a Caim que nem sempre os desejos são nossos aliados, mas podem ser opositores; nem sempre nos auxiliam, mas podem conspirar contra nós, afinal, “o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.”

Instintos, paixões, impulsos, satisfação imediata, agressividade, raiva são muitas vezes “desejos estragados”, afinal, “todas as maças do diabo são bonitas, mas todas tem bicho.”  O equilíbrio entre ID e SUPEREGO, entre satisfação imediata e adiamento do prazer para o nosso bem é o que diferencia profundamente desejo e realidade. Esta compreensão nos faz sábios!

Amores distorcidos

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Os Beatles declararam: “All that I need is love” (Tudo o que eu preciso é amor), e esta afirmação tornou-se a marca de uma geração e parece ter aceitação universal e unânime. Não parece simples? Se há amor, tudo está OK. Certamente o amor, ou a ausência do amor, sustenta e orienta os afetos, relacionamentos e cosmovisão. O problema, contudo, está em entender de que amor estamos falando.

O problema é que a maioria das pessoas distorce gravemente a visão de amor.
Muitos possuem uma visão idealizada do amor. Para estes, amar é sentir-se especial, ter alguém que por eles se interessa. Vejam como este “idealismo fantasioso”(Keller), pode ser fatal no relacionamento. Muitas pessoas se casam esperando que o outro o faça feliz, mas, se ambas entram em um relacionamento esperando isto, o centro da atenção é o EU, e não o outro, afinal, ele se sente merecedor de um tratamento especial e o outro precisa lhe fazer feliz. A equação é simples: Por que pessoas narcisistas e autocentradas, se disporiam a “fazer o outro feliz”, se o foco é que o outro nos faça feliz? A verdade é que não somos os maiores especialistas do mundo quando o assunto é “nós”!

Outra distorção é o amor romantizado. Neste caso, esperamos que possamos nos expressar sem sermos julgados. É obvio que isto não acontecerá. Nossas palavras, sugestões, declarações, estão e estarão sempre sendo avaliadas. Dizer “não quero ser julgado, nem questionado” em um relacionamento é superficial e tolo. Quem ama cuida, troca opiniões, questiona, pessoas maduras divergem, se contradizem e cometem ambiguidades.

A terceira distorção é o amor consumista que acredita que amor é encontrar o par perfeito, uma espécie ficcional da Barbie. Neste imaginário, o outro está à minha disposição e me serve,  caso contrário não me serve. Enquanto o outro mantém e satisfaz meus desejos e expectativas, sinto-me amado, a partir do momento em que meus ideais não são satisfeitos, posso descartá-lo. Cria-se assim uma relação objetal. O outro é instrumentalizado e devorado pela minha voracidade.

Tudo o que precisamos é amor! Amor é central na experiência humana e enriquece a vida. Entretanto, precisamos considerar que tipo de amor estamos falando, do contrário, ele nada mais será que um amor tóxico, consumista e narcisista, e isto, não é, na sua essência, amor.