quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Legado


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Fui desafiado pelo Pr. Clayton Massao Santos para falar sobre legado, um tema que me desafia bastante. Pesquisadores afirmam que 60 anos é o tempo suficiente para que uma igreja desapareça ou perca sua relevância na história. Igrejas hoje vigorosas podem deixar de existir mais rápido que imaginamos. O Norte da África e o Egito, que na Patrística nos deram grandes teólogos como Agostinho e Aberlado, hoje não possuem igrejas. Das igrejas plantadas por Paulo na Turquia, quando muito podemos ter apenas vestígios arqueológicos. O que aconteceu? Os filhos não foram atingidos pela mensagem e não houve novos convertidos. Esta é a preocupação do Sl 78. Temos o grande desafio de continuar ministrando aos filhos e netos. A mensagem não pode parar em nós (Sl 78.3).

Duas questões são fundamentais: Nossa fé chegará à próxima geração? e, se chegar, que tipo de fé podemos esperar: Uma fé forte, viva ou superficial e cínica? A verdade é que sempre “estamos deixando uma herança ou um legado? o que dou aos meus filhos, ou o que faço por eles, não é tão importante quanto as marcas que deixo em suas vidas”. (Reggie Joiner, “Pense Laranja”).

O Salmo 78 afirma que devemos anunciar Jesus as vindouras gerações, a filhos que ainda hão de nascer, e aos filhos dos que  ainda não nasceram. Isto é perspectiva e legado. O evangelho não pode acabar em mim. o chamado de Deus inclui a família, é um pacto generacional (Susan Hunt). Somos a família do pacto. O pacto de Deus com Abraão era extensivo à família (Gn 17.9-11), por esta razão Deus exige o sinal no órgão reprodutor masculino. Ao carcereiro de Filipos Paulo afirma que o chamado é individual, com promessa para as gerações. “Crê no senhor jesus e serás salvo tu e tua casa” (At 16.32).

A verdade é que “nada que valha a pena fazer se completa durante nossa vida” (Reinhold Niebuhr), e “tudo o que você é e possui hoje, de bom ou ruim, é o seu legado” (Paul Meyers).

Um bom legado possui três características: Deve ser baseado em princípios divinos, produzir resultados duradouros e ser aplicável a todos.

Se eu pudesse falar de legado pessoal, o que é muito complexo e relativo, gostaria de deixar a marca de uma pessoa apegada ao Evangelho e à Palavra, e que sempre acreditou na ideia da igreja, como um povo eleito, chamado por Deus para “louvor da glória da sua graça”. No meio de tanta frustração e desengano desta geração com a instituição “igreja”, ainda continuo crendo que não há outra possibilidade de sustentar a fé sadia de uma nova geração se perdermos a referência da Palavra de Deus como infalível e inerrante, e de igreja como o povo de Deus. Os pais que hoje abandonam suas igrejas, não conseguirão manter suas gerações firmes no evangelho. Os filhos se perderão no caminho, e, se continuarem crendo e não forem absorvidos pelo secularismo e ateísmo, se tornarão espíritas, zen budistas, ecléticos ou sincréticos.

Por esta razão, meu ministério sempre esteve pautado em plantação de novas igrejas. Um enorme desafio, já que a logística e os custos são sempre muito altos, mas acredito que é uma grande benção investir numa instituição que, sendo fiel, continuará produzindo frutos com implicações eterna na vida dos filhos e dos que serão alcançados pela poderosa mensagem de salvação.

Desde o inicio do meu ministério, sempre estive com o coração voltado para plantação de novas igrejas. Em 1981, comecei meu ministério em Formoso-GO, plantando igrejas em Minaçu e Palmeirópolis. No Rio de Janeiro assumi uma rica e influente igreja que apesar dos seus 23 anos de existência nunca havia plantado uma igreja. Ali começamos um projeto de parceria e durante os quase cinco anos que ali estivemos, tive a alegria de ver três novas igrejas sendo iniciadas. A visão emplacou na Igreja da Gávea de tal forma que houve um período na sua história que ele era parceira de 27 campos. Ainda hoje esta igreja tem neste projeto, seu foco central.

Posteriormente fui convidado para pastorear nos EUA, exatamente na área de plantação de igrejas, e estive diretamente ligado nos quase nove anos ali vividos, na plantação de 5 novas igrejas. Do pequeno ministério que tínhamos em Boston, se somarmos hoje as congregações que são filhas, temos mais de 3000 membros. É surpreendente o poder da semente do grão de mostarda...

Em Anápolis, esta tem sido uma das ênfases de meu ministério: Quatro novas igrejas foram plantadas durante o meu pastoreio, fora as parcerias dentro e fora do Estado de Goiás.
Mas certamente, tais legados se forem meramente institucionais, pouca relevância terão. O grande legado que qualquer pessoa pode deixar é na vida das pessoas, desafiando sua fé, seu compromisso com o reino e amor a Jesus. Um bom ponto de partida é a família. Temos criado filhos que amam a Deus e sua obra, ou os temos distanciado do amor a Deus?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Respeite seu corpo

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O corpo humano é uma máquina maravilhosa e por esta razão preliminar já seria o suficiente para que cuidássemos bem dela.

O corpo humano possui uma maravilhosa bomba, que é o coração, que leva o sangue para todas as partes mantendo a vida em todos os órgãos. Possui o Sistema Nervoso Central, que dá os comandos em todas as áreas, fazendo maravilhosamente bem as sinapses e interagindo com os axônios, que são sensíveis e protegem o corpo todo das ameaças externas. Os órgãos internos exercem, cada um deles, uma função específica e agem para que nada se desequilibre. Já pensou na função do intestino? Do esôfago? Das glândulas supra renais? da hipófise? Seu olho, que máquina maravilhosa, com mais de cem mil veias. Surpreendente, não?

Para seu bom funcionamento, porém, o corpo precisa de manutenção. As engrenagens precisam estar funcionando bem, o coração precisa ter as artérias livres para oxigenar. Se você possui um veiculo pode levá-lo ao limite, sem manutenção adequada,  sem preocupação mecânica, sem trocar o óleo, sem fazer rodizio dos pneus, sem alinhamento, sem calibrar os pneus, mas você não faz isto porque sabe que seu sistema vai entrar em pane e a qualquer momento ele poderá te deixar na mão, fundir o motor, ou causar acidente.

Você acha que seu corpo é diferente?
O carro você pode repor, mas alguns danos que o corpo sofre, serão irreparáveis ou podem deixar sequelas que serão para todo sempre. Infelizmente você não pode simplesmente trocar uma peça por outra e está tudo bem. A troca aqui, mesmo quando possível, exige paciência para recuperação, desequilibra o organismo e em alguns casos trágicos pode sofrer rejeição e determinar seu fim.

Por esta razão, respeite seu corpo.
Ele precisa de manutenção, revisão, descanso. De vez em quando é preciso calibrar, trocar o óleo, levá-lo ao “mecânico”. Assim como um carro, o corpo também apresenta sinais de estresse. Se não estivermos atentos e tratar com cuidado, ele pode sofrer um colapso emocional, desestruturar as emoções, prejudicar seu funcionamento e parar de funcionar. E, ao contrário de um veiculo, se a máquina pifar de vez, não haverá possibilidades de restauração. É o fim!

Portanto, é preciso recarregar as baterias.
Deus sabia disto ao criar o ser humano. Por isto ele determinou o dia do descanso. Hora de parar, refletir, mudar as funções, deixar o corpo se adequar. Ambição, indisciplina, arrogância, excesso de atividade ou falta de atividade e o descaso são perigos constantes porque desrespeitam o ritmo do corpo, das emoções e da alma.
Aproveite as férias, descanse, mude as atividades. O corpo fala, o corpo grita, o corpo celebra. Ouça o seu corpo! Respeite o seu corpo!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Day One


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Você já ouviu falar em “day one”?

Não! Não estamos falando do dia 01 de Janeiro do Ano Novo. Trata-se de um novo conceito que tem sido usado por empresas, numa linguagem administrativa, para se referir a um dia marcante, que se tornou um ponto de virada na vida de algumas pessoas ou companhias.

Algumas empresas promovem seminários, convidando grandes empreendedores e pessoas influentes em diversas áreas para contarem suas histórias e focarem no dia especial em que as coisas fizeram sentido, quando algo novo, surpreendente, transformou a forma de ver e fazer as coisas, redundando em novos insights e grandes sonhos começaram a ser construídos.

Eles se referem a este dia como o dia 1, aquele momento mágico em que tiveram um estalo e começaram seus empreendimentos. É muito inspirador ver como as coisas, de forma quase intuitiva, eventualmente são o ponto de partida para uma transformação radical.

Você já leu aquela frase do Mark Twain: “Os dois dias mais importantes da sua vida são: o dia em que você nasceu, e o dia em que você descobre o porquê?” Esta descoberta brota de algo que está dentro da sua mente mas que só agora se torna conhecida.

Todos precisamos viver o “Day one”, dar um “estalo” que nos retire da zona de conforto e desânimo! Não apenas no campo empresarial, mas na vida. Isto precisa acontecer na forma como lidamos com as pessoas, com o trabalho e com a espiritualidade.

Recentemente conversei com um jovem empresário que estava se divorciando. Ele não tinha muito disposição para o trabalho, tratava com indiferença e era insensível à sua esposa e às oportunidades que tinha. No meio de uma crise sua mulher já cansada de tudo foi embora e decidiu que não queria mais continuar aquele relacionamento. Então ele descobriu que havia perdido seu casamento. Isto deu um estalo. Precisava mudar de atitude. Precisava reescrever sua história. Aquela hora era o “turning point” de sua vida. Seu “Day one”, e ele decidiu lutar pela sua esposa.

Sinceramente não creio muito na mudança do calendário anual como agente de mudanças. Durante anos tenho feito novas resoluções para depois descobrir que eu facilmente provoco uma auto-sabotagem e nada diferente acontece. Ao mesmo tempo, entretanto, alimento um utópico desejo de que o novo ano traga magicamente uma nova forma de lidar com minha saúde, cuidar melhor dos amigos e desenvolver minha fé. Por isto, estou aqui torcendo para que o primeiro dia do ano se transforme de fato no meu “Day one” que me leve noutra direção e a um novo patamar. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Está chegando o Natal!


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Mais uma vez nos deparamos com a maravilhosa época do Natal! 
Eu gosto de tudo no natal. Os cânticos tradicionais, as árvores, os enfeites, os presentes, as celebrações... o clima natalino me atrai. Gosto de ouvir estas músicas até mesmo fora de época...tenho um playlist de músicas natalinas preparada por minha filha que estou  sempre ouvindo. Minha esposa, eventualmente estando comigo no carro, quer me matar por causa das velhas e tradicionais músicas, então, eu mudo a estação, apenas para retornar mais tarde...

Mas não foi sempre assim.
Talvez a infância pobre tenha sido uma das causas. Nunca enfrentei a fome, a escassez, a ausência de comida, sempre tivemos muita fartura em casa. Muita comida, plantações, criação de aves, verdura e fruta. Ambiente de roça. Mas o dinheiro era muito escasso.

Eu me lembro de uma situação que hoje acho até engraçada. Houve um período em que arroz se tornou artigo de luxo em nossa casa. Vocês já pensaram em quanto custa 5 Kg de arroz hoje em dia? Eu particularmente acho muito barato, mas não o era naqueles tempos. Então, minha mãe, excelente cozinheira, preparava canjiquinha de porco, e era uma delicia... até hoje amo este prato.

Sempre tivemos compromisso com a igreja evangélica. No natal, para não passarmos no esquecimento, minha mãe preparava (ela sempre foi boa costureira também), roupas novas. Este era o nosso presente. Não havia presentes de natal, mas isto nunca nos traumatizou, nem gerou revolta em nossa vida. Tudo era resolvido com um bom prato de macarrão e salada de maionese, prato especial do final de semana.

Mas a grande beleza do natal transcendia os limites econômicos. A igreja sempre celebrava o natal e sempre estávamos lá: participando do teatro, das cantatas, dos cultos que eram realizados no exato dia do Natal. Tudo se transformava em festa! O maior presente nós tínhamos: Jesus, o Filho de Deus nos foi dado! Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra a quem ele quer bem!

A magia do Natal transcende seus adereços e luzes. Aponta para algo eterno e transcendente, fala de temas distantes, fala de Deus assumindo a forma de uma criança, fala de magos que saem do Oriente para entender o sinal que viram no céu, fala de pastores encantados com as vozes angelicais que ouviram...fala de promessas, sonhos, esperança, vida eterna.

Um feliz natal para você!

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Mudando os paradigmas


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Certa pessoa comentou que sempre andava irritada no trânsito, sentindo-se agredida com ultrapassagens, buzinando, gesticulando, gritando, até que um dia, se viu numa daquelas situações que provocava sua natural irritabilidade. Um carro se movendo como uma tartaruga e não dando passagem a despeito de sua insistente buzina e sinal de luz. Ela já estava furiosa quando viu no carro um pequeno adesivo escrito: “deficiente! Tenha paciência!”

Aquilo mudou totalmente a situação. Sentiu-se envergonhado e queria fazer algo para se explicar, mas nada mudava seu sentimento de inadequação.

Foi então que algo interessante lhe aconteceu: Por que só se sensibilizou quando viu o adesivo? Ficou indagando: Será que sempre precisaremos de sinais para termos paciência com os outros? E se houvessem outros tipos de adesivos?
         -Eu perdi meu trabalho.
         -Estou lutando com um câncer.
         -Estou atravessando um momento difícil.
         -Estou de luto. Perdi uma pessoa querida.
         -Estou financeiramente quebrado.
         -Me divorciei e ainda estou tentando me organizar.

Stephen Covey relata no seu conhecido livro “Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes” um episódio no metrô de Nova York quando uma pessoa entrou com seus filhos, inquietos e barulhentos, atirando coisas e correndo de um lado para o outro. Sua irritação foi aumentando cada vez mais até que disse ao pai:

-Senhor, seus filhos estão perturbando muitas pessoas. Será que não poderia dar um jeito neles?

O homem olhou para ele como se estivesse tomando consciência da situação naquele exato momento, e disse calmamente:

-Sim, creio que o senhor tem razão. Acho que deveria fazer alguma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora. Eu não sei o que pensar e parece que eles também não conseguem lidar com isso.

Covey relata que, naquele instante seu paradigma mudou radicalmente. Ao entender a situação do outro, a compreensão do quadro alterou radicalmente sua atitude. Ao invés de condenar e se irritar, naquele momento ele queria ajudar e apoiar.