sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O que fazer no carnaval?




Cada um interpreta e usa o tempo que lhe é dado da maneira como deseja e consegue. Tudo depende de valores, objetivos e prioridades. Um gosta do silêncio, outro do barulho; um da solitude, outro da multidão; um da montanha, outro do vale; um do mar, outro do interior. Cada um usa o tempo como lhe agrada.
Eu já decidi. Exceto uma pequena palestra para 250 jovens reunidos em retiro neste carnaval, devo ficar em casa, acordar mais tarde, fazer leituras atrasadas, cuidar do jardim, uma caminhada mais longa e, se possível, um churrasquinho com amigos. É assim que estou pensando, e você?
A Bíblia diz que “para todo propósito há tempo e modo”. Tempo se refere à agenda que temos, como gastamos as horas do dia, os compromissos assumidos. Modo tem a ver com a forma como utilizamos, que métodos adotamos, como fazemos o que fazemos. O texto sagrado afirma que, se houver propósito, surge espaço na agenda e descobrimos os meios para cumpri-los. Sem alvos, tudo se torna mais complicado. Tempo é uma questão de prioridade e motivação, por isto não faz sentido dizer “não tenho tempo”.
O tempo é o mesmo para cada um de nós, e o gastamos como queremos. Certo rapaz trabalhando na grande cidade, nunca encontrava tempo para visitar sua família  no interior, mas um dia, em uma de suas viagens, conheceu uma moça muito atraente por quem se apaixonou. Agora, este rapaz, “super-ocupado”, viajava quase 500 kms todos os finais de semana, para a casa de seus pais. O que mudou? Propósito. Por isto a agenda, valores, prioridades mudam.
Este elemento discricionário determina como usaremos o tempo e o dinheiro que temos. Carnaval, a festa dos foliões (países nórdicos da Europa), ou o Mardi Gras, a festa carnavalesca de Nova Orleans, são celebrações típicas em culturas diferentes com  uma mesma filosofia: inverter a ordem através da sátira, dos bufões, paetês, fantasias, músicas e máscaras.
O problema é que máscaras são feitas para a brincadeira ou o ocultamento, com o objetivo de estabelecer o lúdico ou ocultar a identidade, mas não o tornam diferente daquilo que somos. Por mais que o ator se torne “colombina” ou Napoleão, e se disfarce em de “Mickey” ou de outros personagens, ele não deixará de ser o que é. Detrás da ficção, existe o personagem concreto; o avatar não substitui o real. O problema é que, muitas vezes a fantasia decide ser o real, e desta forma “a rosa púrpura de Cairo” de Woody Allen torna-se a crise entre o imaginário e o histórico.
O carnaval não é capaz de resolver problemas, nem a bebida pode curar a dor, ou drogas apagarem doloridas memórias. Portanto, pense bem no que vai fazer no carnaval, para que não assine uma promissória que você levará boa parte do ano, ou da vida, para quitar; nem dê um cheque em branco com sua assinatura, sem saber quem é o mascarado que se fantasia ao seu lado. Não tome decisões sob o efeito da purpurina para que não venha a ser consumido de remorso e tristeza.
Existem coisas que, mesmo com preço caro, podem ser restauradas. Outras, podem ser irremediavelmente perdidas, como a honra, a reputação ou a própria vida.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Compromisso


A geração do “amor líquido” (Zigmunt Bauman), define seus relacionamentos a partir da idéia de “ficar”, que neste caso significa, “não ficar”. É a geração do descompromisso que faz a defesa do “que seja bom enquanto dure”. Este pressuposto, contudo, começa a enfrentar sérios desafios. Por não querer pensar em compromisso e estabilidade muitas desordens afetivas tem se manifestado. Terapeutas modernos afirmam que compromisso é fundamental para saúde emocional e equilíbrio da alma. O ser humano precisa de compromissos, estáveis e duradouros. Estabilidade.

Esta é a afirmação do celebrado terapeuta Scott Peck: “Problemas de compromisso são uma inerente parte da maioria das desordens psiquiátricas... crianças não conseguem crescer com maturidade psicológica, sob o espectro do abandono” (Scott Peck, The Road less traveled). Com o advento do divórcio, do amor de pedágio e de transição, muitas e graves desordens emocionais surgiram. Precisamos de segurança afetiva.

Crianças e adultos precisam de estabilidade e previsibilidade para crescer emocionalmente, famílias disfuncionais geram muita insegurança. Precisamos assegurar aos filhos que eles podem dormir tranqüilo, porque não haverá solavancos na viagem no sono da noite, nem tsunamis emocionais pela manhã. Segurança permite que os filhos cresçam amados e confiantes.

Quando não há compromissos e afetos estáveis, surge a síndrome do “eu rejeito você antes que você me rejeite”. Isto dificulta a relação, doação e a entrega de si mesmo, afinal “gato escaldado tem medo de água fria”. Se alguém tem expectativa de que será desprezado ou abandonado, por forças da própria vivência negativa, tenderá a se desvincular emocionalmente e não se apegar a nada nem ninguém. Por esta razão muitos preferem não casar – temem a rejeição. Muitos enfrentam sérios problemas até mesmo na sua sexualidade, porque nunca se entregam por completo. Medo da rejeição.

Certa mulher, filha de uma rica família, experimentou profundo abandono na sua casa. Apesar de todo conforto o relacionamento com os pais, especialmente com a mãe, foi muito além do traumático. Seu casamento não durou um ano. Nem sexualmente conseguiu encontrar prazer. Temia o risco do compromisso. Seus pais falharam em transmitir-lhe segurança de que era amada. A idéia de entregar-se era algo muito abstrato.

Compromisso real em psicologia significa um rico e celebrativo abandono de si mesmo. Quando construo relacionamentos estáveis, com pessoas que se comprometem, que lutam para se proteger e estarem juntas, descubro que posso me entregar. Não preciso estar defensivo e amedrontado todo o tempo. Instabilidade, ao contrário,  gera medo e insegurança.

Apenas relacionamentos maduros e compromissos afetivos, poderão retirar o medo da entrega e da doação. Quando isto acontece, o medo de se aprisionarmos por assumir um compromisso, torna-se a liberdade de assumir o outro.


É isto que Deus faz ao desconfiado coração constantemente tentando se esquivar e se esconder dele. A grande verdade que Cristo nos ensinou é que entregar-se é ato de amor livre e espontâneo, que gera sentimento de aceitação incondicional e graça. Saber que somos filhos amados de Deus, apesar de imperfeitos; perdoados, apesar de nossas contradições e equívocos; filhos e não bastardos, é a experiência mais revolucionária e abençoadora da vida. As experiências de compromisso, aceitação e estabilidade que desenvolvemos nos relacionamentos humanos, são pequenos raios da maravilhosa graça que podemos encontrar em Deus, quando o descobrimos como Pai Amado. O profeta chegou a se referir ao amor de Deus como “laços de ternura”. Que figura impressionante!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Corrigindo erros

É próprio da natureza humana “enfiar os pés pelas mãos”. Na medida em que vamos envelhecendo e conhecendo um pouco mais da natureza humana, nossa e dos outros, temos que aprender a ser mais misericordiosos – e não mais acusadores. As pessoas erram. Deliberadamente, por ignorância, por fraqueza, por cobiças e pecados.

Tenho visto pessoas sendo julgadas por erro que cometeram. É impossível que assim não seja. Nossos erros podem trazer grandes danos emocionais, financeiros, relacionais e espirituais. O preço nunca é baixo. Muitos crimes trazem penalidades desproporcionais à culpa, mas a verdade é que erros e pecados não trazem dividendos muito positivos para a vida.

O que tenho procurado fazer é nunca reduzir a pessoa que falhou a um evento. Muitos levam uma vida sensata e honesta, são referências para família e amigos, mas de repente, por um desatino qualquer, por uma sugestão luciférica, ou sua cobiça desenfreada, cometem atos vis, torpes e levianos. A sociedade não perdoa. Os comentários jocosos e maldosos virão, mas eu já decidi: Não vou reduzir a pessoa a um escorregão, a um ato impensado e impetuoso. Quero ver a pessoa no seu todo. Ela falhou, errou e é responsável pelo que fez, não dá para buscar bodes expiatórios, jogar culpa nos outros e nas circunstâncias  – mas ela é mais que este pecaminoso incidente e ato. Seu erro apenas revela sua humanidade e a necessidade que ela tem de Deus, mas não quero reduzir as pessoas ao seu deslize. Acho muito cruel com o que erra.

E quando somos nós que erramos? Qual deve ser nossa atitude?

A arrogância de pessoas que falharam talvez seja a coisa mais tola e a atitude mais adotada pela grande maioria. Busca-se álibi, projeta-se culpa, nega-se o erro, mesmo quando todos elementos apontam para o veredito de que somos culpados. Ajuda, e muito, lembrar que, o caráter, e não a reputação, é a coisa mais importante da vida. Reputação é aquilo que dizem de você, caráter é o que você é; reputação é seu esforço em se proteger e vender a imagem de “gente boa”; caráter é aquilo que você faz no escuro, quando todas as luzes se apagam; reputação é aquilo que os outros falam, caráter é o julgamento de Deus sobre você: A forma como Deus o vê.

Reparar erros envolve reconhecimento, humildade e, se possível, reparação. Infelizmente nem sempre é possível. Determinados atos desembocam em trágicas e irreparáveis consequências. Um acidente provocado quando estamos bêbados ao volante, pode matar – não há como trazer de volta a vida. Uma noitada de jogatina pode comprometer as finanças – não será fácil recuperar a perda, e a família pode ser sacrificada.


Se for possível reparar que o faça – mas se não é possível reparar, busque o perdão de Deus e perdoe-se. Remorso é uma tragédia, arrependimento é uma benção; auto condenação, uma ameaça; responsabilidade, uma virtude. Acima de tudo, lembre-se: Por pior que tenha sido seu erro, a graça de Deus é maior que tudo para reparar o caído e levantar a alma culpada. Embora seja grande o crime, o perdão é sempre sublime – e divino.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Dúvidas


Todos temos dúvidas sobre alguma coisa. Algumas são essenciais, outras secundárias. Dúvida faz parte essencial da alma humana. Do ponto de vista da ciência, a dúvida metodológica é altamente produtiva. Ela capacita novas hipóteses e teorias que abrem campos de pesquisa. Viver eternamente em dúvida e angústia, entretanto, pode ser um inferno. Não precisamos ter certeza sobre tudo, mas é importante ter convicções em algumas – Não é pré-conceito (intencionalmente separo estas palavras), mas conceito.

Jesus afirmou que “entre os nascidos de mulher, nenhum apareceu maior que João Batista” (Mt 11.11). Receber uma apreciação destas do Senhor Jesus é altamente positivo, já que ele não se engana com as aparências. João, contudo, enfrentou sérias crises teológicas, a ponto de enviar dois dos seus discípulos para indagar: “És tu o Messias que estava para vir, ou devemos esperar outro?” (Mt 11.3). Na masmorra, com privação de tudo, separado de amigos e família, teve dúvidas.

Moisés revelou muitas reservas e questionou os motivos de Deus. Deus tirou dele a sua missão por causa disto e o enviou para casa? Pelo contrário, Diariamente ia lapidando sua vida, e dando provas de sua presença constante.
Jó teve muitas lutas e crises. Chegou ao ponto de afirmar que Deus estava sendo injusto em não permitir que houvesse um tribunal onde ele se defenderia. Acusou Deus de usar de sua prerrogativa da soberania e controle das coisas. Em 16 ocasiões, levantou a clássica pergunta: “Porquê”, sem obter qualquer resposta. Deus o abandonou ou o castigou por isto? Não! No final de tudo, Jó reconhece o mistério e a graça de Deus, apesar de ter passado por muitas dúvidas.

Habacuque, outro profeta menos conhecido, questionou diretamente a Deus: “Tu és tão puro de olhos que não podes contemplar o mal; por que, pois, toleras a existência dos homens maus?” Jeremias, num momento particularmente complicado de sua vida, sofrendo rejeição abandono, e humilhação, indagou: “Serias tu, para mim, como um ilusório ribeiro de águas; como águas que enganam”? Nestas ocasiões Deus deixou de caminhar com ele? De amá-lo?

Entre todos os discípulos, Dídimo encarna melhor o protótipo da dubiedade e claudicância. Mesmo tendo Jesus falado de sua ressurreição, e diante do testemunho dos demais apóstolos, continuou recusando a crer. Jesus se aproxima dele, individualmente, e diz: “Não sejas incrédulo, creia somente!” E só assim, ele se rendeu às evidências.

Deus nunca abandona um coração sincero. Duras questões não blindam o seu coração.

Nunca se esqueça:


Deus nunca despreza um coração sincero, que faz perguntas honestas em buscas de respostas essenciais. Talvez não responda suas questões da forma como você queira, como no caso de Jó, mas ao se encontrar com Deus, você terá segurança em reconhecer: “Eu sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos, pode ser frustrado”. Afinal, “Deus não joga dados” (Einstein).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Amargura


Poucos sentimentos são tão letais para o ser humano quanto a amargura, e não é difícil encontrar pessoas vivendo miseravelmente por causa de ofensas, comentários, acusações ou injustiças sofridas. A amargura pode durar a vida inteira e nos arrasar. Muitos, em quadro de depressão, encontram-se assim por causa de abusos. Certo oncologista famoso costuma indagar aos seus pacientes: “Por que você precisa deste câncer?”. Para ele, câncer é amargura. Naturalmente não sou expert no assunto e nem preciso concordar com sua afirmação na totalidade, mas a verdade é que a amargura causa muitos males.

Mesmo as experiências de sucesso, conquistas, reconhecimento posteriores à injúria, eventualmente são insuficientes para a libertação deste sentimento. Se continuamos a lutar com ofensas de muitos anos atrás, isto significa que ainda estamos aprisionados.

A amargura gera preconceito, leva-nos a uma língua ferina, comportamentos reativos e provocativos. A incapacidade de perdoar torna-se um tormento que se recusa a ser curado e tratado. A Bíblia afirma que mesmo uma raiz de amargura, pode perturbar, contaminar e ferir a muitos. A raiz da amargura produz frutos de amargura. Não é possível escondê-la, é pesado viver com ela, impossível suportá-la. Lenta e inexoravelmente, a ferida aberta brotará na superfície em formas de sintomas ou comportamentos.

Jesus afirmou que pessoas que não conseguem perdoar, estão entregues a atormentadores, torturadores (Mt 18.21-35) Estas figuras são muito fortes! Nutrir ressentimento é o mesmo que estar num campo de concentração na mão de homens carregados de ódio.

É importante perceber que Jesus estava falando estas coisas para seus discípulos, e não para descrentes. Um cristão pode ser um candidato a uma prisão solitária ou a um campo de concentração, e ter sua alma encarcerada, passando por sofrimentos indescritíveis, a menos que perdoe completamente... mesmo quando aquele que feriu esteja errado.

A Bíblia ensina: “Longe de vós toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros, benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.31,32).


Se você acha difícil perdoar, considere o preço de não perdoar. Se ainda assim não consegue perdoar, peça o socorro de Deus. E se você, ainda assim, não quer perdoar, porque seu coração não sente nenhum desejo de perdoar, talvez pudesse fazer uma oração mais profunda a Deus: “Senhor, eu não quero perdoar, mas eu preciso perdoar; portanto, me ajude a querer, querer”. Perdão é uma  capacitação divina. Quase nunca é fácil – perdão é aumentativo de perda - Perdoar é ficar no prejuízo – mas paradoxalmente, ter grande ganho. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Insatisfação



Uma das características desta geração é a incapacidade de sentir-se plena. Os homens fizeram grandes avanços tecnológicos e científicos, as distâncias encurtaram, há mais acesso a bens de consumo, mais conforto, mas continua o senso de vacuidade. Falta-nos algo intrínseco, profundo... vivemos insatisfeitos com a vida e conosco mesmos.

Alguns teólogos falam que é a saudade do paraíso perdido. O Éden desapareceu da raça humana. No pensamento Jungiano, seria um arquétipo humano, um déjavu, uma saudade de algo que nem sabemos definir. Perdemos a essência, a natureza intrínseca do projeto original de Deus para a vida, construída no Éden, e desejamos algo vago que preencha este anseio por senso estético, existencial e moral que se perdeu – buscamos uma resposta filosófica.

O poeta T.S. Elliot se expressou da seguinte forma: “Onde está a vida que perdi tentando encontrá-la?”

Um dos perigos é que projetamos a insatisfação no outro. Numa tentativa de resolver o vazio, achamos mais fácil identificar e, algo ou alguém fora de nós, a razão da falta de sentido da alma. Culpamos a vida agitada, a falta de dinheiro e responsabilizamos até Deus – mas de forma consistente, o marido (ou esposa). Desenvolvemos inconscientemente uma ira não resolvida, que se transforma em irritabilidade e raiva. É mais fácil “cair nos outros que cair em si”.

A maturidade consiste em perceber que o outro não é a causa do  fracasso. Que a solidão é algo tão profundo e existencial que nenhuma outra pessoa poderá resolver. Que a depressão já estava presente antes do casamento, que eu já era triste e amargo antes de dizer “Sim”!  São muitos aqueles que estão prontos para acusar e culpar o outro pelo seu fracasso, mas só há crescimento emocional quando se olha para o próprio coração.

Mário Quintana fala que nos votos do casamento, deveríamos fazer algumas mudanças, e propõe algumas:

-“Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
-“Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?”

A verdade é que a insatisfação e solidão, jamais pode ser preenchida pelo outro. Pascal afirmou que “o homem tem um vazio no coração do formato de Deus”. Esta insatisfação é existencial e espiritual. Perdemos o vínculo com o Eterno, nos afastamos de Deus e nesta tentativa de construir uma vida separado dEle, adoecemos, nos tornamos existencialmente solitários.

Jesus falou de algo enigmático: “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância”. Se ele falou que queria dar vida abundante, certamente é porque conhecia o ser humano e sabia quão facilmente poderia se tornar superficial e vazio. Ele oferece a solução para o senso de vacuidade e insatisfação que sentimos. Esta nova experiência de plenitude só será encontrada no mistério do Eterno.

Quando o vazio no formato de Deus invadir o nosso ser interior preenchendo cada espaço vazio da insatisfação.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Resoluções para o Ano Novo


Apesar de toda frustração e desencanto por outros alvos anteriormente estabelecidos – e não alcançados – em tempos passados, aprecio o “simbólico” da passagem do ano. Emocionalmente sentimos que algo foi concluído, fechou-se um ciclo. E isto pode ser muito positivo.

No livro do Profeta Isaías há uma exortação: “Não lembreis as coisas passadas, nem considereis as antigas”, penso que esta palavra se aplica bem a cada um de nós, ao tomarmos novas resoluções e estabelecermos novos alvos. Ter um momento como ponto de partida pode ser altamente benéfico em se tratando de alvos e objetivos, afinal, estamos virando a página da história, um novo tempo começou, o calendário mudou.

Existem muitos alvos: Perder alguns quilos, organizar melhor a agenda, ter mais tempo para si e para a família, aumentar a produção da empresa, receber uma promoção, conseguir tirar de férias (alguns dizem que não é possível encontrar tempo nem dinheiro para isto), ter mais compromisso com a família (os pais estão idosos, os filhos adolescentes precisando da nossa presença), reavivar compromissos espirituais (a correria está afastando muitos da igreja), ler a bíblia toda neste ano, ser mais generoso com os recursos – a lista pode ser quase interminável.

Provavelmente você falhará num destes compromissos, mas pelo menos tente. Pode ser que você até descubra uma nova fonte de prazer ao assumir atitudes diferentes, afinal, “melhores atitudes, maiores altitudes”. Vá em frente. O calendário é fator motivacional para eliminar comportamentos tóxicos e estabelecimento de novos valores e princípios.

Um antigo ditado afirma que “o uso do cachimbo entorta a boca”. Pode ser que você tenha adotado um estilo de vida tão disfuncional em determinado momento da sua vida e incorporado esta forma de ser e viver de uma maneira tal que passou a acreditar que é assim que são as coisas... descobrir  novas maneiras de fazer as coisas pode ser libertador. Entender que a vida segue sem a gente, pode ser terapêutico. Se você adoecer ou morrer de estresse, esteja certo de que seus filhos e esposa vão sobreviver – e isto pode lhe assustar: Talvez até melhor sem você!

Você não é insubstituível. “o cemitério está cheio de gente insubstituível”.

Tome algumas decisões.


A mudança de calendário ajuda, inspira, motiva. Mesmo que você descubra que não conseguiu atingir seus alvos, não tenha medo de estabelecê-los, pois ao fazer isto, vai perceber que o fracasso pode ajudar a entender que precisa ser mais diligente e aplicado, e que o objetivo continua sendo bom. Mantenha-o sempre como meta para um estilo de vida mais saudável e abençoador.