No nosso calendário brasileiro, O dia 19 de Abril é dedicado à causa dos índios que coincide com o dia do descobrimento do Brasil que é o dia 22 de Abril. Estas datas na verdade se tocam profundamente já que não se pode falar daquele dia sem entender realmente o que aconteceu quando os navegantes aqui chegaram.
Uma redefinição talvez se faça necessário destas referidas datas: O dia 22 foi o dia em que os portugueses colocaram os pés em terras brasileiras, e naquele dia, descobriu-se o Brasil. O problema é que antes deles descobrirem o Brasil, milhares de pessoas já moravam aqui. A nação conquistadora, Portugal, tinha 1.5 milhão de habitantes, e os povos indígenas que aqui habitavam somavam cerca de 6 milhões de pessoas. Quem descobriu quem?
Na verdade não se pode falar mais em descobrimento do Brasil. Semântica e politicamente esta análise é incorreta. Tem-se a impressão de que os nativos brasileiros estavam perdidos e agora foram achados pelos descobridores. Esta descoberta nada mais foi que um encontro de civilizações. Lamentavelmente o poderoso sempre escreve a história, e o que aprendemos nos livros escolares traz uma visão colonialista da triste realidade que até hoje nos assedia que é a mentalidade de província, de dependência dos centros de poder. Mudou-se a geografia do poder, mas não se mudou a mentalidade. Mudou-se a forma de poder, de colonialismo para neo colonialismo, mas a opressão e dominação continuam.
Naqueles dias, porém, todo dia era dia de Índio...
A Palavra "índio" aponta para algo nativo, que brota da terra, e que se identifica com a natureza, que, ao contrário que alguns pensam, não é mãe, mas filha, uma vez que ela é não é progenitora, mas criatura. Quando se fala de mãe natureza, tende-se a criar uma espécie de panteísmo filosófico. Índio é algo relacionado a adamã (palavra hebraica para terra, daí a raiz da palavra para Adam, o primeiro homem, protótipo da natureza humana).
Deve-se comemorar o dia do Índio, como uma espécie de celebração da vida e da humanidade. Sua existência nos inspira em três dimensões:
1. A rever equivocados conceitos históricos eventualmente veiculados nos livros escolares, nos convidando a uma análise mais crítica de nosso papel como nação que se relaciona com outras nações e à reflexão sobre o nosso papel como povo neste encontro com a aldeia global que é a terra.
2. Sua existência também nos desafia a considerarmos a ética da natureza, o papel da terra, das árvores, dos rios, do ecossistema. Convida-nos a refletir sobre a necessidade de nos relacionarmos com a terra não numa estrutura de dominação e conquista, mas num relacionamento de graça e interação. A questionarmos a ambição desmedida pela riqueza natural que gera um problema ambiental com graves e prolongadas seqüelas sobre as futuras gerações.
3. Acima de tudo, somos convidados também a celebrar o Planeta terra, e, ainda mais importante, somos convidados a Celebrar Deus no Planeta terra, uma vez que se torna difícil desvincular o conceito da criatura de sua relação com Deus o Criador. O Dia do Índio nos aponta para o Deus que o criou à sua imagem e semelhança, como imago Dei, e por isto, o Índio possui uma dignidade inerente nele mesmo, como gente, como pessoa, criatura na relação com aquele que o criou. O índio não é menos, nem é mais, acima de tudo é. E como ser humano deve ser considerado na sua mais fina e particular peculiaridade, como criação exuberante do Deus que o criou para ser objeto de seu amor.
sexta-feira, 22 de abril de 2005
segunda-feira, 18 de abril de 2005
A Tirania da Culpa
Gabriel Garcia Marques no seu famoso livro "Cem anos de solidão" conta a história de José Arcadio Buendia, um dos personagens centrais do romance, que depois de uma briga numa rinha com Prudêncio Aguilar o mata com uma lança. Um dia, sua mulher saiu para beber água no quintal e retornou lívida afirmando ter visto Prudêncio junto à tina, com uma expressão triste, tentando tapar com uma atadura o buraco da garganta. Voltou ao quarto, contou ao esposo o que tinha visto, mas ele não ligou e respondeu: “Os mortos não saem, o que acontece é que não agüentamos com o peso da consciência”. Somos uma sociedade que experimenta dois sentimentos absolutamente ambíguos em relação à culpa: Negamos a existência do pecado e ao mesmo tempo vivemos culpados.
Ora, se pecado é algo puramente cultural não faz sentido viver culpado. Pecado, que é um termo absolutamente religioso, implica que existe uma lei absoluta passível de ser quebrada e que existe o ofensor e o ofendido. Se pecado não existe, a culpa, por conseguinte, não deveria existir. No entanto, quando mais se tenta negar a culpa, mais se percebe uma geração culpada. Obviamente, nem toda culpa é ruim, “Sentir-se culpado de alguma coisa que não é má é desnecessário e doentio. Não se sentir culpado de algo que é mal, é também doença”. Scott Peck, The people of the lie.
Obviamente existe sentimento de culpa sem culpa, resultante de um processo neurótico e repressor de uma sociedade doentia, mas também é certo pensar que existe culpa sem sentimento de culpa, em situações nas quais a pessoa não é capaz de perceber limites, nem o senso comum. Quando tal culpa não é percebida, há uma neurotização da alma que desemboca na psicopatia e na sociopatia. Nestes casos, mesmo quando o crime mais hediondo é praticado, a consciência da pessoa parece não ser incomodada nem afligida. Em tais situações, a liberdade que foi dada para a vida, torna-se um instrumento banal da morte, como no recente caso do serial killer conhecido como Corumbá.
A culpa penetra costumeiramente a alma humana e se torna tirânica quando escraviza aquele que deveria estar livre, mantém culpado quem já foi absolvido. Muitos vivem prisioneiros de seus fantasmas e são comumente detidos atrás de grades invisíveis. São pessoas acorrentadas ao passado. Muitas doenças são decorrentes de uma alma culpada, que paralisa e imobiliza as pessoas, como relata Shakespeare em Lady MacBeth, cujo personagem tem suas mãos ensangüentadas e vive gritando num interminável processo de dor sem saber onde suas mãos poderão ser lavadas.
O problema é que a culpa é traiçoeira, como um poço sem fundo: Quanto mais você tira terra mais profundo vai ficando. Ela escraviza, paralisa o potencial, enfraquece a energia e rouba todo entusiasmo das pessoas. A Bíblia afirma que a alma culpada correrá até a morte e ninguém poderá detê-la (Pv 28.17). Em quase todos estes processos de culpa percebe-se que a incapacidade da pessoa de se sentir perdoada.
Mas como se pode perdoar o “pecado” que não se reconhece? Como ser absolvido de um mal que não foi praticado? Se não existe pecado real, como se pode perdoar uma culpa real?
Creio que seria mais fácil se admitíssemos nossa culpa, porque assim poderíamos ser absolvido de forma real de nossa escravidão. Negação da doença nunca ajudou no processo da cura do enfermo. Parece que esta foi a leitura que Jesus fez da vida. Diante da mulher que estava para ser apedrejada ele diz: “Nem eu te condeno, vá e não peques mais”. Ele não nega seu erro nem o ignora, mas a absolve sabendo exatamente o que a culpava, e ela é assim restaurada. Para Jesus, pecado era algo muito real, mas a culpa também tinha remédio, cuja cura foi providenciada por ele mesmo, que no seu processo vicário de nos substituir na cruz assumiu a culpa em nosso lugar, como o Cordeiro bendito que tira o pecado do mundo.
Ora, se pecado é algo puramente cultural não faz sentido viver culpado. Pecado, que é um termo absolutamente religioso, implica que existe uma lei absoluta passível de ser quebrada e que existe o ofensor e o ofendido. Se pecado não existe, a culpa, por conseguinte, não deveria existir. No entanto, quando mais se tenta negar a culpa, mais se percebe uma geração culpada. Obviamente, nem toda culpa é ruim, “Sentir-se culpado de alguma coisa que não é má é desnecessário e doentio. Não se sentir culpado de algo que é mal, é também doença”. Scott Peck, The people of the lie.
Obviamente existe sentimento de culpa sem culpa, resultante de um processo neurótico e repressor de uma sociedade doentia, mas também é certo pensar que existe culpa sem sentimento de culpa, em situações nas quais a pessoa não é capaz de perceber limites, nem o senso comum. Quando tal culpa não é percebida, há uma neurotização da alma que desemboca na psicopatia e na sociopatia. Nestes casos, mesmo quando o crime mais hediondo é praticado, a consciência da pessoa parece não ser incomodada nem afligida. Em tais situações, a liberdade que foi dada para a vida, torna-se um instrumento banal da morte, como no recente caso do serial killer conhecido como Corumbá.
A culpa penetra costumeiramente a alma humana e se torna tirânica quando escraviza aquele que deveria estar livre, mantém culpado quem já foi absolvido. Muitos vivem prisioneiros de seus fantasmas e são comumente detidos atrás de grades invisíveis. São pessoas acorrentadas ao passado. Muitas doenças são decorrentes de uma alma culpada, que paralisa e imobiliza as pessoas, como relata Shakespeare em Lady MacBeth, cujo personagem tem suas mãos ensangüentadas e vive gritando num interminável processo de dor sem saber onde suas mãos poderão ser lavadas.
O problema é que a culpa é traiçoeira, como um poço sem fundo: Quanto mais você tira terra mais profundo vai ficando. Ela escraviza, paralisa o potencial, enfraquece a energia e rouba todo entusiasmo das pessoas. A Bíblia afirma que a alma culpada correrá até a morte e ninguém poderá detê-la (Pv 28.17). Em quase todos estes processos de culpa percebe-se que a incapacidade da pessoa de se sentir perdoada.
Mas como se pode perdoar o “pecado” que não se reconhece? Como ser absolvido de um mal que não foi praticado? Se não existe pecado real, como se pode perdoar uma culpa real?
Creio que seria mais fácil se admitíssemos nossa culpa, porque assim poderíamos ser absolvido de forma real de nossa escravidão. Negação da doença nunca ajudou no processo da cura do enfermo. Parece que esta foi a leitura que Jesus fez da vida. Diante da mulher que estava para ser apedrejada ele diz: “Nem eu te condeno, vá e não peques mais”. Ele não nega seu erro nem o ignora, mas a absolve sabendo exatamente o que a culpava, e ela é assim restaurada. Para Jesus, pecado era algo muito real, mas a culpa também tinha remédio, cuja cura foi providenciada por ele mesmo, que no seu processo vicário de nos substituir na cruz assumiu a culpa em nosso lugar, como o Cordeiro bendito que tira o pecado do mundo.
terça-feira, 5 de abril de 2005
A tirania da estética
Jean Jacques Rousseau inicia seu livro, O Contrato Social, afirmando o seguinte: "O homem é livre, mas por toda parte encontra-se a ferros". Forças tirânicas tendem a subjugar a natureza humana e a torná-la menos do que aquilo que de fato é. A tirania veste muitas roupagens e máscaras poderosas: Somos escravizados por forças psicológicas, sociais, religiosas e até mesmo sobrenaturais. Hoje gostaria de me reportar a um destes elementos tirânicos denominado por Jum Nakao de "a efemeridade da estética" em seu livro, "A Costura do Invisível" (Senac; 150 reais).
Uma pesquisa encomendada pela Unilever no campo da estética e realizada em dez países, coordenada pelas professoras Suzy Orbach, da London School of Economics, e Nancy Etcoff, de Harvard, trouxe alguns resultados que revelam a obsessão pela aparência. No Brasil, o peso e a beleza do corpo influem mais na auto-estima que sucesso na profissão, fé religiosa ou número de amigos. Apenas 7% das mulheres se consideram bonitas e, por conta disso, 54% se dizem dispostas a fazer cirurgias plásticas.
Na verdade não são apenas as mulheres que se encontram nesta armadilha. Homens também estão dispostos a ir cada vez mais longe na busca do corpo escultural e do rosto perfeito, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde. Isso é uma tirania. Tratamentos cada vez mais complexos são feitos mesmo quando são avisados de que não são indicados para seu caso. E quem tenta melhorar o que não precisa pode ter um resultado pior que o inicial, muito de nossa obsessão é não apenas desnecessária, mas também inútil.
A psicanalista Susie Orbach, que atendeu Lady Di quando a princesa sofria por se achar gorda, afirma que existe uma pressão comercial muito forte obrigando-nos a seguir um certo padrão de beleza e que enquanto a cultura não assimilar outros modelos estéticos, a maioria continuará vulnerável às armadilhas da vaidade. Por causa desta ação tirânica que se transformou em modismo, nada menos do que 58% das brasileiras afirmam que, caso a cirurgia plástica fosse gratuita, recorreriam imediatamente ao bisturi. "Considero esse dado chocante. A preocupação com a aparência é tão importante para as brasileiras que a cirurgia plástica virou parte do cotidiano", diz Susie Orbach.
Excesso de preocupação com a forma provoca efeitos colaterais incômodos para as pessoas. Elas perseguem um ideal estético perfeito, que é irreal, e por isso tornam-se insatisfeitas. Passam a viver queixosas em relação a auto imagem e são as que mais se enxergam "gordinhas" e "pouco sexy", entre as mulheres nos dez países observados.
Poucos param para considerar quão ideológica é a beleza. Beleza não apenas é imposta, mas varia de cultura para cultura. O padrão de beleza que hoje nos é apresentado é o das modelos que desfilam nas passarelas: magricelas de quadris estreitos, seios quase inexistentes, cabelo esticado e pele impecável. Sete de cada dez meninas declaram fazer algum tipo de dieta para emagrecer, mesmo não tendo nenhum problema objetivo com a balança. Mas este padrão estético não é o mesmo em outras culturas orientais e africanas. O fato é que as adolescentes de hoje são atraídas cedo pelas armadilhas da vaidade. A frustração feminina com a própria imagem e a conseqüente busca por uma aparência mais próxima dos padrões inculcados pela mídia alimentam uma indústria poderosa. Só no ano passado as brasileiras gastaram 17 bilhões de reais na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. Não é fácil – e é bem caro – ser uma mulher moderna.
Apesar deste padrão estético ser requerido, muitas vezes em nome da saúde física, A bulimia (doença que leva a pessoa a vomitar tudo que ingere), e a anorexia (incapacidade de se alimentar), são doenças que se tornaram comuns, em nome da tirania da estética. Existem pessoas entrando em choque hipoglicêmico (queda acentuada na produção de açúcar no sangue) e parando nas UTIs em razão das dietas piradas que tem sido criadas para produzir beleza. As sociedades médicas alertam para os riscos e absoluta falta de necessidade de muitos dos tratamentos. Alguns pensam em recorrer às cirurgias de redução do estômago apenas para controlar o peso, quando a cirurgia bariátrica trata uma doença e não tem propósitos estéticos. De acordo com Marco Antonio de Tommaso, psicólogo de várias agências de modelos, 92% das suas clientes têm problemas alimentares. ''Elogios, trabalhos, nada satisfaz a vaidade dessas moças. Querem estar cada vez mais magras, achando que isso fará com que sejam mais bem aceitas''.
É bom lembrar que não existe cirurgia da felicidade. Ela só é encontrada quando o coração encontra sentido em viver, e se volta para o propósito para o qual foi criado.
Uma pesquisa encomendada pela Unilever no campo da estética e realizada em dez países, coordenada pelas professoras Suzy Orbach, da London School of Economics, e Nancy Etcoff, de Harvard, trouxe alguns resultados que revelam a obsessão pela aparência. No Brasil, o peso e a beleza do corpo influem mais na auto-estima que sucesso na profissão, fé religiosa ou número de amigos. Apenas 7% das mulheres se consideram bonitas e, por conta disso, 54% se dizem dispostas a fazer cirurgias plásticas.
Na verdade não são apenas as mulheres que se encontram nesta armadilha. Homens também estão dispostos a ir cada vez mais longe na busca do corpo escultural e do rosto perfeito, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde. Isso é uma tirania. Tratamentos cada vez mais complexos são feitos mesmo quando são avisados de que não são indicados para seu caso. E quem tenta melhorar o que não precisa pode ter um resultado pior que o inicial, muito de nossa obsessão é não apenas desnecessária, mas também inútil.
A psicanalista Susie Orbach, que atendeu Lady Di quando a princesa sofria por se achar gorda, afirma que existe uma pressão comercial muito forte obrigando-nos a seguir um certo padrão de beleza e que enquanto a cultura não assimilar outros modelos estéticos, a maioria continuará vulnerável às armadilhas da vaidade. Por causa desta ação tirânica que se transformou em modismo, nada menos do que 58% das brasileiras afirmam que, caso a cirurgia plástica fosse gratuita, recorreriam imediatamente ao bisturi. "Considero esse dado chocante. A preocupação com a aparência é tão importante para as brasileiras que a cirurgia plástica virou parte do cotidiano", diz Susie Orbach.
Excesso de preocupação com a forma provoca efeitos colaterais incômodos para as pessoas. Elas perseguem um ideal estético perfeito, que é irreal, e por isso tornam-se insatisfeitas. Passam a viver queixosas em relação a auto imagem e são as que mais se enxergam "gordinhas" e "pouco sexy", entre as mulheres nos dez países observados.
Poucos param para considerar quão ideológica é a beleza. Beleza não apenas é imposta, mas varia de cultura para cultura. O padrão de beleza que hoje nos é apresentado é o das modelos que desfilam nas passarelas: magricelas de quadris estreitos, seios quase inexistentes, cabelo esticado e pele impecável. Sete de cada dez meninas declaram fazer algum tipo de dieta para emagrecer, mesmo não tendo nenhum problema objetivo com a balança. Mas este padrão estético não é o mesmo em outras culturas orientais e africanas. O fato é que as adolescentes de hoje são atraídas cedo pelas armadilhas da vaidade. A frustração feminina com a própria imagem e a conseqüente busca por uma aparência mais próxima dos padrões inculcados pela mídia alimentam uma indústria poderosa. Só no ano passado as brasileiras gastaram 17 bilhões de reais na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. Não é fácil – e é bem caro – ser uma mulher moderna.
Apesar deste padrão estético ser requerido, muitas vezes em nome da saúde física, A bulimia (doença que leva a pessoa a vomitar tudo que ingere), e a anorexia (incapacidade de se alimentar), são doenças que se tornaram comuns, em nome da tirania da estética. Existem pessoas entrando em choque hipoglicêmico (queda acentuada na produção de açúcar no sangue) e parando nas UTIs em razão das dietas piradas que tem sido criadas para produzir beleza. As sociedades médicas alertam para os riscos e absoluta falta de necessidade de muitos dos tratamentos. Alguns pensam em recorrer às cirurgias de redução do estômago apenas para controlar o peso, quando a cirurgia bariátrica trata uma doença e não tem propósitos estéticos. De acordo com Marco Antonio de Tommaso, psicólogo de várias agências de modelos, 92% das suas clientes têm problemas alimentares. ''Elogios, trabalhos, nada satisfaz a vaidade dessas moças. Querem estar cada vez mais magras, achando que isso fará com que sejam mais bem aceitas''.
É bom lembrar que não existe cirurgia da felicidade. Ela só é encontrada quando o coração encontra sentido em viver, e se volta para o propósito para o qual foi criado.
A tirania da estética
Jean Jacques Rousseau inicia seu livro, O Contrato Social, afirmando o seguinte: "O homem é livre, mas por toda parte encontra-se a ferros". Forças tirânicas tendem a subjugar a natureza humana e a torná-la menos do que aquilo que de fato é. A tirania veste muitas roupagens e máscaras poderosas: Somos escravizados por forças psicológicas, sociais, religiosas e até mesmo sobrenaturais. Hoje gostaria de me reportar a um destes elementos tirânicos denominado por Jum Nakao de "a efemeridade da estética" em seu livro, "A Costura do Invisível" (Senac; 150 reais).
Uma pesquisa encomendada pela Unilever no campo da estética e realizada em dez países, coordenada pelas professoras Suzy Orbach, da London School of Economics, e Nancy Etcoff, de Harvard, trouxe alguns resultados que revelam a obsessão pela aparência. No Brasil, o peso e a beleza do corpo influem mais na auto-estima que sucesso na profissão, fé religiosa ou número de amigos. Apenas 7% das mulheres se consideram bonitas e, por conta disso, 54% se dizem dispostas a fazer cirurgias plásticas.
Na verdade não são apenas as mulheres que se encontram nesta armadilha. Homens também estão dispostos a ir cada vez mais longe na busca do corpo escultural e do rosto perfeito, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde. Isso é uma tirania. Tratamentos cada vez mais complexos são feitos mesmo quando são avisados de que não são indicados para seu caso. E quem tenta melhorar o que não precisa pode ter um resultado pior que o inicial, muito de nossa obsessão é não apenas desnecessária, mas também inútil.
A psicanalista Susie Orbach, que atendeu Lady Di quando a princesa sofria por se achar gorda, afirma que existe uma pressão comercial muito forte obrigando-nos a seguir um certo padrão de beleza e que enquanto a cultura não assimilar outros modelos estéticos, a maioria continuará vulnerável às armadilhas da vaidade. Por causa desta ação tirânica que se transformou em modismo, nada menos do que 58% das brasileiras afirmam que, caso a cirurgia plástica fosse gratuita, recorreriam imediatamente ao bisturi. "Considero esse dado chocante. A preocupação com a aparência é tão importante para as brasileiras que a cirurgia plástica virou parte do cotidiano", diz Susie Orbach.
Excesso de preocupação com a forma provoca efeitos colaterais incômodos para as pessoas. Elas perseguem um ideal estético perfeito, que é irreal, e por isso tornam-se insatisfeitas. Passam a viver queixosas em relação a auto imagem e são as que mais se enxergam "gordinhas" e "pouco sexy", entre as mulheres nos dez países observados.
Poucos param para considerar quão ideológica é a beleza. Beleza não apenas é imposta, mas varia de cultura para cultura. O padrão de beleza que hoje nos é apresentado é o das modelos que desfilam nas passarelas: magricelas de quadris estreitos, seios quase inexistentes, cabelo esticado e pele impecável. Sete de cada dez meninas declaram fazer algum tipo de dieta para emagrecer, mesmo não tendo nenhum problema objetivo com a balança. Mas este padrão estético não é o mesmo em outras culturas orientais e africanas. O fato é que as adolescentes de hoje são atraídas cedo pelas armadilhas da vaidade. A frustração feminina com a própria imagem e a conseqüente busca por uma aparência mais próxima dos padrões inculcados pela mídia alimentam uma indústria poderosa. Só no ano passado as brasileiras gastaram 17 bilhões de reais na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. Não é fácil – e é bem caro – ser uma mulher moderna.
Apesar deste padrão estético ser requerido, muitas vezes em nome da saúde física, A bulimia (doença que leva a pessoa a vomitar tudo que ingere), e a anorexia (incapacidade de se alimentar), são doenças que se tornaram comuns, em nome da tirania da estética. Existem pessoas entrando em choque hipoglicêmico (queda acentuada na produção de açúcar no sangue) e parando nas UTIs em razão das dietas piradas que tem sido criadas para produzir beleza. As sociedades médicas alertam para os riscos e absoluta falta de necessidade de muitos dos tratamentos. Alguns pensam em recorrer às cirurgias de redução do estômago apenas para controlar o peso, quando a cirurgia bariátrica trata uma doença e não tem propósitos estéticos. De acordo com Marco Antonio de Tommaso, psicólogo de várias agências de modelos, 92% das suas clientes têm problemas alimentares. ''Elogios, trabalhos, nada satisfaz a vaidade dessas moças. Querem estar cada vez mais magras, achando que isso fará com que sejam mais bem aceitas''.
É bom lembrar que não existe cirurgia da felicidade. Ela só é encontrada quando o coração encontra sentido em viver, e se volta para o propósito para o qual foi criado.
Uma pesquisa encomendada pela Unilever no campo da estética e realizada em dez países, coordenada pelas professoras Suzy Orbach, da London School of Economics, e Nancy Etcoff, de Harvard, trouxe alguns resultados que revelam a obsessão pela aparência. No Brasil, o peso e a beleza do corpo influem mais na auto-estima que sucesso na profissão, fé religiosa ou número de amigos. Apenas 7% das mulheres se consideram bonitas e, por conta disso, 54% se dizem dispostas a fazer cirurgias plásticas.
Na verdade não são apenas as mulheres que se encontram nesta armadilha. Homens também estão dispostos a ir cada vez mais longe na busca do corpo escultural e do rosto perfeito, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde. Isso é uma tirania. Tratamentos cada vez mais complexos são feitos mesmo quando são avisados de que não são indicados para seu caso. E quem tenta melhorar o que não precisa pode ter um resultado pior que o inicial, muito de nossa obsessão é não apenas desnecessária, mas também inútil.
A psicanalista Susie Orbach, que atendeu Lady Di quando a princesa sofria por se achar gorda, afirma que existe uma pressão comercial muito forte obrigando-nos a seguir um certo padrão de beleza e que enquanto a cultura não assimilar outros modelos estéticos, a maioria continuará vulnerável às armadilhas da vaidade. Por causa desta ação tirânica que se transformou em modismo, nada menos do que 58% das brasileiras afirmam que, caso a cirurgia plástica fosse gratuita, recorreriam imediatamente ao bisturi. "Considero esse dado chocante. A preocupação com a aparência é tão importante para as brasileiras que a cirurgia plástica virou parte do cotidiano", diz Susie Orbach.
Excesso de preocupação com a forma provoca efeitos colaterais incômodos para as pessoas. Elas perseguem um ideal estético perfeito, que é irreal, e por isso tornam-se insatisfeitas. Passam a viver queixosas em relação a auto imagem e são as que mais se enxergam "gordinhas" e "pouco sexy", entre as mulheres nos dez países observados.
Poucos param para considerar quão ideológica é a beleza. Beleza não apenas é imposta, mas varia de cultura para cultura. O padrão de beleza que hoje nos é apresentado é o das modelos que desfilam nas passarelas: magricelas de quadris estreitos, seios quase inexistentes, cabelo esticado e pele impecável. Sete de cada dez meninas declaram fazer algum tipo de dieta para emagrecer, mesmo não tendo nenhum problema objetivo com a balança. Mas este padrão estético não é o mesmo em outras culturas orientais e africanas. O fato é que as adolescentes de hoje são atraídas cedo pelas armadilhas da vaidade. A frustração feminina com a própria imagem e a conseqüente busca por uma aparência mais próxima dos padrões inculcados pela mídia alimentam uma indústria poderosa. Só no ano passado as brasileiras gastaram 17 bilhões de reais na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. Não é fácil – e é bem caro – ser uma mulher moderna.
Apesar deste padrão estético ser requerido, muitas vezes em nome da saúde física, A bulimia (doença que leva a pessoa a vomitar tudo que ingere), e a anorexia (incapacidade de se alimentar), são doenças que se tornaram comuns, em nome da tirania da estética. Existem pessoas entrando em choque hipoglicêmico (queda acentuada na produção de açúcar no sangue) e parando nas UTIs em razão das dietas piradas que tem sido criadas para produzir beleza. As sociedades médicas alertam para os riscos e absoluta falta de necessidade de muitos dos tratamentos. Alguns pensam em recorrer às cirurgias de redução do estômago apenas para controlar o peso, quando a cirurgia bariátrica trata uma doença e não tem propósitos estéticos. De acordo com Marco Antonio de Tommaso, psicólogo de várias agências de modelos, 92% das suas clientes têm problemas alimentares. ''Elogios, trabalhos, nada satisfaz a vaidade dessas moças. Querem estar cada vez mais magras, achando que isso fará com que sejam mais bem aceitas''.
É bom lembrar que não existe cirurgia da felicidade. Ela só é encontrada quando o coração encontra sentido em viver, e se volta para o propósito para o qual foi criado.
Como resistir às compras?
Uma das grandes tentações do homem moderno é o consumismo. Lamentavelmente compramos coisas que não precisamos, para agradarmos pessoas que gostamos menos ainda. Os vendedores sabem jogar com nossos desejos e criar necessidades, e se somos compulsivos para comprar o resultado é que estaremos sempre usando nosso cartão de crédito ou pagando exorbitantes juros especiais de cheques. Fabricantes tentam vender um estilo de vida mais do que um produto, e querem associar sua imagem ao produto que eles estão vendendo. Você se torna uma mercadoria ao lado de outra mercadoria.
Para obter vitórias sobre compras desnecessárias alguns hábitos podem ser salutares:
Estabeleça prioridades – Você pode querer gastar com coisas urgentes, ou que lhe dão prazer, mas se você tem prioridades isto não vão acontecer.
Faça uma lista de coisas que você precisa, e a siga rigorosamente. As prateleiras de supermercado são colocadas numa ordem tal que você normalmente encontra os produtos supérfluos na altura de seus olhos, enquanto os essenciais estão em lugares mais difíceis.
Observe quão acurada são as propagandas. Quando dizem: "veja quanto você economizará", focalize no quanto gastará. Quando dizem: "Nós oferecemos crédito", lembre-se que eles estão oferecendo débito. O cartão de crédito na verdade é um cartão de débito. O limite do cheque especial não é um dinheiro seu, mas do banco, oferecido a juros abusivos. É difícil quebrar o ciclo da dependência de juros.
Considere se de fato sua compra é necessária . "Realmente estou precisando ou estou racionalizando para comprar agora aquilo que desejo?" Se ficar em dúvida, gaste um tempo um pouco maior pensando ao invés de comprar impulsivamente.
Nunca gaste além do seu orçamento – Dívidas roubam o sono da gente e tiram a tranqüilidade de nosso coração.
Para obter vitórias sobre compras desnecessárias alguns hábitos podem ser salutares:
Estabeleça prioridades – Você pode querer gastar com coisas urgentes, ou que lhe dão prazer, mas se você tem prioridades isto não vão acontecer.
Faça uma lista de coisas que você precisa, e a siga rigorosamente. As prateleiras de supermercado são colocadas numa ordem tal que você normalmente encontra os produtos supérfluos na altura de seus olhos, enquanto os essenciais estão em lugares mais difíceis.
Observe quão acurada são as propagandas. Quando dizem: "veja quanto você economizará", focalize no quanto gastará. Quando dizem: "Nós oferecemos crédito", lembre-se que eles estão oferecendo débito. O cartão de crédito na verdade é um cartão de débito. O limite do cheque especial não é um dinheiro seu, mas do banco, oferecido a juros abusivos. É difícil quebrar o ciclo da dependência de juros.
Considere se de fato sua compra é necessária . "Realmente estou precisando ou estou racionalizando para comprar agora aquilo que desejo?" Se ficar em dúvida, gaste um tempo um pouco maior pensando ao invés de comprar impulsivamente.
Nunca gaste além do seu orçamento – Dívidas roubam o sono da gente e tiram a tranqüilidade de nosso coração.
quarta-feira, 23 de março de 2005
Retraduzindo a Páscoa
Uma das boas heranças que a igreja Católica nos legou foi a da obra expiatória de Cristo. Repetidas vezes durante a liturgia era necessário afirmar: "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tende piedade de nós". Esta frase traduz a essência da Páscoa!
A Páscoa, contudo, como todas as mensagens cristãs, tem perdido seu significado. O comércio voraz, faminto de dinheiro, trocou o cordeiro pelo coelho. Aliás, um coelho muito versátil, quase milagroso, que põe ovos de chocolate de todos os tamanhos e para todos os gostos. Para o consumismo insaciável, a essência da páscoa não tem a menor importância. O que importa é vender, vender muito, ainda que na mente das pessoas a verdade seja sacrificada, e o cordeiro fique esquecido. Para uma sociedade materialista, secularizada e consumista cujo deus é o ventre, o importante é empanturrar o estômago de chocolate, ainda que se sacrifique no altar do comércio esfaimado, a essência da verdade.
Páscoa significa originalmente “passagem”, vem do hebraico pesah, e é associada com o verbo pasah, que significa “saltar” ou “passar por cima”. Foi usada originalmente para expressar o fatídico dia em que o povo de Deus estava saindo do Egito e o anjo da morte "passou" sobre o povo judeu, sem que nenhum mal pudesse atingir aqueles lares que foram marcados pelo sangue do cordeiro que estava pintado nos umbrais das portas. Esta é uma história central do Antigo Testamento. Naquela noite o povo de Deus foi salvo da tragédia da morte dos primogênitos, porque um cordeiro tinha sido sacrificado e o seu sangue havia sido aplicado sobre as vergas das portas. Esta é a história épica da libertação do povo de Deus do cativeiro, com mão forte e poderosa. (Livro de Êxodo, cap 12).
No Novo Testamento, aprendemos que Jesus é o cordeiro pascal, O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Foi ele quem foi imolado na cruz por nós. Ele sofreu o castigo que nos traz a paz. Deus lançou sobre Ele a iniqüidade de todos nós. Ele, como ovelha muda, foi para o matadouro, carregando os nossos pecados. Ele se fez maldição por nós. Ele morreu derramando seu sangue, adquirindo para nós eterna redenção. Esta é a história da nossa libertação. Não podemos deixar que ela seja distorcida e diluída em chocolate. Não podemos permitir que o maior de todos os sacrifícios, vivido na hora mais amarga do Filho de Deus, bebendo sozinho o cálice da ira divina, seja reduzido a um festival de gastronomia.
Coelho ou cordeiro?
O coelho é um intruso que nada tem a ver com a festa da páscoa. Esta festa é a festa do cordeiro, do Cordeiro de Deus. Ele sim, deve ser o centro, o conteúdo, a atração e a razão de ser desta festividade. Que a nossa família possa estar reunida não em torno do ovo de chocolate, mas em torno de Jesus, o Cordeiro que foi morto, mas vive pelos séculos dos séculos, tendo a certeza que estamos debaixo do abrigo de seu sangue.
Não é crime compartilhar fraternalmente um ovo de Páscoa. Mas é grave esquecer que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
A Páscoa, contudo, como todas as mensagens cristãs, tem perdido seu significado. O comércio voraz, faminto de dinheiro, trocou o cordeiro pelo coelho. Aliás, um coelho muito versátil, quase milagroso, que põe ovos de chocolate de todos os tamanhos e para todos os gostos. Para o consumismo insaciável, a essência da páscoa não tem a menor importância. O que importa é vender, vender muito, ainda que na mente das pessoas a verdade seja sacrificada, e o cordeiro fique esquecido. Para uma sociedade materialista, secularizada e consumista cujo deus é o ventre, o importante é empanturrar o estômago de chocolate, ainda que se sacrifique no altar do comércio esfaimado, a essência da verdade.
Páscoa significa originalmente “passagem”, vem do hebraico pesah, e é associada com o verbo pasah, que significa “saltar” ou “passar por cima”. Foi usada originalmente para expressar o fatídico dia em que o povo de Deus estava saindo do Egito e o anjo da morte "passou" sobre o povo judeu, sem que nenhum mal pudesse atingir aqueles lares que foram marcados pelo sangue do cordeiro que estava pintado nos umbrais das portas. Esta é uma história central do Antigo Testamento. Naquela noite o povo de Deus foi salvo da tragédia da morte dos primogênitos, porque um cordeiro tinha sido sacrificado e o seu sangue havia sido aplicado sobre as vergas das portas. Esta é a história épica da libertação do povo de Deus do cativeiro, com mão forte e poderosa. (Livro de Êxodo, cap 12).
No Novo Testamento, aprendemos que Jesus é o cordeiro pascal, O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Foi ele quem foi imolado na cruz por nós. Ele sofreu o castigo que nos traz a paz. Deus lançou sobre Ele a iniqüidade de todos nós. Ele, como ovelha muda, foi para o matadouro, carregando os nossos pecados. Ele se fez maldição por nós. Ele morreu derramando seu sangue, adquirindo para nós eterna redenção. Esta é a história da nossa libertação. Não podemos deixar que ela seja distorcida e diluída em chocolate. Não podemos permitir que o maior de todos os sacrifícios, vivido na hora mais amarga do Filho de Deus, bebendo sozinho o cálice da ira divina, seja reduzido a um festival de gastronomia.
Coelho ou cordeiro?
O coelho é um intruso que nada tem a ver com a festa da páscoa. Esta festa é a festa do cordeiro, do Cordeiro de Deus. Ele sim, deve ser o centro, o conteúdo, a atração e a razão de ser desta festividade. Que a nossa família possa estar reunida não em torno do ovo de chocolate, mas em torno de Jesus, o Cordeiro que foi morto, mas vive pelos séculos dos séculos, tendo a certeza que estamos debaixo do abrigo de seu sangue.
Não é crime compartilhar fraternalmente um ovo de Páscoa. Mas é grave esquecer que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
quarta-feira, 16 de março de 2005
Espelho, espelho meu...
Assisti atenciosamente o quadro de televisão que tem o nome acima. A idéia é curiosa: A direção do programa recebe várias cartas de pessoas aflitas que desejam uma transformação na sua imagem e que não gostam de si mesmas. A equipe vai atrás de profissionais de primeira linha para dar uma "guaribada" em uma destas pessoas que eles escolhem, e ela passa por uma série de tratamentos incluindo cirurgias plásticas, cuidado com a pele, checagem nos dentes e corte de cabelo. A pessoa é restaurada na perspectiva estética e os profissionais tentam fazer o melhor possível para que ela seja transformada. O trabalho em geral, fica muito bom. Os responsáveis pela metamorfose fazem um excelente trabalho.
A maioria das pessoas tem problema com a auto-imagem. Os mais gordinhos gostariam de emagrecer um pouco, os magros se sentem inadequados e gostariam de ser mais cheinhos, os altos acham exagerado o tamanho, os baixinhos gostariam de ter um centímetro a mais. Todos nós temos uma certa insatisfação com nosso espelho. Quando olhamos as fotografias, narcisistas como somos, procuramos nossa imagem para nos enamorarmos um pouco de nós mesmos, mas sempre culpamos a fotografia por ela mostrar o que vemos. "Esta foto não saiu muito boa". Ao dizermos isto, estamos reconhecendo que temos uma imagem mental que não concorda com a imagem real.
O grave problema do espelho é que temos imagens construídas dentro de nós mesmos. Nunca vamos nos ver como de fato somos. Quem afirma isto de forma categórica é o Dr. Maxwell Maltz, famoso cirurgião plástico que escreveu um best-seller intitulado "New Faces, New Futures", uma coletânea de história de pessoas que haviam passado pela cirurgia plástica e o relato de como se comportavam depois do tratamento. Em algumas, ocorreram transformáveis notáveis de personalidade, mas em muitas, a cirurgia não fazia a mínima diferença, pois continuavam se "sentindo" feias. Tinham um novo rosto, mas o coração ainda era o mesmo. Então, o Dr Maltz afirma que "cada personalidade possui um rosto", este rosto emocional, que só poderá ser mudado com uma transformação mais radical na alma.
A Bíblia afirma que "como o homem imagina em sua alma, assim ele é" (Pv 23.7). Auto-estima tem a ver com a forma como sentimos a nosso respeito. Se o coração não mudar, as emoções conceituais a nosso respeito continuarão sendo danosas porque elas se constituem no âmago de nossa personalidade. A questão fundamental não é como eu sou, mas como eu penso que sou.
Pessoas de beleza mediana podem ser bem resolvidas, ter um alto grau de aceitação de si mesmas, enquanto outras, muito bonitas, podem se sentir péssimas acerca de seu corpo e da sua imagem. Tenho percebido que muitos em processo de bulimia ou anorexia nervosa possuem uma beleza acima da média e no entanto estão no processo de auto destruição e suicídio inconsciente.
O fato é que não se pode viver bem, se não se percebe bem. Não se pode acreditar na verdade enquanto se acredita em um erro. Auto imagem negativa é uma arma mortífera e altamente destrutiva, porque rouba a criatividade, a espontaneidade e a alegria de ser gente. A personalidade, a sexualidade e os relacionamentos todos são afetados pela nossa auto-percepção. A pessoa que tem uma visão positiva de si mesma é mais saudável em todos os sentidos. Mas a transformação só pode acontecer, se o coração for mudado. O Dr George Herbert Mead, usa o conceito do "eu do espelho". As imagens e conceitos que temos acerca de nós mesmos, têm muito a ver com as imagens e sentimentos que vemos refletidos naqueles que estiveram ao nosso redor e criaram o conceito daquilo que somos agora.
A Bíblia afirma que Deus nos fez para sermos um "poema" dele (Ef 2.10), e este poema tem verso, rima e trova. Cada um de nós possui o seu próprio eidos, usando aqui uma expressão da fenomenologia de Heidegger. Deus nos fez diferente de todos os demais. Padrões de beleza são culturais e transitórios, mudando de acordo com a conveniência de um artista ou da mídia que criam a moda. Por isto, nosso paradigma precisa ser sobrenatural. Trazer esta verdade para nosso coração pode ser altamente libertador.
A maioria das pessoas tem problema com a auto-imagem. Os mais gordinhos gostariam de emagrecer um pouco, os magros se sentem inadequados e gostariam de ser mais cheinhos, os altos acham exagerado o tamanho, os baixinhos gostariam de ter um centímetro a mais. Todos nós temos uma certa insatisfação com nosso espelho. Quando olhamos as fotografias, narcisistas como somos, procuramos nossa imagem para nos enamorarmos um pouco de nós mesmos, mas sempre culpamos a fotografia por ela mostrar o que vemos. "Esta foto não saiu muito boa". Ao dizermos isto, estamos reconhecendo que temos uma imagem mental que não concorda com a imagem real.
O grave problema do espelho é que temos imagens construídas dentro de nós mesmos. Nunca vamos nos ver como de fato somos. Quem afirma isto de forma categórica é o Dr. Maxwell Maltz, famoso cirurgião plástico que escreveu um best-seller intitulado "New Faces, New Futures", uma coletânea de história de pessoas que haviam passado pela cirurgia plástica e o relato de como se comportavam depois do tratamento. Em algumas, ocorreram transformáveis notáveis de personalidade, mas em muitas, a cirurgia não fazia a mínima diferença, pois continuavam se "sentindo" feias. Tinham um novo rosto, mas o coração ainda era o mesmo. Então, o Dr Maltz afirma que "cada personalidade possui um rosto", este rosto emocional, que só poderá ser mudado com uma transformação mais radical na alma.
A Bíblia afirma que "como o homem imagina em sua alma, assim ele é" (Pv 23.7). Auto-estima tem a ver com a forma como sentimos a nosso respeito. Se o coração não mudar, as emoções conceituais a nosso respeito continuarão sendo danosas porque elas se constituem no âmago de nossa personalidade. A questão fundamental não é como eu sou, mas como eu penso que sou.
Pessoas de beleza mediana podem ser bem resolvidas, ter um alto grau de aceitação de si mesmas, enquanto outras, muito bonitas, podem se sentir péssimas acerca de seu corpo e da sua imagem. Tenho percebido que muitos em processo de bulimia ou anorexia nervosa possuem uma beleza acima da média e no entanto estão no processo de auto destruição e suicídio inconsciente.
O fato é que não se pode viver bem, se não se percebe bem. Não se pode acreditar na verdade enquanto se acredita em um erro. Auto imagem negativa é uma arma mortífera e altamente destrutiva, porque rouba a criatividade, a espontaneidade e a alegria de ser gente. A personalidade, a sexualidade e os relacionamentos todos são afetados pela nossa auto-percepção. A pessoa que tem uma visão positiva de si mesma é mais saudável em todos os sentidos. Mas a transformação só pode acontecer, se o coração for mudado. O Dr George Herbert Mead, usa o conceito do "eu do espelho". As imagens e conceitos que temos acerca de nós mesmos, têm muito a ver com as imagens e sentimentos que vemos refletidos naqueles que estiveram ao nosso redor e criaram o conceito daquilo que somos agora.
A Bíblia afirma que Deus nos fez para sermos um "poema" dele (Ef 2.10), e este poema tem verso, rima e trova. Cada um de nós possui o seu próprio eidos, usando aqui uma expressão da fenomenologia de Heidegger. Deus nos fez diferente de todos os demais. Padrões de beleza são culturais e transitórios, mudando de acordo com a conveniência de um artista ou da mídia que criam a moda. Por isto, nosso paradigma precisa ser sobrenatural. Trazer esta verdade para nosso coração pode ser altamente libertador.
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