Mostrando postagens com marcador significado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador significado. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de julho de 2010

A Eterna Juventude

Tem se tornado rotineiro o número de artigos que discutem a questão da longevidade humana. Especialistas admitem que com inovações na bioquímica e novas descobertas na genética o ser humano poderia ter uma sobrevida significativa. Alguns chegam a afirmar que com um pouco mais de pesquisa poderemos chegar facilmente aos 120 anos.
A revista seleções trouxe uma curiosa aposta que já foi feita entre dois amigos: O gerontologista Steven Austad e seu amigo, o demógrafo S. Jay Olshansky. Austad acredita que a primeira pessoa que vai chegar aos 150 anos já nasceu e apostou que haverá pelo menos uma pessoa com esta cidade no ano 2150. Cada um deles depositou 150 dólares num banco, e com os juros imaginam que os herdeiros do vencedor ganharão milhões.
Várias formas de prolongar a vida humana têm sido discutidas. Uma delas é a implantação de chips cerebrais, que poderia estimular partes do cérebro por meio de eletricidade, suprimindo sintomas da doença do Parkinson e outros distúrbios neuronais com enormes efeitos sobre doenças degenerativas. Outra seria o uso de estruturas esféricas chamadas de nanoesferas que poderiam combater tumores em sua fase de crescimento. O conhecimento do genoma humana que revela a seqüência exata de nosso DNA seria outra fonte de curas, pois munidos desta informação teríamos maior controle sobre nossa saúde. O uso de suplementos poderia supostamente também impedir o envelhecimento de nosso corpo. Muitas hipóteses são levantadas, todas dando a entender que realmente poderemos viver bem mais que temos vivido atualmente.
A pergunta que fica no ar é se isto de fato é relevante. Viver muito deve ser o alvo de nossa vida? Que tipo de vida podemos esperar se vivermos tanto? Ontologicamente seria de fato o tipo de vida que queremos para nós?
Jesus viveu apenas 33 anos, e sua vida foi repleta de significado. Viver mais não significa grande vantagem em si se a qualidade desta vida for miserável e sem sentido. Por isto Camus, no seu livro o mito de Sísifo afirma que o suicídio seria uma hipótese razoável, algo a ser considerado. Se analisarmos a vida dentro da proposta do referido autor, o suicídio parece fazer sentido.
Muitas pessoas andam com uma grande questão na alma: Onde está a vida que perdi tentando encontrá-la? Jesus parecia entender este dilema humano ao afirmar que o diabo viria apenas para roubar e matar, mas ele para dar vida e vida em abundância. Viver longamente pode ser um grande peso em si mesmo se esta vida não tiver valor e objetividade, se não encontrarmos significado naquilo que fazemos.
Shakespeare coloca as seguintes palavras na boca de Macbeth, um rei que chega ao trono através de vários crimes: “a vida é uma fábula contada por um idiota, cheia de barulho e fúria, nada significando”. Não adianta apenas o esforço em ajudar as pessoas a atingir uma idade avançada se não conseguirmos ensiná-las a viver harmonicamente, desfrutar alegria interior, e se as pessoas encontram-se cada vez mais vazias e disfuncionais. “A realidade radical é a nossa vida e a vida é o que nós fazemos e o que nos acontece. Viver é tratar com o mundo, dirigir-se a ele, atuar nele, ocupar-se dele” (Ortega Y Gasset). Viver é antes de tudo, encontrar significado na existência e na nossa relação com o Pai celeste.

domingo, 23 de outubro de 2005

Por que existimos?

Talvez a pergunta mais importante da vida seja a que se relaciona a existência da raça humana. Para o fenomenólogo Max Scheler "todos os problemas fundamentais da filosofia podem reconduzir-se à seguinte questão: que é o homem e que lugar e posição metafísica ele ocupa dentro da totalidade do ser, do mundo, de Deus?". Artur Schopenhauer, conhecido filósofo existencialista certa feita encontrava-se na beira do Rio Teingarten em Frankfurt quando foi indagado por um limpador de rua: "quem é você?", e ele responde: "Deus sabe que isto é o que eu mais gostaria de saber".
Pensadores se dividem na questão da origem do hommem. Alguns o vêem imbuído de um sentido e propósito maior. Outros, apenas como sequência química e biológica de DNAs e átomos conectados.
Nas narrativas das Escrituras Sagradas, o homem ocupa um espaço fundamental na relação com Deus: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Que é o homem, para que com ele te preocupes? Tu o fizeste um pouco menor do que os seres celestiais e o coroaste de glória e de honra” (NVI, Sl 8.3-6).
Alguns pensadores, contudo, possuem uma perspectiva completamente diferente: “O homem é produto de causas que não tiveram previsão do fim que estão atingindo (...) sua origem, seu crescimento, suas esperanças e temores, seus amores e suas crenças são apenas o resultado de colocações acidentais de átomos (...) nenhum fogo, nenhum heroísmo, nenhuma intensidade de pensamento e sentimento pode preservar uma vida individual além da sepultura (...) e todo o templo das realizações humanas tem de ser inevitavelmente sepultado embaixo dos escombros de um universo em ruínas”. (Bertrand Russel)
Uns percebem grandeza e significado, outros vazio e desorientação da existência humana. Uma visão gera esperança, outra angústia, já que não pode dar perspectiva individual além da sepultura.
Por que é importante discutir a origem da raça humana? De forma simplificada podemos dizer que a origem aponta também para o destino. A visão que construímos do homem vai definir nosso relacionamento com ele. Hitler acreditava que o homem era importante, desde que fosse ariano. Garotos atearam fogo no corpo de um índio em Brasília, porque achavam que ele era mendigo. Em outras palavras, se soubessem que era um índio não o queimariam, mas o mendigo podia ser executado, pela sua condição humana. Ideologias, no fundo, são antropologias. Se acharmos que não há um Deus que tenha criado o homem, e que não há uma Causa Primária, perdemos a capacidade de ver a grandeza inerente no homem por ter sido ele criado à imagem e semelhança de Deus.
O homem possui sentido por causa de sua origem sagrada. Perry London, psicoterapeuta americano, defendeu a visão do modelo mecânico da natureza humana. O homem seria um autômato, um amontoado de peças e enzimas aglutinadas, ou, como definiu Russel, “apenas o resultado de colocações acidentais de átomos”. No entanto, a criatividade, racionalidade, emotividade e espiritualidade humana apontam para uma dimensão metafísica. Afinal, foi exatamente isto que a Trindade declarou no seu projeto embrionário do ser humano: ”façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Nossa origem aponta para divindade. Nossa humanidade para a eternidade.