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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Efeito Restaurador da Generosidade

A Wopila, ou doação de presentes, é uma tradição dos índios lakota sioux. Não tem qualquer ligação com a atitude de dar um presente para receber outro em troca. Em datas importantes eles sempre pensam em providenciar algo que seria útil para a pessoa que vai receber a doação. Existe no inconsciente coletivo desta tribo, o pensamento de que sempre haverá coisas novas, por isto devem passar adiante determinadas coisas velhas que possuem.
Em geral, somos uma cultura narcisista e consumista. Muitos correm para o shopping ou compram algum souvenir ao se sentir deprimido, e, ao chegar em casa e abrir as sacolas, sentem-se pior. Primeiro, porque de fato não precisavam daquilo; segundo, porque agora vão ter que se virar para pagar o cartão de crédito no próximo mês. Quando isto acontece, o poder curativo do “banho de loja” se torna outra dor de cabeça.
Li um artigo no qual uma jovem mulher falava que buscava sempre gastar algo consigo quando se sentia triste, um dia, ao falar do vazio de sua atitude para uma amiga, ela lhe sugeriu que fizesse o contrário de adquirir. “Você deveria experimentar distribuir os objetos de que mais gosta, não apenas doar coisas que estão sobrando para instituições de caridade, mas doar algo que você valoriza”.
Num famoso clássico de Karl Meninger, “Pecados do tempo presente”, este conhecido terapeuta americano conta que depois de atender uma pessoa milionária esta admitiu que sua tensão estava relacionada ao medo de perder o que havia adquirido. Meninger então deu-lhe a sugestão de que começasse a doar um pouco de seus bens, para enfrentar o seu medo de ficar pobre, e sua resposta foi que, embora admitisse que isto poderia ser bom, ele se sentia paralisado ao pensar em agir desta forma. E continuou com suas crises...
Ser generoso gera algumas conseqüências saudáveis para quem resolve praticar. Eu sei que este remédio pode parecer dolorido para alguns, mas deixe-me sugeri-lo ainda assim:
1. Doação fortalece relacionamentos – Esta idéia é retirada de um antigo livro de sabedoria (Provérbios): “O presente é, aos olhos dos que o recebem, como pedra preciosa; para onde quer que se volte servirá de proveito” (Pv 17.8). Gestos, atitudes ou lembranças generosas, podem abrir portas para amizade.
2. Doação traz enorme contentamento para o doador – Não é por acaso que Jesus afirmou que “mais bem aventurado é dar que receber”. Experimente repartir, doar (tempo, talento e bens), isto trará grande libertação interior. Uma mulher que aprendeu a praticar isto admitiu: “A cada doação, eu me sentia mais leve, como se o peso dos problemas diminuisse”.
3. Livra-nos da sensação de que é o dinheiro que nos possui – Quando repartimos, já não somos mais controlados por aquilo que temos, mas controlamos o que tenho. Desta forma, nos tornamos livres e donos de nossa vida. Não dependemos e não estamos condicionados a mais nada.
Jornal contexto 1 fev 2011

Generosidade

Algumas culturas e povos são mais solidários e generosos que outros, mas quando se deseja, sempre existe a oportunidade de demonstrar solidariedade. Nestes últimos dias, com as tragédias acontecidas na região serrana do Rio de Janeiro, vimos como gestos de bondade podem amenizar a dor e o impacto da tragédia.
Nem todos conseguem repartir, mas ser generoso é um exercício muito positivo para a alma. É bom, espiritual e psicologicamente falando, estender a mão, acudir ao necessitado, esvaziar o guarda roupa. Dar é bom para quem recebe e para quem prática o gesto.
Existem muitas coisas boas em nossas casas, mas que não nos servem mais; foram úteis num determinado tempo, mas não mais necessitamos delas; infelizmente muitos não conseguem dar, sem entender que dar é libertador e saudável.
Já vi bons exemplos sendo praticados:
1. Certa pessoa resolveu que, a cada real gasto no jardim de sua casa, daria outro para assistência social;
2. Outro decidiu que não deixaria mais o seu guarda roupa entulhado. Cada peça a mais que comprasse ou ganhasse, doaria uma usada para os pobres;
3. Numa comunidade cristã, os membros decidiram que dariam o valor equivalente que gastassem com seus cachorros, para entidades que cuidassem de pessoas pobres. Estima-se que um americano gaste cerca de mil dólares, em média, com seu animal de estimação.
Na psicanálise, doar é permitir que surjam novas histórias. O desapego envia duas mensagens ao cérebro: A de que a pessoa confia no amanhã; e que coisas novas podem ser esperadas. Não guardar dá oportunidade a novas experiências.
Na fé cristã, Jesus ensinou muito sobre generosidade e doação. Para Ele, doar seria como um processo de semeadura. Quem semeia crê que a semente vai gerar vida e se multiplicará. É também Ato de confiança, pois o doador entende que Deus é o Senhor de todas as coisas e vai suprir as necessidades; e, em última instancia, é também ato de irmandade. É preciso aprender a ver o irmão necessitado como oportunidade de revelar o amor de Deus; por isto é necessário repartir.
Enfim, trocar, doar, ser liberal com os bens, é sinal de saúde mental e espiritual. Apegar-se às coisas retém o espaço de milagres, doar faz a vida circular. Gente que doa, ajuda a renovar todas as coisas, traz alegria ao outro e a si mesmo. Doar indica fluidez, renovação, abertura de espaço para o novo. É necessário dar espaço ao vazio, tanto no guarda roupa como na alma, no bolso e na vida. Por esta razão é bom ser generoso dentro de nossas posses e, se necessário, mesmo acima delas.

Jornal contexto, 18 jan 2011

A Generosidade Contagiante

Kinzie Sutton, uma garotinha de apenas 7 anos, filha de uma família de classe média do Estado americano de Kentucky surpreendeu familiares e amigos com sua sensibilidade e generosidade. A família havia discutido no dia anterior a situação de famílias necessitadas de sua pequena comunidade em Wayne County. Muitos haviam perdido o emprego com a falência de um estaleiro da região, e por isto resolveram se empenhar para ajudar duas famílias, mas a ajuda que buscavam de uma instituição não foi atendida e isto entristeceu toda a família: Não poderiam distribuir comidas e presentes como esperavam!
Kinzie, ao saber da notícia, abriu o seu cofre de porquinho e começou a contar todas as moedas que depositara durante todo aquele ano: três dólares e 30 centavos. Era tudo que possuía, e o ofereceu à sua mãe para ajudar aquelas pessoas.
Quando a família viu seu gesto, todos resolveram enfiar a mão no bolso e trouxeram também suas economias. Kinzie vibrava com cada moeda que conseguiam achar e ajuntar. Chegaram a 130 dólares.
No dia seguinte, colegas de trabalho dos familiares, ao ouvirem o que aquela criança fizera, também se dispuseram a contribuir, e a cada notícia da mãe que era dada ao telefone, todos se enchiam de alegria.
No final do dia, um doador anônimo decidiu que, se uma garota de 7 anos podia dar tudo o que tinha, ele devia dar, pelo menos, cem vezes o presente dela. E contribuiu com 300 dólares. O total agora era de 500 dólares.
Com o dinheiro, compraram roupas, comidas e presentes. Certamente, além de abençoarem aquela família, os maiores beneficiados foram eles mesmos, afinal, doação é uma benção para quem recebe, e uma benção para quem dá.
Nem sempre temos facilidade para doar, mas a generosidade é uma das melhores experiências para nós, muitos seriam curados emocionalmente de suas neuroses, se soubessem dividir e repartir. Jesus nos ensinou que “mais bem aventurado é dar que receber”, mas esta parece ser uma graça que poucos desejam.
Socorrer comunidades e pessoas diante da tragédia é uma prática maravilhosa, como temos visto ultimamente; mas precisamos estar atentos para, sem criar novos círculos de dependência e paternalismo, descobrir oportunidades de ajudar outros que, cotidianamente, se esforçam para viver com dignidade. Isto pode acontecer com nossos funcionários, com a doméstica, com um jovem de nossa comunidade que precisa estudar e está se alimentando mal para pagar sua faculdade. Generosidade, quando feito com bom senso e parcimônia, sempre contagia. Inclusive os nossos corações, tantas vezes distante e impessoal.
Jornal contexto jan 2011

quinta-feira, 30 de outubro de 2003

A BENÇÃO DA GENEROSIDADE

"Numa terra distante viviam dois irmãos que trabalhavam na agricultura
plantando trigo e outros tipos de grãos. O primeiro era casado, tinha um
filho pequeno e o outro era solteiro. A seara tinha sido dura para ambos,
porém os frutos foram colhidos com fartura e assim, resolveram dividir ao
meio o produto da colheita, guardando-o em celeiros separados.
Naquela noite o irmão mais novo não conseguiu dormir. Pensava: "Meu irmão
tem uma família pra cuidar, precisa receber mais do que eu que não tenho
ninguém para alimentar". Desta forma levantou-se de madrugada e carregou
boa parte da sua colheita para o celeiro de seu irmão.
Por sua vez naquela mesma noite o irmão mais velho não conseguiu descansar.
Pensava no irmão mais moço que era só e não tinha alguém para aquecê-lo no
inverno. Resolveu então que este mereceria maior porção da colheita e
assim, carregou secretamente boa parte de seu produto para o armazém do
irmão mais novo.
Na manhã seguinte os dois irmãos se espantaram ao ver que o volume das
sacas em seus respectivos celeiros permanecia o mesmo. Decidiram repetir a
operação de transferência da colheita para o abrigo do outro e da mesma
forma não conseguiram entender por que, no dia seguinte, os sacos
permaneciam como antes.
Depois de algumas tentativas, os irmãos desconfiaram que algo estranho
estaria acontecendo. Resolveram ficar acordados para identificarem uma
possível sabotagem. E no meio da noite, carregando sacos de grãos, ambos se
flagraram cuidando do bem estar do próximo. Num abraço fraterno
agradeceram-se mutuamente. Optaram por armazenar as sacas de ambos num só
celeiro, deixando o usufruto de acordo com a necessidade de cada um.
Nessa noite Deus estava observando a terra em busca de um local para morar.
Deparou então com aqueles dois irmãos, vivenciando tamanho amor, união,
fraternidade e repartir de pão, que resolveu fazer sua morada entre eles."
(autor desconhecido)