“Não sou culpado!” Esta é uma nota constante de uma geração que se acostumou a não se sentir responsável por seus atos. É sempre mais fácil admitir culpa pela metade, não reconhecer nossas sombras e fracassos e culpar os outros. Quando muito fazemos “confissões premiadas”, que é uma forma malandra de me esquivar da pena. Não me sinto culpado pelo que fiz, mas escolho levar vantagem na confissão para atenuar minha responsabilidade.
Nesta semana, um júri de Los Angeles considerou o Google culpado em um processo histórico sobre vicio em redes sociais, que prevê o pagamento pelas empresas de indenização de U$ 3 milhões (cerca de R$ 15.6 milhões). O resultado poderá influenciar milhares de casos semelhantes, pois metade dos adolescentes norte-americanos usa o Instagram diariamente.
O caso de Los Angeles envolve uma jovem de 20 anos que afirmou ter se viciado nos aplicativos ainda jovem devido ao seu design atraente. Nos últimos anos empresas de tecnologia tem enfrentado críticas crescentes em relação à segurança de crianças e adolescentes. Já é conhecido o fato de que o uso das mídias sociais tem impactado diretamente as novas gerações, trazendo ansiedade e angústia.
Pesquisas demonstram que assistir vídeos curtos (shorts), um atrás do outro, ao estilo TikTok causa “Brain rot”, literalmente, apodrecimento do cérebro. Várias nações começaram a restringir celulares nas escolas, com regras locais antes de leis nacionais. Em 2018, a França aprovou uma lei proibindo uso de celulares para alunos até 15 anos.
Diante deste quadro fica uma pergunta: Quem é responsável? Será que de fato podemos culpar uma empresa por nos tornarmos viciados? A empresa de tabaco pode ser responsabilizada por pessoas dependentes da nicotina? Ou o fabricante do álcool por uma pessoa ter se tornado viciada em álcool? Será que não é responsabilidade pessoal de cada um, ou da família, de cuidar dos filhos, estabelecer limites e orientá-los no uso correto da mídia social? Obviamente precisamos de leis que controlem a disseminação da pornografia, do discurso do ódio ou incentivem práticas terroristas e criminosas, mas culpar uma empresa pelo meu vício parece transferência irresponsável da minha culpa. Eu sou responsável, ou deveria ser, pelas minhas escolhas e decisões.
Um antigo poema diz o seguinte: “Hoje me sinto muito bem, embora ache muita graça: sempre existirá alguém, culpado do mal que eu faça.” Precisamos ser responsabilizados pelas nossas escolhas morais e assumir os riscos de tais decisões. Não dá para culpar o mundo por atitudes pessoais.

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