sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Tempo e Modo

Resultado de imagem para imagens tempo e modo

Já ouviram falar de mindfulness? Trata-se de um novo conceito empresarial na moda, que procura dizer verdades antigas com roupagem moderna. Seminários e palestras tem sido ministrados atualmente para cargos de liderança em grandes empresas que sempre precisam discutir assuntos de interesses variados, com  discussões apaixonadas e fortes debates. 

Mindfulness se refere ao auto conhecimento que a pessoa precisa ter sobre si mesma no ambiente onde se encontra. É a capacidade de saber participar da discussão, levando em conta o nível do debate, as pessoas envolvidas e o clima da reunião. Quando se considera estes elementos, é possível fazer uma análise mais sensata, saber segurar e esperar para falar na hora certa, com uma palavra apropriada.

Trata-se da capacidade de ter o nível de informação adequado sobre o clima da reunião. O que os outros sabem e porque estão falando. Muitas vezes isto exige controle sobre o próprio corpo, para assim dominar a ansiedade e o nervosismo e se adaptar ao ambiente. Numa reunião empresarial existe muito jogo de ego, e dependendo da forma e da hora em que você falar, o outro vai resistir e não aceitará suas sugestões e suporte, antes se tornará antagonista e opositor.

Não é interessante perceber que estas mesmas verdades foram ditas há muito tempo atrás nas Escrituras Sagradas? Veja o que diz este texto de Eclesiastes: “O coração do sábio conhece o tempo e o modo” (Ec 8.5). Não apenas o tempo, a hora certa; mas também o modo, a forma de tratar as coisas e emitir suas opiniões.

Não é muito fácil equilibrar estes dois elementos. Muitas vezes fazemos no tempo certo, do modo errado; outras vezes fazemos do modo certo, no tempo errado. Pense no efeito prático disto para o seu meio profissional e relacionamentos interpessoais. O seu colega está se comportando de forma equivocada, ou fazendo as coisas sem o conhecimento pleno. Você tem percebido isto já faz algum tempo, e tem vontade de dizer, mas teme sua reação, então, na primeira discussão, na hora em que ambos se encontram irritados, você vomita suas ideias e decide falar. Provavelmente no tempo errado e de forma errada. Ele não vai te ouvir porque está zangado (tempo), e porque as verdades vieram da forma errada (modo). Você errou de duas formas. Não considerou nem o tempo, nem o modo.

Leve isto para o campo familiar. Algumas coisas precisam de reajuste. Você acha que seu cônjuge não está fazendo as coisas corretamente, então, espera o momento certo e do jeito correto, procura dizer aquilo que você acha que precisa ser ajustado. Isto pode produzir um efeito bem mais positivo do que quando dito de forma raivosa, num contexto de apaixonada e agressiva discussão.

Por isto vale muito a afirmação: “O coração do sábio conhece o tempo e o modo” (Ec 8.5). Isto tem a ver com mindfulness.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Dor crônica ou aguda?

Resultado de imagem para imagens dor


Quando jovem (e não faz muito tempo assim...), tolamente dizia “preferir uma dor aguda a uma dor crônica”. Deixe-me explicar.

Por dor aguda refiro-me ao sofrimento intenso, porém curto, como um apendicite ou cólica renal, típicos de dores agudas e intensas, que quase enlouquecem, mas que se diagnosticados corretamente, realiza-se o procedimento adequado e logo vem a recuperação. A dor passa e chega-se à normalidade.

Por dor crônica, refiro-me àquela sensação prolongada, que vai se arrastando dia, meses e anos, sem solução. Eventualmente não é uma dor intensa, mas se parece com uma leve artrite, uma dor muscular, que dura longos períodos, e sempre aparece para lembrar que ainda está presente. Eu tenho uma dor na perna esquerda que já dura quase 3 anos. O médico não conseguiu dar um diagnóstico, o raio X nada revelou, e confesso que não fiz nenhum esforço maior para aprofundar os exames médicos e descobrir o que está acontecendo, e como a dor é pequena, embora incômoda, acho que inconscientemente desisti de buscar a solução e preferi me adaptar. Complicado, não?

Com a idade, entretanto, cheguei à conclusão de que não gosto de dor de jeito nenhum. Toda enfermidade gera enorme senso de impotência e ficar doente revela toda arrogância e independência humana. Depender dos outros, perceber que o corpo não se dispõe a agir, prostrar-se numa cama ou num leito de hospital é sempre uma experiência desencorajadora. A dor, seja ela crônica ou aguda, desestrutura, ainda que nem sempre, a dor seja ruim. A ausência da dor em alguns casos, pode ser devastadora. Uma das doenças mais horríveis da história humana, a hanseníase, leva o ser humano à perda da sensibilidade de seus axônios deixando-o vulnerável e colocando-o em risco, exatamente por não sentir dor.

A verdade é que a dor sempre traz desequilíbrio, entretanto, dores prolongadas causam enorme impacto na vida, sejam tais dores físicas ou emocionais. Tenho acompanhado relacionamentos doentios, sustentados por provocações mútuas, as feridas vão se perpetuando e gerando novas mazelas. Um emprego que rouba a criatividade, um casamento no qual os cônjuges decidem se tornar inimigos e complicar a vida do outro, um negócio mal resolvido que dura uma eternidade. Meu amigo Neander Coelho diz que “é melhor um fim pavoroso do que um pavor sem fim”.

Ninguém pode se manter saudável em longos processos patológicos. Algumas pessoas se tornam um lixo nestes processos mal resolvidos. É comum vermos pessoas tentando sustentar um casamento que já acabou dez anos atrás, e durante este tempo as feridas só vão aumentando porque nenhuma das partes faz concessões, ou resolve quebrar o ciclo do mal, e neste processo de raiva e mágoa, incapazes de perdoar, tentam manter a aparência sem um adequado desfecho da situação.  


Certamente a dor nunca é desejável, mas é necessário virar a página do ódio, acusação e culpa para se buscar uma alternativa à vida e à celebração. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A Terapia Necessária


Resultado de imagem para imagens terapia
Todo ser humano precisa de terapia, em certo nível.

Estou usando o termo “terapia” não necessariamente como uma ajuda profissional, feita por pessoas com alto nível de treinamento acadêmico e psicológico, que certamente é válido e tem um lugar todo especial na saúde emocional, mas refiro-me à capacidade de encontrar espaço e pessoas onde a dor possa ser manifesta, sem que haja condenação e julgamento. Todos precisamos de alguém para poder falar da dor sentida. Se não há ambiente para auto revelação, confissão, admissão de culpa, medo, vergonha ou raiva, é fácil introjetar a dor e adoecer severamente.

Algumas culturas, étnicas, religiosas, familiares e comunitárias,  são mais propensas a criar este “espaço terapêutico”, enquanto outras, co-dependentes, legalistas e moralistas, tendem a impedir que a dor seja revelada. O resultado será sempre a amargura, a raiva não elaborada e o adoecimento físico.

Considere por exemplo a cultura negra e a branca nos EUA. Estudos revelam que a psicoterapia profissional teve uma penetração muito mais forte no meio dos brancos que dos negros. Por que? A cultura branca tende a ser mais individualista, valoriza demais a privacidade e a reputação, enquanto a cultura negra é mais comunitária e participativa. Entre as famílias negras, é fácil encontrar a figura de um “conselheiro”, que pode ser o avô, uma tia, ou até mesmo alguém que passa a ser considerado por todos como capaz de orientar, apoiar, censurar e questionar. Este personagem familiar torna-se a referência terapêutica da família, e ajuda muito nos processos de escolha, decisões e crises pessoais ou relacionais.

A Igreja Católica desenvolveu a ideia da confissão, na qual o paroquiano admite seus erros ao sacerdote. Neste ambiente de sigilo e preservação de segredos e privacidade, muitos são curados pelo simples fato de dizer: “Pequei”. A admissão da falha, e a penitência que consiste de alguns atos religiosos, traz cura e catarse, ainda que tais métodos, historicamente, tenham sofrido certas distorções e equívocos.

Precisamos de espaços para admitir a dor, confessar a culpa, expressar a raiva e ressentimento. Precisamos de terapia. Encontrar alguém que nos ouça e eventualmente nos questione e censure, gestos, comportamentos e atos, pode ser libertador. Quando não somos capazes de entrar em contato com a dor, eventualmente explodimos. Por esta razão é que não raramente ouvimos falar de pessoas que tiveram uma crise desproporcional de raiva ou se divorciaram, embora os sinais desta erupção vulcânica emocional nunca tenham sido percebidos pelos amigos e parentes.

Quando isto acontece é porque falta espaço para dizer: “tá doendo!” ou “não sei como fazer”, ou “errei, pequei” e ainda “preciso de ajuda”.  


A Bíblia fala da confissão como um meio de cura. Este processo terapêutico, porém, precisa de canais, ambientes, espaços e ambientes. Afinal, todos precisamos de terapia.

Sabedoria Judaica

Resultado de imagem para imagens sabedoria judaica
Existem coisas que só culturas milenares conseguem elaborar. Pesquisas científicas, gráficos e análises modernas feitos por sistemas parecem não discernir tais verdades, ou ficam no campo da superficialidade. Por esta razão, culturas ancestrais que foram desprezadas começam a ser ouvidas novamente, existe um certo senso de busca da sabedoria dos povos antigos, ouvir tradições, ler textos antigos.

Recentemente, uma publicação de autores brasileiros, William Douglas e Rubens Teixeira, “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso”, fizeram muito sucesso. Eles se propuseram a “usar a sabedoria da Bíblia para transformar carreira e negócios”. Não parece meio sem sentido? No entanto, já haviam sido vendidos mais de 120 mil exemplares em 2012, certamente o número já é muito superior a isto.

Luiz Felipe Pondé declarou que, apesar de ser ateu, está cada vez mais fascinado com a sabedoria judaico-cristã. Resgatar alguns destes princípios e viver de acordo com eles, podem revolucionar a trajetória de vida. Precisamos lembrar que a verdade não está no novo nem no velho, mas no eterno. Bons princípios e legados transcendem gerações, culturas e línguas. Um princípio sólido permanece para sempre, o que é palha se dispersa. Por isto é que boas músicas, receitas e temperos nunca perdem o prazo de validade.

A sabedoria judaica é repleta de pérolas valiosíssimas, vindo das tradições talmúdicas e dos escritos sagrados: Torah, Hokma e Nabiim (Lei, Sabedoria e profetas), hoje gostaria de pincelar uma antiga tradição sobre um assunto que geralmente interessa muito ao homem capitalista do Século XXI, e que contraria algumas das teses tolas de acúmulo que o capitalismo selvagem ensina. Você não precisa concordar com elas, mas vale a pena, pelo menos, refletir:

Primeiro, Faça dinheiro – Dinheiro não surge espontaneamente nem nasce em árvore, é necessário inteligência e habilidade, descubra como o dinheiro pode surgir (sem que você tenha que falsificar notas...) Trabalho, diligência e criatividade sempre foram elementos positivos para que o dinheiro se torne uma realidade. A Bíblia fala que “pela muita preguiça desaba o teto do displicente”.

Segundo, Guarde – Não gaste tudo. É necessário se planejar para os dias difíceis, épocas de secas e geadas. Nem sempre é possível ganhar, existem épocas de perdas. Algumas colheitas são prósperas, mas muita semente deixou de produzir por condições instáveis da natureza. A Bíblia recomenda para que observemos o comportamento das formigas, que na época da sega, colhem, sabendo que virá a época de chuva e neve.

Terceiro, doe! – Isto parece um contrassenso, mas já observaram que culturas prósperas sempre foram generosas? A cultura do acúmulo, dificulta que os outros também ganhem. A natureza é rica e pródiga, capaz de abençoar a todos. Usura, ganância excessiva, abuso dos ricos e a exploração sempre se transformam em bumerangues com o passar dos anos, e os efeitos costumam ser terríveis. Uma nação de pobres não tem paz, uma cultura oligárquica e avarenta massacra as pessoas e gera desatinos sociais. Deixe os outros ganharem. Esta é uma boa regra!

Faça o dinheiro trabalhar por você, aplique! – Não apenas trabalhe, mas coloque seus recursos a seu favor. Existem pessoas com grandes capitais sem usufruir do potencial econômico que possuem, não sabem colocar os bens para frutificarem. Jesus conta a história de um homem que recebeu seu talento (uma medida monetária judaica), e o enterrou na terra. Deus o censura dizendo: “Por que você não colocou, ao menos, o dinheiro na mão dos banqueiros, para que quando eu viesse eu recebesse com juros?”

Esta é parte da sabedoria judaica. Não é difícil imaginar porque se tornaram uma nação tão próspera... 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Era do Ressentimento

Resultado de imagem para imagens ressentimento



Luiz Felipe Pondé é um filósofo ateu da USP, que mantém uma explícita e intencional ambiguidade em relação ao Sagrado. No seu recente livro, A Era do Ressentimento, afirma: “Apesar de não ter fé, considero Deus muito inteligente”, e assim, numa empolgante dialética entre o não-crer, que ele adota, e o crer, que ele contraditoriamente abriga, faz alguns ensaios surpreendente sobre a vida, cosmovisão, ética e religião.

Para ele, esta geração é ressentida, mimada e auto centrada. Acreditando que tudo e todas as coisas devem girar em torno de suas necessidades e desejos, sem conseguir suportar frustrações nem enfrentar crises porque se julgam merecedoras de uma atenção especial, e que não podem ser contrariadas por qualquer motivo porque são facilmente ofendidas.  Ele declara que “nossa época, com suas luzes e seus direitos, será lembrada como um período de trevas por conta de nossa irrelevância, causada por preocupações excessivamente pessoais. Gente medíocre a nossa volta que imagina um mundo de gente feliz”, a quem ele chama de “idiotas do bem”.

Pondé descreve um pouco deste cenário: “O filósofo alemão Horkheimer dizia que somos uma raça de abandonados, são vários os sintomas desta raça, entre eles, o ressentimento. Exigimos uma importância maior que temos no universo (...) Os ressentidos culpam os outros ao invés de assumirem a própria vida (...) Daqui a 1000 anos nossa geração será lembrada como mimados, ressentidos e covardes”.

Ele continua: “A elevação dos direitos e benefícios tangíveis leva as pessoas, inevitavelmente, a uma mentalidade vil que oscila entre ingratidão, na melhor das hipóteses – pois porque razão elas deveriam ser gratas por receberem algo que é um direito – e na pior das hipóteses, ressentimento”.

Você já parou para considerar quão perigosa é a armadilha da amargura, ressentimento e vitimismo? Quando adentramos a estrada da auto piedade e auto comiseração penetramos uma rota da ingratidão e perda da celebração. Como dizia Norman Vincent Peale: “Ser agradecido faz todas as coisas melhores!” Já viram pessoas lamurientas com capacidade de celebração?  Mesmo quando as coisas estão bem, e as circunstâncias favoráveis, elas logo encontrarão motivos para reclamaram e falarem mal. Não é a situação que está ruim, mas o coração.

Pondé ainda afirma: “Quero apontar o fato evidente de que as manias de luxo dos mimados ocidentais os fazem crer ser possível fazer alguma diferença com suas causas no facebook (...) Nos afogamos em mimos de gente rica e chique que falam de um mundo melhor enquanto tomam vinho chileno com segurança”.


Portanto, tome cuidado com o ressentimento, afinal “O ressentimento é a única emoção humana que pode durar a vida inteira, pois provê infinitas justificativas para suas más ações”.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Isolamento virtual

Resultado de imagem para imagens isolamento virtual
Uma das cenas mais comuns de hoje é de um grupo de amigos numa lanchonete, tendo cada um deles um celular e enviando mensagens para pessoas que encontram-se do outro lado do mundo. Alguém comentou que celular é uma forma de estar conectado com o mundo, mas não estar ligado a ninguém.
Um empresário do ramo de saúde de Anápolis foi a Goiânia para encontrar-se com o secretário de saúde do Estado, e assim que chegou ao seu escritório não conseguia conversar porque o celular tocava sem parar. Indiscretamente o empresário esperou o secretário terminar a conversa e ligou para seu número, ao ser atendido, surpreso, ele disse: “Se quiser, poderemos continuar conversando pelo celular”.

Numa recente reunião de planejamento que estava coordenando, percebi que todas as quatro pessoas estavam se comunicando pelo celular, e em tom de brincadeira perguntei se não seria melhor se todos nós entrássemos num chat de conversas para começar a reunião.

Os meios de comunicação podem distanciar casais, filhos e amigos. Não é surpreendente e até irônico pensar que um “meio de comunicação”, se transforme numa “barreira para a comunicação?” Todos vocês provavelmente já viram a fotografia de uma família na qual o marido, esposa e filhos estão, cada um, plugados no seu mundo particular sem qualquer contato com as pessoas que encontram-se ali na frente deles? Isto é isolamento virtual.

Certo pai me reclamou que seu filho não queria mais visitar os avós, depois de algum embate o filho confessou que não queria ir porque não tinham wifi em casa.

Estatisticamente, há uma quantidade imensa de adolescentes e jovens viciados em aplicativos e jogos, e que estão se tornando dependentes virtuais, consumindo muitas horas diárias, sem contato com o mundo externo nem dirigir palavra aos seus pais e familiares. O isolamento virtual pode se tornar um caso médico, exigindo atenção dos pais. Eventualmente pode gerar sérios problemas na comunicação de casais, acabando com o diálogo e o casamento.  

Outro fenômeno está acontecendo em nossos dias. Pessoas de meia idade e idosos dependentes dos meios de comunicação. Já viram aquele sessentão que fica todo tempo enviando mensagens pelo what´s up e facebook? Parece que não fazem nada na vida, e enviam longos vídeos e fotos cansativas para nosso telefone, perguntando se nós vimos?  Se fosse abrir todas os vídeos que enviam nos meus grupos familiares e de trabalho, não poderia fazer mais nada na vida...


Recentemente um adolescente conversava com um amigo meu e disse em tom de desalento: “Estou saindo do facebook”. Ele perguntou: “O que aconteceu?” E ele disse: “Minha vó entrou...”

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

E agora?

Resultado de imagem para imagens olimpiadas de 2016

O Brasil não atingiu a meta de estar entre os dez melhores do mundo na classificação geral no quadro de medalhas, apesar disto, estou convencido de que os resultados foram muito bons.

No âmbito do evento em si, as criticas foram para lá de positivas, tanto dentro do país quanto no cenário internacional, apesar de alguns aspectos negativos e pontuais, tais críticas foram positivas porque podem ajudar a efetuar as correções necessárias.

Agora, porém, que a fantasia e o glamour perderam o foco, neste momento em que os jogos e organização dos eventos não mais existem, é tempo de voltar à realidade. Outros aspectos mais desafiadores que uma olimpíada precisam ser  considerados.

Em primeiro lugar, ficamos com a sensação de que, no Brasil, é possível fazer melhor e com muito mais excelência, quando se tem perspectiva. Não temos uma crise de talentos, incapacidade e incompetência, mas de intencionalidade. Não falta capacidade de gestão e organização, falta propósito e seriedade.

Ficamos com a sensação de que é possível fazer coisas melhores se decidirmos fazer. O Brasil do evento bem sucedido da Olimpíada, não reflete o cotidiano de um país que insiste no fracasso e mediocridade. É possível fazer melhor se a excelência for buscada.

Em segundo lugar, precisamos de auto estima. Com todo sentimento de fracasso e desmandos, perde-se o empoderamento nas relações sociais. É necessário resgatar o orgulho de ser uma nação. Quando ocorre uma vergonha nacional, isto mexe com o emocional e a alma coletiva de um povo, assim como a conquista de um atleta traz brilho e alegria a todos. Basta ver como a Cidade de Deus está se sentindo com a medalha olímpica de sua atleta.

O mesmo se dá quando boas decisões jurídicas, políticas e administrativas são tomadas. A agenda positiva do Juiz Sérgio Moro inspira uma geração e nos torna mais otimistas. imagine se gestos como estes se multiplicarem? O efeito será singular.

Terceiro, coisas de qualidade acontecem quando se faz planejamento com a devida antecedência, se estabelece programa com seriedade e envolvimento comunitário. O trabalho da liderança do COI foi gigantesco, e a capacidade de mobilizar voluntários foi maravilhosa. Quem fez a cerimonia de abertura dos jogos não foram os gringos, mas os brasileiros, mas não faltaram disciplina, competência, arte e charme. O orçamento não era exorbitante para um evento desta magnitude, mas não se ouviu (ainda...) falar de superfaturamento e de mau uso dos recursos.

O planejamento foi realizado com excelência, da recepção à segurança, toda a logística pensada, treinada, aplicada. Foram necessárias adaptações e reformas até mesmo estruturais na cidade do Rio, e tudo isto seguiu um cronograma, sem muito atraso e maiores problemas. E as reformas do Rio são permanentes e elegantes.


Não dá para pensar de forma macrocósmica e aplicar isto ao Brasil? O que falta? O potencial está ai. Precisamos sempre olhar com desconfiança a mediocridade das instituições brasileiras? Aceitar o baixo padrão como realidade inexorável? Não é possível fazer algo melhor e com excelência, deixando um legado de competência e admiração para as próximas gerações?