quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Isolamento virtual

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Uma das cenas mais comuns de hoje é de um grupo de amigos numa lanchonete, tendo cada um deles um celular e enviando mensagens para pessoas que encontram-se do outro lado do mundo. Alguém comentou que celular é uma forma de estar conectado com o mundo, mas não estar ligado a ninguém.
Um empresário do ramo de saúde de Anápolis foi a Goiânia para encontrar-se com o secretário de saúde do Estado, e assim que chegou ao seu escritório não conseguia conversar porque o celular tocava sem parar. Indiscretamente o empresário esperou o secretário terminar a conversa e ligou para seu número, ao ser atendido, surpreso, ele disse: “Se quiser, poderemos continuar conversando pelo celular”.

Numa recente reunião de planejamento que estava coordenando, percebi que todas as quatro pessoas estavam se comunicando pelo celular, e em tom de brincadeira perguntei se não seria melhor se todos nós entrássemos num chat de conversas para começar a reunião.

Os meios de comunicação podem distanciar casais, filhos e amigos. Não é surpreendente e até irônico pensar que um “meio de comunicação”, se transforme numa “barreira para a comunicação?” Todos vocês provavelmente já viram a fotografia de uma família na qual o marido, esposa e filhos estão, cada um, plugados no seu mundo particular sem qualquer contato com as pessoas que encontram-se ali na frente deles? Isto é isolamento virtual.

Certo pai me reclamou que seu filho não queria mais visitar os avós, depois de algum embate o filho confessou que não queria ir porque não tinham wifi em casa.

Estatisticamente, há uma quantidade imensa de adolescentes e jovens viciados em aplicativos e jogos, e que estão se tornando dependentes virtuais, consumindo muitas horas diárias, sem contato com o mundo externo nem dirigir palavra aos seus pais e familiares. O isolamento virtual pode se tornar um caso médico, exigindo atenção dos pais. Eventualmente pode gerar sérios problemas na comunicação de casais, acabando com o diálogo e o casamento.  

Outro fenômeno está acontecendo em nossos dias. Pessoas de meia idade e idosos dependentes dos meios de comunicação. Já viram aquele sessentão que fica todo tempo enviando mensagens pelo what´s up e facebook? Parece que não fazem nada na vida, e enviam longos vídeos e fotos cansativas para nosso telefone, perguntando se nós vimos?  Se fosse abrir todas os vídeos que enviam nos meus grupos familiares e de trabalho, não poderia fazer mais nada na vida...


Recentemente um adolescente conversava com um amigo meu e disse em tom de desalento: “Estou saindo do facebook”. Ele perguntou: “O que aconteceu?” E ele disse: “Minha vó entrou...”

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

E agora?

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O Brasil não atingiu a meta de estar entre os dez melhores do mundo na classificação geral no quadro de medalhas, apesar disto, estou convencido de que os resultados foram muito bons.

No âmbito do evento em si, as criticas foram para lá de positivas, tanto dentro do país quanto no cenário internacional, apesar de alguns aspectos negativos e pontuais, tais críticas foram positivas porque podem ajudar a efetuar as correções necessárias.

Agora, porém, que a fantasia e o glamour perderam o foco, neste momento em que os jogos e organização dos eventos não mais existem, é tempo de voltar à realidade. Outros aspectos mais desafiadores que uma olimpíada precisam ser  considerados.

Em primeiro lugar, ficamos com a sensação de que, no Brasil, é possível fazer melhor e com muito mais excelência, quando se tem perspectiva. Não temos uma crise de talentos, incapacidade e incompetência, mas de intencionalidade. Não falta capacidade de gestão e organização, falta propósito e seriedade.

Ficamos com a sensação de que é possível fazer coisas melhores se decidirmos fazer. O Brasil do evento bem sucedido da Olimpíada, não reflete o cotidiano de um país que insiste no fracasso e mediocridade. É possível fazer melhor se a excelência for buscada.

Em segundo lugar, precisamos de auto estima. Com todo sentimento de fracasso e desmandos, perde-se o empoderamento nas relações sociais. É necessário resgatar o orgulho de ser uma nação. Quando ocorre uma vergonha nacional, isto mexe com o emocional e a alma coletiva de um povo, assim como a conquista de um atleta traz brilho e alegria a todos. Basta ver como a Cidade de Deus está se sentindo com a medalha olímpica de sua atleta.

O mesmo se dá quando boas decisões jurídicas, políticas e administrativas são tomadas. A agenda positiva do Juiz Sérgio Moro inspira uma geração e nos torna mais otimistas. imagine se gestos como estes se multiplicarem? O efeito será singular.

Terceiro, coisas de qualidade acontecem quando se faz planejamento com a devida antecedência, se estabelece programa com seriedade e envolvimento comunitário. O trabalho da liderança do COI foi gigantesco, e a capacidade de mobilizar voluntários foi maravilhosa. Quem fez a cerimonia de abertura dos jogos não foram os gringos, mas os brasileiros, mas não faltaram disciplina, competência, arte e charme. O orçamento não era exorbitante para um evento desta magnitude, mas não se ouviu (ainda...) falar de superfaturamento e de mau uso dos recursos.

O planejamento foi realizado com excelência, da recepção à segurança, toda a logística pensada, treinada, aplicada. Foram necessárias adaptações e reformas até mesmo estruturais na cidade do Rio, e tudo isto seguiu um cronograma, sem muito atraso e maiores problemas. E as reformas do Rio são permanentes e elegantes.


Não dá para pensar de forma macrocósmica e aplicar isto ao Brasil? O que falta? O potencial está ai. Precisamos sempre olhar com desconfiança a mediocridade das instituições brasileiras? Aceitar o baixo padrão como realidade inexorável? Não é possível fazer algo melhor e com excelência, deixando um legado de competência e admiração para as próximas gerações?

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Lições das Olimpíadas



Impossível não ser envolvido pela magia, emoção e charme das Olimpíadas Rio 2016. Ao sair de casa minha sogra com seus 81 anos, me pediu para deixá-la com o controle remoto dos 15 canais da Sport TV a fim de escolher o jogo que mais lhe interessasse. Certamente que o maior evento esportivo do planeta envolveria cifras surpreendentes e números bizarros, mas tudo se tornou ainda mais significativo por ter acontecido no Brasil.

Quem esteve acompanhando os eventos não pôde deixar de se emocionar com a conquista da medalhista de ouro no judô, pelo baiano vitorioso no boxe, pelo desconhecido garoto que surpreendeu na canoagem. E como não ficar triste com a derrota do vôlei feminino bi-campeão olímpico que não conseguiu avançar? E as meninas do futebol arte e de garra que também foram derrotadas? Com a Fabiana Murer, campeã no salto com varas que não conseguiu sequer se classificar para as finais? Haja coração!!!

Embora torçamos pelo esporte brasileiro, o maior legado que as olimpíadas poderiam nos deixar seria de uma virada de jogo no Brasil. Que as histórias de superação nos inspirassem a sonhar que é possível construir um país melhor, que é possível fazer as coisas com excelência. O Rio de Janeiro, apesar de todas as críticas, recebeu benefícios permanentes com reformas da cidade, já necessárias a tanto tempo, mas isto é ainda pouco quando se fala de possibilidades.

Ao vermos as aberturas dos jogos, ficamos com a sensação de que o Brasil pode fazer algo melhor do que tem apresentado. Não falta criatividade, disciplina e competência quando se busca fazer com excelência. O que vimos nos fez pensar no Brasil grande, que é possível ser construído se houver foco, determinação e disposição. Coisas estas que a medíocre burguesia política do nosso país, seja de esquerda ou de direita, insiste em querer desfazer.

As olimpíadas também denunciaram a tolice em se querer fazer as coisas pela metade, com má qualidade e vontade, e como isto se transforma em fiasco, como a execução dos projetos da Vila Olímpica foram demonstrando. Obras mal feitas ridicularizam seus feitores, e logo se tornam perceptíveis.

Seria possível aprender um pouco destas lições?

Lutar por uma melhor classificação no quadro de medalhas é um bom objetivo, ainda que seja setorial, mas lutar em fazer as coisas com excelência geram bem estar social e ambiental permanente, geram orgulho em uma nação, e transcende o evento em si, impactando o futuro, deixando um legado para filhos e netos.

Certamente as olimpíadas serão contadas nos livros de história do Brasil, e seria maravilhoso se este evento pudesse ser adicionado às transições históricas e politicas que temos atravessado na construção de um país melhor, transformando-se numa força poderosa e revolucionária que nos fizesse acreditar que dá para se construir um Brasil melhor, mais justo, mais seguro, mais civilizado.

Seria ainda fantástico se alguma lição pudesse ser aprendida pelos medíocres, podres e inescrupulosos poderes que insistem em dizer não às possibilidades de um país, que insiste em perder as oportunidades que a história oferece de se começar um novo tempo.

Que as olimpíadas nos ensinem a sonhar com um país seguro de si, como nos sentimos na abertura dos jogos olímpicos. Que aprendamos que é possível ser surpreendido quando se deseja fazer as coisas com excelência. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

É preciso voltar a confiar



Recebi recentemente a visita de um amigo que mora nos EUA há mais de 30 anos. Suas impressões e comentários sobre o Brasil são interessantes e moderadas, uma delas, porém, me chamou a atenção: “A imprensa brasileira detona o Brasil”.

Até Arnaldo Jabor, cineasta e jornalista, conhecido por sua crítica ácida e ferina, falou recentemente sobre este assunto na CBN. Ele disse que temos que ter coragem para falar as coisas boas, e teceu comentários rasgados aos eventos recentes do Brasil – e olha que a abertura deslumbrante das Olimpíadas Rio-2016, ainda não tinha acontecido.
Jabor afirma que existe uma grande dificuldade do brasileiro para se elogiar e que estamos acostumados a nos queixar de tudo. Afirma ainda que no brasil, só se considera importante as críticas e qualquer elogio é considerado mal jornalismo, estupidez ou oportunismo.

Ele usa o exemplo do Rio de Janeiro, com as mudanças radicais no centro, o Porto Maravilha, a Praça Mauá e que, apesar dos horrores ainda presentes, isto não pode desqualificar as coisas boas, já que as mudanças tem sido feitas com zelo em busca de uma beleza urbana que faz o Rio voltar a ser bonito.

Consideremos a abertura das Olimpíadas que certamente foi um marco, e trouxe novamente orgulho de nossa brasilidade. Apesar das críticas pontuais que possamos fazer, por estilo ou preferências individuais, tudo foi plasticamente correto, com uma temática relevante e contemporânea, e que conseguiu impressionar a imprensa internacional e nos encher de emoção. Não é bom ver as coisas andando bem?

Naturalmente gostaríamos de ver estas coisas se dando bem nas políticas públicas, e que a liderança política começasse a acreditar e a sonhar não apenas nos seus próprios interesses, mas em como revolucionar a história e fazer as coisas com seriedade, integridade, aplicação e bom senso. Sei que há um pouco de utopia nestas afirmações, “você pode dizer que sou um louco mas eu não sou o único”.

A falta de confiança dispersa recursos, desencoraja e desestimula investimentos. A economia vive, sob muitas aspectos, à base da fofocas, rumores e comentários. Um discurso negativista constantemente reforçado tem o poder de dilapidar o entusiasmo e a alegria de um grupo, de uma instituição ou mesmo de uma nação. Não se trata de fechar os olhos à realidade, mas precisamos ressaltar aquilo que de bom acontece entre nós. Voltar o holofote apenas para o lado escuro além, de não ser honesto, não é salutar. 

Empresários são conhecidos por reclamarem da má situação, apesar de estarem ganhando dinheiro, andando em carros de luxos, morando em mansões, fazendo luxuosas viagens, mesmo assim estão sempre se lamentando. Reclamar pode se tornar um vício e enfraquecer a estima. Sei que muitas lutas resultantes de atitudes inescrupulosas da liderança política tem trazido um atraso sensível ao nosso país, mas é preciso voltar a confiar, investir, falar bem e sonhar. A Bíblia diz que “as más conversações corrompem os bons costumes”, da mesma forma a crítica constante tem o efeito deletério de massacrar a estima de um povo e tirar a alegria da nação.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Para Pensar


O Jornal O Globo, dia 31 de Julho 2016 trouxe surpreendente reportagem sobre a conversão de grande número de muçulmanos na Alemanha: “Centenas de milhares de refugiados muçulmanos converteram-se ao cristianismo nos últimos meses. Embora em alguns dos seus países de origem a conversão seja vista como um delito que pode ser punido até com a pena de morte, as igrejas alemãs, protestantes e católicas, voltaram a celebrar missas com bancos lotados. Em algumas, como na da Trindade, no bairro berlinense de Steglitz, cerca de 80% dos fiéis são ex-muçulmanos. 
Para o pastor Gottfried Martens, que já batizou 1.200 convertidos, os refugiados desejam romper definitivamente com o passado e aumentar suas chances de integração na sociedade alemã. Com o debate sobre o terrorismo islâmico, muitos muçulmanos começaram a sentir um alto grau de insegurança em relação à própria religião. Eles cresceram na crença de pertencer à melhor religião do mundo, mas começaram a questionar isso depois que, em nome da religião, foram cometidos tantos atos de violência.
As grandes igrejas oficiais, Católica e Luterana protestante, veem os novos fiéis como uma chance de compensar as perdas dramáticas de membros nos últimos dez anos, islamistas fundamentalistas bombardeiam os novos cristãos com ameaças. Muitos convertidos desistem do batismo na última hora com medo de pôr em risco os parentes que ficaram em seus países.
Praticamente todos os participantes da missa na Igreja da Trindade já passaram pelo trauma da perseguição religiosa, mas a maioria vê a nova religião como a perspectiva de uma vida melhor. O fundamentalismo, as guerras religiosas e a brutalidade do Estado Islâmico ou dos talibãs dividem os jovens muçulmanos. Enquanto uns adotam a doutrina do Islã político, outros desenvolvem uma aversão contra a própria identidade cultural, da qual se julgam vítimas.
O batismo é para eles a conclusão de um processo de abandono definitivo do passado. Embora sejam considerados kuffars, palavra que para os muçulmanos fundamentalistas significa um descrente que cometeu um grave crime religioso, há um clima de entusiasmo entre eles. Todos os frequentadores da Igreja da Trindade de Steglitz acompanham a missa com o manual que oferece o texto e os cantos em alemão, com tradução para farsi e árabe. E todos cantam juntos. Embora a missa dure quase duas horas, ninguém vai embora quando termina. A festa da eucaristia continua no salão paroquial, onde os alimentos trazidos pelos visitantes e preparados pela paróquia são divididos.
Isto deve trazer algumas reflexões tanto para os cristãos como para os islâmicos. A primeira delas é que não se estabelece convicções religiosas através do medo, ameaça ou perseguição. Fé é algo do coração. Segunda, a linguagem do amor é ainda poderosa e autentica a fé. Criados em comunidades que hostilizavam diferentes convicções religiosas, estes novos convertidos são agora aceitos, protegidos e cuidados por pessoas de diferentes credos. Muitas ONGs cristãs estão cuidando dos refugiados muçulmanos. Esta é a linguagem do céu. Amar os diferentes. Terceira, a linguagem de Deus não pode incitar ódio e discriminação. Qualquer religião que defenda tais bandeiras, perdeu a referência da sacralidade autêntica. 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Equilíbrio

Não é fácil manter o pêndulo do equilíbrio na sua posição correta. Em inglês, a palavra para equilíbrio é “balance”, que na língua portuguesa sugere movimentos, como uma gangorra ou balanço de um parque infantil. A arte de “balancear” a vida é desafiadora.

Uns comem demais. Neuroticamente se tornam devoradores, vorazes, gulosos. O corpo entra em colapso pelo excesso de proteína e carboidrato. Outros comem de menos, ou se recusam a comer, comem pouco ou mau. As disfunções neuróticas brotam a partir da obsessão por uma imagem distorcida de si mesmo e a disfuncionalidade surge em seus casos extremos com a bulimia, anorexia e a fobia à alimentação. Alimentar-se moderadamente é saudável e bom, mas ficar obcecado por comida e transformar-se num guloso compulsivo é péssimo; por outro lado, a obsessão por regime ou corpo perfeito é doentio. Em ambos, perde-se o equilíbrio.

Uns se desequilibram quanto ao uso do dinheiro. Por um lado, surgem os acumuladores e avarentos, que mesmo tendo o suficiente não sabem usar seus recursos. Não possuem o dinheiro mas são possuídos por ele. De outro, encontram-se os perdulários, consumistas e gastadores vorazes, que compram o que não precisam, com dinheiro que não tem, para impressionar pessoas que não gostam. Estes fazem a alegria das agências financeiras e sistemas bancários, já que estão sempre no limite do cheque especial e cartão de crédito. Nos dois casos, o desequilíbrio está presente.

As disfunções não existem apenas na comida e dinheiro. Podem surgir na educação dos filhos: uns adotam uma disciplina rígida, legalista, rígida; outros tornam-se frouxos e liberais, que nunca conseguem contrariar e disciplinar seus filhos. No sexo, uns são relativistas e promíscuos; outros, optam pela abstinência e castração. No uso do tempo, alguns são criteriosos, organizados, obcecados por horário e adoecem por isto; outros são desorganizados e irresponsáveis. Até mesmo na espiritualidade podemos encontrar desequilíbrio. Uns são fanáticos, ascetas; outros, cínicos e indiferentes. Em todos estes exemplos vemos como o pêndulo oscila perigosamente para um lado ou para outro.

Outro ponto que podemos considerar é que, geralmente, não percebemos as rotineiras oscilações. Achamos que nossa atitude não é tão grave assim, e nos justificamos, sem perceber que pequenos desequilíbrios podem trazer graves distorções. Qualquer que seja o nível de nossa “labirintite existencial”, corremos risco. O problema é que nunca temos suficiente equilíbrio em todas as áreas.

Quando encontramos equilíbrio, os movimentos do balanço, não pendem excessivamente para um lado para o outro. Podem temporariamente se desorganizar, mas logo surge a necessidade de  recuar, refletir e trazer o corpo e a mente para o ponto central do fulcro. Só assim poderemos nos divertir, sem sermos inconsequentes, entendendo que às vezes a gangorra vai para um lado ou para o outro, mas há sempre um lugar central, onde o pêndulo pode reorganizar-se.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Afinal, em que cremos?




A questão da fé é quase unânime em alguns países e está presente em todas as culturas. A Polônia é um dos países onde, estatisticamente, mais pessoas creem em Deus (97%); seguido pelo Brasil (95%). A República Checa está em último lugar na pesquisa, já que apenas 37% afirmam crer em Deus.  A questão mais fundamental certamente não é se cremos ou não, mas, no que, afinal, cremos.
Superstição e crendice são expressões de fé. Podem ser antropologicamente classificadas de infantis, mas são formas de espiritualidade. Quando as pessoas afirmam que “o que importa é ter fé”, nem sempre estão avaliando o que realmente declaram. Por exemplo, Deus existe para 95% dos brasileiros, mas 51% também creem em mau olhado.
Veja como isto reflete na estatística. Embora quase toda a população polonesa afirme que crê em Deus, apenas 81%  creem em vida após a morte. No Brasil, apenas 58%. Não parece quase um contrassenso crer em Deus e ainda assim pensar que a vida acabe num túmulo?
No entanto, precisamos considerar qual o significado de crer em Deus. Na verdade crer em Deus não é alguma coisa tão importante, considerando que as concepções sobre Deus são absolutamente ambíguas e distintas. Existe até mesmo um conhecido texto da Bíblia no qual o apóstolo Tiago indaga: “Crês tu que Deus é um só? fazes bem. Até o diabo crê e treme”. Crer em Deus, na verdade, não parece realmente ser de grande relevância.
Certa feita aconselhei uma jovem, que veio dizer que não cria em Deus e que odiava a Deus. Eu disse que as duas afirmações eram contraditórias, porque se você não crê, não pode odiar. Não é coerente odiar alguém que não existe. Ela concordou que cria em Deus, mas estava com raiva de Deus, porque Ele a frustrara. Fazia sentido.
Outra pessoa, também amargurada, falou-me durante um bom tempo sobre Deus descrevendo-o como um ser impiedoso, desnaturado, cruel e mau. Eu a ouvi pacientemente, percebendo sua dor, mas no final declarei que precisávamos de uma melhor definição do seu Deus, porque a descrição daquele Deus, era, na verdade, o que as Escrituras Sagradas chamavam de Satanás. O Deus dela era o meu demônio. 
No Decálogo, O Primeiro Mandamento é claro: “Não terás outros deuses diante de mim”. Não é interessante observar que a recomendação de Deus não era contra o ateísmo, mas o politeísmo? Neste principio, não há qualquer exortação contra a falta de fé em um Deus, mas o risco de falsos deuses e ídolos, que facilmente usurpam o lugar do Deus verdadeiro.
O Brasileiro, com seu panteão de deuses, facilmente constrói seu cardápio religioso combinando elementos de diversas religiões, e facilmente pode conviver com duplicidade religiosa.

Talvez o que precisamos analisar não é se cremos em Deus, mas quem é o Deus em quem cremos? Entre o povo de Deus havia os canaanitas, criam em deuses de pedra e se curvavam diante dele. O homem moderno, mais sofisticado, constrói altares a outros deuses mais exigentes. Se você quiser saber qual é o Deus que domina seu coração, pergunte a si mesmo: “O que eu confio, temo, amo e desejo mais que o próprio Deus”. Deus é aquilo que controla seu coração.