segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

A Grande declaração de Amor

Natal é declaração de amor que Deus faz a toda humanidade.
Ele viu nosso fracasso estampado nas atitudes comezinhas do nosso dia a dia.
Viu nossas mãos vazias e todas as torres de Babel que construímos.
Viu o massacre que a violência humana gerava,
Nas pessoas indefesas, sem nome, sem identidade, sem reconhecimento humano.
Nos Carandirús e Candelárias sem fim.
No abuso do poder e na falta de vergonha dos que escrevem a história e mentem contra seus filhos, contra seu país, contra Deus.
Por isto resolveu presentear a humanidade vindo ele mesmo para estar conosco.
Para nos ensinar o que é viver e como viver.
Testemunhou os fracassos acumulados dos seres humanos na história dos homens.
E resolveu escrever uma página nova, repleta de boas novas.
Na linguagem de um poeta:
"Deus viu o homem desfigurar-se. Deixar de ser.
Perder a imagem divina nos escombros gerados
pelas guerras das garras e lanças e flechas
e balas e gases e chamas, granadas e bombas atômicas...
Deus viu os zoológicos humanos.
E fez de seu pranto-compaixão o ato dinâmico
De uma declaração de amor a toda humanidade:
Decretou o Natal!"
Este natal vai acontecer no meio de gente de vida monótona e sem grandes sonhos, como os pastores.
Vai se realizar na história de gente periférica e simples, como Maria e José.
Vai se revelar naqueles que oraram tanto e tinham a impressão de que Deus se silenciara diante de seu clamor como Zacarias, Isabel e Simeão.
Vai se dar num curral, numa manjedoura, nome bonito dado a um pedaço de pau no qual os animais vinham comer.
No povo que sofre,
Nos magos espiritualizados e utópicos,
Na cidade de Belém, pequena demais para figurar na lista das cidades relevantes de uma região insignificante como Judá.
Ali Deus resolve se revelar. O inteiramente outro se faz inteiramente nosso irmão. Deus se fez carne.
Natal é um evento sobrenatural em sua essência. A eternidade invadiu a história. A supra-história se torna factual, história humana. O Deus todo poderoso se fez gente, no meio dos homens.
Gerando esperança, criando amor, desvendando o caminho, rompendo os grilhões, transformando a opressão do povo que sofre.
Natal é declaração de amor de um Deus tão apaixonado pela humanidade que resolveu habitar entre ela.
Natal não é apenas um evento do passado, mas uma experiência existencial que se dá no coração daqueles que ainda hoje se deixam impactar por esta grande declaração de amor que Deus fez à humanidade através de seu Filho Jesus.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

A Surpresa do Natal

André tinha apenas 9 anos, era um garoto que freqüentava uma pequena igreja do interior do país, seguindo os mesmos passos de seus pais, que também faziam parte daquela comunidade. Era uma criança agradável, apesar de não ser dos mais inteligentes, tinha uma boa compleição física, apesar de não ser dos mais elegantes, e gozava de um bom relacionamento com seus colegas de rua e da escola.
O Departamento Infantil daquela igreja resolveu fazer uma pequena encenação do nascimento de Jesus, e todo o cenário foi montado para representar os hábitos e vestiários dos tempos de Jesus. Não tinham muito dinheiro, mas um pouco de criatividade ajuda bastante nestas situações. Convidaram André para ser o dono da estalagem por onde José e Maria passariam procurando um lugar para se abrigar.
O tradicional público se reuniu na pequena igreja para o drama que contaria o nascimento de Jesus, normalmente este dia atraia mais pessoas do que costumeiramente e todos estavam muito empolgados vendo tanta gente nova se aproximando. Havia uma inquietação nas salas onde todos estavam se preparando para a apresentação. Estava difícil para as professoras controlarem a emoção das crianças.
A narrativa foi se desenrolando conforme o combinado. José apareceu guiando Maria com ternura. Um travesseiro pequeno havia sido amarrado por debaixo da roupa dando a impressão de gravidez em Maria, que andava devagar. José bateu com força na porta de madeira montada no palco e conforme o ensaio, André estava esperando este momento.
"O que o Senhor deseja?" falou André de forma segura.
"Estamos procurando um lugar para ficar. Maria está grávida e precisa descansar".
"Aqui não", respondeu firmemente André. "Não temos lugar para vocês porque nossa pensão está lotada".
"Senhor, temos procurado por toda parte, mas infelizmente não temos conseguido um quarto sequer".
"Infelizmente não temos lugar para vocês". André respondeu de forma conclusiva.

Diante da negativa, José e Maria foram lentamente saindo do palco, então, algo inusitado e não planejado aconteceu. Quebrando todo esquema, todo ensaio, André gritou com a voz embargada e os olhos marejados de lagrimas: "Voltem aqui, não vão embora".

Houve uma certa perplexidade e um espanto geral dos bastidores. Ninguém se entendia. Alguns acharam engraçado o que estava acontecendo, mas a tensão estampada no rosto de André não permitia muitos gracejos. "Vocês vão ficar em minha casa! Não tem lugar para vocês na hospedaria, mas vocês vão para minha casa".
De repente, o natal tornou-se diferente para todos. As pessoas estavam entendendo de uma forma completamente estranha, o significado do Natal. Não havia sentido celebrá-lo sem que houvesse lugar para Jesus. Afinal, não há sentido falar de festa de aniversário se o aniversariante não se encontra presente. A atitude de André tornou aquele evento no mais significativo de todos os dramas de natal anteriormente representados.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

A ESCOLHA DO PRESENTE

Você acha que o Natal chegou rápido demais neste ano? Isto é, parece que o tempo andou mais depressa do que normalmente anda? Tenho más notícias para você. Isto é sintoma de quem está envelhecendo. Pergunte a uma criança ou a um adolescente e eles lhe dirão que o Natal, na verdade, demorou muito para chegar. É tudo uma questão de perspectiva.
O mês de Dezembro é tradicionalmente um mês de muita correria: Balanço da empresa, final de semestre para os que ainda continuam estudando e os nossos filhos na escola, aumento dos compromissos sociais, jantares de confraternização, avaliação e, compra de presentes...
Como escolher presentes? O que devemos dar? O que comprar? Como equacionar desejos e orçamento? Necessidades e possibilidades? Significado e finanças? A escolha do presente em si mesma, já pode ser um dado que provoca ansiedade em nós.
Para alguns isto pode significar um final de ano estressante, com muita correria, frustração e gastança desmesurada. Muitos farão despesas para o ano inteiro com coisas que não necessariamente vão trazer sentido, aliás, alguém já afirmou que na maioria das vezes compramos coisas que não precisamos, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não gostamos. Eis algumas sugestões práticas para a escolha apropriada dos presentes no final deste ano:

1. Considere seu orçamento – Gastar mais do que necessário pode representar uma enorme dor de cabeça para o ano que vem. Quem ama você vai apreciar o que recebe, mesmo com singeleza, mas não pense que as pessoas que não te apreciam vão passar a te valorizar por aquilo que recebem. Não faça mais do que você pode. Isto pode representar um alívio imenso para você. As demandas dos filhos, se não avaliadas dentro de suas possibilidades, podem ultrapassá-las e trazer no seu bojo culpa, ansiedade e dívidas.

2. Dê presentes apropriados – Considere a idade de seus filhos. Lembro-me de um amigo meu que para compensar sua infância pobre resolveu dar uma pequena motocicleta para seu filho, mas quando cheguei à sua casa vi que o menino estava curtindo a grande caixa que empacotara o caro presente. Ele transformou aquela caixa em um esconderijo para ele e sua irmã. Deus nos deu o presente certo: Seu Filho Jesus. Fique atento às dicas de sua esposa e filhos, eles podem já ter expressado o desejo de terem determinadas coisas que estão dentro do seu orçamento e poderão trazer grande alegria quando recebidos.

3. Dê com alegria, estimulando tanto quem dá como quem recebe. Um presente pode ter um significado muito maior do que você imagina.

4. Considere pessoas que não poderão retribuir seu presente – Este é o significado maior do Natal. Deus nos entregou seu Filho, não porque fossemos pessoas especiais, mas por causa de sua graça. Dar um bônus a um empregado, considerar o 13o. da sua diarista ou de funcionários que sempre prestam serviço a você, ajudar orfanatos e entidades sociais pode ser extremamente significativo, ainda mais se seus filhos puderem participar. Passe a idéia da generosidade adiante. O Natal nos convida a esta reflexão, já que consideramos a entrega que Deus fez do seu amado Filho à humanidade.

Estou Natal

Eu vi Jesus nascer lá em Belém.
Com os olhos da fé vi meu Senhor.
Eu sei que ele nasceu para o meu bem
e para ser também meu Salvador.

Eu vi Ele nasceu na gruta, sem
qualquer conforto e sem qualquer valor.
Pois não havia, em casa de ninguém,
lugar pra recebê-lo com amor.

Eu vi Jesus nascer em minha vida,
E se tornar figura tão querida,
Onde conserva posição central.

Eu achei o menino da lapinha.
E esta experiência é toda minha:
Em mim Jesus já fez o seu Natal!


Thiago R. Rocha

terça-feira, 8 de novembro de 2005

CENA POR DETRÁS DO BEIJO

Segundo uma notícia veiculada nos principais jornais do país. Glória Perez, dramaturga e novelista de América, teria ficado muito chateada porque o beijo homossexual anunciado para o horário nobre da Televisão brasileira não aconteceu.
O problema para mim nunca foi a questão do beijo em si, mas o que esta cena representa: Existe um forte desejo de se transformar o certo no errado e o errado no certo, ou de se acabar com o conceito de certo e errado, portanto, antes de ser uma questão ético/moral, que foca nos comportamentos sociais e culturais, o problema é filosófico, isto é, tem a ver com a essência da vida.
C. S. Lewis, conhecido escritor inglês, professor de literatura medieval em Oxford, no seu último livro da série Nárnia, “A Batalha Final”, cria um episódio no qual os bichos da floresta aguardam a anunciada chegada de Aslam, o grande e respeitado leão, que representa a figura divina, mas como este demora, um macaco (símbolo do mal), pede ao jumento (Tacha), que se cubra de uma velha pele de leão e faça uma imitação barata de Aslam. O Jumento de início reluta, fica temoroso das consequências desta atitude, mas resolve seguir as instruções do macaco. O princípio filosófico era: “Daqui para frente vamos acabar com esta idéia de antítese: Não existe nem Tacha, nem Aslam, apenas o “Tachaslam”.
Uma sociedade que destrói seus fundamentos morais corre sério risco. E é isto que me assusta. Fico temoroso dos produtores que se encontram nos bastidores. A moral você vê, julga, interpreta, avalia, mas a filosofia por detrás da cena, nem sempre é perceptivel.
O salmista afirma: “Ora, destruidos os fundamentos que poderá fazer o justo?” (Sl 11.3). Este tipo de atitude enfraquece o alicerce no qual uma sociedade é construída. Por ser um problema de filosofia, quebra-se a espinha dorsal da ética, já que esta decorre daquela. Sem parâmetros a sociedade tenta reinventar-se tomando decisões e posições que custam caro aos indivíduos, à familia, às igrejas. Desfazendo os pilares morais, não deveríamos estar muito impressionados com a facilidade com que a mentira e a corrupção tem assumido forma de pandemia e endemia em nossa sociedade política.
Por isto o profeta Isaias afirma: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem mal: que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce por amargo!” (Is 5.20) Quem pode afirmar que determinada coisa é doce ou amarga, se os fundamentos e valores foram todos anarquizados?
Quando morava em New Jersey, EUA, um fato acontecido perto de nossa cidade chocou-nos bem como a toda opinião pública. Um garoto do Ensino Médio engravidou sua namoradinha da escola, uma cena relativamente comum e corriqueira. Mas eles decidiram ocultar a gravidez e matar a criança tão logo nascesse. E foi o que fizeram...
Um psiquiatra, com muita perspicácia e acidez, analisando esta brutalidade, e vendo aqueles meninos de classe média, gente pacata, com comportamento tão bizarro afirmou que eles reproduziram o que criam: Matar uma criança através do aborto tem sido sempre defendido nas escolas e mídia americanas, qual era a diferença para aqueles garotos, se a morte era de um feto ou de uma criança recém-nascida?
Filosofia antecede ética. A questão não é o beijo, mas qual é a cena por detrás do beijo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

SOBRE A MORTE E O MORRER

Nem todas as culturas lidam com a morte como tabu, para algumas o processo de transição é muito menos complicado que o nosso. Alguns povos chegam a fazer festa quando alguém falece, principalmente se se trata de uma pessoa cuja vida foi profícua, e que viveu longos dias. Na nossa cultura, porém, um dos grandes medos nossos é a morte. Algumas pessoas vivem prisioneiras e ameaçadas por esta idéia.
Roberto Pompeu de Toledo num desafiador artigo publicado pela Veja no dia 29 de Abril de 1998. afirmou que muitas vezes a morte age por atacado, na forma de um arrastão, mostrando um fôlego de corredor de maratona, "lembrando-nos que não relaxou sua vigilância, a nós que tantas vezes pretendemos negá-la, e na vida de cada dia temos como fim último nos distrair de sua existência. Nessas horas em que age por atacado, ela chega com a exuberância de uma virtuose de seu ofício, a fúria de um touro ao entrar na arena, a fome de gols de um centroavante dopado. Feita sua obra, deixa-nos embasbacados como diante de um acróbata do impossível que, depois de um salto sobre o abismo, nos dissesse: "Viram do que sou capaz?".
Pascal ao abordar este assunto afirma que "Os homens, não tendo podido curar a morte, decidiram, para serem felizes, não pensar nela. Foi tudo o que puderam inventar para se consolarem”. Em O problema da vida, pg. 15, F. Lellote
A morte revela nossas limitações, zomba de nossos valores frágeis, denuncia nossos limites, manifesta a vulnerabilidade humana, critica nosso tolo materialismo apontando para o fato de que bem pouca coisa que fazemos de fato tem valor eterno. Por isto Jesus perguntou certa vez: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?"
Todos os caminhos levam à cova, esta é a horrível realidade desta vida. O primeiro dia de nosso nascimento encaminha-nos a morrer com a viver como afirmou Montaigne. Por isto “angustiados, por sentirmos que tudo passa, que também nós passamos, que passa o que é nosso, que passa tudo que nos cerca” (Unamuno). “transit gloria mundi”.
Não há solução para o problema da morte, “a angústia básica de todo ser humano” “a grande neurose das civilizações” “a mais fria anti-utopia” (Block). A Bíblia afirma que “ninguém tem poder sobre o dia de sua morte” (Ec 8.8). Nos revela ainda a forma como Jesus lidou com a morte, e isto deveria ser um enorme consolo para nossas vidas. Ele a enfrentou serenamente, não com pavor que tantos sentem diante desta realidade humana. Jesus “acabou com o poder da morte” (NTLH), “venceu a morte” (EP), “quebrou o poder da morte” (BV) ou “destruiu a morte” (EPC, CNBB e TEB). Noutro texto nos é dito que Jesus destruiu “aquele que tinha o poder da morte, a saber, o Diabo” para “libertar aqueles que durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte” (Hb 2.14-15). A rica experiência que Jesus teve no seu viver e a forma como ele lidou e venceu a morte, tornam-se a base de nossa confiança. Porque ele vive, podemos crer no amanhã, porque ainda que não saibamos o que nos espera no amanhã, podemos saber que Jesus já se encontra neste amanhã. E as promessas de vida eterna são todas extremamente significativas.
A verdade é que não devemos nos impressionar com a morte, mas com o morrer. Ray Charles afirmou, "É muito importante viver cada dia como se fosse o último, porque um dia, você estará certo" (Esquire).

domingo, 23 de outubro de 2005

Por que existimos?

Talvez a pergunta mais importante da vida seja a que se relaciona a existência da raça humana. Para o fenomenólogo Max Scheler "todos os problemas fundamentais da filosofia podem reconduzir-se à seguinte questão: que é o homem e que lugar e posição metafísica ele ocupa dentro da totalidade do ser, do mundo, de Deus?". Artur Schopenhauer, conhecido filósofo existencialista certa feita encontrava-se na beira do Rio Teingarten em Frankfurt quando foi indagado por um limpador de rua: "quem é você?", e ele responde: "Deus sabe que isto é o que eu mais gostaria de saber".
Pensadores se dividem na questão da origem do hommem. Alguns o vêem imbuído de um sentido e propósito maior. Outros, apenas como sequência química e biológica de DNAs e átomos conectados.
Nas narrativas das Escrituras Sagradas, o homem ocupa um espaço fundamental na relação com Deus: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Que é o homem, para que com ele te preocupes? Tu o fizeste um pouco menor do que os seres celestiais e o coroaste de glória e de honra” (NVI, Sl 8.3-6).
Alguns pensadores, contudo, possuem uma perspectiva completamente diferente: “O homem é produto de causas que não tiveram previsão do fim que estão atingindo (...) sua origem, seu crescimento, suas esperanças e temores, seus amores e suas crenças são apenas o resultado de colocações acidentais de átomos (...) nenhum fogo, nenhum heroísmo, nenhuma intensidade de pensamento e sentimento pode preservar uma vida individual além da sepultura (...) e todo o templo das realizações humanas tem de ser inevitavelmente sepultado embaixo dos escombros de um universo em ruínas”. (Bertrand Russel)
Uns percebem grandeza e significado, outros vazio e desorientação da existência humana. Uma visão gera esperança, outra angústia, já que não pode dar perspectiva individual além da sepultura.
Por que é importante discutir a origem da raça humana? De forma simplificada podemos dizer que a origem aponta também para o destino. A visão que construímos do homem vai definir nosso relacionamento com ele. Hitler acreditava que o homem era importante, desde que fosse ariano. Garotos atearam fogo no corpo de um índio em Brasília, porque achavam que ele era mendigo. Em outras palavras, se soubessem que era um índio não o queimariam, mas o mendigo podia ser executado, pela sua condição humana. Ideologias, no fundo, são antropologias. Se acharmos que não há um Deus que tenha criado o homem, e que não há uma Causa Primária, perdemos a capacidade de ver a grandeza inerente no homem por ter sido ele criado à imagem e semelhança de Deus.
O homem possui sentido por causa de sua origem sagrada. Perry London, psicoterapeuta americano, defendeu a visão do modelo mecânico da natureza humana. O homem seria um autômato, um amontoado de peças e enzimas aglutinadas, ou, como definiu Russel, “apenas o resultado de colocações acidentais de átomos”. No entanto, a criatividade, racionalidade, emotividade e espiritualidade humana apontam para uma dimensão metafísica. Afinal, foi exatamente isto que a Trindade declarou no seu projeto embrionário do ser humano: ”façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Nossa origem aponta para divindade. Nossa humanidade para a eternidade.