sábado, 24 de outubro de 2020

Não Desista! Mesmo Cansado



 

O cansaço pode vir de muitas fontes (corpo, mente, existência, espírito) ou pode ser decorrente de uma combinação de todos estes fatores.  Alguém afirmou que cansaço é uma circunstância de fadiga na qual a pessoa fica sem forças físicas ou emocionais para realizatarefas cotidianas. 


O cansaço tem se tornado evidente nos tempos estranhos da pandemia, quando as pessoas são obrigadas a viver no isolamento social, distanciadas de pessoas queridas. A quebra da rotina gera cansaço. Quando a rotina não é alterada, o cansaço do corpo é positivo, pois é resultado de um esforço produtivo de ação. No entanto, a falta de efetividade gera uma sensação estranha e cansaçoalém de provocar também o esgotamento emocional entre os que perderam seus empregos e rendas.


O cansaço fez parte da vida de Jesus. Ele, muitas vezes, sentiu-se cansado e teve que parar para recobrar as forças. Quando João Batista foi brutalmente assassinado por Herodes Antipas, Jesus saiu para um lugar deserto para reorganizar as emoções. Ele convidou seus discípulospara, literalmente, “descansarem”. Era um cansaço emocional.


Em outra ocasião, ele se assentou cansado à beira de um poço de água, esperando que alguém lhe desse um gole de água. Ali ocorreu um dos maiintrigantes diálogos de Jesusprotagonizado por Ele e a mulher samaritana. Em diversos momentos, Jesus percebeu o esgotamento físico e mental de seus discípulos diante de tantas demandas e serviços.


Trabalhar é importante e necessário, mas precisamos entender se o cansaço que temos é legitimo ou é fruto da ansiedade, se ele surgiu por decisões erradas que tomamosou por outro motivo. Pecados e desacertos facilmente nos esgotam. Há muito cansaço produtivo, mas há também muito cansaço resultante dos frenéticos esforços que fazemos por aprovação humana ou ganância. Há muito cansaço decorrente da preguiça, da indolência e do hedonismo, pois há muito gasto de energia no que tem valor inútil. É energia jogada fora. Podemos trabalhar muito e sermos pouco produtivos e nada estratégicos.  


Se nosso cansaço é decorrente de atividades produtivas ou, se ele surge em razão do trabalho diligente, estamos falando de um cansaço positivo. É preciso recobrar o ânimo e renovar as forças. Não podemos desistir de fazer o bem, mesmo quando cansados. Não podemos desistir de perseverar no que é certo, mesmo diante de oposição. Outras vezes, descansar é preciso,legítimo e sagrado. Deus ordenou o descanso quando criou o sábado para o homem recuperar suas energias. 


Uma das mais graciosas declarações feitas por Jesus àqueles que estavam com o tanque vazio de esperança e exaustos, foi para que encontrassem o doce descanso que somente Ele pode providenciar: “Vinde a mim, todos os cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim. E encontrarei descanso para vossas almas”. Talvez, seja necessário não desistir pelo cansaço, mas apenas descansar para que sejamos ainda mais efetivos em nossas ações.

O imprescindível lugar do Pai


 Nada substitui a presença do Pai na vida da criança. Não foi em vão que Deus criou esta importante figura. Ela orienta, dá significado, transmite segurança.  Não é sem motivo que Deus é identificado com a figura paterna. Ele é o nosso Pai!


A maior missão que Deus dá ao homem é o de ser referência na vida de uma criança. Que privilégio e que responsabilidade gigantesca! Que Deus nos dê sempre pais sábios e tementes a Deus.


Pai. Figura enigmática, emblemática e singular. Ela é tão importante para o ser humano, que o Deus da Bíblia se identifica como o Nosso Pai. 


Todos precisamos de pais para superar a orfandade da alma. Deus decidiu nos chamar de filhos. Pessoas que não entendem que são filhos amados, facilmente se tornam vítimas ou tiranas. Deus considera a paternidade tão importante que deu um pai a cada um

Limites



Uma das coisas mais complicadas da vida é lidar com limites. Eles podem ser impostos pelos recursos que temos, pela idade, saúde, contingências humanas e históricas. Se limite fosse bom, todos gostariam de estar na cadeia: Não precisamos trabalhar, pagar impostos, prover sustento para quem quer que seja. Mas o ambiente da prisão, se torna profundamente agressivo exatamente porque estar enclausurado numa gaiola humana é algo profundamente destrutivo para as emoções e para a saúde. Prisão é castigo, não recompensa.


O apóstolo Paulo percebia que também tinha que lidar com seus limites: “Nós... respeitamos o limite de ação que Deus nos demarcou... Porque não ultrapassamos os nossos limites.” (2 Co 10.13,14)


É preciso respeitar e se manter nos limites. Nem sempre eles são agradáveis, na maioria das vezes se tornam restritivos e quase punitivos, mas ainda assim, são reais e não devem ser ignorados. É por ignorar os limites que acontecem graves acidentes, pessoas extrapolam suas possibilidades e trazem consequências para a saúde. A quarentena imposta pela pandemia é um bom exemplo disto. As pessoas não suportam os limites e sofrem as penas pela arrogância ou atitudes histriônicas. 


A Bíblia afirma: “Caem-me as divisas em lugares amenos, é muito lindo a minha herança” (Sl 16.6). Na visão do salmista, as divisas e limites são reais. Todos temos áreas delimitadas e limítrofes que nos são dadas, são cercas, barreiras. Mas ele reconhece uma coisa maravilhosa: Os limites de Deus são confortáveis, e suficientes para andarmos em segurança e vivermos bem. Eles são amenos. Não são sufocantes. 


Procure viver com gratidão dentro dos limites estabelecidos por Deus, não com raiva ou amargura. As divisas caem em lugares suportáveis, e dentro deles, o Pasi celeste quer revelar sua graça e favor. 


O Cuidado com a Terceira Idade


 


 

O envelhecimento populacional é um fenômeno global. Com novas drogas, melhores cuidados médicos, mais acesso à medicina moderna, as pessoas têm vivido cada vez mais. Se você vivesse na Idade Média, teria boa chance de morrer aos 32 anos ou menos porque esta era a expectativa de vida na época. 


O Ministério da Saúde afirma que o Brasil já possui a quinta maior população idosa do mundo e em 2030, o número de idosos ultrapassará o total de crianças entre zero e 14 anos. O número de idosos cresce 55% por década. No mundo, o número de pessoas com idade superior a 60 anos vai chegar 2 bilhões de pessoas até 2050. 


Isso obriga o governo a pensar em políticas públicas, saúde e aposentadoria. A Previdência Social precisa projetar os próximos anos e planejar sua estrutura financeira para atender essa demanda. Trazendo para o campo pessoal, isso nos obriga, também, a olhar com sensibilidade a questão dos idosos em nossas comunidades e famílias. 


Existe uma fronteira relacional que precisa ser vencida. Temos de lidar com pessoas idosas e ajudá-las em suas limitações. A nossa cultura, infelizmente, não trata os idosos com o mesmo respeito e dignidade presentes em determinadas culturas orientais. 


Tanto os textos sagrados como a dinâmica familiar nos levam a considerar com mais respeito os idosos. Precisamos defender uma cultura de honra. Na Lei Mosaica, os judeus eram ensinados a levantarem-se na presença dos idosos e honrar os anciãos (Lv 19.32).


Nem sempre é tarefa fácil cuidar dos idosos, mas os filhos devem ser encorajados a cultivar atitudes de respeito e cuidado com os mais velhos. Eles aprendem vendo os pais protegendo esse grupo de pessoas mais vulnerável. Levar os pais ao médico, tirar um tempo para conversar com eles, mesmo quando já contaram a mesma história 300 vezes, levar o bolo que eles gostam de comer, estar ao lado deles e fazer caminhadas, no ritmo delesé sempre muito importante. 


Precisamos aprender que, na velhice, quando a funcionalidade diminui, é que o amor pode ser provado e aprovado, pois mostra que nos interessamos pela pessoa apenas por ser pessoa e não pelo aspecto utilitário e produtivo que, infelizmente, sempre esperamos dos outros

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Estes são grandes desafios que teremos de enfrentar: cuidar, proteger, valorizar, respeitar e honrar nossos idosos. Tudo isso é salutar e terapêutico. Traz dignidade e humanidade.

Borderline



O termo “bordeline” tornou-se, nesta semana, um dos mais pesquisados no “Googletrends”, que registra os assuntos mais relevantes da Internet. As características desse transtorno vão da impulsividade (incluindo a violência) às oscilações de humor, passando pela insônia e irritabilidade, levando a pessoa a ter uma forte tendência ao consumo abusivo de álcool, remédios e drogas. Transtornos alimentares também estão associados.


Em outras palavras, a pessoa com esse transtorno de personalidade é alguém intragável. Em alguns casos, é quase impossível conviver com ela. Muitas vezes o comportamento existe porque a pessoa foi exageradamente mimada na infância e desde cedo aprendeu que, com birra, mau humor e agressividade conseguiria o que queria. Naturalmente podemos entender que alguns destes comportamentos também podem estar associados a uma disfuncionalidade ou à violência reativa ao tratamento recomendado, que não é medicamentoso e sim terapêutico.


Um dos tratamentos mais eficazes tem sido a terapia em grupo por razões claras: a pessoa precisa aprender a dialogar, ouvir opiniões diferentes, lidar com frustrações e discordâncias, bem como aprender a controlar seu impulso de gritar, de perder o controle, elaborando melhor suas reações de humor. 


Embora não seja possível ignorar doenças mentais e transtornos como o da ansiedade, bipolaridade e borderline, temo que estejamos terapeutizando, excessivamente, comportamentos inadequados, dando nomes bonitos e sofisticados a atitudes feias e deselegantes. Por exemplo: o déficit de atenção pode justificar o garoto indisciplinado e displicente, mas, será que toda desatenção e dificuldade de se concentrar e estudar pode realmente ser explicada pelo déficit de atenção? 


Da mesma forma, será que toda pessoa desequilibrada, que gosta de “rodar a baiana”, fazer um barraco”, armar confusão e escândalo, dar show e xilique, ter ataque nervoso ou histérico, faniquito e fricote pode ser justificada pelo transtorno de personalidade conhecido como bordeline? Mais uma vez, não quero negar o transtorno, mas, sim, questionar se tais atitudes não poderiam se tornar um meio de vida! Ou seja, questiono, apenas, se tais comportamentos não seriam uma fórmula infantil de resolver as coisas e lidar com frustrações e perdas.

Um conselho a mais para você que se justifica psiquiatricamente: ninguém é obrigado a lidar com seus desatinos e grosserias, seja qual for o nome que você queira dar para se justificar. Então, se você percebe que realmente tem algum problema grave de distúrbio comportamental, procure ajuda profissional. Agora, se isso é apenas uma forma de perpetuar o seu mau humor e instabilidade, fique atento, porque você pode perder não só quem você ama, mas também pessoas que amam você, como diz Chico Buarque: “Se você vai ficar enrustido, com esta cara de marido, a moça é capaz de se aborrecer. Detrás de um homem triste há sempre uma mulher feliz, e detrás desta mulher há sempre homens tão gentis...”

Hoje Comecei Mal o meu Dia!



 

Sabe aqueles dias nos quais tudo parece dar errado? Pois bem, isso aconteceu comigo na semana passada. Supersticiosos diriam que “levantei com o pé esquerdo”. 


A primeira noticia do meu dia foi o fato de que tinha cometido uma terrível gafe em um dos meus grupos de Whats AppGafe diz respeito a uma palavra impensada, indiscreta, desastrada que cometemos numa indiscrição involuntária. Era uma gafe perdoável? Sim. Entretanto, gerou um mal-estar profundo. Foi assim que me senti. Não sei se já aconteceu contigo, mas quanto mais você tenta se explicar, pior fica...


Em seguida fui à panificadora e dei uma nota de R$50,00. Sabia disso porque tinha levado este valor para trocar o dinheiro e pagar a pessoa que trabalha conosco. Ao chegar em casa, percebi que a atendente da panificadora havia me devolvido apenas R$1,00, quando deveria ter me passado R$41,00. Voltei e me expliquei, ela entendeu... mas é sempre chato, ?


Depois tive que lidar com outra situação aborrecedora, tendo que administrar conflito em um outrogrupo do Whats. Era uma discussão inócua, reincidente, ânimos acirrados, defesa e acusação... a situação realmente ficou desgastante e importuna e eu não podia simplesmente desligar o botão e sair. 


Não bastasse isso, entrei num aconselhamento com uma pessoa controladora. Ela quer controlar a família, osfilhos, o conselheiro e até mesmo Deus. Em geral administro essas coisas muito bem, mas eu simplesmente não estava disposto a ouvir mais uma vez, nem dar as mesmas respostas às mesmas perguntas. Nestas horas é fácil agirmos sem sabedoria e paciência. Eu não queria ampliar minha chatice.


A estas alturas acho que o chato era eu mesmo... Já ouviram a frase do J. Quest: “Eu quero ficar só, mas comigo só eu não consigoDecidi então ouvir uma música para me acalmar. Que tal Sossega, da banda Canção e Louvor? Ainda assim, meu agitado coração não se acalmou. Procurei orar e o fiz, mas meu coração permanecia agitado demais... Ao conversar com minha esposadisse: “Hoje comecei mal o meu dia!” e ela me respondeu“O dia começou mal, mas não precisa terminar mal.” 


Então, minha oração no meio daquela manhã tornou-se a seguinte: “Senhor, transforma este dia de tantos desencontros num dia abençoado. Que eu seja benção para as pessoas, que o Senhor me torne produtivo, abençoado a abençoador.” 


Certamente meu dia não foi dos melhores, mas descobri que um dia que começa mal, não precisa terminar mal. Experiências negativas não podem determinar meu humor nem como será o restante do meu dia.

Assédio, Racismo e Preconceito



 

Os três termos deste título evocam dores, feridas e ressentimentos e deveria ser assim mesmo por causa do caráter repulsivo, ferino e destrutivo próprio de tais práticas.


Assédio é todo comportamento indesejado, de natureza ofensiva, que importuna ou perturba e é caracteristicamente repetitivo. O assédio sexual refere-se a avanços sexuais persistentes e não solicitados, normalmente no local de trabalho, onde as consequênciasda recusa são potencialmente prejudiciais para a vítima. Existem ainda vários outros tipos de assédio, como o moral e o virtual.


Racismo é a crença que pessoas possuem características inatas, biologicamente herdadas, que determinam seu valor. Neste caso, o “sangue” é a identidade da pessoa e seu valor não é determinado por qualidades e defeitos individuais, mas pelo seu pertencimento a uma cultura. Assim, as “raças” são hierarquizadas como superiores ou inferiores. 


Preconceito é uma opinião desfavorável não baseada em dados objetivos, mas por conceitos formados antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial. O preconceito pode ocorrer por uma determinada afiliação política, gênero, crenças, valores, classe social, idade, deficiência, religião, sexualidade e nacionalidade. 


O problema é que, em uma sociedade obcecada pelo “politicamente correto”, as coisas têm se tornado desproporcionais, como a crítica recente feita pela jornalista Glória Maria. É Glória quem diz: "Nesses últimos anos, explodiu essa questão do assédio moral e sexual. Eu acho isso tudo, basicamente, um saco. Por exemplohoje, tudo é racismo, tudo é preconceito... Eu, até hoje, na TV, tenho meus câmeras antigos, os técnicos que estão comigo há 40 anos, todos me chamam de 'Neguinha'. Eu nunca me ofendi, nunca me senti discriminada. Me chamam de uma maneira amorosa, carinhosa. É claro que se falam 'Ô, nega', não sei o quê, é outra coisa."


E Glória Maria continua: "Então, hoje, tudo é preconceito, tudo é assédio. Está chato. Estou há mais de 40 anos na televisão. Já fui paquerada muitas vezes, mas nunca me senti assediada moralmente. Acho que o assédio moral é uma coisa clara, não tem dubiedade. Não tem como você interpretar. O assédio é uma coisa que te fere, é grosseiro, te machuca, te incomoda, te desmoraliza, agora, a paquera, pelo amor de Deus... Os homens estão com medo. Nós mulheres sabemos bem fazer a diferença de uma paquera para o assédio, um abuso sexual".


"Acho que politicamente correto é o caráter, a honestidade, a sua capacidade de olhar para o outro. Isso é politicamente correto. Agora, esse mundo em que a gente está, que vem muito da amargura das pessoas, da frustração, isso eu não gosto, não aceito. Nessa eu não entro, não, sob nenhuma hipótese", completa a jornalista.


Sabemos que, infelizmente assédio, racismo e preconceito devem sempre estar na agenda de um povo civilizado. Estabelecer a diferença em tais situações requer sensibilidade e sensatez. O que nem sempre acontece.