domingo, 17 de maio de 2020

O Novo Normal

O "novo normal": o que deve mudar na rotina das viagens após o fim ...

Uma das perguntas recorrentes neste tempo de reclusão e isolamento social é: quando as coisas voltarão ao normal?

Muitas pessoas não suportam mais ficar em casa e algumas delas, literalmente, estão surtando. Por isso, mesmo correndo riscos ou tendo a possibilidade de trazer riscos para a família, elas acabam se expondo demasiadamente. Alguns por necessidade financeira, outros por pura impaciência.

Então é natural que todos nós queiramos saber: “quando as coisas voltarão à normalidade?” As respostas têm sido diferentes para os pessimistas e otimistas. Para alguns, dentro de 15 dias a quarentena se encerra. Outros projetam mais um mês, mas a melhor opinião que ouvi sobre o assunto é que não haverá volta à normalidade porque o que surgirá será um “outro normal” ou um “novo normal”. As coisas nunca mais serão como antes.

Alexandre Mansur, da Revista Exame, escreveu na edição do último dia primeiro: “É um período longo de home office, restrição de atividades com multidão, redução de viagens aéreas e outras grandes alterações em nossos meios de produção, convívio familiar e entretenimento. Vai transformar radicalmente as economias, os serviços, as tecnologias, os hábitos, o nosso paradigma de sociedade. Naturalmente, qualquer exercício de futurologia agora é arriscado. Mas já é possível vislumbrar algumas grandes tendências do mundo que virão por aí. Muitas delas coincidem com a visão de uma humanidade que usa de forma mais sustentável os recursos naturais do planeta.”

Uma primeira constatação é que devemos desistir da idolatria da segurança. Ela, na verdade, é uma ilusão. A pandemia do coronavírus vai falir empresas sólidas e provocará o surgimento de outros gigantes. Os EUA se tornaram superpotência depois da II Guerra Mundial porque souberam aproveitar bem o momento. De 1945 para cá, o mundo não experimentou nenhum grande “shut down” como agora. A Coréia do Sul floresceu depois da Guerra Civil com a Coréia do Norte. Momentos de crise geram novas abordagens e percepções, trazem nova valorização e estratégias. Calamidades geram uma nova forma de olhar e fazer as coisas. O convencional perde espaço para outras abordagens.

O modelo educacional deve sofrer grandes questionamentos. É provável  que o “homeschooling” (Educação Domiciliar) volte a ser considerado uma interessante estratégia e as EADs se tornem uma possibilidade mais ampliada, ocupando um espaço cada vez maior na sociedade. O home office será ainda mais potencializado com os eventos recentes. A Tecnologia de Informação será mais requisitada que antes.

De forma direta, haverá grandes questões em torno dos valores humanos e ética social. Uma nova categoria de valores surgirá, colocando sobre lideranças políticas e empresariais a obrigatoriedade de repensar o que realmente importa. Isto vai gerar questionamentos morais sobre economia e saúde, trabalho e vida e atingirá a população em geral, levando muitos a optarem por um estilo de vida pacato e rural, em contraste com o estilo de vida competitivo e urbano.

Teremos, portanto, não uma normalidade como atualmente conhecemos, mas um “outro normal”. 

Que hora é esta?

Como dizer já está na hora de em inglês? | Dicas de Inglês

No livro de Isaías lemos: “Gritam-me de Seir: Guarda, a que hora estamos da noite? Guarda, a que horas?” (Is 20.11).

Séculos depois, Cícero cunharia a famosa frase: “O tempora! O mores!” Isso em seu discurso no Senado, nas célebres Catilinárias, bradando contra os vícios e a corrupção de Roma. “Que tempos os nossos! E que costumes!”. Em sua visão, conspirações e corrupção solapavam o Império e as atitudes mereciam ser desprezadas em alta voz, como repúdio à vileza presente na elite romana. 
A frase de Cícero é profundamente contemporânea. Que dias são estes e que horas são estas? Assim como a pergunta suscitada pelo profeta: “Guarda, a que hora estamos da noite?”.

A frase do Isaías suscita três possiblidades: 

Primeira: as pessoas estavam desorientadas e não conseguiam julgar corretamente o momento que viviam. Não sabiam discernir a época nem o tempo no qual estavam inseridas. Não saber a hora é típico do fuso horário - efeito jet lag -, quando surge a sensação de cansaço extremo ocasionada pela diferença de horário entre a origem e o destino. Isso acontece porque o relógio biológico perde a sincronização com o horário cronológico do novo ambiente, pois o ritmo dia/noite em que a pessoa estava acostumada a viver sofre mudança súbita. Como lidar com a vida se não somos capazes de perceber o tempo? Quanto mais idosos ficamos, menos capacidade temos de entender o que está acontecendo ao nosso redor.

Segunda: as pessoas estavam indagando assustadas porque o que estavam vivenciando era incomum e causava perplexidade. Os tempos estavam confusos e tudo parecia diferente. Nova moral, novos costumes, nova espiritualidade. Por isto estavam amedrontadas e apavoradas. O novo assusta! Que hora é esta? Que tempo é este?

Terceira:, existe uma dimensão escatológica, algo conectado ao futuro. A Bíblia afirma que precisamos remir o tempo porque os dias são maus. Precisamos entender, no tempo de Deus, qual é o seu calendário, que agenda Ele tem. Jesus advertiu que a volta do Filho do Homem se daria quando não estivéssemos apercebidos e que seria como a vinda do ladrão da noite, na hora em que não estaríamos prevenidos. Precisamos, pois, vigiar, estar atentos! Que hora é esta no plano de Deus? Em que hora da noite estamos?

Será que sabemos “a que hora estamos da noite?”

Graça em meio ao Caos

O caos do isolamento e a graça de Deus - Firme Fundamento

Tempos difíceis criam grandes oportunidades para revelar o melhor e o pior das pessoas. Muitos olham situações de calamidades com a visão de uma hiena, que ao ver um animal ferido e indefeso, aproxima-se para dar o golpe final de misericórdia. Assim, um grande número de pessoas tem usado o coronavírus para explorar, abusar do sofrimento, tirar vantagens. Tenho calafrios só de pensar o que líderes políticos inescrupulosos podem fazer com o dinheiro público nestes dias que estamos vivendo.

Nos EUA, algumas pessoas aproveitando o pânico, começaram a estocar grandes quantidades de álcool em gel e papel higiênico para revender na internet a preços extorsivos. O mesmo aconteceu no Brasil, com o frenesi pela busca de máscaras, roubo de máscaras e vacinas falsas.

Felizmente, atitudes de solidariedade e generosidade começaram a surgir. Em nossa comunidade, um grupo de diáconos se mobilizou. Eles disponibilizaram o tempo que têm para fazer compras de supermercado e farmácia para pessoas dos grupos de risco. Um grupo de médicos da cidade também ofereceu, às pessoas em pânico, atendimento gratuito por telefone para orientá-las quanto à melhor atitude a tomar. Em São Paulo, a filha de minha prima, de apenas 14 anos, colocou seu nome e telefone nos elevadores do prédio em que mora, oferecendo-se para ajudar pessoas idosas que precisam de suporte. E isso, voluntariamente!

A Covid-19 trará prejuízos e sequelas imprevisíveis para a sociedade. Tempos de calamidades, guerras e pestes mudam a cosmovisão de uma geração. Também teremos grandes perdas e oportunidades neste momento de perplexidade em que vivemos.

Não seremos a primeira nem a última geração a enfrentar catástrofes parecidas. Na verdade, a última tragédia global acabou há 75 anos, com o final da II Guerra Mundial. Tragédias cobram um preço muito alto, mas podem ser mitigadas pela empatia e pelos gestos humanitários. Pode-se perder financeiramente, mas alcançar grandes ganhos na alma que se expressa no apoio e no cuidado. A dor pode ser brutal e impiedosa, mas podemos amenizá-la com sensibilidade e humanidade!

Uma coisa surpreendente que aprendemos com a fé cristã é que, o lugar mais hostil e dolorido, no qual Deus parecia estar ausente, foi a cruz. A exclamação de Cristo “Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?”, mostra o drama do Calvário. Contudo, a cruz é o lugar da redenção. Naquele lugar, o Cordeiro de Deus leva sobre si o pecado do mundo. A cruz é amarga e redentiva, dolorida e graciosa. E esta é uma lição preciosa: a Graça sempre brota no meio do caos.

sábado, 9 de maio de 2020

Que horas são estas?

Pôr Do Sol, Sun, Céu Noturno, Nuvens

No livro de Isaías lemos: “Gritam-me de Seir: Guarda, a que hora estamos da noite? Guarda, a que horas?” (Is 20.11).

Séculos depois, Cícero cunharia a famosa frase: “O tempora! O mores!” Isso em seu discurso no Senado, nas célebres Catilinárias, bradando contra os vícios e a corrupção de Roma. “Que tempos os nossos! E que costumes!”. Em sua visão, conspirações e corrupção solapavam o Império e as atitudes mereciam ser desprezadas em alta voz, como repúdio à vileza presente na elite romana. 

A frase de Cícero é profundamente contemporânea. Que dias são estes e que horas são estas? Assim como a pergunta suscitada pelo profeta: “Guarda, a que hora estamos da noite?”.

A frase do Isaías suscita três possiblidades: 

Primeira: as pessoas estavam desorientadas e não conseguiam julgar corretamente o momento que viviam. Não sabiam discernia época nem o tempo no qual estavam inseridas. Não saber a hora é típico do fuso horário - efeito jet lag -, quando surge a sensação de cansaço extremo ocasionada pela diferença de horário entre a origem e o destino. Isso acontece porque o relógio biológico perde a sincronização com o horário cronológico do novo ambiente, pois o ritmo dia/noite em que a pessoa estava acostumada a viver sofre mudança súbita. Como lidar com a vida se não somos capazes de perceber o tempo? Quanto mais idosos ficamos, menos capacidade temos de entender o que está acontecendo ao nosso redor.

Segunda: as pessoas estavam indagando assustadas porque o que estavam vivenciando era incomum e causava perplexidade. Os tempos estavam confusos e tudo parecia diferente. Nova moral, novos costumes, nova espiritualidade. Por isto estavam amedrontadas e apavoradas. O novo assusta! Que hora é esta? Que tempo é este?

Terceira: existe uma dimensão escatológica, algo conectado ao futuro. A Bíblia afirma que precisamos remir o tempo porque os dias são maus. Precisamos entender, no tempo de Deus, qual é o seu calendário, que agenda Ele tem. Jesus advertiu que a volta do Filho do Homem se daria quando não estivéssemos apercebidos e que seria como a vinda do ladrão da noite, na hora em que não estaríamos prevenidos. Precisamos, pois, vigiar, estar atentos! Que hora é esta no plano de Deus? Em que hora da noite estamos?

Será que sabemos “a que hora estamos da noite?”

terça-feira, 14 de abril de 2020

Não fale com pressa, aflição ou raiva

Gritaria Irritada Da Jovem Mulher Gritar Louco Irritado Da Mulher ...

Um antigo provérbio afirma que “Deus fez o homem com dois ouvidos e apenas uma boca, porque ele deve ouvir mais e falar menos”.

A verdade é que falamos muito.
Falamos o que não devíamos falar, quando não deveríamos falar e a quem não deveríamos falar. Falamos coisas que não edificam, palavras que não abençoam, fazemos críticas que destroem e empregamos palavras descaridosas. Nem sempre falamos a verdade sobre os outros, mas mesmo que falemos a verdade, deveríamos ou precisávamos falar?

Por isto a Bíblia dá, três grandes recomendações sobre a linguagem.

Primeiro, não fale apressadamente.
No Salmo 31.22 lemos: “Então disse na minha pressa: extou excluído da tua presença”. A pressa é inimiga da perfeição, e falar apressadamente nos compromete e leva-nos a dizer as coisas irrefletidamente, sem medir as palavras, sem ponderar. Quando estiver sob pressão para responder rápido, mesmo assim, peça um tempo para refletir, orar, diga que sua opinião ainda não está claramente formada, mas não fale sem pensar.
A Bíblia diz que “peca quem é precipitado”. A precipitação, o ímpeto, a pressa podem nos levar a dar respostas equivocadas, comprometedoras e infundadas, e a nos equivocarmos profundamente sobre o assunto.

Segundo, não fale na aflição.
O coração aflito, desesperado, deprimido, fala muita coisa tola.
No Salmo 77.10 o salmista diz uma série de impropérios contra Deus, questiona o cuidado de Deus, relativiza as promessas de Deus, para depois reconhecer: “Então, disse eu: Isto é a minha aflição”.
Na hora da aflição e da angústia fazemos leituras pessimistas e nos tornamos inquisitoriais, até mesmo contra Deus. Por isto, feche a boca, cale-se quando o coração estiver aflito e a dor estiver batendo à porta. Quando estamos assim, sempre fazemos leituras distorcidas dos fatos.

Não fale com raiva
A Bíblia diz: “Longe de vós toda ira, cólera, gritaria”. Quando estamos zangados ou irritados, fazemos declarações que causam profundas feridas. Casais perdem o respeito e a sensibilidade quando gritam, agem com altercação e ira.
Com raiva falamos sem pensar, vociferamos, perdemos a razão e o bom senso. A ira é má conselheira, e quando estamos com raiva somos propensos a revelar um coração néscio, arrogante e ferino. Por isto, não fale com raiva.

Espere a poeira baixar, diminua o volume da voz, considere se o que está dizendo é justo, não faça julgamentos, e mesmo que o que você estiver dizendo for justo, reflita se vale a pena dizer. “A língua serena é arvore de vida, mas a perversa quebranta o espirito” (Pv 14.4). Portanto, não fale com raiva!

A Bíblia faz muitas considerações importantes sobre a língua, mas para concluir, queria cita mais um provérbio: “como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a boa palavra dita a seu tempo” (Pv 25.11). Não é esta uma belíssima imagem?

Não fale com pressa!
Não fale na aflição!
Não fale com raiva!

terça-feira, 31 de março de 2020

Coronavírus e o fim do Mundo


Imagem da história para imagem coronavirus de BBC Brasil


Épocas de catástrofes tornam-se propensas para apocalipticismo, fatalismos,  catastrofismos e teorias conspiratórias. É uma tentativa humana de organizar o caos, o nonsense, o absurdo. Busca-se, filosoficamente, explicar o trágico e a dor, controlar o desorganizado e caótico. No meio deste imbróglio, se a explicação estiver associada a Deus então ela passa a ter um peso ainda maior. Afinal, o sobrenatural explica tudo...

Neste ambiente, surgem algumas questões: “O que Deus tem a ver com tudo isto?”, “O caos seria uma forma de juízo de Deus?”, “A pandemia é uma forma de Deus punir os homens pelos seus pecados?”. Pregoeiros do juízo final logo dirão que sim, afinal, muitos relatos do Antigo Testamento associam, diretamente, tragédias e guerras a pecados de indivíduos ou nações. Seria hoje diferente?

O problema é que respostas simplistas são ineficazes. Diante da profunda dor de Jó, seus amigos tentaram dar explicações. Eles não tinham dúvida de que, se Jó estava sofrendo tanto, era por causa de seu pecado e sua dor era resultado do juízo de Deus. Entretanto, no desenrolar do texto, percebemos que Deus e o sofrimento não poderiam ser facilmente explicáveis como em uma equação do tipo 1+1=2. E isso é porque a dor transcende em muito nossas respostas organizadas e previamente estabelecidas.

O livro de Jó demonstra que “Deus é grande e não o podemos compreender” - (Jó 36.26) e que “Ele faz coisas grandes que não compreendemos” - (Jó 37.5). O próprio Jó, depois de suas elucubrações teológicas, reconhece: “Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia” - (Jó 42.3).

A dor, o mal e a morte são três problemas que os homens nunca conseguiram explicar, nem com toda sua ciência e pesquisa. Melhor que perguntar o porquê das coisas seria perguntar o para quê. Talvez o grande desafio não seja explicar a pandemia e o caos, mas perguntar:  como ser melhor cidadão, melhor cristão, melhor pai, filho, amigo e irmão? Como ajudar aqueles que experimentam a dor e enfrentam perdas na família, que são irreparáveis; e perdas financeiras, que, embora reparáveis, geram muitas aflições e desconforto?

O coronavírus não é o fim do mundo, mas seus efeitos têm sido devastadores. Precisamos nos cuidar, proteger os mais vulneráveis, amparar uns aos outros. Isso é mais importante que responder questões filosóficas do tipo: “Deus está julgando o mundo?

Respostas a problemas complexos não são simples. Contudo, fazer uma ligação telefônica, ajudar os idosos a superarem esse momento de solidão, dar suporte financeiro aos necessitados e amparo aos que sofrem é muito mais eficaz que equacionar a tragédia, já que esses mistérios pertencem aos insondáveis mistérios de Deus. 

sexta-feira, 6 de março de 2020

Coronavírus ou “Corona-tiros”?

Um homem entrega comida em um bairro isolado na cidade chinesa de Wuhan, epicentro do surto, em 23 de fevereiro.


O mundo inteiro parou em razão da histeria coletiva que tomou conta das nações diante do novo vírus Covid-19. A descoberta do coronavírus impactou o mercado, as indústrias, escolas e a dinâmica das pessoas. É bom lembrar que, recentemente, tivemos outros vírus apavorantes: Ebola, SARS, H1N1... Houve certo pânico social no surgimento de todos eles. 

Infectologista brasileiro reconhecido internacionalmente, Vladimir Cantarelli afirma que a doença transmitida por este vírus nada mais é do que uma gripe forte e que, se entrarmos no site da OMS, veremos que dois milhões de pessoas morrem anualmente no mundo por causa de gripe. O perfil das pessoas que faleceram vitimadas pelo Covid-19, no geral, são idosas e com problemas bronco-pulmonares e respiratórios. Mas vale lembrar que todos os anos, apenas no inverno chinês, morrem, aproximadamente, entre 7 a 8 mil pessoas por causa da gripe. 

Os remédios para gripe não curam, mas amenizam o quadro e trazem bem estar. O que ataca o vírus é a defesa do organismo. Este vírus certamente chegaria ao Brasil, porque não é possível fechar as fronteiras. Ora, um vírus pode dar uma volta ao mundo em uma semana e assim aconteceu! 

O Tamiflu, remédio para combater o H1N1 trouxe uma riqueza impressionante aos seus fabricantes. O coronavírus, apesar de ainda não estar catalogado, é muito mais frágil que os outros vírus. Entretanto, há aspectos econômicos e políticos envolvidos. Por exemplo: a China, país fechado por causa da ditadura comunista, controla os meios de comunicação e informa apenas o que o governo julga importante. 

Atualmente, oito dos maiores laboratórios do mundo estão trabalhando 24 horas por dia para descobrir a vacina que impedirá a ação do Covid-19. Qual é o objetivo? Criar o medicamento que, em 90 dias, levará bilhões de dólares aos cofres dos fabricantes. 

Apesar das precauções higiênicas que precisamos tomar, não há mesmo razão para pânico e todos os especialistas afirmam a mesma coisa. Vale lembrar que aqui no Brasil temos razões muito mais fortes para nos sentir apavorados! De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019 foram registrados um milhão, 544 mil 987 novos casos de dengue (1.544.987), denotando um aumento de 488% em relação aos números de 2018. Desse total, 782 pessoas morreram no nosso País. Também no ano passado, o Vírus H1N1 matou um mil 381 pessoas, sendo 55% das vítimas com idade acima de 60 anos. 

Outro “vírus” perigoso que segue atingindo ferozmente grupos mais vulneráveis é a fome. Cinco mil 653 pessoas morreram de desnutrição no Brasil em 2017, uma média de mais de 15 pessoas/dia. Em 2004, cerca de 4.6% da população era desnutrida. Em 2018 essa estatística caiu para 2.5%, mas ainda assim são cinco milhões de brasileiros desnutridos. 

Agora, o “vírus” mais assustador, que mais tem matado brasileiros, continua sendo a violência. No ano passado foram 41 mil 635 assassinatos no País contra 51 mil 558 casos em 2018 - trata-se do menor número de crimes violentos desde 2007. Ainda assim, um número assustador. 

Qual a razão de tantas mortes? O ódio, as desavenças até mesmo fúteis, a luta pelo poder e dinheiro, a violência contra a mulher e contra as crianças, a falta de respeito e de amor em casa. O grande e mortal vírus que temos de combater é a insensibilidade. Este é o pior de todos os vírus. E poucos parecem estar se importando com ele.