sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

E se fosse possível fazer diferente?



Resoluções de Ano Novo são tão inúteis quanto mascar chicletes para resolver questões de matemática. Se você é mais jovem, possivelmente vai discordar de mim, mas depois dos 40, você vai entender o que eu digo... (e olha que Elis Regina falou em não confiar em ninguém com mais de 30 anos).

Mas, e se fosse possível mudar? E se a passagem deste ano se tornasse um marco e diferencial para sua história de vida, o que você faria de diferente?

Partindo do pressuposto de que é possível, escreva no papel as mudanças desejadas, até aquelas que lhe parecem absurdas, mas que se acontecessem, seriam maravilhosas. Depois leia a lista de resoluções, elimine as que forem bizarras demais e fique apenas com algumas mais razoáveis. Esta é uma dinâmica simples que ajuda na resolução de conflitos.

Depois disto, concentre-se em uma ou duas atitudes que mudariam sua vida, casamento, espiritualidade... Ore! Peça a Deus que o ajude e entenda que “melhores atitudes nos levam a maiores altitudes”.

A vida está cheia de exemplos de pessoas que mudaram para pior. Felizmente, há inúmeros relatos de pessoas que mudaram também, para melhor.

Considere um personagem bíblico: Daniel. Sim, aquele mesmo que foi lançado numa cova de leões por ordem de Dario, Imperador da Pérsia. Sua história pessoal é marcada pela brutalidade e violência. Levado cativo para a Babilônia, viu sua cidade destruída pelos inimigos, não há relatos de sua família, e por inferência podemos imaginar que seus pais foram mortos na guerra, os símbolos sagrados, o templo de Jerusalém, tudo estava destroçado. Seguiu uma longa viagem pelo deserto como escravo, humilhado. Ao chegar na Babilônia foi colocado sob supervisão de Aspenaz, que era o chefe dos eunucos.

Sabe qual o significado disto? Ele se tornou eunuco. Isto é, foi castrado para servir no palácio e transitar pelos haréns dos reis sem representar ameaça.

Sua existência foi de negação. Sua vida insistia em dizer não. Isto levou Daniel a desistir de viver? Suicidar? Se transformar numa vítima? Não! Antes se tornou um dos principais do reino e mesmo quando os babilônios foram derrotados pelo poder dos Medos e Persas, ele continuou em cargo de liderança política, por causa da respeitabilidade que possuía.

A Bíblia diz que Daniel tinha um “espírito excelente, conhecimento e inteligência, e era capaz de solucionar enigmas e casos difíceis (Dn 5.12), sendo fiel em todas as coisas não se achava nele erro nem culpa (Dn 6.4). Daniel decidiu que não seria escravo das circunstâncias, nem se transformaria numa vítima, mas tomou posições claras e assumiu o controle de sua história por causa do seu temor a Deus.

A verdade é que “não adianta sonhar com um ano novo, se as atitudes forem velhas”, mas é sempre possível construir um novo caminho, quando nos lembramos que o Carpinteiro de Nazaré é especialista em madeiras tortas.

sábado, 24 de dezembro de 2016

O Deus acessível



Todas as religiões possuem pressupostos sobre suas divindades e agem de acordo com a convicção que possuem delas, afinal, “os homens se parecem com seus deuses”.

Para algumas, Deus é misterioso, nebuloso, incompreensível, envolvido em mistérios, insondável. Trata-se de um ente diferente, distante, sublime, e muito difícil ser tocado. Animistas, religiões místicas e esotéricas, desenvolveram esta visão de Deus.

Para outras, Deus é enigmático, irreconhecível, inacessível, ainda que se comunique com os homens, não é possível elaborar qualquer concepção sobre ele, porque ele é o “numinoso” conforme Rudolf Otto em “The Idea of the Holy “(1917) e C. G. Jung que via o encontro com numinoso como uma característica de toda experiência religiosa. Bultmann falava do “inteiramente outro”.
Em outras religiões, Deus é uma extensão do eu. Nada mais que o interior absorvido e potencializado pela eternidade. Deus não é o “outro”, mas o “eu-estendido”, agindo na subjetividade. Assim afirma o budismo, uma religião com rituais mas sem uma concepção clara de Deus, nesta tradição não existe oração (dirigida ao Outro), mas contemplação (voltada para a interioridade), ainda que isto pareça estranho.

O islamismo desenvolve a ideia de um Deus forte, guerreiro, poderoso, conquistador e justo, que não suporta pecados e incoerências humanas, e pronto a punir os ímpios. “Allah é grande!” O “maktub”, pré-determinista e fatalista define um pouco desta divindade. O “jihad” é concebido como forma de julgamento dos fieis contra os ímpios, e a blasfêmia contra este deus é inaceitável e deve ser combatida com ira. Deus nunca é concebido como Pai, embora seja identificado como guerreiro.
Os judeus conceberam Deus como alguém assustador. Na entrega das tábuas da lei de Moisés, as pessoas precisaram ficar longe do Monte Sinai, pois quem se aproximasse, morreria. O templo e sua arquitetura revelam este distanciamento. Qualquer pessoa que não fosse judia e adentrasse o lugar dos santos, morreria; qualquer pessoa que fosse judia e decidisse entrar no santo dos santos, também morreria.

Quem poderia conceber um Deus acessível?

O Natal nos fala disto.
Jesus é Emanuel, que quer dizer “Deus conosco!”

O apóstolo João se maravilha ao descrevê-lo: “O que era deste o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam com respeito ao verbo da vida. E a vida se manifestou e nós a temos visto”(1 Jo 1.1).

Deus assume forma humana, no rosto de uma criança indefesa e frágil, que precisa cuidados de mãe e pai, o Deus eterno se torna carne. Plena humanidade. Não tinha apenas a “semelhança” humana, como queriam os docéticos, mas tinha na sua essência a humanidade, era 100% homem, suscetível a todas as necessidades humanas, sentia fome e frio, e tinha necessidades emocionais e fisiológicas.

Jesus chama a Deus de “Aba, Pai” no Getsêmani (Mc 14.36). “Aba” é uma expressão de ternura, usada afetivamente pelas crianças de colo ao chamarem o seu “paizinho” ou “papai”. Esta expressão segundo J. Jeremias não encontra analogia na literatura da época. Neste sentido, em nenhum texto do Antigo Testamento ou na literatura judaica, alguém se dirigiu a Deus como “Aba, Pai” (J. Jeremias, Teologia do Novo Testamento. São Paulo, Hagnos, 2008) p. 69

Aba, em sua origem é uma forma de balbucio de uma criança recém-desmamada e, para os judeus, certamente pareceria falta de respeito se dirigir a Deus como “Aba, Pai”.
Leonardo Boff, tecendo considerações sobre a humanidade de Cristo, afirmou: “alguém assim tão humano, só poderia ser Deus”. Natal aponta para um Deus transcendente, mas imanente, alguém sublime e majestoso, mas tangível. O profeta Isaias descreve Deus como alguém que habita num alto e sublime trono, mas também com o humilde e abatido de espírito. Deus é grande, intransponível, misteriosos, mas absolutamente acessível.

Em Jesus, vemos este Deus que se aproxima da raça humana, se deixa tocar, caminha nas estradas poeirentas da Galileia, absolutamente Deus, completamente humano. Cumpria-se assim a promessa do anjo Gabriel ao anunciar seu nascimento a Maria: “Ele será chamado Emanuel, que quer dizer: Deus conosco!”. 

É isto que os Evangelhos falam sobre o Natal!

Plena Alegria



Não nos enganemos: O maior desejo do coração do homem é a alegria.

Certamente você deve pensar em algo que lhe pareça mais essencial. Sim, é verdade que desejamos muitas outras coisas, lutamos por elas, trabalhamos duramente para conquistá-las, lamentavelmente sacrificamos consciência e até mesmo a pureza da fé no afã em encontrar aquilo que pensamos que dará sentido, status e valor, mas inconscientemente buscamos algo mais profundo – a alegria.
O problema é que julgamos que, tendo isto ou conquistando aquilo o senso de plenitude virá. Fazemos letais e fracassadas associações: “quando fizer isto...”ou, “quando conquistar aquilo...”e como na lenda do pote de ouro no final do arco íris, o caçador cansado não encontra o que procura e  morre extenuado.
Por definição, esta busca insana e obsessiva por coisas é, teologicamente, um ídolo. Ídolo é um substituto de Deus, pretende ficar no lugar de Deus e assumir seu lugar. Facilmente os construímos em nosso coração e se você deseja identificá-los, pergunte sinceramente: “O que desejo, temo e amo mais do que a Deus?”
Por mais estranho que possa parecer numa cultura hedonista como a nossa, alegria não pode ser o alvo da vida.
Alegria é resultado. Não a causa, mas a consequência. Assim como o sono, se você o busca obsessivamente, não o encontrará. Portanto, não deite dizendo: “eu quero dormir, eu preciso dormir”. Enquanto se preocupar com o sono em si mesmo, não o encontrará. Quando esquecemos do sono, ele vem. A mente precisa desligar. Ao buscar a felicidade dizendo que precisa encontrá-la, certamente ela não será achada.
O apóstolo João, numa de suas cartas no final de sua vida declarou o seguinte: “Estas coisas vos tenho dito para que a vossa alegria seja completa” (1 Jo 1.4). Ele fala de algo que poderia trazer plena alegria. Que segredo ele encontrou que a cultura moderna perdeu?

Para entender o princípio, precisamos ler o texto anterior:
Ora, a vossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo”(1 Jo 1.4).

O segredo da alegria estava em Deus, na comunhão, amizade e intimidade do povo de Deus com o seu Criador.
João falava disto com propriedade, já que poucas pessoas foram tão violentadas nos seus direitos pessoais quanto este homem. Exilado em Patmos por causa de sua fé, viveu num ambiente hostil, prestando serviços de escravo, espoliado de todos os seus bens, distanciado de seus queridos, mas nestas condições pode contemplar o céu e a glória de Deus.
Alguém afirmou o seguinte: “Adão viveu no Paraíso e não estava satisfeito. João em Patmos, teve visões celestiais. Isto demonstra que o importante não é o lugar ou as condições nas quais você vive, mas como está o seu coração”.

No abandono e exclusão, João teve a benção de encontrar a plena alegria na comunhão com o Pai, e com seu Filho, Jesus Cristo.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Natal e as profecias

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Atualmente muitos se autodenominam profetas. Eu também falo de coisas com grandes probabilidades de acerto, e eventualmente acerto, mas definitivamente não sou um profeta. Os verdadeiros profetas do Antigo Testamento, não agiam como os meteorologistas fazendo previsão de tempo, com possibilidades de errar. Eles tinham que estar absolutamente certos. Não havia margem para erros em julgamentos ainda que fossem mínimas. Também não previam generalidades como “amanhã o sol vai nascer”. O teste para discernir falsos e verdadeiros profetas era apenas um: A previsão deveria estar 100% correta, caso contrário seriam condenados à morte (Dt 18.21-22). 

Como profetas só poderiam ser aprovados com nota máxima, caso contrário, seriam apedrejados. Era um chamado de altíssimo “risco”. No ano 710 a.C., o imbatível exército da Assíria cercou Jerusalém para conquistar a cidade. O povo de Israel ficou paralisado de medo, nada poderiam fazer diante do poderio bélico. O assustado rei Ezequias chamou o profeta Isaías pedindo para que orasse por livramento. Isaías lhe disse para não ficar amedrontado, porque o poderoso imperador Senaqueribe, ouviria um rumor de problemas internos no seu país, e retornaria para sua terra sem atacar Jerusalém. E foi exatamente isto que aconteceu (Is 37.26-38). Profecia cumprida!

Noutra ocasião predisse que a invencível Babilônia seria conquistada pelos Medos (Is 13.17-22), e apesar de toda glória e poder militar, 150 anos depois aconteceu exatamente como havia previsto (Dn 5.1-31). Profecia cumprida!

Outra profecia impressionante, porém, estava relacionada com o Nascimento de Cristo, o Natal. O que ele diz é algo impressionante e que foge ao senso comum. Ele fala de uma “virgem” se engravidando, e que seu filho seria chamado de “Emanuel”, que quer dizer, Deus conosco. “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14). Não é algo impressionante? Miquéias, outro profeta, afirma que ele haveria de nascer em Belém (Mq 5.2). Estas profecias só se cumpririam 800 anos depois. Não é isto algo impressionante? Profecia cumprida!

Estou certo de que fé é algo desafiador e individual, mas não deveríamos pelo menos refletir sobre a validade destas afirmações? Esta seria uma atitude honesta para pessoas que constantemente afirmam que precisam de provas mais racionais. Não acham? 

Curiosamente, quando os magos chegaram a Belém e indagaram sobre o nascimento do Messias, alegando ter visto um sinal no céu e que vinham de longe para averiguar os fatos (cerca de 1800 Kms de distância), os escribas e doutores da lei, que trabalhavam com tais profecias, deram as informações corretas, citando até mesmo o local de seu nascimento, mas não foram observar se tais profecias estavam se cumprindo em seus dias, e estavam a apenas 12 kms de Belém. Tão pertos, mas ainda tão distantes! Pronto. Mas uma profecia cumprida!

Mais prudentes foram os pastores, que ao ouvirem falar de que o salvador, Jesus Cristo, havia nascido na cidade de Davi, resolveram averiguar: “Vamos até Belém, e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer” (Lc 1.15). Os magos e os pastores creram; os sacerdotes, teólogos e escribas, não. Ainda hoje, alguns creem, outros não!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Sem saída

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Rubem Alves escreveu, um livro repleto de paródias e crônicas com título sugestivo: “Pensamentos que tenho quando não estou pensando”. Pensando nisto, queria propor outra reflexão similar: “Que solução é possível quando não há solução?”, ou, “pra onde ir quando não há pra onde ir?”
Pode parecer irônico, mas a verdade é que, muitas vezes somos colocados em desfiladeiros e emboscadas, trilhas que nos levam a lugar nenhum, e, emparedados não vemos a luz do sol nem qualquer saída plausível. Em inglês usa-se a expressão “no way out”, isto é, “sem saída”.
Na conhecida série de J.R.R.Tolkien, “O Senhor dos anéis”, os protagonistas principais são quase sempre levados às situações limites. A frase “não há esperança!” é repetida muitas vezes. Embora seus livros sejam recheados de elfos, hobbits e seres místicos, e a realidade do mal seja concreta e palpável, não há de forma clara, a ideia de um Deus. Apesar deste “ocultamento intencional”, já que Tolkien era um católico praticante, sempre surge uma saída inesperada e a solução aparece.
São muitos os que pensam não haver uma saída.
Creio que a depressão, o desespero e mesmo o suicídio sejam muitas vezes resultantes da incapacidade de se perceber qualquer possibilidade para vida. Acompanhei um amigo que passou por um duro processo de divórcio, e muitas vezes estive com ele encorajando-o, dizendo que as coisas iriam mudar, mas ele sempre insistia que não suportaria a tristeza. Num dia especialmente dolorido afirmei que ainda iriamos rir desta história, e ele, olhos vermelhos, chorando, tentando esboçar um sorriso me disse: “Não brinque com minha dor!” Tornando curta uma longa história, recentemente vi fotografias suas passeando com uma loira bonita pelo nordeste brasileiro: Acho que ele encontrou uma saída e está bem...
Um dos livros que mais desafia o intérprete na Bíblia é Jó.  Suas questões são filosoficamente graves. Deus é um dos personagens do texto que aparentemente se oculta e desaparece. Jó está sempre perguntando o porquê das coisas e Deus permanece silencioso. Num dado momento sua mulher se cansa de sua resignação e explode: “Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!” Ela propõe a Jó uma ruptura radical de oposição a Deus e sugere que ele se suicide.
Como Jó responde a esta situação aparentemente sem saída? “Falas como qualquer doida, temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal”. Posteriormente afirma: “Eu sei que meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra”. Sua esperança, quando não há esperança, está em Deus, o único lugar para onde se pode caminhar quando não se vê saída. Sua fé constrói a ponte sobre o caos, a dor e o desespero, e lhe dá a resiliência necessária até que novas e miraculosas portas se abram.

Com Deus não há estradas sem saída. Quando o Mar Vermelho adiante se mostra intransponível, e o exército egípcio se encontra ameaçador por detrás, a saída aparece. O milagre de Deus acontece abrindo caminho seco e surpreendentemente enxuto para atravessar. Sempre há saída!

sábado, 26 de novembro de 2016

O Diálogo


Hoje, dia 26.11.2016, faleceram duas pessoas curiosas, com backgrounds e convicções completamente diferentes. Fidel Castro e Dr. Russel Shedd. Um aos 90 anos de idade, outro aos 87. Um aclamado e reconhecido no mundo inteiro, outro conhecido num segmento bem específico no Brasil. Ambos viveram e lutarem pelo que creram, embora tivessem cosmovisão e interpretassem a vida de forma completamente distinta. 

Fidel Castro era marxista-leninista, revolucionário, carregava no peito a utopia de transformar a história, para ele as opções estavam polarizadas entre “socialismo ou morte”, por isto apoiou movimentos de lutas e guerrilhas de esquerda ao redor do mundo, e exerceu enorme fascínio sobre os movimentos libertatórios da América Latina. 

Viveu de acordo com suas convicções, assumiu Cuba num movimento sangrento em 1959, tirando-a das mãos do corrupto Batista Fulgêncio, presidente eleito da ilha de Cuba entre 1940 e 1944, e ditador cubano entre 1952 e 1959, até ser derrubado pela Revolução cubana. No poder, sustentou e treinou guerrilheiros e militares, apoiando movimentos de esquerda no mundo inteiro. Muitos artistas e intelectuais do Brasil eram ardorosos defensores de seus princípios e métodos. A ex-presidente Dilma Roussef, recentemente construiu um porto em Cuba, num contrato de gaveta do BNDES no valor de 720 milhões de dólares, cujo conteúdo só pode ser aberto, por força de lei em 2026.

Para alguns ele era um demônio, para outros, um deus. Para uma boa quantidade de pessoas, um mito. 

Dr. Russel Shedd era boliviano, filho de missionários americanos. Viveu no Brasil por 40 anos e era pregador do Evangelho. Possuía doutorado em grego, língua original em que foi escrito a Bíblia (Novo Testamento), e se esforçava para traduzir o pensamento de Cristo e dos apóstolos aos seus ouvintes. Nunca esteve conectado aos poderes públicos, viveu de forma praticamente anônima pela mídia, e anunciava o grande projeto de Deus para a humanidade, ensinado por Jesus, que morreu para resgatar e redimir os pecados da raça humana, perdoando assim os pecados de todos os que nele cressem.

Era homem de uma espiritualidade profunda, sem os cacoetes de “homens espirituais”, tinha um profundo e singelo amor por Cristo e no final de sua vida, já fragilizado pelo câncer, afirmou que através da dor, estava “desmamando do mundo”, e que ansiava pelo gozo celestial e pela vida eterna que teria com Jesus. Assim como Fidel, viveu e morreu de forma coerente com aquilo que cria.

Peter Kreeft é um filósofo cristão, professor da Boston University, e escreveu o livro “O diálogo”. O pano de fundo de sua ficção era a possibilidade de três conhecidos personagens da história, que morreram no dia 22 de novembro de 1963, se encontrassem numa antessala do mundo porvir. Eram eles: Aldous Huxley, romancista ateu, sem qualquer convicção religiosa; John Kennedy, estadista e político; e C.S. Lewis, escritor cristão. Usando os escritos de cada um, e o pensamento que norteava cada um deles, imaginou qual seria a validade de suas afirmações depois da morte. É um livro interessante...

A ficção de Kreeft me faz indagar, quais seriam as argumentações de Fidel e Shedd, se tivessem agora a oportunidade de conversarem sobre seus pressupostos e conceitos. 

Estaria Shedd frustrado por ter ensinado um monte de enunciados que não valem nada após a morte? De falar de um Cristo que vive no imaginário coletivo de milhões de pessoas ao redor do mundo? Compreenderia, finalmente, que ensinou sua fé aos outros, mas que nada disto era coerente? Estaria Fidel dizendo agora: “Não falei? Este negócio de vida após morte é balela?”. Seriam os conceitos de Fidel sobre Deus válidos neste momento de transição, ou estaria Shedd com a razão?

Os leitores também poderão alternar entre a convicção de um ou de outro.

É tudo uma questão de perspectiva...

Fidel estava convencido do materialismo dialético hegeliano...

Shedd preferiu seguir o pensamento de Paulo: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”. 

Descartes afirmou: “Muitas vezes as coisas que me pareceram verdadeiras quando comecei a concebê-las tornaram-se falsas quando quis colocá-las sobre o papel”.

Certamente Jesus nunca deixou em dúvida o que ele enunciou. Pelo contrário afirmou: "Na minha casa há muitas moradas, se assim não fora, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar", noutro lugar afirmou: "Aquele que crê em mim, nunca será confundindo", num texto paralelo outro evangelista colocou. "Aquele que crê em mim nunca será envergonhado!". 

Não é maravilhoso seguir para o céu com convicções tão claras no coração?

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Emoções distorcem a realidade

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Certa pessoa, desempregada há vários meses, com todas as suas finanças em desequilíbrio, procura o terapeuta por causa de uma grave crise no seu casamento. Depois de um tempo de conversa e apoio, pode ver que aquela, definitivamente, não era boa hora para discutir relacionamento conjugal, afinal, poderia ele julgar corretamente os fatos debaixo da pressão da falta de recursos financeiros?

Uma jovem recém casada procura sua mãe, sentindo-se inadequada, triste e deprimida. Sua mãe, sabiamente a indaga se naqueles dias em que estava na sua tensão pré menstrual, ela estaria apta para julgar a realidade sem que fosse afetada pelas suas alterações hormonais.  A jovem compreendeu que realmente não estava em boas condições, já que sua TPM a fazia distorcer os fatos, fazendo com que os problemas parecessem maiores do que realmente eram.

Na Bíblia encontramos o relato e desabafo do salmista Asafe, um dos grandes músicos de Israel, e sua visão sobre Deus estava profundamente alterada. “De noite indago o meu íntimo, e meu espirito perscruta. Rejeita o Senhor para sempre? Acaso não torna a ser propício? Cessou perpetuamente sua graça? Esqueceu-se Deus de ser bondoso?” Ao lermos atentamente estes versículos concluímos que algo estava distorcido na sua compreensão sobre o Eterno, mas em seguida, ele faz a seguinte observação: “Então, disse eu: Isto é a minha aflição!

Em todos estes casos, podemos perceber que as leituras que faziam estavam sendo distorcidas por uma circunstância ou pela saúde, e isto é muito mais comum do que imaginamos. Portanto, considere o seguinte: Ao fazer julgamentos duros, implacáveis e severos demais sobre a vida, os outros, sobre você ou Deus, pergunte a si mesmo: Estou emocionalmente bem para avaliar corretamente os fatos ou estou deixando que a pressão do momento, o stress ou meus hormônios me dirijam?

Conflitos, enfermidades, lutos e tragédias podem nos desequilibrar, e quando tomamos decisões ou fazemos asseverações radicais nestes momentos, quase que inevitavelmente nos equivocaremos e traremos consequências danosas para nossa vida.

Então, se conseguir lembrar, veja se as emoções, a situação e a saúde são aliados ou inimigos. Se perceber que algum destes fatores o leva a julgamentos equivocados, reflita um pouco mais, antes de ser conclusivo. Outros momentos melhores virão quando, com ânimo sereno, você terá condições de julgar melhor os fatos.


Dráuzio Varella, no livro “o fio da navalha” afirma que “preconceitos distorcem a realidade mais do que alucinações”. O mesmo podemos dizer das emoções. Uma pessoa debaixo de pressão, pode encontrar dificuldade de ver as coisas como de fato elas são, e avaliar baseado naquilo que parecem ser. Cuidado com seu emocional: ele pode distorcer seus julgamentos e até mesmo a realidade.