quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

A ESCOLHA DO PRESENTE

Você acha que o Natal chegou rápido demais neste ano? Isto é, parece que o tempo andou mais depressa do que normalmente anda? Tenho más notícias para você. Isto é sintoma de quem está envelhecendo. Pergunte a uma criança ou a um adolescente e eles lhe dirão que o Natal, na verdade, demorou muito para chegar. É tudo uma questão de perspectiva.
O mês de Dezembro é tradicionalmente um mês de muita correria: Balanço da empresa, final de semestre para os que ainda continuam estudando e os nossos filhos na escola, aumento dos compromissos sociais, jantares de confraternização, avaliação e, compra de presentes...
Como escolher presentes? O que devemos dar? O que comprar? Como equacionar desejos e orçamento? Necessidades e possibilidades? Significado e finanças? A escolha do presente em si mesma, já pode ser um dado que provoca ansiedade em nós.
Para alguns isto pode significar um final de ano estressante, com muita correria, frustração e gastança desmesurada. Muitos farão despesas para o ano inteiro com coisas que não necessariamente vão trazer sentido, aliás, alguém já afirmou que na maioria das vezes compramos coisas que não precisamos, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não gostamos. Eis algumas sugestões práticas para a escolha apropriada dos presentes no final deste ano:

1. Considere seu orçamento – Gastar mais do que necessário pode representar uma enorme dor de cabeça para o ano que vem. Quem ama você vai apreciar o que recebe, mesmo com singeleza, mas não pense que as pessoas que não te apreciam vão passar a te valorizar por aquilo que recebem. Não faça mais do que você pode. Isto pode representar um alívio imenso para você. As demandas dos filhos, se não avaliadas dentro de suas possibilidades, podem ultrapassá-las e trazer no seu bojo culpa, ansiedade e dívidas.

2. Dê presentes apropriados – Considere a idade de seus filhos. Lembro-me de um amigo meu que para compensar sua infância pobre resolveu dar uma pequena motocicleta para seu filho, mas quando cheguei à sua casa vi que o menino estava curtindo a grande caixa que empacotara o caro presente. Ele transformou aquela caixa em um esconderijo para ele e sua irmã. Deus nos deu o presente certo: Seu Filho Jesus. Fique atento às dicas de sua esposa e filhos, eles podem já ter expressado o desejo de terem determinadas coisas que estão dentro do seu orçamento e poderão trazer grande alegria quando recebidos.

3. Dê com alegria, estimulando tanto quem dá como quem recebe. Um presente pode ter um significado muito maior do que você imagina.

4. Considere pessoas que não poderão retribuir seu presente – Este é o significado maior do Natal. Deus nos entregou seu Filho, não porque fossemos pessoas especiais, mas por causa de sua graça. Dar um bônus a um empregado, considerar o 13o. da sua diarista ou de funcionários que sempre prestam serviço a você, ajudar orfanatos e entidades sociais pode ser extremamente significativo, ainda mais se seus filhos puderem participar. Passe a idéia da generosidade adiante. O Natal nos convida a esta reflexão, já que consideramos a entrega que Deus fez do seu amado Filho à humanidade.

Estou Natal

Eu vi Jesus nascer lá em Belém.
Com os olhos da fé vi meu Senhor.
Eu sei que ele nasceu para o meu bem
e para ser também meu Salvador.

Eu vi Ele nasceu na gruta, sem
qualquer conforto e sem qualquer valor.
Pois não havia, em casa de ninguém,
lugar pra recebê-lo com amor.

Eu vi Jesus nascer em minha vida,
E se tornar figura tão querida,
Onde conserva posição central.

Eu achei o menino da lapinha.
E esta experiência é toda minha:
Em mim Jesus já fez o seu Natal!


Thiago R. Rocha

terça-feira, 8 de novembro de 2005

CENA POR DETRÁS DO BEIJO

Segundo uma notícia veiculada nos principais jornais do país. Glória Perez, dramaturga e novelista de América, teria ficado muito chateada porque o beijo homossexual anunciado para o horário nobre da Televisão brasileira não aconteceu.
O problema para mim nunca foi a questão do beijo em si, mas o que esta cena representa: Existe um forte desejo de se transformar o certo no errado e o errado no certo, ou de se acabar com o conceito de certo e errado, portanto, antes de ser uma questão ético/moral, que foca nos comportamentos sociais e culturais, o problema é filosófico, isto é, tem a ver com a essência da vida.
C. S. Lewis, conhecido escritor inglês, professor de literatura medieval em Oxford, no seu último livro da série Nárnia, “A Batalha Final”, cria um episódio no qual os bichos da floresta aguardam a anunciada chegada de Aslam, o grande e respeitado leão, que representa a figura divina, mas como este demora, um macaco (símbolo do mal), pede ao jumento (Tacha), que se cubra de uma velha pele de leão e faça uma imitação barata de Aslam. O Jumento de início reluta, fica temoroso das consequências desta atitude, mas resolve seguir as instruções do macaco. O princípio filosófico era: “Daqui para frente vamos acabar com esta idéia de antítese: Não existe nem Tacha, nem Aslam, apenas o “Tachaslam”.
Uma sociedade que destrói seus fundamentos morais corre sério risco. E é isto que me assusta. Fico temoroso dos produtores que se encontram nos bastidores. A moral você vê, julga, interpreta, avalia, mas a filosofia por detrás da cena, nem sempre é perceptivel.
O salmista afirma: “Ora, destruidos os fundamentos que poderá fazer o justo?” (Sl 11.3). Este tipo de atitude enfraquece o alicerce no qual uma sociedade é construída. Por ser um problema de filosofia, quebra-se a espinha dorsal da ética, já que esta decorre daquela. Sem parâmetros a sociedade tenta reinventar-se tomando decisões e posições que custam caro aos indivíduos, à familia, às igrejas. Desfazendo os pilares morais, não deveríamos estar muito impressionados com a facilidade com que a mentira e a corrupção tem assumido forma de pandemia e endemia em nossa sociedade política.
Por isto o profeta Isaias afirma: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem mal: que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce por amargo!” (Is 5.20) Quem pode afirmar que determinada coisa é doce ou amarga, se os fundamentos e valores foram todos anarquizados?
Quando morava em New Jersey, EUA, um fato acontecido perto de nossa cidade chocou-nos bem como a toda opinião pública. Um garoto do Ensino Médio engravidou sua namoradinha da escola, uma cena relativamente comum e corriqueira. Mas eles decidiram ocultar a gravidez e matar a criança tão logo nascesse. E foi o que fizeram...
Um psiquiatra, com muita perspicácia e acidez, analisando esta brutalidade, e vendo aqueles meninos de classe média, gente pacata, com comportamento tão bizarro afirmou que eles reproduziram o que criam: Matar uma criança através do aborto tem sido sempre defendido nas escolas e mídia americanas, qual era a diferença para aqueles garotos, se a morte era de um feto ou de uma criança recém-nascida?
Filosofia antecede ética. A questão não é o beijo, mas qual é a cena por detrás do beijo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

SOBRE A MORTE E O MORRER

Nem todas as culturas lidam com a morte como tabu, para algumas o processo de transição é muito menos complicado que o nosso. Alguns povos chegam a fazer festa quando alguém falece, principalmente se se trata de uma pessoa cuja vida foi profícua, e que viveu longos dias. Na nossa cultura, porém, um dos grandes medos nossos é a morte. Algumas pessoas vivem prisioneiras e ameaçadas por esta idéia.
Roberto Pompeu de Toledo num desafiador artigo publicado pela Veja no dia 29 de Abril de 1998. afirmou que muitas vezes a morte age por atacado, na forma de um arrastão, mostrando um fôlego de corredor de maratona, "lembrando-nos que não relaxou sua vigilância, a nós que tantas vezes pretendemos negá-la, e na vida de cada dia temos como fim último nos distrair de sua existência. Nessas horas em que age por atacado, ela chega com a exuberância de uma virtuose de seu ofício, a fúria de um touro ao entrar na arena, a fome de gols de um centroavante dopado. Feita sua obra, deixa-nos embasbacados como diante de um acróbata do impossível que, depois de um salto sobre o abismo, nos dissesse: "Viram do que sou capaz?".
Pascal ao abordar este assunto afirma que "Os homens, não tendo podido curar a morte, decidiram, para serem felizes, não pensar nela. Foi tudo o que puderam inventar para se consolarem”. Em O problema da vida, pg. 15, F. Lellote
A morte revela nossas limitações, zomba de nossos valores frágeis, denuncia nossos limites, manifesta a vulnerabilidade humana, critica nosso tolo materialismo apontando para o fato de que bem pouca coisa que fazemos de fato tem valor eterno. Por isto Jesus perguntou certa vez: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?"
Todos os caminhos levam à cova, esta é a horrível realidade desta vida. O primeiro dia de nosso nascimento encaminha-nos a morrer com a viver como afirmou Montaigne. Por isto “angustiados, por sentirmos que tudo passa, que também nós passamos, que passa o que é nosso, que passa tudo que nos cerca” (Unamuno). “transit gloria mundi”.
Não há solução para o problema da morte, “a angústia básica de todo ser humano” “a grande neurose das civilizações” “a mais fria anti-utopia” (Block). A Bíblia afirma que “ninguém tem poder sobre o dia de sua morte” (Ec 8.8). Nos revela ainda a forma como Jesus lidou com a morte, e isto deveria ser um enorme consolo para nossas vidas. Ele a enfrentou serenamente, não com pavor que tantos sentem diante desta realidade humana. Jesus “acabou com o poder da morte” (NTLH), “venceu a morte” (EP), “quebrou o poder da morte” (BV) ou “destruiu a morte” (EPC, CNBB e TEB). Noutro texto nos é dito que Jesus destruiu “aquele que tinha o poder da morte, a saber, o Diabo” para “libertar aqueles que durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte” (Hb 2.14-15). A rica experiência que Jesus teve no seu viver e a forma como ele lidou e venceu a morte, tornam-se a base de nossa confiança. Porque ele vive, podemos crer no amanhã, porque ainda que não saibamos o que nos espera no amanhã, podemos saber que Jesus já se encontra neste amanhã. E as promessas de vida eterna são todas extremamente significativas.
A verdade é que não devemos nos impressionar com a morte, mas com o morrer. Ray Charles afirmou, "É muito importante viver cada dia como se fosse o último, porque um dia, você estará certo" (Esquire).

domingo, 23 de outubro de 2005

Por que existimos?

Talvez a pergunta mais importante da vida seja a que se relaciona a existência da raça humana. Para o fenomenólogo Max Scheler "todos os problemas fundamentais da filosofia podem reconduzir-se à seguinte questão: que é o homem e que lugar e posição metafísica ele ocupa dentro da totalidade do ser, do mundo, de Deus?". Artur Schopenhauer, conhecido filósofo existencialista certa feita encontrava-se na beira do Rio Teingarten em Frankfurt quando foi indagado por um limpador de rua: "quem é você?", e ele responde: "Deus sabe que isto é o que eu mais gostaria de saber".
Pensadores se dividem na questão da origem do hommem. Alguns o vêem imbuído de um sentido e propósito maior. Outros, apenas como sequência química e biológica de DNAs e átomos conectados.
Nas narrativas das Escrituras Sagradas, o homem ocupa um espaço fundamental na relação com Deus: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Que é o homem, para que com ele te preocupes? Tu o fizeste um pouco menor do que os seres celestiais e o coroaste de glória e de honra” (NVI, Sl 8.3-6).
Alguns pensadores, contudo, possuem uma perspectiva completamente diferente: “O homem é produto de causas que não tiveram previsão do fim que estão atingindo (...) sua origem, seu crescimento, suas esperanças e temores, seus amores e suas crenças são apenas o resultado de colocações acidentais de átomos (...) nenhum fogo, nenhum heroísmo, nenhuma intensidade de pensamento e sentimento pode preservar uma vida individual além da sepultura (...) e todo o templo das realizações humanas tem de ser inevitavelmente sepultado embaixo dos escombros de um universo em ruínas”. (Bertrand Russel)
Uns percebem grandeza e significado, outros vazio e desorientação da existência humana. Uma visão gera esperança, outra angústia, já que não pode dar perspectiva individual além da sepultura.
Por que é importante discutir a origem da raça humana? De forma simplificada podemos dizer que a origem aponta também para o destino. A visão que construímos do homem vai definir nosso relacionamento com ele. Hitler acreditava que o homem era importante, desde que fosse ariano. Garotos atearam fogo no corpo de um índio em Brasília, porque achavam que ele era mendigo. Em outras palavras, se soubessem que era um índio não o queimariam, mas o mendigo podia ser executado, pela sua condição humana. Ideologias, no fundo, são antropologias. Se acharmos que não há um Deus que tenha criado o homem, e que não há uma Causa Primária, perdemos a capacidade de ver a grandeza inerente no homem por ter sido ele criado à imagem e semelhança de Deus.
O homem possui sentido por causa de sua origem sagrada. Perry London, psicoterapeuta americano, defendeu a visão do modelo mecânico da natureza humana. O homem seria um autômato, um amontoado de peças e enzimas aglutinadas, ou, como definiu Russel, “apenas o resultado de colocações acidentais de átomos”. No entanto, a criatividade, racionalidade, emotividade e espiritualidade humana apontam para uma dimensão metafísica. Afinal, foi exatamente isto que a Trindade declarou no seu projeto embrionário do ser humano: ”façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Nossa origem aponta para divindade. Nossa humanidade para a eternidade.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

REFERENDO SOBRE ARMAMENTO

A questão que orienta este referendo é: "Podemos ou não podemos comercializar armas?". Vote sim ou vote não!

Na minha concepção a discussão deveria ser menos superficial, e a questão mais aprofundada. Eis uma pergunta que ninguém quer fazer: Quais são os fatores que tem gerado tanta violência em nosso país? Sabemos que cerca de 39 mil de pessoas foram assassinadas com armas de fogo no último ano, mas ninguém pergunta a razão da violência estar tão acentuada.

Um dos princípios fundamentais do Bill of rights dos Estados Unidos, que se constitui na segunda emenda da constituição daquele país é que o cidadão tem o direito de portar armas. A violência dos Estados Unidos, com todo este direito individual do uso das armas é muito inferior a do Brasil. Obviamente existem outras razões naquela cultura que tem gerado estranhas formas de violência e que não tem nada a ver com o direito de ter ou não ter armas, adquiri-las ou não.

Para que você compre uma arma naquele país, você é cadastrado e não pode adquiri-la no mesmo dia em que se propõe a fazê-lo. Seu cadastro é avaliado por peritos, você se expõe, mas ainda assim, este é um direito individual adquirido. A violência da indiferença, de um povo rico e sem sentido, de culturas marginalizadas tem sido muito mais preocupantes do que ter ou não ter armas.

A violência de um povo de índole reconhecidamente pacifica como o Brasil é resultante do descaso da liderança política, da incompetência do governo brasileiro, do crime de colarinho branco, do mau uso dos recursos públicos, da falta de investimento em educação, do desamparo com a saúde pública, da falta de preocupação com os pobres, da injustiça com o trabalhador. Não é a arma o agente do crime, antes uma estrutura sistêmica, endêmica e pandêmica que promove a exploração e tira lucros da miséria de um povo abandonado e esquecido. A Violência não vai diminuir porque não se comercializa armas. Ladrões e criminosos saberão onde encontrá-las. A violência tem a ver com o coração. A grande violência de hoje não é feita com armas de fogo, mas com canetas em escritórios de gente inescrupulosa, eleita para defender o direito do povo, mas que não consegue legislar a favor do órfão e da viúva.
Guerras não são apenas acontecimentos circunstanciais, possuem etiologias e raízes bem mais profundas do que parecem à primeira vista (Tiago 4.1). Este texto aponta a origem da conflitividade humana como alguma coisa mais interior. Paz não é mera supressão de armas, tem a ver com a natureza mais intrínseca da natureza. Violência é subproduto da alma em conflito, do desejo de sucesso a qualquer preço, da tentativa desesperada de resolução de uma luta maior que se abriga na alma. “A violência é a expressão da onipotência". (Hanna Arendt, 1906-1975, escritora alemã).

INFANCIA E SAÚDE EMOCIONAL

Dia 12 de Outubro. Dia das crianças! Prenúncio de parques lotados, de pais agitados em comprar um presentinho, de não deixar sem uma pequena lembrança o filho ou a filha, heranças benditas de Deus!
Assusta-me nosso quadro infantil: Estatísticas de abusos sexuais e emocionais escandalizam pessoas de bom senso, o trabalho escravo, a violência dentro e fora de casa, a falta de oportunidade, os riscos de centenas de pequenas e preciosas vidas. A pobreza de muitos que os leva à promiscuidade, ao trabalho infantil, à prostituição infantil ou de tantos outros que são empregados para servir contrabandistas.
Bem, talvez estas realidades estejam distanciadas dos meus leitores. Gente que lê jornal já é alguém que possui um diferencial intelectual em relação à maioria...
Consideremos, porém, um quadro mais preocupante que atinge a classe média:
85% dos abusos sexuais acontecem dentro da casa, e são cometidos por pessoas próximas da família como amigos, tios, e gente de "confiança" da casa;
A maioria dos pais não consegue fixar limites saudáveis, girando sempre em torno do superprotecionismo ou de seu extremo, que é o descaso. Somos uma geração confusa tentando estabelecer limites que nem mesmo nós sabemos quais são, à próxima geração.
O índice de depressão infantil tem aumentado consideravelmente, parte disto é resultante do que os psicólogos têm chamado de "luto existencial", isto é, crianças que apesar de terem pai e mãe por perto, não possuem laços significativos de afeto e tem dificuldade para construir relações de intimidade;
O suicídio de pré-adolescentes e adolescentes constitui-se também num grande desafio. Numa das fases mais bonitas da vida, crianças não tem mais encontrado sentido nem razão de viver.
Com o aumento de divórcio, aumenta também a dificuldade dos pais em administrar seus conflitos pessoais, os novos desafios que surgem, e as demandas do filho que requer mais e mais a presença e atenção.