Na abordagem da tecnologia moderna existem dois tipos de pessoas: os analógicos e os digitais. A transição entre a geração analógica (Baby Boomers e à Geração X) para a geração digital (Millennials, Geração Z e Geração Alpha) representa muito mais do que uma mudança de tecnologias: é uma transformação no modo de pensar, relacionar-se, trabalhar e enxergar a realidade.
A inclusão digital da pessoa idosa é um dos grandes desafios sociais da atualidade. Embora a tecnologia ofereça um leque sem precedentes de facilidades, desde o acesso a serviços de saúde e bancários, a transição do mundo analógico para o digital impõe barreiras invisíveis para quem nasceu e viveu a maior parte da vida no modelo tradicional.
Ao idoso, foi dado a opção de se virar. Ele precisa resolver as coisas digitalmente, e as senhas são o caminho. Você já imaginou quantas senhas precisamos? Como funciona isto para alguém com mais de 60 anos? Ela não quer resolver as coisas digitando, conversando com uma máquina, mas gostaria de falar com alguém, mas isto é quase impossível. Tente ficar na linha esperando alguém para atendê-lo... Então, é preciso encontrar alguém para ajudar: Os filhos são impacientes; os netos, alheios. Imprimir um boleto, conseguir um documento, acessar o gov.br, fazer uma assinatura digital, ter uma carteira de motorista é complexo e desafiador. Para a geração digital são coisas simples de fazer, mas não é assim para os idosos, exceto alguns poucos que conseguem navegar com facilidade. A extinção de guichês presenciais e a substituição do atendimento humano por robôs em serviços essenciais (bancos, órgãos do governo, agendamentos médicos) criam um sentimento profundo de exclusão e desamparo.
Recentemente li um texto que revela bem a angústia de pessoas idosas: "Uma sociedade que obriga uma pessoa de noventa anos a usar um smartphone para acessar seus próprios direitos não é moderna: é uma sociedade que decidiu se livrar de seus idosos. Em 2026 tudo virou um aplicativo, um código, um portal. Mas quem construiu este país com as próprias mãos hoje se encontra analfabeto dentro da própria casa. Para marcar uma consulta ou pagar uma conta, é preciso um filho ou um neto - quando existe um. O sistema falhou. Isto não é inovação. É exclusão. A tecnologia deve ajudar, não selecionar quem tem direito à dignidade. Quando deixamos para trás aqueles que vieram antes de nós, não estamos evoluindo: estamos apenas nos tornando mais cômodos e mais egoístas."
Para construir uma ponte sólida entre a geração analógica e o universo digital, as propostas devem englobar políticas públicas, design inclusivo, educação voltada à longevidade e apoio comunitário. Nos Estados Unidos, pessoas com mais de 60 anos recebem seu código pelo correio na declaração de imposto de renda. Talvez algo semelhante pudesse ser feito com renovação de carteira de motorista e assim por diante, e incentivar o uso de biometria (facial ou digital) para evitar o desgaste do esquecimento de senhas complexas e mutáveis. Plataformas bancárias e governamentais devem oferecer modos de "operação assistida". A tecnologia deve ser uma alternativa de facilitação, não uma imposição excludente.

