quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Idosos e os desafios digitais



Estou pessimista!

 


Por natureza me considero otimista. Não me abato facilmente diante de situações complexas e sempre tenho a tendência de olhar o lado melhor das coisas e acreditar que o resultado, no final, será sempre bom. Eu me considero fleumático, com todas as variáveis negativas e positivas desta autodefinição.

Mas nestes últimos dias estou pessimista, incrédulo e cínico. Não em relação à minha fé, nem às minhas convicções religiosas, mas em relação ao Brasil. Estou assustado com as notícias, apesar de já termos passado por situações bizarras: Desacertos, corrupção, desmandos, autoritarismo em nome da democracia. Sinto-me impotente diante de tantas pessoas condenadas por causa do evento do 8 de janeiro. Já estive em manifestações públicas, como estudante e pastor, e se tivesse participado deste evento específico, poderia estar na cadeia cumprindo pena de 14 anos por ser um “terrorista”. Penas escandalosas e severas para atos de vandalismo e manifestação popular marcada pela balbúrdia.

Nesta semana, meu pessimismo aprofundou. Minha leitura é a seguinte: Depois das denúncias do Ministro André Mendonça, com o alinhamento do Poder Executivo, Sistema jurídico, incluindo ai ministros do STF, da Procuradoria Geral e até mesmo da respeitada Polícia Federal com os presidentes do Senado e do Congresso, na minha análise, Mendonça será condenado, e eventualmente irá para a cadeia por ter quebrado normas regulamentares do STF.

Você não precisa concordar comigo, mas precisa lembrar que no Brasil é fácil anular sentenças, questionar processos, absolver culpados e condenar inocentes através de artifícios legais e chicanas jurídicas. Além do mais, todos os poderes estão alinhados. Desta vez a imprensa conseguiu ser capaz de estabelecer alguma critica inicialmente denunciando as ações imorais da alta cúpula, mas se prestarmos atenção, é possível observar que já começam a questionar os motivos por ser um ano de eleição. 

Um ministro isolado, que decide denunciar um sistema comprometido por todos os lados será eventualmente condenado. Há muito interesse de todos os lados para que se preserve os culpados.

Quando fico abatido considerando estes fatos, me lembro de um relato bíblico: Judá foi cercado por uma aliança de exércitos inimigos numerosos (moabitas e amonitas), e diante do medo e da falta de recursos humanos para vencer a batalha, Josafá admitiu sua fraqueza, reuniu o povo em jejum e oração, e declarou: "Porque em nós não há força para resistirmos..., porém os nossos olhos estão postos em ti".

Pôr os olhos em Deus representa a total dependência do socorro divino quando as forças e as soluções humanas se esgotam. Em resposta à postura de fé e oração, veio a vitória. Deus afirma que a peleja não era deles, mas que ele mesmo lutaria pelo povo. Ao recordar esta passagem, tento desafiar a minha frágil fé e considerar que, diante deste cenário, precisamos de algo sobrenatural: um milagre que só um Deus vivo e poderoso pode realizar.

 

Descontentamento na Era da Abundância

 


A vitória não é para os fortes, mas para os que resistem


 

Um dos discursos mais célebres da história americana, proferido por Patrick Henry, em 1775, que ajudou a incendiar a Revolução Americana foi ("Give me liberty, or give me death!"). Uma das suas clássicas frases é a seguinte: "A batalha não é apenas para os fortes; é para os vigilantes, os ativos, os corajosos". Essa ideia também ecoa nos provérbios antigos e nos clássicos sobre resiliência, lembrando muito a máxima bíblica de que a vitória não pertence necessariamente aos mais fortes, mas a quem persevera e não desiste.

Nos momentos decisivos da vida, lutas pessoais ou grandes transformações sociais, o que define quem vence não é o privilégio da força bruta, do recurso abundante ou da vantagem inicial, mas a constância, a coragem de continuar em pé e a vigilância diante das adversidades. É a recusa absoluta à passividade. Quando tudo parece improvável, o que faz a diferença é a resiliência de quem se recusa a aceitar a derrota antecipada.

Muitas vezes, olhamos para os grandes desafios da vida, para crises prolongadas ou para projetos titânicos e pensamos que a vitória pertence exclusivamente àqueles que nasceram com privilégios, força inesgotável ou inteligência superior. Entretanto, a realidade histórica e a experiência existencial provam o oposto: a força bruta costuma ser explosiva, mas a resistência é duradoura.

Os fortes, aqueles que entram na batalha com todas as vantagens no papel, muitas vezes tropeçam na própria autoconfiança. A comodidade de ter recursos sobrando pode gerar fragilidade diante do primeiro imprevisto severo. Quem resiste não é, necessariamente, quem começou forte. É quem aprendeu a cair, a suportar o desgaste, a reorganizar a dor e a dar mais um passo quando o corpo e a mente imploravam para parar. Na maratona da vida, a consistência sempre vence a velocidade impulsiva.

Na maioria dos grandes conflitos, sejam eles institucionais, emocionais ou morais, vence não quem desfere o golpe mais forte, mas quem aguenta o último round. O tédio, a rotina esmagadora e as crises prolongadas tentam nos vencer pelo cansaço. A resistência é o ato de recusar a rendição silenciosa. É a decisão diária de continuar em pé quando o cenário ao redor parece estático e desfavorável.

É essencial manter os olhos abertos, a mente lúcida e a bússola moral intacta enquanto a tempestade sopra. Não permitir que as circunstâncias externas destruam a essência interior. Quando as estruturas ao redor desabam, quem resiste descobre uma força que não vinha do próprio talento inicial, mas da profunda obstinação de se manter fiel ao propósito.

No fim das contas, as maiores conquistas da história, e as vitórias mais silenciosas da nossa vida pessoal, não pertencem aos que nunca tiveram medo ou aos que nunca fraquejaram. Pertencem inteiramente àqueles que decidiram, apesar de tudo, permanecer irredutíveis e continuar resistindo.

 

 

A geografia da Itália é muito boa...

 


A Ética da Máfia



A era dos sem-vergonha