sábado, 24 de outubro de 2020

O Cuidado com a Terceira Idade


 


 

O envelhecimento populacional é um fenômeno global. Com novas drogas, melhores cuidados médicos, mais acesso à medicina moderna, as pessoas têm vivido cada vez mais. Se você vivesse na Idade Média, teria boa chance de morrer aos 32 anos ou menos porque esta era a expectativa de vida na época. 


O Ministério da Saúde afirma que o Brasil já possui a quinta maior população idosa do mundo e em 2030, o número de idosos ultrapassará o total de crianças entre zero e 14 anos. O número de idosos cresce 55% por década. No mundo, o número de pessoas com idade superior a 60 anos vai chegar 2 bilhões de pessoas até 2050. 


Isso obriga o governo a pensar em políticas públicas, saúde e aposentadoria. A Previdência Social precisa projetar os próximos anos e planejar sua estrutura financeira para atender essa demanda. Trazendo para o campo pessoal, isso nos obriga, também, a olhar com sensibilidade a questão dos idosos em nossas comunidades e famílias. 


Existe uma fronteira relacional que precisa ser vencida. Temos de lidar com pessoas idosas e ajudá-las em suas limitações. A nossa cultura, infelizmente, não trata os idosos com o mesmo respeito e dignidade presentes em determinadas culturas orientais. 


Tanto os textos sagrados como a dinâmica familiar nos levam a considerar com mais respeito os idosos. Precisamos defender uma cultura de honra. Na Lei Mosaica, os judeus eram ensinados a levantarem-se na presença dos idosos e honrar os anciãos (Lv 19.32).


Nem sempre é tarefa fácil cuidar dos idosos, mas os filhos devem ser encorajados a cultivar atitudes de respeito e cuidado com os mais velhos. Eles aprendem vendo os pais protegendo esse grupo de pessoas mais vulnerável. Levar os pais ao médico, tirar um tempo para conversar com eles, mesmo quando já contaram a mesma história 300 vezes, levar o bolo que eles gostam de comer, estar ao lado deles e fazer caminhadas, no ritmo delesé sempre muito importante. 


Precisamos aprender que, na velhice, quando a funcionalidade diminui, é que o amor pode ser provado e aprovado, pois mostra que nos interessamos pela pessoa apenas por ser pessoa e não pelo aspecto utilitário e produtivo que, infelizmente, sempre esperamos dos outros

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Estes são grandes desafios que teremos de enfrentar: cuidar, proteger, valorizar, respeitar e honrar nossos idosos. Tudo isso é salutar e terapêutico. Traz dignidade e humanidade.

Borderline



O termo “bordeline” tornou-se, nesta semana, um dos mais pesquisados no “Googletrends”, que registra os assuntos mais relevantes da Internet. As características desse transtorno vão da impulsividade (incluindo a violência) às oscilações de humor, passando pela insônia e irritabilidade, levando a pessoa a ter uma forte tendência ao consumo abusivo de álcool, remédios e drogas. Transtornos alimentares também estão associados.


Em outras palavras, a pessoa com esse transtorno de personalidade é alguém intragável. Em alguns casos, é quase impossível conviver com ela. Muitas vezes o comportamento existe porque a pessoa foi exageradamente mimada na infância e desde cedo aprendeu que, com birra, mau humor e agressividade conseguiria o que queria. Naturalmente podemos entender que alguns destes comportamentos também podem estar associados a uma disfuncionalidade ou à violência reativa ao tratamento recomendado, que não é medicamentoso e sim terapêutico.


Um dos tratamentos mais eficazes tem sido a terapia em grupo por razões claras: a pessoa precisa aprender a dialogar, ouvir opiniões diferentes, lidar com frustrações e discordâncias, bem como aprender a controlar seu impulso de gritar, de perder o controle, elaborando melhor suas reações de humor. 


Embora não seja possível ignorar doenças mentais e transtornos como o da ansiedade, bipolaridade e borderline, temo que estejamos terapeutizando, excessivamente, comportamentos inadequados, dando nomes bonitos e sofisticados a atitudes feias e deselegantes. Por exemplo: o déficit de atenção pode justificar o garoto indisciplinado e displicente, mas, será que toda desatenção e dificuldade de se concentrar e estudar pode realmente ser explicada pelo déficit de atenção? 


Da mesma forma, será que toda pessoa desequilibrada, que gosta de “rodar a baiana”, fazer um barraco”, armar confusão e escândalo, dar show e xilique, ter ataque nervoso ou histérico, faniquito e fricote pode ser justificada pelo transtorno de personalidade conhecido como bordeline? Mais uma vez, não quero negar o transtorno, mas, sim, questionar se tais atitudes não poderiam se tornar um meio de vida! Ou seja, questiono, apenas, se tais comportamentos não seriam uma fórmula infantil de resolver as coisas e lidar com frustrações e perdas.

Um conselho a mais para você que se justifica psiquiatricamente: ninguém é obrigado a lidar com seus desatinos e grosserias, seja qual for o nome que você queira dar para se justificar. Então, se você percebe que realmente tem algum problema grave de distúrbio comportamental, procure ajuda profissional. Agora, se isso é apenas uma forma de perpetuar o seu mau humor e instabilidade, fique atento, porque você pode perder não só quem você ama, mas também pessoas que amam você, como diz Chico Buarque: “Se você vai ficar enrustido, com esta cara de marido, a moça é capaz de se aborrecer. Detrás de um homem triste há sempre uma mulher feliz, e detrás desta mulher há sempre homens tão gentis...”

Hoje Comecei Mal o meu Dia!



 

Sabe aqueles dias nos quais tudo parece dar errado? Pois bem, isso aconteceu comigo na semana passada. Supersticiosos diriam que “levantei com o pé esquerdo”. 


A primeira noticia do meu dia foi o fato de que tinha cometido uma terrível gafe em um dos meus grupos de Whats AppGafe diz respeito a uma palavra impensada, indiscreta, desastrada que cometemos numa indiscrição involuntária. Era uma gafe perdoável? Sim. Entretanto, gerou um mal-estar profundo. Foi assim que me senti. Não sei se já aconteceu contigo, mas quanto mais você tenta se explicar, pior fica...


Em seguida fui à panificadora e dei uma nota de R$50,00. Sabia disso porque tinha levado este valor para trocar o dinheiro e pagar a pessoa que trabalha conosco. Ao chegar em casa, percebi que a atendente da panificadora havia me devolvido apenas R$1,00, quando deveria ter me passado R$41,00. Voltei e me expliquei, ela entendeu... mas é sempre chato, ?


Depois tive que lidar com outra situação aborrecedora, tendo que administrar conflito em um outrogrupo do Whats. Era uma discussão inócua, reincidente, ânimos acirrados, defesa e acusação... a situação realmente ficou desgastante e importuna e eu não podia simplesmente desligar o botão e sair. 


Não bastasse isso, entrei num aconselhamento com uma pessoa controladora. Ela quer controlar a família, osfilhos, o conselheiro e até mesmo Deus. Em geral administro essas coisas muito bem, mas eu simplesmente não estava disposto a ouvir mais uma vez, nem dar as mesmas respostas às mesmas perguntas. Nestas horas é fácil agirmos sem sabedoria e paciência. Eu não queria ampliar minha chatice.


A estas alturas acho que o chato era eu mesmo... Já ouviram a frase do J. Quest: “Eu quero ficar só, mas comigo só eu não consigoDecidi então ouvir uma música para me acalmar. Que tal Sossega, da banda Canção e Louvor? Ainda assim, meu agitado coração não se acalmou. Procurei orar e o fiz, mas meu coração permanecia agitado demais... Ao conversar com minha esposadisse: “Hoje comecei mal o meu dia!” e ela me respondeu“O dia começou mal, mas não precisa terminar mal.” 


Então, minha oração no meio daquela manhã tornou-se a seguinte: “Senhor, transforma este dia de tantos desencontros num dia abençoado. Que eu seja benção para as pessoas, que o Senhor me torne produtivo, abençoado a abençoador.” 


Certamente meu dia não foi dos melhores, mas descobri que um dia que começa mal, não precisa terminar mal. Experiências negativas não podem determinar meu humor nem como será o restante do meu dia.

Assédio, Racismo e Preconceito



 

Os três termos deste título evocam dores, feridas e ressentimentos e deveria ser assim mesmo por causa do caráter repulsivo, ferino e destrutivo próprio de tais práticas.


Assédio é todo comportamento indesejado, de natureza ofensiva, que importuna ou perturba e é caracteristicamente repetitivo. O assédio sexual refere-se a avanços sexuais persistentes e não solicitados, normalmente no local de trabalho, onde as consequênciasda recusa são potencialmente prejudiciais para a vítima. Existem ainda vários outros tipos de assédio, como o moral e o virtual.


Racismo é a crença que pessoas possuem características inatas, biologicamente herdadas, que determinam seu valor. Neste caso, o “sangue” é a identidade da pessoa e seu valor não é determinado por qualidades e defeitos individuais, mas pelo seu pertencimento a uma cultura. Assim, as “raças” são hierarquizadas como superiores ou inferiores. 


Preconceito é uma opinião desfavorável não baseada em dados objetivos, mas por conceitos formados antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial. O preconceito pode ocorrer por uma determinada afiliação política, gênero, crenças, valores, classe social, idade, deficiência, religião, sexualidade e nacionalidade. 


O problema é que, em uma sociedade obcecada pelo “politicamente correto”, as coisas têm se tornado desproporcionais, como a crítica recente feita pela jornalista Glória Maria. É Glória quem diz: "Nesses últimos anos, explodiu essa questão do assédio moral e sexual. Eu acho isso tudo, basicamente, um saco. Por exemplohoje, tudo é racismo, tudo é preconceito... Eu, até hoje, na TV, tenho meus câmeras antigos, os técnicos que estão comigo há 40 anos, todos me chamam de 'Neguinha'. Eu nunca me ofendi, nunca me senti discriminada. Me chamam de uma maneira amorosa, carinhosa. É claro que se falam 'Ô, nega', não sei o quê, é outra coisa."


E Glória Maria continua: "Então, hoje, tudo é preconceito, tudo é assédio. Está chato. Estou há mais de 40 anos na televisão. Já fui paquerada muitas vezes, mas nunca me senti assediada moralmente. Acho que o assédio moral é uma coisa clara, não tem dubiedade. Não tem como você interpretar. O assédio é uma coisa que te fere, é grosseiro, te machuca, te incomoda, te desmoraliza, agora, a paquera, pelo amor de Deus... Os homens estão com medo. Nós mulheres sabemos bem fazer a diferença de uma paquera para o assédio, um abuso sexual".


"Acho que politicamente correto é o caráter, a honestidade, a sua capacidade de olhar para o outro. Isso é politicamente correto. Agora, esse mundo em que a gente está, que vem muito da amargura das pessoas, da frustração, isso eu não gosto, não aceito. Nessa eu não entro, não, sob nenhuma hipótese", completa a jornalista.


Sabemos que, infelizmente assédio, racismo e preconceito devem sempre estar na agenda de um povo civilizado. Estabelecer a diferença em tais situações requer sensibilidade e sensatez. O que nem sempre acontece.

Você se Considera uma Pessoa Feliz?



 

A felicidade tem sido debatida e buscada de muitas formas. Na verdade, o alvo da vida, sob o ponto de vista antropológico, é a felicidade. O que mais podemos desejar além da felicidade? Quando tomamos decisões, sejam elas conservadoras ou liberais, o fazemos porque cremos que, de alguma forma, em última instância, ela nos trará felicidade. 


Mesmo decisões erradas são uma desesperada busca por sentido, significado, prazer e alegria. Não queremos a infelicidade, mas, equivocadamente, podemos tomar decisões que trarão tristeza e desgosto. 


Perguntaram ao teólogo e filósofo Leonardo Boff, que recentemente completou 81 anos, qual seria o caminho para a felicidade e ele respondeu: “Não gosto muito desta terminologia, afinal, a felicidade pode ser algo muito fugaz como aquele que se sente feliz depois de uma dose de cocaína. Creio que a pergunta seria esta: você se sente realizado com sua vida, com quem convive e com o que faz? O que empenha na sua autorrealização? Esse caminho é mais longo, lentamente vai se construindo. E, se tiver realizado uma identidade bem-sucedida, tem como resultado uma felicidade serena e segura. Numa figura do poeta gaúcho Mário Quintana: "se quiseres pegar borboletas, não corras atrás delas, mas plante um jardim. No jardim plantado com carinho está a felicidade e não nas borboletas.”


Felicidade não é um êxtase provisório, mas um sentido de plenificação, de estar no lugar certo, fazendo aquilo que poderia e deveria estar fazendo. A idade, a condição social, o ambiente no qual fomos criados trazem limitações, mas elas não têm o poder de reduzir a felicidade. 


Jesus afirmou que “a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui”. Não é o que temos,o que conquistamos, nossa posição social ou o status que nos garante felicidade, mas o estado de alma, que se sente pleno sendo o que é, que traz felicidade.

A História nos Observa



 

Esqueça as críticas que você sofre hoje, os julgamentos efêmeros que as pessoas fazem sobre sua vida. Esqueça o que falam da política e os malfadados recados das fake news que você recebe. Esqueça o que atualmente tem sido dito sobre Bolsonaro, Moro, Dilma e Lula e todas as narrativas que cada um oferece ao público. Quem dará o veredito final sobre todos os eventos atuaisserá a história. A história nos observa e é capaz de desmascarar as defesas atuais dos poderosos, além de denunciar os atos sinistros de gente aparentemente boa. A história tem um olhar sobre cada um de nós e ela dará o veredito.


Recentemente, assisti na Netflix à série chamada TheKeepers. Ela explora o assassinato não resolvido da enfermeira Catherine Cesnik em 1969, que descobriu os abusos cometidos na tradicional escola onde ela lecionavaem Baltimore, Estado de Maryland, EUA.  Capelão da Escola, A. Joseph Maskell abusava sexualmente das garotas que demonstravam fragilidade emocional. Seu nível de maldade e seus esquemas eram malignos, mas seu poder religioso e suas conexões com o poder o mantiveram protegido por muitos anos até que,finalmente, foi denunciado e condenado por suas agressões. A história tem o poder de trazer à tona o lado cruel e silencioso dos crimes perfeitos e conchavos dos poderosos. A história denuncia.


Então, a respeito do que você faz hoje, somente as pessoas que virão depois de você contarão a verdadeira história. Você pode encobrir, falsificar, enganar, mas será denunciado e receberá o veredito. Pode levar anos, mas a história contará toda verdade. 


Talvez seja isto que Jesus queria nos ensinar ao dizer: “Pois nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça!” (Mc 4.22-23). A verdade sempre se revela e aparece. E ela não se submete aos esquemas e manipulações. Ela é imparcial e fria emsua análise.


Então fica um alerta para cada um de nós. Seus filhos e netos é que saberão contar sua história. Ela pode ter uma boa camuflagem, um bom enredo, mas não enganará as gerações que virão após você. Sua biografia está sendo escrita e você pode tentar colocar as tintas e cores que achar mais favoráveis, mas não se engane! A história realmente te observa. É melhor começar a escrever uma biografia marcada por integridade e honestidade. O seu legado, bom ou ruim, está sendo deixado e ele atinge gerações. 


A próxima geração contará a sua história!

Halloween ou Thanksgiving Day?


 


É típico de países 
colonizados a criação de uma certa dependência financeira, emocional e cultural dos países dominadores ou de outras culturas. Isto é perceptível no Brasil, embora não se trate apenas de nossa realidade. Muitos outros países também se subordinam à força cultural de outros.


O Brasil é rico em mitos e folclores, mas,lamentavelmente, tem importado cada vez mais as lendas de outros povos. O Halloween ou dia das bruxas, por exemplo, tem se tornado parte da agenda escolar das crianças. Elas são encorajadas a se vestirem e reproduzirem um folclore que, embora seja universalmente conhecido, é tipicamente americano.


O Dia das Bruxas é uma celebração observada em vários países, é dedicado a lembrar os mortos e tem sido comemorado no dia 31 de Outubro. Entre as atividades de Halloween mais comuns estão festas e o uso de fantasia, decoração das casasconfecção de lanternas de abóboras, fogueiras, jogos de adivinhação, participação em atrações “assombradas",  histórias assustadoras e a prática de assistir filmes de terror. Afinal é o dia das bruxas.


Nestas horas, certas comichões e reações alérgicas brotam. Se estamos propensos a importar, por que não importamos aquilo que há de melhor? Por exemplo: o Thanksgiving Day (Dia Nacional de Ações de Graças) é o maior feriado americano. Embora suas origens sejam cristãs, esta festa foi incorporada ao calendário de todas as religiões e, de fato, é o único dia em que a nação americana fecha as portas - até mesmo de supermercados e shoppings - para as famílias se reunirem. Boa parte daqueles que professam alguma forma de fé interrompe suas atividades para agradecer. A celebração ocorre na quarta quinta-feira de novembro.


É um dia dedicado à gratidão a Deus! São feitas orações e festas para agradecer pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano. A data surgiu no Nordeste americano entre os cristãos e a primeira celebração foi feita pelos colonos que, em 1620, fundaram uma vila em Plymouth, MA. Eles tiveram uma boa colheita, mesmo depois do inverno rigoroso. A partir daí, aquela vila decidiu comer ao ar livre em grandes mesas anualmente.



Se temos que importar elementos de outra cultura, não seria mais apropriado o Dia Nacional de Gratidão a Deus que o Dia das bruxas e de celebração aos mortos? Parece-me haver uma forma de distorção endêmica que poderia ser minimizada se tivéssemos um olhar mais atento. Enfim... isso é apenas um desabafo e você, leitor, faz desse meu desabafo o que lhe parecer bem!