quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Consciência
Uma boa consciência é fundamental. Um cristão não pode se dar ao luxo de tratar sua consciência sem cuidado, porque quando se rejeita a boa consciência, tratando-a com indiferença, corre-se o risco de sua cauterização, e a partir daí, fazer o mal sem perceber a gravidade da atitude, impedindo que ela funcione como um saudável alerta, que previne de erros. Consciência é como o termômetro do corpo, que ao ter uma infecção, revela-se na febre. Febre não é a doença, mas aponta para algo biologicamente errado. Quando a pessoa se sente culpada, e ainda assim continua cometendo o mesmo erro, corre o risco de mais tarde, cometer tais delitos e já não se sentir incomodado pelo que faz. Neste caso, perde-se a sensibilidade e se destrói a saúde da consciência, o termômetro da moral.
Precisamos admitir que ter boa consciência nem sempre é fácil. O que fazer numa sociedade que perdeu a compreensão do que é certo e errado e relativiza a ética? Vivemos dias em que é fácil se sentir culpado daquilo que não se é culpado ou se sentir absolvido de coisas que são erradas. É possível ter sentimento de culpa sem culpa e culpa sem sentimento de culpa.
Festo Kivengere, bispo Anglicano de Kigenl, Uganda, numa reunião de liderança eclesiástica, contou a seguinte história que impactou profundamente o auditório:
“Meu tio, o chefe de uma tribo, estava em reunião com o conselho da comunidade, quando um homem se aproximou do grupo e lhe fez uma mesura à maneira africana. Aquele homem possuía muito gado e todos sabiam na região que ele que também invocava espíritos demoníacos dizendo que era de parentes falecidos e dos ancestrais. Trouxera consigo oito vacas, que deixara a uma pequena distância do grupo que estava reunido”.
-"Vim, aqui por um motivo, Sr. chefe" disse ele.
-"Para que trouxe gado ?" Meu tio lhe indagou.
-"Senhor chefe, aquelas vacas são suas”.
-"Como minhas? Que quer dizer com isso?"
-"Elas lhe pertencem, quando eu tomava conta do seu gado, roubei quatro vacas. Elas agora são oito.Vim devolvê-las".
-"Quem o prendeu?" Perguntou o chefe.
-"Jesus me prendeu, senhor chefe, ali estão as suas vacas". Respondeu-lhe o homem sem titubear, mas com a cabeça baixa.
Ninguém riu, todos guardaram silêncio. Meu tio podia perceber que aquele homem estava em paz consigo mesmo e se sentia alegre.
-"Pode me prender ou mandar que eu seja açoitado" disse o homem, "mas estou liberto. Jesus veio ao meu encontro e agora sou um homem livre."
-"Bem, se Deus fez isto em sua vida, quem sou eu para prendê-lo? Vá para sua casa".
Dias mais tarde, tendo ouvido a respeito do caso, fui conversar com meu tio.
-"Tio, ouvi dizer que ganhou oito vacas de presente?"
-"Sim", confirmou ele, "realmente ganhei"
-"Deve estar satisfeito"
-"Nem fale nisto! Depois da visita daquele homem, não tenho dormido bem. Para conseguir a paz que ele alcançou eu teria que devolver cem cabeças de gado!"
O grande legado
O próximo domingo é o dia dos pais, e nada mais oportuno que falar de legado. Muitas pessoas confundem legado com herança. Legado são marcas de caráter e integridade que passam aos filhos e netos; princípios que são transmitidos na vivência familiar, muitas vezes de forma silenciosa, mas perceptível. Herança se relaciona a bens, posses e recursos. Qual tem sido o nosso legado?
William James declara que “o melhor uso que se pode dar à vida, é empregá-la em algo que sobreviva a ela”. Estamos deixando aos filhos um legado ou uma herança? O que dou aos meus filhos ou o que faço por eles não é tão importante quanto as marcas que deixo em suas vidas.
Legado é tudo o que você transmite hoje. “Tudo o que você é e possui hoje, de bom ou ruim, é o seu legado” (Paul Meyers). Os rastros silenciosos e sulcos da alma de nossos filhos e filhas é que realmente interessa, afinal, “nada que valha a pena fazer se completa durante nossa vida” (Reinhold Niebuhr).
Um bom legado possui algumas características: Primeiro deve se basear em princípios divinos. A referência de valor, ética e moral, se fundamenta em princípios eternos. Apesar de sermos uma sociedade que deseja negar absolutos, e que relativiza princípios essenciais, virtudes como amor, justiça, misericórdia, integridade, honestidade, nunca perdem sua validade. Não existe uma corte que juridicamente possa conspirar contra estes eternos princípios. Eles se firmam em Deus.
Segundo, deve produzir resultados duradouros. Quando nosso legado é superficial ou sujeito a questionamentos, ele se perde no julgamento da história e é ridicularizado com o passar do tempo. Governos injustos podem criar leis de injustiça e perversidade, mas serão implacavelmente julgados pelas futuras gerações. Gestos e comportamentos paternos de hoje serão submetidos ao crivo de filhos e netos que virão. Que resultados o meu legado produzirá na minha posteridade?
Um legado precisa ainda ser aplicável a todos. Ele é universal, e apesar das culturas e divergências das gerações ultrapassa a história e o tempo. Valores não perdem sua validade com o passar do tempo, o que é transitório não pode ser considerado um princípio. A verdade não está no novo nem no velho, mas no eterno.
Por isto é muito importante pensarmos sobre o legado que estamos deixando. A Bíblia afirma que “o homem de bem deixa legado aos filhos de seus filhos” (Pv 13.22). Paternidade se relaciona exatamente a este legado. Precisamos de pais, que formem identidade de valor, de cidadania e referência ética nas próximas gerações. Um grande país começa com grandes pais.
Sorvete é bom para a alma
O pai levou o filho de apenas seis anos ao restaurante, e ele perguntou se poderia agradecer a Deus o alimento. Quando curvaram a cabeça ele orou: “Deus é bom! Deus é grande! Obrigado Senhor pela comida, e eu vou lhe agradecer ainda mais se a mamãe me der sorvete para a sobremesa. Que todos possam ter liberdade e justiça. Amém!”
Algumas pessoas que estavam próximas e ouviram a oração, começaram a rir, mas uma mulher o criticou dizendo: “É isto que está errado com as crianças de hoje, elas banalizam a Deus. Crianças de hoje não sabem nem como orar. Como é possível pedir a Deus que lhe dê sorvete?”.
Ao ouvir isto, o garoto começou a chorar e perguntou: “Será que fiz alguma coisa errada? Deus está zangado comigo?”. O pai o pegou no colo e lhe assegurou que o que ele tinha feito fora maravilhoso e que certamente Deus não estava zangado, e um senhor idoso aproximou-se da mesa, fez uma brincadeira e disse: “Eu estou certo que Deus achou sua oração uma grande oração”. E o garoto perguntou: “Tem certeza?”. E ele respondeu: “Realmente você tocou meu coração”, e cochichando com ele disse de forma teatral. “Fico com pena dela, porque nunca pediu sorvete a Deus. Um pouco de sorvete é muito bom para a alma”.
Naturalmente os pais compraram o sorvete para o filho depois da refeição. Ele então olhou atentamente para o sorvete por alguns instantes, e depois fez algo que a gente jamais vai esquecer. Pegou o mesmo, e sem uma palavra, caminhou em direção àquela mulher e colocou o sorvete diante dela e com um grande sorriso disse: “Tome, é para você. Sorvete é muito bom para a alma, e minha alma já está bem”.
Não raramente fico surpreso com a forma amorosa como Deus nos trata. Deus tem enorme prazer em atender seus filhos, mesmo em coisas que são simples. Dois textos da Bíblia me fazem pensar desta forma: O primeiro, quando Jesus afirma: “Se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará coisas boas àqueles que lho pedirem”. Como um Pai, ele tem prazer em nos alegrar. O segundo texto diz o seguinte: “Agrada-te do Senhor, e ele satisfará aos desejos do seu coração”. Ele não está falando de necessidades, mas de desejos. A Bíblia afirma que Deus, através de Jesus, vai satisfazer cada uma de nossas necessidades, mas desejos nem sempre são necessários. Desejos são os “supérfluos necessários”, entre eles eu coloco o sorvete e o chocolate. Não precisamos deles para viver, mas dão enorme satisfação quando podemos desfrutá-los. Nesta categoria talvez você pense em outras coisas, igualmente agradáveis.
Lembre-se, porém, Deus ama você! Sorvete ainda continua sendo muito bom para a alma!
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Por que os homens não crêem?
O Evangelho de João é o mais denso e profundo entre todos. Enquanto os demais se concentraram nas narrativas dos milagres, curas e atos de Jesus, os escritos joaninos deram ênfase aos discursos elaborados de Jesus.
Em Jo 12.37-43, o evangelista dá duas explicações para a incredulidade e dúvida que pairava no coração dos ouvintes de Jesus, apesar de todas as evidências e milagres. A primeira razão era de natureza teológica; a segunda, prática.
Natureza Teológica – O texto afirma que Deus “Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam salvos” (Jo 12.40). Então, muitos não creram por causa da eleição divina, pelo misterioso propósito de Deus de fazer apenas os seus escolhidos crerem.
Esta afirmação é confirmada nos discursos de Jesus:
i. Quando Pedro fez sua declaração de fé acerca da identidade de Jesus, ele lhe disse: “Bem aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne nem sangue quem te revelou, mas meu Pai que está nos céus” (Mt 16.17).
ii. Jesus afirma peremptoriamente: “Não fostes vós que me escolhestes a mim: pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto” (Jo 15.16). Salvação é obra de Deus.
A mesma visão encontra-se em muitos outros textos do Novo Testamento:
i. Em At 13.48, no relato inspirado lemos: “E creram todos quantos haviam sido destinados à vida eterna”.
ii. Em 2 Ts 3.2: “Porque a fé não é de todos”.
iii. No controvertido texto de Rm 9, Paulo afirma: “Logo, tem ele misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz” (Rm 9.18).
iv. O autor aos hebreus afirma que Jesus é o autor e consumador de nossa fé (Hb 5.9).
Natureza prática: O segundo aspecto mencionado no texto de João é que alguns creram (fé não salvadora), mas não se comprometeram para não perderem benefícios humanos. Temiam ser expulsos da sinagoga, e queriam a reputação social e aceitação pública que recebiam. O problema destas pessoas é que “amaram mais a gloria dos homens do que a glória de Deus” (Jo 12.43).
Neste caso, estavam convencidos da divindade de Cristo, tinham assertividade intelectual, mas não o seguiram porque isto implicava em perder privilégios humanos.
Concluindo podemos afirmar: Fé é dom de Deus. O Espírito Santo é quem no-la concede. Faz parte dos decretos de Deus. Também é necessário que se pague o preço. Aquele que considera a glória humana mais importante que a de Deus, nunca se tornará um discípulo de Cristo.
Desafios da Igreja no Século XXI
A Igreja de Cristo sempre teve grandes desafios no decorrer da sua história, e em cada geração, teve que responder às questões e necessidades que surgiam. A Bíblia afirma que “tendo Davi servido à sua própria geração, adormeceu” (At 13.36). Ele não foi chamado por Deus para exercer seu ministério e testemunho em outra geração. Seu chamado era para seu tempo.
No Século XXI, são inúmeros os desafios. Enumeramos alguns deles para refletirmos durante o mês
Dia 1 de Julho: Desafio Apologético – Desafio Comunitário – Resgatando o sentido de viver em comunhão.
Dia 8 de Julho: Desafio Missionário – Olhando o mundo como alvo do amor de Deus.
Dia 15 de Julho: Desafio da Compaixão – Estendendo a mão aos que sofrem
Dia 22 de Julho: Desafio Terapêutico – Curando as feridas de uma sociedade aflita.
Dia 29 de Julho: Dando respostas honestas a perguntas honestas.
Espiritualidade Vazia
Muitas vezes nos surpreendemos com bizarras atitudes e comportamentos religiosos vazios, mas que são tão aceitos pela sociedade, e ficamos nos perguntando como é que o homem sem Deus tem esta propensão para o misticismo, mas não para Deus. “É uma marca dos que perecem, não reconhecer as coisas que conduzem à salvação”.
Recentemente, lendo famosos sermões de grandes pregadores na história da igreja, me deparei com S. João Crisóstomo, um dos chamados “pais da igreja”, que recebeu a alcunha de “boca de ouro” pela sua eloqüência, sendo considerado o mais vibrante pregador depois da era apostólica, até os cinco primeiros séculos da igreja de Cristo. Ele nasceu em Antioquia (347-407), aceitou o evangelho pela influência de sua piedosa mãe, Anthusa, e foi ordenado sacerdote em 356, sendo posteriormente nomeado bispo. Ao lê-lo, apesar de tão distanciado no tempo, fiquei surpreso ao verificar como a sociedade de então, do ponto de vista espiritual, se parecia tanto com a atual.
“De fato, uma noite densa oprime todo mundo. Isto é o que devemos combater e confrontar. É noite não apenas entre heréticos e filósofos, mas também nas multidões ao nosso redor, em relação às doutrinas e à fé. Muitos não crêem na ressurreição; muitos firmam suas vidas em horóscopos e aderem a superstições, augúrios e presságios. Alguns se agarram a amuletos e penduricalhos místicos”.
O relato de Crisóstomo, no Séc. IV, é similar ao que presenciamos hoje. A nossa sociedade é mística e religiosa, mas ainda assim, pagã na sua essência, tola em suas crenças e convicções.
A Palavra de Deus nos diz que “O deus deste século, cegou o entendimento dos incrédulos” (2 Co 4.4). Veja que este “Deus” está em letra minúscula, referindo-se a forças espirituais, entidades e demônios, que conspiram contra o verdadeiro Deus, atraem os homens à crendice, afastando-os da iluminação espiritual que vem do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Esta é a essência da espiritualidade vazia. Os ídolos não satisfazem a alma. Os ídolos nos seduzem e atraem, nos afastam de Deus e nos enganam.
Raízes de uma fé duradoura
Para Kurt Bruner e Steve Stroope, há quatro raízes para uma fé duradoura na vida familiar:
1. Nossa fé pessoal – Pais precisam ter convicções claras para transmitir aos filhos e netos. Muitos pais querem que os filhos creiam, mas eles mesmos não se comprometem com a fé cristã. Quando os pais estão realmente enraizados em Deus, os filhos aprendem em casa a amar a Bíblia, orar e se comprometer com o povo de Deus (2 Tm 1.5);
2. Nossa Identidade – A confusão nos papéis de meninos e meninas na sociedade atual tem a ver com o fato de que as famílias não possuem uma matriz segura. Identidade sexual é aprendida no exercício dos papéis que são vistos nos pais. Ali se forma a compreensão clara da graça e alegria em estar identificado com o chamado de Deus (Gn 1.27;
3. O caráter – Esta é a terceira raiz. Caráter é formado no ambiente em que se vive. Princípios, valores e exemplos são elementos que ajudam a delinear comportamentos e atitudes (Fp 2.22);
4. Propósito de vida – Toda pessoa deve ter um senso de propósito e família ajuda a construir este significado maior, que vai além de conquistas e acúmulos de bens. Lares cristãos precisam ensinar seus filhos que “o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.
Toda boa e frondosa árvore, precisa de raízes para que seus galhos cresçam com segurança. Por esta razão, a família precisa estar alicerçada em Jesus Cristo e nas suas palavras, para que a casa não venha a ruir diante dos vendavais.
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