Uma das questões filosóficas e teológicas clássicas na história da humanidade é o papel da revelação e razão no saber humano. Seria possível conhecer, apreender, através de um saber intuitivo e místico que vá além da razão? Isto é, seria possível que forças sobrenaturais nos revelassem verdades que a mente não seria capaz de abstrair?
Na linguagem de Brown, revelação significa o que Deus falou acerca de si mesmo; refere-se ao fato de que o metafísico apresenta verdades que de outro modo não seriam conhecidas. A razão, é o processo de alcançar uma compreensão a partir de fatos e declarações que passam pela epistemologia e podem ser objeto de discussão lógica, e que desta forma poderia ser transmitida a outras pessoas.
Pensando em revelação, três questões são essenciais. A fundamental é: "será que Deus se comunica ou tem interesse em falar conosco?" A segunda: "se Deus fala, é possível saber o que e quando?" A terceira: "se Deus fala, não seria interessante procurar ouvi-lo?"
Existe uma diferença sutil entre o pensamento do ateu e do agnóstico. O ateu afirma: "Não há Deus!", portanto, esta hipótese filosófica não existe. O mundo assim seria entregue à sorte e a azar, sendo um subproduto do acaso. Não há providência, nem teleologia, a história seguiria um movimento cíclico e espiral, sem nenhum propósito maior a não ser repetir-se indefinidamente.
O Agnóstico diz: "Deus existe, mas ele é um poder frio e silencioso". Um ser distante. Portanto, apesar de sua realidade ontológica, ele não interfere no curso da história, não ouve orações, não possui identificação com a humanidade sendo alheio às suas dores, aflições e angústias e, por isso, continuamos no vácuo de nossa fútil existência histórica.
O pensamento cristão afirma que Deus existe e que oração é um poder revolucionário, transformador, já que se dirige ao trono daquele que governa todas as coisas. Assim, "orar é perigoso", como disse o teólogo alemão Emil Brunner. Deus ouve, vê, julga os oprimidos, e apesar da aparente vitória dos ímpios, ele vai julgar a terra, indivíduos e nações. O cristianismo afirma também que Deus falou na história, muitas vezes, aos pais, pelos profetas, e que nos últimos dias nos falou por meio de seu filho Jesus (Hb 1.1-3).
Revelação é uma linguagem cristã. Deus não apenas existe, mas ele interage na história geral e particular. Ele se revela, habita num alto e sublime trono, mas participa de nossas lágrimas, ouve nossas orações e atende aqueles que clamam por sua ajuda, trazendo salvação, restaurando o cansado, renovando as forças do aflito.
A razão, sem a revelação, torna-se um saber incompleto, vê apenas um lado da vida, sendo limitado para lidar com questões que exigem respostas aos arquétipos e ao sentido da vida humana. Perder a dimensão da revelação é olhar para a vida sob uma única perspectiva. Conhecer a Deus e ser conhecido por ele faz uma enorme diferença na apreensão do saber.
Há muito saber não acessível à razão: saber intuitivo, místico, sobrenatural, emocional. Por isto o apóstolo Paulo falava: "cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente". Articular esta ponte entre a lógica humana e o saber revelado, poderia ser algo revolucionário em nosso ser interior.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006
O homem invisível
Um dos maiores problemas do ser humano é o sentimento de exclusão e indiferença. Nada pode ser mais cruel para a alma que o descaso e o abandono. Jean Paul Sartre, um dos pais do existencialismo francês afirmou: “Se não nos olham, secamos”.
Esta é a temática recente de um texto de Gilberto Dimenstein, conhecido articulista da Folha de São Paulo, no seu livro com título despretensioso e vago, “O Mistério das Bolas de Gude” (Papirus), no qual narra histórias de invisibilidade e encantamento.
Este é o seu terceiro livro de reportagens, em que registra casos de pessoas excluídas da sociedade e que foram “despertadas” passando a estabelecer uma relação de pertencimento com o mundo. Para ele, a invisibilidade é a principal causa da violência, maior ainda do que a pobreza. “O que gera a violência é a sensação de não ter conhecimento, de não pertencer a sociedade”. A tese é corroborada por casos documentados em 16 anos de investigação jornalística.
Dimenstein afirma que em Nova York, capital onde viveu por três anos, assistiu a uma série de iniciativas de inclusão social que reduziram a violência. “Não era apenas só dar grana, era oferecer meios para as pessoas se expressarem por meio da dança, da música, da poesia, do esporte”.
Um dos fantasmas presentes ao homem urbano é o do anonimato. Você pode viver ao lado de pessoas com as quais você nunca conversa. Ter um apartamento que percebe ruídos do outro lado e nem ainda assim saber que face têm os seus vizinhos e muito menos identificar suas dores e dilemas. Vivemos sós em grandes cidades, trabalhamos compartimentalizados e segmentados. Isto traz outras crises de alma como a despersonalização e alienação.
É o fenônemo da invisibilidade. Não ser percebido pelo outro e não ter alguém que nos olhe. A necessidade de sermos vistos é tão grande que certas crianças provocam em seus pais diferentes atitudes de irritabilidade para chamar-lhes atenção, ainda que isto lhes cause alguma dor e disciplina. A punição assim torna-se uma reação neurótica, mas ainda preferível à indiferença e ao abandono psicológico.
Jung afirmou que “o vazio é a maior neurose da humanidade”. Este vazio pode perfeitamente ser identificado com esta ausência de sentidos e de significados, um relacionamento de excluídos, a invisibilidade. Todos nós precisamos estabelecer uma relação de pertencimento com o mundo e com o cosmos.
Gostaria de concluir esta questão, analisando o que se convencionou chamar de “vazio cósmico”. Neste caso, a invisibilidade encontra matizes na relação com o universo e com a sacralidade humana. Muitos de nossos conflitos poderiam ser resolvidos se, ao menos, pudéssemos entender que o nosso cósmico não é impessoal, vazio e frio, mas que ele possui uma referência a-histórica e sobrenatural em Deus. A Bíblia sugestivamente afirma: - “Este é o Deus que vê”. Esta percepção se deu na alma de Hagar, mãe de todos árabes, quando fugia abandonada e julgando-se invisível no meio do deserto, sem rumo e sem direção. Aquela percepção espiritual transformou sua história e tem trazido sentido à milhares de pessoas ainda hoje. Entender existencialmente que Deus é mais que algo institucional,que é alguém pessoal, que nos conhece e sabe quem somos altera toda nossa cosmovisão, nossa forma de ser e nossa interpretação da vida.
Esta é a temática recente de um texto de Gilberto Dimenstein, conhecido articulista da Folha de São Paulo, no seu livro com título despretensioso e vago, “O Mistério das Bolas de Gude” (Papirus), no qual narra histórias de invisibilidade e encantamento.
Este é o seu terceiro livro de reportagens, em que registra casos de pessoas excluídas da sociedade e que foram “despertadas” passando a estabelecer uma relação de pertencimento com o mundo. Para ele, a invisibilidade é a principal causa da violência, maior ainda do que a pobreza. “O que gera a violência é a sensação de não ter conhecimento, de não pertencer a sociedade”. A tese é corroborada por casos documentados em 16 anos de investigação jornalística.
Dimenstein afirma que em Nova York, capital onde viveu por três anos, assistiu a uma série de iniciativas de inclusão social que reduziram a violência. “Não era apenas só dar grana, era oferecer meios para as pessoas se expressarem por meio da dança, da música, da poesia, do esporte”.
Um dos fantasmas presentes ao homem urbano é o do anonimato. Você pode viver ao lado de pessoas com as quais você nunca conversa. Ter um apartamento que percebe ruídos do outro lado e nem ainda assim saber que face têm os seus vizinhos e muito menos identificar suas dores e dilemas. Vivemos sós em grandes cidades, trabalhamos compartimentalizados e segmentados. Isto traz outras crises de alma como a despersonalização e alienação.
É o fenônemo da invisibilidade. Não ser percebido pelo outro e não ter alguém que nos olhe. A necessidade de sermos vistos é tão grande que certas crianças provocam em seus pais diferentes atitudes de irritabilidade para chamar-lhes atenção, ainda que isto lhes cause alguma dor e disciplina. A punição assim torna-se uma reação neurótica, mas ainda preferível à indiferença e ao abandono psicológico.
Jung afirmou que “o vazio é a maior neurose da humanidade”. Este vazio pode perfeitamente ser identificado com esta ausência de sentidos e de significados, um relacionamento de excluídos, a invisibilidade. Todos nós precisamos estabelecer uma relação de pertencimento com o mundo e com o cosmos.
Gostaria de concluir esta questão, analisando o que se convencionou chamar de “vazio cósmico”. Neste caso, a invisibilidade encontra matizes na relação com o universo e com a sacralidade humana. Muitos de nossos conflitos poderiam ser resolvidos se, ao menos, pudéssemos entender que o nosso cósmico não é impessoal, vazio e frio, mas que ele possui uma referência a-histórica e sobrenatural em Deus. A Bíblia sugestivamente afirma: - “Este é o Deus que vê”. Esta percepção se deu na alma de Hagar, mãe de todos árabes, quando fugia abandonada e julgando-se invisível no meio do deserto, sem rumo e sem direção. Aquela percepção espiritual transformou sua história e tem trazido sentido à milhares de pessoas ainda hoje. Entender existencialmente que Deus é mais que algo institucional,que é alguém pessoal, que nos conhece e sabe quem somos altera toda nossa cosmovisão, nossa forma de ser e nossa interpretação da vida.
A COSMOVISÃO CRISTÃ
Todos nós temos uma cosmovisão, embora nem sempre estejamos conscientes disto ou talvez não entendamos corretamente o significado deste termo.
Cosmovisão tem a ver com a forma que lemos e interpretamos os valores, sistemas, crenças, ética, etc., isto é, o jeito de encarar a vida. Cosmovisão precede atitude, comportamento, relacionamento e afeta todas as nossas decisões.
A cosmovisão do homem está intimamente ligada à sua religião. Alguns são ateus dizendo-se cristãos: sua forma de ler, ser e interpretar a vida não tem absolutamente nenhuma correlação com o pensamento cristão, ou seja, aquilo que Cristo ensinou, professou e viveu. Por isto Ghandhi afirmou, para grande espanto da cristandade, que amava o Cristo que pregávamos, mas odiava o cristianismo que vivíamos.
Muitos que se dizem cristãos são ateus na prática. Outrossim, tenho visto alguns que declaram ateus, mas não conseguem desvencilhar-se dos princípios cristãos. Certamente Jesus repudiaria boa parte do cristianismo superficial que vivemos, aliás, certa feita afirmou que muitos dos seus pseudo discípulos o chamavam de Mestre, mas não faziam o que ele mandava.
"A melhor maneira de...analisar o cristianismo é olhar para Jesus Cristo" (Colin Chapman).
A pessoa histórica de Jesus de Nazaré é o ponto de partida de toda cosmovisão cristã. Nele, os cristãos encontram o paradigma de tudo o que se deve crer e o que se deve praticar. A espiritualidade cristã é cristológica. Resta perguntar como era este Jesus?
1. Revelou o mistério sem perder a dimensão da humanidade. Jesus não tinha medo da verticalidade da experiência religiosa: orava, jejuava, praticava exercícios devocionais, mas também não era alienado da história humana: estava envolvido com o que sofre, com o pobre, com o marginalizado. Basta ler o evangelho para perceber isto;
2. Articulou o natural com o espiritual, fez a ponte entre o humano e o divino. Era ao mesmo tempo alguém que experimentava a realidade de Deus, mas que nunca se distanciou de gente ferida, tanto que optou por morar no meio dos desprezados galileus. Na sua forma de praticar a espiritualidade, participou politicamente de seu tempo, exerceu seu mandato cultural, sua cidadania, fez crítica aos poderosos insensíveis de seu tempo, mas ainda assim, encontrou espaço e significado na relação com Deus, o Pai. Sua espiritualidade não era ativista.
Concluindo afirmaria que se nossa cosmovisão é cristã, não deveríamos, em hipótese alguma, sob risco de fragmentar a estrutura de nossa fé, deixar de olhar para a intrigante pessoa de Jesus de Nazaré. Nele encontramos o significado maior de viver, ler e interpretar a vida. Jesus nos ensina a ser humano, no sentido mais pleno desta palavra.
Cosmovisão tem a ver com a forma que lemos e interpretamos os valores, sistemas, crenças, ética, etc., isto é, o jeito de encarar a vida. Cosmovisão precede atitude, comportamento, relacionamento e afeta todas as nossas decisões.
A cosmovisão do homem está intimamente ligada à sua religião. Alguns são ateus dizendo-se cristãos: sua forma de ler, ser e interpretar a vida não tem absolutamente nenhuma correlação com o pensamento cristão, ou seja, aquilo que Cristo ensinou, professou e viveu. Por isto Ghandhi afirmou, para grande espanto da cristandade, que amava o Cristo que pregávamos, mas odiava o cristianismo que vivíamos.
Muitos que se dizem cristãos são ateus na prática. Outrossim, tenho visto alguns que declaram ateus, mas não conseguem desvencilhar-se dos princípios cristãos. Certamente Jesus repudiaria boa parte do cristianismo superficial que vivemos, aliás, certa feita afirmou que muitos dos seus pseudo discípulos o chamavam de Mestre, mas não faziam o que ele mandava.
"A melhor maneira de...analisar o cristianismo é olhar para Jesus Cristo" (Colin Chapman).
A pessoa histórica de Jesus de Nazaré é o ponto de partida de toda cosmovisão cristã. Nele, os cristãos encontram o paradigma de tudo o que se deve crer e o que se deve praticar. A espiritualidade cristã é cristológica. Resta perguntar como era este Jesus?
1. Revelou o mistério sem perder a dimensão da humanidade. Jesus não tinha medo da verticalidade da experiência religiosa: orava, jejuava, praticava exercícios devocionais, mas também não era alienado da história humana: estava envolvido com o que sofre, com o pobre, com o marginalizado. Basta ler o evangelho para perceber isto;
2. Articulou o natural com o espiritual, fez a ponte entre o humano e o divino. Era ao mesmo tempo alguém que experimentava a realidade de Deus, mas que nunca se distanciou de gente ferida, tanto que optou por morar no meio dos desprezados galileus. Na sua forma de praticar a espiritualidade, participou politicamente de seu tempo, exerceu seu mandato cultural, sua cidadania, fez crítica aos poderosos insensíveis de seu tempo, mas ainda assim, encontrou espaço e significado na relação com Deus, o Pai. Sua espiritualidade não era ativista.
Concluindo afirmaria que se nossa cosmovisão é cristã, não deveríamos, em hipótese alguma, sob risco de fragmentar a estrutura de nossa fé, deixar de olhar para a intrigante pessoa de Jesus de Nazaré. Nele encontramos o significado maior de viver, ler e interpretar a vida. Jesus nos ensina a ser humano, no sentido mais pleno desta palavra.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2006
O DESAFIO DA GRATIDÃO
Uma das coisas mais benditas da vida é aprender a viver uma vida de gratidão. Norman Vincent Peale certa vez afirmou que: "ser agradecido faz todas as coisas melhores".
Tenho observado que aqueles que desenvolvem a arte de agradecer como uma prática diária, são aqueles que conseguem viver uma melhor qualidade de vida. São mais efetivos e mais alegres. O ser humano não é naturalmente agradecido. Gratidão é uma arte...O ser humano tende a ser mais crítico e negativo. Temos mais facilidade de maldizer que abençoar, de reclamar que bendizer, de depreciar que apreciar. Experimente sentar um dia e no meio da roda de amigos recusar a falar mal de uma família ou de uma pessoa, mas encontrar nelas coisas positivas. Você vai ver como é difícil. Pode soar até mesmo anacrônico. No entanto, gratidão é uma atitude que precisamos cultivar.
Vamos fazer de contas que você decida passar um dia agradecendo. Isto pode ser mais difícil do que você imagina. Então quando você acorda, percebe que está caindo uma chuva torrencial lá fora, você precisa ir para o trabalho, e então diz: “Obrigado Deus por este dia, eu te agradeço pela chuva, pelo mistério que existe nela, pela forma como o Senhor faz todas as coisas certas. Eu te agradeço, porque ao vê-la eu percebo que o Senhor nos dará uma estação frutífera. Eu quero te louvar por este dia”.
Olhe para seu filho e diga: “Senhor, obrigado pelo meu filho, eu quero te louvar pelo que ele é. Me ajude neste dia a ser mais paciente e amoroso com ele, dá-me mais capacidade de discipliná-lo em amor, de ser capaz de perceber as dificuldades de seu crescimento. Eu quero te agradecer por isto”.
Se sua esposa estiver ainda dormindo, chegue até sua cama e diga: “Senhor, eu quero te agradecer por minha esposa, muitas vezes eu não consigo entendê-la, muitas vezes as coisas se tornam difíceis na nossa relação, mas eu entendo que o Senhor nos tem dado um para o outro para cuidar e proteger um ao outro. Obrigado Senhor por sua vida”. Dar um beijo no seu rosto e dizer baixinho: “Eu te amo!” Estas coisas fazem diferença ou não?
Conheci uma pessoa que tinha sem perceber o vício de reclamar: Certo dia sua esposa lhe disse: “benzinho, você tem reclamado demais, Deus tem sido bom para conosco”. E ele respondeu: Ah! Não é tanto assim...” Então ela para convencê-lo de que estava certa disse.“Vamos fazer uma aposta neste dia, quem reclamar de qualquer coisa vai pagar um real para o outro?". No final do dia ela lhe trouxe a conta: Ele reclamara nada menos que 33 vezes apenas naquele dia.
Norman V. Peale disse certa vez: “É estranho, mas aparentemente fundamental na vida humana, que quando você guarda as bençãos em sua mente, você tende a crescer com elas, e elas crescem quando você as recorda”. Você realmente traz circunstâncias favoráveis e melhores condições para sua vida, por pensar naquelas bençãos que já são suas. Marco Aurélio, pensador Romano já falava há muitos anos atrás que “o mundo no qual nós vivemos é feito daquilo que pensamos”. Deprecie sua condição de vida no pensamento e suas bençãos tenderão a encolher e a se tornar menores em número. Aprecie mentalmente as coisas, e a vida crescerá brilhante e atraindo coisas melhores.
Uma das tragédias da natureza humana é a lacuna de interesse que temos em valorizar coisas simples e nosso fracasso em apreciar as coisas e pessoas. Chesterton disse: “Agradeço sempre àquele que todos os dias põe em nossos sapatos um maravilhoso par de pés”.
“Agradeçamos a Deus, porque ele é bom e sua misericórdia dura para sempre”.
Tenho observado que aqueles que desenvolvem a arte de agradecer como uma prática diária, são aqueles que conseguem viver uma melhor qualidade de vida. São mais efetivos e mais alegres. O ser humano não é naturalmente agradecido. Gratidão é uma arte...O ser humano tende a ser mais crítico e negativo. Temos mais facilidade de maldizer que abençoar, de reclamar que bendizer, de depreciar que apreciar. Experimente sentar um dia e no meio da roda de amigos recusar a falar mal de uma família ou de uma pessoa, mas encontrar nelas coisas positivas. Você vai ver como é difícil. Pode soar até mesmo anacrônico. No entanto, gratidão é uma atitude que precisamos cultivar.
Vamos fazer de contas que você decida passar um dia agradecendo. Isto pode ser mais difícil do que você imagina. Então quando você acorda, percebe que está caindo uma chuva torrencial lá fora, você precisa ir para o trabalho, e então diz: “Obrigado Deus por este dia, eu te agradeço pela chuva, pelo mistério que existe nela, pela forma como o Senhor faz todas as coisas certas. Eu te agradeço, porque ao vê-la eu percebo que o Senhor nos dará uma estação frutífera. Eu quero te louvar por este dia”.
Olhe para seu filho e diga: “Senhor, obrigado pelo meu filho, eu quero te louvar pelo que ele é. Me ajude neste dia a ser mais paciente e amoroso com ele, dá-me mais capacidade de discipliná-lo em amor, de ser capaz de perceber as dificuldades de seu crescimento. Eu quero te agradecer por isto”.
Se sua esposa estiver ainda dormindo, chegue até sua cama e diga: “Senhor, eu quero te agradecer por minha esposa, muitas vezes eu não consigo entendê-la, muitas vezes as coisas se tornam difíceis na nossa relação, mas eu entendo que o Senhor nos tem dado um para o outro para cuidar e proteger um ao outro. Obrigado Senhor por sua vida”. Dar um beijo no seu rosto e dizer baixinho: “Eu te amo!” Estas coisas fazem diferença ou não?
Conheci uma pessoa que tinha sem perceber o vício de reclamar: Certo dia sua esposa lhe disse: “benzinho, você tem reclamado demais, Deus tem sido bom para conosco”. E ele respondeu: Ah! Não é tanto assim...” Então ela para convencê-lo de que estava certa disse.“Vamos fazer uma aposta neste dia, quem reclamar de qualquer coisa vai pagar um real para o outro?". No final do dia ela lhe trouxe a conta: Ele reclamara nada menos que 33 vezes apenas naquele dia.
Norman V. Peale disse certa vez: “É estranho, mas aparentemente fundamental na vida humana, que quando você guarda as bençãos em sua mente, você tende a crescer com elas, e elas crescem quando você as recorda”. Você realmente traz circunstâncias favoráveis e melhores condições para sua vida, por pensar naquelas bençãos que já são suas. Marco Aurélio, pensador Romano já falava há muitos anos atrás que “o mundo no qual nós vivemos é feito daquilo que pensamos”. Deprecie sua condição de vida no pensamento e suas bençãos tenderão a encolher e a se tornar menores em número. Aprecie mentalmente as coisas, e a vida crescerá brilhante e atraindo coisas melhores.
Uma das tragédias da natureza humana é a lacuna de interesse que temos em valorizar coisas simples e nosso fracasso em apreciar as coisas e pessoas. Chesterton disse: “Agradeço sempre àquele que todos os dias põe em nossos sapatos um maravilhoso par de pés”.
“Agradeçamos a Deus, porque ele é bom e sua misericórdia dura para sempre”.
terça-feira, 10 de janeiro de 2006
GRATIDÃO
Uma das coisas mais benditas da vida é aprender a viver uma vida de gratidão. Norman Vincent Peale certa vez afirmou que: "ser agradecido faz todas as coisas melhores".
Tenho observado que aqueles que desenvolvem a arte de agradecer como uma prática diária, são aqueles que conseguem viver uma melhor qualidade de vida. Eles são mais efetivos e mais alegres. O ser humano não é naturalmente agradecido. Gratidão é uma arte...O ser humano tende a ser mais crítico e negativo. Temos mais facilidade de maldizer que abençoar, de reclamar que bendizer, de depreciar que apreciar. Experimente sentar um dia e no meio da roda de amigos recusar a falar mal de uma família ou de uma pessoa, mas encontrar nelas coisas positivas. Você vai ver como é difícil. Pode soar até mesmo anacrônico. No entanto, gratidão é uma atitude que precisamos cultivar.
Vamos fazer de contas que você decida passar um dia agradecendo. Isto pode ser mais difícil do que você imagina. Então quando você acorda, percebe que está caindo uma chuva torrencial lá fora, você precisa ir para o trabalho, e então diz: “Obrigado Deus por este dia, eu te agradeço pela chuva, pelo mistério que existe nela, pela forma como o Senhor faz todas as coisas certas. Eu te agradeço, porque ao vê-la eu percebo que o Senhor nos dará uma estação frutífera. Eu quero te louvar por este dia”.
Olhe para seu filho e diga: “Senhor, obrigado pelo meu filho, eu quero te louvar pelo que ele é. Me ajude neste dia a ser mais paciente e amoroso com ele, dá-me mais capacidade de discipliná-lo em amor, de ser capaz de perceber as dificuldades de seu crescimento. Eu quero te agradecer por isto”.
Se sua esposa estiver ainda dormindo, chegue até sua cama e diga: “Senhor, eu quero te agradecer por minha esposa, muitas vezes eu não consigo entendê-la, muitas vezes as coisas se tornam difíceis na nossa relação, mas eu entendo que o Senhor nos tem dado um para o outro para cuidar-nos e proteger-nos. Obrigado Senhor por sua vida”. Dar um beijo no seu rosto e dizer baixinho: “Eu te amo!” Estas coisas fazem diferença ou não?
Conheci uma pessoa que tinha, sem perceber, o vício de reclamar: Certo dia sua esposa lhe disse: “benzinho, você tem reclamado demais, Deus tem sido bom para conosco”. E ele respondeu: Ah! Não é tanto assim...”Ela para convencê-lo de que estava certa disse.“Vamos fazer uma aposta neste dia, quem reclamar de qualquer coisa vai pagar um real para o outro?". No final do dia ela lhe trouxe a conta: Ele reclamara nada menos que 33 vezes apenas naquele dia.
Norman V. Peale disse certa vez: “É estranho, mas aparentemente fundamental na vida humana, que quando você guarda as bençãos em sua mente, você tende a crescer com elas, e elas crescem quando você as recorda”.Você realmente traz circunstâncias favoráveis e melhores condições para sua vida, por pensar naquelas bençãos que já são suas. Marco Aurélio, pensador Romano já falava há muitos anos atrás que “o mundo no qual nós vivemos é feito daquilo que pensamos”. Deprecie sua condição de vida no pensamento e suas bençãos tenderão a encolher e a se tornar menores em número. Aprecie mentalmente as coisas, e a vida crescerá brilhante e atraindo coisas melhores.
Uma das tragédias da natureza humana é a lacuna de interesse que temos em valorizar coisas simples e nosso fracasso em apreciar as coisas e pessoas. Chesterton disse: “Agradeço sempre àquele que todos os dias põe em nossos sapatos um maravilhoso par de pés”.
“Agradeçamos a Deus, porque ele é bom e sua misericórdia dura para sempre”.
Tenho observado que aqueles que desenvolvem a arte de agradecer como uma prática diária, são aqueles que conseguem viver uma melhor qualidade de vida. Eles são mais efetivos e mais alegres. O ser humano não é naturalmente agradecido. Gratidão é uma arte...O ser humano tende a ser mais crítico e negativo. Temos mais facilidade de maldizer que abençoar, de reclamar que bendizer, de depreciar que apreciar. Experimente sentar um dia e no meio da roda de amigos recusar a falar mal de uma família ou de uma pessoa, mas encontrar nelas coisas positivas. Você vai ver como é difícil. Pode soar até mesmo anacrônico. No entanto, gratidão é uma atitude que precisamos cultivar.
Vamos fazer de contas que você decida passar um dia agradecendo. Isto pode ser mais difícil do que você imagina. Então quando você acorda, percebe que está caindo uma chuva torrencial lá fora, você precisa ir para o trabalho, e então diz: “Obrigado Deus por este dia, eu te agradeço pela chuva, pelo mistério que existe nela, pela forma como o Senhor faz todas as coisas certas. Eu te agradeço, porque ao vê-la eu percebo que o Senhor nos dará uma estação frutífera. Eu quero te louvar por este dia”.
Olhe para seu filho e diga: “Senhor, obrigado pelo meu filho, eu quero te louvar pelo que ele é. Me ajude neste dia a ser mais paciente e amoroso com ele, dá-me mais capacidade de discipliná-lo em amor, de ser capaz de perceber as dificuldades de seu crescimento. Eu quero te agradecer por isto”.
Se sua esposa estiver ainda dormindo, chegue até sua cama e diga: “Senhor, eu quero te agradecer por minha esposa, muitas vezes eu não consigo entendê-la, muitas vezes as coisas se tornam difíceis na nossa relação, mas eu entendo que o Senhor nos tem dado um para o outro para cuidar-nos e proteger-nos. Obrigado Senhor por sua vida”. Dar um beijo no seu rosto e dizer baixinho: “Eu te amo!” Estas coisas fazem diferença ou não?
Conheci uma pessoa que tinha, sem perceber, o vício de reclamar: Certo dia sua esposa lhe disse: “benzinho, você tem reclamado demais, Deus tem sido bom para conosco”. E ele respondeu: Ah! Não é tanto assim...”Ela para convencê-lo de que estava certa disse.“Vamos fazer uma aposta neste dia, quem reclamar de qualquer coisa vai pagar um real para o outro?". No final do dia ela lhe trouxe a conta: Ele reclamara nada menos que 33 vezes apenas naquele dia.
Norman V. Peale disse certa vez: “É estranho, mas aparentemente fundamental na vida humana, que quando você guarda as bençãos em sua mente, você tende a crescer com elas, e elas crescem quando você as recorda”.Você realmente traz circunstâncias favoráveis e melhores condições para sua vida, por pensar naquelas bençãos que já são suas. Marco Aurélio, pensador Romano já falava há muitos anos atrás que “o mundo no qual nós vivemos é feito daquilo que pensamos”. Deprecie sua condição de vida no pensamento e suas bençãos tenderão a encolher e a se tornar menores em número. Aprecie mentalmente as coisas, e a vida crescerá brilhante e atraindo coisas melhores.
Uma das tragédias da natureza humana é a lacuna de interesse que temos em valorizar coisas simples e nosso fracasso em apreciar as coisas e pessoas. Chesterton disse: “Agradeço sempre àquele que todos os dias põe em nossos sapatos um maravilhoso par de pés”.
“Agradeçamos a Deus, porque ele é bom e sua misericórdia dura para sempre”.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2005
A Grande declaração de Amor
Natal é declaração de amor que Deus faz a toda humanidade.
Ele viu nosso fracasso estampado nas atitudes comezinhas do nosso dia a dia.
Viu nossas mãos vazias e todas as torres de Babel que construímos.
Viu o massacre que a violência humana gerava,
Nas pessoas indefesas, sem nome, sem identidade, sem reconhecimento humano.
Nos Carandirús e Candelárias sem fim.
No abuso do poder e na falta de vergonha dos que escrevem a história e mentem contra seus filhos, contra seu país, contra Deus.
Por isto resolveu presentear a humanidade vindo ele mesmo para estar conosco.
Para nos ensinar o que é viver e como viver.
Testemunhou os fracassos acumulados dos seres humanos na história dos homens.
E resolveu escrever uma página nova, repleta de boas novas.
Na linguagem de um poeta:
"Deus viu o homem desfigurar-se. Deixar de ser.
Perder a imagem divina nos escombros gerados
pelas guerras das garras e lanças e flechas
e balas e gases e chamas, granadas e bombas atômicas...
Deus viu os zoológicos humanos.
E fez de seu pranto-compaixão o ato dinâmico
De uma declaração de amor a toda humanidade:
Decretou o Natal!"
Este natal vai acontecer no meio de gente de vida monótona e sem grandes sonhos, como os pastores.
Vai se realizar na história de gente periférica e simples, como Maria e José.
Vai se revelar naqueles que oraram tanto e tinham a impressão de que Deus se silenciara diante de seu clamor como Zacarias, Isabel e Simeão.
Vai se dar num curral, numa manjedoura, nome bonito dado a um pedaço de pau no qual os animais vinham comer.
No povo que sofre,
Nos magos espiritualizados e utópicos,
Na cidade de Belém, pequena demais para figurar na lista das cidades relevantes de uma região insignificante como Judá.
Ali Deus resolve se revelar. O inteiramente outro se faz inteiramente nosso irmão. Deus se fez carne.
Natal é um evento sobrenatural em sua essência. A eternidade invadiu a história. A supra-história se torna factual, história humana. O Deus todo poderoso se fez gente, no meio dos homens.
Gerando esperança, criando amor, desvendando o caminho, rompendo os grilhões, transformando a opressão do povo que sofre.
Natal é declaração de amor de um Deus tão apaixonado pela humanidade que resolveu habitar entre ela.
Natal não é apenas um evento do passado, mas uma experiência existencial que se dá no coração daqueles que ainda hoje se deixam impactar por esta grande declaração de amor que Deus fez à humanidade através de seu Filho Jesus.
Ele viu nosso fracasso estampado nas atitudes comezinhas do nosso dia a dia.
Viu nossas mãos vazias e todas as torres de Babel que construímos.
Viu o massacre que a violência humana gerava,
Nas pessoas indefesas, sem nome, sem identidade, sem reconhecimento humano.
Nos Carandirús e Candelárias sem fim.
No abuso do poder e na falta de vergonha dos que escrevem a história e mentem contra seus filhos, contra seu país, contra Deus.
Por isto resolveu presentear a humanidade vindo ele mesmo para estar conosco.
Para nos ensinar o que é viver e como viver.
Testemunhou os fracassos acumulados dos seres humanos na história dos homens.
E resolveu escrever uma página nova, repleta de boas novas.
Na linguagem de um poeta:
"Deus viu o homem desfigurar-se. Deixar de ser.
Perder a imagem divina nos escombros gerados
pelas guerras das garras e lanças e flechas
e balas e gases e chamas, granadas e bombas atômicas...
Deus viu os zoológicos humanos.
E fez de seu pranto-compaixão o ato dinâmico
De uma declaração de amor a toda humanidade:
Decretou o Natal!"
Este natal vai acontecer no meio de gente de vida monótona e sem grandes sonhos, como os pastores.
Vai se realizar na história de gente periférica e simples, como Maria e José.
Vai se revelar naqueles que oraram tanto e tinham a impressão de que Deus se silenciara diante de seu clamor como Zacarias, Isabel e Simeão.
Vai se dar num curral, numa manjedoura, nome bonito dado a um pedaço de pau no qual os animais vinham comer.
No povo que sofre,
Nos magos espiritualizados e utópicos,
Na cidade de Belém, pequena demais para figurar na lista das cidades relevantes de uma região insignificante como Judá.
Ali Deus resolve se revelar. O inteiramente outro se faz inteiramente nosso irmão. Deus se fez carne.
Natal é um evento sobrenatural em sua essência. A eternidade invadiu a história. A supra-história se torna factual, história humana. O Deus todo poderoso se fez gente, no meio dos homens.
Gerando esperança, criando amor, desvendando o caminho, rompendo os grilhões, transformando a opressão do povo que sofre.
Natal é declaração de amor de um Deus tão apaixonado pela humanidade que resolveu habitar entre ela.
Natal não é apenas um evento do passado, mas uma experiência existencial que se dá no coração daqueles que ainda hoje se deixam impactar por esta grande declaração de amor que Deus fez à humanidade através de seu Filho Jesus.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2005
A Surpresa do Natal
André tinha apenas 9 anos, era um garoto que freqüentava uma pequena igreja do interior do país, seguindo os mesmos passos de seus pais, que também faziam parte daquela comunidade. Era uma criança agradável, apesar de não ser dos mais inteligentes, tinha uma boa compleição física, apesar de não ser dos mais elegantes, e gozava de um bom relacionamento com seus colegas de rua e da escola.
O Departamento Infantil daquela igreja resolveu fazer uma pequena encenação do nascimento de Jesus, e todo o cenário foi montado para representar os hábitos e vestiários dos tempos de Jesus. Não tinham muito dinheiro, mas um pouco de criatividade ajuda bastante nestas situações. Convidaram André para ser o dono da estalagem por onde José e Maria passariam procurando um lugar para se abrigar.
O tradicional público se reuniu na pequena igreja para o drama que contaria o nascimento de Jesus, normalmente este dia atraia mais pessoas do que costumeiramente e todos estavam muito empolgados vendo tanta gente nova se aproximando. Havia uma inquietação nas salas onde todos estavam se preparando para a apresentação. Estava difícil para as professoras controlarem a emoção das crianças.
A narrativa foi se desenrolando conforme o combinado. José apareceu guiando Maria com ternura. Um travesseiro pequeno havia sido amarrado por debaixo da roupa dando a impressão de gravidez em Maria, que andava devagar. José bateu com força na porta de madeira montada no palco e conforme o ensaio, André estava esperando este momento.
"O que o Senhor deseja?" falou André de forma segura.
"Estamos procurando um lugar para ficar. Maria está grávida e precisa descansar".
"Aqui não", respondeu firmemente André. "Não temos lugar para vocês porque nossa pensão está lotada".
"Senhor, temos procurado por toda parte, mas infelizmente não temos conseguido um quarto sequer".
"Infelizmente não temos lugar para vocês". André respondeu de forma conclusiva.
Diante da negativa, José e Maria foram lentamente saindo do palco, então, algo inusitado e não planejado aconteceu. Quebrando todo esquema, todo ensaio, André gritou com a voz embargada e os olhos marejados de lagrimas: "Voltem aqui, não vão embora".
Houve uma certa perplexidade e um espanto geral dos bastidores. Ninguém se entendia. Alguns acharam engraçado o que estava acontecendo, mas a tensão estampada no rosto de André não permitia muitos gracejos. "Vocês vão ficar em minha casa! Não tem lugar para vocês na hospedaria, mas vocês vão para minha casa".
De repente, o natal tornou-se diferente para todos. As pessoas estavam entendendo de uma forma completamente estranha, o significado do Natal. Não havia sentido celebrá-lo sem que houvesse lugar para Jesus. Afinal, não há sentido falar de festa de aniversário se o aniversariante não se encontra presente. A atitude de André tornou aquele evento no mais significativo de todos os dramas de natal anteriormente representados.
O Departamento Infantil daquela igreja resolveu fazer uma pequena encenação do nascimento de Jesus, e todo o cenário foi montado para representar os hábitos e vestiários dos tempos de Jesus. Não tinham muito dinheiro, mas um pouco de criatividade ajuda bastante nestas situações. Convidaram André para ser o dono da estalagem por onde José e Maria passariam procurando um lugar para se abrigar.
O tradicional público se reuniu na pequena igreja para o drama que contaria o nascimento de Jesus, normalmente este dia atraia mais pessoas do que costumeiramente e todos estavam muito empolgados vendo tanta gente nova se aproximando. Havia uma inquietação nas salas onde todos estavam se preparando para a apresentação. Estava difícil para as professoras controlarem a emoção das crianças.
A narrativa foi se desenrolando conforme o combinado. José apareceu guiando Maria com ternura. Um travesseiro pequeno havia sido amarrado por debaixo da roupa dando a impressão de gravidez em Maria, que andava devagar. José bateu com força na porta de madeira montada no palco e conforme o ensaio, André estava esperando este momento.
"O que o Senhor deseja?" falou André de forma segura.
"Estamos procurando um lugar para ficar. Maria está grávida e precisa descansar".
"Aqui não", respondeu firmemente André. "Não temos lugar para vocês porque nossa pensão está lotada".
"Senhor, temos procurado por toda parte, mas infelizmente não temos conseguido um quarto sequer".
"Infelizmente não temos lugar para vocês". André respondeu de forma conclusiva.
Diante da negativa, José e Maria foram lentamente saindo do palco, então, algo inusitado e não planejado aconteceu. Quebrando todo esquema, todo ensaio, André gritou com a voz embargada e os olhos marejados de lagrimas: "Voltem aqui, não vão embora".
Houve uma certa perplexidade e um espanto geral dos bastidores. Ninguém se entendia. Alguns acharam engraçado o que estava acontecendo, mas a tensão estampada no rosto de André não permitia muitos gracejos. "Vocês vão ficar em minha casa! Não tem lugar para vocês na hospedaria, mas vocês vão para minha casa".
De repente, o natal tornou-se diferente para todos. As pessoas estavam entendendo de uma forma completamente estranha, o significado do Natal. Não havia sentido celebrá-lo sem que houvesse lugar para Jesus. Afinal, não há sentido falar de festa de aniversário se o aniversariante não se encontra presente. A atitude de André tornou aquele evento no mais significativo de todos os dramas de natal anteriormente representados.
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