Um dos mandamentos que tem causado mais discussão é a questão do sábado, isto porque os homens historicamente fizeram uma significativa inversão de valores no seu sentido.
O povo de Israel foi escravizado por 430 anos, durante este tempo não teve direito a lazer, realizava trabalho forçado e sofreu violenta humilhação no desempenho de suas atividades. Não é sem razão que este mandamento possua uma forte recomendação social: “não farás obra alguma nesse dia, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o peregrino que viver das tuas portas para dentro, porque o senhor fez em seis dias o céu, a terra e o mar, e tudo o que neles há, e descansou ao sétimo dia; por isso o senhor abençoou o sétimo dia e o santificou” (Ex 20.10-11). Deus estava preocupado com o ser humano e com a própria natureza que se tornara vítima da ganância e da exploração do excesso de trabalho.
Jesus teve profundos conflitos com religiosos de seu tempo por causa da questão do sábado. Qual era o problema? Os homens transformaram o sábado num instrumento de opressão religiosa, ao invés de reconhecerem sua dimensão libertadora e humanitária. Jesus sintetiza isto numa discussão com os fariseus, que eram os xiitas de seu tempo afirmando: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27). Esta inversão na interpretação tem sido fatal na história do cristianismo.
Qual é o objetivo então do sábado? Este termo vem do hebraico “shabath” que significa “descanso”. Deus deseja que os homens entendam a importância de parar suas atividades, e para fazer isto, ele mesmo deu o exemplo. Será que Deus estava preocupado consigo mesmo? Estava com excesso de horas extras? Naturalmente não. Seu objetivo era dar exemplo para que entendêssemos que precisamos aprender a descansar, a tirar tempo para repor nossas forças físicas, para repensar nossas atividades. Quando não descansamos é porque intimamente sofremos um complexo de onipotência e achamos que somos mais imprescindíveis que Deus. No entanto, é bom lembrar que o cemitério está cheio de gente insubstituível. Guardar o dia de sábado é reconhecer que temos direito ao descanso e perceber-se como um ser livre para viver. O que trabalha sem descanso é escravo! Além do mais, deve manifestar esta preocupação com seus funcionários, empregados, parentes e até mesmo animais. Todos devem e tem o direito ao descanso.
Além de refazer nossas forças e encontrar descanso, este tempo também é um convite para olharmos para o céu, e este é um objetivo muito claro para o shabath: Tirar um dia de adoração, agradecer a Deus a libertação e lembrar que Deus também tem ouvido nosso clamor. Este é o dia que separamos para prestar culto a Deus, ler sua palavra, orar, refletir sobre seus valores, colocar nossa vida a seu serviço para libertar outros que ainda vivem na opressão e na escravidão.
“Ao nos dar um dia como tal, Deus destaca a nossa humanidade, nos lembra que devemos ser tratados como pessoas e que não fomos feitos para o trabalho, mas para Ele”.
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terça-feira, 14 de novembro de 2006
quinta-feira, 2 de março de 2006
A função do descanso para a alma humana
Em função do trabalho residi no Rio de Janeiro nos idos de 90 por quase cinco anos. Um amigo meu costumava afirmar que os dias de carnaval eram os melhores dias para ficar na cidade. Pode parecer brincadeira, mas nesta época do ano o trânsito fica tranqüilo, as praias pouco freqüentadas e o carnaval de rua praticamente inexiste, desde que o sambódromo foi criado.
Meu objetivo aqui, não é falar do carnaval, mas da importância do feriado para a psiquê e saúde humana, independentemente da época em que é comemorado. Quero resgatar o conceito do shabath na concepção judaica e sua atualidade para os dias de hoje.
O sábado, shabath, significava originalmente descanso. Ele foi instituído por Deus, e dado a Moisés, dentro do contexto da legislação mosaica, assumindo um importante papel na cosmovisão do povo judeu, sendo estabelecido como o quarto mandamento: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar” (Ex 20.8).
Muitas pessoas desconhecem, mas o sábado não era apenas o sétimo dia da semana. Deus instituiu muitos outros sábados que eram festas fixas como a páscoa, comemorada no 14o. dia do mes de Abib e que portanto era celebrado como sábado, em qualquer dia da semana. Era festa de Shabath.
O sábado tinha alguns objetivos específicos:
1. Era usado primariamente para glorificar a Deus – Neste dia o povo judeu aproveitava a oportunidade para agradecer a Deus, reunir-se com a família e ouvir a leitura da Torah feita nas sinagogas que eram constituidas com o mínimo de 10 judeus do sexo masculino, incluindo crianças acima de 13 anos de idade. O quarto mandamento afirmava que o povo deveria se lembrar do sábado para o santificar. Reservava-se esta data para se aproximar do criador e agradecer o seu cuidado;
2. O sábado era usado também com uma função social – Nem o escravo, nem o forasteiro, nem os animais, deveriam trabalhar neste dia, nem mesmo o jumento. Como Deus sabe do poder que a ambição e o lucro exercem na alma humana ele proibiu que escravos fizessem qualquer atividade neste dia. Isto tinha um benefício social e atingia de forma direta os pobres e discriminados socialmente. O sábado detinha a ganância e a mentalidade de lucro e ganho, protegendo os fracos.
3. O sábado tinha a funcão de equilibrar a mente e o corpo – além das duas razões anteriores, Deus também estava pensando na necessidade que nosso organismo tem de parar as atividades para equilibrar corpo e mente. Sossegar. Não fazer nada. “Em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou” (Ex 20.11).
Jesus posteriormente vai clarificar ainda mais este conceito, mostrando que Deus não estava preocupado consigo mesmo ao estabelecer o sábado, nem com o sábado em si, como uma corrente legalista quis fazer. Por isto afirma: “o homem não foi feito por causa do sábado, mas o sábado por causa do homem”. Deus não precisava do shabath, mas queria nos ensinar o valor do descanso para nossos corações. Portanto, o sábado tem uma função sacramental. Tolo é o homem que não consegue descansar para fazer aquilo que sente prazer em fazer. Ao criar o sábado, Ele queria nos ensinar que o descanso tem uma função espiritual para o ser humano.
Meu objetivo aqui, não é falar do carnaval, mas da importância do feriado para a psiquê e saúde humana, independentemente da época em que é comemorado. Quero resgatar o conceito do shabath na concepção judaica e sua atualidade para os dias de hoje.
O sábado, shabath, significava originalmente descanso. Ele foi instituído por Deus, e dado a Moisés, dentro do contexto da legislação mosaica, assumindo um importante papel na cosmovisão do povo judeu, sendo estabelecido como o quarto mandamento: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar” (Ex 20.8).
Muitas pessoas desconhecem, mas o sábado não era apenas o sétimo dia da semana. Deus instituiu muitos outros sábados que eram festas fixas como a páscoa, comemorada no 14o. dia do mes de Abib e que portanto era celebrado como sábado, em qualquer dia da semana. Era festa de Shabath.
O sábado tinha alguns objetivos específicos:
1. Era usado primariamente para glorificar a Deus – Neste dia o povo judeu aproveitava a oportunidade para agradecer a Deus, reunir-se com a família e ouvir a leitura da Torah feita nas sinagogas que eram constituidas com o mínimo de 10 judeus do sexo masculino, incluindo crianças acima de 13 anos de idade. O quarto mandamento afirmava que o povo deveria se lembrar do sábado para o santificar. Reservava-se esta data para se aproximar do criador e agradecer o seu cuidado;
2. O sábado era usado também com uma função social – Nem o escravo, nem o forasteiro, nem os animais, deveriam trabalhar neste dia, nem mesmo o jumento. Como Deus sabe do poder que a ambição e o lucro exercem na alma humana ele proibiu que escravos fizessem qualquer atividade neste dia. Isto tinha um benefício social e atingia de forma direta os pobres e discriminados socialmente. O sábado detinha a ganância e a mentalidade de lucro e ganho, protegendo os fracos.
3. O sábado tinha a funcão de equilibrar a mente e o corpo – além das duas razões anteriores, Deus também estava pensando na necessidade que nosso organismo tem de parar as atividades para equilibrar corpo e mente. Sossegar. Não fazer nada. “Em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou” (Ex 20.11).
Jesus posteriormente vai clarificar ainda mais este conceito, mostrando que Deus não estava preocupado consigo mesmo ao estabelecer o sábado, nem com o sábado em si, como uma corrente legalista quis fazer. Por isto afirma: “o homem não foi feito por causa do sábado, mas o sábado por causa do homem”. Deus não precisava do shabath, mas queria nos ensinar o valor do descanso para nossos corações. Portanto, o sábado tem uma função sacramental. Tolo é o homem que não consegue descansar para fazer aquilo que sente prazer em fazer. Ao criar o sábado, Ele queria nos ensinar que o descanso tem uma função espiritual para o ser humano.
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