O evento Tiradentes é um dos marcos mais significativos na história brasileira sobre sua liberdade enquanto nação, muito mais importante, por exemplo, que a Declaração da Independência feita às margens do Ipiranga por D. Pedro I, que nada mais foi que uma saída honrosa, um arranjo político, para satisfação de pressões internacionais da Inglaterra, trazendo favorecimento financeiro aos poderes externos. O Dia da Independência, da forma romântica como nos é ensinada nas escolas é uma grande farsa. Quem declarou a independência foi o opressor, que continuou dominando sobre uma suposta nação livre. A situação foi tão flagrante que vários países da América do Sul, por anos, recusou a reconhecer esta farsa da independência realizada na Terra Brasilis.
O evento Tiradentes é diferente. Homens desejosos da liberdade deram, de fato, suas vidas, sacrificando-as em torno de um ideal, que era uma nação livre das ingerências da Coroa Portuguesa. Morreram em praça pública, como criminosos e rebeldes, tornando-se semente para a autonomia brasileira.
Isto nos direciona para a questão da liberdade. O que é, de fato, liberdade? O que leva homens a darem sua vida e a morrerem por ideal? Os dicionários muitas vezes definem liberdade em termos negativos: “Ausência de repressão, prisão” ou mesmo “o fato de não estar acorrentado, restringido no seu direito de ir e ver, de pensar e afirmar o que pensa”. Todas definições possuem certo aspecto negativo. O verdadeiro clamor por liberdade, contudo, é mais que um apelo para se ver livre da tirania, sendo também, um convite para uma vida plena de significado.
Michael Ramsey fez uma série de palestras para a Cambridge University (Londres, 1970) indagando: “Todos nós queremos o homem livre de alguma coisa, mas precisamos também perguntar, para que queremos liberdade”.
O que Ramsey advoga é que Liberdade absoluta e ilimitada, não quer dizer liberdade autêntica. Ele usa o exemplo do peixe. Deus o criou para viver na água. Sua estrutura é preparada para absorver oxigênio da água, por isto, o peixe só vai encontrar seu significado, sua identidade, sua plenitude, vivendo na água. Ele está limitado ao seu habitat, mas nele encontra verdadeira liberdade. Se ele resolve sair do aquário em que vive, buscando viver no carpete ou no concreto, sua atitude o leva para a morte, não para a liberdade.
Autêntica liberdade, portanto, é exatamente o oposto daquilo que muitos pensam. Não existe liberdade quando perco a interação e responsabilidade para com Deus e para com os outros. Isto é escravidão ao meu egoísmo, aos meus instintos e aos meus apelos interiores. Neste sentido, minha liberdade torna-se minha algema.
Verdadeira liberdade, portanto, alterna dois pólos: O negativo (liberdade de que?) com o positivo (liberdade para que?)
Desde que o homem faça o que está dentro dele, cometerá sempre pecado mortal… livre, ele é apenas para o mal”(Lutero). Agostinho finaliza dizendo: “O Livre arbítrio sem a graça apenas outorga poder ao pecaminoso”. Neste caso, não há autêntica liberdade, que deveria nos ensinar a amar, mas uma forma de escravidão que nos leva a viver egoisticamente. Alexander Soljenitsin, conhecido dissidente russo afirmou: “Quando você despoja um homem de tudo o que ele possui, ele já não está mais sob o seu poder. É livre de novo”. Este é o paradoxo da liberdade.
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terça-feira, 18 de abril de 2006
sábado, 9 de outubro de 2004
A soberania de Deus é limitada pela liberdade humana?
Normalmente temos dificuldade de entender soberania, porque não entendemos a condição do homem: radical corrupção.
Pode o homem fazer escolhas morais?
Gardner defende ética como “O estudo crítico da moralidade”[1] Para ele, trata-se da análise sistemática da vida moral, que inclui padrões de certo/errado, escolhas morais práticas e alvos e princípios ideais.
A pressuposição ética básica é “O Homem é livre e responsável”.
Aqui surge o primeiro dilema: O homem é verdadeiramente livre e responsável?
Várias controvérsias surgem aqui neste campo:
1. Controvérsia no campo psicológico:
i. Skinner – Psicólogo de uma linha behaviorista, escreveu um livro chamado: “O Mito da liberdade humana”. O homem seria um ser programado. Ele estaria preso a categorias de manipulação. Não emite respostas livres, mas somos frutos de um condicionamento pavloviano;
ii. Freud: O homem seria presa de seus processos inconscientes. Suas respostas seriam fundamentadas nos seus processos inconscientes. Quem determina minha escolha, se eu sou escravo de forças do Id/ego/superego?
2. Controvérsias no Campo Teológico:
i. Calvino – Para Calvino, só existe um "fazer" humano quando o mesmo é mediado por Deus. O homem vive na dimensão da queda, em sua natureza adâmica, para que uma ética humana e profunda aconteça, é fundamental
"Nascer em nós um desejo de buscar a Deus para recuperar nele o Deus que perdemos". [2]
Por vivermos em nossa natureza adâmica, apenas Deus poderá restaurar nossa imagem caída. A doutrina da Total depravation sustenta a incapacidade moral do homem de responder a Deus, a não ser que Deus inicie um novo processo de restauração moral através do Espírito Santo em nós. Existe uma absoluta ausência de bem moral no homem.
ii. Lutero - “O Livre arbítrio (liberium arbitrium), depois da queda do homem, é uma mera questão de título (apenas palavras): Desde que o homem faça o que está dentro dele, cometerá sempre pecado mortal…livre, ele é apenas para o mal…por isso Agostinho diz: “O Livre arbítrio sem a graça apenas outorga poder ao pecaminoso[3] (…) “O homem sem a teologia da cruz, faz do melhor, um péssimo uso”.[4]
iii. Satanização – Não é muito raro, nos círculos evangélicos, vermos pessoas satanizando seu processo de escolha. O diabo passa a ser responsável por todas nossas escolhas morais, ele é o culpado. Por isso, ao invés de confrontarmos o pecado humano, e exigirmos uma resposta ética às nossas atitudes, satanizamos nossos conflitos. [5]
3. Controvérsias no campo filosófico e literário–
i. Rousseau – No seu clássico: “O contrato Social”, inicia fazendo a seguinte afirmação: “O homem é livro, mas em toda parte encontra-se a ferros”.
ii. Graciliano Ramos: “Liberdade completa ninguém desfruta: Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a delegacia de ordem política e social. Nos estreitos limites que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”[6]
Retomamos à questão inicial: Seria o homem um ser livre? “A não ser que ele seja livre em sentido bem real, não pode ser considerado responsável por seus atos, e se não é responsável por esses atos, não há sentido em falar deles como tendo significação ética”.[7]
Ética pressupõe Liberdade e Responsabilidade. A atividade moral moral é inevitável enquanto o homem permanece homem.
[1] . Gardner, E. C. – Fé Bíblica e Ética Social, São Paulo, ASTE, 1965, pg. 19
[2] Calvin, Juan – Institutas de las religiones cristianas. Livro II, cap.1 & 1, pg. 161.
[3] . Gottffried Fitzer O que Lutero realmente disse, São Paulo, Civilização Brasileira, , pg. 29
[4] . Fitzer, op. Cit. Pg. 31
[5] . Ler o livro: Antes de amarrar satanás de Elber Lens César.
[6]. Graciliano Ramos - ” in Memórias de Cárcere
[7] . Gardner, E. C., 1965 – pg. 19
Pode o homem fazer escolhas morais?
Gardner defende ética como “O estudo crítico da moralidade”[1] Para ele, trata-se da análise sistemática da vida moral, que inclui padrões de certo/errado, escolhas morais práticas e alvos e princípios ideais.
A pressuposição ética básica é “O Homem é livre e responsável”.
Aqui surge o primeiro dilema: O homem é verdadeiramente livre e responsável?
Várias controvérsias surgem aqui neste campo:
1. Controvérsia no campo psicológico:
i. Skinner – Psicólogo de uma linha behaviorista, escreveu um livro chamado: “O Mito da liberdade humana”. O homem seria um ser programado. Ele estaria preso a categorias de manipulação. Não emite respostas livres, mas somos frutos de um condicionamento pavloviano;
ii. Freud: O homem seria presa de seus processos inconscientes. Suas respostas seriam fundamentadas nos seus processos inconscientes. Quem determina minha escolha, se eu sou escravo de forças do Id/ego/superego?
2. Controvérsias no Campo Teológico:
i. Calvino – Para Calvino, só existe um "fazer" humano quando o mesmo é mediado por Deus. O homem vive na dimensão da queda, em sua natureza adâmica, para que uma ética humana e profunda aconteça, é fundamental
"Nascer em nós um desejo de buscar a Deus para recuperar nele o Deus que perdemos". [2]
Por vivermos em nossa natureza adâmica, apenas Deus poderá restaurar nossa imagem caída. A doutrina da Total depravation sustenta a incapacidade moral do homem de responder a Deus, a não ser que Deus inicie um novo processo de restauração moral através do Espírito Santo em nós. Existe uma absoluta ausência de bem moral no homem.
ii. Lutero - “O Livre arbítrio (liberium arbitrium), depois da queda do homem, é uma mera questão de título (apenas palavras): Desde que o homem faça o que está dentro dele, cometerá sempre pecado mortal…livre, ele é apenas para o mal…por isso Agostinho diz: “O Livre arbítrio sem a graça apenas outorga poder ao pecaminoso[3] (…) “O homem sem a teologia da cruz, faz do melhor, um péssimo uso”.[4]
iii. Satanização – Não é muito raro, nos círculos evangélicos, vermos pessoas satanizando seu processo de escolha. O diabo passa a ser responsável por todas nossas escolhas morais, ele é o culpado. Por isso, ao invés de confrontarmos o pecado humano, e exigirmos uma resposta ética às nossas atitudes, satanizamos nossos conflitos. [5]
3. Controvérsias no campo filosófico e literário–
i. Rousseau – No seu clássico: “O contrato Social”, inicia fazendo a seguinte afirmação: “O homem é livro, mas em toda parte encontra-se a ferros”.
ii. Graciliano Ramos: “Liberdade completa ninguém desfruta: Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a delegacia de ordem política e social. Nos estreitos limites que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”[6]
Retomamos à questão inicial: Seria o homem um ser livre? “A não ser que ele seja livre em sentido bem real, não pode ser considerado responsável por seus atos, e se não é responsável por esses atos, não há sentido em falar deles como tendo significação ética”.[7]
Ética pressupõe Liberdade e Responsabilidade. A atividade moral moral é inevitável enquanto o homem permanece homem.
[1] . Gardner, E. C. – Fé Bíblica e Ética Social, São Paulo, ASTE, 1965, pg. 19
[2] Calvin, Juan – Institutas de las religiones cristianas. Livro II, cap.1 & 1, pg. 161.
[3] . Gottffried Fitzer O que Lutero realmente disse, São Paulo, Civilização Brasileira, , pg. 29
[4] . Fitzer, op. Cit. Pg. 31
[5] . Ler o livro: Antes de amarrar satanás de Elber Lens César.
[6]. Graciliano Ramos - ” in Memórias de Cárcere
[7] . Gardner, E. C., 1965 – pg. 19
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sexta-feira, 5 de setembro de 2003
Independência ou morte!
Existem determinadas coisas que jamais conseguiremos entender! Falta lógica, coerência histórica, bom senso e um mínimo razoável de percepção critica. Dentre tantas, realçamos a Independência do Brasil. Não dá para entender porque ainda se ensina a história do Brasil numa perspectiva romântica, e não na perspectiva dos fatos e da crítica? Teme-se o juízo de quem? Não dá para entender porque os historiadores não revisam de uma vez por outras, alguns conceitos mal organizados e não se inicia de forma mais clara uma leitura critica da história, que vai nos ajudar a pensar de forma mais correta e criará nos nossos adolescentes e jovens um senso de dignidade e de valor?
O problema é que a história é sempre contada pelos poderosos, para atender a interesses ideológicos. Afinal, o herege quase nunca é o que vai para a fogueira, mas quem coloca o outro para ser queimado, mas aquele que foi para a fogueira não pode escrever sua história, então aceita-se a versão oficial do opressor, que conta o fato conforme lhe interessa, para que não venha a ser culpado nem julgado no futuro. Afinal, não gostamos de depor contra nós mesmos, por isto os tribunais buscam testemunhas, pessoas que possam depor e contar outra versão. A nossa leitura pessoal, tendenciosa e cínica não vale…
O que aconteceu às margens do Ipiranga. D. Pedro, pressionado por interesses de grandes potências econômicas, não tem nenhuma opção a não ser admitir a Independência do Brasil. Para que isto acontecesse, foi necessário que se pagasse cerca de 2 milhões de liras esterlinas a Inglaterra, dinheiro este proveniente da já enfraquecida e explorada nação Brasileira. Nossa nação teve que amargar esta dívida por muitos anos. Nossa “independência”, ao contrário de muitas outras nações, feitas à base de sangue e revolução social, aconteceu, literalmente, no grito.
Por isto ainda continua a luta pela independência: Precisamos de autonomia de recursos, de capacitação tecnológica, industrial e principalmente cultural. Precisamos de autonomia na Soberania nacional, mas ainda me preocupa de forma especial, nossa escravidão espiritual. Milhares de pessoas ainda encontram-se cegas e acorrentadas por forças demoníacas, precisando do Evangelho de Jesus, e precisam ser libertas da opressão das obras malignas. Pessoas continuam morrendo e matando em nome de suas crendices como vimos recentemente na mutilação e sacrifício de crianças para rituais de magia negra na cidade de Altamira, PA.
Ecoa em nossos ouvidos a profunda e solene declaração de Jesus: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (Jo 8.32)
O problema é que a história é sempre contada pelos poderosos, para atender a interesses ideológicos. Afinal, o herege quase nunca é o que vai para a fogueira, mas quem coloca o outro para ser queimado, mas aquele que foi para a fogueira não pode escrever sua história, então aceita-se a versão oficial do opressor, que conta o fato conforme lhe interessa, para que não venha a ser culpado nem julgado no futuro. Afinal, não gostamos de depor contra nós mesmos, por isto os tribunais buscam testemunhas, pessoas que possam depor e contar outra versão. A nossa leitura pessoal, tendenciosa e cínica não vale…
O que aconteceu às margens do Ipiranga. D. Pedro, pressionado por interesses de grandes potências econômicas, não tem nenhuma opção a não ser admitir a Independência do Brasil. Para que isto acontecesse, foi necessário que se pagasse cerca de 2 milhões de liras esterlinas a Inglaterra, dinheiro este proveniente da já enfraquecida e explorada nação Brasileira. Nossa nação teve que amargar esta dívida por muitos anos. Nossa “independência”, ao contrário de muitas outras nações, feitas à base de sangue e revolução social, aconteceu, literalmente, no grito.
Por isto ainda continua a luta pela independência: Precisamos de autonomia de recursos, de capacitação tecnológica, industrial e principalmente cultural. Precisamos de autonomia na Soberania nacional, mas ainda me preocupa de forma especial, nossa escravidão espiritual. Milhares de pessoas ainda encontram-se cegas e acorrentadas por forças demoníacas, precisando do Evangelho de Jesus, e precisam ser libertas da opressão das obras malignas. Pessoas continuam morrendo e matando em nome de suas crendices como vimos recentemente na mutilação e sacrifício de crianças para rituais de magia negra na cidade de Altamira, PA.
Ecoa em nossos ouvidos a profunda e solene declaração de Jesus: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (Jo 8.32)
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