Uma das pessoas mais brilhantes que conheci contou uma história pessoal que fez muito sentido para mim. Ele trabalhava numa empresa e havia uma função na qual esperavam bons resultados dele e ele não conseguia performar bem. Apesar de ser muito eficiente em outras áreas e ter o reconhecimento da empresa pela sua competência, nesta função específica, ele não conseguia sucesso. Frustrado compartilhou seu sentimento com um amigo que lhe disse: “Precisamos aprender o que sabemos e o que não sabemos e explorarmos melhor aquelas áreas nas quais somos produtivos. Quando eu sei que não sei, não dói!”
Outro jovem profissional, teve carreira meteórica numa multinacional. Um dia sua empresa o transferiu de setor e ele foi colocado sob a coordenação de outro departamento, ele deixou de ser comercial para exercer uma função burocrática. Foi um fracasso. Em poucos meses, apesar de já estar na empresa por mais de seis anos, ele foi mal avaliado e eventualmente demitido.
Sócrates afirmou: “Quanto mais sei, mais sei que nada sei.” Recentemente assisti a um documentário no qual as pessoas tiveram que traçar um plano de ação de uma operação de guerra muito sensível. Não havia margem para erro, mas apesar de não terem ainda uma convicção clara precisavam agir. Na tensa análise do cenário, fizeram algumas perguntas interessantes:
O que sabemos?
O que não sabemos?
E com base nisto, o que devemos fazer?
Outras questões e desdobramentos vieram em seguida, perguntas que precisavam ser avaliadas, dentre elas uma em especial me chamou a atenção: “O que a gente acha que sabe e que a gente sabe que não sabe?”
Estas perguntas são o alicerce de uma liderança sólida. É um exercício de honestidade intelectual e de estratégia aplicada. O que você sabe é o chão da realidade. Representa o seu capital de informações. O saber é a ilha de segurança. É o conjunto de fatos, experiências e habilidades que nos permitem operar sem entrar em colapso, e fornece a previsibilidade.
O que você não sabe, é o espaço da prudência e vigilância. Saber dá autoridade, não saber dá humildade e evita riscos desnecessários. o que você "não sabe que não sabe" são os seus pontos cegos e causa os maiores erros humanos, pois agimos com base em pressupostos falsos que sequer questionamos. O "não saber" não é um sinal de fraqueza; é o espaço onde a possibilidade reside. A sabedoria não é apenas o acúmulo de saber, mas a gestão inteligente da ignorância. Quem sabe que não sabe lida com mais prudência as grandes questões ainda desconhecidas e busca resposta sabia. A tríade — o que sei, o que não sei e como ajo — é o motor da evolução humana.
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